Comunidades agroecológicas do bem viver

Comunidades agroecológicas do bem viver

Trago boas notícias meu povo! Tem gente boa nesse mundo querendo fazer algo diferente. Vamos nessa? Se liga então…

Estão abertas as inscrições para formação da 2ª Comunidade Agroecológica do Bem Viver, na Terra Indígena Morro dos Cavalos, município de Palhoça, Santa Catarina. É meio longe de Ilhota, mas onde esse post chegar, faz-se a chamada da participação da massa nesse movimento.

Você já se imaginou se alimentando de comida livre de veneno, socialmente justa e fruto de um processo que regenere e colabore para a transformação do mundo!? Então, essa é a hora. Ao invés do simples consumo, as pessoas são participantes ativas nessa comunidade, buscando suas cestas semanalmente, participando de encontros mensais com a família agricultora e contribuindo financeiramente para garantir a produção dos alimentos que sempre sonhou em acessar, mas que a indústria alimentícia, voltada para o lucro, inviabiliza o acesso.

Topas? Vamos nessa! Para formação dessa segunda Comunidade Agroecológica, pedimos a sua contribuição!

Venha fazer parte e seja coagricultora/coagricultor e compartilhe! Saiba mais e garanta já a sua inscrição acessando este link (fique tranquilo, não é vírus). Confira também o sonho envolvido neste projeto com a liderança indígena e gestora ambiental, Kerexu.

Redes sociais

Aproveitamos para compartilhar os links das redes sociais dessa turma. Acesse e acompanhe, agora!

Serviços

  • Quer conhecer mais de perto? Participe do Ponto de Encontro e Entrega das Cestas que realizamos todos os sábados, das 10h às 13h, no Instituto Arco íris, localizado na Travessa Ratcliff, 56, no Centro de Florianópolis.
  • Estão também à disposição também pelo WhatsApp: 48 99948-8778.

Venha conhecer essa gente e construir a Sociedade do Bem Viver: livre de exploração, opressão e da destruição do planeta!

Com informação repassadas pelo e-mail da Cíntia (que não sei quenhé, mas que de alguma forma, tem meu contato. Maravilha!)

Com alegria,
#DialisonCleberVitti

Agroecologia popular e camponesa: a chave para acabar com a fome no mundo

Dia Internacional da Agricultura Familiar

25 de julho, Dia Internacional da Agricultura Familiar, será comemorado por organizações que constroem a agroecologia.

Qualificar a agroecologia como Popular e Camponesa, pode ser redundante e repetitivo, mas, neste caso, muito necessário para falar de uma perspectiva da agroecologia que movimentos sociais, organizações da sociedade civil, camponesas, indígenas, pescadoras, extrativistas e muitos outros grupos vêm construindo dia a dia com seu enfrentamento ao sistema agroalimentar dominante no mundo. Muito mais que um conjunto de práticas agrícolas para produção de alimentos, a agroecologia é política, incluindo os aspectos da soberania alimentar e do direito de camponeses e camponesas por todo o mundo.

“A fome é a expressão biológica de males sociológicos” esta frase de Josué de Castro, grande estudioso e ativista pernambucano que dedicou sua vida a estudar a fome, denuncia as raízes da fome no mundo, expondo que por trás de muitos discursos que justificam a existência dela, há uma intencionalidade política, seja pela concentração de terras, dinheiro, tecnologias e/ou poder político nas mãos de poucos.

Mesmo com toda esta concentração, hoje a agricultura camponesa produz 70% de toda a alimentação humana do planeta, utilizando apenas 25% dos recursos naturais para isto. Enquanto isso, no Brasil, o agronegócio possui apenas 15% dos estabelecimentos agrícolas e concentra 75% das terras, ou seja, “muita gente sem terra e muita terra sem gente”.

Dia 25 de julho é o dia internacional da agricultura familiar, e apesar de todos os esforços que temos feito, não temos muito a comemorar, pois o Brasil, que tinha saído do mapa da Fome em 2014, está prestes a voltar, por isso o Centro de Desenvolvimento Agroecológico  Sabiá, que neste mês de Julho também celebra seus 25 anos, está promovendo o Ocupe Campo & Cidade: não quero mais a fome em meu país, neste dia 25 no Pátio de São Pedro no Centro do Recife. O evento contará com uma grande feira agroecológica com alimentos de todo o estado, demonstrando a grande capacidade que  agricultura camponesa de base agroecológica tem de alimentar a população. Também teremos painéis com debates sobre Soberania Alimentar e Democracia e sobre a Produção de alimentos e a história da fome no Brasil.

