Crianças se arriscam nas ruas do Litoral Norte vendendo picolés

Flagrantes foram feitos durantes oito meses em Camboriú, Itajaí e Balneário Camboriú Menino foi flagrado em Balneário Camboriú vendendo picolé Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS

O apito do carrinho de picolés ecoa alto pelas ruas. Mas o som que remete à gostosura típica da infância também é capaz de despertar amargas lembranças. Há dois anos tem sido assim para o filho de Maria*, moradora de Camboriú.

Aos 12 anos, quando trabalhava como vendedor de sorvetes, o menino foi atraído para uma obra, no Centro, e abusado por um estuprador. Conseguiu fugir e pedir ajuda, mas permanece assombrado pelo passado. Não é fácil para a família tocar no assunto. A mãe diz que o filho passou por auxílio psicológico, mas fala pouco a respeito.

Naquele mesmo ano, ele havia sido assaltado. Levaram tudo o que tinha. Depois disso, não deixei mais voltar a trabalhar. Meu filho mais novo quis vender picolé também, mas não deixei. Não consigo mais ficar sossegada, conta a mãe.

Histórias que exemplificam os riscos a que estão expostos pequenos vendedores de picolé se multiplicam no Litoral. Recentemente, outro menino da mesma idade foi encontrado pelos conselheiros tutelares sozinho, após ter passado a noite fora de casa. Havia gastado o dinheiro dos sorvetes em uma lan house e, sem ter como pagar ao dono da sorveteria, caminhou durante toda a madrugada, empurrando o carrinho vazio.

O trabalho expõe a criança à violência, não permite que ela desenvolva as capacidades intelectuais e que vire um profissional qualificado no futuro, o que terá grandes repercussões na vida dela, avalia a pedagoga Soraya Franzoni Conde, que baseou uma tese de doutorado em pesquisas sobre o trabalho infantil em Santa Catarina.

A equipe de O Sol Diário flagrou meninos que, no verão ou no inverno, perambulam pelas ruas de Balneário Camboriú, Camboriú e Itajaí vendendo picolés. Protegidos pela conivência dos adultos, passam despercebidos pela fiscalização e perpetuam, assim, uma das formas de trabalho consideradas mais degradantes e arriscadas na infância – de acordo com decreto do governo federal de 2008, que estabelece as piores formas de trabalho infantil.

Danos à saúde, riscos de acidentes e exposição à violência são perigos que cercam os pequenos vendedores de picolés. Pelo Conselho Tutelar de Camboriú, cidade onde são mais comuns as denúncias na região, passaram nos últimos dois anos meninos assaltados, desaparecidos e vítimas de violência sexual enquanto trabalhavam nas ruas.

Os nomes das crianças e de pais foram omitidos ou trocados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

Fonte: Escrito por Dagmara Spautz [dagmara.spautz@osoldiario.com.br] para O Sol DiárioGaleria de fotos dos bastidores da reportagem.

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O comparativo dos governos de FHC x LULA

O livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior intitulado “A Privataria Tucana” pode representar o fim da carreira política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador do Estado de São Paulo, José Serra, um dos principais participantes do governo FHC na era das grandes privatizações, haja vista que ocupou a função de Ministro do Planejamento e, em seguida, Ministro da Saúde. O vídeo é sugestão do jornalista Paulo Henrique Amorim entrevista autor do livro da obra investigativo.

Uma coisa que me deixa puto é esse lance de piratear obras literárias sem autorização e disponibilizar na rede como mais um link. Desculpem amigos, mas temos que dar e ser o exemplo. Sou contra a pirataria e esse link do livro publicado no 4Shared é algo desonesto para aqueles que lutam por justiça neste país e principalmente aos patronos da ética. Caro ou não, temos que adquirir o livro com a intensão de financiarmos esses autores iluminados a produzirem outros tantos livros valiosos como esse. Esse link não é legal e me recuso a divulga-lo! Eu comprei o meu e recomendo.

Um salve o jornalismo investigativo e parabéns Amaury pelo livro.

A cidade está descontrolada!

Crianças pequenas ainda não conseguem dialogar e resolver seus conflitos, então o único meio de demonstrarem insatisfação é brigando entre si, mas estas brigas logo são esquecidas.

Esse vídeo foi produzido por uma criança que aparentemente dá corda ao conflito, incita ira dos meninos. Em outros planos, podemos ver alguns adultos, que de longe, nada fazem para resolver a confusão infantil, que ficam apenas observando enquanto duas crianças brigam violentamente. Assista ao vídeo e faça a sua reflexão.

A cena foi filmada no bairro Vila Nova, em Ilhota e o vídeo foi publicado no YouTube postado por Gabriel Bonette e tem cerca de cinco minutos.

Segundo especialistas, a maior parte das rixas infantis devem ser encarada com naturalidade, sem muita intromissão. A sugestão, obviamente, não se enquadra aos casos de bullying, prática nociva que merece maior cuidado e atenção. “A não ser que a desavença ultrapasse o limite do razoável, partindo para a agressão física, por exemplo, não é recomendável que os pais tomem alguma atitude imediata. É preciso, antes, observar como o conflito vai se desenrolar”, diz a psicóloga Cecilia Russo Troiano.

A violência verbal, às vezes, é mais dolorosa que um tapa. E não é raro as crianças serem cruéis entre si a ponto de surpreenderem os adultos. A questão é saber quando e como intervir, sem perder de vista que se trata de um assunto de crianças e não de adultos. Desentendimentos entre primos e amigos são inevitáveis.

Não sei se o Conselho Tutelar foi acionado ou alguma outra autoridade está investigando o caso, mas posso dizer que isso é um dos reflexos que a nuvem negra paira pela cidade.