12 mitos do capitalismo

Charlie Chaplin

São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia burguesa se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos.

Um comentário amargo, e frequente após os períodos eleitorais, é o de que “cada povo tem o governo que merece”. Trata-se de uma crítica errónea, que pode levar ao conformismo e à inércia e castiga os menos culpados. Não existem maus povos. Existem povos iletrados, mal informados, enganados, manipulados, iludidos por máquinas de propaganda que os atemorizam e lhes condicionam o pensamento. Todos os povos merecem sempre governos melhores.

A mentira e a manipulação são hoje armas de opressão e destruição maciça, tão eficazes e importantes como as armas de guerra tradicionais. Em muitas ocasiões são complementares destas. Tanto servem para ganhar eleições como para invadir e destruir países insubmissos.

São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia capitalista se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos. Foram criadas para apresentar o capitalismo de forma credível perante as massas e obter o seu apoio ou passividade. Os seus veículos mais importantes são a informação mediática, a educação escolar, as tradições familiares, a doutrina das igrejas, etc. (*)

Apresentam-se neste texto, sucintamente, alguns dos mitos mais comuns da mitologia capitalista.

I. No capitalismo qualquer pessoa pode enriquecer à custa do seu trabalho

Pretende-se fazer crer que o regime capitalista conduz automaticamente qualquer pessoa a ser rica desde que se esforce muito. O objectivo oculto é obter o apoio acrítico dos trabalhadores no sistema e a sua submissão, na esperança ilusória e culpabilizante em caso de fracasso, de um dia virem a ser também, patrões de sucesso.

Na verdade, a probabilidade de sucesso no sistema capitalista para o cidadão comum é igual à de lhe sair a lotaria. O “sucesso capitalista” é, com raras excepções, fruto da manipulação e falta de escrúpulos dos que dispõem de mais poder e influência. As fortunas em geral derivam directamente de formas fraudulentas de actuação.

Este mito de que o sucesso é fruto de uma mistura de trabalho afincado, alguma sorte, uma boa dose de fé e depende apenas da capacidade empreendedora e competitiva de cada um, é um dos mitos que tem levado mais gente a acreditar no sistema e a apoiá-lo. Mas também, após as tentativas falhadas, a resignarem-se pelo aparente falhanço pessoal e a esconderem a sua credulidade na indiferença. Trata-se dos tão apregoados empreendedorismo e competitividade.

II. O capitalismo gera riqueza e bem-estar para todos

Pretende-se fazer crer que a fórmula capitalista de acumulação de riqueza por uma minoria dará lugar, mais tarde ou mais cedo, à redistribuição da mesma. O objectivo é permitir que os patrões acumulem indefinidamente sem serem questionados sobre a forma como o fizeram, nomeadamente sobre a exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo mantêm nestes a esperança de mais tarde serem recompensados pelo seu esforço e dedicação.

Na verdade, já Marx tinha concluído nos seus estudos que o objectivo final do capitalismo não é a distribuição da riqueza mas a sua acumulação e concentração. O agravamento das diferenças entre ricos e pobres nas últimas décadas, nomeadamente após o neo-liberalismo, provou isso claramente.

Este mito foi um dos mais difundidos durante a fase de “bem-estar social” pós guerra, para superar os estados socialistas. Com a queda do émulo soviético, o capitalismo deixou também cair a máscara e perdeu credibilidade.

III. Estamos todos no mesmo barco

Pretende-se fazer crer que não há classes na sociedade, pelo que as responsabilidades pelos fracassos e crises são igualmente atribuídas a todos e portanto pagas por todos. O objectivo é criar um complexo de culpa junto dos trabalhadores que permita aos capitalistas arrecadar os lucros enquanto distribui as despesas por todo o povo.

Na verdade, o pequeno numero de multimilionários, porque detém o poder, é sempre auto-beneficiado em relação à imensa maioria do povo, quer em impostos, quer em tráfico de influências, quer na especulação financeira, quer em off-shores, quer na corrupção e nepotismo, etc. Esse núcleo, que constitui a classe dominante, pretende assim escamotear que é o único e exclusivo responsável para situação de penúria dos povos e que deve pagar por isso.

Este é um dos mitos mais ideológicos do capitalismo ao negar a existência de classes.