Viva a Agroecologia! Viva a Agricultura Familiar! Viva o Centro Sabiá!

Por Carlos Magno M. Morai, do Brasil de Fato, é coordenador técnico-pedagógico do Centro Sabiá.

Pesquisa aponta a pobreza gerada com o avanço do agronegócio

a pobreza gerada com o avanço do agronegócio

O levantamento sinaliza ainda que o agronegócio aproveita a vulnerabilidade das regiões para se instalar e criar raízes. Intitulado São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009, o estudo é do pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), Tiago Cubas. Ele trabalha com dados como o Índice de Pobreza Relativa, Índice de Gini e de Concentração de Riqueza para revelar uma situação de contradição.

Hoje a população rural do estado é de 1,7 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1980 era de 2,9 milhões. De acordo com a pesquisa, a região do entorno da cidade de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia Brasileira, é uma das que mais aumentaram o abismo econômico entre a população durante os anos de 1988 a 2009. Situação semelhante também ocorreu no entorno das cidades de Araraquara e Campinas e nas regiões do Pontal do Parapanema – principalmente no entorno dos municípios de Presidente Prudente e Araçatuba, e do Vale do Ribeira, entorno do litoral sul paulista e de Itapetininga (veja mapa abaixo). Dos 645 municípios paulistas cadastrados para mapeamento, apenas 228 municípios conseguiram amenizar a intensidade da pobreza no período pesquisado. No restante, a miséria aumentou.

O autor mostra que as regiões onde isso ocorreu são espaços do desenvolvimento do agronegócio, especialmente da monocultura da cana-de-açúcar. É o caso da Região da Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Araraquara e Campinas), onde a cana é preponderante. A área do Pontal do Parapanema, tradicionalmente reduto da pecuária no estado paulista, também sofreu com a expansão da monocultura. “Isso pode significar que o agronegócio escolhe as áreas mais vulneráveis para se instalar e, assim por diante, acirrar as desigualdades sociais e degradar o meio ambiente”, explica o pesquisador.

Além de terem se tornado mais desiguais socialmente, essas regiões são as que mais registram conflitos e assassinatos contra trabalhadores rurais e camponeses. “Quando acoplamos as análises, a representação da expansão da cultura da cana-de-açúcar no período mais recente com os outros elementos é possível ver uma relação com maior incidência de violência”, explica Cubas ao Brasil de Fato.

Incentivo dos governos

A cultura da cana-de-açúcar é exercida em grandes extensões de terra e associada ao trabalho precarizado, à expulsão de pequenos proprietários rurais e ao conflito com acampados e assentados da reforma agrária.

De acordo com Cubas, a expansão da cana iniciada pela ditadura civil-militar na década de 1970 – na época, como alternativa diante do crescimento do preço do petróleo – ganhou forte impulso de continuidade no estado de São Paulo graças à presença do PSDB no comando do governo estadual e a entrada do PT na esfera federal. Os ex-ministros do governo Lula, João Roberto Rodrigues (Agricultura) e Antonio Palocci Filho (Fazenda) teriam sido, segundo ele, grandes articuladores do governo com o setor canavieiro.

O crescimento expressivo do setor no estado ficou registrado no número de toneladas produzidas e na exigência de terra, cada vez maior, para plantio. Apenas no estado paulista, a produção em toneladas da monocultura passou de 138 em 1990 para 239 em 2004 e 426 em 2010. A produção em milhões de hectares para os mesmos anos foi de 1,8; 2,9 e 4,9, respectivamente. Um crescimento bem superior a 100% nos dois casos. O destaque ficou por conta da região de Ribeirão Preto que, em 2010, concentrou as três maiores produções: Morro Agudo (com a produção de 7,9 milhões de toneladas). Barretos e Guaíra – cada qual produzindo 5,8 milhões de toneladas.

Pobreza

“A monocultura da cana-de-açúcar é a que transmite os valores atuais do capitalismo agrário paulista através da expansão indiscriminada de todo o seu aparato”, afirma Cubas, ressaltando que essa pressão tem obrigado assentados a arrendarem seus lotes para o plantio da cana e alugaram sua força de trabalho para o corte nas fazendas.

A assentada da Comuna da Terra Mario Lago, localizada no município de Ribeirão Preto, e integrante da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Kelli Mafort, diz que é possível acompanhar o desenvolvimento da pobreza gerada pela cultura da cana-de-açúcar na região. Segundo ela, muitos acampados e trabalhadores rurais trabalham no corte por falta de outra oportunidade de emprego. “Não só eles, mas muitas famílias assentadas também trazem uma amarga relação com a cana pois carregam até hoje graves problemas de saúde devido ao trabalho exaustivo na atividade”.

