E não é que a Dilma estava certa! Cientistas britânicos desenvolveram tecnologia capaz de “estocar vento”

Dilma estava certa. Cientistas britânicos desenvolveram tecnologia capaz de estocar vento

O projeto consiste no armazenamento do ar em sua forma líquida, que depois é expandido e move turbinas que convertem a energia mecânica em elétrica.

Diversas são as polêmicas envolvendo a falta de habilidade de Dilma Roussef em fazer discursos. Uma das grandes frases da presidenta que agitou as redes sociais ocorreu quando, em entrevista coletiva concedida na ONU, ela disse que a possibilidade de “estocar vento” beneficiaria o mundo inteiro.

No discurso (clique aqui para ver), Dilma menciona as dificuldades técnicas de viabilizar a substituição de hidrelétricas por parques de energia eólica. Ela defende que, atualmente, a energia hidrelétrica é a mais barata e viável em termos de manutenção, pelo fato da água ser gratuita e existir a possibilidade de estocá-la. Ela então aponta que a energia eólica também seria muito interessante para o país, porém ainda não existe tecnologia para “estocar vento”. Isso dificulta o investimento nesse tipo de energia, devido à falta de estabilidade das correntes de ar. A energia eólica depende da ocorrência de vento em densidade e velocidade ideais, e esses parâmetros sofrem variações anuais e sazonais (Confira a matéria “O que é energia eólica? Entenda como turbinas geram energia elétrica a partir dos ventos” para saber mais).

A frase virou meme: fotografias de um homem com um ventilador enchendo sacolas plásticas de vento foram compartilhadas na internet, assim como montagens com o rosto de Dilma em pacotes de salgadinhos “de ar” e em porções de pastel de vento. A brincadeira “viralizou”.

Mas será que Dilma falou uma besteira tão grande assim? Segundo cientistas britânicos, não.

Bom, para mover as turbinas de usinas eólicas, precisamos de vento, certo? Se ele não é constante, uma forma artificial de controlar essa intermitência seria ideal para solucionar um dos principais problemas dessa tecnologia, correto?

De acordo com a Agência Fapesp, cientistas britânicos, da Faculdade de Engenharia e Ciências Físicas da University of Birmingham estão desenvolvendo uma tecnologia que possibilita a utilização de ar líquido como forma de otimizar a implementação de fontes renováveis como a solar e a eólica. Dessa forma, haveria a minimização dos efeitos de sua intermitência no abastecimento da rede elétrica. O método já foi testado em planta-piloto e entrará em escala comercial em 2018.

Cientistas britânicos desenvolveram tecnologia capaz de estocar vento

Como funciona?

O princípio físico é relativamente simples. Quando o ar é resfriado a -196ºC, ele se transforma em líquido. Cerca de 10 litros de ar dão origem a um litro de ar líquido. Esse pode ser estocado e posteriormente aquecido. Quando em contato com uma fonte térmica ele se expande e movimenta uma turbina que converte a energia mecânica em energia elétrica.

A proposta dos responsáveis pelo projeto não é muito diferente da feita por Dilma em seu discurso. O objetivo é contribuir para superar os altos e baixos no abastecimento de energia gerada por fontes renováveis. Dessa forma, com o ar líquido, a energia estaria disponível sem decréscimo no fornecimento mesmo em dias de menor insolação ou de redução no regime dos ventos.

Ainda de acordo com Williams, os impactos ambientais decorrentes do processo deverão ser muito baixos. “Para o armazenamento de energia, o dispositivo apenas captura e esgota o ar. E, quando a estocagem criogênica é utilizada em motores, o material trocado com o meio é novamente o ar”, esclareceu.

A Universidade de Birmingham, responsável pelo projeto, foi eleita “universidade do ano” pelos periódicos The Times e The Sunday Times. Uma de suas prioridades é elaboração de soluções revolucionárias que se adequem ao conceito de sustentabilidade. A universidade mantém acordo de cooperação com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para apoiar projetos de pesquisas colaborativas entre o Estado de São Paulo e o Reino Unido.

A proposta de Dilma não é tão absurda assim afinal de contas. Considerando que vento é, de acordo com a definição do dicionário Michaelis, “o ar em movimento ou em deslocação”, o mal-entendido pode ter ocorrido devido a uma confusão nas palavras. A proposta dos cientistas britânicos é de armazenamento de energia eólica utilizando um ar como a “caixa” para estocar tal energia.

