O nosso país falhou, a gente falhou. Eu falhei!

Essa semana no Rio de Janeiro, mataram a vereadora e seu motorista. Morreu uma médica na Linha Vermelha, latrocínio. Morreu um gari, assassinado. Morreu um feirante, morto a facadas. Morreram dois jovens de uma favela, envolvidos com o tráfico. Um policial foi alvejado na saída do trabalho, caiu morto. Uma mulher foi morta pelo marido, feminicidio. Mataram também um jogador de futebol de várzea, se engracou com a mulher do açougueiro e pá, mataram. Deram dois tiros num caminhoneiros, ele não quis entregar seu caminhão para assaltantes. Um filho matou o pai, ele usava drogas e o pai batia nele. Uma moça foi estuprada e morta num terreno baldio também…

Todo dia tem vítima da violência. No Rio, em SP, no Acre, em Manaus, em Porto Alegre, em Camboriú. Todo dia a gente perde a dignidade. Sejam estas pessoas de esquerda, direita, policial, jornalista, ativista, médico, padeiro, gari, bandido…

O nosso país falhou. A gente falhou. Eu falhei. Em dois dias eu li extremos absurdos nas redes sociais, grupos de WhatsApp, ouvi horror nas ruas. Ninguém se entende. Ninguém quer dar o braço a torcer. Ninguém admite o erro. Ninguém quer fazer nada. Uso uma rede social para pedir que eu e você, levantemos nossa bunda para fazer alguma coisa. Daqui uns meses temos eleições, quem sabe uma possibilidade de mudar, mas sem salvadores da pátria. Eles não existem.

A escuridão no país tropical parece não ter fim, mas só nós podemos dar luz a um futuro. Será a última vez que vamos poder acreditar. Vem junto, vem.

Artigo de Rafael Weiss postado originalmente em seu perfil no Facebook.

Vereadora Marielle Franco

Anúncios

Um massacre está acontecendo na Síria!

Um massacre está acontecendo na Síria!

Não temos palavras para descrever o que tem acontecido em Ghouta Oriental, na Síria. Homens, mulheres e crianças estão sendo bombardeados e não têm para onde fugir ou se esconder. É um massacre!

O governo sírio, apoiado pela Rússia, está matando sua própria população! Precisamos urgentemente pressionar a Rússia e a Síria para que parem imediatamente os bombardeios e que permitam a entrada da ajuda humanitária.

As Nações Unidas estimam que mais de 400 mil civis estejam em Ghouta Oriental neste momento. Essa pessoas estão encurraladas, cercadas pelo governo sírio desde 2013. A ajuda humanitária não entra e elas não podem sair. Falta comida, água potável, eletricidade e gasolina.

É urgente parar os ataques, permitir a entrada da ajuda humanitária e deixar os civis saírem.

Há cerca de um ano a pressão internacional funcionou em Alepo e os civis puderam ser transferidos. O mesmo precisa acontecer agora. Para isso, precisamos de muitas assinaturas! Precisamos da sua assinatura.

Assine a ação em nosso site e encaminhe esse e-mail aos seus amigos e familiares. Agora é a sua vez de atuar!

A pressão funcionou em Aleppo e com sua assinatura poderemos fazer o mesmo em Ghouta Oriental.Sua participação faz toda a diferença.

Anistia Internacional Brasil

Um verdadeiro pesadelo que precisa terminar!

Comércio de pessoas na Líbia

Pais e filhos ​​estão sendo vendidos como escravos. Mulheres e meninas estão sendo violentadas sexualmente. Crianças estão famintas!

Anistia Internacional, Dialison, Dialison Cleber, Dialison Cleber Vitti, DialisonCleberVitti, Dialison Vitti, Dialison Ilhota, Cleber Vitti, Vitti, dcvitti, @dcvitti, #dcvitti, #DialisonCleberVitti, #blogdodcvitti, blogdodcvitti, blog do dcvitti, Ilhota, Newsletter, Feed, 2016, ツNão podemos virar as costas para as violações gravíssimas de Direitos Humanos que estão ocorrendo agora na Líbia! Junte-se à Anistia Internacional hoje e nos ajude a denunciar o horror que está acontecendo no país africano!

