O sobrinho de Freud explica

O sobrinho de Freud explica

Edward Bernays, o homem que criou a primeira grande campanha viral da história.

Baseado no conceito freudiano de que  um cigarro não é só um produto, mas também um símbolo fálico, seu sobrinho Edward Barnays criou a primeira grande campanha viral da história: contratou modelos para fumar em uma passeata como se fossem militantes feministas desafiando o poder masculino.

Cara leitora, sabe esse cigarro que tem, ou que logo mais terá, entre seus dedos? Pois é… Freud explica. Melhor dizendo, o sobrinho do Freud explica. Seu nome, Edward Bernays, pouca gente conhece. Mas há quem diga que as consequências de seu trabalho definiram mais a sociedade do século 20 do que seu famosíssimo tio. Pois, se Freud é o pai da psicanálise, Bernays é o pai da sociedade de consumo. E, como primeiro grande projeto, o austríaco radicado nos Estados Unidos resolveu convencer as mulheres de que elas poderiam fumar cigarros. Aliás, de que elas deveriam fumar cigarros. Trip explica.

Filho de Anna, irmã de Freud, Edward Bernays começou sua improvável carreira como parte do esforço da propaganda americana no final da Primeira Guerra. Seus releases para a imprensa e sua habilidade em persuadir veículos de comunicação ajudaram a transformar o presidente Woodrow Wilson em uma celebridade na Europa.

Ao voltar para os EUA depois da guerra, Bernays tinha um objetivo em mente: “Eu queria tentar aquelas técnicas de formação de pensamento de massa em tempos de paz”, ele recordaria em uma entrevista de 1991. Em vez de exércitos e países, ele ofereceu seus serviços para as maiores forças econômicas emergentes naqueles anos de 1920. As corporações.

A palavra propaganda era malvista no pós-guerra. Associada às campanhas ideológicas alemãs. Bernays trocou apenas o nome para “relações públicas” e abriu um escritório em Nova York. Seu primeiro cliente foi a Corporação de Tabaco Americana. Os fabricantes queriam saber se ele poderia fazer algo para dobrar o consumo de cigarros nos EUA, já que metade da população, as mulheres, sofria preconceito por dar baforadas em público.

Muito por dentro das teorias de seu tio, Edward entendeu o cigarro não como um produto, mas como um símbolo fálico. E percebeu que, se buscasse uma forma de associá-lo ao poder masculino e aos desejos inconscientes das mulheres de derrubá-lo, os cigarros ganhariam um significado mais profundo, quase irresistível para muitas delas. Sua ideia foi brilhante e maquiavélica. Em vez de comprar anúncios, contratou um grupo de lindas debutantes e avisou à imprensa que militantes feministas, lutando pelo direito de voto nas eleições, iriam acender as “tochas da liberdade” no desfile de Páscoa em Nova York.

Cultura do desejo

Em pleno 1º de abril de 1929, dezenas de repórteres estavam a postos quando as moças, todas juntas, sacaram cigarreiras de suas meias-calças e fumaram em público. No dia seguinte jornais no mundo todo relataram o ocorrido. E o cigarro, de um ato feminino vulgar, tornou-se uma bandeira da libertação feminina. As vendas de cigarro dispararam já na semana seguinte.

Bernays ainda tratou de pagar Hollywood para inserir mulheres fumando nos filmes. “A ideia não era anunciar, mas ocupar as notícias”, disse certa vez. Com o dinheiro que fez com seus serviços de relações-públicas, Bernays chegou a mandar dinheiro para que o próprio Freud o ajudasse com estratégias de “construção de consenso”, como chamava. Combinando psicanálise e showbiz, manipulava desejos e impulsos primordiais para indústrias de automóveis, eletrodomésticos, roupas, alimentos… A lista corre. Tudo com um objetivo claro: trocar uma economia baseada em necessidades por uma baseada em desejo. “O negócio era fazer com que a pessoa não quisesse um produto porque ela precisava dele. Mas porque ela iria se sentir melhor ao tê-lo”, definiu, poucos anos antes de morrer quase anônimo, em 1995, em um mundo completamente mergulhado em uma cultura de consumo baseada em desejo. Curioso, e tristemente adequado, que tudo tenha começado com um nada inocente cigarrinho.

Edição do Salada: Millos Kaiser

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Licença para matar

Darth Vader na revista Trip-207-editorial-0003

Um homem muito inteligente, mas incapaz de deixar de inalar substâncias tóxicas.

Um amigo querido está lutando contra um câncer de pulmão. Ele fumou durante os últimos 55 de seus 69 anos. Hoje, exatamente no dia em que escrevo este editorial, está completando 70. Vai ter um bolinho, mas é provável que ele não consiga ver o doce. Não sei se permitem a entrada de alimentos vindos de fora na UTI. Se abrirem uma exceção no hospital, talvez ele experimente um pouquinho.

