No sofrimento Jesus está com você

No sofrimento Jesus está com você

Quando Jesus ressuscitou em glória ele venceu a morte e a dor. Mesmo assim, ele guardou as marcas de seu sofrimento em seu corpo. Ter uma vida dedicada a Jesus não anula nem apaga todo sofrimento. Mas, assim como a morte terrível de Jesus foi transformada em vida invencível, Deus pode usar até seu sofrimento para lhe dar uma vitória maior. Na dificuldade, creia que Deus vai transformar sua vida!

Na hora do sofrimento, o ânimo é pouco e seguir Jesus pode se tornar difícil. Mas a Bíblia tem as palavras que você precisa ouvir para alcançar a vitória. Não desista no sofrimento, deixe Deus lhe ajudar.

1. A promessa da vitória

Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo. João 16:33

Você não está sozinho no sofrimento! Jesus está com você e pode lhe ajudar. Ele passou por todo tipo de sofrimento e venceu. Se você confiar sua vida nas mãos dele, Jesus vai lhe ajudar a resistir e a superar o sofrimento. Apenas confie nele.

2. Segurança em todos os momentos

Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:38-39

O sofrimento não é sinal que Deus lhe abandonou. Se você ama Jesus, não há nada nesse mundo que lhe pode separar dele! Jesus não lhe vai abandonar. Ele está do seu lado para lhe consolar e fortalecer. E ele vai lhe ajudar a alcançar a vitória apesar do sofrimento.

3. Uma vitória maior

Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. 2 Coríntios 4:16-17

Nessa vida você vai passar por fases de sofrimento. Mas esses sofrimentos não vão durar para sempre. Com Jesus, você tem a promessa de uma vitória eterna! Depois dos sofrimentos desta vida, você receberá a grande recompensa da vida eterna no Céu. Lá, não haverá mais dor nem sofrimento, por toda a eternidade.

Não desista no sofrimento e Jesus lhe dará vitória.

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[Livro] Aconselhamento Cristão – Edição Século 21

[Livro] Aconselhamento Cristão - Edição Século 21

Certa vez um escritor experiente me disse que escrever um livro era mais fácil do que revisá-lo. Por mais de um ano, passei centenas de horas, sentado em frente a um processador de texto, revisando a primeira edição deste livro, reescrevendo frases, atualizando informações, acrescentando capítulos, eliminando redundâncias, conferindo referências bíblicas e reavaliando o que escrevi anteriormente. Tive que enfrentar de novo a disciplina, as longas horas de solidão e o risco de expressar ideias no papel, onde todos podem ler, criticar e (quem sabe?) até aplaudir. Descobri que meu amigo tinha razão: é mais fácil, e muito mais divertido, escrever um livro do que fazer uma revisão.

No entanto, tenho que reconhecer que o processo de revisão foi estimulante. Tive a oportunidade de esclarecer algumas coisas que ficaram meio obscuras na primeira edição, tratar de algumas questões levantadas pelos revisores do primeiro livro e acrescentar sugestões feitas por alunos. Meus colegas da Word enviaram um questionário a milhares de leitores da primeira edição, e os que responderam fizeram várias sugestões interessantes, muitas das quais foram incluídas nesta versão revisada. Cartas de várias partes do mundo chamaram a minha atenção para questões transculturais, e alguns aconselhandos também escreveram dando sua opinião sobre os tópicos abordados.

Assim como fiz na primeira edição, procurei resumir nestas páginas muito do que se conhece sobre a metodologia do aconselhamento e sobre os principais problemas que as pessoas enfrentam hoje em dia. O objetivo deste livro é ser um instrumento útil para pastores e outros conselheiros cristãos, servir como guia de estudo para auxiliares leigos e ser usado como livro-texto em seminários e faculdades. Em tudo o que escrevi, procurei me manter fiel aos ensinamentos da Bíblia e ser sensível aos resultados das muitas pesquisas que estão sendo realizadas no campo do aconselhamento e da psicopatologia clínica. Esta nova edição:

  • É uma revisão completa do livro anterior, que foi totalmente reescrito.
  • Inclui histórias de casos que ilustram os problemas discutidos.
  • Tem novos capítulos sobre aconselhamento comunitário, início da idade adulta, violência (inclusive violência doméstica), gravidez, doença mental, vícios e aconselhamento do próprio conselheiro.
  • Discute tópicos que estão surgindo com força, como transtornos alimentares, maus tratos contra idosos, amargura da alma e aconselhamento de pessoas com AIDS.
  • Procura transmitir as informações de maneira clara, de fácil leitura e relativamente livre de termos do jargão técnico, psicológico ou teológico.