Amigo, você já parou para pensar como seria abandonar a sua casa e embarcar em uma viagem perigosa com a sua família em busca de segurança e de refúgio em um outro país? Agora, imagine, além de enfrentar tudo isso, ser exposto a detenções arbitrárias, extorsão, trabalho forçado, tráfico humano, violência sexual e outras violações gravíssimas de Direitos Humanos?

Isso está acontecendo, neste momento, com milhares de migrantes e refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo e passam pela Líbia no caminho até a Europa.

Nas mãos das autoridades líbias, de milícias, de grupos armados e de traficantes – e negligenciados por líderes europeus -, homens, mulheres e crianças estão sendo detidos em centros superlotados e em condições absolutamente chocantes.

Toda essa situação inaceitável está sendo reforçada por governos europeus – principalmente a Itália -, que não só estão conscientes destes abusos, como também são cúmplices nestes crimes. Autoridades do continente estão prestando apoio ativo às autoridades líbias nas operações para fechar as travessias marítimas e reter as pessoas no país.

Então, nós não podemos permitir que esse absurdo continue dentro das fronteiras sem-lei da Líbia. Precisamos do apoio de pessoas como você para pôr fim a esse ciclo de horror.

Com doações a partir de R$1,30 por dia, você nos ajuda a manter a pressão para que líderes europeus acabem com o sofrimento dos refugiados e migrantes na Líbia; a investigar todas as alegações de tortura e outros maus-tratos; a lutar para acabar com a escravidão, bem como nos ajuda a expor mentiras e salvar vidas!

Refugiados e migrantes devem ser protegidos e terem a garantia de seus direitos, e não vendidos e torturados.

Anistia Internacional Brasil

Os tabus sobre direitos humanos

Sete tabus dos Direitos Humanos

Direitos humanos para…? Bandido bom é bandido…? Lugar de criança é na…? Drogas: guerra é o caminho? Índio quer…? Polarização nas redes: verdade ou mentira? Lugar de mulher é…? Para ampliar o debate sobre direitos no Brasil, convidou-se pessoas com trabalhos de referência no país para um papo reto sobre questões que geralmente são tratadas como tabus.

O evento aconteceu quinta-feira, dia 22, às 19h30, com uma transmissão ao vivo e online, direto da página do Quebrando Tabu no Facebook! Eu não assisti. Esqueci! O tema foi sete tabus dos Direitos Humanos. A quem diga que bom, viu?

Quem mediou essa conversa foi a atriz, diretora da ONG Humanos Direitos e Embaixadora Nacional da ONU Mulheres Brasil, Camila Pitanga. Além dela, participaram da mesa: Juliana Melo, pesquisadora sobre sistema prisional no Rio Grande do Norte; Dona Raimunda Dias, mãe de ex-interno no sistema socioeducativo; MC Sabrina Martina, componente do Movimentos; Getúlio Juca, Nhanderu Kaiowá e membro do Conselho Continental da Nação Guarani – CCNAGUA; Pablo Ortellado, pesquisador da USP; e Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

Abaixo, o vídeo que transmitiu o debate ao vivo pela página da campanha no Facebook. Até o momento a organização não subiu o vídeo no canal da Anistia Internacional Brasil no YouTube.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fquebrandootabu%2Fvideos%2F1808994482490264%2F&show_text=0&width=560

Os tabus sobre direitos humanosAnistia Internacional Brasil

 

 

Relatório anual da Anistia Internacional “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”

Relatório anual da Anistia Internacional

Você que defende a Liberdade e contribui para que possamos, juntos, construir um mundo melhor e ter pessoas ao lado da luta da Anistia Internacional é muito importante e essencial para que possamos dar continuidade à defesa dos direitos humanos no Brasil e no mundo.

