Em 2019, não soltaremos a mão de ninguém!

Em 2019, não soltaremos a mão de ninguém

Em 2019, não soltaremos a mão de ninguém, nem abriremos mão dos nossos princípios ético-políticos!

No ano que se passou, a categoria de assistentes sociais foi às ruas para defender pautas históricas como a previdência social, saúde e assistência social, como política social pública, e combater medidas conservadoras e violadoras de direitos.

Se o conservadorismo reuniu condições de se fortalecer no contexto das últimas eleições e se mostra também em processo de reatualização no interior da nossa profissão, quando vimos, por exemplo, inúmeras manifestações de colegas assistentes sociais nas redes sociais apoiando retrocessos que já superamos há quase quatro décadas, nossa resposta será também nas ruas e nas lutas!

É tempo de mãos dadas, de manter os olhos no horizonte à frente.

Em tempo… a descrição da imagem a arte é inspirada na ilustração de Thereza Nardelli, “Ninguém solta a mão de ninguém”, que mostra imagem de duas mãos se segurando, em referência à resistência necessária para 2019, e ao fundo a árvore que simboliza o Código de Ética do/a Assistente Social com os princípios em seus ramos. No meio dos ramos, a frase “não soltaremos a mão de ninguém!”

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Por que os evangélicos votaram em Bolsonaro?

Por que os evangélicos votaram em Bolsonaro

Primeiro é importante destacar que, se as aparências costumam enganar, talvez no campo evangélico enganem mais ainda. Um exemplo foi uma pesquisa coordenada por professores da USP e da Unifesp, com participantes da marcha pra Jesus em junho de 2017, organizada pela direita evangélica. Foi observado que “ao contrário do que poderia apontar o senso comum, as opiniões desses fiéis têm mais matizes com respeito à questão de gênero e de direitos das minorias LGBT do que o alinhamento fechado da influente bancada evangélica no Congresso, composta por 75 deputados federais e três senadores”. Na pesquisa durante Marcha para Jesus em 2018, Lula teve 20,09%, seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 15,6%, a intenção de votos. Talvez nenhum evangélico, mesmo petista, apostasse em um resultado semelhante em função da aparência na conjuntura naquele momento.

De fato nas eleições as pesquisas eleitorais apontam uma votação em Bolsonaro para presidente no segundo turno maior que a média geral o que indica que o voto evangélico ajudou na sua vitória. Destacamos aqui alguns elementos que provavelmente ajudou a conquistar esse resultado.

No inicio de 2013, quando o Deputado Marco Feliciano foi eleito como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o Deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) se aproximou mais da Bancada Evangélica e da Comissão, fazendo um papel de defesa agressiva e ganhou a simpatia dos deputados evangélicos. Em 2016, deputado federal Jair Bolsonaro, já no PSC, foi batizado no Rio Jordão, em Jerusalém, pelo Pastor Everaldo, presidente do PSC. No mesmo ano foi também lançado com pré-candidato a presidência pelo PSC, começando desde já, sua campanha e fortemente entre os evangélicos.

Enquanto Bolsonaro fazia sua campanha presidencial, a pauta do PT era “Não vai ter golpe” e na sequência o “Lula Livre”. Não havia espaço para uma tentativa de dialogo com os evangélicos, pois todas as energias estavam tomadas por essas pautas.

Outro aspecto a ser analisado melhor foi o número de lideranças representativas que declararam apoio e fizeram uma campanha aguerrida pro Bolsonaro. Um dos aspectos que talvez tenha influenciado foi o fim das doações de empresas que deixou o PT sem recursos para os famosos “projetos eleitorais” entre os evangélicos. Talvez tenha ficado então a identidade ideológica de projeto de poder político dessas lideranças com Bolsonaro. Aqui entraria as narrativas falaciosas de combate ao comunismo, “defesa da família”, LGBTI, Aborto, transferência da embaixada de Israel para Jerusalém, e principalmente a expectativa de participação fisiológica no governo. Não podemos deixar de destacar o fato da esposa de Bolsonaro ser membro de uma igreja Batista, o que talvez tenha ajudado a fortalecer o diálogo.

