Greenpeace faz manifestação no Senado contra Código Florestal

Ativistas do Greenpeace protestaram nesta manhã em frente ao Senado contra aprovação do novo Código Florestal

Representantes do Greenpeace promoveram nesta quarta-feira umamanifestação no Senado contra o projeto de lei do novo Código Florestal. Estava prevista para esta manhã a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do parecer do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB/SC).

Como foram impedidos pela Polícia Legislativa de entrar nas dependências da Casa, os manifestantes fixaram faixas no gramado da entrada que dá acesso à biblioteca. Este é o primeiro de uma série de protestos que o Greenpeace agendou para outras capitais como Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

As mudanças propostas no Código Florestal vão contra os alertas das maiores instituições científicas do país. Se for aprovado assim, quem sai perdendo é o Brasil, disse a representante da campanha Amazônia Greenpeace, Tatiana Carvalho. Ela acrescentou que o relatório de Luiz Henrique cria condições para aumentar “a devastação” no país.

Tatiana Carvalho ressaltou que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) já demonstraram, em estudos, que o Brasil tem 61 milhões de hectares agricultáveis. Tatiana Carvalho disse que análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 75% dos alimentos consumidos pelos brasileiros são produzidos por pequenos agricultores.

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Dilma na ONU: Crise do capitalismo mundial passa por questões econômicas e gestão política

A presidenta Dilma faz sua estreia na abertura da Assembleia Geral da ONU

Ao discursar na abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a presidenta DilmaRousseff disse que a crise global é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política. Dilma destacou que, se a situação não for contida, pode se transformar em uma ruptura sem precedentes. Primeira mulher a discursar na abertura da assembleia da ONU, Dilma defendeu a necessidade de esforços de integração das nações para a superação da crise e retomada do crescimento.

Não haverá retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificaram os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e das demais instituições multilaterais como o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial – afirmou.

Para ela, “a ONU e essas organizações precisam emitir com máxima urgência sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica”. Dilma acrescentou que o Brasil está apto a ajudar os países em desenvolvimento e que é preciso lutar contra o desemprego no mundo.

Questão palestina

Ainda durante seu discurso, a presidenta Dilma lamentou não ter a Palestina entre os países participantes da reunião. Ao cumprimentar os representantes do Sudão do Sul, país que pela primeira vez participa do encontro multilateral, Dilma lamentou a ausência da nação palestina.

O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nessa assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título – afirmou.

A menção de Dilma à Palestina foi aplaudida pelos que participam da reunião. O Brasil já considera oficialmente a existência do Estado palestino desde dezembro do ano passado, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem de reconhecimento à Autoridade Nacional Palestina (ANP). O ingresso da ANP na ONU é um dos pontos polêmicos dessa reunião. A proposta encaminhada pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas, que tem o apoio da maioria dos países-membros, pede que a ONU reconheça o Estado palestino, segundo as fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967.

Os governos dos Estados Unidos e de Israel já se manifestaram contra a proposta. O governo de Israel informou que não aceita a exigência da ANP, que quer a divisão da cidade de Jerusalém. Segundo os israelenses, a capital religiosa de Israel é indivisível e não há possibilidade de mudar essa posição. O governo dos Estados Unidos antecipou que votará contra o pedido de Abbas, pois é favorável à busca por acordo e consenso. O tema deve ser submetido à votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para ser aprovado, o pedido tem de contar com nove votos favoráveis, de um total de 15. Dilma ressaltou que o reconhecimento é primordial para a busca da paz na região.

O reconhecimento é um direito legítimo do povo palestino à soberania, e a autodeterminação amplia a possibilidade de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional – acrescentou.

A convivência pacífica entre judeus e palestinos no Brasil foi dada como exemplo pela presidenta Dilma.

Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia como deve ser – destacou.

Camarada Pablo Neruda, presente, agora e sempre

Jornal do Brasil, 25 de Setembro de 1973

Neruda morreu aos 69 anos de idade, vítima de câncer na próstata e flebite. O estado de saúde de Neruda começou a piorar a partir da greve dos médicos, quando ele ficou sem tomar as aplicações diárias de cobalto. Depois do movimento militar de 11 de setembro, Pablo Neruda entrou em grande depressão. Achava-se deprimido com a deposição e a morte de Salvador Allende, seu amigo pessoal e cujo governo representou até 1972 em Paris. Por questões de saúde, renunciou ao cargo de embaixador e voltou a seu retiro em Isla Negra.

O toque de recolher vigorava em todo o Chile desde a queda de Salvador Allende e seu sepultamento foi a primeira manifestação pública depois do movimento militar de 11 de setembro. O JB enviou o repórter Paulo César de Araújo e o fotógrafo Evandro Teixeira para cobrir a morte de Neruda.

Jornal do Brasil, 26 de Setembro de 1973

O corpo do poeta foi acompanhando até o cemitério por cerca de 500 pessoas que repetiam seus versos, cantavam a Internacional e gritavam: “Camarada Pablo Neruda, presente, agora e sempre”. Das casas saíam olhares curiosos de respeito. O cortejo seguia e a declamação dos versos também: “- Não estas morto, não estás morto, estás somente dormindo, como dormem as rosas em seus talhos de espinho”.

Nascido em 12 de julho de 1904, filho de um ferroviário – ‘marinero en tierra – Ricardo Eliecer decidiu mudar o nome, para escapar das perseguições do pai, que lhe queimava livros e cadernos, insistindo nas profissões liberais como médico, engenheiro ou advogado. Ao folhear uma revista, encontrou um conto assinado por Jan Neruda, poeta tcheco do século passado, que foi sua inspiração para seu pseudônimo e oficializado pelo governo chileno em 1945.

