Twitter a serviço da população

Além do @defesacivilsc, outras centenas de órgãos públicos se aventuram na rede buscando diálogo direto com o cidadão e tentam criar uma imagem mais amistosa e transparente. Mas quem são os responsáveis por esses canais de comunicação? O Twitter se tornou o melhor caminho para acompanharmos servidores públicos, prefeituras, governos e juízes?

Em fevereiro de 2011, um tweet enviado pelo perfil oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) chamou a atenção dos seus quase 100 mil seguidores: “Ouvi por aí: ‘agora que o Ronaldo se aposentou, quando será que o Sarney vai resolver pendurar as chuteiras?’”. Após esclarecimento do STF, soube-se que a mensagem foi publicada acidentalmente e só aconteceu porque o autor pensava estar usando o perfil pessoal e não o da mais alta corte do país.

O perfil do Supremo no Twitter, assim como o da grande maioria dos órgãos públicos, é administrado por funcionários da assessoria de comunicação da casa, normalmente divididos entre concursados e terceirizadas. O STF disse por meio de nota que não houve alterações desde o acidente digital e que mantém hoje profissionais “experientes no manejo das mídias sociais”. Independente disso, a lista de seguidores do @STF_oficial continua crescendo. “O Twitter é fonte relevante de informação para a sociedade, principalmente em ocasiões de julgamentos de temas polêmicos, quando se verifica aumento significativo do número de seguidores e acessos”, diz a nota.

Outro caso de confusão entre público e privado no Twitter — que também envolveu o senador José Sarney (PMDB-AP) — aconteceu no perfil da Secretaria de Cultura de São Paulo em março deste ano. “PQ foi o José Alencar e não o #Sarney?”, lia-se na timeline do órgão após o falecimento do então vice-presidente José Alencar. A causa do erro foi a mesma do STF, mas nesse caso, resultou na “elaboração de um manual de conduta interno para uso das redes sociais”, após ter “reafirmado a importância” do Twitter, afirmou a secretaria ao Link. Hoje, a conta é administrada por um jornalista e um estagiário e tem quase 28 mil seguidores.

Como diferencial, o @BombeirosPMESP, criado no fim do ano passado, se destaca em um ponto: a informalidade. Em meio ao anúncio das 550 ocorrências diárias, os tuiteiros ainda arrumam um tempo para conversar com seus seguidores (@BombeirosPMESP @torres_vr: ?? Não entendi ??”) ou passar dicas importantes de segurança, como esse “NUNCA USE O ELEVADOR PARA SAIR DE UM PRÉDIO ONDE HÁ UM INCÊNDIO”, desse jeitinho, nada discreto, para chamar a atenção mesmo.Plantão no Twitter. “07:30 Bom Dia a todos seguidores do Twitter, Cb Moitinho até 19:30″. Pode não ser tão evidente, mas esse tweet animado do Cabo Moitinho é comum no perfil dos Bombeiros de São Paulo. Além dele, outros oito profissionais da corporação se revezam na hora de passar recados, solucionar dúvidas e atender chamados da população.

Um dos tuiteiros da corporação conta como o canal também ajuda para agilizar o trabalho e atendimento real à população. O cabo Marco, de 35 anos, relatou ao Estado: “Recebi a informação de um acidente de moto. Passei para o 193 e já acionei a viatura para o local”.

No comando do agitado Twitter da Defesa Civil de Santa Catarina está a assessora de comunicação Fabiane Costa, de 29 anos. Ela conta que, além da divulgação de alertas, noticia condições de rodovias, doações a municípios, número de desalojados, cidades impactadas, mudanças de clima, etc. “Percebemos que ao inserir no Twitter um alerta de tempo, muito retuitam, o que amplia ainda mais o sistema de alerta”. Ela lembra que recentemente uma “seguidora” reclamou do atendimento a um certo município no interior do Estado. O recado foi encaminhado internamente e a Secretaria, por fim, entrou em contato com os responsáveis na cidade para solucionar o problema.

Situação semelhante aconteceu com o Twitter da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. O perfil ganhou destaque durante a Ocupação do Morro do Alemão, no final de 2010. Pouco antes da ação da polícia, ônibus foram queimados e muitos boatos se espalhavam pelo Twitter gerando pânico. O subsecretário de Segurança, Edval Novaes, fez uso da ferramenta para tranquilizar a população e passar informações, que segundo a polícia carioca, correspondiam com a verdade. Pela Twitcam, Novaes transmitiu diretamente da Secretaria o seu depoimento à população.

