Audiência pública debate drama de 6 mil desalojados de Pinheirinho

Audiência pública debate drama de 6 mil desalojados de Pinheirinho

Sob a acusação de que o Partido dos Trabalhadores (PT) estaria “utilizando a miséria alheia para favorecer seus interesses eleitorais”, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) quase inviabilizou a audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado para discutir, nesta quinta (23), o truculento despejo das cerca de 1,6 mil famílias que viviam na área de ocupação conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), em 22/1.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que assinou o requerimento para realização da audiência em parceria com o senador Paulo Paim (PT-RS), chegou a ficar exaltado e a gritar com o colega. Mas, com o apoio de senadores e lideranças políticas e comunitárias de outras legendas, defendeu a importância da pauta e conseguiu dar prosseguimento à audiência, que durou quase seis horas.

Cerca de quarenta ex-moradores de Pinheirinho e lideranças comunitárias e políticas garantiram o quórum da audiência, que contou com a presença de apenas cinco senadores. Os representantes do governo e da justiça paulistas não compareceram. “Enquanto não houver uma discussão séria em que a questão dos direitos humanos não seja tratada de forma unilateral, o governo de SP não irá participar e nem eu”, justificou Aloysio Nunes.

Para ele, a CDH foi “aparelhada pelo PT” com o propósito de prejudicar o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda que, além dele, abriga o governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, e o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, que autorizaram a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal a cumprirem a polêmica decisão de reintegração de posse do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

“Estamos diante de uma operação política em que o PT, para promover seus interesses eleitorais, terceiriza o seu radicalismo a grupetos pseudo revolucionários e a pretensos líderes comunitários, que são verdadeiros parasitas desses movimentos”, afirmou, sem poupar críticas às principais lideranças comunitárias da comunidade, que são filiadas ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU).

Exaltado, Nunes disse também que há muita mentira em torno da desocupação. “Falaram em mortos, feridos, mas nada foi comprovado”, acrescentou. Segundo ele, não por acaso, os depoimentos sobre possíveis truculências da PM partiram dos funcionários do gabinete do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

Suplicy, reconhecido pela calma exagerada, rebateu o colega aos berros. “Se eu não tivesse convidado o governo de São Paulo e os juízes envolvidos, eu até poderia ser acusado de parcial. O senador Aloysio Nunes precisa ficar e ouvir aquilo que ele acha que não ocorreu. Ele diz que não houve violência, mas aqui está um morador, com os exames médicos que comprovam que ele levou um tiro”, contrapôs.

O pedreiro David Washington Furtado contou como foi baleado, quando saia de casa, com a roupa do corpo. Ele, que passou 17 dias hospitalizado, apresentou exames comprovando as sequelas do tiro que recebeu pelas costas. Com a ajuda da esposa e de outros companheiros, relatou também o caso do vizinho, Ivo Teles dos Santos, que sofreu um derrame após ser espancado pela Polícia. E o de Antônio Dutra Santana, que morreu atropelado por um carro atingido por uma bomba de feito moral.

Houve, ainda, relatos de estupros, espancamentos e até o lançamento de uma bomba de efeito moral dentro de uma igreja, onde muitos moradores procuraram abrigo.

O líder comunitário Valdir Martins de Souza disse que, antes da desocupação, Pinheirinho era considerado um exemplo para o mundo. “Nós mostramos como fazer casas populares com baixo custo, abrimos ruas sem ajuda do poder público e vivemos oito anos na área sem que fosse registrado um único crime. Agora, para reparar o que foi feito em Pinheirinho, a única solução é a desocupar a área e construir casas populares nela ”, disse.

A secretária Nacional de Habitação, Inês Magalhães, explicou que, desde 2006, dois anos após o início da ocupação, o governo vem manifestando interesse em discutir uma solução para o problema dos quase 6 mil moradores da área, que pertence à massa falida de uma empresa do mega-especulador Naji Nahas. “Há, da nossa parte, o compromisso de atendimento total à demanda dos moradores do Pinheirinho, com ou sem parceria dos outros níveis de governo”, afirmou.

O secretário Nacional de Articulação, Paulo Maldos, acrescentou que o governo continua empreendendo todos os esforços para estabelecer parcerias, principalmente com a Prefeitura, que pode facilitar a solução do impasse ao alterar o plano de zoneamento da cidade. Segundo ele, o governo criou uma espécie de força tarefa que se reúne semanalmente para viabilizar um diagnóstico das áreas da região, passíveis de serem transformadas em conjuntos habitacionais.