Foi cônsul do Chile na Espanha e no México, eleito senador em 1945, foi embaixador na França (1970). Clique aqui para ler.

O Prêmio Nobel de 1971 reconhece sua trajetória de um pensamento humanista iniciado com Crepusculario, seu primeiro livro de 1925. Como tantos intelectuais de sua geração, seu pensamento ficou torneado pela luta antifacista e pelos poetas de Madri como Lorca, Guillén, Miguel Hernández e tantos outros. Com eles, assistiu ao início da guerra, contemplou horrorizado a consolidação de Hitler. Descobriu que o homem não era só Natureza mas também História. Já na maturidade, seus versos centravam-se em torno da natureza e do mito.

Matilde Urrutia, de quem se enamorara desde 1949, passou a ser o catalisador de uma grande fatia de seus poemas.

“Tu eres total y breve, de todas eres una

y asi contigo voy recorriendo y amando…”

O poeta rompeu com Delia Del Carril e casou-se com Matilde. Construiu uma casa em Isla Negra repleta de coleções e amigos. Neruda mantinha um permanente diálogo com o mar. Em sua plena maturidade, o mar sugere um tom de serena comunhão. O poeta quer ser “mais espuma sagrada, mais vento da onda”.

Foi diante deste mar, em sua casa nas encostas do Pacífico, que o poeta se refugiou para morrer e aonde seu corpo se encontra hoje. Clique aqui para ler a notícia original, publicada no JB.

O dia em que a Palestina derrotou os EUA

Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, e Barack Obama em encontro nesta quarta-feira na sede da ONU, em Nova York

Na ausência explícita do primeiro presidente negro dos EUA, advogado ativista dos direitos civis, eleito, entre outras coisas, para recuperar a moral mundial, Obama compareceu na ONU como vergonha. Na postura evasiva e envergonhada do homem mais poderoso do mundo está a vitóriapalestina.

Entre a presença de Dilma Rousseff na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU e a ausência de Barack Obama, explícita no discurso do presidente dos EUA, abriu-se um flanco. Faltou Obama no discurso de um presidente enfraquecido e na defensiva, refém de interlocutores ausentes (Bin Laden e o Hamas). E Dilma Rousseff esteve lá, inteira, com a sua história, os seus compromissos e uma agenda clara. Ela não tem, perante o mundo, do que se envergonhar. E o presidente dos EUA tem tanto do que se envergonhar que se envergonhou, nas palavras, na cabeça baixa, na postura de quem fala no que não acredita e defende a posição dos seus adversários. Nesta vergonha de Obama está a vitória palestina. Na ausência explícita do primeiro presidente negro, advogado ativista dos direitos civis, eleito, entre outras coisas, para recuperar a moral mundial, Obama compareceu como vergonha. Mas é preciso que se diga, de novo: na postura evasiva e derrotada do homem mais poderoso do mundo está a vitória palestina.

É verdade que, de um ponto de vista realista, o movimento da OLP tem pela frente muitas fronteiras a serem desfeitas, refeitas e estabelecidas. Dentre os árabes e palestinos há pelo menos os seguintes problemas, na proposta capitaneada por Abbas: o aparente escanteio dos refugiados palestinos, o pouco ou nenhum debate relativo a compensações dos direitos destes; há também questões em aberto sobre o estatuto jurídico e a competência da OLP em se converter ela mesma em Estado, há o Hamas, que já se retirou da proposta, porque o movimento da OLP não comporta uma recusa da existência do estado de Israel e há também a histórica hipocrisia de muitos dos países árabes, frente ao povo palestino, que costuma deixa-los à própria sorte (não é demais lembrar que Assad mandou bombardear um campo de refugiados palestinos, na Síria, há menos de um mês). Na relação com Israel e os israelenses, o problema é antes de tudo de fronteiras e tudo indica que este confronto, com o reconhecimento do estado palestino, na Assembleia Geral da ONU, ganhará um estatuto político mais claro na comunidade internacional.

Dilma lembrou algo importante, que serve de pista para entender a enrascada israelense perante a comunidade internacional, daqui para a frente: “O mundo sofre hoje as dolorosas consequências das intervenções, possibilitando a infiltração do terrorismo, onde ele não existia. Muito se fala da responsabilidade de proteger, pouco se fala da responsabilidade ao proteger”. Esta afirmação traduz com muita propriedade também a relação dos EUA com sucessivos governos israelenses, mesmo quando estes seguem violando o direito internacional. À parte a percepção de que Obama sabe bem da responsabilidade que seu país tem pela consequências sobre os palestinos de suas decisões e omissões, o que de fato sobressai é que o governo israelense foi exposto formalmente hoje como adversário de uma vontade reconhecida da comunidade internacional. Isso significa, entre outras coisas, que as violações pesarão mais, que construir assentamentos se tornará mais caro politicamente, que a defesa da retomada do processo de paz não ficará mais tão facilmente refém do ardil da “falta de interlocutores” ou da não negociação com terroristas.

Os passos dados pela OLP foram desde o começo de natureza diplomática, política, voltada à negociação. Por mais que o Hamas tenha fustigado, apesar das diatribes verbais do presidente do Irã, com a iminência de um atrito maior entre Egito e Israel, que poderia vir a fortalecer o Hamas, pois bem, apesar de tudo isso, Abbas seguiu obstinado a via da negociação com a comunidade internacional.