“Teve ainda um caso recente, depois do massacre no Realengo, em que um usuário nos avisou da possibilidade de um aluno em outra escola ter falado na internet que pensava em fazer algo parecido”, conta a jornalista responsável pela comunicação da secretaria, Gabriela Moreira. Após o comunicado, o relato foi repassado para Inteligência da Polícia do Rio que foi atrás do caso.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/link/twitter-a-servico-do-publico/

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Hollywood Leaks é grupo hacker que quer divulgar fotos secretas de celebridades

Eles se consideram uma ramificação do Anonymous e querem mostrar para o mundo roteiro de filmes, números de celulares e e-mails de famosos.

Um novo grupo de hackers não está atrás de números de cartões de crédito ou de documentos governamentais. Eles querem mais: scripts de filmes, contas no Twitter e fotos de celebridades nuas tiradas com celular. O Holllywood Leaks vai usar o que for necessário para mostrar o que acontece dentro do mundo da indústria do entretenimento.

Nas últimas semanas, o grupo de hackers silenciosamente entrou em contas de e-mail de pessoas ligadas à indústria do entretenimento e começou a divulgar o que achou por lá. Eles invadiram uma conta de e-mail de um ator que estará em um filme com Tom Cruise e descobriram que o roteiro foi enviado para o elenco por e-mail. Eles baixaram o conteúdo e colocaram no Pirate Bay. Eles também divulgaram número de celular de celebridades no site de compartilhamento de documentos Pastebin.com, incluindo nomes como Miley Cyrus, Lil Jon e Ashley Greene.

O grupo se considera uma ramificação do Anonymous e se apropriou do slogan “Nós nunca perdoamos, nós nunca esquecemos” (“We never forgive, we never forget”, no original). A diferença é que, enquanto o Anonymous se concentra no mundo da política e na Igreja da Cientologia, o Hollywood Leaks quer apenas celebridades nuas. “Estamos aqui para facilitar o fluxo de informações de Hollywood”, disse um representante do grupo para o siteGawker.

Uma das ações do grupo aconteceu no último final de semana. Durante o MTV Video Music Awards, o twitter da rapper Kreayshawn foi invadido pelo Hollywood Leaks, que postou fotos nuas da garota, roubadas do celular, para seus mais de 300 mil seguidores. A artista afirmou, no dia seguinte, que as fotos foram tiradas quando ela era menor de idade, mas os hackers logo desmentiram a informação: elas teriam sido tiradas em 2009, quando ela tinha 20 anos, e foram originalmente enviadas para o rapper Lil B, com quem a artista já tinha trabalhado.

Os membros do grupo afirmam que isso é apenas o começo. “Estamos trabalhando para divulgar diversos roteiros de filmes que ainda não foram lançados, e temos muitos e-mails e números de celulares para mostrar no futuro”, afirma. Um dos integrantes do grupo disse que o próximo alvo será um conhecido diretor de cinema.

Astronautas que forem para Marte poderão plantar a própria comida

Os astronautas que farão as primeiras missões para Marte deverão desempenhar outras funções, além de serem astronautas. Eles deverão, também, ser bons fazendeiros e chefs de cozinha. É que manter a comida fresca é um dos grandes desafios encontrados por quem planeja missões para Marte, explicaram especialistas durante o 242º Encontro e Exposição Nacional da Sociedade de Química dos Estados Unidos, de acordo com o canal de ciência do MSN.

Peso, nutrição e variedade representam os maiores problemas, explicou a pesquisadora Maya R. Cooper, do Laboratório de Sistemas de Comida no Espaço. Para viagens curtas em ônibus espaciais, astronautas levam cerca de 1,7 kg de comida. Em uma viagem de cinco anos para marte, isso significaria cerca de 3000 kg por pessoa. “Isso é um claro impedimento para uma missão”, disse Cooper. “Precisamos de novas possibilidades”.

Uma solução considerada é a criação de uma “cozinha-jardim” que permitiria que a tripulação plantasse a comida para ser consumida durante a viagem. Os “candidatos” a serem plantados, atualmente, são alface, espinafre, cenouras, tomates, cebolas, pimentas, morangos e repolho. A comida espacial evoluiu muito desde os blocos congelados e tubos de pasta de dente que os astronautas comiam no passado. Na década de 1960, eles já começaram a esquentar a comida e usar uma colher em um pote especial.