Maldos, que estava na área no dia da desocupação e chegou a se ferir com um tido de bala de borracha nas pernas, reiterou os depoimentos dos moradores sobre a truculência da operação. “A população de Pinheirinho foi tratada como inimigo do estado e a PM se portou como força de ocupação”, disse.

Senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que assistiu a um vídeo sobre a operação, ficou chocado. “Há formas e formas de se cumprir uma decisão judicial. Pelas cenas exibidas aqui, parece que faltou o mínimo de razoabilidade e bom-senso na desocupação”.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) lembrou que o impasse vem se arrastando há oito anos, tempo suficiente para que todas as esferas de governo pudessem tomar as providências devidas para solucioná-lo.

O presidente nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSol), deputado Ivan Valente (PSol-SP), denunciou a opção do governo estadual pela violência. Para ele, mesmo que houvesse uma ordem judicial de reintegração de posse, o governo poderia ter ponderado, porque havia uma negociação em curso. “O caso de Pinheirinho é simbólico, é paradigmático de como é tratada a questão social no Brasil”.

O presidente nacional do PSTU, José Maria Almeida, criticou a operação, defendeu os moradores da área que, segundo ele, são vítimas da criminalização dos movimentos sociais em curso no Brasil, mas ressaltou que a hora é de agir. “Quando é que vamos começar a construir as casas?”, cobrou.

No final da audiência, Suplicy afirmou que enviará relato das denúncias contra os magistrados que determinaram a ação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que poderá avaliar se houve ou não irregularidades nelas. Ele reiterou o convite às autoridades paulistas para explicarem quais providências estão sendo tomadas para apuração das denúncias e para solução do impasse.

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Xangô da Mangueira: Relançamentos

Xangô da Mangueira - Relançamentos

O tradicional samba do Xangô da Mangueira ganhou novo brilho e nova vida neste ar carnavalesco de fevereiro. Foram lançadas reedições em CD dos quatro discos que Xangô gravou na década de 70.

Os discos reeditados são: “O Rei do Partido Alto” (1972), na época lançado pela gravadora Copacabana, “Velho Batuqueiro” (1975), “Chão da Mangueira” (1977) e “Xangô da Mangueira vol. 3” (1978), lançados pela Tapecar. O grande sambista Olivério Ferreira (1923 – 2009), que ficou famoso por Xangô, foi um músico carioca fundamental para o sucesso da Escola de Samba Mangueira, na qual foi mestre na direção de harmonia nos anos 50.

Esses importantes relançamentos feitos pelo selo Discobertas é a grande oportunidade para o resgate da raiz da raiz, que permanecia em uma espécie de coma até agora. Os LPs de Xangô da Mangueira são hoje itens raríssimos em sebos e lojas de discos. Aos fãs do estilo que não conhecem o samba do Xangô, há de ser uma verdadeira descoberta, com letras irreverentes do compositor de interpretação bem característica. O mestre do partido alto era também hábil no jongo, no samba de roda e no samba de breque.

O músico foi apadrinhado por Cartola e só foi gravar “O Rei do Partido Alto”, seu primeiro disco, com cinquenta anos de idade. Neste disco ele regravou sambas que ganharam a voz de Martinho da Vila, como “Cheguei no samba”, além de “Quando vim de Minas”. Na Tapecar, ele gravou sambas como “Carolina, Meu Bem”, “O Namoro de Maria” (parceria com Aniceto do Império) e “Festa de Santo Antônio”, de Dona Ivone Lara.

Nascido no Estácio, filho de mãe mineira e pai paulista, Xangô cresceu na Baixada Fluminense. Morou em Rocha Miranda, circulou muito por Madureira, passou pela Portela e se firmou na Mangueira. Ele morreu em janeiro de 2009, aos 85 anos. Com produção executiva de Marcelo Fróes, reprodução fiel das imagens e capas originais, os quatro CDs trazem ótima sonoridade e muito respeito ao bom e velho samba.