IV. Liberdade é igual a capitalismo

Pretende-se fazer crer que a verdadeira liberdade só se atinge com o capitalismo, através da chamada auto-regulação proporcionada pelo mercado. O objectivo é tornar o capitalismo uma espécie de religião em que tudo se organiza em seu redor e assim afastar os povos das grandes decisões macro-económicas, indiscutíveis. A liberdade de negociar sem peias seria o máximo da liberdade.

Na verdade, sabe-se que as estratégias político económicas, muitas delas planeadas com grande antecipação, são quase sempre tomadas por um pequeno número de pessoas poderosas, à revelia dos povos e dos poderes instituídos, a quem ditam as suas orientações. Nessas reuniões, em cimeiras restritas e mesmo secretas, são definidas as grandes decisões financeiras e económicas conjunturais ou estratégicas de longo prazo. Todas, ou quase todas essas resoluções, são fruto de negociações e acordos mais ou menos secretos entre os maiores empresas e multinacionais mundiais. O mercado é pois manipulado e não auto-regulado. A liberdade plena no capitalismo existe de facto, mas apenas para os ricos e poderosos.

Este mito tem sido utilizado pelos dirigentes capitalistas para justificar, por exemplo, intervenções em outros países não submissos ao capitalismo, argumentando não haver neles liberdade, porque há regras.

V. Capitalismo igual à democracia

Pretende-se fazer crer que apenas no capitalismo há democracia. O objectivo deste mito, que é complementar do anterior, é impedir a discussão de outros modelos de sociedade, afirmando não haver alternativas a esse modelo e todos os outros serem ditaduras. Trata-se mais uma vez da apropriação pelo capitalismo, falseando-lhes o sentido, de conceitos caros aos povos, tais como liberdade e democracia.

Na realidade, estando a sociedade dividida em classes, a classe mais rica, embora seja ultra minoritária, domina sobre todas as outras. Trata-se da negação da democracia que, por definição, é o governo do povo, logo da maioria. Esta “democracia” não passa pois de uma ditadura disfarçada. As “reformas democráticas” não são mais que retrocessos, reacções ao progresso. Daí deriva o termo reaccionário, o que anda para trás.

Tal como o anterior este mito também serve de pretexto para criticar e atacar os regimes de países não capitalistas.

VI. Eleições igual a democracia

Pretende-se fazer crer que o acto eleitoral é o sinonimo da democracia e esta se esgota nele. O objectivo é denegrir ou diabolizar e impedir a discussão de outros sistemas politico-eleitorais em que os dirigentes são estabelecidos por formas diversas das eleições burguesas, como por exemplo pela idade, experiencia, aceitação popular, etc.

Na verdade é no sistema capitalista, que tudo manipula e corrompe, que o voto é condicionado e as eleições são actos meramente formais. O simples facto da classe burguesa minoritária vencer sempre as eleições demonstra o seu carácter não representativo.

O mito de que, onde há eleições há democracia, é um dos mais enraizados, mesmo em algumas forças de esquerda.

VII. partidos alternantes igual a alternativos

Pretende-se fazer crer que os partidos burgueses que se alternam periodicamente no poder têm políticas alternativas. O objectivo deste mito é perpetuar o sistema dentro dos limites da classe dominante, alimentando o mito de que a democracia está reduzida ao acto eleitoral.

Na verdade este aparente sistema pluri ou bi-partidário é um sistema mono-partidário. Duas ou mais facções da mesma organização política, partilhando políticas capitalistas idênticas e complementares, alternam-se no poder, simulando partidos independentes, com políticas alternativas. O que é dado escolher aos povos não é o sistema que é sempre o capitalismo, mas apenas os agentes partidários que estão de turno como seus guardiões e continuadores.

O mito de que os partidos burgueses têm politicas independentes da classe dominante, chegando até a ser opostas, é um dos mais propagandeados e importantes para manter o sistema a funcionar.

VIII. O eleito representa o povo e por isso pode decidir tudo por ele

Pretende-se fazer crer que o político, uma vez eleito, adquire plenos poderes e pode governar como quiser. O objectivo deste mito é iludir o povo com promessas vãs e escamotear as verdadeiras medidas que serão levadas à prática.

