Dilma é Dilma, Lula é Lula: cada um com as suas qualidades

Lula e Dilma mantêm conversas constantes

O talento de Luiz Inácio Lulada Silva para lidar com as multidões; sua expertise em diálogo, adquirida nas mesas de negociação com os patrões como sindicalista; a ascendência sobre o PT, por ter sido, desde a criação do partido, a ligação entre os quadros de esquerda e as massas; e até um tendência ao pragmatismo acabaram concentrando todos os elementos de governabilidade em suas mãos, nos seus dois mandatos (2002-2010). O carisma e o talento político, e algumas apostas bem sucedidas – que permitiram a inclusão de grandes contingentes pobres à sociedade de consumo – se sobrepuseram a condições extremamente desfavoráveis do seu mandato.

Lula lidava com uma elite política rachada ao meio: na base de apoio, tinha que lidar com a política de clientela de partidos tradicionais, à direita ou ao centro; na oposição, com um udenismo que tinha grande potencial de instabilização do regime. Sem fazer o governo dos sonhos da esquerda de seu partido ou dos movimentos sociais, a guinada à direita do PSDB e o “lulismo” das bases acabaram limitando a ação dos grupos mais radicais. Seu vínculo com a CUT também neutralizou o movimento sindical.

Todo o temor dos setores de centro-esquerda nas eleições do ano passado residia no fato de a candidata ungida por Lula, Dilma Rousseff, não ter as mesmas qualidades. A presidenta eleita não tem vínculos históricos com o PT ou com os movimentos sociais, não tem prática de negociação – nem no movimento sindical, nem com os partidos políticos – e não é uma líder popular. Os primeiros nove meses de governo, todavia, mostram que, em alguns casos, ela transformou suas desvantagens em vantagens. Depois de oito anos de governo de um líder político como Lula, era obrigatória a reautonomização dos partidos e dos movimentos sociais.

A crise política e a radicalização à direita do PSDB e do PFL juntaram esses atores em torno de Lula. O governo Dilma acena para uma certa organização da vida institucional, pelo menos no que se refere às forças que deram apoio orgânico à sua candidatura. A disputa política tende a ser menor no cenário institucional e se desloca para a sociedade. Governo vira governo, partido vira partido, movimento sindical vira movimento sindical e movimentos sociais viram movimentos sociais.

O Congresso do PT, realizado no início de junho, é um exemplo. O partido saiu da toca e construiu sua própria agenda política, com itens que o governo não necessariamente assumirá, como a regulamentação da mídia. A reforma política, se comove governo e partido, está nas mãos do partido: a opinião pública precisa estar convencida disso e a luta se dá no Legislativo, entre os partidos políticos. A CUT reassumiu a bandeira da redução da jornada de trabalho sem o correspondente corte em salários. O MST aproveitou uma evidente preferência do governo por medidas destinadas ao incentivo da produção na propriedade familiar, tem sido ouvido nas suas reivindicações por crédito e tecnologia para assentados e deve colocar a reforma agrária no campo de luta social (até hoje não foi feita nenhuma desapropriação para fins de reforma agrária no governo Dilma).

Sem grandes vínculos com o partido e com os movimentos sociais historicamente ligados a Lula, Dilma tem gasto mais tempo com eles do que seu antecessor. O ex-presidente entendia esses setores como uma extensão de seu mandato. E tinha o “lulismo” como amortecedor de demandas mais radicais. Desde o episódio dos “aloprados” – em 2006, a Polícia Federal deu flagrante em petistas que tentavam comprar um dossiê contra o candidato ao governo pelo PSDB, José Serra – Lula botou a direção do PT na geladeira. O deputado Ricardo Berzoini, então presidente do partido, amargou o desgaste do episódio junto ao governo até o fim de seu mandato na presidência do PT. Quando José Eduardo Dutra, quadro da confiança de Lula, assumiu a presidência petista, a campanha eleitoral já estava em andamento. O PT se concentrou nas eleições; Lula, no governo e nas eleições.

Com uma composição muito elástica da base parlamentar, Lula evitou conversar diretamente com os movimentos sociais. O que garantiu um certo controle sobre os movimentos mais radicais foi a radicalização à direita da oposição. Não havia interesse desses setores de enfraquecer o governo, depois de terem sofrido um período negro de criminalização nos governos tucanos. A CUT também perdeu o poder de ação, embora os trabalhadores do setor público tenham mantido alguma militância.

