Disco de Chico Buarque narra crônicas em canções delicadas

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Image via Wikipedia

Chico Buarque sorri acanhado na capa de seu novo disco. A foto em preto e branco, escrito apenas Chico, sugere um modelo de recato e melancolia em seu novo trabalho, que chega às lojas no próximo dia 22 de julho. Mas quem abre o digipack, admira-se ao deparar-se com tantas cores.

As letras das composições aparecem embutidas numa paleta de 20 tons que enfeitam o encarte sem qualquer imagem. E a simplicidade da arte e do título de seu novo trabalho também colorem as dez canções que compõemChico, seu primeiro disco de inéditas desde Carioca (2006) –e do romanceLeite Derramado (2009).

O álbum –que sai pela Biscoito Fino numa estratégia de divulgação online exclusiva para compradores do álbum em esquema de pré-venda, por R$ 29,90 no site http://www.chicobastidores.com.br– traz as poesias e crônicas do compositor, escritor e poeta de 67 anos em canções suaves e delicadas, que desfilam em gêneros diversos e pouco lembram a capa melancólica do álbum. Há, sim, variações que se prestam a um caráter reflexivo, mas não necessariamente taciturnas.

A já conhecida Querido Diário, que desde 20 de junho circula pela internet, abre o álbum com os relatos de Chico sobre as pessoas que o cercam (“hoje topei com alguns conhecidos meus”), as disfunções sociais (“hoje a cidade acordou toda em contramão”), as aflições (“hoje pensei em ter religião”), as relações (“hoje afinal conheci o amor”) e as pessoas que teme (“hoje o inimigo veio me espreitar”). “É um novo ‘Cotidiano’”, compara o próprio compositor com sua música de 1971.

A marchinha de vanguarda Rubato (roubado, em italiano), parceria com Jorge Helder e acompanhada por uma banda de coreto, vem na sequência descrevendo o roubo de uma composição de amor que é reciclada para homenagear diferentes amantes, numa alusão à especulação sobre identidade e autoria de seu romance Budapeste (2003). “Venha ouvir sem mais demora/ a nossa música/ que estou roubando de outro compositor”, ele canta.

O blues Essa Pequena introduz a paixão de um homem por uma moça mais nova, emoldurado por piano, violões, baixo acústico e violino. “Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas/ o blues já valeu a pena”, comemora na letra. Em Tipo Um Baião, Chico brinca com o andamento da canção ao recitar uma desilusão amorosa, e compara: “Meu coração/ que você sem pensar/ ora brinca de inflar/ ora esmaga/ igual que nem/ fole de acordeão/ tipo assim num baião/ do Gonzaga”.

A singela Se Eu Soubesse, uma espécie de chanson française, traz Chico dividindo versos com a cantora curitibana Thais Gulin, de 30 anos, sua suposta nova namorada. “Ah, se eu pudesse não caía na tua/ conversa mole, outra vez/ não dava mole à tua pessoa”, ele canta, até encontrar com a voz dela: “Mas acontece que eu sorri para ti/ e aí larari, lairiri, por aí”. A parceria não é exatamente original: Chico já havia cedido a canção –até então inédita– e sua participação para Thais lançar em seu segundo disco, “ôÔÔôôÔôÔ”, que saiu em abril.

A faixa 6, Sem Você 2, abre espaço para o andamento lasso jobiniano e a narração arrastada e triste de um amor que se foi. “Sem você/ é um silêncio tal/ que ouço uma nuvem/ a vagar no céu/ ou uma lágrima cair no chão/ mas não tem nada, não”, diz Chico, aqui sim tomado pelo desalento, na música com menos de três minutos de duração.

A tristeza é interrompida pelo samba de gafieira Sou Eu, canção que Chico escreveu com Ivan Lins e deu a Diogo Nogueira para o disco do novato “Tô Fazendo a Minha Parte” (2009), e que agora ganha a voz do compositor. Aqui, Chico convida Wilson Neves para se gabar de que “sou eu/ só quem sabe dela sou eu/ quem joga o baralho sou eu/ quem brinca na área sou eu”.

Nina, a valsa que ocupa a faixa 8 do álbum, fala de uma figura onírica na distante Moscou que incita o autor a viajar até a capital russa –ou ao menos a espiar a cidade em mapa virtual. “Nina diz que se quiser eu posso ver na tela/ a cidade, o bairro, a chaminé da casa dela”, ele canta, levado por um percurso de acordeão, arrematado por um acorde dramático de piano.

