Uma investigação sobre o 11 de setembro

Este documentário mostra várias evidências de que os ataques de 11 de setembro não foram feitos por sequestradores armados de estilete, mas, sim, planejados pela CIA seguindo os desejos da Casa Branca. Ele não só apresenta evidências (algumas delas não indicadas em outros documentários do tipo), mas também questões filosóficas que provocam o espectador. Também muito importantes são os fatos históricos pelos quais fica provado que, quando o assunto é guerra, não se pode confiar em absoluto no discurso oficial e na mídia corporativa.

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Perguntas para um 11 de setembro

Perguntas para um 11 de setembro no Chiel Salvador Allende

Só uma única pergunta depois de tudo o que já foi dito: os que hoje querem condenar o PT, dissolvendo sua história e suas lideranças no achincalhe do ‘mensalão’, sentenciando Dirceu e Genoíno com sôfrega ansiedade, a ponto de pretender consumá-lo a contrapelo das provas, na sonegação a recursos e embargos consagrados na jurisprudência, esses que ora evocam ética, ora fardas, ora togas; ora insuflam a rua, ora convocam a ordem, que hoje alisam nervosamente egos complacentes, ao mesmo tempo em que aguilhoam as consciências hesitantes com o punhal da represália, esses que já se lambuzam da uva ainda não colhida, e formam a gelatina plasma secular a obstruir o Brasil que poderíamos ser, mas que ainda não somos, esses que exercem a sua capacitação de cupim diante do carvalho da história, acreditam que, no futuro, serão perfilados de que lado, nesse telefonema simbólico que ainda divide as águas do caráter e das escolhas na América Latina, e que marcaria um outro 11 de setembro, há 40 anos, quando um sabujo, no caso, de farda, mas assemelhado aos atuais, intimou um Presidente eleito a renunciar e ouviu dele uma descompostura, que em seguida tomaria a forma de um memorável recado ao futuro que nos cumpre honrar: “Companheiros trabalhadores, eu não vou renunciar. Colocado nesta transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo e digo que tenho a certeza que a semente que entregamos à consciência digna de milhões de chilenos não poderá ser negada; porque não se detêm os processos sociais, nem com o crime, nem com a força. A história é nossa… e a fazem os povos (…) Neste momento decisivo o que posso dizer a vocês é que aprendam a lição (da história).” Leia o Especial sobre os 40 anos do golpe no Chile. E ouça a voz da dignidade histórica de Salvador Allende diante da opressão, nesse dia em que ela será aviltada entre nós, em nome da justiça (aqui). O texto foi extraído da newslatter do Carta Maior recebido diariamente em meu e-mail.

A indústria do 11 de setembro

Nelson e o 11 de setembro

Privatização da segurança: Após 12 anos dos ataques a NY, a ‘Guerra ao Terror’ americana deu suporte (e dinheiro público) para diversas empresas.

Apenas nove dias após os dois aviões atingirem as torres do World Trade Center, em Nova York, o Congresso americano autorizou um repasse emergencial de US$ 40 bilhões para fortalecer o aparelho de defesa antiterrorista do país. Desde então, os gastos não pararam de crescer. Em 12 anos de “Guerra ao Terror”, os Estados Unidos ultrapassaram a marca dos 4 trilhões de dólares em gastos que incluem desde equipamentos de vigilância interna, confecção de manuais antiterror para aeroportos, 30 milhões de câmeras de segurança instaladas no país e a a presença ostensiva de tropas militares no Oriente Médio.

Surfando na onda de paranoia que se espalhou pelo país pós-11/9, talvez a principal beneficiária do cheque em branco que o combate ao terror produziu seja a indústria de segurança. Cerca de 70% do orçamento de inteligência interna dos EUA é gasto com contratos privados e vai parar direto no bolso de grandes empresas do setor. Criado em 2002, a conta do Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) cresceu mais de 300% na última década. Existem hoje pelo menos 1.271 ONGs e 1.931 companhias privadas relacionadas a terrorismo, inteligência e segurança.

Abaixo, veja alguns dos serviços oferecidos pela rentabilíssima “indústria do 11 de setembro”. Uma das únicas que não parou de crescer (exponencialmente) nem quando o país era sufocado com a recessão econômica — muito embora seja muito mais provável que um norte-americano morra em um acidente de carro do que em um ataque terrorista.

Scanners de aeroportos

Scanners de aeroportosNada mais lógico que o boom inicial tenha sido sentido onde foi registrada a falha primária que permitiu os ataques do 11/9: segurança aérea. Um dos mais populares, e também polêmicos, são os scanners de corpo inteiro. As vendas do aparelho — cuja unidade chega a custar US$ 200 mil — foram impulsionadas depois que uma tentativa de ataque suicida foi desvendada, no Natal de 2009. Líder no nicho de scanners, a L-3 Communications já vendeu mais de US$ 900 milhões para o governo norte-americano.

Educação anti-islã

Educação anti-islãO sentimento revanchista após 11/9 tomou o islã como o próximo inimigo a ser combatido. Não podia deixar de existir, então, consultoriasespecializadas em providenciar esse “treinamento islamofóbico”, característico da ideologia da Guerra ao Terror. O CI Centre, por exemplo, oferece cursos e análises supostamente abalizadas sobre a ameaça muçulmana para agências do governo e outras forças da lei. Um curso de cinco dias para funcionários públicos intitulado“Doutrina da ameaça jihadista global” custa US$ 39 mil. Para uma classe de 30 alunos, o workshop “Morrendo para nos matar: compreendendo a mentalidade das operações suicidas” sai por US$ 7 mil.

Drones

DronesA “guerra sem baixas” (pelo menos, não do “nosso lado”) virou uma das marcas da política externa do presidente Barack Obama. A principal ferramenta: aeronaves não-tripuladas. A alta demanda faz do mercado de drones um dos mais quentes, movimentado quase US$ 6 bilhões todos os anos. A General Atomics, fabricante do Predator e líder do mercado, tem contratos milionários com o Departamento de Defesa e um futuro promissor, já que os EUA pretendem exportar o modelo para outros países.

Soldados profissionais

Soldados profissionais nazi-americanos As intervenções do Exército norte-americano fora do país foram responsáveis pela criação de um verdadeiro complexo industrial paramilitar. Por meio de contratos milionários com os EUA, empresas como a Blackwater terceirizaram a “Guerra ao Terror” e criaram “soldados profissionais”. A companhia, que depois mudou de nome, atuou por um tempo como uma espécie de extensão da CIA, mandando recrutas — “mercenários contemporâneos” — para o Afeganistão, fazendo da base das forças armadas um verdadeiro campo privado de treinamento militar.

Privatização da inteligência

Privatização da inteligência - epionagem eua no brasilRecentes vazamentos de informação confirmaram que os EUA têm acesso a uma infinidade de dados de comunicação: emails, bate-papos, histórico de navegação, buscas na internet, telefonemas. E quem vai processar e sistematizar toda essa montanha de informação? Empresas como a Booz Allen, a antiga empregadora de Edward Snowden, o homem responsável por vazar o esquema de vigilância da NSA. Companhias como esta trabalham no cerne da inteligência norte-americana, cada vez mais privatizada. Dos 854 mil cidadãos que possuem acesso a informações secretas, 250 mil (30%) são do setor privado.

Lobby

Lula e Bush lobistas“Onde tiver dinheiro público nessa quantidade, sempre vai haver um enxame de lobistas”, afirma Michael Beckel, pesquisador político. Em Washington o lobby existe, e é pesado. Certa vez, introduziram scanners dentro do prédio do Capitólio para convencer os parlamentares da sua utilidade. Mas o problema é quem está fazendo esse lobby. Quando as parcerias público-privadas começaram nos EUA, a maior justificativa foi comercial. Seria mais barato. Hoje, uma década após a escalada dos gastos em segurança, fica mais e mais evidente o conflito de interesses entre o público e o privado. Na indústria de scanners, 8 em cada 10 lobistas são egressos da carreira pública. Boa parte da linha de frente das agências públicas de segurança já passou pelas gigantes do setor privado — James Woosley (ex-chefe da CIA) foi da Booz Allen; William Studeman (ex-diretor da NSA), foi fisgado pela Northrop Grumman; e Barbara McNamara (também da NSA) foi contratada pela CACI. Entre 2004 e 2008, pelo menos 80% dos oficiais de alta patente que se aposentaram foram trabalhar no setor privado.

Devolvam o 11 de setembro para o Chile!

11 de setembro no Chile

Enquanto os brasileiros comemoram mais um pacato 7 de setembro como outro qualquer, o Chile vive uma jornada intensa: hoje, 11 de setembro de 2013, se comemoram 40 anos do violento golpe de estado perpetrado contra o único governo de orientação verdadeiramente socialista até então eleito pela via democrática no mundo. Literalmente se “comemora”, trazendo à memória, recordando as diferenças, realizando balanços e resultando em poucas, muito poucas mea culpa.