Dilma devolveu poder à direção do PT, ao abrir um contato direto com o atual presidente da agremiação, Rui Falcão. Abriu sua agenda para políticos. E, além de ter conversado pessoalmente com líderes de movimentos sociais, manteve o canal aberto com esses setores via Gilberto Carvalho, nomeado secretário-geral, que tem um diálogo inquestionável com eles.

O racha do DEM, o PSD, também foi um grande presente para a presidenta. Com uma base parlamentar muito grande, os pequenos partidos de direita tendem a ser neutralizados com os novos integrantes da base. O governo também pode se dar ao luxo de abrir mão de parte dos votos do PMDB para aprovar matérias de seu interesse. Tanto é assim que a presidenta tem feito as mudanças no Ministério a cada escândalo, devolvendo aos partidos da base o ônus pelo desgaste dos malfeitos dos titulares das pastas por eles indicados.

É certo que muita água vai correr debaixo da ponte até terminar o primeiro mandato de Dilma – e mais água ainda se ela conseguir a reeleição. Mas o fato é que os primeiros meses de seu governo mostram que Dilma é Dilma e Lula é Lula. Cada um lida com as dificuldades de governo com as qualidades que possui.

Secretário-Geral da ONU ressalta papel dos jovens no Dia Internacional da Democracia

Em mensagem para marcar o Dia Internacional da Democracia (15/09) o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, citou os levantes populares no Norte da África e no Oriente Médio como exemplos que mostram que a democracia é um modelo de governança pelo qual todas as culturas anseiam. Ele observou, no entanto, que este modelo não deve ser imposto de fora.

Ban destacou o papel da ONU para desenvolver e fortalecer instituições e práticas democráticas em todo o mundo, bem como o papel da Organização na mediação de conflitos em situações políticas frágeis.

O Secretário-Geral destacou o papel dos jovens como principais catalisadores dos movimentos pró-democracia este ano. “Jovens, acima de tudo, trouxeram esta mensagem para casa. Eles defenderam o ideal democrático e agora enfrentam os desafios de trabalhar para implementar o potencial das transições em andamento que eles ajudaram a estabelecer”, completou.

Aprovadas as Leis de Nuremberg

Jornal do Brasil: Terça-feira, 17 de setembro de 1935. Página 10

“O que a nação alemã desejou, em vão, durante séculos, possui hoje. A Alemanha é um povo unido de irmãos livres dos preconceitos que entravavam os tempos passados. A Alemanha está saneada no interior e no exterior. As suas instituições estão em ordem. A responsabilidade dos dirigentes do Reich é, por isso mesmo, mais considerável. Não pode haver para a nossa atitude integral, senão a diretriz do nosso grande e inabalável amor pela paz…”.

Chanceler Hitler

Reprodução

O Parlamento alemão, Reichstag, formado por integrantes do Partido Nazista aprovou as Leis de Nuremberg defendidas e propostas por Hitler:

Lei concernente à bandeira

Dispõe que as cores da bandeira alemã são preta, vermelha e branca, contendo a cruz suástica.

Lei das modalidades sobre a cidadania e a nacionalidade

Estabelece uma distinção entre o “cidadão do Reich” , detentor de plenos direitos políticos e civís e “cidadão do Estado”. Para ser Reichsbürger, a pessoa precisa provar que possui sangue alemão ou assemelhado e comprovar, através da manifestação da vontade e de ações, que servirá com fidelidade ao povo e ao Reich alemão.

Lei pela proteção do sangue e pela honra alemã

Convencido de que a pureza do sangue alemão é condição prévia da conservação do povo alemão e animado na vontade inflexível de garantir para sempre o futuro da nacionalidade alemã, o Reichstang promulga a lei nas seguintes condições: São proibidos os casamentos ou qualquer relação extra-conjugal entre judeus e cidadãos de sangue alemão. Os Judeus são proibidos de terem como criados em sua casa cidadãos de sangue alemão com menos de 45 anos. Os Judeus são proibidos de içar a bandeira nacional do Reich e de envergarem as cores do Reich. São previstos trabalhos forçados, multas e até prisões para casos de infração à lei.