Recentemente, astronautas em ônibus espaciais começaram a beber café e comer ovos mexidos no café da manhã, além de barras de chocolate e bolos, entre outros pratos mais elaborados. As comidas empacotadas precisavam de apenas uns minutos e um mínimo esforço para serem preparados. A NASA espera lançar a primeira missão com tripulação para Marte na década de 2030.

Conferência de ONGs da ONU destaca relação entre sustentabilidade e engajamento público

64ª Conferência Anual DPI/ONGs foi encerrada nesta segunda-feira (05/09), com os participantes ressaltando a necessidade de que os grupos da sociedade civil percebam que as preocupações locais estão relacionadas a questões globais. Durante três dias, delegados e representantes da sociedade civil debateram o tema “Sociedades Sustentáveis; Cidadãos Sensíveis” no encontro realizado em Bonn (Alemanha).

O Subsecretário-Geral das Nações Unidas para Comunicação e Informação Pública (DPI), Kiyo Akasaka, afirmou que a Conferência foi um passo importante para o diálogo e a cooperação entre a ONU e as Organizações Não-Governamentais, e disse que a declaração final será enviada aos organizadores da Rio+20.

O Presidente da Conferência, Felix Dodds, também comentou sobre a declaração final, afirmando que trata-se de um documento rico em conhecimento, informação e ideias. Ele incentivou as organizações a usarem a declaração para impulsionar debates.

Já a Coordenadora Executiva do Programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU), Flavia Pansieri, afirmou que o objetivo de “ligar os pontos” entre comunidades sustentáveis e o engajamento público foi cumprido. Ela também agradeceu o apoio dos parceiros que trabalharam para organizar a Conferência.

Dia da Independência da Corrupção

Nossa querida Ficha Limpa está em perigo — o STF pode julgar a lei inconstitucional e dar margem para que centenas de políticos condenados se candidatem às eleições. Mas a Presidente Dilma pode salvar a lei escolhendo um novo Ministro que seja contra a corrupção.

A corte está dividida, mas esse novo Ministro vai ter o voto decisório. Políticos corruptos estão fazendo pressão por um Ministro que seja contra a Ficha Limpa. Mas nós já derrotamos esses políticos sujos uma vez — nosso movimento, que vem do povo, forçou o Congresso a aprovar a Ficha Limpa contra sua vontade. Podemos fazer isso novamente esta semana se nos mobilizarmos em massa e fizermos um apelo à Dilma para que ela escolha um candidato forte.

A Presidente Dilma se comprometeu em lutar contra a corrupção.Vamos fazer desse dia 7 de setembro o Dia da Independência da Corrupção. Assine essa petição urgente e, em seguida, encaminhe para todos — a petição será entregue diretamente aos conselheiros da Dilma, e apoiadores da Ficha Limpa serão representados em banners nas marchas que acontecerão no Dia da Independência em São Paulo e Brasília.

Nasce o Tio Sam, personificação dos EUA

Em 7 de setembro de 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido, Tio Sam. O nome está vinculado a Samuel Wilson, um empacotador de carne de Troy, Nova York, que fornecia bifes acondicionados em barris ao exército dos Estados Unidos durante a Guerra de 1812. Wilson (1766-1854) etiquetava os barris com a expressão “U.S.” de United States, mas os soldados começaram a se referir à comida como de U.S. – Uncle Sam. O jornal local publicou essa história e a expressão Uncle Sam ganhou ampla aceitação como o apelido do governo federal dos Estados Unidos.

No final dos anos 1860 e nos anos 1870, o cartunista político Thomas Nast (1840-1902) começou a popularizar a imagem de Tio Sam. Nast continuou a desenvolver o desenho, conferindo finalmente à imagem de Tio Sam a barbicha branca e o paletó com as listas e estrelas, que até hoje estão associados à sua figura. Credita-se a Nast, nascido na Alemanha, a criação da moderna imagem do Papai Noel, bem como a apresentação do burro como símbolo do Partido Democrata e do elefante como símbolo do Partido Republicano. Nast também satirizou genialmente a corrupção no Tammany Hall da cidade de Nova York – sociedade política, formada por membros do Partido Democrata, que dominou o governo municipal de Nova Iorque entre 1854 a 1934, quando Fiorello LaGuardia foi eleito prefeito – , em suas charges na imprensa e foi, em parte, responsável pela queda do líder do Tammany, William Tweed.

