Carta de Lula às Margaridas

Lula na Marcha das Margaridas

Queridas Margaridas,

Fiquei muito feliz em receber a carta de vocês, e saber que a Marcha das Margaridas segue forte, na luta por mais direitos e um Brasil mais justo para as mulheres do campo, das florestas e das águas.

Estávamos começando a construir um país melhor, com inclusão social, um país filho da democracia, da liberdade de pensar, de falar, de se organizar e escolher seus governantes. Um país onde nenhuma mãe teria o sofrimento de não ter o que dar para o seu filho comer. Onde a energia elétrica chegue em todas as casas. Onde quem quer trabalhar no campo tenha terra para plantar, apoio para a colheita e a venda dos frutos do seu trabalho. Onde as famílias tenham casa própria. Onde os jovens tenham oportunidade de estudar, de fazer uma faculdade ou um curso técnico. Onde as pessoas tenham oportunidade de emprego e vida digna. Onde as mulheres estejam protegidas da violência doméstica pela Lei Maria da Penha. Onde as pessoas possam sorrir.

Para cada objetivo desse, da dignidade que nossa Constituição promete ao nosso povo, criamos programas sociais, políticas públicas, ouvindo a população, movimentos sociais e especialistas. Bolsa Família, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, Reforma Agrária, Cisternas, Programa de Aquisição de Alimentos, apoio para cooperativas agrícolas e de extrativismo, Prouni e FIES, Brasil Sorridente, valorização do salário mínimo. Todos no mesmo sentido e objetivo: cuidar e promover a dignidade do povo brasileiro, nossa soberania, solidariedade, dignidade e independência.

Simples, não? Mas cuidar de quem precisa parece que incomoda certas pessoas.

Procuramos governar com a generosidade de uma mãe, que cuida de todos, protegendo os mais fracos. Agora o Brasil é governado pelo ódio e loucura daqueles que falam fino para os poderosos, mas fingem-se de valentes contra os indefesos.

Por isso mesmo eu quero muito cumprimentar a coragem verdadeira dessa marcha que leva as mulheres do campo para verem e serem vistas pelos poderosos de Brasília. Olhem bem para eles. E que eles enxerguem o povo da nossa terra a quem devem respeito, para quem deviam trabalhar e proteger a nossa soberania.

Queria estar com vocês mais uma vez na marcha. Será que outros presidentes que não os do PT marcharam com as mulheres do campo? Mas mesmo que eles coloquem paredes para me impedir de estar aí fisicamente, continuamos juntos, lado a lado, nessa marcha.

Esse momento difícil de hoje passará. Ele não é fim da nossa caminhada. Ele é apenas uma pausa na construção do Brasil que queremos: justo, com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência.

O povo brasileiro voltará a ser tratado com o respeito que merece. As mulheres da nossa terra voltarão a ter o respeito e carinho que merecem. O ódio não vencerá o amor. O medo não vencerá a esperança. A grosseria não vencerá a solidariedade.

Obrigado pelo abraço, pelo carinho. Sigamos em frente, sem medo de sermos felizes.

As margaridas chegaram e eles não tem como deter a primavera.

Viva as Margaridas!

Viva o Brasil!

Viva o Povo Brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva

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Carta da Marcha das Margaridas ao presidente Lula 🌻✊🏾

CARTA DA MARCHA DAS MARGARIDAS AO PRESIDENTE LULA

Querido Lula,

Alimentamos a esperança de que sua liberdade está próxima e lutaremos para que ela venha muito em breve. Sabemos que essa condenação e prisão injusta é uma vingança da elite brasileira contra o presidente que mais fez melhorar a qualidade de vida das pessoas pobres e transformou o Brasil em um país importante no cenário mundial.

Queremos contar que estamos preparando a 6° Marcha das Margaridas. É diante do grave contexto de ataques aos direitos conquistados, às instituições democráticas e de reforço à violência, ódio, sexismo, racismo e intolerância, que nós, as mulheres trabalhadoras do campo, da floresta e das águas, estamos em marcha fazendo ecoar o lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”.

Seremos 100 mil mulheres em Brasília nos dias 13 e 14 de agosto, lutando por democracia e justiça. Assim, estaremos nas ruas por sua liberdade e legado, Lula, afinal, como você mesmo nos falou: “eles jamais conseguirão deter a chegada da primavera”.

Lula, estamos de braços abertos para receber você livre e contamos contigo para conquistar mais dignidade e qualidade de vida para as mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade.

Por meio desta carta, nós, as Margaridas, queremos te envolver em um abraço carinhoso e fraterno, que te conforte frente às injustiças e ajude a trazer a paz que você merece.

Obrigada, sempre.

MAZÉ MORAIS
Secretária de Mulheres da CONTAG e Coordenadora da Marcha das Margaridas 2019

Brasília/DF, 7 de agosto de 2019
#DefendamLulaUrgente
#LulaLivre
#marchadasmargaridas

Seguro de equipamento fotográfico, é caro? Como funciona?

Dialison Cleber Vitti fotografia

Tudo o que você precisa saber sobre seguro de equipamentos fotográficos.

Se há uma recomendação a ser feita aos fotógrafos com certeza é o seguro de equipamento, coisa que muitos dos profissionais só pensam depois que algo (infelizmente) acontece. Mas todo o carinho que temos pela fotografia e pelo nosso equipamento precisam ser repassados também nesse sentido. Como nós sabemos que é sempre bom ouvir a opinião de algum amigo aqui estamos nós explicando tudo o que você precisa saber.

Quanto tempo é o seguro?
Pode ser de um ano, mas há planos de 3 meses.

