Fórum apresenta modelo sueco de gestão de resíduos

modelo de gestão de resíduos

Sistema integrado de gestão de resíduos sólidos pautado pela sustentabilidade e inovação tecnológica será o foco da programação do 4º Fórum Regional de Resíduos Sólidos Urbanos do Médio Vale do Itajaí e Seminário Brasileiro-Sueco sobre Gestão de Resíduos e Projeto Vinnova que acontece nos dias 23 e 24 de janeiro, no bloco J da Furb, em Blumenau. O evento conta com a presença de lideranças políticas e empresariais, profissionais que atuam na área de resíduos e gestores municipais.

Os destaques da programação são palestrantes internacionais, dentre eles professores e pesquisadores que atuam na Universidade de Borás e gestores de entidades suecas que desenvolvem projetos na área de resíduos. Na ocasião, serão apresentados temas como o desenvolvimento do Sistema de Gestão de Resíduos na Suécia e a futura cooperação entre os países; o exemplo da cidade de Borás, na Suécia, no gerenciamento de resíduos; Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Furb; como desenvolver um Plano de Gerenciamento de Resíduos; a responsabilidade dos produtores na Suécia no processo de reciclagem, entre outros assuntos.

O secretário executivo da Ammvi, José Rafael Corrêa, ressalta a relevância do tema e do evento. “O gerenciamento dos resíduos sólidos é tema muito importante que já vem sendo tratado pela Ammvi há algum tempo e, para conhecermos melhor as experiências e tecnologias, realizamos uma viagem técnica à Europa em 2011 e firmamos convênios com entidades alemãs e suecas em 2012”, diz.

A comitiva sueca que está de passagem pela região do Médio Vale de 21 e 25 de janeiro, além de participar do Fórum, está visitando cooperativas de reciclagem e aterros sanitários na região para conhecer a realidade local, com vistas a projetos futuros.

O evento tem a parceria da Universidade Regional de Blumenau (Furb), Associação Empresarial de Blumenau (Acib), Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (Cimvi), Borás Energia e Meio Ambiente e SP Instituto de Pesquisa Técnica da Suécia.

Informações no site www.ammvi.org.br.

Usina

Além do sistema de gestão de resíduos, outro convênio da Ammvi em parceria com empresas e entidades da Alemanha tem como objetivo implantar uma usina de biogás na região. A biometanização, processo que transforma resíduo orgânico em gás metano, é um dos métodos utilizado em algumas regiões da Europa para reaproveitar a maior parte do lixo orgânico recolhido.

Inscrições para o Programa Santa Catarina Alfabetizada estão abertas até o dia 19 de fevereiro

Programa Santa Catarina Alfabetizada

Estão abertas até dia 19 de fevereiro as inscrições para a seleção/credenciamento de alfabetizadores, tradutores-intérpretes de libras e coordenadores de turmas, para atuarem em turmas de alfabetização de jovens, adultos e idosos do Programa Brasil – Santa Catarina Alfabetizada. O resultado da seleção sai no dia 22 de fevereiro, conforme Edital n° 031/SEDde 21/12/2012. Para a inscrição, os interessados devem procurar a Gerência Regional de Educação de Blumenau (Rua Braz Wanka, 238 – Vila Nova) ou o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Rua Eng. Paul Werner, 608 – Itoupava Seca).

O Programa será oferecido em todas as regiões do estado e terá duração de oito meses. Serão disponibilizadas até 600 vagas para a função de alfabetizador e até 60 para a função de coordenador de turmas, os quais serão convocados conforme a disponibilidade do programa. Ficam reservadas 5% das vagas para candidatos com necessidades especiais, conforme artigos 35, 36 e 37 da Lei Estadual nº 12.870/04. As atividades têm início no dia 4 de março.