As leis foram assinadas pelo chanceler do Reich e os ministros do Interior e Justiça.

Prefeituras já podem contratar a construção de creches e pré-escolas

Os municípios brasileiros não precisam mais esperar a liberação de convênios a cada ano para a construir creches e pré-escolas municipais, explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad, nesta manhã (15/9), durante coletiva após a cerimônia de abertura de nova seleção para unidades de educação infantil. Segundo o ministro, a presidenta Dilma Rousseff liberou os municípios para contratação imediata de todas as unidades previstas até 2014.

“O que a presidenta fez hoje foi um gesto inédito. Liberou imediatamente ao prefeito a possibilidade de contratar. Ele não vai mais ter de esperar 2012, 2013, ou 2014 para fazer o convênio. Os convênios estão automaticamente liberados até aquele patamar, por município, que foi decidido pelos critérios estabelecidos. Quem se mexer, quem correr com os processos de licitação vai poder – até 2014 – ter as creches”, disse o ministro.

Ainda durante a entrevista, o ministro defendeu a ampliação dos dias letivos no Brasil. Segundo ele, estudos internacionais demonstram a necessidade de ampliação da carga horária no Brasil. “Agora ela é baixa. Nós vamos ampliar. Há estudos que mostram que o número de dias é mais importante que o número de horas por dia, embora o número de horas por dia também seja importante”, disse.

“Mas o impacto sobre a aprendizagem é até maior quando nós falamos em números de dias letivos por ano”, completou o ministro.

Haddad revelou que o governo federal está discutindo com secretários estaduais e municipais possibilidades concretas e até físicas para as mudanças. “Precisamos trabalhar com o país real e não com o país imaginário. E isso depende dos estudos que estão sendo feitos para verificar qual é a melhor maneira”, disse. O governo vai avaliar também se dará aos gestores a possibilidade de escolher qual a melhor maneira de ampliar a jornada. “Ampliar a jornada é bom. E se houver mais dias letivos é melhor”, concluiu.

Vereador Calinho e a política nossa de cada dia

O Verador Calinho do PMDB é um dos poucos em Ilhota que merece o respeito no legislativo ilhotense. Ele proporcionou um mandato transparente e de realização. De comportamento simples a moda “minera” de ser, Calinho é o que mais se destacou nesta nova safra de vereadores. Acredito que há outros por ai, mas meus olhos só consegue ver três, e Calinho é um desses.

Calinho tuitou recentemente em seu twitter (@vereadorcalinho) um contato super importante e interessante que me chamou a atenção, e quero expôr aqui em meu blog, o fato de uma parceira que poderá ser prosperar e vingar ótimos frutos com deputado Mauro Mariani (@Mauro_Mariani) do PMDB catarinense. Mauro, pra quem não conhece, mas faço a questão de lembrá-los, foi o campeão de votos na última eleição, foi o deputado federal que recebeu das urnas uma vitória consagradora: foi reeleito com 186.733 votos, a maior votação proporcional da história de Santa Catarina.

O vereador conversou por telefone e logo tuitou, repassando ao parlamentar a situação em que se encontrava, referente as chuvas que envolveu todo Vale do Itajaí. O deputado, segundo Calinho, deixou seu gabinete a disposição do município e estará viabilizando algo, talvez uns recursos, para que possamos se erguer e usar a favor de Ilhota.

A parceria entre Mauro e Calinho é uma aliança que já trouxe muitos resultados e benéficos a Ilhota. Tempos atrás, Calinho veio dirigindo um Caminhão Iveco e o prefeito, rebocou um Retroescavadeira, maquinários que passaram a fazer parte do patrimônio do município, totalizando 1/2 milhão de reais.

É isso gente. Calinho é esse cara que come quieto!

Chip de novos BlackBerry agirá como documento de identidade

A RIM quer que o Blackberry seja usado como documento de identidade

Research in Motion, fabricante do BlackBerry, planeja abrir as portas ao uso, por seus clientes, de uma tecnologia criada uma década atrás e que transforma celulares em aparelhos de pagamento.

Todo o setor, da Nokia ao Google, responsável pelo sistema operacional Android, pretende incluir a tecnologia near field communication (NFC) em futuros aparelhos, para tentar substituir o dinheiro em espécie e os cartões de crédito e débito na maioria dos pagamentos, de cafés a ingressos de espetáculos e passagens em meios de transporte.