E a nota fiscal?
Não precisa de nota fiscal, o seguro é realizado por meio de fotografia dos equipamentos e dos números de série.

Qual o valor? Vale a pena?
O seguro pode ter uma variação na taxa de 4,7% a 11% do valor do equipamento, dependendo da seguradora e o parcelamento pode ser de 4x sem juros e até 10x.

O seguro vale para território nacional e internacional?
Existem para os dois. O básico é para cobertura a nível nacional mas se você preferir pode realizar um seguro internacional.

Quais são as coberturas do seguro?
Roubo, furto qualificado, danos físicos, elétricos, por água, tumulto, atos dolosos e até de equipamento reserva. Tudo depende da sua escolha na hora de realizar o seguro.

Fui roubado, o valor retorna integral?
Na maioria das vezes sim! Mas é preciso estar ciente de que as vezes o valor de retorno pode vir um pouco menor se o valor contratado estiver acima do valor de mercado, mas isso é raro. A indenização é feita por crédito em conta corrente nunca por reposição de equipamento.

Como funciona o equipamento reserva?
Em caso de roubo, furto qualificado ou sinistro de danos como quebra/conserto você recebe uma verba para alugar equipamento enquanto aguarda a indenização.

Mas a minha cidade não tem locadora de equipamentos…
Relaxa, a seguradora Fotoseg tá aqui pra te ajudar. Ela tem parceria com diversas locadoras em várias cidades que podem enviar para a sua caso seja necessário.

Minha câmera caiu e quebrou, e agora?
Leve seu equipamento a uma assistência técnica e solicite um laudo/orçamento. Depois é só encaminhá-lo para a área de sinistro da Fotoseg e aguardar o retorno.

Tenho um drone, dá pra fazer seguro?
Dá sim! Existem 3 tipos de seguro para drones. Um apenas para roubo, outro é um seguro completo, e o RETA que cobre danos a terceiros e atende a legislação da ANAC, que obriga quem tem drone para uso profissional usar um seguro.

O seguro também vale para notebook/celular/tablet?
Em alguns casos sim! Confira pelo telefone 11 – 95328- 6502 ou 11 – 93803-8301.

Ficou afim de fazer um seguro?
Entre em contato com a Fotoseg: Telefone: (11) 3731-3465 | (11) 2387-9121 ou faça uma cotação pelo site da Fotoseg (www.fotoseg.com.br), por WhatsApp (11 95328-6502 e 11 93803-8301), e-mail (seguros@fotoseg.com.br), baixando o aplicativo nas lojas App Store ou Google Play, ou pelo telefone (11 2387-9121).

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A fome é real: nota do Ibase sobre a declaração de Jair Bolsonaro

A fome é real: nota do Ibase sobre a declaração de Jair Bolsonaro

A declaração do Presidente Jair Bolsonaro em que afirma ser mentira haver quem passe fome no Brasil mostra um total desconhecimento do cotidiano de boa parte da população brasileira. Apesar de sermos um dos maiores produtores de alimentos no mundo, nosso país ainda carrega uma realidade bastante dramática quando o assunto é a fome e a extrema pobreza.

Dados levantados pelo Relatório Luz da Agenda 2030, do ano passado, já mostravam o aumento do número de pessoas vivendo em situação de pobreza no Brasil, nos levando a patamares de 12 anos atrás, com mais de 10 milhões de brasileiros nessa condição. Um quadro diretamente ligado à fome e que é agravado com o desmonte de políticas públicas de transferência de renda. Dados mais recentes sobre segurança e insegurança alimentar no Brasil ainda não foram liberados para divulgação pelo Governo.

O fim de espaços de participação da sociedade civil para o monitoramento e a acompanhamento da situação da segurança alimentar no país é mais um fato que demonstra o quanto a comida que chega (ou não) à mesa do brasileiro não está entre as preocupações mais urgentes da atual gestão federal. Depois de ter sido recriado pelo Congresso, o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) foi extinto novamente por Jair Bolsonaro, agora com força de lei.

Como organização que, historicamente, tem a luta contra a fome e pela segurança alimentar em sua pauta, o Ibase acredita que é preciso que o Governo Federal trabalhe para a geração de renda e emprego aos brasileiros, com inclusão social e equidade de direitos, além de fortalecer os espaços de participação para que a sociedade civil tenha mais voz nas decisões que afetam a todas e a todos. Fechar os olhos para a realidade do país não irá fazer com que os problemas desapareçam. E, como diria Herbert de Souza, fundador do Ibase, quem tem fome, tem pressa.

Utopia e Resistência: Desafios do PT e da Esquerda no Século XXI

Lula Livre

A partir da resistência e da militância, colocamos o objetivo fundamental de resgatar e atualizar o melhor dos nossos compromissos socialistas de transformação social.

Entre os dias 12 e 14 de abril de 2019, cerca de 400 militantes petistas de 19 estados do Brasil participamos em Brasília do seminário “UTOPIA E RESISTÊNCIA: O PT E OS DESAFIOS DA ESQUERDA NO SÉCULO XXI”, organizado pela Resistência Socialista e pela Militância Socialista, correntes internas do PT.

Com dezenas de outros companheiros e companheiras que acompanharam parte de nossos trabalhos pela Internet, abrimos um importante espaço de diálogo entre experiências de luta e resistência ao avanço do ultraliberalismo econômico, do autoritarismo político e da regressão civilizatória dos direitos humanos que marcam a hegemonia do capital financeiro e de seus agentes transnacionais e nacionais nesse momento de nossa história.