Até alguns dias atrás não conseguia ingerir alimentos sólidos, mas nas últimas horas voltou a mastigar coisas macias, sempre em pedaços pequenos de fácil digestão. As velinhas provavelmente serão dispensadas. Há três meses e meio ele se sentia bem, curtia uma fase nova em sua vida, com mais tempo para andar por aí, para trabalhar com o que gosta e estudar fenômenos inexplicados, como o mistério dos “crop circles”, por exemplo, aqueles desenhos geométricos e enormes que aparecem vez por outra em campos de trigo e em plantações pelo mundo e que são atribuídos por muita gente boa a visitantes de outras galáxias. Esse é um dos seus hobbies. O outro é espalhar positividade e palavras de estímulo para quem encontra pela frente. Desconhecidos, amigos íntimos, gente que acaba de cruzar, não importa quem.

Em cerca de cem dias, a doença andou rápido. De uma dor na perna ao diagnóstico e dele a uma complicação depois da outra. Ossos enfraquecidos, massa muscular reduzida, locomoção e fala prejudicadas, intestino, rins, sangue… No Natal, ainda bem menos afetado pelos sintomas, ele pintou com carvão dois traços pretos e largos sob os olhos. Disse que estava usando a pintura dos guerreiros e que estava pronto para a luta. Era verdade. A forma como vem encarando a briga deixaria nosso lutador convidado desta edição, Anderson Silva, e seus amigos guerreiros camaiurá impressionados (veja a reportagem aqui). Dizem os estudiosos da alma e da natureza humanas que o medo tem muitas chances de imperar enquanto apenas imaginamos o obstáculo. Mas, quando de fato o estamos enfrentando, nossa natureza lhe dá a devida dimensão. Nem menor e, principalmente, nem maior, como tendemos a projetar antes de estar de verdade frente a frente com ele.

Meu amigo vem lutando muito elegante e bravamente. E conseguindo algumas vitórias aqui e ali, baseado na sua capacidade de amar, na sua vontade de viver mais, ao lado da mulher, das filhas, dos netos, dos amigos da vida inteira e dos parentes. Tem sido capaz de feitos impensáveis. Só não conseguiu uma coisa: parar de fumar.

Um homem de inteligência privilegiada, com uma vida interessante e plena, consciente do que está enfrentando, mas absolutamente incapaz de fazer o que sua mente lhe diz para fazer: deixar de inalar os milhares de substâncias tóxicas que destruíram suas defesas lenta e ininterruptamente.

Cortina de fumaça

É exatamente esse um dos maiores absurdos, entre tantos outros, relacionados à indústria tabagista na época em que estamos. Corporações (e governos coniventes) responsáveis por genocídios em massa ao longo de décadas – vendendo um produto criado para sequestrar em pouquíssimo tempo a capacidade de escolha de suas vítimas (um dos indicadores da dependência química é justamente o fim da capacidade de discernir do indivíduo) – se arvoram agora a condição de defensores supremos da liberdade de escolha do cidadão, numa atitude cafajeste e que subestima de forma radical a inteligência das pessoas.

Uma estratégia tão nojenta e letal quanto o produto que desgraçadamente dedicam suas vidas a produzir e comercializar. Há cerca de 14 anos, quando a internet comercial ainda engatinhava no Brasil, a Trip produziu uma pesquisa e uma edição especial na qual não apenas declarou que não mais aceitaria publicidade de cigarros em suas páginas, mas que serviu também para informar melhor a quem fuma e a quem não fuma e para provocar um amplo e vigoroso debate em canais de televisão, jornais e outros meios. Na pauta, as mentiras escancaradas da indústria tabagista veiculadas especialmente através da propaganda sedutora e impecavelmente produzida com orçamentos ilimitados, focada especialmente nos públicos infantil e jovem.

Agora, quando o comando organizado da indústria cigarreira recorre a estratégias ainda mais maquiavélicas para defender seus lucros e sua licença para matar, entendemos que se trata de uma excelente hora para voltar ao tema. Esperamos que esta edição possa trazer mais conhecimento aos fumantes e aos não fumantes e que venha novamente ajudar a produzir reflexão relevante sobre um assunto de saúde pública muitas vezes esquecido atrás da cortina de fumaça erguida e mantida pelos interessados em defender a produção e a venda de um produto que assassina mais de 6 milhões de pessoas por ano no mundo.

P.S.: para falar de algo infinitamente mais leve e positivo, nesta mesma edição você verá também a festa de 25 anos da Trip em Nova York, que aconteceu em dezembro na galeria Espasso. Nela, lançamos uma edição da revista com capa e encarte especial com as principais matérias em inglês. Foram 5 mil exemplares direcionados para formadores de opinião de Nova York e da Califórnia. Enquanto isso, sai este mês nas bancas da Alemanha e de outros países europeus de língua germânica a quinta edição daTrip em alemão. Nossa maneira de ver o mundo vai aos poucos abrindo as fronteiras. Graças a sua força. Obrigado e um 2012 generoso para todos nós.