Com recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação (FNDE) serão destinadas bolsas no valor de R$ 400,00 mensais para o alfabetizador e para o tradutor-intérprete de Libras que atua em uma turma ativa; R$ 500,00 para o alfabetizador que atua em uma turma ativa de população carcerária ou de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas; R$ 600,00 para o alfabetizador e tradutor-intérprete de Libras que atua em duas turmas de alfabetização ativas; R$ 600,00 para o alfabetizador-coordenador de cinco turmas de alfabetização ativas; e R$ 750,00 para o alfabetizador que atua em duas turmas ativas de estabelecimento penal ou de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.

“Com o propósito de que seja garantido o direito de acesso à escolarização, iniciando pelo processo de alfabetização, o Programa Brasil/SC Alfabetizada, por meio da SED, faz chamamento a toda sociedade para buscar estratégias de incentivo ao jovem, adulto e idoso a fim de que os mesmos possam se inserir no mundo letrado, buscando sua efetiva cidadania”, reforça a gerente de Educação de Jovens e Adultos da SED, Elisabete Paixão”.

O Programa Santa Catarina Alfabetizada é uma parceria entre a SED e o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi).

Cronograma

  1. Período de inscrição: até 19 de fevereiro de 2013.
  2. Análise da documentação: 20 e 21 de fevereiro de 2013.
  3. Divulgação do Resultado: 22 de fevereiro de 2011.
  4. Prazo para interposição de recursos: 25 de fevereiro de 2013.
  5. Divulgação do resultado final da Chamada Pública: 28 de fevereiro de 2013.
  6. Início das atividades: 4 de março de 2013.

De Bonner para Homer

De Bonner para Home

O texto abaixo foi escrito pelo sociólogo e professor da USP, Laurindo Lalo Leal Filho, e publicado na revista Carta Capital em dezembro de 2005. Foi publicado na página do Anonymous Brasil em 22/01/2013 e resolvi publicar no blog pela sua relevância cultural a sociedade!

O editor-chefe considera o obtuso pai dos Simpsons como o espectador padrão do Jornal Nacional. Ele é preguiçoso, burro e passa o tempo no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. Na reunião matinal, é Bonner quem decide o que vai ou não para o ar Pauta. A decisão do juiz Livingsthon Machado, de soltar presos, é considerada coisa de louco.

Perplexidade no ar. Um grupo de professores da USP está reunido em torno da mesa onde o apresentador de tevê William Bonner realiza a reunião de pauta matutina do Jornal Nacional, na quarta-feira, 23 de novembro.

Alguns custam a acreditar no que vêem e ouvem. A escolha dos principais assuntos a serem transmitidos para milhões de pessoas em todo o Brasil, dali a algumas horas, é feita superficialmente, quase sem discussão. Os professores estão lá a convite da Rede Globo para conhecer um pouco do funcionamento do Jornal Nacional e algumas das instalações da empresa no Rio de Janeiro. São nove, de diferentes faculdades e foram convidados por terem dado palestras num curso de telejornalismo promovido pela emissora juntamente com a Escola de Comunicações e Artes da USP. Chegaram ao Rio no meio da manhã e do Santos Dumont uma van os levou ao Jardim Botânico.

A conversa com o apresentador, que é também editor-chefe do jornal, começa um pouco antes da reunião de pauta, ainda de pé numa ante-sala bem suprida de doces, salgados, sucos e café. E sua primeira informação viria a se tornar referência para todas as conversas seguintes. Depois de um simpático bom-dia, Bonner informa sobre uma pesquisa realizada pela Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por exemplo. Na redação, foi apelidado de Homer Simpson. Trata-se do simpático mas obtuso personagem dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão em todo o mundo. Pai da família Simpson, Homer adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. É preguiçoso e tem o raciocínio lento.

A explicação inicial seria mais do que necessária. Daí para a frente o nome mais citado pelo editor-chefe do Jornal Nacional é o do senhor Simpson. Essa o Homer não vai entender , diz Bonner, com convicção, antes de rifar uma reportagem que, segundo ele, o telespectador brasileiro médio não compreenderia.