Já o acampamento Alexandra Kollontai, localizado no munícipio de Serrana, conta com trabalhadores do corte de cana que se queixam dos poucos postos de trabalho, cada vez mais raros em razão do incentivo à mecanização. Segundo Mafort, o acampamento tem famílias há quase cinco anos acampadas e a paralisia da política de criação de novos assentamentos também contribui para o aumento da pobreza.

Nas mãos de poucos

A pesquisa São Paulo Agrário mostrou ainda que o agronegócio no interior do estado está afetando a concentração de renda e de terra entre a população. Tiago Cubas aponta que a renda apropriada pelos 10% mais ricos vem aumentando nas regiões do Pontal do Paranapanema e da Alta Mogiana, nas quais há o crescimento intenso do agronegócio sucroalcooleiro. “Em 1991 eram 23% dos municípios do estado que tinham a apropriação de 40 a 44% da renda do município para os 10% mais ricos. Esse número chega em 2010, com a mesma amplitude de concentração, em quase 30% dos municípios”, destaca.

E não é somente a renda, a concentração fundiária também cresceu. De acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE, em 1995, as propriedades acima de 200 hectares contabilizavam 61% (10.659.891 hectares) do total, enquanto as propriedades igual ou abaixo de 200 hectares chegavam a 39% (6.709.313 hectares). Já em 2006, as propriedades acima de 200 hectares já eram 71% (14.332.546 hectares) do total, ao passo que as propriedades igual ou abaixo de 200 hectares eram 29% (5.840.727 hectares).

Uma das áreas mais desiguais do estado de São Paulo em relação à concentração de renda e terra é o Pontal do Paranapanema. O drama é grande entre as famílias acampadas na região, em torno de 2 mil que esperam ansiosamente por serem assentadas. De acordo com o assentado e integrante da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Delwek Mateus, apesar de farta oferta de terras devolutas, não há sinalização do avanço da reforma agrária. “No Pontal há grande quantidade de terras públicas de responsabilidade do governo do estado, mas griladas por latifundiários. E o governo estadual, ao invés de transformar essas áreas em assentamentos da reforma agrária, quer regularizar as grilagens”, explica Mateus, em referência ao projeto de lei 687/2011 apresentado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que legaliza terras griladas no Pontal.

O setor canavieiro no Pontal cresce em extensão e na implantação de usinas para a produção de etanol e açúcar. A falta de oferta de outro tipo de emprego na zona rural também obriga acampados e assentados a viverem da atividade. Segundo Mateus, o agronegócio traz pobreza principalmente para as cidades pequenas que dependem do trabalho no campo. “Cada vez que aumenta a mecanização no campo, há a perda de postos de trabalho. Com diminuição dos postos de trabalho, consequentemente há aumento da oferta de mão-de-obra, o que acarreta na diminuição dos salários e exige uma maior produtividade para que o trabalhador tenha um preço digno. Todo esse conjunto de fatores leva a um processo de empobrecimento da população”, argumenta o assentado.

Para Mateus e Cubas, a reforma agrária é uma saída para acabar com a pobreza no campo brasileiro. Mas a julgar pelos investimentos, os governos ainda não enxergam a situação dessa forma. Um exemplo disso é a destinação de recursos diferenciados para a agricultura familiar e para o agronegócio. Enquanto o Plano Safra do Agricultor Familiar de 2011/12 recebeu um investimento total de R$ 16,2 bilhões, o Plano Agrícola da Agricultura e da Pecuária de 2011/12 conquistou R$ 107,21 bilhões, 7,2% a mais em relação ao valor dos recursos do plano passado.

A postura “natural” de criminalizar

Durante os últimos três anos, Tiago Cubas também analisou a cobertura impressa sobre as ocupações, assentamentos e outras manifestações de luta pela reforma agrária no estado de São Paulo. Foram estudados mais de 30 mil recortes dos periódicos O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, de repercussão nacional, e O Imparcial e Oeste Notícia, com abrangência na região de Presidente Prudente. Uma das conclusões do pesquisador é que a mídia corporativa totaliza a visão das relações capitalistas no campo, estereotipa e não aceita sujeitos e modos de produção alternativos.

O quadro que encontrou é desolador do ponto de vista do acesso à informação sobre as causas dos movimentos sociais. Cubas mostra que notícias e artigos promovem interpretações binárias, nas quais ruralistas são comumente tratados como vítimas e camponeses como assaltantes.

