Como sobreviver ao fascismo

Como sobreviver ao fascismo

Um dia após o resultado das eleições de 2018 é hora de fazer algumas avaliações quanto a política, integridade humana, a manutenção dos direitos e a defesa do estado. Bolsonaro foi eleito e o que será desse país, só Deus sabe. Se Ele sabe de tudo e se tudo é permissão dEle, por que Ele nos deu um ser para que o povo viesse a eleger um governante fascista, um Nero da Vida?

Bolsonaro prometeu enviar opositores para campo de extermínio. Ele disse isso num discurso num domingo que antecedeu as eleições e falou nome de centro da ditadura onde oposição era mandada para morrer. Falou tanto absurdo em vídeo transmitido na manifestação da Avenida Paulista, em São Paulo, que muitos adversários históricos do PT declararam apoio a Haddad, temendo a falta de compromisso com a democracia do deputado defensor da tortura.

Agora, o que fazer? Aqui destacamos alguns pontos para sobreviver a uma frente fascista.

1. Em primeiro lugar, calma

O medo é natural e inevitável. O importante é evitar o segundo estágio: o pânico. Porque o pânico gera ações irracionais que só agravam o problema da segurança. Reconheça as ameaças, mas não aumente o valor delas. Não difunda videos que mostrem o adversário em posição de superioridade. Exceto se for para denunciar uma violência que você sabe ser real. Não difunda mensagens pessimistas e de medo. Nem bazófias autossuficientes de heróis de teclado que nada farão. Seja discreto.

2. Seja discreto

Se possível saia de algumas redes sociais. Informe-se com os companheiros anarquistas sobre segurança digital. Se tiver que usar para trabalhos escolares ou relações pessoais, não poste coisas polêmicas, mas também não fique em grupos em que haja fascistas declarados. Eles sabem sua opinião, vão provocá-lo. Mesmo se for um parente seu, pode inadvertidamente denunciar você para alguém que conhece seu patrão, por exemplo.

3. Não faça atividade política sozinho

Não vista roupas com mensagens revolucionárias sozinho. Não aceite provocações na rua. Especialmente em bares e festas. Ali, todos poderão estar animados por drogas para exercitar mais a violência. Mas, de novo, também não fique em pânico. Fascistas são covardes. Não agridem sozinhos, apenas em bandos. Desvie de bandos. Não rebata ofensas, mas não se deixe humilhar. Vá embora. Não ameace ninguém. Se preciso, pode se vingar, mas não avise antes, por segurança.

4. Faça reuniões mensais com pessoas que pensam como você

Isso reforça a sensação de que não está só. Busque alegria em jantares e pequenas festas. Evite as grandes. Seja solidário com companheiros perseguidos, mas faça como Cristo manda: ninguém precisa saber que você ajudou.

5. Leia livros

Sem prejuízo de outros, leia livros de quem enfrentou o fascismo: Durruti, Stalin, Trotsky, Gramsci, Dimitrov e, especialmente, Togliatti. Não tenha preconceito ideológico agora. Só com a extrema direita.

6. Cuide da saúde física também

Faça algum esporte leve pelo menos. Caminhada, bicicleta. Sinta o vento ao rosto. Beba com moderação. Encha a cara de vez em quando com os amigos. De preferência em locais já bem conhecidos.

7. O fascismo no Brasil vai ficar por algum tempo na sua primeira fase

Aquela de Mussolini entre 1922 e 1926. Com parlamento funcionando, mas com violências dispersas, perseguições, delações, achincalhamento virtual, invasão de espaços culturais e universitários por bandos de energúmenos, agressões físicas, repressão a manifestações públicas e assassinatos de pobres na periferia. Eu sei que isso já acontecia, mas agora é outro patamar. Mas haverá espaço para crítica e este é o problema que comentaremos no próximo item.

8. O espaço de crítica tem que ser usado com cuidado

Os fascistas marcarão o que você diz. Se considerarem que ameaça seu poder, reagirão. Por isso, apareça menos. Procure reforçar suas ideias lateralmente, com temas menos explícitos. Participe de instituições de sua categoria mesmo dirigidas por reacionários e observe. No cotidiano, converse com as pessoas sem agressividade. Ouça. Avalie seu interlocutor. Se ele for militante fascista, abandone-o. Se for um apoiador indeciso, introjete em sua mente conteúdos críticos. Para que ele vá além da aparência. Dialética é isso. Diálogo mais contradição. Não há ideologia sem o seu contrário. E se for uma pessoa democrata, busque consensos em torno disso, como explicarei no próximo item.