É pensando em tudo que você tem proporcionado que a Anistia Internacional trás um conteúdo especial: o relatório anual da Anistia Internacional “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo” em primeira-mão!

O ano de 2018 já começou cheio de desafios para os direitos humanos… intervenção, ameaças, denúncias e muita luta. É, esse ano promete meu camarada e é por isso que queremos marcar um encontro especial com você para falar sobre tudo isso e mais um pouco.

O relatório anual é um material completo que traz pesquisas e retrospectivas de 57 países e territórios no mundo. Muito do que aconteceu ano passado relacionado a direitos humanos – desde as violações cometidas às conquistas alcançadas – está nesse importante material que você pode acessar aqui.

Rlatório anual da Anistia Internacional - O Estado dos Direitos Humanos no Mundo

O relatório

O Informe 2017/18 da Anistia Internacional traz à luz a situação dos direitos humanos no mundo em 2017.

A introdução, os cinco panoramas regionais e as pesquisas sobre 159 países e territórios de todas as regiões documentam a luta de inúmeras pessoas para reivindicar seus direitos, e as omissões dos governos em respeitar, proteger e realizar os direitos humanos.

Em meio a esse cenário, é possível perceber progressos duramente conquistados, mostrando que a defesa dos direitos humanos realmente produz resultados positivos. Este relatório presta homenagem aos defensores dos direitos humanos que continuam a lutar por mudanças, seguidamente arriscando suas próprias vidas no processo.

Num ano em que medidas de austeridade e desastres naturais aprofundaram ainda mais a pobreza e a insegurança de tantas pessoas, este Informe também focaliza os direitos econômicos, sociais e culturais.

Embora tenhamos nos esforçado ao máximo para assegurar o rigor das informações aqui apresentadas, elas sempre estarão sujeitas a mudanças de última hora.

Anistia Internacional Brasil

Dizem que o ano só começa depois do carnaval, mas não é bem assim…

Cartunista André Dahmer da série de tirinhas Malvados se juntou voluntariamente a Anistia Internacional no Brasil

Anistia Internacional, Dialison, Dialison Cleber, Dialison Cleber Vitti, DialisonCleberVitti, Dialison Vitti, Dialison Ilhota, Cleber Vitti, Vitti, dcvitti, @dcvitti, #dcvitti, #DialisonCleberVitti, #blogdodcvitti, blogdodcvitti, blog do dcvitti, Ilhota, Newsletter, Feed, 2016, ツO recesso parlamentar termina oficialmente hoje e, como não poderia deixar de ser, já estamos a postos  com a nossa mobilização e resistência por nenhum direito a menos!

Para nos apoiar nessa missão, o cartunista André Dahmer, da série de tirinhas Malvados, se juntou a nós voluntariamente e criou, com exclusividade, 5 peças que chamam a atenção para a agenda de retrocessos em direitos humanos que está em pauta no Congresso Nacional. É incrível como os cartoons conseguem comunicar, rapidamente, os temas da nossa campanha Direitos Não se Liquidam.

As charges, que guardam o traço único e o humor afiado de André Dahmer, questionam desde a proposta da redução da maioridade penal às ameaças que criminalizam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, e serão lançadas ao longo da campanha em 2018. Acompanhe a Anistia Internacional nas redes sociais e fique por dentro de cada detalhe dos lançamentos.

Além das peças originais, você também poderá apoiar com a nossa mobilização, fazendo uma doação e ganhando camisas com as artes do artista.

’Eu quero pedir encarecidamente que vocês olhem todo o material e contribuam com a instituição que já faz um trabalho de muitos anos de maneira séria, apartidária, e que tem feito a diferença ao redor do mundo, em vários países onde o sistema democrático tem falhado. A Anistia precisa desse fundo para trabalhar em defesa dos direitos que a população está perdendo aqui.
André Dahmer

As camisas ilustradas com a charge “Uma breve fábula sobre direitos humanos”, que abre a série, já estão disponíveis nas cores branca e preta, e você já pode garantir a sua com doações a partir de R$70.