E Israel, agora, não pode mais dizer que não tem interlocutor na região, porque todos querem destruí-lo e não o reconhecem. Este passo foi dado, já, inclusive por Israel. O país é uma realidade e, fora da retórica oportunista do Hamas e do Hezbollah, ninguém questiona a legitimidade e o direito de Israel a existir, como país soberano e autodeterminado e membro da comunidade internacional. É nota característica da vitória palestina hoje a exposição de que o Hamas e o Hezbollah só são interlocutores da intolerância, da falta de respeito e do desprezo ao direito, ao estado de direito e ao direito internacional. Numa palavra, a exposição de que o interlocutor do Hamas é Avigdor Lieberman.

Resta saber se Israel pretende ser reconhecido se não reconhece. Se pretende prosseguir na mais longa ocupação militar moderna ou se está disposto a ser um estado respeitável na comunidade internacional. Hoje, estas considerações se tornaram muito mais acessíveis ao imaginário e à percepção das pessoas, frente ao movimento palestino, à celebração nas ruas da Palestina. E ao acontecimento a um só tempo luminoso e vergonhoso, na Assembleia da ONU.

Obama disse e repetiu o truísmo de que a paz é uma coisa difícil. Disse a verdade para iludir e, de tanto saber o que estava fazendo, envergonhou-se antes de dizer não aos palestinos. O presidente dos EUA entrou em campanha pela reeleição e parece cada vez mais cativo dos seus adversários, inclusive dos adversários internos, do seu partido. Em 19 de maio deste ano, falou em defesa das fronteiras de 67 e hoje balbuciou como um boneco de ventríloquo. Quem é o ventríloquo de Obama, pouco importa, agora. Dizer que é Avigdor Lieberman, ou Netanyahu é mentir. O ventríloquo de Obama é o medo e a derrota. Essas coisas que tornaram a sua presença hoje na ONU uma retumbante ausência e uma vergonha. A paz assim não é difícil, mas impossível.

A possibilidade de paz existe, é difícil mesmo, tornou-se mais complexa e talvez mais produtiva exatamente porque avança para o campo do direito, invertendo a prática da região. Na direção oposta à prevalência do fato consumado da construção e do muro de anexação dos territórios palestinos, o movimento da OLP, que teve seu ponto alto ou o fim de seu primeiro ato hoje, na Assembleia Geral, visa a estabelecer as condições de possibilidade de um estado palestino de fato. É verdade que o fundamento do estado, em boa teoria, é uma regra de reconhecimento que institui o fundamento último do direito. Também é verdade que o Estado não é uma obra de arte, mas um produto histórico. É verdade que os cínicos fizeram e seguem fazendo pouco caso dos palestinos, como se dizendo que os palestinos e Abbas estão desejando e imaginando que amanhã a ocupação tenha cessado (sim, todo cínico é um ingênuo arrogante).

Um ex-embaixador israelense disse que essa questão do reconhecimento do estado palestino virou uma coletiva de imprensa, quando deveria ser tratada de maneira discreta, em segredo. Talvez ele defenda isso para que as coisas continuassem como eram, com os israelenses fingindo que negociavam e bancando a expansão ilegal. Talvez seja só desdém, mesmo. Só que hoje, isso finalmente pouco importa: os palestinos derrotaram os EUA. E daqui para a frente, apesar dos pesares, do quão difícil venha a ser a paz, isso além de ser verdadeiro, permanecerá verdadeiro. Hoje, as desculpas cínicas entoadas por diplomatas entre meia dúzia de representantes no Conselho de Segurança foram substituídas por uma fala pública, envergonhada e embaraçosa do homem mais poderoso do mundo, perante os palestinos.

Poucas, muito poucas vezes na história a verdade irrompe a conjuntura para ser enunciada como aquilo que é: a norma de si mesma. Hoje foi um dia assim, e por isso Obama sentiu vergonha, por isso Dilma brilhou. E por isso os palestinos venceram.

Escrito por Katarina Peixoto,  doutoranda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: katarinapeixoto@hotmail.com.

ANP pede à ONU reconhecimento do Estado palestino

Abbas submeteu pedido formal de reconhecimento do Estado palestino  ao secretário-geral da ONU,Ban Ki-moon - Fotos: UN Multimidia

O primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, classificou a ONU como “uma casa de mentiras”.

De acordo com um comunicado divulgado pela ONU, Abbas se encontrou com o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, em Nova York, e entregou a ele um pedido formal de reconhecimento. O pedido será avaliado pelo Conselho de Segurança da ONU e, em seguida, pela Assembleia Geral.O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, submeteu nesta sexta-feira (23) um pedido formal à Organização das Nações Unidas (ONU) pelo reconhecimento de um Estado palestino que seja membro do organismo.

Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental – territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.

O pedido da Palestina conta com o apoio de 128 países da ONU, o que representa dois terços da Assembleia Geral do organismo. No entanto, os Estados Unidos ameaçam rejeitar o pedido no Conselho de Segurança, onde os palestinos necessitam de nove votos de um total de 15 e nenhum veto dos membros permanentes (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e Rússia).

O dia é considerado histórico já que, 44 anos após a guerra de 1967 e 63 anos após a fundação do Estado de Israel, um presidente palestino se dirige aos 193 países membros da ONU para pedir o reconhecimento da Palestina.

Já o governo israelense alega que a reivindicação palestina, ao ser levada para a ONU, aumenta as tensões bilaterais e não resolve as disputas pendentes entre os dois lados.