Mal-estar entre alguns professores. Dada a linha condutora dos trabalhos atender ao Homer, passa-se à reunião para discutir a pauta do dia. Na cabeceira, o editor-chefe; nas laterais, alguns jornalistas responsáveis por determinadas editorias e pela produção do jornal; e na tela instalada numa das paredes, imagens das redações de Nova York, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, com os seus representantes. Outras cidades também suprem o JN de notícias (Pequim, Porto Alegre, Roma), mas elas não entram nessa conversa eletrônica. E, num círculo maior, ainda ao redor da mesa, os professores convidados. É a teleconferência diária, acompanhada de perto pelos visitantes.

Todos recebem, por escrito, uma breve descrição dos temas oferecidos pelas praças (cidades onde se produzem reportagens para o jornal) que são analisados pelo editor-chefe. Esse resumo é transmitido logo cedo para o Rio e depois, na reunião, cada editor tenta explicar e defender as ofertas, mas eles não vão muito além do que está no papel. Ninguém contraria o chefe.

A primeira reportagem oferecida pela praça de Nova York trata da venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts. O resumo da oferta jornalística informa que a empresa venezuelana, que tem 14 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, separou 45 milhões de litros de combustível para serem vendidos em parcerias com ONGs locais a preços 40% mais baixos do que os praticados no mercado americano. Uma notícia de impacto social e político. O editor-chefe do Jornal Nacional apenas pergunta se os jornalistas têm a posição do governo dos Estados Unidos antes de, rapidamente, dizer que considera a notícia imprópria para o jornal. E segue em frente.

Na seqüência, entre uma imitação do presidente Lula e da fala de um argentino, passa a defender com grande empolgação uma matéria oferecida pela praça de Belo Horizonte. Em Contagem, um juiz estava determinando a soltura de presos por falta de condições carcerárias. A argumentação do editor-chefe é sobre o perigo de criminosos voltarem às ruas. Esse juiz é um louco, chega a dizer, indignado. Nenhuma palavra sobre os motivos que levaram o magistrado a tomar essa medida e, muito menos, sobre a situação dos presídios no Brasil. A defesa da matéria é em cima do medo, sentimento que se espalha pelo País e rende preciosos pontos de audiência. Sobre a greve dos peritos do INSS, que completava um mês matéria oferecida por São Paulo , o comentário gira em torno dos prejuízos causados ao órgão. Quantos segurados já poderiam ter voltado ao trabalho e, sem perícia, continuam onerando o INSS , ouve-se. E sobre os grevistas? Nada.

De Brasília é oferecida uma reportagem sobre a importância do superávit fiscal para reduzir a dívida pública. Um dos visitantes, o professor Gilson Schwartz, observou como a argumentação da proponente obedecia aos cânones econômicos ortodoxos e ressaltou a falta de visões alternativas no noticiário global. Encerrada a reunião segue-se um tour pelas áreas técnica e jornalística, com a inevitável parada em torno da bancada onde o editor-chefe senta-se diariamente ao lado da esposa para falar ao Brasil. A visita inclui a passagem diante da tela do computador em que os índices de audiência chegam em tempo real. Líder eterna, a Globo pela manhã é assediada pelo Chaves mexicano, transmitido pelo SBT. Pelo menos é o que dizem os números do Ibope.

E no almoço, antes da sobremesa, chega o espelho do Jornal Nacional daquela noite (no jargão, espelho é a previsão das reportagens a serem transmitidas, relacionadas pela ordem de entrada e com a respectiva duração). Nenhuma grande novidade. A matéria dos presos libertados pelo juiz de Contagem abriria o jornal. E o óleo barato do Chávez venezuelano foi para o limbo.

Diante de saborosas tortas e antes de seguirem para o Projac o centro de produções de novelas, seriados e programas de auditório da Globo em Jacarepaguá os professores continuam ouvindo inúmeras referências ao Homer. A mesa é comprida e em torno dela notam-se alguns olhares constrangidos. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/laurindo_lalo_leal_filho.