Que tal vestir a camisa e, literalmente, apoiar a mobilização para que nenhum dos nossos direitos seja liquidado em 2018?

Apoiando a campanha Direitos Não se Liquidam com doações, você fortalece a mobilização e a pressão contra as propostas legislativas que colocam em sério risco os direitos e as vidas de milhões de brasileiros.

Anistia Internacional Brasil

Justiça para defensores de direitos humanos na Turquia!

Justiça para defensores de direitos humanos na Turquia!

Anistia Internacional, Dialison, Dialison Cleber, Dialison Cleber Vitti, DialisonCleberVitti, Dialison Vitti, Dialison Ilhota, Cleber Vitti, Vitti, dcvitti, @dcvitti, #dcvitti, #DialisonCleberVitti, #blogdodcvitti, blogdodcvitti, blog do dcvitti, Ilhota, Newsletter, Feed, 2016, ツNova prisão de presidente do Conselho da Anistia Internacional devasta sua família e desonra a justiça.

Mais de um milhão de pessoas de 194 países exigiram a libertação do presidente do conselho da Anistia Internacional da Turquia, Taner Kılıç, e a retirada das acusações contra ele e outros dez defensores de Direitos Humanos. E você é uma dessas pessoas!

Tínhamos uma ótima notícia para trazer pra você, mas na madrugada do dia 31 para o dia 01 de fevereiro, o caso de Taner sofreu uma grande reviravoltapoucas horas depois de ter sido libertado pela corte, a justiça decidiu reaver a decisão e prendê-lo novamente.

A família está devastada pois, por poucas horas, teve a esperança de ter Taner novamente em casa após oito meses de prisão injusta.

Mas a luta deve continuar. Seu apoio fez toda diferença nessa trajetória e continuamos fortes e determinados em trazer Taner de volta para sua família e para seu importante trabalho como defensor de Direitos Humanos. Vamos espalhar a notícia dessa injustiça que aconteceu na Turquia e mobilizar cada vez mais pessoas nessa causa: TANER DEVE SER LIBERTO!

Seguimos juntos para que todas as acusações contra Taner, os 10 de Istambul e todas as outras vítimas inocentes erroneamente encarceradas nesta repressão viciosa sejam retiradas. Compartilhe e convide os amigos a entrarem em ação!

Anistia Internacional

Escreva por direitos

Escreva por Direitos 2017

Escreva uma carta! Vale apena e pode sim mudar a vida.

Todos os anos, a Anistia Internacional identifica casos de indivíduos e grupos em risco ao redor do mundo, e convoca toda a sociedade a escrever e assinar cartas em defesa dessas pessoas. Sua mensagem ajuda a libertar pres@s de consciência, interromper a tortura e encerrar outros abusos. Cada carta de apoio recebida fornece um incentivo e alimenta sua esperança para seguirem em frente.

Estamos junt@s nessa? Acesse este link e conheça os 12 casos de defensores e defensoras de direitos humanos que apoiaremos neste ano!

Objetivos

Realizada anualmente em torno do Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro), a Maratona Escreva por Direitos convida milhões de pessoas em todo o mundo a organizarem eventos e escrever cartas, emails, tweets e postagens para influenciar autoridades a protegerem indivíduos ou comunidades em risco. Em boa parte dos casos, conseguimos influenciar a mudança e garantir proteção e justiça.

Mas isso realmente funciona? Sim, funciona! Quando mobilizamos muita gente para escrever cartas às autoridades, obtemos resultados positivos. Ainda assim, é preciso ter persistência: alguns países são mais abertos que outros, e há situações em que prisioneiros de consciência acabam enfrentando diversos tipos de tratamentos cruéis e desumanos.

A Anistia Internacional identifica pessoas e comunidades em risco em todo o mundo. Alguns destes casos podem estar prestes a serem solucionados ou próximos de uma violação ainda mais grave – e é aí que atuamos, unindo nossas mãos e nossas vozes para fazer uma grande pressão mundial ao mesmo tempo. Fazemos isso por meio das cartas, que são enviadas às autoridades capazes de solucionar o problema.