Na verdade, uma vez no poder, o eleito auto-assume novos poderes. Não cumpre o que prometeu e, o que é ainda mais grave, põe em prática medidas não enunciadas antes, muitas vezes em sentido oposto e até inconstitucionais. Frequentemente são eleitos por minorias de votantes. A meio dos mandatos já atingiram índices de popularidade mínimos. Nestes casos de ausência ou perda progressiva de representatividade, o sistema não contempla quaisquer formas constitucionais de destituição. Esta perda de representatividade é uma das razões que impede as “democracias” capitalistas de serem verdadeiras democracias, tornando-se ditaduras disfarçadas.

A prática sistemática deste processo de falsificação da democracia tornou este mito um dos mais desacreditados, sendo uma das causas principais da crescente abstenção eleitoral.

IX. Não há alternativas à política capitalista

Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora não sendo perfeito, é o único regime politico/económico possível e portanto o mais adequado. O objectivo é impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a força, para afastar a competição.

Na realidade existem outros sistemas politico económicos, sendo o mais conhecido o socialismo cientifico. Mesmo dentro do capitalismo há modalidades que vão desde o actual neo-liberalismo aos reformistas do “socialismo democrático” ou social-democrata.

Este mito faz parte da tentativa de intimidação dos povos de impedir a discussão de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento único.

X. A austeridade gera riqueza

Pretende-se fazer crer que a culpa das crises económicas é originada pelo excesso de regalias dos trabalhadores. Se estas forem retiradas, o Estado poupa e o país enriquece. O objectivo é fundamentalmente transferir para o sector publico, para o povo em geral e para os trabalhadores a responsabilidade do pagamento das dividas dos capitalistas. Fazer o povo aceitar a pilhagem dos seus bens na crença de que dias melhores virão mais tarde. Destina-se também a facilitar a privatização dos bens públicos, “emagrecendo” o Estado, logo “poupando”, sem referir que esses sectores eram os mais rentáveis do Estado, cujos lucros futuros se perdem desta forma.

Na verdade, constata-se que estas politicas conduzem, ano após ano, a uma empobrecimento das receitas do Estado e a uma diminuição das regalias, direitos e do nível de vida dos povos, que antes estavam assegurados por elas.

XI. Menos estado, melhor estado

Pretende-se fazer crer que o sector privado administra melhor o Estado que o sector público. O objectivo dos capitalistas é, “dourar a pílula” para facilitar a apropriação do património, das funções e dos bens rentáveis dos estados. É complementar do anterior.

Na verdade o que acontece em geral é o contrário: os serviços públicos privatizados não só se tornam piores, como as tributações e as prestações são agravadas. O balanço dos resultados dos serviços prestados após passarem a privados é quase sempre pior que o anterior. Na óptica capitalista a prestação de serviços públicos não passa de mera oportunidade de negócio. Neste mito é um dos mais “ideológicos” do capitalismo neoliberal. Nele está subjacente a filosofia de que quem deve governar são os privados e o Estado apenas dá apoio.

XII. A atual crise é passageira e será resolvida para o bem dos povos

Pretende-se fazer crer que a actual crise económico-financeira é mais uma crise cíclica habitual do capitalismo e não uma crise sistémica ou final. O objectivo dos capitalistas, com destaque para os financeiros, é continuarem a pilhagem dos Estados e a exploração dos povos enquanto puderem. Tem servido ainda para alguns políticos se manterem no poder, alimentando a esperança junto dos povos de que melhores dias virão se continuarem a votar neles.

Na verdade, tal como previu Marx, do que se trata é da crise final do sistema capitalista, com o crescente aumento da contradição entre o carácter social da produção e o lucro privado até se tornar insolúvel.

Alguns, entre os quais os “socialistas” e sociais-democratas, que afirmam poder manter o capitalismo, embora de forma mitigada, afirmam que a crise deriva apenas de erros dos políticos, da ganância dos banqueiros e especuladores ou da falta de ideias dos dirigentes ou mecanismos que ainda falta resolver. No entanto, aquilo a que assistimos é ao agravamento permanente do nível de vida dos povos sem que esteja à vista qualquer esperança de melhoria. Dentro do sistema capitalista já nada mais há a esperar de bom.