9. Uma derrota histórica da esquerda, joga também os liberais e conservadores democratas no mesmo terreno que nós

Assim como o golpe de 2016 fez a classe trabalhadora recuar e abandonar as novas formas de ação política, agora ela vai se agarrar ao mínimo comum: a democracia que lhe garante um terreno para defender os seus direitos. Com os trabalhadores devemos falar de democracia e economia porque eles são mais inteligentes. Com a pequena burguesia democrática devemos falar de democracia porque além disso teremos divergências inoportunas.

10. Nada está perdido

Confie na história. Já houve momentos piores. Estamos num ciclo recessivo associado à derrota de um ascenso político de esquerda. Leia poemas e mensagens otimistas de Mao, Ho Chi Minh, Brecht, as Instruções para esquivar o mau tempo de Paco Urondo e outros. Cuidado ao portar livros porque fascistas não leem e desconfiam de leitores. Use capas anódinas, cobertas de outro papel. Mas não desista, o fascismo é em si mesmo uma reação desesperada de uma classe agonizante. Parece eterno. Não é. Será derrotado como o foi em todas as outras ocasiões da história.

Alex Prouchnoj

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Partigiani avisam que seguirão lutando contra o nazifascismo

Partigiani celebram na Praça de São Marcos, em Veneza, em abril de 1945

Em 6 de setembro de 1944, o serviço de inteligência britânico recebe a informação que, a despeito dos contratempos, a Resistência Italiana – Resistenza partigiana – continuaria a combater os ocupantes e a ampliar suas atividades.

A Resistência Italiana era um movimento armado de oposição ao fascismo e à ocupação da Itália pela Alemanha nazista, bem como à República Social Italiana – fundada por Benito Mussolini, em território controlado pelas tropas alemãs – durante a Segunda Guerra Mundial. A Resistência Italiana enquadrava-se historicamente no fenômeno europeu mais amplo de resistência à ocupação nazista.

O movimento armado, baseado numa estratégia de guerrilhas, surge quando a Itália é invadida pela Alemanha, após o estabelecimento do Armistício de Cassabile de 8 de setembro de 1943, entre a Itália, com Mussolini já deposto, e os Aliados. Muitos, entretanto, consideram que a Resistência Italiana já existia desde 1922, quando tem início a ascensão do fascismo. Seus membros eram conhecidos como “partigiani”.

Após a rendição das tropas alemãs, o movimento se dissolveu, em abril de 1945. Calcula-se que tenham participado da luta armada da Resistência mais de 300 mil pessoas, das quais cerca de 35 mil eram mulheres, de tendências políticas diversas e até antagônicas: comunistas, socialistas, católicos, monarquistas, anarquistas. Os partidos que participavam da Resistência, reunidos no Comitê de Libertação Nacional,  constituiriam mais tarde os primeiros governos do pós guerra.

Início da Resistência

Desde a rendição da Itália no verão de 1943, as tropas alemãs ocuparam amplas franjas da peninsula a fim de evitar que os Aliados usassem a Itália como base de operações contra os baluartes germânicos, como os Bálcãs. A ocupação aliada da Itália poderia pôr em suas mãos as bases aéreas italianas, ameaçando o poder aéreo alemão.

Bandeira do Arditi del Popolo, organização antifascista de Civitavecchia

À medida que os Aliados combatiam os alemães, empurrando-os mais e mais ao norte, tinham eficaz ajuda dos partigiani. A Resistência Italiana lutava agora contra o fascismo nazista e contra a monarquia italiana. A libertação da Itália para os partigiani significava uma república democrática e não o retorno a um país governado, o mais das vezes ineptamente, por um rei.

Os partigiani mostraram-se extremamente eficientes na ajuda aos Aliados. No verão de 1944, os lutadores da resistência já haviam imobilizado 8 das 26 divisões alemãs no norte da Itália. A reaçao da Wehrmacht as atividades da resistência foi brutal. Num único episódio, os soldados alemães mataram 382 homens, mulheres e crianças como vingança a um ataque dos partisans que matou 35 soldados germânicos.

A varredura alemã da atividade guerrilheira provocou muito dano, mas foi incapaz de interrompê-la. Em 6 de setembro o embaixador japonês na Itália relatou a Tóquio que a atividade partigiana, especialmente em torno de Turim e na fronteira franco-italiana, havia crescido a despeito das baixas infligidas. A informação foi interceptada pela inteligência britânica e decodificada, assegurando que os britânicos não estavam sozinhos no combate ao exercito alemão.

No fim da guerra, os partigiani controlavam Veneza, Milão e Genova, porém, a um custo considerável. No final, a resistência havia perdido 50 mil homens, porém ganhou a sua república.

Outros fatos marcantes da data