Enquanto O Glob,o em tom solene, reconhece tardia e discretamente ter sido um erro apoiar o golpe militar no Brasil, o Chile incrivelmente mantém condições que permitem que o principal jornal chileno El Mercurio critique o presidente milionário de centro-direita por atribuir responsabilidades à conivência da imprensa nos atropelos aos Direitos Humanos. Pior, continua buscando malabarismos retóricos para fazer-se de herói:

La única alternativa a ese modelo era entonces un esfuerzo incesante por relajar todas las restricciones, hasta llegar – caso al parecer sin precedente histórico – a que, al avanzar la década de 1980, hubiera medios de oposición beligerantemente activos durante el gobierno militar mismo, contribuyendo con eso decisivamente a una transición pacífica y democrática (Editorial de El Mercurio de 8 de setembro de 2013).

Enquanto os parentes de presos desaparecidos acendem velas, se preparam para marchar, protestar ou simplesmente chorar em silêncio as penas passadas, velhos fantasmas coniventes ou ativos do governo autoritário circulam livremente pelos corredores do palácio presidencial, administrações regionais, governos provinciais ou em funções administrativas, impunes e muitos deles, à semelhança do vergonhoso periódico El Mercurio, ainda convictos de ter agido bem.

Enquanto umas centenas de estadunidenses respiram fundo para celebrar seus parentes mortos no ataque às torres gêmeas logo na virada do século, milhares de chilenos continuam sofrendo os efeitos das bombas em La Moneda em 1973, entre exilados, marginalizados, torturados, desaparecidos, fuzilados, asfixiados, desmembrados, afogados, degolados, esquartejados e seus parentes.

Enquanto Obama hesita em empreitar outra cruzada catastrófica, desta vez contra meus ancestrais na Síria, para defender um suposto ideal democrático – o mesmo que atacou, na segunda metade do século XX, por toda a América, porque não podiam, nas palavras de Kissinger, deixar que o país se torne comunista pela “irresponsabilidade de seu próprio povo” –, o Chile, no fim do ano, irá optar se quer como próxima presidente a filha de um general assassinado na ditadura ou a filha do general assassino, conivente e protagonista da junta militar, suspeito de haver matado justamente o pai de sua oponente.

Enquanto procuram novos inimigos nacionais, outro arsenal de armas químicas (serão novamente imaginárias?), bodes expiatórios, eixos do mal, justificativas para o injustificável, será que os Estados Unidos não poderiam ao menos devolver o 11 de setembro para o Chile, já que eles mesmos patrocinaram o evento?

Por Marcelo Luis B. Santos é mestre em Ciências da Comunicação e Semiótica, professor, escritor e consultor em comunicação e democracia.

Cai por terra a versão do Governo Bush sobre o 11 de setembro

Cientista encontra explosivos Nano Thermite em destroços do World Trade Center! ‘A ganância do ser humano não tem limites…’ Neste link vai encontrar o que comprova o que esta sendo noticiado pela comunidade cientifica: http://bit.ly/1847TqT.

Uma equipe de oito pesquisadores liderados pelo professor Niels Harrit da Universidade de Copenhaguem (Dinamarca), comprovaram a existência de explosivos altamente tecnológicos em amostra dos escombros das torres gêmeas e do prédio 7.

Essa pesquisa vem a confirmar um trabalho semelhante previamente executado pelo professor Steven Jones nos Estados Unidos. Outras matérias que que vem de encontro a esse achado são as do time de Arquitetos para o 911. Com esse achado se explica a queda livre dos prédios num processo de demolição. Os aviões não poderiam derrubar as torres gêmeas devido a temperatura do combustível não ser suficiente para derreter aço. O impacto também não pode ter afetado a estrutura no nível afirmado pelo governo americano, uma vez que o prédio foi desenhado para suportar aviões daquele tamanho. Ferro derretido na base dos prédios ficou vivo por várias semanas. E por três meses fotos infravermelha de satélites mostraram bolsões de alto calor nas três torres. Larry Silverstein comprou o leasing do WTC entre 2000 e 2001. dois meses antes do “ataque” ele assegurou os prédios em dois bilhões de dólares contra ataque terrorista, algo como todos sabemos um tanto incomum. O ataque 911 serviu para:

  1. Criar ódio contra os árabes e fomentar as guerras americanas na saga pelo óleo e a hegemonia Israelense no Oriente Médio. Também chamado False-Flag.
  2. Desaparecer com 1,5 trilhões de dólares a fundo perdido das contas do Pentágono (Rumsfeld declarou um dia antes).
  3. Documentos provas contra a Enron que desapareceu n aqueda do prédio 7.
  4. Auto-pagar os empreiteros, talvez via Larry Silverstein e a fortuna que ele arrecado de seguro.

Existem evidências que agentes do Mossad (serviço israelense) foram capturados no dia, alguns comemorando a queda do topo de uma van, e outros carregando explosivos. Todos foram libertados pelo FBI. (essa informação precisa ser confirmada).

Chupado do blog Alô Presidenta do Brasil.

O documentário revelador de Fahrenheit 11 de Setembro

Este vídeo mostra o ocorrido em 11 de setembro nos Estados Unidos, porém com uma visão totalmente diferente daquela apresentada pela grande mídia manipuladora. Muito bom, eu tenho este DVD em minha prateleira (original, é claro) e o assisto sempre. Uma grande produção, um excelente documentário do cineasta Michael Moore. Eu acredito e sempre disse que tudo isso foi uma invenção do próprio governo americano e que vivemos numa grande conspiração produzida pelos estadunidenses. Saiba como Bush e o governo americano não se importaram com o atentado deixando claro que sempre souberam o que iria acontecer… será que foi por serem eles que o fizeram? Tire suas conclusões… e veja esse vídeo.

Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de “Fahrenheit 11 de Setembro” e das filmagens!

  • Em maio de 2004 o diretor Michael Moore declarou que a Walt Disney Pictures havia proibido a Miramax Films, produtora de Fahrenheit 11 de Setembro e sua subsidiária, de distribuir o filme nos cinemas americanos. A proibição realmente ocorrera mas, segundo o Presidente Executivo da Disney Michael Eisner, a decisão havia sido tomada meses antes e Moore apenas a estava revelando no momento para conseguir publicidade para o filme;
  • De acordo com o diretor Michael Moore, a desistência da Disney em distribuir o longa-metragem através da Miramax ocorreu devido ao temor de retaliações por parte do Governador da Flórida Jeb Bush, irmão do Presidente George W. Bush, no que se refere aos incentivos fiscais que o estúdio recebe para a manutenção de seus parques de diversões e hotéis no local. A Disney confirmou a proibição, mas negou que fosse este o motivo da decisão;
  • Para solucionar a questão os irmãos Bob e Harvey Weinstein, donos da Miramax, compraram por conta própria da Disney os direitos de distribuição de Fahrenheit 11 de Setembro. O valor pago ao estúdio foi cerca de US$ 6 milhões;
  • Após a compra dos direitos de distribuição, os irmãos Weinstein fundaram uma nova empresa, chamada Fellowship Adventure Group, e negociaram a distribuição de Fahrenheit 11 de Setembro nos Estados Unidos com a Lions Gate Filmes e a IFC Films;
  • O diretor Michael Moore realizou uma entrevista com Nicholas Berg, que posteriormente foi sequestrado e morto por terroristas no Iraque. Em respeito à família de Berg, o diretor decidiu não incluir a entrevista em Fahrenheit 11 de Setembro;
  • O escritor Ray Bradbury, autor do livro “Fahrenheit 451”, que serviu de inspiração para o título de Fahrenheit 11 de Setembro, declarou publicamente sua insatisfação pela utilização do nome no filme sem sua autorização;
  • Após sua primeira exibição no Festival de Cannes, Fahrenheit 11 de Setembro recebeu uma sessão de aplausos que durou entre 15 e 25 minutos. Esta foi considerada a maior ovação já recebida por um filme em toda a história do festival;
  • É o 2º documentário na história a ganhar o Festival de Cannes, sendo também o 1º americano a conseguir tal feito. O anterior fora Le Monde du Silence (1956);
  • O diretor Michael Moore fez questão que o filme chegasse aos cinemas americanos meses antes das eleições presidenciais, de forma a influenciar o eleitor a votar. O filme foi lançado nos Estados Unidos em 25 de junho;
  • É o 1º documentário na história a ocupar a liderança do ranking de bilheterias nos cinemas americanos após seu primeiro fim de semana de exibição;
  • É o documentário que esteve em cartaz em mais salas de cinema nos Estados Unidos em toda a história. Em sua semana de lançamento o filme esteve em cartaz em 868 salas, sendo que na 3ª semana já estava em exibição em 2011 salas;
  • A quantia arrecada por Fahrenheit 11 de Setembro em seu fim de semana de estréia foi de US$ 23,9 milhões. Esta é praticamente a mesma quantia arrecadada pelo documentário anterior de Moore, Tiros em Columbine, em 3 meses de exibição;
  • Michael Moore abriu mão de inscrever Fahrenheit 11 de Setembro na disputa do Oscar de melhor documentário para que o filme pudesse ser exibido na TV americana antes das eleições para Presidente dos Estados Unidos. De acordo com as regras da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, um documentário apenas poderia concorrer se não fosse exibido na TV até 6 meses após seu lançamento nos cinemas, o que não aconteceu.