Enquanto a luta pela terra é identificada como ação contra a ordem estabelecida, o agronegócio é mostrado pela ótica do progresso, modernização e tecnologia. Não há nuances nem explicações mais profundas capazes de explicar a existência de dois projetos distintos para o desenvolvimento do campo.

Para Cubas, a formação de uma opinião pública desfavorável aos sem-terra contribui para diminuir o estímulo à elaboração e à implantação de planos e programas de reforma agrária no estado. Nada diferente do esperado de uma imprensa que tem fortes ligações políticas e econômicas com o setor industrial do campo. O jornal Oeste Notícias, por exemplo, pertence é coordenado por Paulo Lima, proprietário da TV Fronteira filiada à Rede Globo e filho de Agripino Lima, ex-prefeito de Presidente Prudente e latifundiário ligado a UDR (União Democrática Ruralista). Já O Imparcial tem como proprietários Mário Peretti, Adelmo Vaballi e Deodato Silva que, segundo Cubas, fazem parte da elite histórica de Presidente Prudente.

“Em nossas análises, esses dois jornais regionais mostram uma íntima ligação entre os seus proprietários e o conteúdo das notícias que revelaram uma memória histórica dos dominadores”, afirma o pesquisador. Já O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo são historicamente reconhecidos pela defesa dos interesses do setor ruralista.

O orientador de Cubas no mestrado, Cliff Welch, acentua que os jornais da grande imprensa contribuem para o processo de aperfeiçoamento do capitalismo industrial no controle sobre a terra. “A partir do final do século 19, podemos documentar o curso paralelo do jornal O Estado de S. Paulo, o então Província de S. Paulo, com a cobertura de Euclides da Cunha das múltiplas campanhas de repressão do arraial de Canudos. Hoje em dia, quando o Estadão apoia a repressão e a criminalização dos sem terra, está tomando uma postura ‘natural’ da perspectiva da burguesia, para qual a predominância do reino da lei é crucial para manter a ordem dos forasteiros e o progresso (da burguesia)”, ressalta Welch, que é integrante da pós-graduação da Cátedra da Unesco para Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial.

A violência invisível contra transgêneros

Transgênicos

O dia 20 de novembro é tão irrelevante quanto qualquer outro dia para a maioria das pessoas, mas para a comunidade transgênera é um dia solene de luto e de se juntar para lembrar de nossos parentes assassinados. A cada ano, com a proximidade da data, me encho de um sentimento de perda. Desde 1999, 20 de novembro marca o Dia Internacional de Recordação dos Transgêneros, e começou após o assassinato macabro de uma mulher transgênera afro-americana chamada Rita Hester, em Boston.

Rita foi esfaqueada até a morte em seu próprio apartamento em 28 de novembro de 1998 e seu homicídio continua sem solução. Sua morte veio apenas algumas semanas após o assassinato de Matthew Shepard, em Wyoming, ter despertado um debate nacional sobre os crimes de ódio contra os homossexuais, mas o assassinato de Rita não recebeu tal resposta do público. Seu assassinato e a falta de atenção da mídia para a sua morte levaram uma vigília à luz de velas a começar em São Francisco no ano seguinte.

Ele também alimentou a criação de um projeto na web intitulado “Remembering Our Dead” (Recordando Nossos Mortos, em tradução livre), que conta a história de pessoas transgênero de todo o mundo que foram assassinadas por preconceito e ódio. Sua lista remonta à década de 1970 e documenta as perdas que a nossa comunidade sentiu durante muitos anos de maus tratos e marginalização.

Eu poderia dizer que a lista não cresce a cada dia que passa. Mas eu estaria mentindo. Em todo o mundo, as pessoas transgêneras são assassinadas a taxas que são surpreendentes quando comparadas aos seus contemporâneos. Embora os dados sejam limitados na melhor das hipóteses, tem havido algum esforço nos últimos anos para registrar e analisar a violência transfóbica em todo o mundo.

Um grupo que está levando essa carga é o Trans Murder Monitoring Project (Projeto de Monitoramento de Assassinato de Trans, em tradução livre), que começou através de uma cooperação entre o Transgender Europe e a revista acadêmica on-lineLiminalis, em 2009. Seus últimos dados, de março de 2012, registram mais de 800 assassinatos de pessoas transgêneras em todo o mundo durante os últimos quatro anos em 55 países. A parte mais assustadora desse número é que, segundo os realizadores do projeto admitiram, o estudo “só pode fornecer um vislumbre de uma realidade que é, sem dúvida, muito pior do que os números sugerem”.