 

8 filmes de tecnologia para assistir em 2013

Cinema 3D

De ficções científicas a biografias, longas prometem agradar os entusiastas da tecnologia.

Os fãs de tecnologia e de cinema terão um bom ano de lançamentos. Muitos filmes de ficção científica, documentários ou biografias chegarão aos cinemas em 2013. Fizemos uma seleção das novidades mais esperadas pelos fãs de tech. Então pegue seus gadgets, estoque a pipoca e dê uma olhada na lista:

Jobs

A história do genial inventor do iPhone e iPad será nterpretada por ninguém menos que o badalado Ashton Kucther. O longa conta a trajetória de Jobs desde a juventude até a criação da Apple, mesclando com o período em que ele se envolveu com drogas e com a contracultura. A direção é de Joshua Michael Stern, com roteiro de Matt Whiteley. Ainda há outro filme biográfico, em produção pela Sony Pictures, com roteiro de Aaron Sorkin, redator de “A Rede Social”, “The Newsroom” e “The West Wing”. Este será baseado na biografia escrita por Walter Isaacson e também deve chegar aos cinemas ainda em 2013. Estreia em abril.

Star Trek Into Darkness

Capitão Kirk, Spock e companhia estarão de volta em mais um episódio da épica saga de Star Trek. Produzido pela Paramount e dirigido por J.J. Abrams, criador de Lost e Fringe, o filme relatará uma história em que os tripulantes da Enterprise terão que acabar com uma arma de destruição em massa. Estreia em julho.

Robopocalypse

Um prato cheio para os fãs de ficção científica. Inspirado no livro de Daniel H. Wilson, Ph.D em robótica e contribuidor da revista Popular Mechanics, o filme exibirá um futuro pós-apocalíptico dominado por robôs. Um grupo de humanos sobreviventes lutará contra a ameaça tecnológica instalada no mundo. Ah, sim! O filme será dirigido por Steven Spielberg (Tubarão, Indiana Jones e muitos outros). Estreia esse ano sem mês definido.

TPB:AFK

A história de um dos maiores sites para baixar arquivos piratas será contada em um documentário. O filme tratará sobre os fundadores do The Pirate Bay, de sua luta contra a mídia e as revoluções que o serviço proporcionou. Produzido de forma independente, o longa será distribuido gratuitamente na internet. Estreia em 2013, mas sem mês definido.

Downloaded

O Napster, serviço pioneiro no compartilhamento de arquivos na internet, também vai virar documentário. O filme relatará a jornada do Napster desde o nascimento, em 1998, até a sua venda à Rhapsody, loja de música online, em 2011. Na trajetória será possível acompanhar mais detalhes da briga do Napster com a indústria da música e como ele perdeu audiência para outros serviços como iTunes e Spotify. Estreia em março.

Homem de ferro 3

O milionário e sagas Tony Stark voltará aos telões com sua armadura ultra-tecnológica. Dirigido por Shane Black, escritor do filme “Máquina Mortífera”, o filme contará com um exército de combatentes, criado a partir da nanotecnologia Extremis. Estreia em abril.

Robocop

Outro clássico da ficção científica. Desta vez, o policial biônico terá uma nova história, iniciada a partir do zero. No novo filme, dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite), o policial Alex Murphy terá seu corpo salvo pela OmniCorp, que o transformou em ciborgue. Com sua vida remodelada, terá que enfrentar perigos e desafios cada vez maiores no ano de 2029. Estreia em agosto.

Detona Ralph

Produzido pela Disney, o filme conta a história de Ralph, um vilão dos videogames que quer se tornar mocinho. A divertida e infantil animação conta com uma série de referências aos jogos que marcaram época, tornando o filme um prato cheio para as “crianças mais adultas” que gostam de videogames. Em cartaz

Star Wars Identities: quem você seria?

Star Wars Identities

Em exposição interativa, visitante pode criar personagem baseado em sua própria vida.

