Temendo por repórteres e repercussão de cobertura, Globo explica postura no ‘Jornal Nacional’ e tira marca de microfones

Os muitos protestos espalhados pelo Brasil não pediam apenas melhor transporte público e o fim da PEC 37. Muitos dos manifestantes queixavam-se do tratamento dispensado pelas emissoras, especialmente a Globo, sobre o assunto. Nesta segunda-feira (17), parte dos participantes do movimento se dirigiu à sede da emissora com palavras de contestação. O episódio foi mostrado pelo “Jornal Nacional” em link ao vivo comandado por César Galvão. Surpreendentemente, o telejornal exibiu também uma espécie de editorial sobre o tema para garantir a isenção dos fatos que reporta.

Patrícia Poeta reforçou a postura do jornalismo do canal e garantiu que tudo tem sido mostrado de maneira imparcial. “A TV Globo vem fazendo reportagens sobre as manifestações desde o seu início e sem nada a esconder. Os excessos da polícia, as reivindicações do movimento Passe Livre, o caráter pacifico dos protestos e, quando houve, depredações e destruição de ônibus. É nossa obrigação e dela não nos afastaremos. O direito de protestar e se manifestar pacificamente é um direito dos cidadãos”.

Apesar do editorial, a Globo passou a tomar cuidados especiais com seus repórteres de rua. Todos os jornalistas da emissora e da GloboNews que aparecem em frente às câmeras retiraram a canopla de seus microfones. A ideia é evitar protestos surpresa ao vivo e também preservar a integridade dos profissionais, que chegaram a ser alvo de xingamentos. Durante os protestos desta segunda-feira, por exemplo, Caco Barcellos e a equipe do “Profissão Repórter” foram hostilizados e impedidos de gravar no Bargo da Batata.

Chupado do blog Na TV de Fernando Oliveira, colunista do iG.

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