Os chips NFC permitem troca de dados sem fio em distância de uns poucos centímetros, o que significa que celulares poderiam ser usados para pagar por produtos, armazenar passagens em formato eletrônico, baixar música e trocar fotos e cartões de visitas.

Mas a implementação do NFC para pagamentos vem sendo bloqueada pelos interesses contraditórios de bancos, comerciantes, fabricantes de aparelhos e até mesmo operadoras de telefonia móvel, todos interessados em ficar com uma fatia desse bolo.

É um ecossistema muito dinâmico, há muita gente envolvida e muita coisa precisa acontecer antes que surja massa crítica – disse Andrew Bocking, vice-presidente de software para celulares da RIM.

Enquanto isso, a RIM aproveitará o papel de seus aparelhos como escolha preferencial nas repartições governamentais a fim de permitir que eles se tornem documentos de identidade para acesso a esses locais.

Os funcionários muitas vezes precisam usar seus crachás como cartões de identificação para entrar em um edifício ou acionar um elevador. Há boa probabilidade de que o cartão e o leitor utilizados sejam produtos da HID Global, parte da Assa Abloy.

A RIM e a HID Global anunciaram na quinta-feira uma parceria que permitirá a usuários dos novos RIM Bold e Curve o uso desses aparelhos como cartões de acesso aos seus locais de trabalho ou outras áreas de acesso restrito.

É uma novidade no setor e um marco importante para nós, porque permite que um aparelho móvel armazene dados de identidade para acesso lógico e físico – disse Denis Hebert, presidente-executivo da HID Global.

PNUD seleciona assistente para o Programa de Voluntários da ONU

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) está selecionando um Assistente para o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), em Brasília (DF). As candidaturas deverão ser feitas no UNDP Jobs, a partir da submissão do UNDP Personal History Form (PHF) – P11 até o dia 22 de setembro de 2011.

Para maiores informações, acesse o linkhttp://jobs.undp.org/cj_view_job.cfm?job_id=25796 e leia atentamente as instruções para candidatura. O anúncio também poderá ser acessado em nosso site (Recrutamento e Seleção > Brazil UNDP Jobs). Apenas as candidaturas enviadas dentro do prazo e realizadas por meio do preenchimento do Personal History Form (PHF) – P11 serão analisadas.

Frente Negra Brasileira comemora 80 anos

Fundada em 16 de setembro de 1931, a Frente Negra Brasileira, o primeiro partido político da população afrodescendente do País, faria 80 anos nesta sexta-feira (16/9). A data será lembrada pela Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena do Estado de São Paulo, nesta quinta-feira, 15 de setembro, em ato realizado na Casa de Portugal, na Liberdade (São Paulo capital), local onde estava instalada a sede da Frente.

O evento, que contará com a participação da Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, e do Secretário da Cultura, Andrea Matarazzo, traz ao público um painel sobre a história do partido político, a apresentação da Campanha “Por uma Infância sem Racismo” (UNICEF) e um espetáculo da Orquestra Filarmônica Afrobrasileira, regida pelo maestro José Polia.

O debate, marcado para as 19h, terá a participação do jornalista Oswaldo Faustino e de Vera Benedito, responsável pela Coleção Retratos do Brasil Negro, da Editora ‘Selo Negro’. A Frente Negra Brasileira foi extinta em 1935 pelo Estado Novo, de Getúlio Vargas. Em 1933, o grupo fundou o jornal ‘A Voz da Raça’.

“A Frente Negra foi a mais importante articulação política do movimento negro brasileiro”, afirma Antônio Carlos Arruda, Coordenador Estadual de Políticas para a População Negra e Indígena, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. “Foi um Partido político, com uma concepção de partido político”.

Por uma infância sem racismo

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apresentará ao público presente no evento a campanha nacional sobre o impacto do racismo na infância, lançada em 2010. A iniciativa tem o slogan “Por uma infância sem racismo”.

Para o UNICEF, a discriminação racial não apenas persiste no cotidiano das crianças no Brasil, como também se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

A campanha tem como objetivo mobilizar a sociedade brasileira para a necessidade de assegurar a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância. Para o UNICEF, o combate ao racismo implica valorizar as diferenças, promovendo a igualdade de tratamento e oportunidades para cada menina e menino no Brasil, o que ainda representa um grande desafio para o País.