É só pensarmos no princípio básico da natureza, a conservação de energia, e se você preferir, é possível até utilizar a frase de Antoine Lavoisier “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O que os novos cientistas britânicos estão propondo é, através da energia proveniente dos ventos, esfriar ar (pois para esfriar algo, precisamos de energia também) e assim a energia usada nesse processo estaria “armazenada” para ser utilizada através da expansão que o ar tem ao ser aquecido artificialmente ou não – entrando assim em movimento para gerar as turbinas. Lembra o que é o ar em movimento? Isso, o vento. O processo não consiste literalmente em “capturar” o vento e armazená-lo, mas sim um meio de armazenar a energia do vento através do processo de tornar o ar líquido e recuperar essa energia por meio do movimento do ar líquido ao voltar ao seu estado natural, o que consequentemente irá se tornar um vento.

Independentemente da frase da presidente, novas tecnologias que propiciem o aproveitamento máximo da produção de energias alternativas, como a eólica e a solar, são necessárias para mudar o paradigma da produção de energia atual e reduzir os impactos ambientais do consumo energético. De inicio, muitas invenções revolucionárias pareceram absurdas e foram alvo de chacota, mas por meio da ousadia de cientistas e de métodos rígidos de observação, identificação e pesquisa, elas se tornaram viáveis e nós podemos usufruir de seus benefícios. Por fim, que bom que os cientistas britânicos investiram nessa tecnologia e não a consideraram tão absurda assim, pois inovações são sempre bem-vindas para mudar os ares de nossa sociedade.

Fonte: eCycle, Agência Fapesp e Palácio do Planalto

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Você sabe o que é energia eólica? Entenda como funciona a energia cinética do vento

Energia eólica

Entenda as vantagens e desvantagens da energia eólica no Brasil.

Energia eólica é a energia produzida a partir da energia cinética do vento (massas de ar em movimento) e do aquecimento eletromagnético do sol (energia solar), que juntos movimentam as pás de captadores. A energia cinética do vento normalmente é convertida em energia mecânica por moinhos e cataventos, ou em energia elétrica por turbinas eólicas (ou aerogeradores).

A aplicação da energia eólica em trabalhos mecânicos por moinhos e cataventos, como a moagem de grãos e o bombeamento de água, remonta à origem da utilização dessa fonte de energia pela humanidade, a qual só passou a ser considerada uma alternativa para a geração de energia elétrica a partir da crise do petróleo, na década de 70.

Como funciona a energia eólica

energia cinética do vento é produzida quando o aquecimento das camadas de ar criam uma variação de gradientes de pressão nas massa de ar. A turbina eólica transforma essa energia cinética em energia mecânica por meio do movimento de rotação de pás e, através de um gerador, há geração de energia elétrica.

A turbina eólica é composta por:

  • Anemômetro: mede a intensidade e a velocidade do vento. Funciona em média de dez em dez minutos;
  • Biruta (sensor de direção): capta a direção do vento. A direção do vento deve sempre estar perpendicular à torre para o maior aproveitamento;
  • Pás: captam o vento, convertendo sua potência ao centro do rotor;
  • Gerador: item que converte a energia mecânica do eixo em energia elétrica;
  • Mecanismos de controle: adequação da potência nominal à velocidade do vento que ocorre com mais frequência durante um período determinado;
  • Caixa de multiplicação (transmissão): responsável por transmitir a energia mecânica do eixo do rotor ao eixo do gerador;
  • Rotor: conjunto que é conectado a um eixo que transmite a rotação das pás para o gerador;
  • Nacele: compartimento instalado no alto da torre composto por: caixa multiplicadora, freios, embreagem, mancais, controle eletrônico e sistema hidráulico;
  • Torre: elemento que sustenta o rotor e a nacele na altura apropriada ao funcionamento. A torre é um item de alto custo para o sistema.

Vantagens e desvantagens da energia eólica

A principal vantagem da energia eólica é que se trata de uma fonte de energiarenovável e “limpa”, pois não emite os gases do efeito estufa que contribuem para a o aquecimento global, e não produz resíduos ao gerar eletricidade.