A hora do povo palestino

Abbas mostra na Assembleia uma cópia do pedido  de reconhecimento do Estado palestino

Em discurso durante a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Abbas ressaltou a necessidade de que a Palestina seja reconhecida como país livre e independente e pediu o ingresso da nação como membro 194 do organismo. “Essa é a hora da verdade, nosso povo quer escutar a resposta de vocês”, afirmou.

No terceiro dia de sessões na ONU, diante dos líderes mundiais, Abbas declarou que “ninguém com consciência pode ignorar nossa solicitação de filiação plena à ONU”. “Já é hora de entrar em negociações com parâmetros claros e credibilidade”, afirmou, em meio a aplausos na Assembleia e também de palestinos que acompanhavam seu discurso em Ramallah.

O presidente da ANP também fez um chamado para que os países que ainda não reconhecem o Estado da Palestina o façam porque “é hora de que o povo palestino tenha sua independência e que acabe o sofrimento do povo na diáspora”.

Abbas garantiu ainda que a Autoridade Nacional Palestina busca “uma paz justa que garanta os direitos inalienáveis dos palestinos”. E na busca dessa paz, segundo ele, os palestinos se chocaram “contra uma rocha, a relutância de Israel em iniciar um processo de negociações, pois segue construindo assentamentos”. De acordo com ele, o governo de Israel “se nega a se comprometer com as resoluções da ONU sobre os assentamentos em território palestino” e rechaçou “a construção acelerada de territórios anexados”.

O presidente da ANP também enfatizou que a força de ocupação segue com escavações e ameaça lugares sagrados com a instalação de postos militares de controle que impedem aos cidadãos de chegarem às mesquitas e outros lugares santos. Segundo Abbas, a ocupação de Israel “está buscando redefinir as fronteiras de nossa terra e completar uma situação que modifica a realidade e destroi o potencial real para o surgimento de um Estado palestino”.

O líder também pediu que Israel construa pontes de diálogo em vez de muros e postos de controle nos territórios ocupados depois da guerra de 1967.

Israel

Benjamín Netanyahu: ONU é "uma casa de mentiras"

Em seguida a Mahmoud Abbas na Assembleia, foi a vez do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu. Para ele, o conflito entre os dois países deve se resolver sem as resoluções da ONU. “A verdade é que Israel quer a paz, eu quero a paz. A paz deve se ancorar na segurança, não com resoluções da ONU. Os palestinos só querem um Estado sem paz”, disse.

Netanyahu classificou ainda a ONU como “uma casa de mentiras”. “Quando me nomearam embaixador das Nações Unidas em 1984, me disseram que iria trabalhar em uma casa de muitas mentiras. É um lugar escuro em que espero que a luz da verdade ilumine ainda que seja por alguns minutos meu país, que tem sido humilhado por tantos anos”, afirmou.

O primeiro-ministro destacou ainda que, “ano após ano, Israel tem sido tratado de maneira injusta e condenado com mais frequência do que outras nações do mundo juntas”.

Nentanyahu também rechaçou a proposta do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que a Palestina seja um “Estado não-membro” da ONU. Segundo ele, isso seria reconhecer a existência de um Estado “à margem das negociações de paz”.

Confrontos

Também nesta sexta-feira (23), pelo menos um homem morreu durante confrontos entre manifestantes e colonos judeus na Cisjordânia. Segundo fontes oficiais palestinas, a vítima é um homem de 35 anos chamado Essam Kamal Badran, que teria sido morto com um tiro na nuca por forças de segurança israelenses. O exército, por sua vez, afirma estar investigando a situação no local. O incidente teria ocorrido na localidade de Qusra, a sudoeste de Nablus. A repressão israelense também deixou vários palestinos feridos.

Os choques iniciaram quando dezenas de colonos judeus atacaram a região, atirando contra as janelas de várias casas, segundo testemunhas. Os moradores responderam às agressões com pedras.

Em Ramallah, cerca de 120 manifestantes se concentraram próximos a uma área a oeste da cidade e atiraram pedras contra as forças militares israelenses.

Os soldados reprimiram os manifestantes com gás lacrimogêneo e outros equipamentos adquiridos recentemente por Israel para conter uma possível onda de protestos pela apresentação da candidatura da Palestina à ONU. Três pessoas, entre elas um jornalista francês, sofreram ferimentos pela inalação do gás.

Em Bilin, local onde durante anos os palestinos se manifestaram para protestar contra a construção da barreira de separação da Cisjordânia, também foi registrada uma pequena concentração. E em Qalandia, um dos focos de maior tensão entre Jerusalém e Ramallah, testemunhas informaram que homens encapuzados arremessavam pedras contra as forças israelenses.

Pouco antes, a polícia de fronteiras israelense deteve três palestinos em uma estrada de Jerusalém Oriental por atirarem pedras contra veículos israelenses, e outros dois na Cidade Antiga por desordens na entrada da Esplanada das Mesquitas.

Urgente: Algumas horas para salvar a Palestina!

Hoje, o apelo palestino por uma condição de Estado independente pode morrer nos próximos meses, a menos que nós ajudemos a salvar esse apelo. Na quarta-feira à noite, o presidente Obama se encontrou com o presidente palestino Abbas, e possivelmente o pressionou fortemente para evitar uma votação completa na assembleia das Nações Unidas, uma votação que a Palestina certamente venceria. Ontem a pressão parecia estar funcionando, e ospalestinos estão desistindo da votação.

