Voltar a disputar sentidos, direções e propostas

Democracia em luta by dcvitti

Precisamos nos reerguer do tombo político. Desde aqui e agora, com ousadia e determinação, temos a longa e paciente tarefa de reconstrução de imaginários mobilizadores. Resistir é necessário, mas está longe de ser suficiente. Não podemos ficar simplesmente indignados diante do discurso autoritário de intolerância, violência e negação de direitos iguais de cidadania a todas e todos. Também não basta denunciar os riscos de grande destruição ecológica, com aprofundamento simultâneo da exclusão e da desigualdade social, e de uma ainda maior dependência econômica que está embutida no desenho da agenda ultra neoliberal do governo que será empossado em janeiro de 2019. Consolar-se com o fato que tal onda política se espalha na região e no mundo é ainda pior, pois é como resignar-se diante do possível desastre, precarização e barbárie que ameaçam a humanidade e a integridade do planeta como um todo.

O desafio é voltar a fazer política no sentido radical e profundo de disputa de visões e filosofias ativas sobre possibilidades e modos de nos organizar para viver em coletividade da forma mais inclusiva possível, sem discriminações ou exclusões, e no maior respeito à integridade do bem comum natural que nos dá a vida. Mas por onde recomeçar tal fazer cidadão da política? Por lá de onde nunca deveríamos ter deixado como lugar estratégico: a sociedade civil, berço real da democracia como processo transformador.

É no seio da sociedade civil que emergimos e agimos como sujeitos coletivos diversos de cidadania ativa. As vivências e percepções de relações sociais, prenhas de contradições e violações de direitos, em territórios e momentos históricos definidos, como experiências coletivas no cotidiano e na contemporaneidade, se tornam sementes do tecido social gerador de sujeitos coletivos de cidadania. Exatamente por isto, de uma perspectiva radical de democracia, a sociedade civil é o espaço fundamental para exercer nossa liberdade de pensar, propor e nos organizar para disputar e exercer o poder instituinte e constituinte de cidadania soberana popular sobre a nação comum. Nos movimentos sociais, que assim se formam, estão as principais fontes inspiradoras de visões e filosofias ativas, as forças centrais de grandes correntes políticas para democracias ecossociais transformadoras. Estou me referindo aos movimentos democráticos com imaginários irresistíveis capazes de transformar o Estado e a economia.

Uma espécie de desvio do foco de olhar prioridades do fazer política é como identifico o desafio que temos, como cidadania imbuída dos princípios e valores democráticos, diante da perda de vitalidade da nossa democracia conquistada trinta anos atrás, cuja institucionalidade está servindo até para nos levar a uma espécie de fascismo social, no nosso horizonte histórico concreto, legitimado pelo voto de outubro passado.  Estou propondo um voltar a fazer política tendo como fundamento uma concepção dos conflitos, gestados nas vivências e percepções das contradições de relações estruturais e processos sociais, como forças construtivas virtuosas da democracia, que tornam a cidadania ativa instituinte e constituinte de um poder estatal historicamente provisório e passível de mudança, de democratização da democracia. Isto se contrapõe a uma concepção autoritária de exclusão e criminalização dos conflitos pela força, de imposição de ditaduras e, até, de fascismos, como a história já mostrou. Para enfrentar isto, construir trincheiras de resistência, esperando que os negadores de direitos iguais de cidadania e de mais democracia se destruam pelas próprias contradições, está muito longe de ser a melhor estratégia e de bastar.

Fazer política como desafio de construir outro futuro com mais democracia é se engajar na disputa de hegemonia como proposta de ser e viver em conjunto, antes e acima de ser exercício do poder de gestão do Estado. Isto supõe disputa de idéias e imaginários no espaço público, inspirando-nos nas emergências e insurgências da cidadania. Precisamos, sim, reavaliar para transformar as profundas raízes coloniais de nossa formação, sobretudo o racismo, o patriarcalismo e a mercantilização da natureza como forças combinadas da colonialidade imposta pela civilização eurocêntrica do capitalismo. Ao mesmo tempo, temos que enfrentar a manifestação conjuntural de progressiva perda de intensidade e legitimidade da política e da própria democracia como possibilidades de lutar e transformar tal sistema, em sua forma globalizada, neoliberal e financeirizada, que nos está levando à barbárie como humanidade e como planeta.

Crônica de Cândido Grzybowski, sociólogo e presidente do Ibase.

Anúncios

Lula, preso político

#LulaLivre by dcvitti

O projeto de uma ínfima minoria do povo brasileiro, dos muito ricos, dos megainvestidores, das empresas estrangeiras, dos rentistas, dos grandes ruralistas, dos proprietários dos meios de comunicação de massa, dos grandes empresários, de alguns líderes religiosos, dos grandes banqueiros e de seus representantes na política, na mídia, no judiciário foram vencedores nessas eleições. Mas antes, precisaram prender Lula sem provas, caso contrário perderiam mais uma. O Juiz que mandou prender Lula virou ministro, a canalhice perdeu a vergonha. Para terminar o serviço, a cachorrada tentará manter Lula preso, e definitivamente seguir o plano entreguista de transformarem o Brasil num país de miseráveis.

Carlos Eduardo de Souza