Assim, busca-se contribuir com o debate nacional sobre direitos da infância e adolescência, envolvendo cada segmento da sociedade no esforço do combate ao racismo a partir do reconhecimento de sua existência.

Feliz 11/09! Muçulmano nos EUA recebe caixa de hambúrger com desenho do WTC

Embalagem do restaurante Petrol Station dada ao muçulmano Tarek G.

No dia 11 de setembro desse ano, quando o mundo recordava os dez anos dos atentados contra os EUA, Tarek G., um muçulmano que mora em Houston, foi ao restaurante Petrol Station para comer um hambúrger. Após fazer seu pedido, o homem  recebeu uma embalagem de isopor com o desenho de um avião colidindo nas Torres Gêmeas e com os dizeres “Feliz 11 de setembro”.

Indignado, Tarek devolveu o hamburger e pediu o dinheiro de volta assim que recebeu o pacote, conforme informou o site Gawker. O atendente, porém, não o reembolsou e ainda deu risada do cliente com um colega de trabalho.

Tarek, por sua vez, insistiu na devolução do dinheiro, o que só aconteceu após a chegada do gerente do restaurante, que não se desculpou pelo ocorrido. O muçulmano contou ainda que ao sair do local ouviu o atendente repetir algumas vezes “Allahu Akbar” (Deus é Maior, em português).

O caso chegou ao dono da rede de sanduíches, Ben Fullilove, que se desculpou pelo ocorrido e disse que o funcionário que causou o constrangimento foi demitido.

“Eu tive a chance de apertar a mão de Tarek e pedir desculpas pessoalmente. Isso significa muito mais para mim do que os danos para a minha empresa”, disse Fullilove referindo-se as críticas recebidas por meio do site Yelp, que avalia serviços nos EUA.

Os Guias Incorretos – requentando o velho conservadorismo

Depois de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, um sucesso de vendas lançado pelo então desconhecido Leandro Narloch, chegou a vez de Guia Politicamente Incorreto da América Latina, do mesmo autor, agora unido ao jornalista Duda Teixeira. Provavelmente também venderá como batata em fim de feira, sobretudo depois de ser propagandeado nos programas do Jô, Faustão e Ana Maria Braga.

“Politicamente incorreto” virou termo da moda, arranjado para substituir tudo quanto é tipo de besteirol, preconceito e ignorância. Ninguém é “politicamente incorreto” ao dizer, por exemplo, que “mulher gosta de apanhar”, “judeu ou palestino tem que morrer”, “negro é tudo macaco” ou que “veado (ou bicha) merece uma bela surra”. Sem eufemismos, o nome correto para isso é machismo, anti-semitismo, racismo e homofobia, respectivamente. É o que existe de mais velho em nossa sociedade, apresentado com “sarcasmo inteligente” e como sendo novidade.

Os dois livros de Narloch e Teixeira tiveram por objetivo atacar personagens históricos que, segundo seus autores, seriam figuras “caricatas” e “desprezíveis” só que “sacralizadas” por “historiadores e professores marxistas” ao longo dos anos. “Mitos” maldosa e trapaceiramente inventados por “comunistas”, com finalidade de “doutrinar” com suas idéias nefastas estudantes inocentes e indefesos.

Confunde-se aqui teoria historiográfica com militância política. Muitos historiadores marxistas realmente foram ou são ligados a partidos políticos, social-democratas, socialistas ou comunistas, um direito de todos. Certamente existiram mais historiadores conservadores e ligados à direita que historiadores de esquerda, mas desconhecemos estudos estatísticos neste sentido.

Para alguns, a produção historiográfica teve uma finalidade muito além das questões partidárias, sendo, sim, pessoalmente, uma obrigação profissional, moral e social. Já outros certamente mais fizeram uso desta ou daquela corrente historiográfica com fins apenas carreiristas e burocráticos. Muitos nunca militaram em partido político algum, seja de esquerda, centro ou de direita, mas enfocaram suas pesquisas em conflitos sociais, influenciados ou não pelo marxismo.