Talvez a mais famosa imagem do Tio Sam tenha sido criada pelo artista James Montgomery Flagg (1877-1960). Na versão de Flagg, o Tio Sam veste uma cartola alta e uma jaqueta azul e está apontando diretamente para quem o vê. Durante a Primeira Guerra Mundial, este retrato de Tio Sam com as palavras “Eu quero você para o Exército dos Estados Unidos” foi usado como pôster de recrutamento. A imagem, que se tornou imensamente popular, foi publicada pela primeira vez como capa da revista mensal Leslie com o título “O que você está fazendo pela preparação”. O pôster foi amplamente distribuído e subsequentemente utilizado numerosas vezes com distintos subtítulos ou textos-legendas, até no exterior para expressar a perene política do “destino manifesto” de Washington.

Em setembro de 1961, o Congresso dos Estados Unidos reconheceu Samuel Wilson como o “símbolo nacional da América do Tio Sam”. Wilson faleceu aos 88 anos em 1854 e foi enterrado ao lado de sua mulher, Betsey Mann, no cemitério de Oakwood, em Troy, Nova York, uma cidade que se cognomina como “O Lar de Tio Sam”.

Mais fatos de hoje

Conselhos comunitários de segurança: promessa participativa ou ameaça?

A participação passa a ganhar valor e sentido nas relações sociais e nas relações entre Estado e sociedade no Brasil a partir da década de 70. É a carta magna de 88 que prevê o direito da sociedade de articular com os órgãos de governo a formulação, implementação e acompanhamento das políticas públicas, colocando em pauta a participação popular na gestão e no controle da administração pública.

Normalmente definidos como espaços consultivos cujo objetivo é, dentre outros, aproximar as instituições policiais da sociedade, fazendo com que esta passe a contribuir com o controle e a redução da violência e da criminalidade, os conselhos comunitários de segurança representam um desses mecanismos de participação social inventados pelo Estado com o objetivo de fazer com que a população contribua na gestão das políticas públicas de segurança.

Não se trata de uma tarefa trivial. População e suas polícias permaneceram distantes durante décadas e este distanciamento pode ser explicado por diferentes razões. No nosso caso a chamada “segurança pública” durante muitos anos foi vista mais como uma faculdade do Estado do que um “direito social” propriamente dito. A “segurança pública” foi muito tardiamente pensada como algo que deveria ser compartilhado com os cidadãos.

invenção dos conselhos comunitários de segurança data do início da década de 80, mas esta experiência é intensificada e disseminada no Brasil a partir de 2002, ano que coincide com publicação de modificações na lei do Fundo Nacional de Segurança Pública. A bibliografia sobre o tema reconhece o caráter híbrido dos conselhos, visto que congrega, no mesmo espaço sócio-político, atores do Estado, do governo, da “sociedade civil organizada” e da comunidade política como um todo. Esse modo sui generis proporciona à comunidade uma espécie de “tempo de participação na política”, diferente e independente do “tempo das eleições”, permitindo aos seus atores o seu “dia de cidadão”, atribuindo ao conselho um lugar onde é possível observar um processo pedagógico voltado para a criação de um tipo de cidadão, um “cidadão-participante”.

No entanto, a institucionalização dos conselhos comunitários de segurança como política participativa não é objeto de consenso. Ainda que seja reconhecido seu caráter inovador, não raro a bibliografia disponível sobre o tema aponta para a existência de estratégias de privatização do direito à segurança na sua composição e no interior das reuniões. Outro aspecto mencionado reside na baixa capacidade dos conselhos de influenciarem na solução dos problemas concretos apontados pelos moradores da região, ou ainda a reificação de discursos preconceituosos e de estereótipos de determinados sujeitos, como “prostitutas”, “pobres”, “favelados”, “viciados” e “mendigos”, apenas para dar alguns exemplos.

De uma forma ou de outra, o conselho comunitário de segurança não deve ser interpretado simplesmente como uma grande promessa à democracia participativa ou, em contrapartida, como uma grande ameaça. É importante perceber o conselho comunitário de segurança como um espaço que permite que novas práticas e novos sentidos da participação sejam dramatizados, para além dos objetivos planejados pelo governo. As práticas de preparação da reunião, as performances de distribuição da palavra e da escuta, as discussões que são encenadas nos encontros e as estratégias de manutenção deste espaço revelam uma interessante experiência.

Se é correto afirmar que a cidadania é algo que se aprende a partir do compartilhamento de espaços de negociação e construção constantes, os conselhos também podem ser compreendidos como um lugar de aprendizado deste tipo de cidadania que se pretende exercer, onde  mestres e aprendizes se revezam em diferentes estágios de iniciação.

