Afogando em pesticida. Envenenamento por agrotóxicos no Brasil

Agricultores industriais brasileiros pulverizam produtos químicos perigosos perto de escolas e comunidades

Entrevistas – Agricultores industriais brasileiros pulverizam produtos químicos perigosos perto de escolas e comunidades.

Human Rights WatchO Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo. Uma legislação frágil sobre agrotóxicos – sob risco de se tornar ainda mais fraca – significa que agrotóxicos perigosos são pulverizados nas imediações de escolas, comunidades indígenas, quilombolas e rurais, deixando pessoas doentes e colocando em risco sua saúde a longo prazo. Richard Pearshouse, diretor adjunto da divisão de meio ambiente da Human Rights Watch, fala com Amy Braunschweiger sobre a situação de comunidades rurais e por que as pessoas têm medo de se manifestarem contra o uso de agrotóxicos.

O que está acontecendo com os agrotóxicos no Brasil?
Jovana, uma mulher de 20 e poucos anos, com sua filha pequena. Elas vivem no estado de Minas Gerais e, assim como outros moradores, disse que aviões fazem aplicações frequentes de agrotóxicos sobre as casas da sua comunidade. Ela descreveu ter sido atingida pela pulverização de agrotóxico por aviões, junto com suas crianças, tendo apresentado sintomas que incluem dores de cabeça, náusea, tontura e vômito. © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchO Brasil é uma potência agrícola em termos da quantidade de terras cultivadas. O cultivo de soja, cana-de-açúcar, algodão e milho é feito em escala industrial e agrotóxicos são usados ​​intensivamente. Além disso, são utilizados agrotóxicos perigosos. Apesar disso, há um grande apoio político para o modelo de grandes fazendas e de uso de agrotóxicos.
A agricultura é uma enorme força política no Brasil. Muitos políticos são fazendeiros, compondo a chamada “bancada ruralista”, um bloco político muito poderoso. Eles buscam enfraquecer as leis que tratam de agrotóxicos.

Os agrotóxicos são usados ​​de maneira perigosa?
Uiara, uma mulher de 50 e poucos anos vive no estado de Minas Gerais. Ela disse à Human Rights Watch que “o avião sobrevoa nossas casas com o pulverizador ligado. Nós não esperamos, nós corremos para dentro das casas. Os agrotóxicos são muito fortes”. © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchEm todo o Brasil rural há um enorme problema com a deriva de agrotóxicos. Isto é, com a dispersão de sua aplicação para além da área designada, atingindo comunidades e pessoas nas proximidades. E isso serve tanto para a pulverização terrestre – um grande trator com as barras de cada lado e os bicos embaixo dos braços – quanto para os aviões que pulverizam enquanto sobrevoam as plantações.
Com a agricultura industrial de larga escala, há menos trabalhadores nas plantações. Nós nos atentamos às pessoas que vivem imediatamente nas redondezas dessas plantações – pessoas em vilarejos, escolas rurais, comunidades quilombolas e indígenas – em sete localidades por todo o país. Os agrotóxicos são pulverizados até suas imediações e às vezes mesmo sobre elas. Se você mora ali, pode ficar doente. Encontramos muitos casos de intoxicação aguda, que ocorre durante ou logo após a pulverização de agrotóxicos. As pessoas vomitam, sentem náuseas e tonturas por conta dos produtos químicos. Esses são apenas os sintomas mais imediatos. A exposição, semana após semana, mês após mês, pode levar a sérios problemas de saúde, como câncer, infertilidade e impactos negativos no desenvolvimento infantil.
Conversamos com uma mulher que estudava em uma escola rural à noite e ela nos contou de ir à aula e se sentir mal pela fumaça, ainda que os agrotóxicos tivessem sido pulverizados algumas horas antes. Ela teve que sair, vomitou várias vezes e teve que ir para casa. As aulas foram canceladas. No dia seguinte, ela ainda sentia enjoo por conta dos agrotóxicos. E tudo que ela fez foi ir à escola no período noturno. Pessoas assim, histórias assim, acabam te marcando.