Um projeto desta envergadura não se faz sem a ajuda de muitas pessoas extraordinárias. Algumas delas me ajudaram na primeira edição e depois foram trabalhar em outros lugares, mas eu ainda tenho uma dívida de gratidão pela ajuda inicial de pessoas como Lawrence Tornquist, James Beesley, Charles Romig, Marlene Terbush, Kathy Croop, Marylin Secor, Lenore Scherrer, Sharon Regan, Nancy Fister e Laura Beth Norton. Na versão revisada, contei com o auxílio de Steve Brown, Paul Lightner, Scott Thelander, Sérgio Mijangos, Ted Grove, Jim Thomas, Bill Secor, Tom Jensen, Kiel Cooper, Ron Hawkins, Sylvia Bacon e Pam Lunde, assim como de várias pessoas da editora Word Books, entre as quais Ernie Owen, Joey Paul, Laura Kendail, Ed Curtis, Carey Moore, Nancy Rivers e Ed Stanley. Na Inglaterra, Nõel Halsey e seus colaboradores trabalharam na adaptação do livro para uma edição voltada para a comunidade britânica, e eu agradeço a todos aqueles que se empenharam para que a primeira edição estivesse disponível em coreano e português. Como resultado dessas edições estrangeiras, tive novas ideias, que incorporei à revisão. Mais uma vez, a diretoria da Trinity Evangelical Divinity School, meus colegas do departamento de psicologia e meus alunos demonstraram grande flexibilidade e me incentivaram tremendamente durante a revisão do que ficou conhecido (espero que afetuosamente) como “o livrão amarelo”.

Sem o apoio de minha família, entretanto, talvez eu jamais tivesse completado esta revisão. Minha mãe, cuja vista já cansada nunca permitirá que leia estas páginas, minhas filhas, Lynn e Jan, e minha mulher Julie, que está sempre ao meu lado, foram uma fonte de estímulo constante e aguentaram meus longos períodos trancado no escritório. Sou grato a Deus e a elas, por seu amor e compreensão. Contudo, é preciso ter a humildade de reconhecer que fazemos tudo – escrevemos, revisamos livros e aconselhamos — apenas em razão das habilidades, desejos e oportunidades que Deus nos concede. Mais uma vez, portanto, este livro segue em frente com minha gratidão a Deus, com a oração para que honre a Jesus Cristo, e com a esperança de que o Espírito Santo possa usá-lo para ajudar muitos dedicados conselheiros cristãos a auxiliar melhor seus aconselhandos e outros que estejam precisando de ajuda.

Gary Collins

Como usar este livro

O livro Aconselhamento Cristão foi escrito para auxiliar líderes cristãos em seu trabalho de aconselhamento. Os cinco primeiros capítulos traçam um panorama da atividade de aconselhamento, e seria bom que fossem lidos em sequência. Os capítulos restantes (exceto, talvez, o último) tratam de problemas específicos. Como cada capítulo é independente dos demais, os capítulos podem ser lidos em qualquer ordem. Cada um deles começa com o exemplo de um caso e uma introdução, seguidos de uma análise do que a Bíblia diz sobre o assunto e um exame das causas, efeitos e considerações sobre o aconselhamento, bem como sugestões a respeito de como prevenir o problema. O objetivo de tudo isso é fornecer informações relevantes e atualizadas que possam ser úteis no aconselhamento.

A experiência tem mostrado que o livro é usado como manual para conselheiros, inclusive por pastores, como livro-texto para alunos e professores, como material de treinamento para conselheiros leigos e como fonte de informação para os que desejam compreender melhor o comportamento humano, ter uma perspectiva mais clara da base bíblica do aconselhamento e aperfeiçoar as habilidades necessárias a um terapeuta.

Se você for usar este livro como parte de um programa de estudo pessoal ou para um grupo de alunos, é recomendável que comece lendo os cinco primeiros capítulos em sequência. No caso de estudos em grupo, o professor pode fazer uma breve exposição ou comentário sobre o assunto a ser estudado. Seria interessante que os membros do grupo apresentassem uma dramatização baseada na história que abre cada capítulo. Escolha um dos membros do grupo para atuar como conselheiro e selecione outros para fazerem o papel da pessoa, ou das pessoas, cujos problemas são descritos. Depois de dez ou quinze minutos, encerre a dramatização e discuta o que foi feito. O que foi bom no exemplo de aconselhamento? Como o aconselhando e o conselheiro se sentiram na representação? O que pode ser melhorado? O que a turma aprendeu sobre o aconselhamento e sobre aquele tipo de problema durante o exercício?