Parte do desafio em encontrar os dados estatísticos para estas atrocidades é que há um certo número de detalhes técnicos burocráticos e complicações que tornam extremamente difícil determinar os valores exatos. Pessoas trans nem sempre são capazes de alcançar o reconhecimento legal de sua identidade, nem a mídia nos retrata como realmente somos na maioria dos casos. Assim, nossas vidas e nossas mortes são muitas vezes deturpadas por agências governamentais, sociais e na mídia. Isso significa que informações precisas e dados são difíceis de encontrar, e um bem precioso quando encontrados.

Simplificando, a razão pela qual há tão poucos dados é que as formas pelas quais os dados são coletados não fazem concessões para as pessoas transgêneras. Isto significa que na coleta de informações de um indivíduo para um censo, por exemplo, ou para a papelada relacionada a doenças como o HIV / AIDS, hepatite, tuberculose, etc, não há nenhuma maneira de mostrar que alguém se identifica como transgênero. Há quase sempre apenas duas opções dadas – masculino e feminino – com nenhuma forma de indicar qualquer coisa que não seja o sistema binário de gênero difundido na sociedade ocidental. Isto pode ter efeitos enormes sobre a sua saúde, devido à falta de compreensão e sensibilização para as questões que as pessoas transgêneras enfrentam e a subsequente falta de informações, serviços e apoio à sua disposição.

Center of Excellence for Transgender Health (Centro de Excelência para a Saúde de Transgêneros) sugere a implementação de sistemas de coleta de dados de saúde que reflitam mais precisamente tanto a identidade de gênero atual de uma pessoa – em todas as suas glórias formas e encarnações – como a mais tradicional designação masculina/feminina dada no nascimento. Esta metodologia sugerida pode ser radical para alguns, embora sua introdução pudesse dar ao mundo uma melhor ideia quanto a quem a comunidade transgênera realmente é, alimentando mais da história de gênero de cada indivíduo nossos dados. Houve algum progresso notável no entanto, à medida que países como Nepal e Austrália reconhecem oficialmente transgênero como uma terceira identidade.

No entanto, para o resto do mundo, a situação de dados é ainda mais complicada por uma crise de identidade jurídica, que impede a maioria das tentativas de encontrar até mesmo uma contagem exata da comunidade transgênero como um todo.

National Center for Transgender Equality (Centro Nacional para a Igualdade Transgênera) estima que entre 0,25% e 1% da população dos EUA é transgênera, apesar de ninguém poder dizer ao certo quantas pessoas transgêneras existem em todo o mundo, nem todos os seus assassinatos poderão ser devidamente documentados pelos gravadores, apesar de seus melhores esforços.

A triste verdade é que as pessoas transgêneras continuarão a ser perseguidas e assassinadas por serem elas mesmas. Nossas vidas são consideradas menos dignas pelo mainstream em muitos lugares, e nossos assassinatos ignorados como se não fossem grandes perdas. Mas ainda somos seres humanos, e nossas mortes não são menos importantes do que a de qualquer outro ser humano.

Todos os anos, durante a semana de 20 de novembro, há vigílias à luz de velas e memoriais em todo o mundo. Fazemos isto para honrar e valorizar a memória de nossos irmãos e irmãs perdidos do mundo inteiro. A lista deste ano representa quase 40 vidas encurtadas pela intolerância, então eu espero que você tire um momento para se lembrar deles, e insisto que vocês se unam à luta contra a transfobia, violência e discriminação.

*Dee Borrego é uma mulher transgênera de 28 anos, HIV positiva, que atualmente vive em Boston, Massachussets. Ela é uma ativista, blogueira, poliglota e líder comunitária. Foi membro fundador da US Positive Women’s Network (Rede de Mulheres Positivas dos Estados Unidos) em 2008, e atualmente atua em seu Comitê Gestor. Dee foi recentemente eleita para o Conselho de Administração da Global Network of People Living with HIV, North America (Rede Global de Pessoas Vivendo com HIV, América do Norte).

Por Dee Borego* do Open Democracy. Traduzido por Isis Reis, do Canal Ibase

Falsos mitos sobre a agroecologia

Neste vídeo criado pela Campanha Cresça em parceria com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), são esclarecidos três falsos mitos sobre a agroecologia que são amplamente disseminados. De maneira simples, as organizações conseguem mostrar como a agroecologia não produz alimentos mais caros, faz grande uso de tecnologia e tem uma produtividade tão boa ou melhor que a da agricultura convencional. Além disso, com os dados apresentados é provado que a agroecologia é a grande alternativa para um sistema agrícola que possa alimentar o mundo. Veja o vídeo acima.