A partir dessa resistência e dessa militância, nos colocamos o objetivo fundamental de resgatar e atualizar o melhor dos nossos compromissos socialistas de transformação social do Brasil e de construção de um novo mundo, possível, urgente e necessário. E o fazemos nos  marcos da preparação do 7º Congresso Nacional do PT, convocado para novembro de 2019, e da grande tarefa de organizar novas estratégias para um Partido que em fevereiro de 2020 celebrará seus 40 anos de vida e segue sendo a principal força de esquerda do Brasil e do nosso continente.

Nessas quatro décadas de fecunda construção, o PT se encontra hoje, mais uma vez, diante de encruzilhadas que definirão seu futuro como partido.

O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras se constituiu, ao nascer, num fato político e cultural ao mesmo tempo, inovador tanto em relação ao sistema político brasileiro de então quanto às experiências organizativas da esquerda mundial. Político porque deu forma e força à ação coletiva dos assalariados do país e se credenciou para disputar os rumos da sociedade; cultural porque trouxe consigo a herança das lutas do movimento operário do Brasil e do mundo, a potência das assembleias sindicais e das mobilizações dos trabalhadores para oxigenar o sistema político, um ambiente até então privativo das classes dominantes onde se tomavam as decisões sobre os destinos do país.

A reconstrução da democracia no Brasil é inseparável da trajetória do Partido dos Trabalhadores. A potência transformadora que acumulou sob a condução da maior liderança popular da História do Brasil – Luís InácioLula da Silva – e a proposta de um Programa Democrático e Popular de desenvolvimento para o país levaram o PT, 22 anos depois de sua fundação, a conquistar a Presidência da República.

Na sua trajetória até conquistar o governo central, em 2002, o Partido dos Trabalhadores foi pagando o preço da reprodução, nas condições históricas brasileiras, de crises identificadas em partidos de origem operária de outros lugares do mundo que definiram sua estratégia de luta dentro dos marcos da institucionalidade liberal-burguesa.

Um paradoxo se estabeleceu. Conquistamos mandatos e governos, expandimos nossa influência eleitoral e social sobre milhões de brasileiros e brasileiras, assistimos ao fortalecimento do lulismo como fenômeno político de larga densidade e enraizamento, realizamos políticas públicas e transformações sociais delas decorrentes de inegável alcance na sociedade brasileira e reconhecimento internacional.

Ao mesmo tempo, vivenciamos no PT o afastamento de nossas bases sociais originais; as concessões táticas e programáticas na definição das alianças eleitorais; o baixo investimento na formação de seus quadros militantes a partir dos valores socialistas e democráticos que defendia. A burocratização e o esvaziamento das instâncias partidárias, num momento de crise dos movimentos sociais dos trabalhadores, fez com que o peso das decisões partidárias se deslocasse das lutas sociais para os mandatos parlamentares e executivos que o Partido conquistava.

As características anti-sistêmicas de nossa fundação e construção inicial foram se diluindo numa adequação ao sistema político que viemos para transformar. O financiamento da política e das campanhas eleitorais pelo grande capital estabeleceu laços que nos levaram a erros estratégicos e táticos e a uma dependência do capital intolerável num partido socialista.

O terreno da institucionalidade passou a ser, cada vez mais, o lugar social a partir do qual o PT elaborou sua estratégia e resoluções. Essa acomodação ao sistema político contra o qual nos insurgimos na criação do PT e aos seus métodos de governabilidade e disputa eleitoral nos impediu de ver o chão da sociedade brasileira e os rumos da luta de classes se alterarem radicalmente neste novo milênio.

Paralelamente aos avanços sociais e políticos alcançados por nossos governos, compartilhados com governos de esquerda e centro-esquerda da América Latina e de nossas alianças com a África e os BRICS, a crise internacional do capital de 2008 e a violenta reação do capital financeiro aos seus efeitos, agudizaram a disputa por recursos naturais, áreas de influência e patrimônios públicos disponíveis.

A descoberta do pré-sal e o fortalecimento de nossas relações econômicas e políticas no hemisfério sul, com a China, a Índia e a Rússia, tornaram o Brasil a bola da vez para o desmonte dessa potencial frente de conflito com os interesses do imperialismo norte-americano e do capital financeiro. A desestabilização econômica e política dos governos latino-americanos e o golpe institucional substituíram a disputa eleitoral como forma de assegurar o poder político às elites internacionais e seus associados em nossa região.

O fim de um longo período de conciliação de interesses de classe contraditórios em nossos governos nos encontrou fragilizados e  despreparados, para um novo e prolongado ciclo de lutas. Não só o PT se encontrava enfraquecido. O movimento sindical, os movimentos sociais, as Igrejas progressistas, também se adequaram àquela estratégia institucional e foram incapazes, como o PT e os partidos de esquerda, de erguer uma resistência de massas ao Golpe de 2016 efetiva o suficiente para detê-lo e impedir a avalanche de derrotas dele decorrentes. A manipulação de amplas massas a partir das mentiras veiculadas por comunicadores de massa, Igrejas conservadoras e redes sociais foi importante não só no processo do golpe como se repetiram, mais recentemente, na fraude eleitoral de 2018 e na vitória do atual governo.

Foi a maior derrota estratégica sofrida pelo PT em sua história, e de enormes repercussões na esquerda mundial e na correlação de forças internacionais. Dilma foi deposta, a agenda neoliberal avançou com Temer com a reforma trabalhista e o desmonte progressivo de nossas políticas públicas de inclusão social. Lula foi injustamente encarcerado e mantido fora da disputa eleitoral e um governo de extrema direita foi eleito na esteira da fraude do processo político e eleitoral de 2018.