E o Brasil está usando agrotóxicos proibidos em outros países?
Estevo, um homem em seus 50 anos, vive no estado de Minas Gerais. Ele disse à Human Rights Watch que “o avião [pulverizando agrotóxicos] sobrevoa a comunidade. Diversas vezes agrotóxicos caíram sobre mim enquanto eu trabalhava na terra. Não há nada que possamos fazer.” © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchQuando você olha a lista dos 10 principais agrotóxicos utilizados ​​no Brasil por seu ingrediente ativo, 4 são proibidos na União Europeia, e o quinto deles deverá ser proibido até 2019.
A legislação brasileira sobre agrotóxicos já é bastante frágil. Ainda assim, ela é ameaçada por um projeto de lei que reduziria a competência das agências de saúde e ambientais na aprovação de agrotóxicos A decisão de aprovar agrotóxicos ficaria concentrada no Ministério da Agricultura.
Então, em vez de autoridades sanitárias e ambientais estarem avaliando os perigos dos agrotóxicos utilizados ​​no Brasil e decidindo sobre quais deveriam ser proibidos, esses ministérios estão ocupados, defendendo-se contra esse projeto de lei que ameaça sua capacidade de realizar esse trabalho.

Qual é o problema com a forma como os agrotóxicos são aplicados?
Sala de aula em escola no município de Primavera do Leste, no estado do Mato Grosso, na região centro-oeste brasileira. A escola atende pouco mais de 100 alunos, com aulas para estudantes entre 15 e 16 anos durante o dia e para adultos à noite. Há plantações bem ao lado do terreno da escola, com as salas de aula mais próximas a aproximadamente 15 metros dos campos. © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchCerca de um quarto de todos os agrotóxicos do Brasil são pulverizados por aviões. Há muita deriva dependendo da altura do avião e do vento. Se você está pulverizando com aviões e há pessoas ou uma escola próxima, eles podem ser atingidos.
Isso aconteceu comigo durante a minha pesquisa. Nós estávamos dirigindo em uma rodovia perto de uma plantação, vimos um avião pulverizando, paramos o carro e saímos para tirar fotos do avião com um iPhone. E fomos atingidos pela pulverização de agrotóxicos ao lado da rodovia. O avião sobrevoava e, alguns segundos depois, sentíamos o jato. A gente sentiu o cheiro e começou a coçar, sentimos uma sensação de queimação na pele. Começamos a sentir enjoo, tontura, um pouco de náusea. Nós nos lavamos com uma garrafa de água no carro e seguimos dirigindo para uma cidade a 30 minutos dali onde conseguimos tomar banho.

Não deveria haver uma zona de segurança entre áreas de pulverização de agrotóxicos e onde as pessoas estão?
Imagem de drone sobre uma comunidade quilombola no estado de Minas Gerais. Algumas das casas da comunidade ficam a aproximadamente 20 metros da plantação de cana-de-açúcar vizinha. © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchDe acordo com a regulamentação brasileira, você não tem permissão para realizar pulverização aérea a menos de 500 metros de um local sensível, como uma escola, floresta ou via fluvial. Mas na prática, essa regra é frequentemente ignorada.
Para pulverização terrestre, não há regulamentação nacional estabelecendo uma zona de segurança. Você pode pulverizar no limite da parede da escola e isso é legal. No entanto, uma enorme quantidade de agrotóxicos pode também lhe atingir na pulverização terrestre.
Em áreas rurais no Brasil, as plantações podem começar a cinco metros das janelas de escolas. Essas escolas são prédios de um único andar, as janelas podem ter vidro ou ser apenas telas de arame, mas a pulverização nos campos vaza para as salas de aula. E as crianças estão ali dentro no momento da pulverização. Como é um país quente, as pessoas não deixam as janelas fechadas; ou elas estão quebradas; ou não há janelas.

O que te surpreendeu durante a pesquisa?
Pedrina, uma mulher de 40 e poucos anos, vive em Minas Gerais. Ela disse à Human Rights Watch que sentiu os sintomas da intoxicação aguda por agrotóxicos muitas vezes e descreveu temer retaliação caso procurasse as autoridades para manifestar preocupações com os impactos da pulverização à saúde. © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchO número de pessoas que não quiseram falar conosco. A gente ouvia falar de problemas em comunidades ou escolas particulares e então tentávamos entrar em contato por telefone. As pessoas diziam: “Não queremos falar sobre isso, não queremos que você venha”. Isso aconteceu várias vezes. Elas temiam represálias por se manifestarem. É uma questão muito delicada entre eles e os grandes proprietários de terra próximos. Eu sabia que a questão dos agrotóxicos era sensível, mas eu não tinha pensado no quão assustadas as pessoas estavam.