Fãs de Star Wars e interessados em psicologia: já se perguntaram qual lado da força, de fato, o define? A exposição interativa Star Wars Identities espera responder perguntas como essa ao deixar que o visitante construa seu próprio alter-ego como um personagem da famosa franquia.

Usando Anakin e Luke Skywalker, a exposição funciona como um tour interativo que caminha por suas vidas e mostra como, apesar de terem os mesmos genes, tomaram difereções totalmente diferentes. Em um nível educativo, além de conhecer mais sobre os personagens, o visitante tem a chance de explorar sua própria história e examinar dez diferentes áreas em que sua identidade humana foi influenciada: espécie, genética, pais, cultura, mentores, amigos, ocupação, personalidade e valores.

Para uma total imersão na jornada, os visitantes ganham um guia de áudio que toca sons familiares retirados dos filmes e um bracelete RFID que rastreia seu progresso, de acordo com as decisões que toma pelo caminho do tour. No final da exposição, o bracelete comunica os resultados a um computador, criando seu próprio personagem do Star Wars, baseado nas perguntas que respondeu e nos caminhos que tomou.

A exposição canadense, que já passou por Montreal, está agora em  Edmonton (Telus World of Science) até dia 1 de abril de 2013.

Star Wars Identities

Como a ITU ameaça a liberdade na internet

dcvitti na internet

Muito poucas pessoas já ouviram falar da International Telecommunications Union (União Internacional de Telecomunicações, ITU, na sigla em inglês) até recentemente – e com razão. Por mais de 100 anos, a ITU conseguiu muito bem servir como fórum para países e operadoras de telecomunicações para coordenar coisas insanamente técnicas e incrivelmente tediosas, mas muito importantes, relacionadas ao funcionamento internacional das redes telefônicas, como a distribuição de slots de satélite e o gerenciamento de quais frequências os países alocam para diferentes tipos de serviços. Mas agora a ITU, repentinamente, tornou-se muito interessante. Por quê? Como os membros da ITU vão realizar uma rara reunião, a Conferência Mundial de Comunicações Internacionais (WCIT, do inglês  World Conference on International Telecommunications), onde os 193 países membros vão votar sobre a alteração das atuais regras da União Internacional de Telecomunicações (ITRs, em inglês) que estabelecem a estrutura para toda essa monotonia extremamente importante.

O que está obscuro agora é se e como a conferência representa uma potencial ameaça à liberdade de expressão online. Recentemente, tive uma discussão com o professor Milton Mueller (ver a seção de comentários deste post no blog da IGP) sobre isso. A tese central de Milton é de que a histeria recente sobre a ITU estar “assumindo o controle da Internet” é exagerada e de que esta reunião é apenas sobre como operadoras negociam os pagamentos. Isto significa, para alguns, que as organizações da sociedade civil preocupadas com a liberdade de expressão online devem parar de se preocupar com frotas de helicópteros pretos da ONU apreendendo os rootservers de endereços DNS e realocando-os à sede da ITU em Genebra.

Por uma série de razões, eu discordo totalmente dessa avaliação. Mesmo sem a preocupação de que a ITU, de alguma forma, vá “assumir a Internet”, certas propostas da WCIT, antecipadas por vários governos que praticam a censura na Internet, ameaçam o futuro da liberdade de expressão online. Estas propostas, da Rússia e de vários países árabes, adotariam explicitamente pela primeira vez o conceito de que os governos têm o direito de controlar as comunicações online e interromper os serviços de acesso à Internet. Isso inverteria a tendência dos últimos anos de considerar cada vez mais que estas ações violam direitos humanos fundamentais – uma ferramenta valiosa na tentativa de pressionar os regimes repressivos a parar de usar tais táticas.

Como o WCIT poderia impactar na livre expressão online?