Para facilitar ainda mais a campanha do Bolsonaro a esquerda entre os evangélicos parece um elefante em uma loja de louças. Seria interessante perguntar quais são os erros da esquerda com os evangélicos, com o objetivo de torna conhecido os momentos em que foi colocado gasolina da fogueira da direita visando apagar o fogo. Citando apenas dois exemplos, temos a reação contra Marcos Feliciano quando foi eleito presidente da comissão de direitos humanos. Entendemos que a esquerda fez dele uma vítima e ajudou a dar visibilidade nacional, enchendo a bola da bancada evangélica.

Outro exemplo foi a declaração de Haddad: “Sabe o que é o Bolsonaro? Ele é o casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, […] com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é o Bolsonaro”. Talvez se equipare a Haddad pedir para os evangélicos não votar nele. Não sei se a esquerda sabe que é preciso dizer de forma muito clara que, chegando ao poder, vai respeitar a liberdade religiosa dos fundamentalistas. Não são raras as vezes que políticos de esquerda usam a palavra “fundamentalistas”, de forma inapropriada expressando exatamente o contrário. Precisamos nos lembrar de que até poucos anos atrás não havia liberdade religiosa na União Soviética.

Além desses dois exemplos podemos falar de muitos outros que, em minha opinião, fazem com que a esquerda termine criando uma falsa imagem de si mesma perante os evangélicos e, consequentemente, empurrando-os para a direita. Compartilho o texto do EPJ – Evangélicos Pelo Justiça, “O cristão e a Esquerda”. Nele se mostra o erro de se falar que é “a favor de aborto” e trata um pouco da questão LGBT.

Aparentemente a distância entre o “mundo da esquerda” e o “mundo evangélico” tem aumentado cada vez e está mais difícil fazer pontes. Para piorar ainda mais a situação temos mudanças conjunturais gigantes que ainda não foram suficientemente compreendidas. O lado bom é que a esquerda com um todo tem percebido a necessidade de dialogar com esse campo. Enfim, a luta continua!

Felizes os que têm fome e sede de justiça!

Geter Borges de Sousa.

PT nunca mais?

Deixa eu te explicar uma coisa. Bolsonaro tem 30 anos de nada no congresso. Durante esse período só teve dois projetos de lei aprovados, e passou todo esse tempo defendendo ditadura, tortura e ofendendo negros, gays, índios, ex presidiários e nordestinos. Sua campanha política foi marcado pelo ódio. Ódio ao PT, ao Lula, a Dilma, e a esquerda. O que ele não se deu conta, é que pra ter um bom governo, ele precisa do apoio das bancadas. E que eu saiba a maior bancada no congresso ainda é do PT. Sem contar as demais esquerdas. Sem contar que o Lula ganhava nas pesquisas eleitorais. E aonde estão esses eleitores? Evaporaram? Não. Estão vivos e ofendidos com todas palavras de ódio ao Lula. Sem contar que Lula está velho e preso. O que agrava ainda mais a ofensa. Bolsonaro pegou o país na pior situação da história. Com metade do país exigindo mudanças imediatas. E a outra metade o odiando e torcendo pra tudo dar errado. Sinceramente, eu não queria estar na pele dele. PT? A esqueci. Só está crescendo cada vez mais.

Pastor Daniel Elias.

Um terço dos inscritos não se apresenta no programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos

Brasileiros que preencheram cadastro do programa deixam pelo menos 30% das vagas vazias. Muitos abandonaram vagas de saúde da família para comparecer.

Dos 8.411 inscritos no edital do programa Mais Médicos, aberto em função do rompimento da parceria com Cuba por conta de ameaças de Jair Bolsonaro, 2.520 profissionais não compareceram nem iniciaram as atividades nas cidades até as 17 horas de sexta. O número corresponde a cerca de 30% das vagas, o que deixará milhares de pessoas desassistidas em todo o país.

Outras 106 vagas do edital nem chegaram a ter interessados — a maioria em distritos sanitários indígenas, justamente onde os cubanos atuavam de maneira mais presente. Os dados são do ministério da Saúde, que acabou prorrogando o prazo de comparecimento para essa terça (18) e prorrogou o prazo para inscrições de médicos formados no exterior sem revalida para o domingo (16).Além do desfalque no programa, ocasionado pela política hostil e ideológica de Bolsonaro, que ameaça todos que não estão alinhados com sua visão de mundo, a saída dos Cubanos também ocasionou uma saída de médicos da Saúde da Família.

