AMFRI realiza Curso para Formação de Disseminadores Externos das Informações Previdenciárias

A Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí – AMFRI realiza nos dias 26 e 27 de setembro, o Curso para Formação de Disseminadores Externos das Informações Previdenciárias. O treinamento tem como objetivo a formação de representantes de entidades da sociedade civil organizada e de categorias profissionais para atuarem como disseminadores das informações previdenciárias junto ao segmento que representam.

Temas como Evolução da Proteção Social, Condições para o Reconhecimento de Direitos, Benefícios da Previdência Social, Rede de Atendimento do INSS, entre outros assuntos serão trabalhados durante os dois dias do curso, que será realizado na sede da AMFRI, em Itajaí.

Poderão participar, mediante inscrição, agentes públicos e comunitários, representantes de categorias profissionais, coordenadores pedagógicos, professores das escolas que participarão do projeto Educação Previdenciária nas Escolas, e demais interessados que atuem na região da AMFRI.

Mais informações poderão ser obtidas através do e-mail asocial@amfri.org.br, ou pelo telefone (47) 3404-8000, com a assistente social, Neuza Bottega.

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Inscrições de projetos de artes visuais

O programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais vai selecionar 45 projetos em todo o País. Serão R$ 1,35 milhão para viabilizar oficinas artísticas e de qualificação, workshops, palestras, performances, seminários, intervenções, além de outras atividades pedagógicas e pesquisa de linguagem.

Cada um dos contemplados receberá prêmio de R$ 30 mil. Em sua oitava edição, o programa tem como objetivo promover o intercâmbio entre as regiões do País, por meio de uma série de atividades ligadas às artes visuais, além de capacitar artistas e técnicos, e estimular a formação de público.As inscrições estão abertas até 3 de outubro. Podem participar pessoas físicas e jurídicas, que atuam na área de artes visuais. Os interessados devem preencher formulário, na página da Funarte na internet, e encaminhá-lo juntamente com o projeto, pelo correio, para o Centro de Artes Visuais (Rua da Imprensa nº 16, 13º andar, sala 1303, Centro – CEP 20030-120, Rio de Janeiro, RJ). www.funarte.gov.br

Camponeses são os mais afetados por pobreza extrema no Brasil, aponta Ipea

Os camponesas são o grupo social mais atingido pela pobreza extrema no Brasil, revela estudo divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). Entre as famílias consideradas “extremamente pobres”, 36% tinham como fonte de renda, em 2009, a produção agrícola.

58% dos brasileiros vivem com menos de R$ 465 por mês; “não pobres” são minoria.

Apesar do crescimento da renda e a redução da pobreza nos últimos anos, a maioria dos brasileiros vivia, em 2009, com menos de um salário mínimo, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) divulgado nesta quinta-feira (14). De acordo com o órgão, a renda per capita mensal de 58% dos brasileiros (106,9 milhões) era, há dois anos, igual ou inferior a R$ 465 –salário mínimo da época.

No estudo, o Ipea dividiu os brasileiros com renda mensal inferior a R$ 465 em três grupos: “extremamente pobres” (com renda per capita até R$ 67), “pobres” (renda de R$ 67 a R$ 134) e vulneráveis (renda entre R$ 134 a R$ 465). A população com renda per capita mensal superior a R$ 465 foi classificada como “não pobre” e representa 42% dos brasileiros (78 milhões de pessoas).

Para o Ipea, os principais fatores que levam os camponeses à pobreza são, pela ordem, o pequeno tamanho de suas terras; a baixa disponibilidade de insumos agrícolas, especialmente de água; a falta de assistência técnica; e os baixos preços pagos pelos seus produtos. Ainda entre os extremamente pobres, 32% do grupo era composto por famílias que têm como fonte de renda trabalhos informais, sem registro em carteira; 29% por famílias desempregadas; e 3% por famílias com pelo menos um trabalhador formal.

Na faixa dos “pobres”, o maior grupo é o de famílias que vivem do trabalho informal (45%), seguido das famílias que tem ao menos um trabalhador formal (23%) e das famílias camponesas (21%). Já entre os “vulneráveis”, 56% das famílias têm algum trabalhador formal e 29% tem como fonte de renda o trabalho informal. No grupo de “não pobres”, o percentual de famílias com algum trabalhador formal sobe para 75%, e o de famílias camponesas não passa de 3%.