Além disso, a fonte da energia eólica é considerada inesgotável e não há custos associados à obtenção de uma matéria-prima, diferentemente do que ocorre também com combustíveis fósseis.

Os custos de implantação são relativamente baixos. A necessidade de manutenção é baixa e são criadas novas oportunidades de emprego em áreas que normalmente recebem pouco investimento.

Uma crítica muito comum à energia eólica é referente a sua intermitência. A energia eólica depende da ocorrência de vento em densidade e velocidade ideais, e esses parâmetros sofrem variações anuais e sazonais.

Portanto, para a energia eólica ser considerada aproveitável do ponto de vista técnico, a usina eólica (ou parque eólico) deve ser implantado em um local em que a densidade da massa de ar seja maior ou igual a 500 watts por metro quadrado (W/m²) a uma altura de 50 metros, e a velocidade do vento seja de sete a oito metros por segundo (m/s).

No entanto, a construção de um parque eólico não pode partir apenas do atendimento a fatores técnicos relacionados à disponibilidade dos ventos. O procedimento também requer a realização de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que servem para definir a melhor localização não somente do ponto de vista estratégico, mas também em termos socioambientais.

Parques eólicos (ou usinas eólicas) são espaços em que há ao menos cinco turbinas eólicas (aerogeradores) que podem produzir energia elétrica. Essa concentração de aerogeradores em um mesmo local provoca uma série de externalidades negativas.

Um dos impactos ambientais negativos recai sobre as populações de aves. Ao voarem muito perto das turbinas, muitos pássaros são atingidos pelas pás e sofrem ferimentos graves e até morrem. A implantação de parques eólicos pode influenciar a mudança nas rotas de fluxos migratórios de populações de aves.

Além disso, parques eólicos também podem impactar negativamente o ecossistema local e as populações humanas do entorno devido ao alto ruído que as turbinas produzem ao operarem. A poluição sonora é considerada um problema de saúde pública, pois está associada ao aumento do estresse, agressividade e transtornos psíquicos, dentre outros impactos à saúde. O ruído também pode provocar o afastamento de populações de animais, afetando o ecossistema local.

A comunidade do entorno pode ser afetada pela poluição visual. A construção de parques eólicos provoca significativas mudanças na paisagem.

Energia eólica

Outro impacto relacionado às turbinas é a interferência que causam em radares meteorológicos. Esses radares são usados para prever o volume de chuva, risco de queda de granizo e outras ações no tempo. Para serem capazes de executar tais atividades, devem ser equipamentos muito sensíveis. Essa sensibilidade os torna suscetíveis a interferências externas. Uma única turbina eólica que esteja em funcionamento em uma área próxima a um radar meteorológico pode afetar as suas previsões. Como radares são ferramentas importantes na prevenção de eventos críticos em períodos chuvosos, e usados pela Defesa Civil para basear medidas de emergência, foram estabelecidas distâncias mínimas que devem ser atendidas entre radares e aerogeradores.

Segundo o relatório do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, nenhuma turbina eólica deve ser instalada a distância menor que 5 km de radares de banda C (frequência entre 4 GHz e 8 GHz) e 10 km de banda S (frequência entre 2 GHz e 4 GHz). Ao se tratar da implantação de parques eólicos, as distâncias a serem consideradas são de 20 km e 30 km para cada tipo de radar, respectivamente.

Apesar da energia eólica não produzir resíduo durante a geração de eletricidade, é preciso atentar que há resíduos oriundos do processo de fabricação das as pás das turbinas, que costumam ser confeccionadas com fibra de vidro. A fibra de vidro em si não é tóxica, no entanto, os aditivos que são usados para reforçar o material podem ser, como a resina epóxi. A resina epoxi é feita de materiais nocivos como os bisfenóis.

Uma pá tem um tempo de vida médio equivalente a 20 anos e ainda não existe uma tecnologia que torne a reciclagem de pás economicamente viável devido à alta complexidade do material com o qual qual ela é feita.

Aplicabilidade da energia eólica

Segundo o relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas 13% da superfície terrestre mundial se adequa a esse fator, o que já impõe um limite para a sua aplicabilidade na maior parte das regiões.