Cerca de 2.800 profissionais, quase 40% dos inscritos, abandonaram postos de trabalho no SUS para se tornarem bolsistas do Mais Médicos, segundo informação do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O conselho realizou o levantamento utilizando dados do Ministério da Saúde, com base em uma relação que listava 7.271 profissionais alocados (de um total de 8,3 mil inscritos confirmados) pelo novo edital, cruzando dados com a lista dos profissionais já em atuação no país disponível no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

“Em vez de somar profissionais, esse novo edital está trocando o problema de lugar. Se o médico sai de um serviço do SUS para atender em outro, o município de origem fica desassistido, principalmente no Norte e Nordeste”, afirmou o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em entrevista ao G1.

O motivo para a migração está no salário pago pelo Mais Médicos, de R$ 11.800, mais benefícios como ajuda de custo, que varia de R$ 1.000 a R$ 3.000 por profissional.

Brasileiros abandonam programa em até 1 ano e meio

Além das vagas que ficaram em aberto, também gera preocupação os altos índices de desistência entre brasileiros no programa. Entre 2013 e 2017, mais da metade (54%) dos profissionais do país deixaram seu posto de trabalho em até 1 ano e meio.

A  alta rotatividade é mais expressiva em São Paulo e Mato Grosso, onde 70% dos participantes deixou o programa em até um ano e meio, sendo que em SP, 40% não ficaram nem 12 meses. A maioria dos desistentes (58%) atuava em periferias de capitais e regiões metropolitanas e áreas consideradas de extrema pobreza.

Parece existir uma resistência dos profissionais formados no país com o programa. Em 2013, ano do lançamento, apenas 6% das vagas foram ocupadas por médicos brasileiros.

Matéria publicada pelo Intercept Brasil mostrou ainda que a maior preocupação entre os brasileiros que ingressam no programa, é quando poderão abandoná-lo. Muitos trocam o trabalho por vagas em cidades maiores, ou abandonam o programa para iniciar uma residência.

Da redação da Agência PT de notícias, com informações do G1 e da Folha.

Torço para dar errado desde a véspera, por razões éticas, políticas, humanitárias, históricas e por aí vai…

Cristo Redentor foguete

Talvez você já tenha visto e lido esse texto por aí, não é meu, é de autoria de Luiz Carlos Romanholli. Recebi através de um das dezenas de grupos que participo no  WhatsApp e não é bem o meu posicionamento quanto a questão em torcer pra dar errado, essa não é minha política. Mas, o conteúdo é relevante, interessante na verdade e por isso, compartilho no meu blog. Vamos ao conteúdo.

Fala-se em “torcer pelo governo Bolsonaro”. Bem, eu acho que a gente torce é pra time e pra ganhar a Mega-Sena. De governo se cobra os erros e se apoia os acertos. Todo cidadão é oposição, independentemente do governo. Mas, vá lá, vamos admitir que se possa torcer. Então, eu torço contra. Quero que dê errado. Muito errado. Por uma razão simples: o que significa esse governo dar certo? Vamos à lista (feita a partir das promessas de campanha e das escolhas ministeriais):