Nordeste concentra pobreza

O estudo apontou ainda que mais de 30% dos extremamente pobres moram na zona rural de pequenos municípios do Nordeste. Outros 20% desse grupo vivem na área urbana das pequenas cidades nordestinas. Cerca de 10% dos extremamente pobres estão nas áreas urbanas das grandes cidades do Nordeste e outros 10% nas cidades grandes do Sudeste.

O Ipea é uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil

Flaubert conclui o romance ‘Madame Bovary’

O casamento de Emma e Charles, em ilustração de Alfred de Richemont

O escritor francês Gustave Flaubert concluiu em 19 de setembro de 1851 a obra seminal da literatura universal Madame Bovary, à qual se dedicou durante quatro anos e meio.

Flaubert nasceu em 1821. Sua juventude foi marcada pelo encontro com Madame Schlésinger, de quem faria menção em seu romance Educação sentimental (1869). Após breves estudos em Paris, sofre de uma doença mental que o obriga a permanecer na propriedade da família em Croisset, perto de Rouen. A doença, que o acompanhou até o fim de seus dias, permitiu-lhe se dedicar exclusivamente à literatura.

Valeu-se da circunstância para concluir a primeira versão de Educação Sentimental. A lenda, baseada neste retiro literário, fez de  Flaubert uma espécie de beneditino das letras, conhecido pela sua grande cultura e exigências estéticas. No ponto de inflexão do romantismo ao realismo, publica Salammbô em 1862, depois Madame Bovary (1857), que lhe vale um processo por “ultraje à moral pública e religiosa e aos bons costumes”. Seguem-se Três contos (1877) e Bouvard e Pécuchet editados postumamente (1881).

O isolamento relativo não o impede de viajar e de ser um amigo fiel. Mantém correspondência volumosa, em especial com Louise Colet, a quem conhece em 1846 e que se torna sua amante até 1854, mas também com George Sand, Théophile Gautier e Guy de Maupassant.

Flaubert é tido como o ícone da escola realista. É certo que, como Balzac, tem por objeto o estudo da realidade social e histórica. Preocupado de “mostrar a natureza tal como ela é”, alimenta sua obra com uma considerável erudição. Consciente da complexidade de sua criação, rejeita o título redutor de líder do realismo. Os romances de Flaubert se desenrolam de fato segundo duas veias de inspiração antagônicas: uma acossada pela tentação romântica, outra estendida a um esforço em direção ao realismo o mais absoluto.

Flaubert considerava que a tenacidade era indispensável para se entregar ao trabalho longo e difícil de escritor, rompendo, destarte, com a tradição do artista inspirado. O trabalho de elaboração consciente e pensada é percebido pelo leitor atento, a cada frase em que nada é deixado ao acaso. Além do mais, vale-se de uma ironia feroz, tanto a respeito de personagens excessivamente romanescos como Emma Bovary ou Frederic Moreau, quanto aos oportunistas sem escrúpulos como o farmecêutico Homais.

Se a publicação de Madame Bovary em 1857 marcou época na história do romance universal, é porque não obedecia às regras tradicionais da narração. Flaubert refina a técnica de variação de visões, usando esse procedimento para dar uma visão do real não apenas única e organizada e sim múltipla, movente, complexa e subjetiva. É essa técnica que permite ao narrador mostrar com acuidade as ilusões de Emma e de denunciar com ironia mordaz a mediocridade e a autosuficiência dos pequenos burgueses provincianos.

O suicídio de Emma, a desventura de Charles e de seu filho não pareceram uma punição suficiente para os detentores da moral: faltava a sanção da sociedade. Em 29 de janeiro de 1857, em seguida à publicação de Madame Bovary em folhetins na Revista de Paris, Flaubert foi intimado à corte para responder a uma acusação de “irreligião e imoralidade”. O procurador foi Pinard, o mesmo que pouco antes havia condenado a coletânea Les Fleurs du mal de Charles Baudelaire. Ele é inocentado.

Outros fatos marcantes

Plano nacional vai agilizar habilitação de rádios comunitárias

Objetivo é que todos os municípios brasileiros tenham pelo menos uma emissora.