Paulo Lima, editor

Mata de jet ski e foge de helicóptero

Impunidade

Uma das primeiras reportagens que produzi como jornalista foi sobre atropelamentos por jet ski em praias do litoral de São Paulo no final de 1995. Conversei com famílias que haviam perdido seus entes queridos depois que condutores irresponsáveis não respeitaram a distância mínima de 200 metros da areia e ficaram se exibindo onde os banhistas se divertiam. Ou estavam mamados de cerveja e caipirinha e foram dar uma voltinha de jet mesmo assim. Afinal, água não machuca, né?

Havia ainda outros que não faziam ideia de como pilotar a embarcação (é necessário habilitação de arrais amador concedida pela Marinha e ter, no mínimo, 18 anos), mas seus pais provavelmente achavam bonito o filhão montado em tantos cavalos de potência e incentivaram a maluquice. Os mesmos pais não dariam o carro para que seu filho ou filha dirigisse, mas entregam um jet. Ou até dariam, vai saber o que esse pessoal com cérebro de camarão ao alho e óleo não faz…

Como o jet ski não tem leme, é necessário acelerar para virar. Ou seja, se você vê um obstáculo à sua frente, por instinto, para de acelerar. Se fizer isso com um jet, ele ignora o comando e segue a trajetória. Dessa forma, muita gente já perdeu a vida.

Em diversas histórias que colhi, houve o padrão básico dos covardes: atropelamento e fuga, tanto para tentar se livrar de um flagrante quanto para dar tempo aos advogados da família de constituírem uma defesa ou encontrar alguém com carteira de arrais para assumir a culpa.

Para não dizer que nada mudou nos últimos 17 anos (ai, tô me sentindo velho com essa…), o número de jets aumentou nas praias e a quantidade de pessoas com recurso para alugá-los também. Apesar de ações do poder público, as regras continuam a ser sistematicamente desrespeitadas e pessoas vem morrendo por causa disso.

Retomei o tema porque fiquei surpreso com uma morte ocorrida neste domingo (19) de carnaval, no mesmo litoral de São Paulo. Uma menina de três anos foi atingida na cabeça, em Bertioga, por um jet ski pilotado, segundo testemunhas, por um adolescente de 14 anos. Chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

O que me surpreendeu foi a notícia, veiculada pela Folha de S. Paulo, de que a família do jovem infrator, que fugiu do local sem ajudar no atendimento, teria saído de helicóptero do condomínio onde estava. Quando procurada pela polícia, ela não foi encontrada. Outra versão diz que carros de luxo deixaram o condomínio logo após o ocorrido. Por terra ou por ar, o que importa é que a escapada parece ter sido com estilo, confirmadas qualquer uma das versões.

A menina teria esperado 40 minutos pelo helicóptero da Polícia Militar que fez o resgate. Segundo parentes, era a primeira vez que via o mar.

(Abro um parênteses: li as matérias a respeito e encontrei poucas que o tratassem pela alcunha de “menor”, o que – a meu ver – não é o melhor tratamento para se referir a um jovem que infringiu a lei. Se fosse pobre e tivesse atropelado alguém com um Fusca 73, a história poderia ser diferente. Por aqui, rico é jovem, pobre é menor. Um é criança que fez coisa errada, o outro um monstro que deve ser encarcerado. Nós, jornalistas, precisamos ficar de olho para não propagarmos determinados preconceitos com as palavras que escolhemos).

É duro constatar que certas coisas não mudam. Apenas ganham contornos cinematográficos.

Por Leonardo Sakamoto e publicado no Blog do Miro 

Viacredi promoveu assembleia em Ilhota

Viacredi

A Viacredi promoveu entre seus cooperados a assembleia de prestação de contas no na última quinta-feira (16). O evento que aconteceu no salão paroquial São Pio X, reuniu cerca de 600 pessoas. Os objetivos do encontro foi apresentar os balanços financeiros e sociais da cooperativa além de consolidar a credibilidade para com seus associados no investimento de onde e como está sendo aplicado o seu dinheiro.

Os gestores da cooperativa mostram em números as informações do PAC 44. A agência de Ilhota conta com mais de 1000 mil cooperados que redeu mais de 10 milhões no exercício do ano passado. Esses fatores mostram que a cidade é economicamente forte.

Dentre outros assuntos discutidos, abordou-se do valor emprestado ao associado que segundo os gerentes da Viacredi na cidade é alarmante e a quantidade de financiamentos é maior que o rendimento acumulado, uma mostra significativa que a cidade gasta mais do que economiza seus rendimentos. Esse foi o melhor momento do encontro que na ocasião estavam presentes muitos empresários e trabalhadores da cidade. Poupar o dinheiro é o lema da entidade, o capital aplicado volta com correção ao cooperado que será corrigida em 6.64% proporcional, no começo do ano de 2012.

Logo após a assembleia, os presentes foram convidados a saborear de delicioso coquetel servido pela agência da Viacredi Ilhota.

Com bases nas informações do Publicar Agora