É um medo justificado?
Panambi, uma mulher de 20 e poucos anos, vive em uma pequena casa com sua mãe e filha de quatro anos. Ela disse à Human Rights Watch que, durante um incidente de pulverização na plantação vizinha em março de 2018, ela e sua família sentiram os olhos queimarem, e que cobriu a boca de sua filha com um pano úmido para tentar protegê-la. “Nós deveríamos respirar ar fresco, mas sentimos um gosto ruim, uma [sensação de] queimação.” © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchUm conhecido ativista contra uso de agrotóxicos foi morto a tiros em 2010 no Brasil. Ele era um agricultor local e foi fundamental na pressão para que o município adotasse uma proibição contra a pulverização aérea. O Ministério Público, que acredita que a morte foi resultado da sua manifestação pública contra a pulverização aérea e a contaminação da água por agrotóxicos, entrou com um processo, mas ninguém foi julgado pelo crime.
Em maio de 2013, um avião sobrevoou uma escola e a pulverização atingiu cerca de 90 crianças que precisaram ser hospitalizadas. Houve uma comoção nacional na época. O professor que levou seus alunos ao hospital se tornou um ativista e pressionou pela assistência médica para essas crianças. Ele foi ameaçado de morte em várias ocasiões. Conversamos com um padre que tentou organizar uma mobilização contra a pulverização aérea; começaram a lhe enviar vídeos pornográficos por telefone para intimidá-lo. Também conversamos com um homem que ajudou a organizar um abaixo-assinado sobre o uso de agrotóxicos por um fazendeiro local, e o fazendeiro o ameaçou fazendo um gesto com as mãos. O homem relatou isso à polícia, mas não sabe se deram algum encaminhamento.
Então, há retaliação. Agricultura e agrotóxicos não são apenas meios de subsistência, mas uma enorme potência econômica. E quando você enfrenta essas forças, há com certeza uma resistência.

Você falou com mais alguém cuja história mudou você?
Conversamos com uma jovem de 20 e poucos anos que estava grávida de oito meses de seu primeiro filho. Ela nos disse que um mês antes ela estava em casa quando houve uma pulverização em uma fazenda próxima. Ela sentiu um cheiro muito forte de agrotóxicos, e começou a vomitar, ela disse. Seu marido a levou para o hospital e ela vomitou durante todo o caminho no carro. Ela chegou ao hospital e eles diagnosticaram uma infecção viral – apesar de ela ter falado sobre os agrotóxicos e o cheiro que sentiu. Quando nos vimos, ela me disse que nunca tinha vomitado durante a gravidez até aquele dia. E ela estava preocupada com o bebê. Será que ele ou ela vai ficar bem?

Os profissionais médicos são parte do problema?
Jakaira, um homem de 40 e poucos anos que vive em uma comunidade indígena no estado do Mato Grosso do Sul há 10 anos, sofreu uma intoxicação aguda por volta de outubro de 2017. Ele relatou à Human Rights Watch: “Você sente um amargor na garganta. Você não quer mais respirar veneno – você quer respirar outro tipo de ar – mas não tem nenhum.” © 2018 Marizilda Cruppé para Human Rights WatchMuitas pessoas expostas a agrotóxicos são diagnosticadas equivocadamente como virose, seja intencionalmente ou por conta de um treinamento inadequado.

O que acontece com a saúde das pessoas expostas a agrotóxicos por longos períodos?
O câncer é uma grande preocupação; e há uma série de problemas reprodutivos, incluindo infertilidade. Os agrotóxicos podem ter impactos negativos no desenvolvimento fetal, e há também uma série de problemas de desenvolvimento para as crianças.

Qual é o impacto no meio ambiente?
Você tem contaminação de cursos de água, que muitas vezes são a fonte de água potável para grandes cidades no interior do Brasil. Mas os resíduos de agrotóxicos estão aparecendo na água potável e nos alimentos por todo o país. Às vezes, em quantidades mínimas, mas muito, muito poucos fornecedores de água potável estão realmente testando resíduos de agrotóxicos em água. O mesmo para alimentos. E a qualidade do pouco monitoramento que existe é motivo para alarme.

O que queremos ver?
Uma suspensão da pulverização aérea até que o Brasil compreenda os impactos na saúde e no meio ambiente decorrentes disso. Zonas de segurança respeitadas, treinamento para profissionais de saúde, proteção para pessoas que se manifestem contra essa situação, monitoramento de água e alimentos. Em termos mais gerais, o Brasil precisa de um plano nacional com prazos para reduzir o uso de agrotóxicos. E, talvez o mais urgente, é preciso rejeitar o atual projeto de lei que enfraqueceria ainda mais a lei de agrotóxicos do Brasil. Há muita coisa em jogo.