Prêmios

  • FESTIVAL DE CANNES: Ganhou o Palma de Ouro e Prêmio FIPRESCI.
  • CÉSAR: Indicação do Melhor Filme Estrangeiro.
  • EUROPEAN FILM AWARDS: Indicação do Melhor Filme Não-europeu.
  • FRAMBOESA DE OURO: Ganhou como o Pior Ator (George W. Bush), pior Ator Coadjuvante (Donald Rumsfeld), pior Atriz Coadjuvante (Britney Spears), pior Dupla (George W. Bush com Condoleeza Rice ou sua cabra)

Wikipédia

Fahrenheit 9/11 é um documentário americano de 2004 escrito, estrelado e dirigido pelo cineasta estadunidense Michael Moore. Fala sobre as causas e consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, fazendo referência à posterior invasão do Iraque, liderada por esse país e pela Grã-Bretanha. Além disso, tenta decifrar os reais alcances dos vínculos que existiriam entre as famílias do presidente George W. Bush e a de Osama bin Laden.

O título do filme faz referência ao livro Fahrenheit 451 (233°C, que representa a temperatura em que arde o papel), escrito em 1953 por Ray Bradbury, e também aos atentados de 11 de setembro de 2001, já que “11/9” se escreve “9/11” nos países de língua inglesa.

Sugerindo “a temperatura que arde a liberdade”, este documentário ressalta especificamente a relação entre a família Bush e pessoas próximas a ela, com membros de eminentes famílias da Arábia Saudíta (incluindo a família de Bin Laden), em uma relação que se estende durante mais de trinta anos, assim como a evacuação de familiares de Osama bin Laden organizada pelo governo de George W. Bush depois dos ataques de 11 de setembro. Se bem que essa relação de negócios entre os clãs Bush e Bin Laden não seja discutida, a mesma não é amplamente conhecida.

A partir daí, o filme dá pistas sobre as verdadeiras razões que têm impulsionado o governo Bush a invadir o Afeganistão em 2001 e Iraque em2003, ações que, segundo Moore, correspondem mais à proteção dos interesses das indústrias petrolíferas norte-americanas do que ao desejo de libertar os respectivos povos ou evitar potenciais ameaças. O documentário insinua que a guerra com o Afeganistão não teria como principal objetivo capturar os líderes da Al Qaeda e, sim, favorecer a construção de um oleoduto, e que o Iraque não era, no momento da invasão, uma ameaça real para os Estados Unidos, senão uma fonte potencial de benefícios para as empresas norte-americanas.

As liberdade civis pós-11 de Setembro

Há lugar para alarmismo quando uma questão envolve ameaças às liberdades civis. É preferível uma preocupação exagerada com nossas liberdades do que uma demasiado pequena, em especial diante de um governo envolvido em segredos de guerra desde os ataques de 11 de Setembro. Mas, passada uma década, também há lugar para uma reflexão sóbria. Em termos históricos, a resposta legal ao 11/9 deu lugar a tremores, mas não terremotos, no que se refere às liberdades civis. E mesmo essas mudanças resultaram, em grande parte, de um reordenamento de prioridades na aplicação da lei, e não de alterações fundamentais na própria lei.

Vejamos o caso do USA Patriot Act, um texto relativamente curto, se comparado à sonora explicação de seu significado: “Unir e fortalecer os Estados Unidos da América fornecendo as ferramentas necessárias para interceptar e obstruir a ação terrorista de 2011”. A lei, com mais de 300 páginas, singrou pelo Congresso sete semanas após os ataques com escassa discordância. Rapidamente, tornou-se uma espécie de atalho para o abuso e extrapolação por parte do governo.

É inegável que o Patriot Act ampliou os poderes de vigilância do governo e o escopo de algumas leis penais. Porém, na verdade, isto significava bulir com as margens do problema e praticamente nada, se comparado às respostas de outras democracias desenvolvidas em que a detenção preventiva e as restrições ao discurso subversivo se tornaram lugar comum. “Numa perspectiva comparativa, o Patriot Act parece banal e suave”, escreve Kent Roach, professor de Direito na Universidade de Tronto, em seu novo livro The 9/11 Effect: Comparative Counter-Terrorism.

Cultura de suspeição e armadilhas

A história é diferente se a abordagem for além da legislação penal doméstica. Detenções na Baía de Guantánamo, perseguições incomuns e interrogatórios brutais examinaram os limites do exercício de poder adequado pelo governo em tempo de guerra. O governo norte-americano manteve pessoas presas sem acusação por quase uma década, envolveu-se em tortura – tal como o termo é definido no Direito internacional – e mandou pessoas para serem interrogadas no exterior, em países conhecidos por adotarem práticas do que todo mundo concorda em chamar tortura. Mas a legislação penal propriamente dita mudou surpreendentemente pouco logo após os ataques. O que mudou foi a maneira pela qual a aplicação da lei concebeu sua missão.

Quase imediatamente após os ataques, o procurador-geral [correspondente a ministro da Justiça] John D. Ashcroft anunciou “um novo paradigma”. Disse que a prevenção de ações terroristas passar a ser mais importante que a punição dos crimes depois de realizados. Percebiam-se aqui ecos de Minority Report, um conto de Philip K. Dick de 1956, que depois se tornou filme em 2002, que descrevia um mundo no qual a polícia prende os criminosos antes que eles possam agir, baseando-se em seus pensamentos, ao invés de suas ações.

O novo paradigma incentivou a detenção de pessoas consideradas perigosas – tal como apresentadas por Ashcroft – por “cuspir na calçada”, ou por desrespeito para com autoridades da imigração, ou como testemunhas relevantes. Aumentou a vigilância sobre grupos religiosos e dissidentes. Desencavou o uso de uma lei impedindo qualquer tipo de apoio, mesmo que inofensivo, a organizações supostamente envolvidas com terrorismo, pressionando atividades que desde há muito se julgavam protegidas pela Primeira Emenda. E infiltrou informantes nas comunidades muçulmanas, gerando uma cultura de suspeição e de acusações de armadilhas.

Prender primeiro, acusar depois

Num quadro ampliado da questão, o número de pessoas diretamente afetadas por essas mudanças foi pequeno. O alarmante efeito indireto sobre a liberdade de expressão, os direitos de associação e a liberdade religiosa foi impossível de avaliar. Mas se comparada às Leis de Estrangeiros e de Sedição, de 1798, aos ataques de Palmer, de 1920, ao confinamento de nipo-americanos durante a II Guerra Mundial e à era de Joseph McCarthy, a restrição de liberdades civis na última década foi menor.

Como normalmente fizeram no passado, os tribunais consentiram os esforços do governo para combater o terrorismo. É verdade que a Suprema Corte fixou alguns limites à possibilidade de o executivo manter prisioneiros na Baía de Guantánamo. Mas as decisões de casos penais e de imigração diferem dessa interpretação.

“Os tribunais vêm errando e muito”, disse Susan N. Herman, presidente do Sindicato de Liberdades Civis norte-americano e autora do livro Taking Liberties: The War on Terror and the Erosion of American Democracy, a ser publicado em outubro. A Corte Suprema, segundo ela, normalmente recusa-se a ouvir casos em que tribunais de instâncias inferiores mantêm a posição do governo em questões envolvendo a segurança nacional. “Eles não estão interessados em desafios às liberdades civis”, diz ela dos desembargadores. “Só se interessam quando o governo perde.”

A meta de deter o terrorismo antes que a ação aconteça levou autoridades responsáveis pela aplicação da lei a fazer detenções prévias e, em seguida, confiar em acusações que exigiam pouca evidência de uma conduta concreta. Muitas vezes, promotores denunciaram réus acusados de envolvimento com o terrorismo por conspiração ou “apoio relevante” a grupos supostamente envolvidos com terrorismo. Essas leis já existiam, diz Robert M. Chesney, professor de Direito na Universidade do Texas. “A diferença”, diz ele, “é que não eram usadas.”

Dois princípios

Após os ataques do 11 de Setembro, as coisas mudaram. Apenas nos primeiros cinco anos que se seguiram, promotores denunciaram mais de 100 pessoas por fornecerem apoio relevante a grupos terroristas. Esse apoio muitas vezes era de forma tangível, como o fornecimento de armas, e em geral parecia vinculado ao progresso de objetivos violentos.

Mas algumas das acusações baseavam-se no envio de dinheiro para grupos envolvidos tanto em trabalho humanitário quanto em violência. E no ano passado, no Projeto de Lei Holder vs. Humanitários, a Corte Suprema deliberou que também poderia ser um delito grave o incentivo a grupos terroristas de usar meios pacíficos para resolver conflitos. Esse discurso, disse o tribunal, correspondia a apoio relevante e poderia ser considerado criminoso apesar da proteção da Primeira Emenda.

John G. Roberts, presidente da Corte, destacou que a lei de apoio relevante só era pertinente aos discursos dirigidos ou coordenados por grupos terroristas. As pessoas “podem dizer o que bem entendem sobre qualquer assunto” sem desrespeitar a lei, disse o presidente da Corte, desde que o façam de maneira independente.