Nota final

O capitalismo há-de acabar, mas só por si tal decorrerá muito lentamente e com imensos sacrifícios dos povos. Terá que ser empurrado. Devem ser combatidas as ilusões, quer daqueles que julgam o capitalismo reformável, quer daqueles que acham que quanto pior melhor, para o capitalismo cairá de podre, O capitalismo tudo fará para vender cara a derrota. Por isso quanto mais rápido os povos se libertarem desse sistema injusto e cruel mais sacrifícios inúteis se poderão evitar.

Hoje, mais do que nunca, é necessário criar barreiras ao assalto final da barbárie capitalista, e inverter a situação, quer apresentando claramente outras soluções politicas, quer combatendo o obscurantismo pelo esclarecimento, quer mobilizando e organizando os povos.

(*) Os mitos criados pelas religiões cristãs têm muito peso no pensamento único capitalista e são avidamente apropriados por ele para facilitar a aceitação do sistema pelos mais crédulos. Exemplos: “A pobreza é uma situação passageira da vida terrena”. “Sempre houve ricos e pobres”. “O rico será castigado no juízo final”. “Deve-se aguentar o sofrimento sem revolta para mais tarde ser

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Mais de 75 mil brasileiros se matricularam em cursos técnicos a distância em 2011

Mais de 75 mil brasileiros se matricularam em cursos técnicos a distância em 2011

Neste ano, serão 150 mil vagas

No ano passado, mais de 75 mil brasileiros se matricularam em cursos técnicos a distância na Rede e-Tec Brasil. A expectativa para o período era atender 50 mil estudantes. A informação é da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação (MEC). Dos 48 cursos ofertados, os mais procurados são, respectivamente, informática, administração e segurança do trabalho.

“Uma das vantagens foi a flexibilidade de estudar em qualquer horário, inclusive à noite, já que trabalho durante o dia”, conta Vilson de Moura Godoy, 45 anos, que fez o curso técnico de automação industrial no polo de Alegrete (RS), da Universidade Federal de Santa Maria. Ele, que já possui uma formação anterior em eletrotécnica, explica que fez o curso devido à necessidade que sentiu de se atualizar.

A Rede e-Tec Brasil gerará 150 mil vagas de cursos técnicos a distância em 2012, como parte das ações do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec). A Setec também prevê a abertura de cursos de idiomas no âmbito do programa, com vista aos grandes eventos esportivos que o País receberá nos próximos anos.

Além disso, a quantidade de polos será aumentada dos atuais 543 para 800. Número que quase duplicou ao longo do ano passado, já que no final de 2010 eram 291 em funcionamento. “A educação a distância permite uma flexibilidade de horário, o que proporciona ao aluno se programar para estudar no momento e espaços mais adequados à sua realidade e tempo disponível, sem para isso ficar dispensado das aulas presenciais”, afirma o coordenador-geral de fortalecimento das redes de educação profissional e tecnológica do MEC, Marcelo Camilo Pedra.

Institutos federais

Os institutos federais de educação, ciência e tecnologia são os maiores ofertantes dessa modalidade de ensino profissional no âmbito do programa. Ao todo, são 33 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica, além de escolas técnicas vinculadas à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal de Santa Maria e Universidade Federal Rural de Pernambuco. Também há nove instituições estaduais ligadas à Rede e-Tec Brasil.

8 milhões de vagas em cursos técnicos nos próximos 4 anos

Criado em outubro de 2011, o Pronatec tem como objetivo expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a população brasileira. O programa prevê uma série de subprogramas, projetos e ações de assistência técnica e financeira que juntos oferecerão oito milhões de vagas a brasileiros de diferentes perfis nos próximos quatro anos.

A principal novidade do Pronatec é a criação da Bolsa-Formação, que permitirá a oferta de vagas em cursos técnicos e de Formação Inicial e Continuada (FIC), também conhecidos como cursos de qualificação. Oferecidos gratuitamente a trabalhadores, estudantes e pessoas em vulnerabilidade social, esses cursos presenciais serão realizados pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, por escolas estaduais de EPT e por unidades de serviços nacionais de aprendizagem como o Senac e Senai.

Incentivo a preservação do patrimônio histórico de Santa Catarina

Deputado Carlos ChiodiniNo dia 08/02 foi aprovado por unanimidade, no plenário da Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei nº 0346.2/2011, do deputado estadual Carlos Chiodini, que cria Programa Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico de Santa Catarina.