Human Rights Watch

 

 

Relatório anual de 2017 da Via Campesina

Relatório anual de 2017 da Via Campesina

O relatório anual destaca as lutas selecionados para fortalecer o movimento internacional da La Via Campesina em 2017 e as deliberações e celebrações da sua conferência internacional. A conferência cujo tema foi “Nós alimentamos nossos povos e construir o movimento para mudar o mundo” significa os processos coletivos para desenvolver ideias, propostas, lutas conjuntas e projetos alternativos para enfrentar uma agenda neoliberal assim como a ascensão da política de direita. Este encontro e as várias lutas em todo 2017 foram momentos de renovação do espírito de resistências das pessoas, construindo a solidariedade e trocar os contos de luta de nossos territórios uns com os outros, apresentando novas oportunidades e desafios para “globalizar a luta, e globalizando a esperança”. Um grande esforço foi feito em neste para reforçar as mulheres e os jovens a ter uma voz mais forte dentro de La Via Campesina para moldar de forma eficaz as decisões e construir um movimento baseado na igualdade através de remoção de barreiras à sua participação e continuando a implementar a campanha para acabar com todas as formas de violência contra as mulheres. Clique aqui e baixa o relatório!

Cadu é o meu candidato ao Senado!

Cadu Carlos Eduardo de Souza

Cadu é o meu candidato ao Senado Federal pelo meu estado. É e sempre será! Cadu é um amigo, um guerreiro. Tem uma energia militante e de liderança. Está à frente das lutas importantes que temos levado em Florianópolis e em Santa Catarina contra o golpe e contra o corte nos direitos. Foi o grande organizador, junto com o PT Floripa, do maior ato da Caravana Lula no sul do Brasil (e um dos maiores do Brasil), liderou nossa participação na vigília Lula, e esteve lá dia a noite organizando a militância, liderando a resistência! Precisamos de um candidato ao Senado que defenda os princípios, o programa e as propostas do PT na luta contra o golpe, que não tenha receio de lutar contra as O.S. que querem substituir os serviços públicos, que defenda os direitos dos e das trabalhadoras, que esteja articulado com as lutas da juventude, das pessoas LGBT, das mulheres, do movimento negro, dos indígenas e quilombolas. O processo eleitoral não pode estar descolado das lutas na rua, nos movimentos, nesse renascimento da consciência crítica da população, na disputa pelos corações e mentes em direção à retomada de um projeto de país popular, democrático e soberano.

#TamoJuntoCadu

Cadu pré-candidato a Senador do PT por Santa Catarina

Cadu Carlos Eduardo de Souza

Olá companheiros e companheiras!

Vocês me conhecem pela minha militância nos movimentos sindicais, e pela Educação pública e de qualidade em Santa Catarina.

Nos últimos três anos de enfrentamento ao golpe, temos construído a resistência na nossa capital e vocês sabem o quanto isso é desafiador.

Incansavelmente construímos e destacamos a importância da Frente Brasil Popular.

Nas eleições de 2014 fizemos de Florianópolis a cidade de Santa Catarina que mais retirou votos do Aécio Neves no segundo turno.

Depois do sucesso da caravana Lula em Florianópolis recebi muitos incentivos da militância para ser candidato nessas eleições. O meu trabalho foi de construir pontes para além do Partido dos Trabalhadores, na defesa incansável contra o golpe e pela libertação da nossa maior liderança.

A minha experiência em eleições foram poucas, em 2000 me candidatei para ajudar a construir o Partido dos Trabalhadores em Ilhota, e nas últimas duas eleições em Florianópolis para o cargo de vereador, onde sou suplente e irei assumir o mandato no próximo dia 13 de agosto.

Nesses últimos meses dialoguei muito sobre uma possível candidatura, e como havia espaço aberto ao senado fui convencido de que esta seria uma oportunidade de apresentar uma proposta de renovação.

Renovar para encantar especialmente a militância de esquerda, mas também tendo no horizonte aqueles que não veem opção na política e precisam de esperança.

E por que esperança?

Desde cedo militando no PT aprendi com a vida de luta e, com o companheiro Lula, que mais do que oferecer respostas para a sociedade e para nossos companheiros de partido, precisamos oferecer esperança. A vida não pulsa sem motivação e sem fé num futuro melhor.