O Plano Nacional de Outorgas para Radiodifusão Comunitária (PNO) foi lançado na última quinta-feira (17) pelo Ministério das Comunicações. O objetivo é universalizar o serviço, garantindo que todos os municípios brasileiros tenham pelo menos uma emissora comunitária. O plano também vai tornar mais ágil o processo de autorização de rádios comunitárias e dar mais transparência ao trâmite. Hoje, o serviço de radiodifusão comunitária chega a 76,90% do País.

O plano foi elaborado a partir de uma pesquisa inédita realizada pela Secretaria de Comunicação Eletrônica do ministério, que mapeou a distribuição das rádios comunitárias pelo País e identificou os principais obstáculos na permissão de novas emissoras.

A divulgação de um calendário com as datas dos 11 avisos de habilitação que serão lançados até o fim deste ano, bem como as cidades contempladas em cada um deles, será uma das diretrizes. Os calendários serão divulgados sempre no início de cada ano.

A ideia é que os interessados em instalar uma rádio comunitária possam se planejar com antecedência e deixar toda a documentação organizada, evitando que o prazo de 45 dias seja sempre prorrogado, como vinha acontecendo. Os calendários serão divulgados sempre no início de cada ano. Os 11 avisos que serão lançados em 2011 vão contemplar 431 municípios em todas as regiões. O primeiro será publicado na primeira quinzena de abril e incluirá 51 municípios – sendo três no Norte, 13 no Nordeste, um no Centro-Oeste, sete no Sudeste e 27 no Sul.

Universalização

O intuito do Plano Nacional de Outorgas é que todos os 5.565 municípios tenham pelo menos uma emissora de rádio. Atualmente, há autorização para funcionamento de 4.283 emissoras comunitárias. No entanto, há mais de duas mil cidades que não têm nenhuma rádio comunitária (13 para onde nunca foram lançados avisos de habilitação; 1.268 sem outorgas, apesar de já ter havido avisos anteriormente e 727 onde ainda há processos em andamento).

Avisos de habilitação

O aviso de habilitação é o meio utilizado para tornar público o chamamento das entidades que desejem executar o serviço de radiodifusão comunitária em determinadas localidades. Permite a participação tanto das entidades que já manifestaram interesse em operar o serviço quanto daquelas que ainda não enviaram ao ministério o formulário de demonstração de interesse.

Após a publicação do aviso, as entidades têm um prazo para apresentar toda a documentação solicitada pelo ministério.  A seleção é feita a partir da análise desses documentos. Depois de publicada a portaria de autorização, a entidade deve aguardar a emissão de uma licença de funcionamento para iniciar o serviço.

Mais informações sobre o Plano Nacional de Outorgas para Radiodifusão Comunitária na página do Ministério das Comunicações na internet: www.mc.gov.br.

Siemens anuncia abandono da energia nuclear

Arnold von Siemens.

Image via Wikipedia

Na esteira da mudança da política energética na Alemanha, a empresa Siemens decide abandonar todos os seus negócios com usinas nucleares. – Para nós, a decisão já foi tomada -, disse o presidente da empresa, Peter Löscher, em entrevista publicada pela revista alemãSpiegel neste domingo.

– Não vamos mais assumir a responsabilidade total pela construção de usinas nucleares ou por seu financiamento -, disse Löscher. Segundo ele, as razões são, entre outras, o claro posicionamento da sociedade e dos políticos do país com vista a um abandono da energia nuclear após a catástrofe em Fukushima.

Löscher informou que a planejada joint venture nuclear com a companhia russa Rosatom não irá se concretizar. Em vez disso, pretende-se trabalhar com o parceiro “em outros campos”. Após o afastamento dispendioso da Areva, companhia francesa sócia de negócios nucleares, a Siemens não podia se dar ao luxo de que o mesmo acontecesse com a Rosatom.

Interesses econômicos

Reator construído em parceria com a ArevaRecentemente, Löscher já havia sinalizado que, após o fim da parceria nuclear com a francesa Areva, a Siemens não iniciaria uma aliança com a Rosatom. Em 2009, o presidente da Siemens havia decidido encerrar a cooperação com a Areva, dando preferência, naquela época, a uma joint venture com a Rosatom. Os planos naquele momento eram de que, até 2030, deveriam ser construídos 400 reatores nucleares em todo o mundo, com um investimento de 1 trilhão de euros, disse então Löscher.

