Glifosato: Monsanto condenada a pagar 289 milhões de dólares

Glifosato

Dewayne Johnson, de 47 anos, tem um cancro em fase terminal devido à exposição continuada ao Roundup, um produto à base de glifosato, o herbicida mais vendido em Portugal. Ficou também provado que a Monsanto optou por ignorar os alertas para a perigosidade do seu produto.

Um tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos da América, condenou o gigante agroquímico norte-americano Monsanto a pagar 289 milhões de dólares por não ter informado o público sobre a perigosidade do herbicida Roundup, na origem de um cancro de Dewayne Johnson, um jardineiro estado-unidense.

Dewayne foi a primeira pessoa a levar a Monsanto a tribunal devido ao herbicida Roundup, tendo os jurados determinado que foi esse o produto que causou o seu cancro e que a empresa falhou a avisá-lo do elevado perigo para a saúde associado à exposição ao produto. Consideraram ainda que a Monsanto “agiu com maldade” ao ignorar repetidamente os alertas para o carácter cancerígeno do Roundup.

O jardineiro de 46 anos é vítima de um cancro em fase terminal após ter utilizado o herbicida Roundup durante vários anos. Dewayne Johnson sofre de linfoma de não-Hodgkin, um grupo de cancros no sangue. Segundo os seus médicos, pode ter apenas alguns meses de vida. Os seus advogados argumentaram que o gigante agroquímico tinha “lutado contra a ciência” durante largos anos e que perseguia académicos que falavam a respeito dos possíveis riscos do herbicida.

“Conseguimos finalmente apresentar ao júri os documentos internos da Monsanto que comprovam que esta tinha conhecimento há décadas que (…) o Roundup poderia causar cancro”, afirmou Brent Wisner, advogado de Dewayne Johnson numa declaração escrita. O advogado considera também que o veredicto envia “uma mensagem à Monsanto de que os seus anos de mentiras a respeito do Roundup chegaram ao fim e que devem pôr a segurança dos consumidores à frente dos seus lucros”.

A acusação apresentou em tribunal emails internos da Monsanto que comprovavam que a empresa ignorou de forma repetida os avisos de especialistas em relação à perigosidade da substância, privilegiando avaliações favoráveis e tendo ajudado a escrever projetos de investigação que recomendavam o seu uso continuado.

Este julgamento destacou-se também por ter sido a primeira vez que um juiz permitiu a apresentação de argumentos científicos por parte da acusação. A discussão centrou-se no glifosato, o herbicida mais utilizado em todo o mundo.

O herbicida Roundup está registado em cerca de 130 países. Porém, em 2015, a Organização Mundial de Saúde classificou o glifosato como sendo “provavelmente carcinogénico para humanos”.

Esquerda.net

Glifosato Roundup

Anúncios

Colômbia reconhece Palestina como “Estado livre, independente e soberano”

Palestina Livre

A decisão foi tomada pelo agora ex-presidente Juan Manuel Santos, a poucos dias de terminar o seu mandato. A Colômbia era o único país sul-americano que ainda não tinha reconhecido o Estado palestiniano.

“Estamos conscientes das dificuldades e do sofrimento que a população palestiniana tem enfrentado. Também reconhecemos que, para a construção gradual do seu Estado, a unidade da nação palestiniana é um imperativo, e esperamos que continuem a verificar-se as condições internas para superar os desafios que se apresentam no caminho”, lê-se na carta oficial, datada de 3 de agosto e assinada por María Ángela Holguín, então ministra de Relações Exteriores.

No comunicado, endereçado ao ministro de Relações Exteriores do Estado da Palestina, Riad Malki, o anterior executivo colombiano defende que “a negociação direta é a melhor maneira de chegar a uma solução duradoura e justa que permita a ambos os povos e Estados conviver de maneira pacífica”.

Iván Duque Márquez, o novo presidente da Colômbia, emitiu entretanto uma missiva na qual avança que “diante de possíveis omissões que poderiam depreender-se da forma como se deu esta decisão do antigo Governo, o [novo] Governo examinará cuidadosamente as suas implicações e agirá em conformidade com o direito internacional”.

Numa nota publicada esta quarta-feira, a embaixada palestiniana em Bogotá frisa que a decisão “é profundamente grata para o povo palestiniano e o seu Governo, que sempre viram a Colômbia e o seu povo como irmãos infatigáveis na procura pela paz. Essa fraternidade foi construída durante mais de um século e hoje vê-se materializada com uma das comunidades palestinianas mais numerosas de toda a América Latina”.

De acordo com a representação da Palestina na Colômbia, este reconhecimento resulta “de um profundo trabalho de aproximação entre os Governos colombiano e palestiniano, esforço que hoje dá seus frutos e que sem dúvida será fortalecido no futuro próximo para bem de ambos os povos”.

Já a Embaixada de Israel, afirmou-se “surpresa e decepcionada”, afirmando que está em causa “uma bofetada a um aliado fiel”.

“Pedimos ao atual governo colombiano que reverta a decisão do governo anterior, tomada nos últimos dias, e que constitui uma violação das nossas relações estreitas, da ampla cooperação em áreas e interesses vitais para ambos os povos”, lê-se no comunicado da embaixada israelita.

Esquerda.net

Palestina bandeira