Para mais informações ou ajuda, envie e-mail para ativismo@anistia.org.br ou acesse www.escrevapordireitos.anistia.org.br.

Anistia Internacional Brasil

Escreva uma carta pelos direitos humanos

 

Defenda os direitos humanos no Dia de Doar

Defenda os direitos humanos

Estamos te convidando para participar de uma data muito importante: o Dia de Doar. Neste dia especial, a sua ajuda pode fazer a diferença na vida de quem sofre com seus direitos violados.

Conhece a história da Hanan Badr El-Din? A vida dela mudou radicalmente em julho de 2013, quando seu esposo desapareceu. Sua busca incansável levou-a a outras pessoas cujos familiares haviam sido sequestrados pelas forças de segurança egípcias. Hoje, Hanan é uma voz ativa que denuncia centenas de desaparecimentos no Egito.

Por conta da sua luta, ela está presa e corre o risco de passar cinco anos na prisão sob acusações falsas de pertencer a grupos ilegais. Agora, é a nossa vez de defendê-la!

>> Clique aqui e faça a sua contribuição!

A sua contribuição como doador da Anistia é fundamental, mas no Dia de Doar, você pode dobrar o seu apoio. Fazendo uma doação única, você nos ajuda a pressionar as autoridades do Egito para que o processo contra Hanan Badr El-Din seja retirado e para que o governo a liberte imediatamente.

Se todos nós nos mobilizarmos no Dia de Doar, vamos fazer a diferença na vida de Hanan Badr El-Din e de muitas outras pessoas que lutam para ter garantido o acesso aos seus direitos.

Anistia Internacional Brasil

Governo temerário traz a fome de volta

Fome

É preciso resistir mais que nunca e lutar para impedir os retrocessos. A maioria da população só tem a perder com o arranjo político em exercício

Por Nathalie Beghin e Iara Pietricovsky*

As Nações Unidas abrigaram recentemente em Nova York uma reunião de alto nível para discutir o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Um dos temas em discussão foi o Objetivo 2, batizado de Fome Zero, inspirado na bem-sucedida experiência brasileira de eliminar a fome, atestada pela FAO em 2014.

Note-se a relevância que o Brasil já teve no cenário internacional, pois suas políticas públicas foram capazes de influenciar um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, assinada em 2015 por 193 países.

Em função desse debate global, começou a circular a informação de que o Brasil estava retrocedendo em um dos objetivos, o de erradicar a fome, pois a insegurança alimentar e nutricional voltou a assombrar o país.

Dados oficiais revelam que a pobreza vem recrudescendo. Segundo o IBGE, 9,2% de famílias tinham em 2015 rendimento per capita inferior a um quarto de salário-mínimo, um dos indicadores de medição da fome. Em 2014, essa proporção era de 7,9%, o que corresponde a um aumento de 16% em apenas um ano.

Como a redução da pobreza no Brasil nos últimos anos esteve fortemente atrelada à melhora real dos rendimentos das famílias, que vêm caindo desde 2014, a chaga da miséria se torna novamente uma questão em nosso país. O Banco Mundial diz a mesma coisa. Em estudo publicado recentemente, o Banco calcula que o número de pessoas vivendo na pobreza extrema no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o final de 2017.

Organizações da sociedade civil vêm produzindo dados na mesma direção. A Fundação Abrinq lançou relatório que evidencia que cerca de 6 milhões de crianças vivem atualmente na pobreza extrema, o que equivale a toda a população da cidade do Rio de Janeiro. Já a Oxfam Brasil nos informa que apenas 6 homens brancos detém renda equivalente à metade mais pobre da população brasileira, que equivale a 100 milhões de pessoas!