Neste momento de maior dramaticidade de nossa história de 40 anos de luta e organização do PT, no entanto, páginas heróicas da resistência foram escritas pelos movimentos sociais e pelo partido e demonstram que estamos longe do aniquilamento desejado por nossos adversários.

Ainda que de forma insuficiente, a resistência ao Golpe mobilizou milhões de pessoas em todo o país, identificadas com a defesa do nosso legado e a defesa da democracia. Movimentos de massa se manifestaram, entre eles, o mais expressivo: a Greve Geral de 2017. Os movimentos de Mulheres assumiram forte protagonismo nas ruas, do “Fora Cunha” ao “Não Vai Ter Golpe”, das Marchas das Margaridas à Marcha das Mulheres Negras, do “Nenhum Direito a Menos” ao “Ele Não”. Fortaleceram-se as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, bem como o diálogo e a unidade de ação entre elas. Juventudes de várias origens munidas de novas expressões culturais voltaram a dar uma cara revigorada às tradicionais manifestações de rua de uma esquerda culturalmente envelhecida, como verificamos na explosão das ocupações de escola por todo o país realizadas pelos secundaristas. A campanha em defesa da candidatura de Lula e a bandeira “Lula Livre” foram decisivas para ampliar no processo eleitoral de 2018 a denúncia do Golpe e do caráter de exceção do atual regime.

O PT foi ao mesmo tempo sujeito e objeto desse processo. Um marco na vida partidária foi com certeza o nosso 6º Congresso Nacional. Convocado pela maioria partidária após um longo processo de luta interna em que as forças minoritárias da esquerda petista, unificadas no movimento “Muda PT”, cumpriram papel determinante, o 6º Congresso significou um giro à esquerda do nosso Partido. Construiu, com forte unidade o enfrentamento ao governo de Temer e a recomposição de uma frente de luta de massas contra a agenda ultraliberal e o autoritarismo.

Esse processo não se deu sem tensões e dilemas. As denúncias de irregularidades no PED em edições anteriores, muitas das quais presentes na política brasileira desde    a República Velha, também se fizeram realidade na sua preparação. Como decidiu o 6º Congresso, elas precisam ser apuradas e banidas de nossa construção. Num ambiente de lisura e democracia plena, os avanços do nosso 6º Congresso seriam consideravelmente maiores.

Um ar fresco de renovação e esperança correu por dentro do PT, mesmo nesse cenário tão dramático. No limite, a imposição da agenda de Temer e de Bolsonaro ao povo brasileiro passa pela destruição da esquerda política e social e de seu pólo mais destacado, o PT. O Golpe de 2016 e as derrotas eleitorais de 2016 e 2018 impuseram a diminuição dos espaços institucionais que detínhamos até então e nos empurraram, por convicção ou pela imposição da realidade, à necessidade de definir uma nova estratégia.

Aí está o desafio do nosso 7º Congresso!

Consolidar o giro do PT à esquerda, ampliar nossa unidade com as forças da resistência democrática, reorganizar nossa estratégia, rever nossos erros e realçar nossas virtudes numa contra-ofensiva ao condomínio político, judicial, militar, empresarial, religioso e midiático que dirige hoje o país no interesse dos Estados Unidos como potência hegemônica e do capital financeiro transnacional.

Parte desses objetivos estavam presentes e não foram alcançados no 6º Congresso. Mas estão ao alcance de nossas mãos e vontades coletivas nesse novo momento da luta de classes que vivemos. Por dentro e por fora, o PT está mudando, e precisa mudar ainda mais, para voltar a ser uma inspiração de milhões na luta anti-capitalista, democrática e popular.

Um PT socialista, capaz de apresentar uma utopia que organize os desejos de milhões de trabalhadores e trabalhadoras dessa nova configuração de classe que nos desafia. Um PT feminista e libertário na luta contra o patriarcado pelos direitos das mulheres, pela igualdade de gêneros e pelos direitos LGBTs. Um PT radicalmente anti-racista, que subverta essa herança maldita do escravismo que marca ainda hoje a formação social brasileira. Um PT ambientalista, que denuncie a indústria do veneno e coloque a defesa da Casa Comum ameaçada pela voracidade do capital no centro de um projeto nacional de desenvolvimento humano e social.

Um PT capaz de reencantar a militância que o construiu e de se renovar geracionalmente, com a apresentação de valores e expressões culturais pelos quais as juventudes se engajem com a generosidade e combatividade que ainda nos faltam nesse momento de nossa construção partidária.

Um PT que incorpore novamente bandeiras anti-sistêmicas capazes de questionar radicalmente o sistema político vigente, elitista, autoritário, que despreza a democracia e a participação popular, refém de instituições e Poderes da República que não se reformaram nem se permitem reformar sem intensa pressão popular.

Nós, que atendemos ao convite da Resistência Socialista e da Militância Socialista e acorremos a esse seminário, queremos ser sujeitos desse processo. Reafirmamos aqui nossa esperança e nosso engajamento na luta pela derrota dos golpistas, pela liberdade de Lula, pela defesa dos direitos do povo, da soberania de nossa Nação e na reconquista da democracia.

Reafirmamos aqui nossa disposição de fazer do PT um instrumento renovado e eficaz para a defesa do socialismo como projeto histórico, de uma estratégia que impulsione as lutas do povo como elemento central para o avanço desse projeto e que construa espaços institucionais de outra natureza, de caráter verdadeiramente democrático e popular.

Reafirmamos nosso compromisso de lutar contra toda forma de autoritarismo e opressão, de classe, de gênero, racial, geracional, regional, dessa elite que não tem limites na afirmação de seus privilégios e discriminação da classe trabalhadora e do povo pobre.