Energia eólica no Brasil

No caso do Brasil, mais de 71 mil km² do território nacional apresentam velocidade de vento superior a 7 m/s ao nível de 50 m de altura. Este potencial proporcionaria ao país o equivalente a 272 terawatt-hora por ano (TWh/ano), o que representa aproximadamente 64% do consumo nacional de energiaelétrica, que gira em torno de 424 TW/ano. Esse potencial está concentrado sobretudo na região nordeste do país, seguido da região sul, como pode ser observado no Atlas do Potencial Eólico Brasileiro.

energia eólica é uma alternativa para diversificar a matriz elétrica do país e assim aumentar a segurança neste setor. É interessante que frente ao aumento da demanda por eletricidade, o país se mantenha no caminho das tecnologias limpas em vez de optar por fontes não renováveis, que provocam impactos socioambientais ainda mais agressivos.

Uma alternativa aos impactos da poluição sonora e visual é a instalação de parques eólicos off-shore, ou seja, no mar. Além disso, avanços tecnológicos podem ser feitos no sentido de minimizar outros impactos, como por exemplo o desenvolvimento de turbinas menos prejudiciais aos pássaros.

Fonte: eCycle

[Filme] Rambo I – Programado para Matar

Assista o filme online e dublado em português.

Rambo (Sylvester Stallone) é um veterano da Guerra do Vietnã que é preso injustamente pelo xerife Teasle (Brian Dennehy), mas consegue fugir e promove uma guerra não só contra o policial mas contra toda uma cidade, causando pânico e destruição, que é o que ele sabe fazer de melhor.

Haddad foi eleito um dos melhores prefeito do mundo

Prêmio Mayors Challenge 2016 da Bloomberg Philanthropies

No dia 30 de novembro de 2016, o então prefeito Fernando Haddad ganhou o “Desafio dos Prefeitos”, organizado pelo ex-Prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, que premia as melhores práticas urbanas no mundo. Mais de 290 cidades se inscreveram, São Paulo ficou em primeiro lugar e recebeu 5 milhões de dólares para investir no projeto de agricultura familiar em Parelheiros. Vejam o momento do anúncio. “Estou muito orgulhoso dessa conquista para a cidade”, disse o prefeito petista. Saiba mais acessando esse link!

A cidade de São Paulo recebeu o Prêmio Mayors Challenge 2016, promovido pela Bloomberg Philanthropies. O prêmio é voltado para iniciativas municipais que incentivem o desenvolvimento urbano sustentável.

São Paulo concorreu com o projeto “Ligue os pontos”, uma plataforma digital com o objetivo de potencializar as políticas voltadas para a agricultura local. A ideia é contribuir para facilitar e ampliar a distribuição do alimento produzido pela agricultura familiar.

Com o prêmio, a prefeitura recebe um aporte de US$ 5 milhões da Bloomberg Philanthropies para implementar o projeto. O prefeito Fernando Haddad (PT) recebeu o prêmio de Michael Bloomberg, presidente da instituição e ex-prefeito de Nova York.

O projeto apresentado por São Paulo busca multiplicar por três vezes a renda de famílias em situação de grande vulnerabilidade social, inserindo-os na cadeia produtiva agrícola de uma metrópole com 22 milhões de habitantes. Este projeto é uma simples plataforma de encontro entre produtores e consumidores e oferece ao poder público municipal uma preciosa ferramenta de articulação de ações setoriais para formular políticas públicas integradas, afirmou o prefeito.

A aprovação do Plano Diretor Estratégico (PDE), em 2014 recuperou a Zona Rural do município de São Paulo, que havia deixado de existir na edição anterior do PDE. Nas áreas classificadas como territórios rurais, o PDE incentiva o desenvolvimento de atividades econômicas que tenham proteção do meio ambiente com geração de renda e emprego.

A Lei 16.140, de abril deste ano, torna obrigatória a inclusão de alimentos orgânicos na merenda das escolas municipais de São Paulo. Segunda a Prefeitura de São Paulo, ao menos um tipo de alimento da agricultura familiar e/ou orgânica está presente em todas as unidades da rede municipal.

As outras quatro cidades finalistas foram Bogotá, na Colômbia, Santiago, no Chile, Guadalajara, no México, e Medellín, também na Colômbia, que mostrou o projeto de um banco que permitiria pequenas operações de crédito sem burocracia, eliminando agiotas que normalmente são ligados ao tráfico de drogas. Estas cidades também receberam prêmios no valor de US$ 1 milhão.