Atualmente é necessário que haja um enquadramento que assegure à população o acesso a estes patrimônios, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. O Estado de Santa Catarina possui mais de 300 bens tombados pelo patrimônio histórico, e mais de 60 em processo de tombamento.

De acordo com o PL deverá ser fixado anualmente no orçamento do Fundo Estadual de Incentivo a Cultura – FUNCULTURAL, um percentual nunca inferior a 10%, a ser destinado ao Programa Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico de Santa Catarina.
O Deputado Chiodini afirmou que “é sabido, que para manter um bem tombado, requer dinheiro, conservá-lo, requer atenção permanente e restaurar uma edificação com rigorosos critérios técnicos, conservando seus valores estéticos ou históricos, requer a ajuda do Estado”.

Para que essa preservação seja possível, é que o PL destina um percentual de recursos do Fundo Estadual de Incentivo a Cultura, para editais públicos de Preservação do Patrimônio Histórico.  “Este percentual poderá ser determinado pelo próprio governo do Estado, não devendo  ser inferior a 10% dos recursos do fundo de cultura” explicou Chiodini.

Para efeito desta Lei, compreende-se como Patrimônio Histórico, os bens móveis, imóveis e imateriais de valor histórico, arqueológico, arquitetônico, arquivístico, bibliográfico, museológico, artístico, paisagístico, ambiental e cultural.

“Entendo que o Estado de Santa Catarina tem a obrigação de resgatar uma omissão histórica nesta área, priorizando uma demanda reprimida ao longo dos anos. Nosso projeto pretende não só estabelecer a responsabilidade do Estado nesta questão, mas também estimular os proprietários de acervos históricos, para que não percamos o que resta da nossa memória, da história dos nossos antepassados”, ressaltou. Após a aprovação o PL segue para sanção do governador.

Número de mestres e doutores dobra em dez anos

Estimativa é formar 41,3 mil mestres e 13,3 mil doutores neste ano / Foto: Fapeam - Governo do Estado do Amazonas

Incentivo à formação de pós-graduados é ampliado pelo Ciência Sem Fronteiras.

O número de profissionais com títulos universitários no Brasil quase dobrou em dez anos, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Em 2002, havia 23,4 mil mestres e 6,8 mil doutores. Neste ano, a estimativa é formar 41,3 mil mestres e 13,3 mil doutores.

Segundo o MEC, esse avanço é devido ao incentivo para a formação de recursos humanos pós-graduados em todas as áreas do conhecimento, como o aumento do número de bolsas, que em 2002 eram de 35 mil. A continuidade dessa política se dá com o programa Ciência Sem Fronteiras – uma ação conjunta dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação para desenvolver a ciência e a tecnologia no Brasil por meio do intercâmbio de estudantes de graduação e de pós-graduação e da mobilidade internacional de estudantes e pesquisadores. Serão oferecidas aproximadamente 75 mil bolsas pelo poder público e cerca de 26 mil em parceria com instituições particulares, nas modalidades graduação-sanduíche, educação profissional e tecnológica e pós-graduação (doutorado-sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado) nos próximos quatro anos.

Alemanha

Cooperação entre Brasil e Alemanha vai ampliar a alocação de brasileiros em universidades alemãs no âmbito do Ciência sem Fronteira. No último dia 13, foi firmado um plano de trabalho que busca estreitar parceria entre os dois países. A ação vai permitir a inclusão de bolsistas – desde graduação-sanduíche até o pós-doutorado – para estudos e pesquisas na Alemanha. Para isso, foi firmada a Carta de Intenções entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação Alexander von Humboldt (AvH).

Além disso, foi discutido o novo acordo de cooperação entre o CNPq e o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (Daad), que pretende oferecer mais de três mil bolsas nas modalidades graduação-sanduíche, doutorado pleno, doutorado sanduíche e pós-doutorado. Serão 101 mil bolsas oferecidas a alunos brasileiros de graduação e pós-graduação no exterior. Até 2015, a meta é superar a marca de R$ 3,2 bilhões em investimentos no programa.