Vai ser uma tremenda desilusão para o mundo e para os palestinos se esse momento passar sem nenhuma realização. Isso iria enfraquecer a paz e alimentar a desesperança, o extremismo e a violência. Mas ainda podemos virar o jogo. Em algumas horas, a Avaaz vai levar uma flotilha de navios pelo rio que corre próximo à ONU, coberta com enormes cartazes. Outro barco com jornalistas dos maiores meios de comunicação do mundo vai permitir a filmagem da flotilha e os jornalistas vão entrevistar nosso porta-voz. Se pudermos dizer que, em apenas 12 horas, 250 mil pessoas apelaram ao Abbas para que ele seja firme e forte e permita que o mundo faça uma votação, isso vai ajudar a definir este momento na mídia — influenciando a decisão de Abbas em atender ou não a esse apelo histórico.

Esta semana a Avaaz se reuniu com vários ministros de relações exteriores e nossa manifestação em Nova Iorque para entregar nossa poderosa petição com um milhão de assinaturas que foi notícia em todos os lugares. Mas o lobby dos EUA é impetuoso – nós precisamos urgentemente apelar ao Abbas para que ele seja forte e a cada um de nossos países para que apoiem o presidente palestino. Clique abaixo para assinar a petição e enviar uma mensagem urgente por telefone, no Facebook ou Twitter para governos e seus líderes, ou deixe comentários em artigos de notícias específicos para modelar a narrativa da mídia nesse momento. Temos apenas algumas horas antes que o presidente Abbas faça seu discurso na ONU mostrando sua decisão. Vamos fazer tudo que pudermos: http://www.avaaz.org/po/urgent_18_hours_for_palestine/?vl.

O apelo pela condição de Estado independente é uma tentativa pacífica, razoável e diplomática para dar os próximos passos rumo à paz e dar aos palestinos esperança após 40 anos de ocupação, opressão e colonização pelo estado legítimo de Israel. Pesquisas de opinião pública financiadas pela Avaaz e outras pesquisas mostram que a grande maioria de pessoas pelo mundo apoiam essa medida. Mas o governo extremista de Israel, com seu poderoso lobby político dos EUA, está determinado a matar essa proposta consciente e manter a Palestina fraca, oferencendo, pelo contrário, mais anos de falsas conversações de paz, ao passo em que colonizam mais terras palestinas. Ironicamente, estes extremistas ameaçam mais a Israel do que a Palestina, uma vez que um crescente número de palestinos estão desistindo da ideia de dois Estados e decidindo abraçar um desafio a longo prazo — um desafio que eles comparam com a luta da África do Sul contra o apartheid — por um único estado democrático secular com igualdade de direitos para todas as etnias e credos — efetivamente o fim de Israel enquanto um Estado Judeu.

Algo grandioso está acontecendo aqui. O presidente Obama disse que um Estado palestino somente pode ser concedido por meio de negociações com os israelenses. Mas quando Israel aplicou junto à ONU pela condição de Estado, os EUA não solicitaram que os palestinos concordassem com o pedido. Os EUA usam a retórica das manifestações a favor da democracia na Líbia, Síria e outros lugares, mas quando os palestinos buscam a liberdade, Washington faz tudo o que pode para se opor. Esse tipo de predisposição, no qual um aliado convicto, e até mesmo cego, de Israel é o único “pacificador” que temos é parcialmente o motivo pelo qual este conflito persite por décadas. Mas finalmente o mundo já se cansou – 127 nações, incluindo o Brasil, Índia, China e agora a França, levantaram-se para apelar por uma nova direção, e se outros se juntarem a eles, a era da hegemonia de Israel/EUA sobre esse conflito pode estar chegando ao fim, com um panorama de vozes globais e regionais mais amplo e mais sábio, especialmente as vozes das próprias pessoas, para substituir essa hegemonia. Tudo se resume às próximas horas — vamos fazer com que o mundo se levante, e fazer acontecer: http://www.avaaz.org/po/urgent_18_hours_for_palestine/?vl.

Agora mesmo, o presidente Abbas está escrevendo seu discurso. Fontes internas dizem que ele está se sentido traído pelos americanos, israelenses e líderes árabes aliados dos EUA com quem trabalhou toda a sua vida pela paz. Na quarta-feira, em um evento, ele disse alegadamente ao New York Times que “estava farto de todas essas pessoas, e não sabia o que fazer…”. As esperanças do povo palestino estão com um homem que, após ser repetidamente traído e enfraquecido pelos EUA, está perdendo a sua própria esperança. Mas uma grande maioria do mundo, e 80% de seu próprio povo, apoiam seu objetivo. Vamos pedir que ele coloque sua esperança no mundo e no apelo de seu povo, deixe o mundo votar o reconhecimento da Palestina, e deposite confiança ao resto do mundo e ao seu povo, que ajudarão esse novo Estado florescer.

Com esperança, Ricken, Alice, Emma, Wissam, Nicola, David e toda a equipe da Avaaz.

Mais informações

O turismo na defesa dos direitos da criança e do adolescente

A Federação Catarinense de Municípios – FECAM juntamente com o Trade Turístico está apoiando a campanha que tem como marco os dias 24 de setembro, que comemora-se o Dia Estadual de Mobilização pelo Fim da Violência e Exploração Infanto-juvenil (Decreto Lei n° 3.644/01) e 27 de setembro, que é o Dia Internacional do Turismo.

A campanha é uma ação do Programa Turismo Sustentável e infância, da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte em convênio com o Ministério do Turismo, sendo veiculada pelos meios de comunicação e entidades apoiadoras por meio de banners eletrônicos, peças publicitárias e textos informativos, durante os meses de setembro e outubro.

O objetivo da campanha é trabalhar a prevenção e o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes nos equipamentos turísticos, informando e sensibilizando o setor produtivo do Turismo, bem como toda sociedade.