  • Concentração de renda e aumento da pobreza e da desigualdade.
  • Achatamento salarial.
  • Perda de direitos trabalhistas.
  • Fim da aposentadoria.
  • Aumento do lucro dos bancos.
  • Censura a escolas, universidades e professores, com perseguição ao pensamento crítico.
  • Desmonte do ensino público em favor de grandes grupos privados do setor.
  • Incentivo do ensino à distância.
  • Desmonte do SUS para beneficiar as operadoras dos planos privados.
  • Perseguição a opositores. Notadamente de esquerda, mas não só.
  • Tolerância à tortura.
  • Incentivo à violência policial, com a respectiva impunidade dos criminosos de farda.
  • Ameaça às liberdades democráticas e ao estado de direito.
  • Discurso oficial misógino e machista.
  • Perseguição aos movimentos de trabalhadores rurais.
  • Tolerância à violência contra mulheres, LGBTs e gays.
  • Desmonte das políticas afirmativas para essas “minorias”.
  • Aumento do desmatamento para atender os interesses do agronegócio e das mineradoras.
  • Aumento do número de homicídios com a liberação do porte de armas.
  • Frouxidão na fiscalização e punição de crimes ambientais.
  • Frouxidão na fiscalização e punição de trabalho escravo.
  • Desmonte do incentivo federal ao esporte.
  • Desmonte das universidades públicas.
  • Perseguição a índios e quilombolas.
  • Desmanche da cultura e “criminalização” de nossos artistas.
  • Tolerância à corrupção.
  • Fake news oficial.
  • Tolerância a crimes de racismo.
  • Interferência direta da religião (uma especificamente) nas decisões do executivo, ameaçando o estado laico e nos empurrando para uma temível teocracia.
  • Ameaça à liberdade de imprensa, com censura e chantagem usando o expediente de verbas públicas de publicidade.
  • Política externa suicida em nome de mentiras, moralismo tacanho, fanatismo religioso e desconhecimento histórico.
  • Subserviência aos Estados Unidos.
  • Entreguismo.
  • Falta de planejamento.
  • Memes ruins.
  • Muita burrice.
  • Muita mentira.
  • Mais burrice.
  • Muita corrupção.
  • Burrice pra caralho.
  • Muita cafonice.
  • Eu cheguei a mencionar burrice?
  • Excelentes salários para motoristas.

Eu quero que dê errado pra cacete.

Google+ tem fim antecipado para abril de 2019

Google+

Mais uma rede social do Google que morre, que vai para o cemitério virtual da companhia e de todos eles, o que mais temos saudades é o Orkut.

O Google confirmou que vai antecipar a desativação do Google+ e seus aplicativos em quatro meses. A decisão foi tomada após a descoberta de um problema de segurança no software de atualização distribuído em novembro e que resultou no vazamento de dados de aproximadamente 52,5 milhões de usuários.

Em nota publicada em seu blog, a empresa confirmou a reprogramação para abril de 2019. Anteriormente, a desativação estava prevista para agosto. Os aplicativos ligados à rede social serão desativados em até 90 dias.

A falha foi descoberta pela própria plataforma durante procedimentos de checagem padrão. O vazamento permitiu que dados pessoais de usuários, como nome, endereço de e-mail, ocupação, idade e outros, fossem acessados por desenvolvedores de aplicativos mesmo quando estavam marcados para não serem públicos. A empresa afirma, contudo, que informações relativas a dados financeiros, números de documentos, senhas pessoais e similares permaneceram inacessíveis.

“Nenhum terceiro comprometeu nossos sistemas, e não temos evidências de que os desenvolvedores de aplicativos que inadvertidamente tiveram esse acesso por seis dias tenham conhecimento disso ou o usaram indevidamente de alguma forma”, assegurou David Thacker, vice-presidente de gestão de produto da plataforma.

O Google+ foi lançado em 2011. O objetivo de sua criação era rivalizar com o Facebook como rede social. A meta, porém, nunca foi atingida.

Portal Imprensa

Campanha para compra de cestas básicas Natal sem fome. “Quem tem fome, tem pressa”

Betinho Natal sem Fome

Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em casa do de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

No dia em que comemoramos os 70 anos da carta que defende vida digna a todas e todos os cidadãos do mundo, o Ibase reforça o pedido de contribuição com a campanha para a compra de cestas básicas para os assentados do Sebastião Lan II. As 38 famílias que moram e trabalham no local perderam toda sua produção devido a uma chuva forte que caiu na região. Com isso, eles estão com dificuldades para conseguir dinheiro para coisas básicas como a alimentação.

Para conhecer a história do assentamento, saber mais sobre a vida das famílias locais e fazer sua doação, acesse: bit.ly/campanhaibase.

Colabore! Esta é a última semana da campanha e ainda falta muito para alcançarmos 100% da meta. E, como dizia Betinho, quem tem fome, tem pressa.

