Deixem as baleias namorarem


Pérola do litoral baiano, Abrolhos foi o primeiro Parque Nacional Marinho criado no Brasil, em 1983, com aproximadamente 910 km2. É a zona mais importante em biodiversidade marinha do Atlântico Sul, onde está o maior e mais exuberante banco de corais desse pedaço do oceano. Abrolhos é lar de mais de 1.300 espécies de invertebrados, peixes, tartarugas, aves e mamíferos marinhos. Destas espécies, 45 são consideradas ameaçadas pelo IUCN e pelo Ibama.

É também área de acasalamento e reprodução de baleias jubarte, espécie que foi quase dizimada por séculos de caça comercial. Com grande potencial turístico, Abrolhos atrai 80 mil visitantes a cada ano.

Hoje o entorno de Abrolhos encontra-se desprotegido. A área que é delimitada como Parque Nacional abrange apenas 2% do complexo total, deixando a desejar em termos de conservação. Em 1983, ano de criação do parque, a ciência pouco sabia sobre as dimensões necessárias para a proteção efetiva da região. Agora, não bastasse a pesca predatória, o aquecimento global e a cultura de camarão, a situação se agrava mais com o iminente licenciamento de blocos de exploração de petróleo em seu entorno.

A atividade humana na região pode ter impactos na biodiversidade sensível à poluição, além dos riscos de vazamento inerentes a esse tipo de operação. Explorar petróleo em Abrolhos é colocar em risco uma riqueza incalculável.

Nesse contexto, o Greenpeace pede uma moratória de 20 anos na exploração de gás e petróleo no banco de Abrolhos e a ampliação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos em 20%. A moratória é um acordo estabelecido pelo governo e pelo setor privado, respondendo à pressão dos brasileiros que desejam um modelo econômico mais verde e limpo para o Brasil.

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