Na luta em defesa do companheiro Lula, vivendo o dia-a-dia do acampamento em Curitiba, no meio de tanta dificuldade e perseguição que temos passado, pude sentir uma força e energia intensa que só ocorre quando estamos unidos em prol de algo maior. Dessa união, saí com a certeza de que o PT sairá fortalecido de todo este processo histórico que vivemos.

Sábado decidiremos sobre os candidatos majoritários do Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina, respeito muito a trajetória de todos postulantes, mas com tudo que tenho acumulado nos meus 20 anos de militância, acredito ser uma opção real de renovação no partido e por isso gostaria de contar com seu apoio.

Seguimos juntos.

Sou Carlos Eduardo de Souza, mais conhecido como Cadu!

#TamoJuntoCadu
#RenovaçãoMilitante
#CaduSenador
#LulaLivre

Agroecologia popular e camponesa: a chave para acabar com a fome no mundo

Dia Internacional da Agricultura Familiar

25 de julho, Dia Internacional da Agricultura Familiar, será comemorado por organizações que constroem a agroecologia.

Qualificar a agroecologia como Popular e Camponesa, pode ser redundante e repetitivo, mas, neste caso, muito necessário para falar de uma perspectiva da agroecologia que movimentos sociais, organizações da sociedade civil, camponesas, indígenas, pescadoras, extrativistas e muitos outros grupos vêm construindo dia a dia com seu enfrentamento ao sistema agroalimentar dominante no mundo. Muito mais que um conjunto de práticas agrícolas para produção de alimentos, a agroecologia é política, incluindo os aspectos da soberania alimentar e do direito de camponeses e camponesas por todo o mundo.

“A fome é a expressão biológica de males sociológicos” esta frase de Josué de Castro, grande estudioso e ativista pernambucano que dedicou sua vida a estudar a fome, denuncia as raízes da fome no mundo, expondo que por trás de muitos discursos que justificam a existência dela, há uma intencionalidade política, seja pela concentração de terras, dinheiro, tecnologias e/ou poder político nas mãos de poucos.

Mesmo com toda esta concentração, hoje a agricultura camponesa produz 70% de toda a alimentação humana do planeta, utilizando apenas 25% dos recursos naturais para isto. Enquanto isso, no Brasil, o agronegócio possui apenas 15% dos estabelecimentos agrícolas e concentra 75% das terras, ou seja, “muita gente sem terra e muita terra sem gente”.

Dia 25 de julho é o dia internacional da agricultura familiar, e apesar de todos os esforços que temos feito, não temos muito a comemorar, pois o Brasil, que tinha saído do mapa da Fome em 2014, está prestes a voltar, por isso o Centro de Desenvolvimento Agroecológico  Sabiá, que neste mês de Julho também celebra seus 25 anos, está promovendo o Ocupe Campo & Cidade: não quero mais a fome em meu país, neste dia 25 no Pátio de São Pedro no Centro do Recife. O evento contará com uma grande feira agroecológica com alimentos de todo o estado, demonstrando a grande capacidade que  agricultura camponesa de base agroecológica tem de alimentar a população. Também teremos painéis com debates sobre Soberania Alimentar e Democracia e sobre a Produção de alimentos e a história da fome no Brasil.

Viva a Agroecologia! Viva a Agricultura Familiar! Viva o Centro Sabiá!

Por Carlos Magno M. Morai, do Brasil de Fato, é coordenador técnico-pedagógico do Centro Sabiá.

Confira 10 livros que o jornalista não pode deixar de ler

Livro A Arte da Composição da editor iPhoto

Faz parte da profissão do jornalista ler, ler e ler. Mas sempre há livros que não podem deixar de constar na nossa biblioteca de conhecimento pessoal. Ainda que a relação renove de tempos em tempos, alguns livros constam em muitas delas. “A Sangue Frio”, de Truman Capote, e “Chatô, o Rei do Brasil” são dois exemplos que podemos citar.

Aqui vai a lista de 10 livros indicados pela jornalista Paula Cunha, que também é palestrante e especialista em cinema, a pedido do Portal Imprensa.

A Sangue Frio – Truman Capote

 

Polêmico trabalho jornalístico do autor, que ao ler sobre os assassinatos que dois jovens, Richard Hickcock e Perry Smith, cometeram na cidade norte-americana de Holcomb, os entrevistou e acompanhou do julgamento até a condenação à morte dos dois por enforcamento. O relato da origem das vítimas e dos réus é minucioso, bem como dos vizinhos e da vida na pequena cidade do Oeste do Kansas.