Rei do Partido Alto

  1. Moro Na Roça – Part. Jorge Zagaia
  2. Quando Vim De Minas
  3. Se O Pagode É Partido
  4. Cheguei No Samba
  5. Que Samba É Esse
  6. Se Tudo Correr Bem
  7. Pequenininho – Part. Jorge Zagaia
  8. Recordações De Um Batuqueiro
  9. Quem Não Te Conhece E Que Te Compra
  10. Arigó
  11. Diretor De Harmonia – Part. Jorge Zagaia
  12. Olha O Partido

“Velho Batuqueiro”

  1. Carolina Meu Bem
  2. Caviar De Pobre
  3. Piso Na Barra Da Saia
  4. O Namoro De Maria
  5. O Velho Batuqueiro
  6. Brincadeira Tem Hora
  7. Ô Menina
  8. Dança Do Caxambu
  9. Tô Bem Chegado
  10. No Tempo Dos Mil Réis
  11. Pau De Ibrauna
  12. Vim Da Bahia

Chão da Mangueira

  1. Mineiro, Mineiro
  2. ocê Não É Não
  3. A Gente Com Briga Não Chega Lá
  4. O Pagode Levanta A Poeira
  5. Amaralina
  6. Festa De Santo Antônio
  7. Catimbó
  8. Porque Você Não Foi
  9. Viola De Pinho
  10. Harmonia Bonita
  11. Ê Cantador
  12. Isso Não São Horas

Xangô da Mangueira Vol. 3

  1. Dá No Nego
  2. A Cobra Sussurana
  3. Não Xinxa O Boi
  4. Chico Jongueiro
  5. Louvação Aos Grandes E Aos Pequenos
  6. Perdi Minha Alegria
  7. Mineiro É
  8. Zá Cansado
  9. Quem Fala Alto É Gogó
  10. Mulher Da Melhor Qualidade
  11. Não Adianta Falar Mal De Mim
  12. Quilombo

Atendimento humanizado na saúde

 Atendimento humanizado na saúde

Jornal IlhotaSeu Augusto dos Santos Luiz, de 52 anos, acordou cedo nesta quarta-feira (22). O motivo? Pegar uma senha na Unidade Central de Saúde. O morador da Ilhotinha foi cedo para evitar filas e ser atendido por primeiro. Ao chegar no posto, teve uma surpresa. Agora, a partir das 3h30, a unidade já está aberta e distribuindo senhas a população. O atendimento médico começa logo depois, às 6h30, prosseguindo até às 19h.

Para o servidor público, o sistema beneficia muito a comunidade. “Deveriam ter feito muito antes. Assim não tem como furar fila ou se sobrepor aos outros. Nossa rede de saúde agora está ainda melhor. Olha, moro há décadas nesta cidade e nunca vi um serviço tão bem feito como atualmente”, conta. O paciente foi atendido às 8h por um clínico geral.

Segundo a idealizadora do projeto, secretária de saúde, Jocelene da Silveira, esta é uma forma de humanizar o atendimento. “Em média, cerca de 1200 pessoas utilizam semanalmente os serviços disponibilizados pela unidade central, fora os atendimentos das agentes do PSF e as visitas domiciliares da equipe médica. Com tamanho número de pacientes, antes acabava ocorrendo desorganização nas filas e ninguém sabia quem era o primeiro. Agora a realidade é outra. O atendimento é mais rápido, não há confusão e dentro do planejamento de atendimento médico, todos são atendidos”. Jocelene ressalta que é muito importante que o usuário chegue cedo a unidade ou encaminhe um representante para tirar a ficha. “Este serviço não será feito nos outros postos, pois não há esta necessidade”.

Outro morador que foi pego de surpresa ao chegar a unidade foi o aposentado Francisco Sebastiano Prim, de 74 anos. Ele chegou às 5h para ser um dos primeiros da fila. O morador do bairro Vila Nova ficou feliz ao ver as portas abertas. “Tem água, café e televisão. O tempo passa rapidinho. Sempre usei os serviços públicos de Ilhota. Moro aqui há 50 anos. E, olha, eu digo, a nossa cidade  não perde em atendimento para nenhum outro município”.

APAE entrou no clima do carnaval

APAE entrou no clima do carnaval

Jornal IlhotaNa última semana, a APAE de Ilhota colocou seus alunos para mexerem o esqueleto. Entusiasmados, os 43 educandos curtiram o carnaval na própria instituição. Com balões, máscaras, música e muita comida, a festa durou horas. “Este projeto serve como estímulo as práticas de lazer e convívio social, fazendo a interação contínua com os eventos culturais tradicionais. Todos os anos desenvolvemos o carnaval com nossos alunos e eles adoram. Muitos não têm a oportunidade de pular carnaval e nós proporcionamos esse momentos a eles”, afirma a educadora Ana Maria Esperber.

Para a diretora, Elizete Wippel Minuzzi, momentos como este fazem toda a diferença no desenvolvimento dos estudantes. “Muitos projetos serão desenvolvidos ao longo do ano, envolvendo todo corpo docente e pais, afim de trazer diversão e aprendizado”.

A APAE fica na rua Dr. Leoberto Leal, 278. O telefone para contato é 3343-1387.