A FECAM desenvolveu peças publicitárias que serão inseridas no portal institucional da entidade e Associações de Municípios, na internet. Releases, folder eletrônico e matérias relacionadas serão disponibilizados às Associações de Municípios que sugerimos sejam encaminhas aos municípios filiados.

Para tanto a FECAM conta com o apoio das 21 Associações de Municípios de Santa Catarina, no sentido de viabilizar a propagação da campanha além de entre os filiados, também em segmentos da sociedade civil e empresarial para que participem dessa importante luta com princípios na responsabilidade social corporativa e desenvolvimento sustentável da atividade turística.

Veja material explicativo

O Brasil vem priorizando, há mais de duas décadas, a proteção de suas crianças e adolescentes contra a exploração sexual. Além de possuir uma legislação específica e moderna – o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), dezenas de campanhas de esclarecimento vêm sendo realizadas pelo país.

Santa Catarina não poderia deixar de apoiar essa causa, assim, através da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, e em parceria com o “trade” turístico, vem firmar o compromisso de prevenção e combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, e na promoção de um turismo sustentável como ferramenta de inclusão social e crescimento do país.

Muitos são os fatores que levam à exploração sexual de crianças e adolescentes. Por isso, é imprescindível que os profissionais e empresários do setor de turismo firmem o compromisso de não permitir a utilização de seus equipamentos para essa prática. Sobre o assunto, o Código Ético Mundial para o Turismo, da Organização Mundial de Turismo, diz o seguinte:

A exploração dos seres humanos sob todas as suas formas, principalmente sexual, e especialmente no caso das crianças, vai contra os objetivos fundamentais do turismo e constitui a sua própria negação

Artigo 2.3

O Mundo contra a exploração sexual

O Código Ético Mundial da OMT destaca os princípios para guiar o desenvolvimento do turismo no mundo, servindo como referência para o setor. Seu objetivo é minimizar o impacto negativo do turismo no ambiente e na cultura e, ao mesmo tempo, maximizar os benefícios do turismo ao promover o desenvolvimento sustentável, aliviar a pobreza e facilitar o entendimento pacífico entre as nações.

Em seus artigos, merece destaque especial o de número 10 – Aplicação dos princípios do Código de Ética Mundial para o Turismo:

  1. Os agentes públicos e privados do desenvolvimento turístico cooperarão na aplicação dos presentes princípios e controlarão sua prática efetiva;
  2. Os agentes de desenvolvimento turístico reconhecerão o papel das organizações internacionais, em primeiro lugar a Organização Mundial do Turismo e as organizações não-governamentais competentes nos campos da promoção e do desenvolvimento do turismo, da proteção dos direitos humanos, do meio ambiente e da saúde, segundo os princípios gerais do direito internacional;
  3. Os mesmos agentes manifestam sua intenção de submeter os litígios relativos à aplicação ou a interpretação do Código Ético Mundial para o Turismo a um terceiro órgão imparcial, denominado Comitê de Ética do Turismo para fins de conciliação.
  4. Para orientar a participação no movimento de enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes, uma das principais ferramentas ao alcance do “trade” turístico é o Código de Conduta para a Proteção da Criança contra a Exploração Sexual em Viagens e Turismo (The Code).

Este instrumento de sensibilização para o enfrentamento do problema indica como as empresas de turismo podem atuar nesse contexto, assumindo sua responsabilidade como agente social.

O Código foi elaborado pela ONG internacional ECPAT- Articulação Internacional contra a Prostituição, Pornografia e Tráfico de Crianças e Adolescentes, em parceria com a Organização Mundial de Turismo. O Código dispõe de uma organização própria, sediada em Nova York – EUA (www.thecode.org), financiada por diversas instituições, entre elas o UNICEF. Criado em 1998 e já assinado por empresas de 32 países ao redor do mundo, o Código tem seis ações a serem implementadas pelos signatários:

  1. Estabelecer uma política ética da empresa contra a exploração sexual infanto-juvenil;
  2. Capacitar seus funcionários e os das suas empresas nos países de origem e destino em que operam;
  3. Inserir cláusula específica nos contratos com fornecedores, declarando repúdio de ambas as partes a toda e qualquer exploração sexual infanto-juvenil;
  4. Informar os turistas através de catálogos, folhetos, vídeos de bordo, cartazes, bilhetes de passagens, “sites” na Internet, ou qualquer outro meio informativo que lhes parecer oportuno;
  5. Fornecer informação aos atores-chave locais em cada um dos destinos operados;
  6. Apresentar um relatório anual sobre a realização e a aplicação dessas diretrizes.

Signatários do Código

São signatários do Código de Conduta no mundo: agências de viagens, operadoras, agências de eventos, associações, sindicatos, cooperativas, casas noturnas, restaurantes e meios de hospedagem. No entanto, ainda não é um número expressivo diante da quantidade de estabelecimentos existentes no setor em esfera global.

Portanto, diante das questões apresentadas, são de suma importância o comprometimento, o engajamento e a adesão de todos os atores da cena turística a esse Código de Conduta.

Os empresários têm de assumir um papel pró-ativo, porque a sociedade não aceita mais conviver com empresas indiferentes aos problemas sociais.

Não se omita, nem permita a violação dos direitos da criança e do adolescente: participe!

Mais informações sobre o The Code Brasil: www.childhood.org.br.

Fonte: Ministério do Turismo – Cartilha Turismo Sustentável e Infância com adaptações.