A frieza da narração é assustadora e as reações que provocaram foram igualmente devastadoras, pois Capote ultrapassou todos os limites éticos ao se envolver emocionalmente com um dos acusados, Smith. Transformado em livro, marcou o início do movimento New Journalism nos Estados Unidos e a criação do gênero romance reportagem.

Chatô, O Rei do Brasil – Fernando Morais

Fernando Morais traça um perfil brilhante de Assis Chateaubriand, considerado o imperador da mídia brasileira. Conta, sem endeusar o empresário, a criação do maior conglomerado de comunicação, com os Diários Associados à frente do grupo.

São muito bem lembradas as jogadas políticas, a rivalidade com outros jornalistas, principalmente com Samuel Wainer, os detalhes da fundação do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a iniciativa de trazer a televisão para o Brasil em 1950, com a inauguração da Rede Tupi.

 

Minha Razão de Viver – Samuel Wainer

Samuel Wainer conta com sinceridade o início da carreira, o apoio explícito a Getúlio Vargas, a fundação do jornal Última Hora, que revolucionou o jornalismo nos anos 1950 e como isso atraiu a ira de concorrentes como as famílias Marinho (O Globo) e Mesquita (O Estado de S.Paulo) e Assis Chateaubriand (Diários Associados), a rivalidade política com Carlos Lacerda, seu inimigo.

O livro é um retrato importante da consolidação da imprensa brasileira, seu envolvimento com a política e o golpe militar de 1964.

 

A Regra do Jogo – Cláudio Abramo

O jornalista Cláudio Abramo volta ao início de sua carreira e narra como contribuiu para a modernização dos principais jornais do País. Seu relacionamento com os proprietários dessas empresas e colegas é descrito com sinceridade.

Como bônus, há uma coletânea de artigos que analisam diversas fases da política brasileira até a sua morte em 1987.

 

 

 

Os Sertões – Euclides da Cunha

Euclides da Cunha publicou o livro sobre a Guerra de Canudos em 1902. Ele é o resultado do trabalho do autor como correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” durante o conflito e se encaixa na categoria de livro-reportagem, que se utiliza ao mesmo tempo das prosas científica e artística.

Pertence à fase do pré-modernismo da literatura brasileira e, por isso, apresenta características de diversas escolas literárias como o Realismo e técnicas que antecipam o Modernismo. Pode ser considerada também uma obra de estudo sociológico, geográfico e histórico. Apresenta forte crítica social ao retratar as dificuldades dos sertanejos (“O sertanejo é, antes de tudo, um forte”) e a já histórica indiferença das elites brasileiras.

Todos os Homens do Presidente – Carl Bernstein e Bob Woodward 

Os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward narram todo o processo de investigação e apuração de informações da invasão do edifício Watergate, sede do Partido Democrata em Washington, capital dos Estados Unidos. O jornal onde trabalhavam, o Washington Post, liderou a corrida da elucidação do escândalo até a renúncia do presidente republicano Richard Nixon em agosto de 1974.

Repleto de fatos importantes que envolviam o contexto político da época e a respeito da busca pelas informações, a recusa de algumas fontes a oferecer informações e o envolvimento com o famoso informante do governo apelidado de Garganta Profunda (famoso filme pornográfico lançado no início da década de 1970), o livro também é recheado de histórias saborosas sobre as tentativas canhestras de Bernstein de falar espanhol com uma possível fonte do México, que provocavam a paralisação do trabalho na redação, já que todos os colegas queriam se divertir às custas dele.

A adaptação para o cinema omite esse clima, mas contribuiu para que um público maior conhecesse os detalhes dessa importante fase da vida política norte-americana.

Décadas Púrpuras – Tom Wolfe

Tom Wolfe, um dos fundadores do New Journalism nos Estados Unidos, aplica nesse livro todas as técnicas desse novo estilo jornalístico como a descrição literária de fatos apurados e dos diálogos com as fontes.

Apresenta um painel da cultura entre 1964 e 1981, com relatos instigantes dos mais variados grupos como surfistas, artistas e intelectuais do bairro novaiorquino do Village, empresários, estrelas de cinema e da música, entre outros.