E anunciamos nossa disposição de construirmos juntos uma nova força da esquerda petista que, baseada nesses objetivos e ombreada com todos os companheiros e companheiras deles imbuídos, queiram fazer do 7º Congresso e da nova direção do Partido nele eleita, novos passos dessa caminhada longa por um Brasil inclusivo, democrático e socialista.

Uma nova cultura de construção partidária, radicalmente democrática e participativa, é urgente e necessária. Uma nova linha política não será alcançada sem a mudança dos métodos que adotamos para construí-la. Democracia, ética, generosidade, solidariedade, participação popular, soberania popular, amplo debate, auto-sustentação financeira, formação política permanente, são valores presentes na vida partidária que precisam se tornar majoritários e permanentes. Forma e conteúdo, num partido socialista, precisam ser indissociáveis para forjar corações e mentes, práticas sociais e políticas compatíveis com nossos objetivos estratégicos. Os eixos que defendemos para o PT queremos vivê-los, desde já, na nossa prática cotidiana de construção partidária e da tendência que começa a nascer.

A Resistência Socialista, a Militância Socialista, correntes regionais e coletivos partidários aqui reunidos, iniciarão um processo de conferências conjuntas preparatórias para uma Conferência Nacional comum, com base no documento que será elaborado a partir dos debates desse Seminário Nacional com  vistas ao debate da nova corrente que se constituirá no campo da esquerda petista e convidam você a participar desse momento rico de efervescência da elaboração interna do PT a juntar-se a nós nessa construção!

Viva o Partido dos Trabalhadores!
Viva a luta da classe trabalhadora, no Brasil e no mundo!
Lula Livre! Ninguém solta a mão de ninguém!
Pátria livre, venceremos!

Resistência Socialista
Militância Socialista
Participantes do Seminário “Utopia e Resistência: o PT e os desafios da esquerda do século XXI”

Por Resistência Socialista e Militância Socialista

Os pastores progressistas dispostos a discutir tabus

Os pastores progressistas dispostos a discutir tabus

É preciso parar de policiar corpos e atitudes morais, e anunciar um novo tempo em que a miséria e as desigualdades sociais sejam combatidas.

Logo da CartaCapitalNo bairro Barreirinha, na zona norte de Curitiba, o teólogo Mike Rodrigo Vieira, de 37 anos, sobe ao púlpito para mais um culto na comunidade Congrega Church. Em sua quase totalidade, o público é formado por jovens, adolescentes e crianças da classe média baixa. “São filhos de operários, donas de casa, desempregados. Nossa visão na igreja é, acima de tudo, inclusiva. A juventude quer e precisa ser ouvida para discutir seus dilemas e dividir seus medos. Não podemos desampará-los”, explica Mike.

Com treinamento missionário pela Steiger Missions School, na Alemanha, ele percebeu essa necessidade convivendo com comunidades periféricas em países do Leste Europeu, como Albânia, Kosovo e Hungria. Depois, percorreu o caminho de Che Guevara pela América Latina, retratado no filme Diários de Motocicleta. “A desigualdade que vi me chocou profundamente”, comenta Vieira. Mas foi na Nova Zelândia, evangelizando skatistas, que começou sua missão. “Senti que precisava fazer alguma coisa. Deixei o jornalismo para me dedicar em tempo integral aos jovens de periferias”, diz o hoje pastor, sempre combativo na defesa de bandeiras progressistas.

Drogas, homossexualidade, feminicídio, violência doméstica e nas ruas, aborto… Nenhum tema é tabu. Esses assuntos, sustenta Mike, precisam ser debatidos e vistos à luz do Evangelho, principalmente em uma sociedade que está cada dia mais em movimento. “Minha postura como cristão é não ficar em silêncio, mas agir em defesa dos mais necessitados. Nas igrejas, a onda contra movimentos LGBTs, por exemplo, nasceu de uma cultura fomentada por cristãos fundamentalistas e os ‘cidadãos de bem’ destas comunidades”. A igreja, emenda, precisa sair das quatro paredes, das clausuras, e entender que existe um mundo real. “Esse isolamento tem gerado cristãos desconectados da realidade social. Não percebem que assim se afastam da missão de Cristo, que é promover o amor ao próximo, a paz e a justiça”.

Em Niteróina Região Metropolitana do Rio de Janeiro, distante 850 quilômetros da capital paranaense, o pastor Henrique Vieira, de 30 anos, líder da Igreja Batista do Caminho, vive dilemas semelhantes. “Todos esses temas devem ser alvo de reflexão crítica e debate”. Para ele, são os setores fundamentalistas das igrejas que interditam o pensamento progressista, estimulam um ambiente de aversão à diversidade e ao debate fraterno de ideias. “Quem pensa diferente de certos líderes religiosos é rechaçado. Tratam de demonizar a dúvida e exaltar uma fé acrítica”, lamenta.

Sem laços de parentesco, ambos os Vieira defendem abertamente a descriminalização do aborto, por exemplo. “A proibição não inibe a prática, apenas resulta em um número enorme de mortes de mulheres, especialmente pobres e negras. A criminalização afasta o diálogo, gera medo e faz com que as mulheres muitas vezes tomem decisões precipitadas”, diz o curitibano Mike. O colega fluminense concorda. Ser favorável à descriminalização não significa o apoio ao procedimento, mas sim em buscar uma política pública que seja mais humana e acolhedora. “Tratar as mulheres que abortam como criminosas só gera um ambiente de culpa, medo, angústia, silêncio e morte. A descriminalização do aborto, portanto, é pela vida”.