Para os críticos, trata-se de uso agressivo da lei de apoio relevante e similares, dividido em dois princípios que se acreditavam resolvidos há cerca de meio século. Um deles é que o simples vínculo com uma organização subversiva não pode ser considerado um crime. O outro é que a defesa abstrata da deposição do governo, inclusive por meio da violência, deve ser tolerada de acordo com a Primeira Emenda.

Culpado até que se prove a inocência

A decisão sobre o Projeto de Lei Humanitário “tem afinidade com a criminalização do discurso e da culpa por associação da era McCarthy”, disse David D. Cole, professor de Direito em Georgetown, que representou os contestadores no caso do Projeto de Lei Humanitário como advogado do Centro de Direitos Constitucionais.

Ainda segundo os críticos, uma segunda lei que está nos livros e que permite a detenção de testemunhas relevantes – pessoas que se acredita terem provas de crimes praticados por outras – foi usada de modo errado, como uma espécie de regime de detenção preventiva. Segundo estes críticos, ao invés de usar a lei para garantir que pessoas que tenham informação sobre a prática de atos ilícitos de outras se apresentem para depor, os promotores usaram a lei para deter essas próprias pessoas sob a suspeita de vínculos com o terrorismo.

Leis referentes a transgressões de imigração também foram usadas para deter pessoas suspeitas de terrorismo, segundo um relatório de 2003 do inspetor-geral do Departamento de Justiça. O relatório dizia que as pressuposições mais comuns do sistema legal foram viradas pelo avesso após os ataques. Pessoas detidas sob a acusação de imigração ilegal eram consideradas culpadas até que se provasse sua inocência e muitas vezes ficavam detidas por meses, em condições duras, após terem recebido ordem de soltura.

Em decisões de 2009 e de maio deste ano, a Corte Suprema bloqueou duas ações que procuravam tornar John Ashcroft responsável pelo que os querelantes qualificaram como abusos nas leis de testemunha relevante e de imigração. “Nada há de surpreendente”, escreveu o desembargador Anthony M. Kennedy num relatório aprovado por uma maioria de cinco juízes, “que uma política legítima, orientando a aplicação da lei para prender e deter indivíduos por seu suposto vínculo com os ataques, possa eventualmente produzir um impacto discordante em muçulmanos árabes, embora o objetivo dessa política não fosse dirigido a árabes ou muçulmanos.”

Na década que se seguiu aos ataques, o governo também se tornou particularmente mais agressivo quanto ao uso de informantes e operações-relâmpago, disseminando falta de confiança em partes das comunidades muçulmanas. Numa dessas operações, um imã da cidade de Albany foi apanhado numa armadilha, num complô fictício que envolvia o lançamento de mísseis e o assassinato de um diplomata paquistanês em Nova York.

Defendendo a sentença de 15 anos imposta ao imã Yassin M. Aref, os promotores disseram que o novo paradigma de prevenção justificava as táticas. “O FBI [Federal Bureau of Investigation] tem a obrigação de utilizar todas as ferramentas a seu dispor”, escreveram os promotores num memorando de 2007 para um tribunal de recursos, “inclusive uma operação-relâmpago para remover das ruas indivíduos prontos e dispostos a ajudar terroristas.”

Proteção “seriamente diluída”

Nem todas as táticas no combate ao terrorismo nos Estados Unidos se basearam em leis vigentes. “Na vigilância eletrônica, ocorreu uma grande mudança”, disse John C. Yoo, professor de Direito em Berkeley, Universidade da Califórnia, que se tornou conhecido por suas agressivas recomendações e visão expansiva do poder executivo como autoridade no Departamento de Justiça no governo Bush. Em 2002, por exemplo, um tribunal especial de recursos, o United States Foreign Intelligence Surveillance Court of Review, concedeu ao Departamento de Justiça novos poderes, mais amplos, para usar escutas clandestinas nas operações de inteligência em casos de crime. “Isso revoluciona nossa capacidade para investigar terroristas e julgar ações terroristas”, disse, na época, John Ashcroft.

Após revelações sobre escutas de comunicações internacionais não autorizadas, o Congresso aprovou o programa por ampla maioria. Essas mudanças legais, acompanhadas por fantásticos avanços em tecnologia, permitiram ao governo uma ampla capacidade de coletar informação. “A Quarta Emenda [à Constituição] foi seriamente diluída”, diz a professora Susan Herman, da Faculdade de Direito de Brooklyn. Acrescentou que ficou estupefata com “a quantidade de vigilância que foi desencadeada com cada vez menos apreciação judicial e cada vez menos suspeitas individualizadas”.

Abuso contra inocentes

Tanto o governo de Bush quanto o de Obama foram criticados por liberais por empregarem exageradamente o sigilo e, em particular, por invocarem o privilégio de segredos de Estado para impedir ações civis questionando coisas como uma interpretação ampla da Constituição permitindo uma influência judicial legítima, de acordo com a época [rendition] e os programas de vigilância. Entretanto, por padrões internacionais, o público aprendeu bastante sobre atividades secretas do governo. “O fato de os abusos cometidos pelo executivo após o 11 de Setembro terem vindo à luz é outra prova do excepcionalismo norte-americano”, escreveu o professor Kent Roach, “tal como expresso nas atividades de uma imprensa livre que não sofre restrições por atos oficiais secretos, o que se pode encontrar na maioria das outras democracias.”

Opiniões divergem sobre prejuízos colaterais que os esforços na luta contra o terrorismo nos Estados Unidos possam ter infligido sobre dissidentes políticos, a liberdade religiosa e a liberdade de reunião. “Numa avaliação histórica”, disse o professor John Yoo, “quando se vê tanta gente falando, você poderia dizer: `Não acredito que estejamos em guerra.´ As liberdades civis estão muito mais protegidas do que vimos em guerras passadas.”

O professor David Cole foi menos otimista: “A partir do 11 de Setembro, o Direito Penal se expandiu e, com armadilhas, prendeu como `terroristas´ pessoas que nada mais fizeram do que dar ajuda humanitária a famílias necessitadas, ao mesmo tempo que a privacidade e as liberdades políticas diminuíram, em especial para aqueles que vivem em comunidades muçulmanas”, disse. “Por um lado, os últimos dez anos mostraram que o Direito Penal pode ser usado com eficácia na luta contra o terrorismo; por outro lado, também demonstrou que a exigência de medidas preventivas pode levar rapidamente ao abuso contra inocentes”.

Escrito por Adam Liptak, jornalista do New York Times.

Fidel, 11 de setembro de 2001: Nenhum dos atuais problemas do mundo pode ser resolvidos pela força

Hoje é um dia de tragédia para os Estados Unidos de América. Vocês sabem muito bem que aqui jamais se tem semeado ódio pelo povo norte-americano. Talvez, precisamente por sua cultura e por sua falta de complexos, ao sentir-se totalmente livre, com pátria e sem amo, Cuba seja o país onde se trate com mais respeito aos cidadãos americanos. Nunca predicamos nenhum gênero de ódios nacionais, nem coisas parecidas ao fanatismo, por isso somos tão fortes, porque nossa conduta a baseamos em princípios e em idéias, e tratamos com grande respeito —e eles percebem isso— a cada cidadão norte-americano que visita nosso país.

Além disso, não esquecemos o povo americano que pôs fim à guerra de Vietnã com sua enorme oposição àquela guerra genocida; não esquecemos o povo americano que, em número superior a 80% apoiou o regresso de Elián para nossa pátria (Aplausos); não esquecemos quanto idealismo, perturbado muitas vezes pelo engano, porque —como já dizemos muitas vezes— para conseguir que um americano apoie uma causa injusta, uma guerra injusta, primeiro há que o enganar e o método clássico utilizado na política internacional desse enorme país é o método de enganar primeiro, para depois contar com o apoio da população. Quando acontece ao contrário e seu povo descobre que alguma coisa é injusta por sua tradição de idealismo, opõe-se a aquilo que esteve apoiando, muitas vezes, causas muito injustas, convencidos de que o que estava apoiando era justo.

Por isso nós —que sabemos não o número exato, mas que assistimos cenas impressionantes de sofrimentos e possíveis vítimas— temos sentido dor profunda e tristeza pelo povo norte-americano, fiéis à linha que temos seguido sempre.

Não estamos louvando governos, nem pedindo perdões, nem favores, nem nos nossos peitos se albergam nem sequer um átomo de temor. A história da Revolução tem demonstrado qu± o capaz é de desafiar, qu± o capaz é de lutar, de resistir o que tenha que resistir, o que nos tornou um povo invencível. Esses são nossos princípios, uma Revolução baseada em idéias, na persuasão e não na força. Espero que não exista um louco pelo mundo capaz de dizer que 1 200 000 cidadãos desfilaram por esse “Malecón” o passado 26 de Julho obrigados, pela força.

A nossa reação foi a que disse, e quisemos que nosso povo pudesse assistir as cenas e contemplasse a tragédia. Não hesitamos em expressar publicamente nosso sentimento. Aqui temos uma declaração que foi entregue à imprensa internacional por volta das 15h:00, redigida logo que foram conhecidos os fatos, enquanto nossa televisão estava engajada na divulgação dos acontecimentos. Seria comunicada ao nosso povo no noticiário da noite.