Um documento recém-lançado da ITU que resume várias propostas para modificar seus regulamentos existentes (“ITRs”) confirma o que as pessoas estão dizendo e “vazando” já há algum tempo. A Rússia, vários países árabes e outros apresentaram propostas que ratificam expressamente o direito dos Estados-membros de interromper a comunicação em nome da segurança nacional, e de limitar a capacidade dos partidos de se desviarem da censura ou de se comunicarem anonimamente, fornecendo aos Estados-membros a autoridade para determinar caminhos de roteamento e evitar o “desvio e apropriação indevida de inúmeros recursos” (veja, por exemplo, os MOD 30 e 31A propostos – mas existem inúmeras outras propostas que poderiam atingir o mesmo fim).

A resposta de Milton quando expressei preocupações sobre as propostas dos russos e de outros pode ser reduzida a “quem se importa?”. Milton argumenta que as regras atuais já contêm toda essa linguagem ruim (embora limitada aos serviços tradicionais de telefonia), e que utilizar a mesma linguagem em relação aos serviços de Internet não fará diferença. A Rússia e a China vão continuar a fazer o que eles querem de qualquer maneira, mesmo que a ITU rejeite as propostas.

Por que isto importa para a liberdade na internet?

Estou confiante de que os russos e os outros que levantam essas propostas estão familiarizados com as regras atuais. No entanto, eles consideram que pressionar estas questões para a WCIT é igual a tempo bem gasto, e com razão. Apesar do parecer contrário de Milton, o direito internacional atual não reconhece explicitamente o mesmo direito dos governos de interromper serviços na Internet como reconhece na telefonia básica. Pelo contrário, a tendência do direito internacional nos últimos anos tem sido a de tratar as interrupções generalizadas das redes de Internet que têm por fim suprimir o discurso como uma violação dos direitos humanos internacionais. Vimos isso na reação global à interrupção nacional das redes de Internet do Egito como parte de seu esforço para reprimir a “Primavera Árabe”, em 2011. Para nós, nos Estados Unidos, esta questão continua a se desenrolar diante do processo da Comissão Federal de Comunicações de fechar redes sem fios de governos locais.

A adoção de quaisquer das disposições pró-censura no WCIT não leva automaticamente à censura na Internet em toda parte. Mas isso representaria o primeiro revés material para o crescente consenso internacional de que interromper redes e exercer controle de outra forma sobre os fluxos de tráfego de Internet para fins de censura violam os direitos humanos fundamentais. Se os 193 membros nacionais da ITU  aprovarem expressamente o princípio de que países como a Síria podem interromper o acesso à Internet ou ditar o que provedores de informações de roteamento podem usar para “manter a segurança nacional” (ou para qualquer finalidade), torna-se muito mais difícil argumentar que tais ações violam direitos humanos fundamentais.

Eu também acredito que isso teria impacto na capacidade de o Departamento de Estado abertamente financiar programas destinados a desviar da censura governamental da Internet, como este na Síria. No momento, podemos dizer que o nosso financiamento a capacidade dos sírios de se desviarem da censura online do governo é totalmente consistente com as obrigações do tratado e não viola a lei internacional. Se o WCIT adotar qualquer uma das várias propostas pendentes, os programas para ajudar os movimentos de oposição em regimes repressivos a desviarem de controles do governo na Internet violariam as obrigações de tratados internacionais, e seria indiscutivelmente incompatível com o direito internacional.

Para ser claro, o risco não é porque há algo intrinsecamente sinistro sobre a ITU, ou porque o envolvimento das múltiplas partes interessadas é sempre bom em mercados livres. Mas também não é uma questão tão simplista quanto “você realmente acredita que uma votação no WCIT poderia dar à Rússia ou à ITU o controle da internet?” Ambos os tipos de concepções falsas devem levantar uma bandeira vermelha para qualquer um que esteja envolvido em um esforço sério para avaliar se quem está preocupado com o futuro da liberdade de expressão online deve se preocupar com o que acontece no WCIT. Pela nossa perspectiva, parece que vários países – entre eles, a Rússia – estão tentando alavancar o WCIT para legitimar práticas repressivas de censura da Internet sob a lei internacional. Aqueles que se preocupam com o futuro da liberdade de expressão online fariam bem em levar essa preocupação a sério.