Colunista do site Mídia Ninja, ativo nas redes sociais, Henrique Vieira não teme debater com milhares de seguidores sobre temas ousados, como o “LGBTfobia e o pecado”. “Por que o amor incomoda? Por que o afeto entre pessoas incomoda? Como discípulo de Jesus não posso ficar em silêncio diante de tanta violência com os LGBTs. Entendo que pecado é ausência de amor, é eliminar pessoas, é nutrir uma moral insensível. LGBTfobia mata a vida, em vida. Sejamos servos do amor, assim seremos livres de tudo!”, publicou recentemente em sua página no Facebook, com mais de 113 mil seguidores.

Ao contrário do que parece, não são apenas os pastores mais jovens que adotam posturas progressistas entre os mais de 42 milhões de brasileiros que se consideram “evangélicos”, segundo dados do IBGE. Hermes Fernandes, 50 anos, psicólogo, escritor e pastor, líder da Comunidade Reina, em Engenho Novo, no Rio de Janeiro, defende a descriminalização das drogas, do aborto, os direitos dos homossexuais e a regulamentação do trabalho das prostitutas. Para ele, tais questões não podem ser mantidas na penumbra, varridas para debaixo do tapete dos falsos escrúpulos e da religiosidade de fachada. “Um cristão comprometido com as demandas do evangelho jamais seria favorável à prostituição, mas não pode fazer vista grossa ao sofrimento desumano do qual prostitutas são vítimas nas ruas de nossas cidades”.

Fernandes apoia as pesquisas com células-tronco embrionárias, opõe-se à redução da maioridade penal e é defensor incondicional do Estado laico. “Martinho Lutero dizia que o Estado e a Igreja seriam os dois braços de Deus no mundo. Um seria o braço da lei. Outro, o braço da graça. Para que ambos sejam eficientes, devem manter-se em seus respectivos escopos de atuação”, explica.

Para o pastor, é indispensável assegurar a liberdade de culto, de forma que nenhuma fé exerça primazia sobre as demais. “Quando me deparo com grupos de umbandistas, em vez de criticá-los, enalteço-os pelo direito de viver em um país onde isso ainda é possível”, diz Fernandes. “Embora discorde teologicamente, não posso me esquecer que sou contemplado com a mesma liberdade que lhes é garantida pelo Estado”.

Após três décadas de experiência missionária, Fernandes acredita que a homossexualidade nas comunidades religiosas é “muito maior do que se possa imaginar”. No entanto, a quase totalidade dessas pessoas prefere se manter velada, temerosa de ser descoberta, exposta e excluída da comunidade. Por isso, condena o preconceito das lideranças, por vezes responsáveis pelo sofrimento emocional, depressão e até mesmo o suicídio de fiéis. “Trata-se de uma verdadeira tortura. As pessoas são submetidas a ritos de ‘exorcismo’, impedidas de participar de atividades e até expulsas da igreja ou de casa”.

O líder da Comunidade Reina considera o aborto uma questão de saúde pública e defende o direito de as mulheres terem um atendimento que não coloque em risco suas vidas. “Sou e sempre serei contra o aborto. Mas também sou e sempre serei contra a hipocrisia com que tratamos temas morais como este, fazendo vista grossa a milhares de mulheres que perdem suas vidas ou são tratadas como criminosas por interromperem uma gestação indesejada”.

Claudio Ribeiro, de 56 anos, serviu como pastor durante quase duas décadas na Igreja Metodista, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Para ele, as críticas exacerbadas das lideranças conservadoras fazem com que as mulheres que se submeteram a um aborto carreguem o peso da culpa pelo resto de suas vidas. “Ouvi o relato de muitas mulheres. Trazem consigo um enorme dilema emocional. Não encontram nas igrejas o refúgio, a paz e a busca pelo perdã.”. Como pastor, Ribeiro diz que sua missão é mostrar que existe sempre o “amor e a misericórdia de Deus na vida de todas as pessoas”.

Para esta parcela progressista, os grupos conservadores foram tragados pelo evangelho made in USA, que coloca o lucro e a propriedade privada acima da justiça social, os bens de consumo acima do ser humano, a moral acima da ética e os dogmas religiosos acima da ciência. “Precisamos de uma teologia que surja do nosso próprio contexto social, que considere nossas demandas e nos desafie a responder às questões que inquietam nossa harmonia social”, observa Fernandes.

Lusmarina Campos Garciateóloga e jurista, mestre e doutoranda em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, classifica o modelo neopentecostal como político-mercadológico, que adota a lógica do capital, da competição, do acúmulo, do enriquecimento e de poder. “Trata-se de uma lógica expansiva: quanto mais tem, mais procura ter. Nesse contexto, a busca incessante pelo poder transforma-se em desejo de domínio. É o que sucedeu com grande parte das igrejas evangélicas”.

As novas gerações de pastores, oriundos de seminários teológicos tradicionais, seguem o mesmo modelo e, por conseguinte, estão comprometidas com a agenda fundamentalista. Os que destoam são tachados de hereges, liberais, lançados na fogueira da nada santa inquisição cibernética. Discordar das lideranças tradicionais é pagar um alto preço. Mas existe uma parcela do segmento evangélico disposta a enfrentar essa realidade. Em tempos de mobilização das massas pelas redes sociais, há um movimento crescente de líderes e pensadores cristãos que tem abandonado o fundamentalismo estéril e abraçado um evangelho mais engajado e comprometido com as transformações sociais.

Hermes Fernandes sugere que as igrejas redescubram sua vocação primordial, que é “o exercício da misericórdia e a proclamação da justiça”. Para ele, é preciso parar de policiar corpos e atitudes morais, e anunciar um novo tempo em que a miséria e as desigualdades sociais sejam combatidas.