Adianto-me aqui alguns minutos para que conheçam a Declaração Oficial do Governo de Cuba, perante os fatos acontecidos nos Estados Unidos.

“O governo da República de Cuba recebeu com dor e tristeza as notícias sobre os ataques violentos e surpreendentes realizados hoje de manhã contra instalações civis e oficiais nas cidades de Nova Iorque e Washington, que provocaram numerosas vítimas.

“Conhece-se a posição de Cuba contra toda ação terrorista” —nossa história o demostra, isso o conhecem bem todos os que conhecem a história das nossas lutas revolucionárias. “Não é possível esquecer que nosso povo tem sido vítima durante mais de 40 anos da tais ações promovidas desde o próprio território dos Estados Unidos.

“Tanto por razões históricas quanto por princípios éticos, o Governo de nosso país rejeita e condena com toda energia os ataques realizados contra as referidas instalações e exprime suas mais sinceras condolências ao povo americano pelas dolorosas e injustificáveis perdas de vidas humanas que provocaram os referidos ataques.

“Nesta hora amarga para o povo americano, nosso povo solidariza-se com o povo dos Estados Unidos e exprime sua total disposição de cooperar, na medida de suas modestas possibilidades, com as instituições sanitárias e com qualquer outra instituição de caráter médico ou humanitário desse país, no atendimento, cuidado e reabilitação das vítimas ocasionadas pelos fatos acontecidos na manhã de hoje” (Aplausos).

Isto não apenas não o fizemos público, mas o transmitimos por via oficial, à tarde, especialmente quando começaram a aparecer somas impressionantes de possíveis vítimas e conhecemos que os hospitais estavam superlotados de feridos.

Embora não se saiba se são 5 000, 10 000, 15 000. 20 000 as vítimas, sabe-se que só nos aviões que foram colididos contra as torres, ou contra o Pentágono, viajavam centenas de passageiros, e oferecemos o que podíamos se fizesse falta.

Esse é um país que tem um grande desenvolvimento científico, médico, recursos; mas há momentos em que pudesse fazer falta sangue de um grupo específico, plasma — ou qualquer outro produto que nós possamos doar o que faríamosgostosamente—, ou apoio médico, ou de pessoal paramédico, porque sabemos que muitos hospitais têm défice de determinados técnicos e profissionais. Resumindo, o que queríamos era expressar nossa atitude e nossa disposição com respeito a estes trágicos acontecimentos.

Tudo isto tem alguns antecedentes, porque lhes mencionei que tínhamos suportado mais de 40 anos de terrorismo; inclusive, temos publicado que em determinadas ocasiões lhe transmitimos ao governo dos Estados Unidos importantes riscos para a vida de cidadãos norte-americanos. Aqui tenho um exemplo, é uma página e um quarto.

Nos dias posteriores aos ataques terroristas a nossos hotéis pela máfia terrorista sediada na Flórida que apoiada e paga pelos ataques terroristas contra Cuba, da mesma maneira que dezenas de planos de atentado contra mim, as vezes tive a necessidade de viajar ao estrangeiro, o grupo, chefiado pelo monstro Posada Carriles, ao que tínhamos capturado já alguns cúmplices que eram mercenários estrangeiros, ao entrarem ao território nacional com os meios correspondentes, tinha projetado utilizar o procedimento sofisticado das bombas que colocavam nos hotéis ou em lugares visitados por turistas estrangeiros como por exemplo “La Bodeguita del Medio”, e que podiam explodir até 99 horas depois de colocadas para atacar aviões. Podiam viajar, colocar a bomba no avião, estar três dias de festa e voltar para seu país antes que explodisse. Aconteceu o caso de um mercenário salvadorenho que projetou colocar cinco bombas em hotéis e lugares públicos da capital para que explodissem quase simultaneamente, uma detrás da outra. Vejam até onde tinha chegado.

Mais de uma ocasião entramos em contato, por vias confidenciais, com o governo dos Estados Unidos e aqui há um das mensagens diretas ao que presidia o país nesse momento —mensagens por vias confidenciais, não vamos dizer como, através de pessoas de inteira confiança, que tinham amizade conosco e com ele, às que explicávamos com exatidão o que queríamos que comunicassem—; uma vez já foi utilizado uma parte desse material, mas vou colocar textualmente um exemplo:

“Um assunto importante.

“Número um: Mantêm-se planos de atividade terrorista contra Cuba, pagos pela Fundação Nacional Cubano Americana e empregando mercenários de América Central. Já foram feitos duas novas tentativas de fazer explodir bombas em nossos centros turísticos, antes e depois da visita do Papa.

“No primeiro caso os responsáveis conseguiram escapar, voltando por via aérea para América Central, sem conseguir seus propósitos, deixando abandonados os meios técnicos e os explosivos, que foram ocupados.

“Na segunda tentativa foram apreendidos três mercenários, ocupando-se os explosivos e o resto dos meios; são de nacionalidade guatemalteca. Por cada uma das quatro bombas que deviam explodir receberiam 1 500 dólares” —foram dos primeiros capturados, não o que colocou o maior número de bombas.

“Os dois casos foram contratados e fornecidos por agentes da rede criada pela Fundação Nacional Cubano Americana; agora estão planejando e dando passos já para fazer explodir bombas em aviões das linhas aéreas cubanas ou doutro país que viajem a Cuba, trazendo ou levando turistas desde e até países latino-americanos.

“O método é semelhante: colocar o dispositivo de pequeno tamanho num lugar oculto do avião, explosivo potente, detonador controlado por relógio digital que pode ser programado até com 99 horas de antecedência, abandonar o avião normalmente no lugar de destino; a explosão aconteceria em terra ou em pleno vôo posterior. Procedimentos verdadeiramente diabólicos: mecanismos fáceis de armar, componentes quase impossíveis de descobrir, treino mínimo para seu emprego, impunidade quase total, sumamente perigosos para as linhas aéreas, instalações turísticas ou de qualquer outro tipo; instrumentos utilizáveis para crimes e delitos muito graves.

“Se chegam a ser divulgadas e conhecidas tais possibilidades” —nós nos opúnhamos a que fossem divulgadas a tecnologia que usavam— “podem tornar-se epidemia, como aconteceu noutros tempos com os seqüestros de aviões. Outros grupos extremistas de origem cubana, sediados nos Estados Unidos, começam a movimentar-se nessa direção.

“As agências policiais e de inteligência dos Estados Unidos possuem informações fidedignas e suficientes dos principais responsáveis, se realmente o desejam podem fazer abortar em tempo esta nova forma de terrorismo; impossível detê-la se os Estados Unidos não cumpre o elementar dever de combatê-la. Não se pode deixar a responsabilidade de fazê-lo só a Cuba, muito em breve poderia ser vítima de tais atos qualquer país do mundo.”

Isto o informamos, emprestaram-lhe atenção, a tal ponto que fomos consultados sobre a conveniência de enviar um texto do governo norte-americano a companhias aéreas.

Enviaram o texto em que lhes comunicavam às linhas aéreas:

“Recebemos informação sem confirmar sobre uma conspiração para colocar artefatos explosivos ´ bordo de aviões civis que operam em Cuba e países latino-americanos. As pessoas envolvidas no controle planejam deixar um pequeno artefato explosivo ´ bordo…”, isto é, explicam o que lhes tínhamos transmitido.

“Não podemos descontar a possibilidade de que a ameaça possa incluir operações da carga aérea internacional desde os Estados Unidos.

“O governo dos Estados Unidos continua procurando informação adicional para esclarecer, verificar ou refutar esta ameaça.”

Nós lhes colocamos nossa oposi¸ ão para que publicassem esse aviso, porque um dos objetivos que estavam perseguindo os indivíduos era semear o pânico, e lhes colocamos que haviam outros procedimentos, como os que nós empregamos: fazemos plantões em todos os lugares que existia um risco de colocar uma dessas bombas, verificamos e sabíamos quem podiam colocá-las e quem estavam envolvidos nos planos. Estivemos vigiando, que é o que há que fazer, se não querem semear o pânico, criar escândalo ou outorgar-lhes aos autores o objetivo que procuravam afetar a economia do país e semear o terror.

De qualquer maneira publicaram a informação. Muito bom, já nós tínhamos fortalecido muito os mecanismos para a captura dos indivíduos e desde então não conseguiram colocar mais nenhuma bomba e o plantão mantém-se onde é necessário. Quando foram fazer o atentado lá em Panamá, nós sabíamos mais do que estavam planejando do que eles próprios sabiam. Isso está muito claro.

Aí está a máfia de Miami fazendo esforços por colocar em liberdade os terroristas surpresos in fraganti e apreendidos em Panamá. Já têm planos como o fazer, qual é o país por onde vão ser evacuados e como, fingindo estar doentes e movimentando-se; recebem visitas de Miami de maneira livre, e até inclusive, participaram no envio de uma infiltração armada a Cuba há uns meses por Santa Clara.