Download: O Turismo na Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente

Morre o compositor siciliano Vincenzo Bellini

Vincenzo Bellini, um dos maiores compositores do ‘bel canto’ do século XIX, dotado de especial dom para criação de melodias vocais e ao mesmo tempo puro no estilo e sensível na expressão, morre em Puteaux, perto de Paris, em 23 de setembro de 1835, aos 33 anos. Sua influência se refletiu não somente em óperas posteriores mas também nas primeiras obras de Richard Wagner e na musica instrumental de Chopin e Liszt.

Maria Callas interpreta ‘Casta Diva‘, da ópera Norma:

Nascido em Catânia, em 1801 no seio de uma família de músicos, Bellini compôs seus primeiros trabalhos enquanto estudante no Conservatório de Nápoles. Um de seus mestres foi Nicola Zingarelli, que o estimulou ao estudo dos clássicos e o gosto pela melodia simples e expressiva, sem artifícios nem filigranas.

Sua primeira ópera encenada em Nápoles em 1825 atraiu o interesse do agente Domenico Barbaja, quem alavancou sua carreira musical. Entre 1825 e 1826, compôs Bianca e Fernando, primeiro grande sucesso, levada à cena no Teatro San Carlo de Nápoles com o título retocado para Bianca e Gernandopara não ofender o príncipe Fernando de Bourbon. Recebeu de Barbaja encomenda para outra no ano seguinte, 1827, para ser encenada no Teatro alla Scala de Milão. Bellini deixa Nápoles e Maddalena Fumaroli, a moça de quem se enamorou e com quem não pôde se casar devido à oposição do pai.

No Alla Scala, com Il Pirata (1827) e La straniera (1829), obtém clamoroso sucesso e conquista em pouco tempo fama internacional. A imprensa milanesa reconhecia em Bellini o único operista italiano capaz de se ombrear com Gioachino Rossini: um estilo pessoal, baseado na harmonia entre música e libreto, primando pelo canto expressivo em vez do floreado.

Montserrat Caballe canta Il Pirata

As árias de Bellini e a vivacidade de Rossini conferiram à ópera uma era de lirismo. Consolidou seu estilo em outras 8 óperas: Os Capulleti e os Montecchi (1830), tiveram grande sucesso. Com La Sonnambula (1832), criou para a protagonista, um papel de soprano que se tornou muito popular.Norma (1831), uma obra-prima, é das mais apreciadas e a parte da personagem-título representa ainda hoje um teste de virtuosismo para um soprano dramático. A última ópera, outra obra-prima, I Puritani, foi escrita para o Teatro degli Italiani em Paris.

Guinada

A guinada decisiva na carreira e na arte do musicista catanês coincide com sua partida para Paris. Na capital francesa, entrou em contacto com alguns dos mais expressivos compositores como Chopin e sua linguagem musical plena de colorido e soluções novas, embora mantendo intacta a inspiração melódica de sempre. Para demonstrar gratidão ao país que o acolhera, Bellini dispôs-se a compor uma ópera em francês, contudo sua carreira e sua vida foram interrompidas aos 33 anos por uma infecção intestinal provavelmente contraída no começo de 1830.

Bellini foi sepultado no cemitério Père Lachaise em Paris, onde permanceu por cerca de 40 anos, vizinho de Chopin e Cherubini. Em 1876, seus restos foram trasladados para o Domo de Catânia. Sua tumba foi esculpida por Giovanni Tassara, enquanto o monumento que se encontra na cidade é obra de Giulio Monteverde.

Outros fatos marcantes da data

Cuidado, um computador pode roubar seu emprego

“O time de Wisconsin parece ter todas as condições de vencer, já que lidera o jogo por 51 a 10 após o terceiro quarto. Wisconsin aumentou sua vantagem quando Russell Wilson lançou Jacob Pederson para um touchdown, aumentando o placar para 44 a 3…” Com essas palavras, começava uma matéria news brief escrita nos últimos 60 segundos de um jogo de futebol americano entre o Wisconsin e o U.N.L.V., no início deste mês. As palavras podem não significar muito – mas foram escritas por um computador. O sofisticado código é obra da Narrative Science, uma empresa recém-criada em Evanston, no estado de Illinois, que oferece provas do progresso da inteligência artificial – a capacidade de computadores imitarem a razão humana.

O software da companhia armazena informações, como essa de estatística esportiva, relatórios financeiros de empresas e a evolução do mercado da construção civil, e as transforma em artigos. Há anos programadores vêm experimentando softwares que escrevem artigos, principalmente de eventos esportivos, mas esses esforços resultavam num estilo de formulários, de resposta a questionários. Era como se uma máquina os tivesse escrito. Mas o trabalho da Narrative Science baseia-se em mais de uma década de pesquisas, dirigidas por dois dos fundadores da empresa, Kris Hammond e Larry Birnbaum, co-diretores do laboratório de informações inteligentes da Universidade Northwestern, que tem ações da empresa. E os artigos produzidos pela Narrative Science são diferentes. “Achei que fosse magia”, diz Roger Lee, parceiro da companhia Battery Ventures, que investiu 6 milhões de dólares na empresa no início do ano. “É como se um humano o tivesse escrito.”

Cobertura ampliada

Especialistas em inteligência artificial e linguagem também ficaram impressionados, embora menos maravilhados. Oren Etzioni, cientista da computação da Universidade de Washington, diz: “A qualidade da narrativa produzida foi bastante boa”, como se tivesse sido escrita por um humano, ou até por um escritor bem-sucedido. Na opinião de Etzioni, a Narrative Science aponta para uma nova tendência em computação, a “crescente sofisticação da compreensão de linguagem automática e, agora, de geração de linguagem”.