Seu e-book de Educação em Direitos Humanos

Anistia Internacional, Dialison, Dialison Cleber, Dialison Cleber Vitti, DialisonCleberVitti, Dialison Vitti, Dialison Ilhota, Cleber Vitti, Vitti, dcvitti, @dcvitti, #dcvitti, #DialisonCleberVitti, #blogdodcvitti, blogdodcvitti, blog do dcvitti, Ilhota, Newsletter, Feed, 2016, ツBaixe o e-book sobre Educação em Direitos Humanos. Esperamos que aproveite muito esse material! Nos dias de hoje, informação e educação são essenciais para a luta por um mundo melhor e  mais digno! Caso tenha tido algum problema em baixar, é só clicar na imagem e realizar o download novamente, ok?

Agora que você já tem o material, que tal explorar mais um pouco do que ele oferece e promover uma atividadeÉ um momento super legal de compartilhar o que você tem aprendido e também de aprender um pouco… afinal, a vida é feita de diálogo e trocas! Bora nessa? É hora de falar sobre direitos humanos e nada mais inspirador que usar exemplos reais de como eles são importante para nossa vida – é só lembrarmos dos casos que ilustram o material!

Como organizar uma atividade #EscrevaporDireitos?

Escreva por direitos 2018 - e-Book educação em direitos humanos [Guia para educadores]

Muito fácil! No site da campanha, clique no botão “CRIE SUA ATIVIDADE” e siga as instruções. Pode ser uma reunião entre amigos e familiares, em casa, na faculdade, na praça, ou ainda uma roda de conversa, oficina de redação e de escrita de cartas… se você é professor ou professora, pode até ser uma de suas próximas aulas!

Ao registrar seu evento, você poderá solicitar mais alguns materiais para enriquecer sua atividade como papel de cartas e cartazes com os casos*.

Feliz em ter você conosco nessa mobilização!

Anistia Internacional Brasil

O Mais Médicos tem menos médicos trabalhando do total de inscritos para trabalhar

Programa Mais Médicos - protesto de médicos brasileiros

Até o dia 28 de novembro, menos de 10% dos inscritos se apresentaram para trabalhar.

Pouco menos de 10% dos aprovados no novo edital do programa Mais Médicos se apresentaram para trabalhar em seus respectivos postos de saúde. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo ministério da Saúde.

Das cerca de 8,5 mil vagas abertas com saída de Cuba do programa, 8.319(97,8%) foram preenchidas. O ministério informou, no entanto, que apenas 738 profissionais já se apresentaram nos locais que se inscreveram para começar os trabalhos, o equivalente a 8,9%.

No texto, a pasta ainda explicou que a gestão dos municípios é a responsável por estabelecer a data do início das atividades dos médicos. A apresentação dos profissionais tem de ser feita até o dia 14 de dezembro, de acordo com o edital.

Em Cosmópolis, interior de São Paulo, de sete aprovados no novo edital, só três estão disponíveis. Três desistiram antes de “tomar posse”, diz a prefeitura, e um não se apresentou. A reposição dos desistentes já foi pedida. Lá havia oito médicos cubanos – sete saíram. O outro fez o Revalida, exame de validação do diploma obtido no exterior, e foi aprovado. O jornal O Estado de S. Paulo tentou contato com os desistentes, mas eles não quiseram falar.

A evasão preocupa gestores de Saúde. Se houver dificuldade em repor os cubanos, o ministério estuda deslocar profissionais que já atuam no programa para essas regiões. Em edital de novembro de 2017, o índice de desistência entre profissionais com registro havia sido de 20%.

Em Contagem, Grande Belo Horizonte, a expectativa era receber cinco inscritos, mas dois desistiram. Os outros devem começar na semana que vem. Um posto em Nova Contagem, bairro pobre da cidade, só tinha um médico, cubano, e agora está sem nenhum. A prefeitura estima que 22 pacientes deixem de ser atendidos por dia no local.

O Ministério da Saúde disse adotar medidas “para garantir a assistência”. Balanço sobre o novo edital deve sair no dia 18. “Em caso de desistência, a vaga será disponibilizada numa possível segunda etapa”.

Com informações da Agência Estado.