Graças a muitos amigos que temos por todas as partes e a homens como os que estão aí (refere-se aos patriotas cubanos presos em Miami por procurar informação sobre planos terroristas contra Cuba), o país se defendeu desse terrorismo (Aplausos).

Falo nisto porque há uma realidade, por aí há mais papéis e apontamentos e nós temos enviado às vezes mensagens verbais, e às vezes temos deixado constância escrita, e um dos argumentos que temos utilizado é um argumento incontestável: os Estados Unidos é o país que tem maior número de grupos extremistas organizados e 400 deles estão armados.

Os seqüestros aéreos, método inventado contra Cuba, tornaram-se uma praga universal, e foi Cuba que afinal resolveu esse problema quando, depois de ser advertido reiteradamente, devolvemos aos Estados Unidos a dois dos seqüestradores, é doloroso, eram cidadãos cubanos, mas o advertimos, vieram e os enviamos, cumprimos com a palavra pública; mas nunca, nem sequer depois nos deram notícias para seus familiares. Têm seu modo de agir. Ninguém sabe. Sei que foram condenados a 40 anos, e aquilo foi o que pôs fim ao seqüestro de aviões.

Mas ouçam bem, lá têm 800 grupos extremistas. Às vezes se têm fechado num lugar por alguma razão, têm-se dado fogo, têm morto todos; grupos que por uma razão, muitos deles por razões políticas, às vezes por razões religiosas, mas grupos violentos, tendentes ao emprego da força ou a preparar venenos, produtos para agir contra as próprias autoridades norte-americanas. Não estou falando da máfia, estou falando de centenas de grupos de extremistas organizados e que agem dentro dos Estados Unidos. Há pouco explodiram aquele edifício de Oklahoma.

O país mais vulnerável ao terrorismo é os Estados Unidos, aquele que tem mais aviões, mais dependência de recursos técnicos, vias elétricas, gasodutos, etc. etc. E muitos desses componentes desses grupos são fascistas, não lhes importa matar; mentalmente devem estar muito mais perto da loucura que de uma inteligência equilibrada. Nós lhes dizemos às autoridades norte-americanas: há que evitar que tais métodos sejam divulgados —esse argumento o usamos—, são fáceis de utilizar, é um perigo para vocês.

Neste mesmo momento, quando cheguei aqui, não havia nenhum elemento de juízo para afirmar quem conseguiu colocar essas bombas, porque pode ter sido uma ação pensada e executada por algum destes grupos, que já o fizeram em Oklahoma, ou podem ser grupos do estrangeiro; mas é evidente, pelos pormenores que chegaram, que isto foi organizado com bastante eficácia, poderíamos dizer, bastante organização e sincronização, próprio de pessoas que conhecem, que têm preparação, que possuíam pilotos capazes de pilotar os Boeing, de grande tamanho, que coordenaram as horas exatas em que os que iam agir, seqüestraram, sem dúvida, o avião da rota aérea onde viajavam, e tinham os pilotos que podiam conduzir esses aviões diretos a uma torre ou outros objetivos, e uns minutos depois de uma a outra, e quase ao mesmo tempo, outro dirigido contra o Pentágono.

Isto é, é pessoal com nível de preparação técnica, organização, e não têm necessariamente que ser grupos grandes; ninguém sabe o prejuízo que pode fazer os grupos pequenos, de 20, 25 ou 30 pessoas fanatizadas, ou comprometidas com determinadas idéias, e o lugar onde mais prejuízo podem fazer é nos Estados Unidos. Vê-se o estudo da hora em que podia ter mais pessoas nos escritórios, por volta das 9h:00, o prejuízo que podiam ocasionar, as milhares de vítimas que podiam causar.

Na realidade, neste momento terão que procurar pistas, alguma pista, porque este fato tem caraterísticas especiais. É por isso que o dever mais importante que, ao meu ver, têm os dirigentes dos Estados Unidos é lutar contra o terrorismo, e em parte estas tragédias são conseqüência de ter aplicado os métodos terroristas, no caso de Cuba durante um monte de anos, e no caso doutros países; pois tem difundido a idéia do terrorismo, e hoje, não poder no mundo, por grande que seja, que possa evitar fatos dessa natureza, porque são levados a cabo por pessoas fanáticas, pessoas indiferentes totalmente à morte. Portanto, a luta contra tais métodos é difícil.

Disto podemos tirar uma idéia: nenhum dos atuais problemas do mundo podem ser resolvidos pela força, não há poder global, nem poder tecnológico, nem poder militar que possa garantir a imunidade total contra tais fatos, porque podem ser ações de grupos reduzidos, difíceis de descobrir, e o mais complexo, aplicados por pessoas suicidas. De tal maneira que, o esforço geral da comunidade internacional é pôr fim a uma série de conflitos que andam pelo mundo, quando menos nesse terreno; pôr fim ao terrorismo mundial (Aplausos), criar uma consciência mundial contra o terrorismo. Falo-lhes em nome de um país que viveu mais de 40 anos de Revolução e que adquiriu muita experiência, está unido e tem um nível cultural grande; não é um povo de fanáticos, nem semeou o fanatismo, mas idéias, convicções, princípios.

Estaríamos em melhores condições de nos defender, e o demonstramos, quantas vida não se salvaram, perante tanto dinheiro e tantos recursos para semear o terrorismo em nossa pátria! Vivemos 40 anos de experiência, estamos dez vezes mais preparados para previr tais atos do que, inclusive, os Estados Unidos.

É muito importante saber qual vai ser a reação do Governo dos Estados Unidos. Possivelmente venham dias perigosos para o mundo, não estou falando de Cuba, Cuba é o país que mais tranqüilo está no mundo, por várias causas: por nossa política, por nossas formas de luta, por nossa doutrina, nossa ética, e para além, companheiras e companheiros, pela ausência total do temor.

Nada os inquieta, nada nos intimida. Seria muito difícil fabricar uma calúnia contra Cuba, não seria acreditada nem por aquele que a inventasse e fizesse a patente, é muito difícil; e Cuba não é hoje qualquer coisa neste mundo (Aplausos), tem uma posição moral muito grande e uma posição política muito sólida. Nem me passa pela cabeça a idéia, embora tenha saído um dos tolos da máfia a ver como intrigava, e acho que mencionou até a Venezuela e Cuba, um dos tantos da máfia, charlatães depreciáveis. Ninguém lhes vai fazer caso; mas haverá situação de tensões, riscos, segundo a maneira em que atue o governo dos Estados Unidos.

Os próximos dias vão ser tensos dentro dos Estados Unidos e fora dele começaram a emitir opiniões não se sabe quantas pessoas.

Sempre que acontece uma tragédia dessas, por difíceis que às vezes resultem de ser evitadas, não vejo outro caminho, e se em alguma ocasião é permitido fazer-lhe alguma sugestão ao adversário –adversário que tem sido duro conosco durante muitos anos, mas que sabe que somos duros, sabe que resistimos, sabe que não somos tolos, e pode até existir um bocadinho de respeito para com nosso país-, há muitos problemas em muitas partes, mas se fosse correto nalguma circunstância sugerir alguma coisa ao adversário, em prol do bem-estar do povo norte-americano e na base dos argumentos que eu coloquei, lhes sugeriríamos àqueles que dirigem o poderoso império que sejam serenos, que tentem agir com equanimidade, que não se deixem arrastar por impulsos de ira ou de ódio, nem se lancem a caçar pessoas lançando bombas pro todo o lado.

Reitero que nenhum dos problemas do mundo, nem o do terrorismo, podem ser resolvidos pela força, e cada ação de força, cada ação disparatada do uso da força, em qualquer parte, agravaria seriamente os problemas do mundo.

O caminho não é a força, nem a guerra. Digo-o aqui com toda a autoridade de ter falado sempre com honradez, possuir convicções sólidas e a experiência de ter vivido os anos de luta que Cuba tem vivido. Só a razão, a política inteligente de procurar a força do consenso e a opinião pública internacional pode arrancar de vez o problema. Julgo que este fato tão insólito deveria servir para criar a luta internacional contra o terrorismo, mas a luta internacional contra o terrorismo não se resolve eliminando um terrorista por aqui e outro lá, usando métodos semelhantes e sacrificando vidas inocentes. Resolve-se pondo termo, entre outras coisas, ao terrorismo de Estado e outras formas repulsivas de matar (Aplausos); pondo termo aos genocídios, seguindo lealmente uma política de paz e de respeito pelas normas morais e legais que são ineludíveis. O mundo não tem salvação se não segue uma linha de paz e de cooperação internacional.

Ninguém imagine que estamos tentando comprar uma tonelada de qualquer coisa no mercado dos Estados Unidos. Nós temos demonstrado que podemos sobreviver, viver e progressar, e tudo o que cá se mostra hoje é uma expressão de um progresso sem paralelo na história (Aplausos). Não se progressa apenas produzindo automóveis, progressa-se desenvolvendo inteligências, administrando conhecimentos, criando cultura, atendendo aos seres humanos como eles devem ser atendidos, que é o segredo da enorme força de nossa Revolução.