Carta Capital

Há 88 anos, as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil

Dia 24 de fevereiro - Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil

24 de fevereiro, Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil.

Depois de uma intensa campanha nacional levada por movimentos feministas, sociais e sindicais, o direito das mulheres de escolher seus representantes foi garantido em 24 de fevereiro de 1932. Hoje, na data, o Brasil comemora 88 anos da conquista do voto feminino.

Este foi um dos passos conquistados pelas mulheres para ocupar seu espaço no cenário político brasileiro.  A República Federativo do Brasil já foi presidida por uma mulher. Dilma Rousseff, foi eleita em 2010 e reeleita para um segundo mandato e desposta por um golpe, através do impeachment orquestrado pelo candidato derrotado nas eleições presidências de 2014. No país, temos apenas uma governadora, Fátima Bezerra do PT, eleita em 2018 para governar o estado do Rio Grande do Norte.

No Senado, sete mulheres foram eleitas em 2018 e bancada feminina que assumiu no dia primeiro de fevereiro de 2019 terá 12 mulher, nenhuma delas é catarinense. Na Câmara dos Deputados, os próximos quatro anos, 15% será ocupada por mulheres. O número ainda está bem abaixo do que a gente gostaria, mas já representa um avanço. Houve um aumento de 51% entre 2014 e 2018 e foram 77 mulheres eleitas na último eleição. Dos 16 catarinenses na Câmara dos Deputados 4 serão mulheres, Caroline de Toni, Geovânia de Sá, Angela Amin e Carmen Zanotto. Em Santa Catarina, o estado nunca teve uma mulher governadora, mas em 2018, elegeu-se Daniela Cristina Reinehr, a primeira vice-governadoranatural que é natural de Maravilha. A Assembleia Legislativa, dos 40 deputados estuais, apenas 4 são mulheres, entre elas, Ada de Luca, Ana Caroline Campagnolo, Marlene Fengler, Luciane Carminatti do PT e Paulinha. Em Ilhota, a prefeitura nunca teve uma mulher prefeita nem vice-prefeita em 60 anos de emancipação política.Já na Câmara de Vereadores, apenas duas mulheres ocuparam o parlamento municipal.

No entanto, a participação da mulher no cenário político ainda está longe de representa-las, especialmente no Legislativo e Executivo. O PT já estabeleceu a paridade de gênero como regra em seu estatuto e nestas eleições e estimula que mais mulheres e jovens participem desse processo tão importante na vida política do país.

[Vídeo] O escândalo dramático e sombrio que afoga o governo Bolsonaro

#EuApoioIntercept Um governo que começou com um escândalo de corrupção, envolvendo membros da família Bolsonaro em um esquema aparente de ‘rachadinha’ e de lavagem de dinheiro, agora se vê às voltas com milícias, assassinatos e violência, e levou o único membro LGBT do Congresso a fugir do país. Assista o relatório de Glenn Greenwald sobre como esse escândalo evoluiu e o que isso significa.

A serviço da The Intercept Brasil.

O fascismo, antes de ser um regime, é um ambiente político e cultural contaminado

Fascismo pelo mundo

Tenho refletido e escrito sobre a perda de vitalidade da democracia. Mas acho que agora já entramos num perigoso caminho de desconstrução da democracia, uma ameaça que vem na esteira do golpe do impeachment e se expressa hoje no nosso governo híbrido, civil-militar, com sua agenda antidireitos. Claro, a institucionalidade democrática formal está mantida até aqui, mas algo por dentro vem corroendo os princípios e valores éticos e políticos vitais da democracia: o respeito incondicional da liberdade de ser, pensar e agir, a busca da maior igualdade possível, com direito à diversidade, convivendo em solidariedade coletiva e baseando tudo em ativa participação cidadã. Tais princípios constituem o substrato de qualquer democracia com potencial de transformar contradições e divergências, de potencial destrutivo, em forças construtivas de sociedades mais livres e justas.

Hoje reconheço um vírus implantado em nosso seio que pode acabar com a democracia e nos levar ao fascismo como regime político. Estamos diante de sinais inequívocos de tal vírus no campo de idéias e valores que foram se revelando e se condensaram na vitória eleitoral e nas falas do presidente e de integrantes do governo empossado. A leitura de um discurso de Umberto Eco, de 24 de abril de 1995, na Universidade de Columbia, Nova York, publicado em espanhol por Bitacora, sob o título Los 14 síntomas del fascismo eterno, me inspirou. Segundo Eco, as características típicas do “Ur-Fascismo” ou “fascismo eterno” não se enquadram num sistema, “…mas basta com que uma delas esteja presente para fazer coagular uma nebulosa fascista”(em tradução livre). Vou lembrar aqui apenas alguns dos indícios do eterno fascismo que Eco aponta e que deixo aos leitores desta minha crônica identificar as suas expressões na realidade brasileira.

Culto da tradição – como se toda a verdade já estivesse revelada há muito tempo e o que precisamos é ser fiéis a ela. O tradicionalismo é uma espécie de cartilha na disputa de hegemonia fascista sobre corações e mentes. O pensamento do principal guru dos “donos do poder”, a pregação das igrejas pentecostais e as falas – quando dizem algo – são impregnados de uma veneração da verdade já revelada em escritos sagrados e de valores espirituais mais tradicionais do cristianismo. “Deus, pátria, família e propriedade”, com a força que estão de volta como pregação, não deixam dúvida. Fascismo e fundamentalismo sempre vêm juntos.