Juntamente com a Rosatom, a Siemens dera inícios aos planos de um novo gigante da tecnologia nuclear, ao lado da Areva, Mitsubishi, Westinghouse e da união entre a GE e Hitachi. Após a multa de 682 milhões de euros pela desistência da parceria com a Areva, já por razões financeiras, a companhia alemã tinha interesse numa desistência consensual dos planos de joint venture com a empresa russa.

Segundo um porta-voz da Rosatom, a separação dos russos não custará um centavo a Siemens. Ao mesmo tempo, a Rússia pertence ao rol dos países emergentes, no qual a Siemens espera ampliar seus negócios em outros setores nos próximos anos.

Nas últimas semanas, a Siemens fechou um contrato bilionário com o setor ferroviário russo e anunciou a fundação de uma joint venture para a construção de turbinas a gás com a empresa russa Power Machines OJSC.

Desistência questionada

Críticos da energia nuclear saudaram o anúncio de abandono da energia nuclear pela Siemens. – No entanto, isso é inconsequente, caso a empresa continue a fornecer turbinas e geradores para usinas nucleares -, disse Jochen Stay da iniciativa antinuclear Augestrahlt.

A Siemens deveria desistir completamente dos negócios com as usinas nucleares, pois, no final, não faz diferença se a empresa tem parte nos componentes nucleares ou convencionais de um reator, disse o ativista.

O 11 de Setembro e a imprensa

Os atentados de 11 de Setembro de 2001 não mudaram o mundo de modo tão dramático como tantos previram então e continuam afirmando agora. A tendência humana natural das pessoas é considerar todo fato extraordinário por elas testemunhado como único e de importância transcendental.

A imprensa em geral embarca nesses exageros, o que explica (e tira a credibilidade) de todo “jogo do século” ou “casamento do século” e de toda “crise gravíssima que enfrentamos”.

É claro que o 11 de Setembro de 2001 foi importante e provocou muitas mudanças significativas na geopolítica internacional, na cultura, na vida de muitas pessoas, e, em especial, na economia e na política dos EUA.

Mas nada comparável às provocadas por eventos realmente basilares, como a queda do Muro de Berlim (como símbolo do fim do regime soviético e de seus aliados da Cortina de Ferro), a Segunda Guerra Mundial (inclusive a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki e o Holocausto) ou a Primeira Guerra Mundial – estes sim de implicações de primeiro porte para o mundo e para a Humanidade e, perto dos quais, o 11 de Setembro se torna pequeno.

Tortura escancarada

Por analogia, a imprensa americana passou por momentos muito marcantes devido aos atentados e por uma transformação que poderia até ter sido seminal em seus fundamentos. Mas eles não chegam perto do impacto do advento das novas tecnologias a partir da última década do século 20, e que – este sim – a está alterando de modo efetivamente revolucionário.

Um dos pressupostos essenciais do modelo americano de jornalismo que se moldou ao longo do século passado e especialmente depois das experiências do Vietnã e de Watergate na sua segunda metade foi a absoluta independência dos veículos em relação aos governos, aos quais eles devotaram tratamento crítico e cético.

Foi essa atitude profissional que possibilitou ao Washington Post a histórica cobertura que fez dos desmandos do presidente Richard Nixon e seus assessores mais próximos após a invasão da sede do Partido Democrata na campanha presidencial de 1972 e que detonou o processo político que resultou na renúncia de todos eles e na prisão de vários.

Também foi ela a responsável pela memorável divulgação por vários jornais, em 1971, dos chamados “Documentos do Pentágono” com revelações de muitas mentiras relatadas ao público americano por diversas administrações sobre a política do país no Sudeste Asiático.

E, ainda, muitas reportagens sobre atrocidades cometidas por militares dos EUA durante o conflito do Vietnã nas décadas de 1960 e 1970, assim como a real situação estratégica das tropas do país diante do inimigo vietcongue e norte-vietnamita, que foram importante elemento para consolidar a maioria da opinião pública contra a presença americana naquela nação.

Com o 11 de Setembro, a reação inicial de praticamente toda a imprensa americana foi de perplexidade no começo e depois de adesão cega às medidas adotadas pelo governo de George W. Bush referentes ao assunto, inclusive a declaração de guerra indiscriminada ao terrorismo, os ataques ao Afeganistão e a subsequente invasão do Iraque.