GGN

Havan disputa mercado gaúcho

Havan sonegadora de impostos

Entre abril de 2005 e outubro de 2014, o dono da Havan, Luciano Hang, solicitou e obteve 50 empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a expansão de seus negócios, que o levaram a abrir quase 100 lojas em 13 estados. No frigir dos ovos, o total dos empréstimos chegaram a R$ 20,6 milhões.

Havan cresce: com 50 empréstimos do BNDES e sonegação

O jornal Extra Classe publicou extensa reportagem sobre a Havan, rede de lojas, e seu proprietário Luciano Hang. O varejista reuniu-sem com o governador José Ivo Sartori, do Rio Grande do Sul, em acertos para entrada da empresa no mercado gaúcho. Hang declarou à imprensa de Porto Alegre, que investirá quase R$ 2 bilhões no Estado e que nunca teve nenhum contrato com o banco estatal e que não usa incentivos oficiais em seus negócios. A matéria é de Flávio Ilha.

Acontece que o varejista esqueceu que, entre abril de 2005 e outubro de 2014, ele solicitou e obteve 50 empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a expansão de seus negócios, que o levaram a abrir quase 100 lojas em 13 estados. No frigir dos ovos, o total dos empréstimos chegaram a R$ 20,6 milhões.

O problema não foi ter obtido financiamentos do banco estatal, o problema é o discurso lamentável criticando quem utilizou o BNDES para se desenvolver. Não bastasse, o jornal apurou que os empréstimos obtidos pelo varejista eram do tipo Finame, para equipamentos, e foi utilizado para abertura de novas lojas. Além disso, o empresário conseguiu algumas outras benesses de municípios em que foi abrir suas novas lojas.

Ao puxar a capivara de Hang, o jornal também traz suas peripécias no Porto de Itajaí, com sonegação de impostos e devidamente processado e condenado.

Ao contrário do que garantiu o proprietário da rede de megalojas Luciano Hang à imprensa gaúcha, durante o anúncio de investimentos bilionários no Estado, a empresa se valeu de 50 empréstimos do BNDES.

Por Flávio Ilha para o Extra Classe

O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, realizou, entre abril de 2005 e outubro de 2014, 50 empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a expansão de suas atividades comerciais no país, que resultaram na abertura de quase 100 lojas em 13 estados do Brasil. No total, os empréstimos, com prazos de pagamento entre 60 meses (cinco anos) e 48 meses (quatro anos), totalizaram R$ 20,6 milhões.

Na semana passada, o empresário declarou à imprensa de Porto Alegre, durante o anúncio de investimentos de quase R$ 2 bilhões no Estado, que nunca teve nenhum contrato aprovado com o banco estatal e que não usa incentivos oficiais em seus negócios. “Eu não tenho nenhum empréstimo do BNDES. Lamentavelmente, durante os últimos anos, os bons empreendedores não conseguiram os empréstimos que precisavam para se desenvolver. Não é pecado pegar dinheiro do BNDES, quero deixar bem claro, mas eu não pego dinheiro. O dinheiro da Havan é do próprio investimento da empresa, é o retorno do que nós fizemos e dos meus parceiros privados, de bancos como Santander, Itaú, Bradesco e Safra”, disse Hang à uma rádio de Porto Alegre.

Na última quinta-feira de janeiro, 31, o empresário garantiu investimentos de R$ 1,5 bilhão no Rio Grande do Sul na implantação de pelo menos 50 megalojas e de R$ 400 milhões em hidrelétricas e voltou a declarar que não quer incentivos fiscais para se instalar no Estado, nem mesmo outros incentivos governamentais. “Não quero nem terreno para abrir lojas”, disse em cerimônia no Palácio Piratini. Entre as cidades especuladas para instalar suas lojas estão Porto Alegre, Santa Maria, Passo Fundo e Canela. Segundo ele, vai depender de alguns critérios, como a possibilidade de as lojas funcionarem em finais de semana e feriados.

