Navegantes ao longo da história



Navegantes, no Estado de Santa Catarina, hoje uma progressista cidade, berço e abrigo de tantas criaturas que nos são extremamente caras, precisa que se registre, um pouco de sua história.

Está rigorosamente ligada a ocupação de Itajaí, que podemos atribuir com a sua fundação, se deu em duas oportunidades, em 1820 por Antonio Menezes de Vasconcelos Drummond e Agostinho Alves Ramos em 1824. Enquanto que no atual território de Navegantes, 120 anos antes de Itajaí, em 1700, já viviam na margem norte do Rio Itajaí-Açú e ao longo das praias, mais de 40 famílias de pescadores e agricultores de origem açoriana.

Os registros históricos nos contam que o primeiro morador teria sido João Dias D’Arzão, chegado de São Francisco do Sul em busca de minerais preciosos e que foi embora destas terras em 1715, por não ter encontrado nenhuma riqueza mineral. No decorrer de 1504, os normandos presumivelmente alcançaram o litoral catarinense como tudo indica registros de mapas encontrados em Paris. Aqui esteve não em caravela e sim um navio, mais provavelmente uma nau, uma embarcação um pouco maior. O escritor Carlos Pereira, em livro que conta a história de São Francisco do Sul, e apresenta alguns extratos de mapas comparando o nosso hoje canal marítimo, com a foz do Rio Orne, situado na Normandia, com o estuário do Rio Itajaí. Ainda não tinha, é evidente, recebido qualquer nome.

A cidade fez parte de Itajaí por muitos anos, que por sua vez, teve a sua emancipação definitiva em 15 de junho de 1860, desmembrando-se de Porto Belo, ficando, entretanto, com Navegantes, como um de seus principais Distritos. Navegantes, tornou-se independente em maio de 1962. Foi a determinação de alguns navegantinos, como CIRINO CABRAL, ATANÁSIO RODRIGUES, OSÓRIO VIANA E JOÃO BUTCHELI, que se emancipou, passando ser independente de Itajaí e a se chamar Município de Navegantes. Foi quando teve este articulista, o primeiro contato com problemas de Navegantes, pois, conhecido que era, dos referidos líderes comunitários, lhe foi solicitado a redigir ofícios aos Vereadores de Itajaí, aos Deputados Estaduais e outras lideranças políticas para buscar a sonhada emancipação.

Depois de muita luta desses líderes naturais do povo de Navegantes, que escreveram uma importante página na História do Município, em maio de 1962, conseguiram através da Resolução nº. 2 da Câmara Municipal de Itajaí, autorização do desmembramento. Foi elevado à categoria de Município, através da lei Estadual nº. 828, de 30 de maio de 1962, tendo assim, a emancipação político-administrativa. Chegando a história presente, registre-se que o PORTO DE NAVEGANTES é hoje uma importante realidade, que vem traçando novos rumos a cidade e ao Estado, pois integra, de forma maiúscula, o Complexo Portuário do Rio Itajaí.

Ele é fruto do sonho do Sr. José Marcelino Neves, conhecido como VELHO MARINHEIRO, que havia escrito ao então Presidente Fernando Henrique, sugerindo a construção de um porto. Levou a resposta do Presidente, como sugestão, ao então Prefeito Luiz Gaya e tudo começou assim. O primeiro investidor, o destemido Agostinho Leão, diretor da Maresgaudium, buscou, acertadamente, parceria com a Ivaí Engenharia, de Curitiba, Triunfo Investimentos de São Paulo e o Fundo Backmoon Investment, constituindo, assim, a hoje vitoriosa PORTONAVE.

O novo porto, em Navegantes, tem 900 metros de cais, quatro berços de atracação e 250 mil metros quadrados de retro área pavimentada e poderá receber navios de até 290 metros de comprimento. A Portonave tem disponíveis 600 mil metros quadrados de área e estão utilizando parte, nesta fase, os restantes 350 mil, por certo, no caso de uma possível e provável expansão. O Porto de Navegantes vêm trazendo muito progresso, embora de forma lenta, mas continuada, em todos os campos da vida econômica e cultural do município.

A História de Navegantes precisa registrar, em seus anais, a luta do então Prefeito Luiz Gaya, que hoje assiste a coroação de um desejo, graças, também, o empreendedorismo do Senhor Agostinho Leão, que, tal qual o Rei das Selvas, teimosamente lutou e conseguiu parceiros, para tornar realidade o sonho, o romantismo da Adriana Amorim, do Amarildo Madeira, do Velho Marinheiro e o nosso também. Hoje assistimos, orgulhosos, a grandeza desse monumento que é o Porto de Navegantes, uma realidade incontestável, tal qual um filho que nasce, concebido com amor e carinho. Privilégio que ninguém nos tirará.

Encanta-nos olhar a grande obra, no outro lado da vala – como diria outro grande otimista que já não está entre nós – o saudoso amigo Dalmo Vieira.

Escrito por Carlos Fernando Priess, advogado/aconomista. Email carlos@priess.com.br.

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