Jean Wyllys sofre ameaça via Orkut

O deputado federal e colunista de CartaCapital Jean Wyllys (PSOL-RJ) está sendo ameaçado de morte por uma comunidade na rede social Orkut. A comunidade, que existe desde o dia 8, tem 20 membros e está relacionada com outras como a “Contra Feminismo” e “Movimento Masculinista”.

Vencedor do reality show BigBrother, Jean Wyllys foi eleito ano passado a deputado federal, é integrante da frente parlamentar em defesa dos direitos LGBT e apoia o PL122, que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Assunto ao qual a comunidade faz referência por meio de texto e afirma que “esse viado deve ser morto, levar umas porradas, ser torturado, desejo a morte de todos os gays, e lésbicas devem ser estupradas e mortas. Vamos debater aqui a forma de matar esse filho da p… do Jean”.

De acordo com reportagem do Estadão.com o deputado entrou em contato com o Google, pedindo a retirada da comunidade do ar, mas a empresa afirmou a Wyllys que “a página não contrariava as políticas do grupo e por isso eles não poderiam tirar a página do ar”.

Wyllys se diz favorável à liberdade de expressão na internet, que deve ser garantida. No entanto, acrescenta ele,  é preciso pensar em “instrumentos legais que possam impedir que as pessoas usem o anonimato para crime”.

Anúncios

Morre o célebre cantor castrato Farinelli

O célebre castrato Farinelli morre em Bolonha em 16 de setembro de 1782 após uma gloriosa carreira. Nasceu no seio de uma família da baixa nobreza, o que era então raro para os ‘castrati’. Tornou-se aluno do famoso Pórpora, considerado um dos grandes profesores de canto de todos os tempos. Farinelli era dotado de uma voz excepcional e de um virtuosismo que se harmonizava plenamente com as exigências e o estilo da música barroca.

Carlo Broschi, era o seu nome de batismo. Nasceu em Andrea, reino de Nápoles em 1705. Foi submetido a uma operação cirúrgica de corte dos canais provenientes dos testículos entre 7 e 8 anos, com o que a chamada “mudança de voz” não ocorreu.

A prática de castração de jovens cantores teve início no século XVI, surgido da necessidade de vozes agudas nos grupos corais, já que a Igreja Católica não aceitava mulheres no coro de suas igrejas, atingindo seu auge nos séculos XVII e XVIII, visto que nas óperas do compositor barroco alemão Georg Haendel, por exemplo, o papel do heroi era frequentemente escrito para ‘castrati’.

Os meninos submetidos à castração eram crianças órfãs ou abandonadas. Algumas famílias pobres, incapazes de criar a sua prole, entregavam um filho para ser castrado. Em Nápoles, recebiam instrução em conservatórios pertencentes à Igreja. Algumas fontes referem que muitas barbearias napolitanas tinham, à entrada, um dístico com a indicação “Qui si castrano ragazzi” (Aqui se castram rapazes).

De muitos garotos se dizia que foram castrados por razões médicas para evitar represálias, já que a castração estava proibida, embora as autoridades constumassem fazer vistas grossas. Era comum que as famólias os levassem a uma dolorosa e angustiante operação convencidas de que seus filhos poderiam tornar-se grandes cantores e ajudar no sustento da casa. Se as aptidões vocais não chegassem ao nível exigido, ordenavam-se padres, acabando no coro das igrejas.

Início

A primeira aparição de Farinelli em cena teve lugar em 1720, aos 15 anos, no palácio do príncipe de la Torella, na ópera “Angelica e Medoro”, de seu mestre Pórpora e do libretista Metastase.

Dotado de um virtuosismo extraordinário, não se furtava a proezas vocais, disposto a “carregar nas tintas”. O imperador Carlos VI lhe daria um conselho quando da estada do castrato na corte de Viena, sugerindo-lhe mais moderação e autenticidade. Farinelli aceitou a observação e progressivamente foi apurando o estilo.

Aos 17 anos, dispôs-se a se medir com um trompete. Esse tipo de duelo era então moeda corrente. Quando o trompetista, exausto, abandonou a liça, Farinelli pôs-se a cantar de novo e belamente. Onde quer que se apresentasse, a acolhida reservada ao jovem cantor de 23 anos era delirante.

Farinelli empreende um giro pela Europa que lhe valeu a alcunha de “cantor dos reis”. Na França, canta em palácio para o rei Luis XV. Recebeu um retrato do soberano, adornado com diamantes e um confortável cachê de 500 libras. Em Londres, se apresenta no Teatro da Nobreza em 1734 depois de se remover montanhas para que aceitasse receber 1.500 libras pela temporada, sem contar os múltiplos presentes recebidos de admiradores endinheirados o que fez quadruplicar o valor.

Farinelli conheceu um retumbante triunfo em Londres. Uma espectadora, enfeitiçada, traduziu o sentimento comum numa expressão que permaneceu célebre: “Um Deus, um Farinelli”.

O rei Felipe V da casa Bourbon de Espanha, acometido de uma persistente neurastenia, ao ouvi-lo em 1737 em Madri, ficou tão benevolamente afetado pela “terapia vocal” que resolveu chamá-lo a seu serviço. Contra toda expectativa, quando só tinha 32 anos, Farinelli resolveu aceitar o que pôs praticamente fim a sua carreira. Residiu por mais de 20 anos na corte da Espanha, cantando – diz a lenda – as mesmas 4 árias todas as noites a Felipe V, depois a seu filho Fernando VI.

Elevado ao escalão de um ministro, exerceu o papel de conselheiro real, recebendo os hóspedes estrangeiros, reorganizando a Ópera de Madri. Com a subida ao trono de Carlos III, Farinelli não teve outra escolha que deixar a Espanha. Regressa à Itália e se instala em Bolonha.

Outros fatos marcantes da data