Estados Unidos e Brasil: vulnerabilidade na segurança digital


Edward Snowden

Com os olhos fixos na transmissão da Copa do Mundo na Rússia, a população brasileira conforta-se em face de sua robustez futebolística perante países mais desenvolvidos e também ante governo nacional incapaz de recuperar a combalida economia após dois anos de rigorosa recessão e um de crescimento pífio.

Há dois decênios ao menos, o avanço tecnológico na área da computação possibilitou o acesso a dados pelas grandes potências de maneira inimaginável noutro tempo, embora parte das informações esteja disponível de modo espontâneo pelos próprios usuários das populares redes sociais, em sua maioria de origem norte-americana.

Desde meados da década de 50 do século passado, a parceria político-econômica entre Washington e empresas de grande porte funciona sem dificuldades, haja vista a necessidade de superar seus adversários, que estatais, quer privados. O encerramento da Guerra Fria não alteraria a colaboração próxima.

De toda forma, o Planalto protestou diante da Casa Branca ao final de 2013 sobre as denúncias acerca de espionagem cotidiana. Sem rivais militares ou ideológicos à altura, a despeito da justificativa de combate ao terrorismo integrista, a bisbilhotice governamental poderia auxiliar seu segmento privado, em especial em grandes contratos como o setor aéreo, por exemplo.

Tendo em vista tal possibilidade, a espia teria alcançado outrossim Alemanha e México, ao dirigir-se até seus mandatários Angela Merkel e Enrique Peña Nieto, a ser substituído em breve em função da vitória acachapante da oposição trabalhista.

De maneira oportuna, Vladimir Putin concedeu asilo ao norte-americano avalista das denúncias, Edward Snowden, ex-funcionário de uma prestadora de serviços à Agência de Segurança Nacional (NSA).

Segundo ele, a supervisão das comunicações globais pela burocracia estadunidense não se limitaria à preocupação com segurança apenas, porém, ao mercado também. Assim, a ideia comumente propalada no pós-Guerra Fria de que na economia predominaria o liberalismo não prosperaria. A defesa do interesse das corporações nacionais valeria sem ressalvas.

Chamou a atenção nas denúncias do expatriado estadunidense seu antigo grau de acesso a informações avaliadas como bastante restritas, em decorrência do alto grau do status dos monitorados – presidentes ou primeiros ministros.

Seria possível especular que dezenas de milhares de cidadãos daquele país teriam acesso a informes outrora reduzidos a pequeno número de autoridades: civis, servidores de carreira ou ‘terceirizados’ como o próprio Snowden, ou militares, com a inclusão dos de baixa patente como o soldado Bradley – hoje, Chelsea – Manning, preso por sete anos por violar a Lei de Espionagem de 1917.

Diante disso, a manutenção de confidencialidade, posto o acesso assaz amplo, seria muito difícil pela Casa Branca. Apesar da severidade da legislação local com a violação eventual de sigilo, vigiar isso ao correr dos anos seria complicado.

A despeito da gravidade do caso, Washington não demonstraria boa vontade em desculpar-se ou mesmo pormenorizar de forma reservada a Brasília o modo como a coleta de dados teria ocorrido e para qual fim, de sorte que se minimizasse o desgaste diplomático e, por conseguinte, se resguardasse a imagem da administração dos trabalhistas, frustrados com a postura dos democratas ao norte do continente.

Fonte – Por Virgílio Arraes, doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

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