Voltar a disputar sentidos, direções e propostas

Democracia em luta by dcvitti

Precisamos nos reerguer do tombo político. Desde aqui e agora, com ousadia e determinação, temos a longa e paciente tarefa de reconstrução de imaginários mobilizadores. Resistir é necessário, mas está longe de ser suficiente. Não podemos ficar simplesmente indignados diante do discurso autoritário de intolerância, violência e negação de direitos iguais de cidadania a todas e todos. Também não basta denunciar os riscos de grande destruição ecológica, com aprofundamento simultâneo da exclusão e da desigualdade social, e de uma ainda maior dependência econômica que está embutida no desenho da agenda ultra neoliberal do governo que será empossado em janeiro de 2019. Consolar-se com o fato que tal onda política se espalha na região e no mundo é ainda pior, pois é como resignar-se diante do possível desastre, precarização e barbárie que ameaçam a humanidade e a integridade do planeta como um todo.

O desafio é voltar a fazer política no sentido radical e profundo de disputa de visões e filosofias ativas sobre possibilidades e modos de nos organizar para viver em coletividade da forma mais inclusiva possível, sem discriminações ou exclusões, e no maior respeito à integridade do bem comum natural que nos dá a vida. Mas por onde recomeçar tal fazer cidadão da política? Por lá de onde nunca deveríamos ter deixado como lugar estratégico: a sociedade civil, berço real da democracia como processo transformador.

É no seio da sociedade civil que emergimos e agimos como sujeitos coletivos diversos de cidadania ativa. As vivências e percepções de relações sociais, prenhas de contradições e violações de direitos, em territórios e momentos históricos definidos, como experiências coletivas no cotidiano e na contemporaneidade, se tornam sementes do tecido social gerador de sujeitos coletivos de cidadania. Exatamente por isto, de uma perspectiva radical de democracia, a sociedade civil é o espaço fundamental para exercer nossa liberdade de pensar, propor e nos organizar para disputar e exercer o poder instituinte e constituinte de cidadania soberana popular sobre a nação comum. Nos movimentos sociais, que assim se formam, estão as principais fontes inspiradoras de visões e filosofias ativas, as forças centrais de grandes correntes políticas para democracias ecossociais transformadoras. Estou me referindo aos movimentos democráticos com imaginários irresistíveis capazes de transformar o Estado e a economia.

Uma espécie de desvio do foco de olhar prioridades do fazer política é como identifico o desafio que temos, como cidadania imbuída dos princípios e valores democráticos, diante da perda de vitalidade da nossa democracia conquistada trinta anos atrás, cuja institucionalidade está servindo até para nos levar a uma espécie de fascismo social, no nosso horizonte histórico concreto, legitimado pelo voto de outubro passado.  Estou propondo um voltar a fazer política tendo como fundamento uma concepção dos conflitos, gestados nas vivências e percepções das contradições de relações estruturais e processos sociais, como forças construtivas virtuosas da democracia, que tornam a cidadania ativa instituinte e constituinte de um poder estatal historicamente provisório e passível de mudança, de democratização da democracia. Isto se contrapõe a uma concepção autoritária de exclusão e criminalização dos conflitos pela força, de imposição de ditaduras e, até, de fascismos, como a história já mostrou. Para enfrentar isto, construir trincheiras de resistência, esperando que os negadores de direitos iguais de cidadania e de mais democracia se destruam pelas próprias contradições, está muito longe de ser a melhor estratégia e de bastar.

Fazer política como desafio de construir outro futuro com mais democracia é se engajar na disputa de hegemonia como proposta de ser e viver em conjunto, antes e acima de ser exercício do poder de gestão do Estado. Isto supõe disputa de idéias e imaginários no espaço público, inspirando-nos nas emergências e insurgências da cidadania. Precisamos, sim, reavaliar para transformar as profundas raízes coloniais de nossa formação, sobretudo o racismo, o patriarcalismo e a mercantilização da natureza como forças combinadas da colonialidade imposta pela civilização eurocêntrica do capitalismo. Ao mesmo tempo, temos que enfrentar a manifestação conjuntural de progressiva perda de intensidade e legitimidade da política e da própria democracia como possibilidades de lutar e transformar tal sistema, em sua forma globalizada, neoliberal e financeirizada, que nos está levando à barbárie como humanidade e como planeta.

Crônica de Cândido Grzybowski, sociólogo e presidente do Ibase.