Escrito por Luciane Patrício, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e integrante do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT/InEAC). Antropóloga, servidora da Secretaria Nacional de Segurança Pública e professora da Universidade Católica de Brasília.

Fellini estreia o filme La Strada

Cartaz de lançamento do La Strada

Estreia em 7 de setembro de 1954 no Festival de Cinema de Veneza a obra-prima de Federico Fellini, La Strada. O filme é um drama do neo-realismo italiano do pós-guerra em que uma inocente jovem é vendida a um artista de rua e seguem juntos pela estrada como parte de seu show itinerante.

La Strada ganhou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1956, o primeiro nesta categoria. O filme conta a história de Gelsomina (Giulietta Masina), uma excêntrica jovem, que é vendida pela própria mãe por Zampanò por 10 mil liras.

Zampanò ganha a vida como artista itinerante, entretendo as pessoas ao quebrar uma corrente de ferro firmemente em torno de seu peito. Gelsomina, por sua vez é ingênua, e aprende com o tirano a tocar trompete e tambor. Ao mesmo tempo, a despeito de sua disposição de agradá-lo, Zampanò  a deixa cada vez mais dependente dele e a mantém sob seu domínio.

Um dia ela se rebela, o abandona e passa a vagar pela cidade, quando conhece Il Matto (O Bobo), um talentoso equilibrista e palhaço (Richard Basehart) que também é artista de rua. Dias depois, Zampanò a encontra quer fazê-la voltar à força. Os dois então juntam-se a um desorganizado circo itinerante, onde Il Matto já trabalhava.

Por razões que ele mesmo não podia entender, Il Matto maliciosamente toma o lugar do tirano a cada oportunidade. Ao ficar empapado por um balde de água, Zampanò o persegue com um punhal. Os dois são presos e por fim despedidos do circo.

Após a saída da prisão, Il Matto diz a Gelsomina que há alternativas a sua servidão e transmite sua filosofia que tudo e todos têm um objetivo, mesmo um pedregulho, até ela. Gelsomina oferece a Zampanò a possibilidade de casamento, mas ele a repele.

Os distintos caminhos do bobo e do tirano cruzam-se pela última vez em um trecho ermo da estrada, quando Zampanò topa com Il Matto trocando o pneu do carro. O tirano satisfaz sua vingança com uma série de golpes na cabeça sob os olhares de uma Gelsomina horrorizada. Il Matto reclama que seu relógio foi quebrado antes de desmaiar e morrer. Zampanò esconde o corpo e tira o carro da estrada.

O assassinato faz o espírito de Gelsomina desabar. Dez dias passados, continua arrasada, seus olhos não têm vida. Não podendo mais suportar, Zampanò a abandona enquanto ela tirava um cochilo.

Alguns anos mais tarde, ouve uma mulher cantando uma canção que Gelsomina costumava cantar. Toma conhecimento de que o pai dessa mulher encontrou Gelsomina na praia e bondosamente a acolheu. Contudo, ela definhou e morreu. Zampanò se embebeda e vagueia pela praia, cai e chora convulsivamente.

A ideia do personagem Zampanò surgiu da adolescênciade Fellini, na cidade costeira de Rimini. Havia lá um homem que levava todas as meninas para a cama. Uma vez que deixava a pobre menina grávida, todo mundo dizia que o bebê era filho do diabo. Em uma daquelas tortuosas estradas de terra, avistou um homem puxando uma carreta coberta de lona e uma mulher magrinha o ajudava empurrando o veículo por trás.

A trilha sonora do filme,  composta pelo genial Nino Rota, também merece atenção especial. Com uma canção melancólica que aparece ao longo das cenas como uma melodia executada por Il Matto em um violino miniatura e depois por Gelsomina quando aprende a tocar trompete, a última entrada é cantada pela mulher que conta a Zampano o destino de Gelsomina.

A crítica Dominique Aubier escreveu no Les Cahiers du Cinéma sobre La Strada: “… Fellini atinge um auge raramente alcançado por outros cineastas: o estilo a serviço do universo mitológico dos artistas. Este exemplo uma vez mais prova que o cinema tem menos necessidade de técnicos – já existem muitos – do que inteligência criativa. Para criar tal filme, o autor deve ter não somente um considerável dom de expressão, mas também uma profunda compreensão de certos problemas emocionais”.

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