O programa prevê a oferta de cursos de alemão para os selecionados. A duração pode variar, de acordo com o conhecimento do idioma pelo candidato, área da pesquisa na Alemanha, condições e pré-requisitos da universidade anfitriã naquele país. Para bolsistas que necessitem de seis meses de curso, as aulas começam em outubro; quatro meses, iniciam em dezembro e dois meses, em fevereiro de 2013. Os candidatos a doutorado-sanduíche terão direito ao curso de alemão caso a permanência no país seja de no mínimo dez meses.

Outros países

Foram assinados também acordos de cooperação com os governos da Bélgica e da Finlândia. Os memorandos preveem mecanismos para cooperação e intercâmbio de estudantes e pesquisadores; a organização de seminários, workshops, simpósios e eventos voltados para a área de ciência e tecnologia; a troca de informações de políticas e estratégias conjuntas em pesquisa e desenvolvimento e o acesso às instalações e recursos. Estados Unidos, Itália, Canadá e França também têm parceria com o programa.

Bolsa de estudo na Alemanha

Para concorrer à bolsa na Alemanha, os candidatos devem apresentar propostas, sob a forma de projeto, e encaminhá-las pela internet até as 18h (de Brasília) de 15 de março próximo. O resultado será divulgado até julho e as bolsas serão implementadas a partir de abril de 2013. O formulário está disponível aqui.

Trabalhador com mais de 11 anos de estudo já é maioria

Em dez anos, proporção saltou de 44,7% para 60,7% entre os empregados

Em dez anos, proporção saltou de 44,7% para 60,7% entre os empregados.

Em 2002, a população ocupada com 11 anos ou mais de estudo representava 44,7% do total. Esse percentual saltou para 60,7% em 2011. De acordo com a 14ª edição do boletim “Economia Brasileira em Perspectiva”, publicado pelo Ministério da Fazenda neste mês, esse aumento explica o incremento da produtividade brasileira, o que aumenta os salários e a lucratividade dos negócios. De acordo com o último Censo da Educação Básica (2010), o número de vagas no ensino profissionalizante saltou de 565 mil, em 2002, para as atuais 924 mil (veja gráfico). E, se forem consideradas as matrículas do ensino médio integrado, são 1,1 milhão de matrículas – 74,9% mais do que em 2002.

Esse resultado faz parte de uma política de investimento no ensino fundamental e médio, amparada em outras ações de garantia de renda e de manutenção das crianças nas escolas. O Plano de Desenvolvimento da Educação, de 2007, articula as ações de todos os entes federados para formar melhor a nova geração, cuja maioria nem teria chegado ao ensino médio. Para a diretora de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, Jaqueline Moll, a transformação faz parte do processo de criação de uma sociedade em que a maioria da população está na classe média. O que hoje aparece como aumento do consumo, na próxima geração será uma mudança estrutural na sociedade brasileira. “Teremos uma bela surpresa, porque esses jovens estão tendo acesso a experiências a que seus pais nunca tiveram”, afirma.

Além dos números de investimentos e ampliação de vagas, Jaqueline atenta para a melhoria da qualidade dos currículos, no domínio da linguagem e da matemática, e também atividades extracurriculares de cultura, esporte e artes, como bandas, corais e teatro.

Jaqueline avalia que a cultura anterior de que os pais mais pobres ficavam satisfeitos quando os filhos aprendiam a ler, escrever e contar, o que seria suficiente para entrar no mundo do trabalho, está sendo substituída. Assim, as crianças, que antes nem terminavam o fundamental, chegam ao ensino médio com o impulso de estarem habituadas e a valorizarem a escola. “Exatamente como as classes médias sempre fizeram, a diferença é que a estrutura educacional não se configura como uma pirâmide com poucos no topo, está se tornando um prédio, retangular”, diz.

Recursos

O orçamento para a educação profissional passou de R$ 1,2 bilhão, em 2003, para pouco mais de R$ 9 bilhões, em 2012. Dentre as ações que contribuíram para este aumento significativo de oferta de vagas está a criação dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que passou de 140 unidades, em 2002, para 354, ao final de 2010. Até 2014, serão 562 campi em funcionamento. Houve também o fortalecimento das redes estaduais de ensino técnico, por meio do convênio de recursos do programa Brasil Profissionalizado, por exemplo, e o acordo de gratuidade na oferta de vagas pelo Sistema S.