Se o modelo de independência e crítica em relação aos governos tivesse sido abandonado definitivamente ou se tornado hegemônico, aí sim os efeitos do 11 de Setembro sobre a mídia americana teriam sido colossais. Mas não foi isso o que ocorreu.

Que nas horas e dias imediatamente seguintes aos atentados houvesse se estabelecido uma espécie de torpor coletivo entre os jornalistas americanos teria sido compreensível e perdoável. Mas a atitude de submissão ao governo perdurou por quase três anos em grande parte dos principais veículos de jornalismo do país, o que pôs seriamente em risco a credibilidade de vários.

De fato, foi apenas após a divulgação dos atos de tortura cometidos por militares americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib e em especial a das suas imagens, em abril de 2004 pela revista The New Yorker(a única do primeiro time que nunca deixou de dar espaço às poucas vozes críticas que ousavam se levantar contra os abusos de Bush) e pelo programa 60 Minutes da rede de TV CBS que as coisas começaram a lentamente mudar.

Mídia e democracia

Era de esperar que o governo do ultraconservador Bush se empenhasse em obstruir a ação da imprensa independente de diversas maneiras, e o fez: proibiu a divulgação de fotos e vídeos de caixões de soldados mortos em ação no Iraque e no Afeganistão, impediu o acesso da mídia a imagens de satélites utilizadas para registrar ações de tropas dos EUA e de seus inimigos naqueles países (para dificultar o cálculo de vítimas civis nos confrontos), lançou uma formidável campanha de propaganda para manter a população em estado de sobressalto e paranoia e justificar os poderes excepcionais conferidos ao Estado para ampliar sua guerra ao terrorismo.

O que não se podia prever era a autocensura que a maioria dos meios de comunicação resolveu se impor desde os primeiros momentos após os atentados (quando nenhum deles veiculou imagens de pessoas se atirando das torres, o que pode ter sido uma decisão tomada por boas razões éticas) até vários meses depois.

Se era possível embasar em bons motivos a intenção de não disseminar pânico e de não esgarçar a sensibilidade coletiva com a exposição de cenas muito trágicas, a maneira como o jornalismo americano tratou os atentados desde o início prejudicou o interesse público e se contrastou radicalmente com o seu comportamento em situações similares recentes, como o atentado de Oklahoma City em 1995 ou contra o World Trade Center, em 1993.

A falta de informações confiáveis apuradas independentemente por jornalistas, que preferiram esperar apenas por versões oficiais, fez com que toda sorte de boatos sobre o número de aviões sequestrados e de vítimas em Washington e Nova York se espalhassem por horas e dias, o que provocou muita insegurança e desespero sem base real.

Ninguém questionou – por muito tempo – eventuais deficiências dos serviços de segurança nacional e erros diplomáticos ou de política internacional que pudessem ter insuflado o ódio contra os EUA em comunidades islâmicas. Isso reforçou no público a impressão de que o 11 de Setembro havia sido uma fatalidade, produto da ação tresloucada de uns poucos fanáticos religiosos. Todos os funcionários públicos – do presidente da República aos bombeiros – eram considerados heróis, por definição.

Levou muito tempo, por exemplo, para que as primeiras suspeitas de que alguns casos de saque haviam ocorrido durante os trabalhos de resgate nas Torres Gêmeas fossem divulgadas (por William Langewiesche, em reportagens na revista Atlantic, depois editadas em forma de livro). Até hoje, Langewiesche é vilipendiado por boa parte do público, como se fosse uma heresia duvidar da santidade de todos os bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros, assistentes sociais que trabalharam no local da tragédia.

Jornalistas que tentaram manter o tom crítico e aprofundar a reflexão sobre as possíveis causas da tragédia, como o âncora da rede de ABC Peter Jennings e a colunista do Washington Post Mary McGory, sofreram saraivada de críticas de colegas, tiveram seu patriotismo colocado em dúvida, passaram a ser vistos com suspeição e foram colocados à margem por algum tempo.

Foi particularmente simbólica a entrevista que Dan Rather, então âncora do telejornal mais importante da rede CBS, deu a David Letterman em 17 de setembro de 2001, na qual o então decano do jornalismo de TV do país declarou: “Bush é o presidente. Ele toma as decisões. Em qualquer lugar que ele quiser que eu me alinhe, é só ele me dizer onde, eu estarei lá”.