 

 

Sem Lugar para se Esconder – Glenn Greenwal 

O ex-advogado e jornalista do The Guardian, Glenn Greenwald, publicou uma série de reportagens que relatava os métodos que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) utilizava para espionar não apenas os cidadãos e empresas dos Estados Unidos, mas também líderes políticos e habitantes de outros países, aliados ou não. Sua principal fonte foi Edward Snowden, ex-prestador de serviços à NSA.

O livro não se restringe a relatar os fatos e os detalhes dos contatos entre Greenwald e Snowden mas também analisa as consequências da invasão de privacidade em escala mundial para a democracia.

O Sequestro da América – Charles Ferguson

O escritor e diretor de documentários Charles Ferguson analisa com profundidade, obtida por meio de uma pesquisa exaustiva de dados, a lama em que o sistema financeiro dos Estados Unidos afundou e o vale-tudo desonesto em que se transformou após todas as medidas tomadas por sucessivos governos, republicanos e democratas, para desregulamentar e afrouxar o setor até eliminar todas as regras de atuação com o objetivo de beneficiar as elites do país. Todos esses desmandos resultaram na crise financeira de setembro de 2008.

O conteúdo do livro é um aprofundamento do documentário “Inside job”, que Ferguson lançou em 2010 e que recebeu o Oscar de melhor trabalho deste gênero.

As Ilusões Perdidas – Honoré de Balzac

Um dos romances mais famosos do autor francês, Honoré de Balzac, narra a vida e as decepções de Lucien de Rubempré, jovem aspirante a escritor, bem como de sua família durante a Revolução Francesa.

As críticas não se restringem à hipocrisia e dualidade da sociedade em geral e apresenta também uma visão sarcástica e demolidora do jornalismo praticado na época, descrito pelo autor como “a mais perversa forma de prostituição intelectual”. Não é preciso acrescentar mais nada sobre a sua importância.

 

Portal Imprensa

Vida do fotojornalista de guerra Chris Hondros é tema de novo documentário do Netflix

Chris Hondros é tema de novo documentário do Netflix

O trabalho do fotojornalista de guerra Chris Hondros, morto aos 41 anos, enquanto cobria a guerra civil na Líbia, em 2011, será retratado no documentário “Hondros”, da Netflix.

Conhecido e respeitado internacionalmente, Hondros ganhou dois prêmios Pulitzer com suas impactantes fotografias dos conflitos de Kosovo, Libéria, Iraque, Afeganistão e Líbia.

Hondros foi morto em Misurata onde também morreu Tim Hetherington (fotógrafo e documentarista). 

A dupla trabalhou junta acompanhando rebeldes que lutavam contra o exército do ditador Muammar Gaddafi. 

O documentário é dirigido por Greg Campbell, jornalista e amigo de infância de Hondros. Para retratar a sua trajetória, Campbell viajou para os locais onde Hondros trabalhou para conseguir relatos que mostram todo o seu legado.

Nascido em Fayetteville (Carolina do Norte), Hondros era formado em literatura inglesa. Depois de alguma experiência com jornalismo, acabou se mudando para atuar profissionalmente em Nova York em 1998. Lá ele cobriu os atentados de 11 de setembro, em 2001, depois partiu para a cobertura de conflitos na Europa, Oriente Médio e África.

Portal Imprensa

As razões pelas quais Cadu é melhor candidato ao Senado

Cadu Carlos Eduardo de Souza

Diante da imensa representatividade do companheiro Cadu na política catarinense destacamos as principais razões pelas quais Carlos Eduardo de Souza é melhor candidato ao Senado Federal do PT por Santa Catarina em 2018. Confira:

  1. A maioria dos eleitores não votam para senador porque são sempre os mesmo, políticos de carreira e não tem novidade, Cadu é novidade autêntica.
  2. PT já dediniu um dos candidatos ao senado que é Ledio Rosa, um outsider da política e pouco conhecido do partido. Cadu é conhecido internamente e por isso complementa a chapa e ajuda segurar os votos petistas.
  3. Apesar de pouca idade, 38 anos, Cadu tem um militância respeitada de 20 anos dentro do PT, foi lider estudantil, secretário estadual da juventude do PT de SC, candidato a vereador em Ilhota (2000) e em Floripa (2012 e 2016) ambas como segundo suplente com excelente votação exercendo mandato de vereador neste mandato em Floripa (2018).
  4. Cadu é im dirigente partidário respeitado,além de exercer vários cargos no PT de SC, conhece muito bem a base do partido, elegeu-se presidente municipal do PT da capital do estado disputando com quadros históricos e respeitados como Luci Choinacki e Baratieri e posteriormente reeleito presidente com ampla maioria de apoios.
  5. Cadu fez um trabalho excelente e exemplar na presidência do PT da capital, puxou os movimentos sociais contra golpe dese 2015, Floripa é um dos municípios com maior proporção de novos filiados, organizou núcleos de base e iniciou um projeto do pré vestibular alternativo para estudantes carentes, desde 2017, o que já é um sucesso.
  6. Cadu tem liderado as mobilizações Lula Livre, desde 24 de janeiro em Porto Alegre, organizou uma das maiores mobilizações da Caravana Lula em Floripa em 28 Março e depois tem se dedicado incansavelmente na organização do acampamento Marisa Letícia e mobilização de militantes em Curitiba.
  7. Cadu vem se destacando pela sua atuação em defesa da educação pública, universal e de qualidade, na formação politica de lideranças sindicais do Sinte, ma comissão de educação da Alesc, na construção da Conap e em todas as mobilizações e manifestações de professores e demais categorias do movimento sindical.
  8. Cadu representa ideias novas, sangue novo na política catarinense, um líder que vem de baixo e conquistou espaço com muito trabalho e persistência, passo a passo.
  9. Cadu representa a renovação dos quadros políticos do PT de SC, um jovem preparado, com firmeza ideológica pela esquerda, com carisma e capacidade de liderar.
  10. Cadu tem um discurso renovado, articulado, que traz esperança para encantar não apenas a juventude mas aqueles que estão descontentes com a política.

Cadu, pré-candidato ao Senado Federal por Santa Catarina

Cadu, pré-candidato ao Senado Federal por Santa Catarina

Assista ao vídeo, clique na imagem e conheça uma breve apresentação sobre Carlos Eduardo de Souza, o Cadu, com imagens e depoimentos de militantes e lideranças catarinenses que atestam a trajetória política e de luta de Cadu, em defesa do povo dos trabalhadores(as) brasileiros(as) e do povo de Santa Catarina. Convido a curtirem a página do Cadu no Facebook. Acesse ou clique no link www.facebook.com/tamojuntocadupt.

Eliminando muçulmanos

Índia pare de eliminar muçulmanos!

Índia: pare de eliminar muçulmanos!

Dentro de poucos dias, a Índia planeja eliminar até 7 milhões de muçulmanos da lista de “cidadãos” na região de Assam — tudo porque eles não falam a língua “certa” e rezam para o Deus “errado”. Famílias inteiras poderão ser separadas e deixadas para apodrecer em centros de detenção.

É assim que os genocídios podem começar. Foi exatamente como o pesadelo começou para os rohingya. Todo esse horror está se desenrolando longe dos holofotes — mas se soarmos o alarme bem alto pedindo para que o Secretário-geral da ONU e governos-chave intervenham, podemos evitar que este horror se concretize: Soe o Alarme.

O governo de Assam já está construindo um novo centro de detenção e preparando suas tropas de choque — tudo na surdina. O governo indiano alega estar apenas estar tomando medidas contra imigrantes ilegais de Bangladesh — a mesma desculpa do governo de Mianmar quando atacou os rohingya. Mas na realidade, isso se trata de uma perseguição a muçulmanos marginalizados e analfabetos que não possuem a documentação “adequada” — que por gerações, nunca tinham sido necessárias!

António Guterres, o Secretário-geral da ONU, comprometeu-se a lutar em nome daqueles que precisam. Ele disse: “Levantarei minha voz. Eu vou agir. Usarei meus direitos para defender os seus.” Agora, precisamos garantir que ele ele honre suas palavras, pois os muçulmanos bengaleses na Índia não tem ninguém, a não ser nós, que fale por eles na arena internacional. Assine a petição e juntos podemos evitar esse genocídio prestes a acontecer em Assam: Soe o Alarme.

A ascensão de um nacionalismo hindu violento na Índia está por detrás dessa política agressiva que deixará milhões de muçulmanos vulneráveis e apátridas. A história nos ensinou que esses movimentos não tem limite, a não ser que nós cidadãos, os estabeleçamos claramente. Vamos deixar claro quais limites não poderão ser ultrapassados em Assam e mostrar aos governos no mundo inteiro de que estamos de olho.

Com esperança e determinação, Emma, Nate, Ricken, Antonia, Flora, Alice, Wissam, Danny e todo o time da Avaaz.

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