As confusões de memória do narrador de Leite Derramado recaem na graciosa Barafunda. “Era Aurora/ Não, era Aurélia/ ou era Ariela/ não me lembro agora/ é a saia amarela daquele verão/ que roda até hoje na recordação”, ele canta, lembrando que é carioca (“Foi na Penha/ não, foi na Glória”), evocando futebol (“Era Zizinho, era Pelé”) e terminando na companhia de “É Garrincha, é Cartola e é Mandela”.

A canção mais longa do disco, Sinhá, de quatro minutos, encerra o pouco mais de meia-hora de duração de Chico ao lado de João Bosco, num clima tão lírico quanto soturno da herança da escravidão permeado apenas por percussões e violões. “E assim vai se encerrar/ o conto de um cantor/ com voz do pelourinho/ e ares de senhor”, despede-se Chico em preto e branco.

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Três anos do Portal Voluntários Online

Pessoas transformam, pessoas fazem a diferença. O que as motiva? O que as une? A vontade de construir uma sociedade mais justa e um mundo melhor. Que precisa de muitas mãos.

Portal Voluntários Online surgiu em julho de 2008 com o objetivo principal de ser um elo entre quem quer ajudar (voluntários) e quem precisa de ajuda (ONGs). Hoje, após três anos, somos muito mais do que isso. Somos uma rede de milhares de pessoas que estão transformando o mundo que temos para o mundo que queremos.

É com imensa alegria que informamos que no dia 15 de julho o Portal Voluntários Online completa três anos. Durante todo este tempo, o VOL  – projeto do Instituto Voluntários em Ação – tem servido como uma ferramenta inovadora e pioneira, que por meio da internet ajuda a aproximar voluntários e ONGs em todo Brasil.

Desde 2008, 490 organizações e quase 35 mil pessoas já se cadastraram no Portal (www.voluntariosonline.org.br), que oferece vagas presenciais e online em todo país.

Os parabéns este ano vão para vocês: nossos voluntários, organizações cadastradas, parceiros e imprensa, além das pessoas que nos ajudam a divulgar o Portal nas diferentes mídias sociais.

Como agradecimento, trouxemos aqui depoimentos de voluntários, uma retrospectiva de algumas campanhas, vídeos, apresentação de nossa equipe e outras algumas informações interessantes sobre o Portal Voluntários Online.

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Situação do Hospital Marieta será apresentada em audiência entre prefeitos da AMFRI e Governo do Estado

Reunião Prefeitos na Amfri 14/07/2011

A crise enfrentada pelo Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen devido à sobrecarga de atendimentos foi tema de discussão entre os prefeitos da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí – AMFRI, em reunião realizada na última quinta-feira (14), na sede da entidade. Preocupados com a situação do hospital, os chefes do poder executivo discutiram ações a curto e médio prazos, no sentido de solucionar o problema da instituição. Uma delas será o agendamento de uma audiência com o Governo do Estado para apresentar as condições em que o Marieta se encontra.

Outra solução proposta pelo secretário de Saúde de Balneário Camboriú, Dr. José Roberto Spósito, seria a formação de uma rede vocacionada de atendimento, onde o paciente pudesse ser direcionado conforme a especialidade dos demais hospitais da região. “Cada hospital cumpriria uma determinada missão nesta rede, sabendo o que iria oferecer e de que forma iria proceder”, propôs o secretário.

A situação do hospital é crítica. Antes, o número de atendimentos de pacientes graves por mês era de 5 mil. Hoje, são 9 mil atendimentos. “Nós temos uma demanda incontrolável. Estamos vivendo um caos terrível. Os médicos se sentem inseguros, e não temos tempo nem de fazer a higienização dos leitos”, descreveu o diretor do Hospital, Lírio Eing.

No momento, 28 pacientes estão sendo atendidos em macas, no pronto atendimento, conforme relatou a diretora jurídica do Hospital Marieta, Zilda Bueno. Para a diretora, a solução emergencial para o problema seria a implantação imediata de 40 leitos e a contratação de profissionais de diversas áreas para atuar no pronto atendimento. Além da ampliação, o hospital necessita de recursos mensais para custear a contratação dos médicos. “Não adianta só aumentar o número de leitos, se não tivermos condições de contratar mais médicos”, argumentou.

O prefeito de Itajaí, Jandir Bellini, que convocou a reunião, reconhece a gravidade do problema. “O Marieta não tem condições físicas, humanas e financeiras de dar sustentação a esta situação”. Conscientes da situação do Hospital, os prefeitos da região da AMFRI irão agendar reunião com o Governador do Estado, Raimundo Colombo, para relatar as condições do hospital e solicitar apoio. “Estaremos lá para fazer o reforço político”, declarou o prefeito de Penha e presidente da AMFRI, Evandro Eredes dos Navegantes.