A rede de lojas com origem em Brusque (SC) começou um processo acelerado de expansão a partir de 2011, quando apenas nesse ano abriu 15 lojas em Santa Catarina e no Paraná – até então, a rede tinha apenas 24 unidades distribuídas nos dois estados. Foi justamente em 2011 que a empresa registrou o maior volume de contratos de empréstimo junto ao BNDES – 19 no total, praticamente o mesmo número de novos pontos de venda. Os contratos somaram R$ 1.791.071,02.

Fraude e condenação

A planilha do BNDES a que a reportagem do Extra Classe teve acesso mostra exatamente o contrário. Além de tomar empréstimos no atacado, numa média de cinco por ano, a maioria dos contratos firmados pela Havan Lojas de Departamentos Ltda junto ao BNDES foi na modalidade Finame, que se destina à aquisição de máquinas e equipamentos nacionais para financiar produção industrial. A modalidade, segundo as regras do banco, não se ajusta a empresas de varejo.

As taxas de juros dos empréstimos, além disso, variaram entre 3,1% e 8,7% ao ano – um “papagaio” em bancos comerciais, para pessoas jurídicas, costuma custar pelo menos três vezes mais. Todos os empréstimos foram repassados à Havan por bancos comerciais autorizados a operar com o BNDES. Grande parte dos repasses está concentrada em 2011 e 2012, justamente no momento em que a empresa alterou seu patamar de negócios. Hoje a rede tem 107 lojas distribuídas em 15 estados, com faturamento declarado de R$ 4,7 bilhões em 2016.

Também não é verdade que os negócios de Hang dispensem incentivos públicos. Em Vilhena (RO), por exemplo, o dono da Havan recebeu em 2015 um terreno avaliado em R$ 373 mil da prefeitura para a instalação de uma loja na cidade, além de ter sido agraciado com uma isenção de 10 anos de impostos municipais pela Câmara de Vereadores. A unidade deverá ser aberta em 2018.

Catarinense de Brusque, Luciano Hang, 55 anos, tem se notabilizado pelas críticas severas que faz aos governos do PT, à esquerda e à presença do Estado na economia. Na data da condenação em segunda instância do ex-presidente Lula, em janeiro, o empresário soltou 13 minutos de fogos de artifício em comemoração à sentença.

Mas ele mesmo é um alvo contumaz da Justiça: em 1999, os procuradores federais Carolina da Silveira Medeiros e João Carlos Brandão Néto ingressaram com ação penal na 1ª Vara da Justiça Federal de Blumenau (SC) contra os donos da Havan – Hang e o irmão João Luiz – por contrabando. A acusação era de que a empresa não havia declarado 1.500 quilos de veludo, importados pelo porto de Itajaí.

Era apenas a primeira de uma série de acusações que iriam resultar na condenação do empresário. Segundo Brandão, o esquema de fraudes que possibilitou o crescimento da rede, com o consequente enriquecimento do empresário e da família, começou com a criação de uma importadora de fachada, que não tinha sede própria e nem empregados, em 1996. O empresário, segundo o procurador, utilizava uma off-shore com sede no Panamá para adulterar faturas e notas fiscais como forma de esquentar os produtos comprados no exterior por meio da importadora.  Ele diz que tudo era acobertado por servidores da Receita Federal do porto de Itajaí.

Na denúncia, que envolveu Luciano e mais 13 pessoas, o empresário também foi acusado de usar duas contas em Miami para lavagem de dinheiro de origem criminosa. Em maio de 2004, o prejuízo à União estava avaliado em R$ 168 milhões. “Curiosamente a denúncia foi considerada inepta pela 1ª Vara da Justiça Federal em Itajaí, que julgou o caso, embora estivesse muito bem documentada e contivesse muitas provas. A ação penal foi considerada nula. E, mais curiosamente ainda, o Ministério Público Federal não recorreu da decisão”, disse Brandão à reportagem do Extra Classe. O procurador atualmente atua em Blumenau e não tem mais jurisdição sobre o caso.

Habeas corpus e Refis

Outro procurador que investigou os negócios de Hang, Celso Antonio Três lamentou a falta de resolutividade jurídica nos casos envolvendo o empresário. “A Havan tem origem no ilícito, no extraordinário esquema de corrupção no porto de Itajaí por onde Luciano importava mercadorias subfaturadas no atacado pagando tributos simbólicos. Foi delatado pelos concorrentes, autuado em R$ 120 milhões pela Receita Federal, mas o Tribunal Regional Federal, na época, concedeu habeas corpus para trancar a ação penal sob o único fundamento de que causaria grande repercussão econômica. Aí veio o Refis (regularização extraordinária de débitos com a Receita Federal) do ex-presidente Fernando Henrique (em 2000) e o empresário salvou-se do processo penal com centenas de anos para quitar os tributos”, relembrou à reportagem.