Essa inequívoca expressão de submissão à autoridade do presidente não poderia ter sido mais chocante por ter partido de quem, 30 anos antes, como repórter, havia desafiado a mesma autoridade na pessoa de Richard Nixon, numa entrevista coletiva na Casa Branca, com seguidas perguntas incisivas sobre a política americana no Vietnã, às quais o presidente afinal respondeu com outra: “Você é candidato a algum cargo público?”. E Rather disse ao presidente, que buscava a reeleição: “Eu não. E o senhor?”

O pior é que o comportamento da imprensa de se aliar ao governo lhe rendeu popularidade. No final de novembro de 2001, a pesquisa de avaliação do desempenho do jornalismo que o Pew Research Center já vinha fazendo anualmente há 15 anos revelou que dois terços da população achavam que os meios de comunicação ajudavam a proteger a democracia e o país. Foi o índice mais alto da história da pesquisa. No final de 2010, menos de 50% diziam a mesma coisa sobre a mídia.

Danos à credibilidade

A Casa Branca pedia, e os jornalistas aquiesciam. Em outubro de 2011, o governo solicitou que os veículos de comunicação restringissem ao máximo a veiculação de vídeos e mensagens originadas pela Al Qaeda. Nos meses seguintes, todas as emissoras de TV agiram de acordo com esse desejo quando vídeos de Osama bin Laden foram divulgados.

Foi nessa época que começou a ganhar prestígio a rede de TV Al Jazeera, do Qatar, que não compactuava com a censura americana. Entre as mais expressivas consequências do 11 de Setembro no setor do jornalismo foi a consolidação da Al Jazeera como fonte alternativa de informação para largas audiência pelo mundo.

A Lei Patriota, que o Congresso aprovou por enorme maioria em outubro de 2001, limitava a possibilidade de obtenção de documentos por meio da lei de liberdade de informação (FOIA). Pouquíssimas entidades profissionais e raríssimos jornalistas tiveram a coragem de reagir publicamente a essa determinação, que depois deixou de valer, nas reedições mais restritas da lei.

O entusiasmo da adesão à autocensura levou a episódios bizarros, que corroboram a hipótese de que a censura, de qualquer espécie, é uma porteira que, quando aberta, permite que passe tanto um boi quanto a boiada inteira.

Uma rede de emissoras de rádio, com 1.170 estações afiliadas à época, chamada Clear Channel Communications, deu sua contribuição para fortalecer a segurança nacional ao banir 162 canções populares cujos versos, acreditavam os seus responsáveis, poderiam prejudicá-la. Entre elas, “Imagine”, de John Lennon, e “Sunday, Bloody Sunday”, do U2.

A iniciativa mais inovadora e exitosa (do seu ponto de vista) do governo Bush para controlar a mídia foi um genial golpe de relações públicas concebido por Donald Rumsfeld, o secretário de Defesa.

Os comandos militares americanos vinham sofrendo fazia meio século com o problema de como lidar com jornalistas durante suas guerras. A experiência traumatizante do Vietnã, quando pela primeira vez cenas de guerra chegaram às salas de estar dos lares dos cidadãos e, pior para o governo, sem censura e com espírito crítico, levou os comandantes americanos a tentarem ampliar como nunca as barreiras à ação dos jornalistas, desde simplesmente impedindo seu acesso (invasão de Granada) ou limitando-o a poucosbriefings em hotéis nas proximidades da ação e rápidas visitas ao teatro de operações (Guerra do Golfo).

Rumsfeld imaginou algo radicalmente diverso: tornar os jornalistas uma espécie de verdadeiros soldados, mais ou menos como ocorreu na Segunda Guerra Mundial, embora a maioria dos repórteres ficasse em situação de privilégio equivalente ao de um capelão em relação aos soldados.

Os jornalistas “encaixados” (“embedded”) se comprometiam apenas com um manual de conduta formado por 19 normas, entre as quais não revelar o local exato de onde ele estava mandando suas informações nem o número de baixas militares americanas nos combates cobertos. Apesar das poucas restrições a seu desempenho, muitos jornalistas se submeteram integralmente aos militares. E seus editores nos EUA, ainda mais. Por viverem os mesmos riscos dos soldados e terem sua integridade física inteiramente na mão deles, a maioria dos jornalistas tendia a simpatizar e se tornar dependente deles.