Não tem salvação o mundo por outras vias, e estou me referindo neste caso às situações de violência. Procure-se a paz em todas partes para proteger a todos os povos contra essa praga do terrorismo, que é uma das pragas (Aplausos), porque hoje há outra terrível praga que se chama, por exemplo, AIDS; há outra praga terrível que mata a dezenas de milhões de crianças, adolescentes e pessoas no mundo por fome, doenças e por falta de assistência e medicamentos.

Discurso proferido pelo Presidente de Cuba, Fidel Castro Ruz, no dia dos trágicos fatos acontecidos nos Estados Unidos, a 11 de Setembro de 2001.

O 11 de Setembro e a imprensa

Os atentados de 11 de Setembro de 2001 não mudaram o mundo de modo tão dramático como tantos previram então e continuam afirmando agora. A tendência humana natural das pessoas é considerar todo fato extraordinário por elas testemunhado como único e de importância transcendental.

A imprensa em geral embarca nesses exageros, o que explica (e tira a credibilidade) de todo “jogo do século” ou “casamento do século” e de toda “crise gravíssima que enfrentamos”.

É claro que o 11 de Setembro de 2001 foi importante e provocou muitas mudanças significativas na geopolítica internacional, na cultura, na vida de muitas pessoas, e, em especial, na economia e na política dos EUA.

Mas nada comparável às provocadas por eventos realmente basilares, como a queda do Muro de Berlim (como símbolo do fim do regime soviético e de seus aliados da Cortina de Ferro), a Segunda Guerra Mundial (inclusive a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki e o Holocausto) ou a Primeira Guerra Mundial – estes sim de implicações de primeiro porte para o mundo e para a Humanidade e, perto dos quais, o 11 de Setembro se torna pequeno.

Tortura escancarada

Por analogia, a imprensa americana passou por momentos muito marcantes devido aos atentados e por uma transformação que poderia até ter sido seminal em seus fundamentos. Mas eles não chegam perto do impacto do advento das novas tecnologias a partir da última década do século 20, e que – este sim – a está alterando de modo efetivamente revolucionário.

Um dos pressupostos essenciais do modelo americano de jornalismo que se moldou ao longo do século passado e especialmente depois das experiências do Vietnã e de Watergate na sua segunda metade foi a absoluta independência dos veículos em relação aos governos, aos quais eles devotaram tratamento crítico e cético.

Foi essa atitude profissional que possibilitou ao Washington Post a histórica cobertura que fez dos desmandos do presidente Richard Nixon e seus assessores mais próximos após a invasão da sede do Partido Democrata na campanha presidencial de 1972 e que detonou o processo político que resultou na renúncia de todos eles e na prisão de vários.

Também foi ela a responsável pela memorável divulgação por vários jornais, em 1971, dos chamados “Documentos do Pentágono” com revelações de muitas mentiras relatadas ao público americano por diversas administrações sobre a política do país no Sudeste Asiático.

E, ainda, muitas reportagens sobre atrocidades cometidas por militares dos EUA durante o conflito do Vietnã nas décadas de 1960 e 1970, assim como a real situação estratégica das tropas do país diante do inimigo vietcongue e norte-vietnamita, que foram importante elemento para consolidar a maioria da opinião pública contra a presença americana naquela nação.

Com o 11 de Setembro, a reação inicial de praticamente toda a imprensa americana foi de perplexidade no começo e depois de adesão cega às medidas adotadas pelo governo de George W. Bush referentes ao assunto, inclusive a declaração de guerra indiscriminada ao terrorismo, os ataques ao Afeganistão e a subsequente invasão do Iraque.

Se o modelo de independência e crítica em relação aos governos tivesse sido abandonado definitivamente ou se tornado hegemônico, aí sim os efeitos do 11 de Setembro sobre a mídia americana teriam sido colossais. Mas não foi isso o que ocorreu.

Que nas horas e dias imediatamente seguintes aos atentados houvesse se estabelecido uma espécie de torpor coletivo entre os jornalistas americanos teria sido compreensível e perdoável. Mas a atitude de submissão ao governo perdurou por quase três anos em grande parte dos principais veículos de jornalismo do país, o que pôs seriamente em risco a credibilidade de vários.

De fato, foi apenas após a divulgação dos atos de tortura cometidos por militares americanos na prisão iraquiana de Abu Ghraib e em especial a das suas imagens, em abril de 2004 pela revista The New Yorker(a única do primeiro time que nunca deixou de dar espaço às poucas vozes críticas que ousavam se levantar contra os abusos de Bush) e pelo programa 60 Minutes da rede de TV CBS que as coisas começaram a lentamente mudar.

Mídia e democracia

Era de esperar que o governo do ultraconservador Bush se empenhasse em obstruir a ação da imprensa independente de diversas maneiras, e o fez: proibiu a divulgação de fotos e vídeos de caixões de soldados mortos em ação no Iraque e no Afeganistão, impediu o acesso da mídia a imagens de satélites utilizadas para registrar ações de tropas dos EUA e de seus inimigos naqueles países (para dificultar o cálculo de vítimas civis nos confrontos), lançou uma formidável campanha de propaganda para manter a população em estado de sobressalto e paranoia e justificar os poderes excepcionais conferidos ao Estado para ampliar sua guerra ao terrorismo.

O que não se podia prever era a autocensura que a maioria dos meios de comunicação resolveu se impor desde os primeiros momentos após os atentados (quando nenhum deles veiculou imagens de pessoas se atirando das torres, o que pode ter sido uma decisão tomada por boas razões éticas) até vários meses depois.

Se era possível embasar em bons motivos a intenção de não disseminar pânico e de não esgarçar a sensibilidade coletiva com a exposição de cenas muito trágicas, a maneira como o jornalismo americano tratou os atentados desde o início prejudicou o interesse público e se contrastou radicalmente com o seu comportamento em situações similares recentes, como o atentado de Oklahoma City em 1995 ou contra o World Trade Center, em 1993.

A falta de informações confiáveis apuradas independentemente por jornalistas, que preferiram esperar apenas por versões oficiais, fez com que toda sorte de boatos sobre o número de aviões sequestrados e de vítimas em Washington e Nova York se espalhassem por horas e dias, o que provocou muita insegurança e desespero sem base real.

Ninguém questionou – por muito tempo – eventuais deficiências dos serviços de segurança nacional e erros diplomáticos ou de política internacional que pudessem ter insuflado o ódio contra os EUA em comunidades islâmicas. Isso reforçou no público a impressão de que o 11 de Setembro havia sido uma fatalidade, produto da ação tresloucada de uns poucos fanáticos religiosos. Todos os funcionários públicos – do presidente da República aos bombeiros – eram considerados heróis, por definição.

Levou muito tempo, por exemplo, para que as primeiras suspeitas de que alguns casos de saque haviam ocorrido durante os trabalhos de resgate nas Torres Gêmeas fossem divulgadas (por William Langewiesche, em reportagens na revista Atlantic, depois editadas em forma de livro). Até hoje, Langewiesche é vilipendiado por boa parte do público, como se fosse uma heresia duvidar da santidade de todos os bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros, assistentes sociais que trabalharam no local da tragédia.

Jornalistas que tentaram manter o tom crítico e aprofundar a reflexão sobre as possíveis causas da tragédia, como o âncora da rede de ABC Peter Jennings e a colunista do Washington Post Mary McGory, sofreram saraivada de críticas de colegas, tiveram seu patriotismo colocado em dúvida, passaram a ser vistos com suspeição e foram colocados à margem por algum tempo.

Foi particularmente simbólica a entrevista que Dan Rather, então âncora do telejornal mais importante da rede CBS, deu a David Letterman em 17 de setembro de 2001, na qual o então decano do jornalismo de TV do país declarou: “Bush é o presidente. Ele toma as decisões. Em qualquer lugar que ele quiser que eu me alinhe, é só ele me dizer onde, eu estarei lá”.

Essa inequívoca expressão de submissão à autoridade do presidente não poderia ter sido mais chocante por ter partido de quem, 30 anos antes, como repórter, havia desafiado a mesma autoridade na pessoa de Richard Nixon, numa entrevista coletiva na Casa Branca, com seguidas perguntas incisivas sobre a política americana no Vietnã, às quais o presidente afinal respondeu com outra: “Você é candidato a algum cargo público?”. E Rather disse ao presidente, que buscava a reeleição: “Eu não. E o senhor?”

O pior é que o comportamento da imprensa de se aliar ao governo lhe rendeu popularidade. No final de novembro de 2001, a pesquisa de avaliação do desempenho do jornalismo que o Pew Research Center já vinha fazendo anualmente há 15 anos revelou que dois terços da população achavam que os meios de comunicação ajudavam a proteger a democracia e o país. Foi o índice mais alto da história da pesquisa. No final de 2010, menos de 50% diziam a mesma coisa sobre a mídia.

Danos à credibilidade

A Casa Branca pedia, e os jornalistas aquiesciam. Em outubro de 2011, o governo solicitou que os veículos de comunicação restringissem ao máximo a veiculação de vídeos e mensagens originadas pela Al Qaeda. Nos meses seguintes, todas as emissoras de TV agiram de acordo com esse desejo quando vídeos de Osama bin Laden foram divulgados.

