Diga-me onde dá check-in e eu te direi quem és


Foursquare

Check-in no aeroporto é legal, afinal as pessoas vão ter a percepção que sou viajado, ocupado, entupido de milhas.

O ecossistema digital faz com que criemos novos hábitos, novas maneiras de nos relacionar e novas formas de habitarmos o mundo em que vivemos. Nesse sentido, usamos as redes sociais digitais para construir narrativas envolventes por meio de jogos discursivos e, com isso, obter a validação de terceiros sobre os conteúdos (emocionais ou não) que construímos em rede.

Aplicativos de geolocalização têm sido a grande vedete desse novo, inquieto e hesitante universo online que habitamos hoje em dia. Por meio desses aplicativos, como o Foursquare ou o Facebook, construímos narrativas e demarcamos o território que frequentamos. Afinal, o lugar onde vou comunica muito sobre quem sou, o que eu penso, minha forma de agir, ou até mesmo como eu quero que as pessoas me percebam no mundo.

O homem é um ser narcísico por natureza. Sempre foi. O ser humano adora um espelho. As pessoas têm pré-disposição a um certo narcisismo no ambiente em rede. Fato. Evidencia-se que na maioria das vezes, dão check-in em lugares transados, descolados, bonitos, atraentes e onde querem que seus “amigos” saibam que estão ou estiveram.

Check-in no aeroporto é legal, afinal as pessoas vão ter a percepção que sou viajado, ocupado, entupido de milhas, um homem de negócios. Check-in na rodoviária, nem pensar! Afinal a troco de quê vou querer que saibam que estou prestes a pegar um busão no nada atraente Terminal Rodoviário da Barra Funda. Is not cool!

Check-in no MoMa de Nova York, UAU! Demais! Além de descolado, antenado, o cara aprecia e adora artes, e está lá saboreando obras de Andy Warhol, Matisse, Monet e Marcel Duchamp. Agora, dar check-in no novo MAC (Museu de Arte Contemporânea de São Paulo), que recentemente inaugurou seu endereço no belíssimo prédio que ocupava o Detran-SP, no complexo do Parque do Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer, em sua época mais áurea (entre Pampulha e Brasília), melhor não. Afinal, nunca fui a esse museu, nem sabia que existia e não entendo nada daquelas malucas instalações de arte contemporânea!

O local líder de check-ins na cidade de São Paulo é o Parque do Ibirapuera. É super maneiro fazer com que as pessoas saibam que estou no maior parque da cidade fazendo exercícios físicos, malhando e desestressando um pouco.

Há quem não obedeça o status quo e dê check-in apenas em lugares não tão prestigiados assim, como no restaurante Ragazzo, no Habib’s, no Shopping Interlagos, no Largo 13 de Maio ou nas Lojas Marisa. Eles não querem somente compartilhar com a turma que está nesses locais, mas justamente “tirar onda” da ferramenta e agir contra a massa. Apenas 30% das pessoas compartilham seus check-ins no Facebook ou Twitter. Os 70% dão check-in e o deixam apenas ao conhecimento dos amigos do Foursquare. O Facebook, logicamente, está percebendo a força e o ganho de audiência exponencial dessa mídia e tem aperfeiçoado sua funcionalidade para check-ins.

Eu sou usuário assumido dessas ferramentas pelo simples fato de que estudo e pesquiso tudo isso para entender como impactam as pessoas e como elas se relacionam entre si. Recentemente, dei meu milésimo check-in no Foursquare. Sim, já cliquei no “Check-in Here!” mais de 1000 vezes. Na ocasião, o Foursquare me mandou um e-mail agradecendo por tantos check-ins e me disponibilizando um código promocional, para que comprasse com desconto pelo site uma camiseta exclusiva da rede social.

Não pensei duas vezes para efetivar a compra. Além da camiseta, adquiri um pacotinho de adesivos, pagando cerca de 25 dólares por tudo. No entanto, o custo do frete foi de mais 30 dólares e tive o azar de ter minha compra retida na Receita Federal, tendo que pagar uma taxa de mais 80 reais para liberar o produto na aduana. Bem feito! Nisso que dá ser viciado nessas coisas.

Artigo de Marcos Hiller (@marcoshiller), professor da Trevisan Escola de Negócios

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