Um dos exemplos mais escandalosos foi a história da recruta Jessica Lynch, que os correspondentes de guerra do Washington Post descreveram como uma fantástica heroína, que lutou bravamente até ser capturada pelos inimigos iraquianos, em cujas mãos foi tratada brutalmente até conseguir escapar também de modo heroico. A própria Lynch depois desmentiu toda a história, absolutamente criada pelos relações-públicas militares e comprada sem nenhuma verificação própria pelos jornalistas do Post.

A dependência acrítica de jornalistas em relação a fontes de governo levou a outro caso, tão ou mais sério que o da recruta Lynch. A repórter Judith Miller, uma das estrelas do New York Times na cobertura dos bastidores que antecederam à invasão do Iraque, se deixou fiar completamente no que ouvia off the record de seus amigos nos gabinetes poderosos de Washington, em especial o do então vice-presidente Dick Chenney, que a manipulavam de modo muito competente para que ela publicasse as informações que mais ajudassem sua estratégia política e militar e depois se referissem a elas em entrevistas on the recordpara corroborá-las.

Com isso, o Times contribuiu para que muitas mentiras sobre supostas armas de destruição em massa em poder do regime de Saddam Hussein se estabelecessem como verdades e servissem de pretexto para a invasão do Iraque, com amplo apoio da opinião pública. Quando os fatos desmentiram as informações que Miller e o Times haviam publicado, em maio de 2004, o jornal resolveu passar a adotar uma linha de “ceticismo editorial” na cobertura do governo, atitude que sempre mantivera no passado e abandonara em 2001.

Os problemas de Judith Miller e os de Jayson Blair, repórter-celebridade do Times que plagiou e inventou dezenas de reportagens até ser demitido em maio de 2003, causaram os mais sérios danos à credibilidade do jornal em sua história secular e o levaram a adotar diversas mudanças de processo e a criar a função de ombudsman para tentar lidar com a crise de confiança no público.

Ideal de jornalismo

Entre os efeitos mais poderosos do 11 de Setembro para a sociedade americana está, sem dúvida, o fortalecimento e a radicalização dos setores mais à direita e conservadores no espectro político-ideológico do país, que reforçaram suas crenças e posições xenofóbicas e isolacionistas com o fato de que os atentados foram cometidos por estrangeiros muçulmanos.

Isso se refletiu na indústria da comunicação, por exemplo, com o grande avanço de audiência e importância da rede de TV paga Fox News, criada em 1996 por Rupert Murdoch, e que se especializou em veicular apenas opiniões desses grupos conservadores e seus porta-vozes.

O sucesso da Fox inspirou outros veículos, que passaram a também se posicionar de modo extremado na cobertura de temas políticos, às vezes em posição oposta à da Fox (como a rede de TV paga MSNBC), também com êxito de audiência, o que fragilizou o posicionamento tradicional do jornalismo americano, de imparcialidade e apartidarismo. A rede de TV paga CNN, que tentou se manter fiel a esses princípios, foi a que mais perdeu público nestes dez anos desde os atentados.

A radicalização ideológica se faz sentir não apenas no mercado do telejornalismo de 24 horas. Mesmo nos veículos que não aderiram nem aos conservadores nem aos liberais, muitos de seus comentaristas e colunistas passaram a adotar linguajar e conteúdo engajado a favor de líderes e partidos de sua preferência.

Isso só tem feito acentuar a divisão que já vem separando a sociedade americana desde os tempos do governo Clinton, mas que se agravou depois dos atentados de 11 de Setembro. O ambiente cibernético de blogs, e Twitter, com posições ainda mais sectárias e violentas, aprofunda essas divisões, que podem levar o país a situações graves e difíceis de prever.

A cobertura jornalística das comemorações do décimo aniversário do 11 de Setembro pela mídia americana reproduziu muitos dos vícios verificados na dos fatos em si, dez anos atrás.

Primeiro, por ter sido hiperbólica, por ter continuado a tratar desses acontecimentos como se eles tivessem sido muito mais decisivos para a Humanidade e para o mundo do que realmente foram. Segundo, por ainda terem oferecido pouco material que desse ao público informações e elementos de reflexão para ajudá-lo a ter um entendimento mais completo do fenômeno, suas causas e consequências, em toda sua enorme complexidade.