O trabalho inovador da Narrative Science levanta uma questão mais ampla: este tipo de aplicação de inteligência artificial irá principalmente assessorar trabalhadores humanos, ou irá substitui-los? A publicidade online, embora crescente, não teve como contraponto o declínio da publicidade impressa. Mas irão “jornalistas robôs” substituir jornalistas de carne e osso nas redações?

Os dirigentes da Narrative Science enfatizam que sua tecnologia seria, antes de tudo, uma ferramenta de baixo custo para que publicações possam expandir e enriquecer sua cobertura quando os orçamentos editoriais estiverem sob pressão. Fundada no ano passado, a empresa tem, até agora, 20 clientes. Vários deles ainda estão na fase experimental da tecnologia e Stuart Frankel, principal executivo da Narrative Science, prefere não divulgar seus nomes. Entre eles, há redes jornalísticas, que procuram oferecer artigos sucintos e automáticos para uma cobertura mais extensa de esporte da juventude local e para produzir artigos sobre os resultados financeiros quadrimestrais de empresas públicas locais. “Fundamentalmente, estamos fazendo coisas que, de outra forma, não seriam feitas”, diz Frankel.

Sugestões de editores

Os clientes da Narrative Science dispostos a falar correspondem a esse modelo. The Big Ten Network, umajoint venture da Big Ten Conference e da Fox Networks, começou a usar a tecnologia na primavera de 2010 para replays curtos de jogos de beisebol. Eram postados no site da rede um ou dois minutos após o fim de cada jogo; boxes com os placares e informações sobre algumas jogadas eram usados para a produção de artigos concisos. (Antes disso, a rede de notícias baseava-se em relatos sucintos, online, fornecidos pelos departamentos de esporte das universidades.) À medida que progredia a temporada de esportes da primavera, os artigos produzidos por computador melhoraram, ajudados pelas sugestões de editores da equipe da rede, diz Michael Calderon, vice-presidente para mídia digital e interativa da Big Ten Network.

O software da Narrative Science pode fazer deduções com base na informação cronológica que coleta, assim como na sequência e resultados de jogos anteriores. Para produzir os “ângulos” da matéria, explica Kris Hammond, da Narrative Science, o software aprende conceitos para os artigos, como “esforço individual”, “esforço em equipe”, “vindo de trás”, “para trás e para a frente”, “os melhores da temporada”, “a carreira do jogador” e “classificação por time”. Então, o software decide qual é o elemento mais importante para aquele jogo, o que se torna o lead do artigo, diz ele. Um placar dilatado pode ser qualificado como “goleada”, ao invés de “vitória”. “A composição é o conceito-chave”, diz Hammond. “Não se trata apenas de coletar informações e jogá-las no texto.”

No outono do ano passado, a Big Ten Network começou a usar a Narrative Science para atualizações de jogos de futebol americano e basquete. Essas reportagens ajudaram a criar uma onda de referências no site do mecanismo de busca Google, que dá uma boa colocação a novos conteúdos de assuntos populares, diz Calderon. O tráfego da rede para jogos de futebol foi 40% superior, nesta temporada, em comparação ao de 2009.

10 dólares por artigo

A Hanley Wood, que edita publicações para a indústria da construção, começou a usar o programa no mês de agosto para a produção de reportagens mensais sobre mais de 350 mercados imobiliários locais, que colocou em seu site, BuilderOnline.com. A empresa coletava dados há muito tempo, mas contratar pessoas para escrever artigos sobre as tendências teria saído caro, diz Andrew Reid, presidente da unidade de inteligência para mídia digital e mercado da Hanley Wood. Ele diz que a empresa trabalhou com a Narrative Science durante meses para adequar o software para construção. Ex-executivo da Thomson Reuters, ele diz que ficou pasmo pela boa qualidade dos artigos. “Eles superaram uma enorme barreira linguística”, observa. “As matérias não são, de maneira alguma, cópias.”

Também ficou impressionado com o custo. A Hanley Wood paga à Narrative Science menos de 10 dólares por cada artigo de cerca de 500 palavras – e é bem possível que, com o passar do tempo, esse preço caia ainda mais. Mesmo a 10 dólares, o custo é bem inferior, pelas estimativas da indústria, ao custo médio, por artigo, de sites locais, como o Patch, da AOL, ou os sites de resposta, como aqueles dirigidos pela Demand Media.

E o Pulitzer vai para o computador

Entre as ambições da Narrative Science, uma é continuar crescendo em matéria de qualidade. Tanto Larry Birnbaum quanto Kris Hammond são professores de jornalismo e de ciência da computação. A própria empresa é uma consequência da colaboração entre as duas escolas. “Este tipo de tecnologia pode aprofundar o jornalismo”, diz John Lavine, decano da Escola de Jornalismo Medill, da Universidade Northwestern.

Hammond diz que a combinação dos avanços em seu dispositivo de escrita e de localizar informação podem abrir novos horizontes para o jornalismo digital, explorando “correlações entre o que você não esperava” – do ponto de vista conceitual, similares às do livro Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything, escrito por dois humanos, o economista Steven D. Levitt e o escritor e sociólogo Stephen J. Dubner. Hammond citou ainda uma previsão de especialistas em mídia de que um programa de computador possa ganhar o Prêmio Pulitzer dentro de 20 anos – e pediu para discordar. “Dentro de cinco anos”, disse, “um programa de computador irá ganhar o Prêmio Pulitzer – e não tenho qualquer dúvida de que será a nossa tecnologia.”

Caso isso ocorra, é claro que o prêmio não será concedido a um código abstrato, mas a seus criadores humanos.

Escrito por Steve Lohr, jornalista, The New York Times.