Foi nessa época que começou a ganhar prestígio a rede de TV Al Jazeera, do Qatar, que não compactuava com a censura americana. Entre as mais expressivas consequências do 11 de Setembro no setor do jornalismo foi a consolidação da Al Jazeera como fonte alternativa de informação para largas audiência pelo mundo.

A Lei Patriota, que o Congresso aprovou por enorme maioria em outubro de 2001, limitava a possibilidade de obtenção de documentos por meio da lei de liberdade de informação (FOIA). Pouquíssimas entidades profissionais e raríssimos jornalistas tiveram a coragem de reagir publicamente a essa determinação, que depois deixou de valer, nas reedições mais restritas da lei.

O entusiasmo da adesão à autocensura levou a episódios bizarros, que corroboram a hipótese de que a censura, de qualquer espécie, é uma porteira que, quando aberta, permite que passe tanto um boi quanto a boiada inteira.

Uma rede de emissoras de rádio, com 1.170 estações afiliadas à época, chamada Clear Channel Communications, deu sua contribuição para fortalecer a segurança nacional ao banir 162 canções populares cujos versos, acreditavam os seus responsáveis, poderiam prejudicá-la. Entre elas, “Imagine”, de John Lennon, e “Sunday, Bloody Sunday”, do U2.

A iniciativa mais inovadora e exitosa (do seu ponto de vista) do governo Bush para controlar a mídia foi um genial golpe de relações públicas concebido por Donald Rumsfeld, o secretário de Defesa.

Os comandos militares americanos vinham sofrendo fazia meio século com o problema de como lidar com jornalistas durante suas guerras. A experiência traumatizante do Vietnã, quando pela primeira vez cenas de guerra chegaram às salas de estar dos lares dos cidadãos e, pior para o governo, sem censura e com espírito crítico, levou os comandantes americanos a tentarem ampliar como nunca as barreiras à ação dos jornalistas, desde simplesmente impedindo seu acesso (invasão de Granada) ou limitando-o a poucosbriefings em hotéis nas proximidades da ação e rápidas visitas ao teatro de operações (Guerra do Golfo).

Rumsfeld imaginou algo radicalmente diverso: tornar os jornalistas uma espécie de verdadeiros soldados, mais ou menos como ocorreu na Segunda Guerra Mundial, embora a maioria dos repórteres ficasse em situação de privilégio equivalente ao de um capelão em relação aos soldados.

Os jornalistas “encaixados” (“embedded”) se comprometiam apenas com um manual de conduta formado por 19 normas, entre as quais não revelar o local exato de onde ele estava mandando suas informações nem o número de baixas militares americanas nos combates cobertos. Apesar das poucas restrições a seu desempenho, muitos jornalistas se submeteram integralmente aos militares. E seus editores nos EUA, ainda mais. Por viverem os mesmos riscos dos soldados e terem sua integridade física inteiramente na mão deles, a maioria dos jornalistas tendia a simpatizar e se tornar dependente deles.

Um dos exemplos mais escandalosos foi a história da recruta Jessica Lynch, que os correspondentes de guerra do Washington Post descreveram como uma fantástica heroína, que lutou bravamente até ser capturada pelos inimigos iraquianos, em cujas mãos foi tratada brutalmente até conseguir escapar também de modo heroico. A própria Lynch depois desmentiu toda a história, absolutamente criada pelos relações-públicas militares e comprada sem nenhuma verificação própria pelos jornalistas do Post.

A dependência acrítica de jornalistas em relação a fontes de governo levou a outro caso, tão ou mais sério que o da recruta Lynch. A repórter Judith Miller, uma das estrelas do New York Times na cobertura dos bastidores que antecederam à invasão do Iraque, se deixou fiar completamente no que ouvia off the record de seus amigos nos gabinetes poderosos de Washington, em especial o do então vice-presidente Dick Chenney, que a manipulavam de modo muito competente para que ela publicasse as informações que mais ajudassem sua estratégia política e militar e depois se referissem a elas em entrevistas on the recordpara corroborá-las.

Com isso, o Times contribuiu para que muitas mentiras sobre supostas armas de destruição em massa em poder do regime de Saddam Hussein se estabelecessem como verdades e servissem de pretexto para a invasão do Iraque, com amplo apoio da opinião pública. Quando os fatos desmentiram as informações que Miller e o Times haviam publicado, em maio de 2004, o jornal resolveu passar a adotar uma linha de “ceticismo editorial” na cobertura do governo, atitude que sempre mantivera no passado e abandonara em 2001.

Os problemas de Judith Miller e os de Jayson Blair, repórter-celebridade do Times que plagiou e inventou dezenas de reportagens até ser demitido em maio de 2003, causaram os mais sérios danos à credibilidade do jornal em sua história secular e o levaram a adotar diversas mudanças de processo e a criar a função de ombudsman para tentar lidar com a crise de confiança no público.

Ideal de jornalismo

Entre os efeitos mais poderosos do 11 de Setembro para a sociedade americana está, sem dúvida, o fortalecimento e a radicalização dos setores mais à direita e conservadores no espectro político-ideológico do país, que reforçaram suas crenças e posições xenofóbicas e isolacionistas com o fato de que os atentados foram cometidos por estrangeiros muçulmanos.

Isso se refletiu na indústria da comunicação, por exemplo, com o grande avanço de audiência e importância da rede de TV paga Fox News, criada em 1996 por Rupert Murdoch, e que se especializou em veicular apenas opiniões desses grupos conservadores e seus porta-vozes.

O sucesso da Fox inspirou outros veículos, que passaram a também se posicionar de modo extremado na cobertura de temas políticos, às vezes em posição oposta à da Fox (como a rede de TV paga MSNBC), também com êxito de audiência, o que fragilizou o posicionamento tradicional do jornalismo americano, de imparcialidade e apartidarismo. A rede de TV paga CNN, que tentou se manter fiel a esses princípios, foi a que mais perdeu público nestes dez anos desde os atentados.

A radicalização ideológica se faz sentir não apenas no mercado do telejornalismo de 24 horas. Mesmo nos veículos que não aderiram nem aos conservadores nem aos liberais, muitos de seus comentaristas e colunistas passaram a adotar linguajar e conteúdo engajado a favor de líderes e partidos de sua preferência.

Isso só tem feito acentuar a divisão que já vem separando a sociedade americana desde os tempos do governo Clinton, mas que se agravou depois dos atentados de 11 de Setembro. O ambiente cibernético de blogs, e Twitter, com posições ainda mais sectárias e violentas, aprofunda essas divisões, que podem levar o país a situações graves e difíceis de prever.

A cobertura jornalística das comemorações do décimo aniversário do 11 de Setembro pela mídia americana reproduziu muitos dos vícios verificados na dos fatos em si, dez anos atrás.

Primeiro, por ter sido hiperbólica, por ter continuado a tratar desses acontecimentos como se eles tivessem sido muito mais decisivos para a Humanidade e para o mundo do que realmente foram. Segundo, por ainda terem oferecido pouco material que desse ao público informações e elementos de reflexão para ajudá-lo a ter um entendimento mais completo do fenômeno, suas causas e consequências, em toda sua enorme complexidade.

Claro, houve exceções. Não surpreendentemente, quase todas dos mesmos veículos que dez anos atrás se mantiveram mais próximas dos ideais do jornalismo americano (a revista The New Yorker, especialmente).

No Brasil, também com exceções (o suplemento “Aliás”, do jornal O Estado de S. Paulo de domingo, 11/9, em particular), o jornalismo tratou do aniversário de maneira exagerada e quase sempre superficial.

Escrito por Carlos Eduardo Lins da Silva, jornalista.

Feliz 11/09! Muçulmano nos EUA recebe caixa de hambúrger com desenho do WTC

Embalagem do restaurante Petrol Station dada ao muçulmano Tarek G.

No dia 11 de setembro desse ano, quando o mundo recordava os dez anos dos atentados contra os EUA, Tarek G., um muçulmano que mora em Houston, foi ao restaurante Petrol Station para comer um hambúrger. Após fazer seu pedido, o homem  recebeu uma embalagem de isopor com o desenho de um avião colidindo nas Torres Gêmeas e com os dizeres “Feliz 11 de setembro”.

Indignado, Tarek devolveu o hamburger e pediu o dinheiro de volta assim que recebeu o pacote, conforme informou o site Gawker. O atendente, porém, não o reembolsou e ainda deu risada do cliente com um colega de trabalho.

Tarek, por sua vez, insistiu na devolução do dinheiro, o que só aconteceu após a chegada do gerente do restaurante, que não se desculpou pelo ocorrido. O muçulmano contou ainda que ao sair do local ouviu o atendente repetir algumas vezes “Allahu Akbar” (Deus é Maior, em português).

O caso chegou ao dono da rede de sanduíches, Ben Fullilove, que se desculpou pelo ocorrido e disse que o funcionário que causou o constrangimento foi demitido.

“Eu tive a chance de apertar a mão de Tarek e pedir desculpas pessoalmente. Isso significa muito mais para mim do que os danos para a minha empresa”, disse Fullilove referindo-se as críticas recebidas por meio do site Yelp, que avalia serviços nos EUA.