Apesar de evidências indiscutíveis, pois produzidas por entidades idôneas, o governo em exercício no Brasil tem a ousadia de afirmar que está tudo bem. Em relatório elaborado por conta da reunião de Nova York acima mencionada, o presidente da República chega a afirmar que tal relatório “constitui, também, exercício de prestação de contas, em primeiro lugar perante a sociedade brasileira, das medidas que nosso governo vem adotando em nome de um país mais próspero e justo, com oportunidades para todos – até mesmo para as gerações futuras”. A pergunta que não quer calar é: como o aumento da fome e da miséria pode ser resultado de medidas inclusivas e justas?

A afirmação do Temer no relatório brasileiro revela que o atual governo se mostra insensível ao aumento da pobreza e da fome, bem como da destruição dos recursos naturais do país. O Inesc vem mostrando, por meio de uma série de notas e textos, que todas as medidas implementadas nos últimos meses com o pretexto de “combater a crise” afetam, única e exclusivamente, os que menos têm.

Estamos nos referindo à emenda constitucional que congela os gastos públicos por 20 anos e que irá diminuir em termos reais os recursos disponíveis para saúde, educação, assistência social e segurança alimentar e nutricional, entre outros; aos cortes orçamentários que afetam proporcionalmente mais as políticas voltadas para os mais vulneráveis; à reforma trabalhista que resulta na precarização das relações de trabalho e na diminuição da renda dos trabalhadores e das trabalhadoras; à implementação de parcerias público-privadas que contribuem para enfraquecer ainda mais o combalido Estado e sua capacidade de promover políticas de combate às desigualdades, fome e pobreza além de constituírem-se em mecanismos de corrupção; à reforma da Previdência que penaliza a base da pirâmide e, especialmente mulheres e negros.

Especialistas como Luciana Jaccoud do Ipea mostram que a reforma da Previdência Social irá excluir 44% das mulheres urbanas ocupadas da aposentadoria, além de aumentar as desigualdades entre homens e mulheres, e de elevar a desproteção no campo. Estima-se que essa exclusão afete entre 60% e 80% dos que se aposentariam.

Temos ainda as medidas de flexibilização das leis ambientais, que impactarão os povos indígenas e os povos e comunidades tradicionais; a reforma ministerial que ceifou a institucionalidade voltada para os excluídos (agricultores familiares com a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário; mulheres com a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres; negros com a extinção da Secretaria de Igualdade Racial; povos indígenas com o esvaziamento da FUNAI); e o aumento de impostos indiretos (PIS e Cofins nos combustíveis) que agrava a regressividade da carga tributária fazendo com que os mais pobres paguem proporcionalmente mais.

A extorsão dos mais vulneráveis somam-se às benesses concedidas aos mais ricos: o direito de invadir terras indígenas e florestas para expansão do agronegócio e das mineradoras; o perdão de dívidas de grandes empresas; a privatização de serviços públicos que abre novos mercados para o setor privado; e a implementação de parcerias público-privadas que transformam a infraestrutura, em todos os níveis federativos, na nova fronteira de acumulação e lucratividade para investidores nacionais e estrangeiros.

Enfim, eliminam-se os obstáculos (institucionais, sociais, ambientais, culturais e trabalhistas) que possam postergar ou afetar a rentabilidade esperada pelo setor empresarial.

Na lógica dos governantes de plantão, comprovadamente corruptos, pouco importa a volta da fome, já que conseguem, mesmo sem voto e sem popularidade, a façanha de assegurar o enriquecimento das elites. Não há qualquer interesse, nem vontade política, de caminhar na direção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por isso é preciso resistir mais que nunca, e lutar para impedir os retrocessos porque a grande maioria da população brasileira só tem a perder com esse arranjo político em exercício.

Nós – ONGs, movimentos sociais e ativistas do campo democrático e popular – temos a obrigação legal e moral de denunciar diuturnamente as violações de direitos humanos perpetuadas por esse governo temerário. Temos um longo caminho pela frente, mas a causa é justa e é isso que mantém nossa chama viva!

* Nathalie Beghin e Iara Pietricovsky são integrantes do Instituto de Estudos Socioeconômicos/INESC e do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.

Fonte: Carta Capital