A condenação de Hang só viria em 2003 e por um crime muito menor: sonegação de contribuições previdenciárias. Pela denúncia, o empresário pagava uma parte do salário de seus funcionários “por fora”, sem registro em carteira, como forma de burlar o Fisco e reduzir o custo de impostos relativos à Previdência. No período apurado da fraude, que vai de 1992 a 1999, o empresário sonegou mais de R$ 10 milhões, segundo o Ministério Público Federal. A pena determinada pela sentença foi de três anos, 11 meses e 15 dias de reclusão, além do pagamento de 220 dias-multa (cerca de R$ 1,68 milhão).

Hang, entretanto, nunca foi preso: a pena de privação da liberdade acabaria substituída pela prestação de serviços à comunidade. E tampouco prestaria serviços à comunidade. Em 2009, antes da execução penal, o empresário ingressou com recurso na Justiça Federal de Blumenau pedindo a suspensão do processo devido ao parcelamento do débito obtido junto à Receita Federal. Como os pagamentos estavam em dia, acabou beneficiado pela lei 10.684/2003.

No indeferimento de um habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2002, o então ministro Vicente Leal mencionou “indícios vários da ocorrência de crimes” no âmbito da administração da Havan para manter a sentença.

O dono da Havan, em entrevista por e-mail à reportagem do Extra Classe, negou que os empréstimos junto ao BNDES tenham sido usados para projetos de expansão da rede varejista e disse que os contratos estão relacionados a uma aquisição de bens de massa falida em São Paulo. “Essa aquisição se refere ao patrimônio expropriado de uma indústria calçadista no município de Franca, incluindo um terreno no qual a Havan instalou a filial da rede. Na negociação, a Havan assumiu e quitou as dívidas que a empresa falida tinha com o BNDES”, justificou. O empresário, entretanto, não detalhou a qual empresa se refere.

Hang também disse que no período dos empréstimos à Havan comprou equipamentos, especialmente, para o seu Centro de Distribuição, por meio de contratos de financiamento junto a fabricantes nacionais. “Foram contratos totalmente legítimos e pautados na preferência dada pela Havan à indústria brasileira, sendo que a empresa poderia ter optado por adquirir os equipamentos junto a fornecedores externos, a juros mais baixos e maior prazo”, explicou. Também não foram mencionados quais equipamentos a rede adquiriu.

Sobre as críticas da presença do Estado na economia, o empresário afirmou que não é contra as instituições públicas que servem ao desenvolvimento, “desde que não sejam desviadas de seu propósito”. O empresário se disse favorável a que instituições como o BNDES “mantenham o foco em contribuir para o desenvolvimento econômico, para a competitividade das empresas e para a geração de empregos e de renda no Brasil”.

E voltou a criticar a gestão do banco durante os governos petistas – justamente no período em que fez os 50 contratos junto à instituição financeira. “Ao mesmo tempo em que recusa ou dificulta o apoio às boas empresas nacionais, o BNDES atende a interesses de oligopólios favorecendo investimentos de caráter duvidoso. Minha crítica é pelo uso de recursos públicos a juros subsidiados por nós, brasileiros, para financiar investimentos em países ditatoriais, socialistas ou comunistas”, atacou.

No início de janeiro, Hang anunciou sua disposição de ser candidato em 2018, provavelmente ao governo de Santa Catarina. O empresário se desfiliou do MDB no ato realizado em Brusque, sede da Havan, mas não sinalizou para qual partido poderia migrar. A rede de lojas fundada por ele e pelo ex-sócio Vanderlei de Limas em 1986, a partir de uma pequena loja de tecidos, se transformou num conglomerado de empresas controlado pela Brashop S.A. – Administradora de Shopping Center, que reúne empreendimentos imobiliários e aluguel de imóveis – a maioria para a própria Havan.

Publicado no Portal Desacato/GGN.