Além do mais, faz algum tempo que o culturalismo, o relativismo e a verborragia “pós-moderna” roubaram a cena nas academias. As razões disso, a chamada “crise de paradigmas”, são extensas demais para serem tratadas aqui. Falar hoje em modo de produção, exploração, imperialismo, burguesia, proletários, classes, luta de classes e demais conceitos marxistas atrai olhares esnobes, de quem vê essas questões como superadas e démodé.

Os “politicamente incorretos” Narloch e Teixeira reconhecem e até elogiam este “novo” cenário historiográfico, que, segundo dizem, “nos últimos 15 ou 20 anos vem produzindo” livros “bem melhores” e “menos politizados”. Os Guias politicamente Incorretos… são apresentados assim porque, a despeito de todo o esforço da “nova-história” da qual julgam fazer parte, “alguns velhos mitos esquerdistas” ainda persistem.

Zumbi dos Palmares, Antônio Conselheiro, Lampião, Luís Carlos Prestes, Simon Bolívar, Salvador Allende e Che Guevara, entre outros, são alguns nomes tratados na versão I e II dos “politicamente incorretos”. Não teríamos espaço aqui para tratar e rebater cada uma das besteiras escritas a respeito dos mesmos. A maioria delas já foi publicada há algum tempo, em outros livros mais sérios e específicos. Os Guias, portanto, não apresentam praticamente nada de novo. São apenas versões caricatas e resumidas do que já foi dito antes. Mostram assim, por exemplo, um Zumbi dos Palmares como sendo também “um senhor de escravos”.  Só não nos dizem por que trabalhadores escravizados do século 17 assim que podiam fugiam imediatamente dos engenhos escravistas alagoanos e pernambucanos para o quilombo dos Palmares, que era um refúgio de cativos e não o inverso.

As críticas a Simon Bolívar, por sua vez, visam mais atacar o atual presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que falar de História da colonização, dos processos de independência ou do liberalismo na América Latina no séc. XIX. Não tem nada de “história isenta” ali. É puro proselitismo político-ideológico, mas os “politicamente incorretos” pensam que apenas os historiadores de esquerda é que têm ideologias.

Che Guevara é novamente tratado como um “frio assassino” e “mau estrategista”. Mas seguindo matéria já apresentada pela revista Veja recentemente, acrescentam que o guerrilheiro seria também “fedorento” por “não gostar de tomar banho”. Ora, eles queriam que o argentino fizesse uma revolução nas selvas e serras cubanas levando consigo chuveiro portátil na mochila e exalando perfumes franceses.

Não existe nada mais antigo na História que atacar tais personagens latino-americanos. A própria “História da América Latina”, em si, já foi taxada como “coisa de comunista” por certa corrente mais conservadora. O profissional de história seria sinônimo de “perigoso subversivo esquerdista”. História “boa”, para essa gente, é aquela que destaca apenas datas e “homens de bem” das classes dominantes, iniciando na Grécia e terminando nos EUA.

Como lembrou o escritor Luis Fernando Veríssimo, não bastou aos assassinos matarem Zapata. Eles tinham que capturar e tentar matar também seu cavalo, que galopava sozinho pelos campos e fazia com que os camponeses pensassem que seu dono o conduzisse, mantendo vivas as suas causas.

Zapata, Zumbi, Conselheiro, Lampião, Bolívar, Prestes, Salvador Allende ou Che Guevara morreram (a maioria assassinada porque ousou lutar) e estão enterrados há muito tempo na América Latina. Entretanto, continuam sendo símbolos populares da luta contra a exploração deste continente por impérios, governos, cartéis e banqueiros estrangeiros no plano internacional, e contra uma classe de parasitas ricos, poderosos, autoritários e corruptos, dentro de cada um de seus respectivos países.

Os “espíritos” (isto é, o que simbolizam e representam os atacados pelos “politicamente incorretos”) ainda inspiram e percorrem a imaginação, os sonhos, os anseios e as necessidades reais de imensas camadas sociais pobres e exploradas na América Latina. São lendas vivas, bandeiras de liberdade e igualdade que percorrem nossos campos e cidades. É isto que incomoda os “politicamente incorretos”.

Escrito por Hemerson Ferreira, mestre em História e professor municipal do Ensino Médio no estado do Rio Grande do Sul. E-mail: hemersonfer(0)bol.com.br