O maior protesto seria o estádio vazio

O maior protesto seria o estádio vazio

Vaiaram a presidenta? Quem mesmo? Quanto custou o ingresso deste seleto grupo que quer representar os brasileiros? Ora pois, poupem-me! O PIG vai ao orgasmo! Otário são aqueles que acreditam nesse esporte cada vez mais elitizado e burguês.

Nós falamos, falamos, falamos… e pagamos! O pior disso tudo é assistir os jogos na Globo e muitos fazem, ou melhor, assistam! No jogo de abertura do estádio Mané Garrincha, quem foi que pagou R$ 160 a R$ 400 para assistir o primeiro jogo do campeonato brasileiro de futebol e entrou pra história do torneio como a maior arrecadação da história do país? Na partida foram arrecadados quase 7 milhões!

A arrecadação histórica, que seria motivo de satisfação para o Santos, mandante da partida, transformou-se em uma saia-justa para a diretoria porque o clube cedeu o mando de campo para a Federação Brasiliense por cerca de R$ 800 mil, valor distante da renda esperada.

PS.: Eu não assisti o jogo!

 

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Por que o bolsa família desperta o ódio de classe?

Charge Bessinha - Luz Tunel

Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come
Josué de Castro

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fátima Oliveira, no Viomundo do Azenha e eu, rebloguei: Fátima Oliveira: por que o bolsa família desperta tanto ódio de classe?

Eu não tinha a dimensão do ódio de classe contra o Bolsa Família. Supunha que era apenas uma birra de conservadores contra o PT e quem criticava o Bolsa Família o fazia por rancor de classe a Lula, ou algo do gênero, jamais por ser contra pobre matar a sua fome com dinheiro público.

Idiota ingenuidade a minha! A questão não é de autoria, mas de destinatário! Os críticos esquecem que a fome não é um problema pessoal de quem passa fome, mas um problema político. E Lula assumiu que o Brasil tem o dever de cuidar de sua gente quando ela não dá conta e enquanto não dá conta por si mesma. E Dilma honra o compromisso.

Estou exausta de tanto ouvir que não há mais empregada doméstica, babá, “meninas pra criar”, braços para a lavoura e as lidas das fazendas que não são agronegócios… E que a culpa é do Bolsa Família!

Conheço muita gente que está vendendo casas de campo, médias e pequenas propriedades rurais porque simplesmente não encontra “trabalhadores braçais” nem para capinar um pátio, quanto mais para manter a postos “um moleque de mandados”, como era o costume até há pouco tempo! E o fenômeno é creditado exclusivamente ao Bolsa Família.

Esquecem a penetração massiva do capitalismo no campo que emprega, ainda que pagando uma “merreca”, com garantias trabalhistas, em serviços menos duros do que ficar 24 horas por dia à disposição dos “mandados” da casa-grande, que raramente “assina carteira”. Eis a verdade!

Esquecem que a população rural no Brasil hoje é escassa. Dados do IBGE de setembro de 2012: a população residente rural é 15% da população total do país: 195,24 milhões.

Não há muitos braços disponíveis no campo, muito menos sobrando e clamando por um prato de comida, gente disposta a alugar sua força de trabalho por qualquer tostão, num regime de quase escravidão, além do que há outras ocupações com salários e condições trabalhistas mais atraentes do que capinar, “trabalhar de aluguel”, que em geral nem dá para comprar o “dicumê”. Dados de 2009 já informavam que 44,7% dos moradores na zona rural auferiam renda de atividades não agrícolas!

Basta juntar três pessoas de classe média que as críticas negativas ao Bolsa Família brotam como cogumelos. Após a boataria de 18 de maio, que o Bolsa Família seria extinto, esse assunto se tornou obrigatório. Fazem questão de ignorar que ele é o maior e mais importante programa antipobreza do mundo e foi copiado por 40 países – é uma “transferência condicional de renda” que objetiva combater a pobreza existente e quebrar o seu ciclo.

Atualmente, ajuda 50 milhões de brasileiros: mais de 1/4 do povo! E investe apenas 0,8% do PIB! Sem tal dinheiro, mais de 1/4 da população brasileira ainda estaria passando fome!

Bolsa Família é o maior e mais importante projeto antipobreza do mundo

Mas há gente sem repertório humanitário, como as que escreveram dois tuítes que recebi: “Nunca vi tanta gente nutrida nas filas dos caixas eletrônicos para receber o Bolsa Família, até parecia fila para fazer cirurgia bariátrica”; e “Eu também nunca havia visto tanta gente rechonchuda reunida para sugar a bolsa-voto!”.

Como disse a minha personagem dona Lô: “Coisa de gente má que nunca soube o que é comer pastel de imaginação; quem pensa assim integra as hostes da campanha Cansei de Sustentar Vagabundo, que circulou nas eleições presidenciais de 2010”. São evidências de que há gente que não se importa e até gosta de viver num mundo em que, como escreveu Josué de Castro, em Geografia da Fome (1984): “Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come…”.

Em tempo:

Não deixe de ler também sugestão do Lula Miranda: entrevista de Eleonora de Lucena com Walquiria Leão Rego, autora de “Vozes do Bolsa Família”: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1293113-bolsa-familia-enfraquece-o-coronelismo-e-rompe-cultura-da-resignacao-diz-sociologa.shtml

Fátima Oliveira, em O TEMPO, é médica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_.

Pelo direito a um transporte público acessível

Pelo direito a um transporte público acessível

As ruas de São Paulo foram palco de cenas de violência e repressão contra os protestos que há mais de uma semana cobram do governo a redução das tarifas de ônibus e metrô.

Além de São Paulo, diversas capitais aderiram ao movimento e estão levando essa indignação às ruas. Mas a discussão da tarifa é apenas o estopim de uma demanda há tempos reprimida: os governos municipais, estaduais e federal devem rever com urgência suas políticas de mobilidade urbana.

O Greenpeace é uma organização que tem em seu DNA o protesto pacífico como forma de cobrar mudanças de atitudes de governos e de corporações. Lamentamos as cenas divulgadas nos últimos protestos e pedimos o fim da qualquer ato de violência. De qualquer maneira, defenderemos sempre o direito à manifestação não violenta, afinal ela é um instrumento da democracia.

Os protestos devem continuar e o poder público precisa estar aberto ao diálogo. Balas de borracha, bombas de efeito moral e cassetetes são incapazes de calar inconformismos e desejos de mudanças.

Leia na íntegra o posicionamento do Greenpeace Brasil a respeito das manifestações.