Repulsa ao modernismo – que leva a considerar as conquistas humanas em termos de direitos e de emancipação social como perversidades da ordem natural. Nega-se, em consequência, a racionalidade e, com ela, toda a ciência e a tecnologia. Não falta gente com tal forma de pensar no governo e seus seguidores. Para eles, direitos iguais são um absurdo. Mudança climática é uma “invenção de comunistas”. E por aí vai.

Culto da ação pela ação – fazer e agir, acima de tudo. Como diz Eco, para fascistas “pensar é uma forma de castração”. Daí a atitude de suspeita à cultura, pois é vista como algo crítico. Em consequência, todo mundo intelectual é suspeito. Ainda Eco, “O maior empenho dos intelectuais fascistas oficiais consistia em acusar a cultura moderna e a intelligentsia liberal de ter abandonado os valores tradicionais”.

Não aceitação do pensamento crítico – pensar criticamente é fazer distinções e isto é sinal de modernidade, pois o desacordo é base do avanço do conhecimento científico. O fascismo eterno considera a divergência como traição. Deve-se aceitar a verdade da ordem estabelecida. Daí, “escola sem partido”, sem iniciação ao pensamento crítico e a liberdade de expressão e ação.

O racismo na essência – segundo Eco, com medo da diferença, o fascismo a explora e potencializa em nome da busca e da imposição do consenso. Os e as diferentes não são bem vindos. Por isso, o fascismo eterno é essencialmente racista e xenofóbico. Daí a identificar os diferentes como criminosos a linha é reta.

O apelo aos precarizados e frustrados – todos os fascismos históricos fizeram apelo aos grupos sociais que sofrem frustração e se sentem desleixados pela política. As mudanças no mundo do trabalho, promovidas pela globalização econômica e financeira, são terreno fértil para o fascismo.

O nacionalismo como identidade social – nação como lugar de origem, com os seus símbolos. Os e as que não se identificam com isso são inimigos da nação. Portanto, devem ser excluídos. Podem ser os nascidos fora da nação, como os imigrantes, ou por se articularem com forças externas – o tal “comunismo internacional” – ou, ainda, por não se enquadrarem no padrão “normal” de nacionalidade. O nacionalismo vulgar é o cimento agregador de qualquer fascismo.

A vida como guerra permanente – no fascismo, a gente não luta pela vida, liberdade, bem viver, mas vive para lutar. A violência é aceita como regra e a busca de paz uma balela. Vencem os mais fortes, armados. Há um culto pela morte na luta.

O heroísmo como norma – o herói, um ser excepcional, sem medo da morte, está em todas as mitologias. Aqui basta lembrar a exploração feita daquele atentado em Juiz de Fora. O herói vira mito real.

O machismo como espécie de virtude – em sendo difícil a guerra permanente e a demonstração de heroísmo, o fascismo potencializa as relações de poder na questão sexual, segundo Umberto Eco. Aqui também não faltam manifestações de patriarcalismo e machismo, com intolerância com o que é considerado divergente da norma em questões sexuais. Não há lugar para a liberdade de opção sexual e de gênero.

O líder se apresenta como intérprete único da vontade comum – o povo é o seu povo, o seu entendimento do que seja o povo e sua vontade comum. Como diz Eco, estamos diante de um populismo de ficção.

Chamei atenção aqui para indícios de fascismo total apontados por Umberto Eco – não todos, para não ser enfadonho e talvez desvirtuar o que o autor quis dizer – com a preocupação de dar atenção a idéias e imaginários que estão adquirindo legitimidade mobilizadora no nosso seio. Inspirado no atualmente renegado Antônio Gramsci, exatamente pelo emergente fascismo político e cultural, penso que a conquista de hegemonia no sentido de direção intelectual e moral precede o poder do fascismo pela força estatal. Ou seja, a ameaça de fascismo já está implantada entre nós, mesmo se o regime ainda não parece ser fascista.

Escrito por Cândido Grzybowski, sociólogo e presidente do Ibase.

Está pronto para se tornar um Defensor da Liberdade?

Está pronto para se tornar um Defensor da Liberdade

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Muitos retrocessos já estão, a canetadas, saindo do papel. Ameaças circulam nas mídias e muitos discursos políticos buscam atacar, reprimir e retirar direitos das pessoas, de diferentes formas.

Direitos humanos estão sendo ameaçados! Povos indígenas e quilombolas, juventude negra, pessoas LGBTQI, mulheres e pessoas que defendem direitos humanos são alvos de declarações discriminatórias, ameaças e ataques – inclusive físicos.

Mas é preciso dizer que estamos aqui, e que estamos alertas! O ano de 2019, para esse movimento global de milhões de pessoas que é a Anistia Internacional, será de muita CORAGEM e resistência, como sempre foi.

Nossa voz permanecerá ativa e queremos que você some a sua também! http://bit.ly/2SiYbl8Você pode fortalecer esse movimento se tornando um Defensor da Liberdade!

Estamos aqui reafirmando este compromisso com você, para que você esteja cada vez mais junto conosco pela garantia de direitos: os meus, os seus e os direitos de todo mundo que é gente nesse planeta.

Embora a caminhada se anuncie difícil, vamos aproveitar esse momento como uma oportunidade de valorizarmos mais as nossas semelhanças e nos unirmos de formas ainda mais criativas e potentes.

Então te faço um convite: venha conosco fortalecer a resistência e caminhar lado a lado com quem não perde a CORAGEM e a ESPERANÇA. Com a sua doação, você multiplica a nossa mobilização por #nenhumdireitoamenos!

Nós acreditamos, esperamos e vamos agir para que o desejo de mudança da sociedade brasileira signifique ampliação de direitos, e não retrocessos.

O mundo só se transforma quando a gente se movimenta e faz barulho!

Anistia Internacional