Claro, houve exceções. Não surpreendentemente, quase todas dos mesmos veículos que dez anos atrás se mantiveram mais próximas dos ideais do jornalismo americano (a revista The New Yorker, especialmente).

No Brasil, também com exceções (o suplemento “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo de domingo, 11/9, em particular), o jornalismo tratou do aniversário de maneira exagerada e quase sempre superficial.

Escrito por Carlos Eduardo Lins da Silva, jornalista.

Sociedade pode debater transparência e controle social

Grupos de qualquer local do País já podem se reunir seguindo as regras divulgadas em manual publicado na internet.

Brasileiros, em qualquer local do País, podem se reunir para debater os temas da 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social (Consocial). O prazo para realização de conferências livres vai até 30 de dezembro. A Consocial tratará do tema “A Sociedade no Acompanhamento e Controle da Gestão Pública”.

Convocada por decreto presidencial, em dezembro de 2010, tem o objetivo de promover a transparência e o estímulo à participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública. As propostas da Consocial vão contribuir para um controle social mais efetivo e democrático.

Debate

As conferências livres têm o objetivo de ampliar o debate da 1ª Consocial e envolver mais pessoas do que seria possível apenas com as etapas municipais, regionais, estaduais e distrital. Não é preciso formalidade e podem ser realizadas por organizações não-governamentais (ONGs), estudantes, associações de moradores, órgãos públicos ou qualquer outro grupo de cidadãos. O objetivo é apenas formular e encaminhar propostas, sem a eleição de delegados.

Para auxiliar na organização das conferências livres, foi publicado um manual na internet, na página da Controladoria-Geral da União (CGU), que explica como organizar o debate, priorizar diretrizes que serão enviadas para a etapa nacional. Cada conferência livre deverá gerar um relatório com até dez propostas, que deverá ser enviado à Coordenação-Executiva na página da conferência na internet.

Convenção

A transparência pública e o acesso à informação também são temas recorrentes no contexto internacional de debates e recomendações de políticas para prevenção da corrupção. O maior exemplo é a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção que dedica um artigo inteiro ao incremento da transparência na Administração Pública.

Expectativa é mobilizar mais de um milhão de brasileiros

A CGU, que coordena a Consocial, espera envolver mais de um milhão de brasileiros ao longo do processo. Os temas e propostas debatidos poderão se transformar em planos, políticas públicas, projetos de lei e, até mesmo, passar a compor agendas públicas municipais, estaduais e nacionais.

Criadas a partir da necessidade de abrir espaço político aos cidadãos que não se enquadram nos moldes tradicionais de processos participativos que vigoram no País, as conferências livres foram inauguradas na Conferência Nacional de Juventude em 2007 e reaplicadas na Conferência Nacional de Segurança Pública (2007/2008) e Conferências Nacionais de Cultura e de Comunicação (2009/2010). De acordo com os dados dos relatórios das conferências de Juventude e Segurança Pública, só estas reuniram mais de 200 mil pessoas.

1ª Consocial

Objetivo: Principal objetivo é promover a transparência pública.

Etapas municipais: Os municípios podem organizar as conferências individualmente ou em regionais, agrupando-se a um ou mais municípios. Até 90 dias antes da respectiva etapa estadual, somente os prefeitos podem convocar as conferências municipais/regionais. Caso os prefeitos não convoquem nesse período, a sociedade civil poderá se organizar e convocá-la até 60 dias antes da conferência estadual. O prazo de realização é até 30 dias antes da conferência no estado.

Temas:

  • Promoção da transparência pública e acesso à informação e dados públicos.
  • Mecanismos de controle social, engajamento e capacitação da sociedade para o controle da gestão pública.
  • A atuação dos conselhos de políticas públicas como instâncias de controle.
  • Diretrizes para a prevenção e o combate à corrupção.

Modelo de transparência:

Durante a Consocial os cidadãos terão a oportunidade de debater diversos temas relacionados à transparência e acesso às informações públicas, indicando os dados e os formatos em que gostariam que estivessem disponíveis, por exemplo.

Destino das propostas:

A expectativa é chegar ao fim da 1ª Consocial com um relatório final contendo 80 diretrizes, envolvendo os quatro eixos temáticos. Esse relatório servirá de base para a construção do Plano Nacional sobre Transparência e Controle Social.