Quer você faça a dramatização, quer não, a discussão das questões abaixo pode ajudar. Você pode escrever as respostas, para avaliar sua compreensão do capítulo, ou pode discutir as questões com o grupo. Estas perguntas foram elaboradas para serem usadas com os capítulos 6-38, embora talvez seja necessário fazer uma alteração ou outra para adaptá-las a algum dos capítulos.

  1. Quais são suas dúvidas a respeito deste capítulo?
  2. Você poderia resumir os ensinamentos bíblicos sobre o problema discutido neste capítulo?
  3. Faça um resumo das causas e efeitos desse problema.
  4. O que você aprendeu sobre o aconselhamento de pessoas que têm esse problema?
  5. Alguém poderia dar exemplos de pessoas que tiveram esse problema? (Cuidado para não revelar os nomes das pessoas envolvidas nem detalhes que possam permitir sua identificação).
  6. Faça um esboço de um programa para evitar o surgimento desse problema.
  7. Faça um resumo do que você aprendeu neste capítulo, incluindo a leitura e a dramatização.
  8. Quais as perguntas que você acha que ainda não foram respondidas?

Nem sempre é possível para um autor ou editor manter uma correspondência minuciosa com os leitores, mas gostaríamos de saber se este livro foi útil no seu trabalho de aconselhamento. Se uma terceira edição for produzida, você teria alguma sugestão para torná-la melhor? O autor e o editor gostariam de saber sua opinião. Por favor, escreva para Dr. Gary Collins, c/o W Publishing Group, Editorial Division, 501 Nelson Place, Nashville, TN 37214, EUA, ou Department of Psychology, Trinity Evangelical Divinity School, 2065 Half Day Road, Deerfield, 111. 60015. Toda correspondência deverá logicamente ser redigida em inglês.

Judeus contra Bolsonaro #EleNão

Nós, brasileiros abaixo-assinados, judeus e judias identificados com várias candidaturas à Presidência do Brasil, vimos a público para deixar claro nosso repúdio ao candidato Jair Bolsonaro, representante de uma visão intolerante, racista, machista, misógina e homofóbica que ameaça a ainda frágil democracia brasileira.

Ele enaltece o período da ditadura militar (1964-1984), um dos mais nefastos da história do país, e tudo de trágico que ela representou, especialmente a tortura contra seus oponentes. Entre eles, muitos judeus e judias.

Não nos deixamos seduzir pelo apelo à “segurança” feito pela campanha do candidato, que encontra terreno fértil diante de nossa sociedade civil fragilizada. Essa “segurança” mascara a violência indiscriminada, a defesa de privilégios e a exclusão de amplos setores da sociedade.

Não nos deixamos seduzir, também, pela simpatia declarada do candidato para com uma Israel estereotipada. Trata-se de mero interesse eleitoreiro.

Ao justificar a violência como método, hostilizar mulheres, negros, oposicionistas políticos e quem não concorda com “sua” noção de normalidade sexual, Bolsonaro se coloca no mesmo patamar de doutrinas que tanto sofrimento causaram ao povo judeu e a todo o mundo, se desnudando como o fascista que realmente é.

Como minoria, somos solidários a todos os grupos hostilizados por este candidato e nos unimos a eles no combate à intolerância e ao preconceito.

Conclamamos os democratas de todo o espectro político nacional a cerrarem fileiras em defesa dos direitos de todos os segmentos que compõem nossa sociedade.

Somos contra o fascismo! Todos por todas e todas por todos! Vote pela democracia, Vote pela tolerância, #EleNão!

Change

Enquanto os evangélicos neopentecostais glorificam o candidato neofascista, judeus criam manifesto contra Bolsonaro

Judeus criam manifesto contra Bolsonaro

Petição no site Change.org foi criada por Mauro Nadvorny, brasileiro que mora em Israel, tem texto em apela para que os judeus não se deixem ‘seduzir pela simpatia declarada do candidato para com uma Israel estereotipada. Trata-se de mero interesse eleitoreiro’; um grupo chamado Judeus contra Bolsonaro Judeus Contra Bolsonaro, criado no Facebook, já reuniu cinco mil membros em apenas cinco dias.

Às vésperas de uma data importantíssima para o povo judeu, o Yom Kippur, ou Dia do Perdão, um abaixo-assinado criado no site Change.org reúne, em pouco menos de dez horas, quase mil assinaturas de judeus contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República, descrito no texto da petição como “representante de uma visão intolerante, racista, machista, misógina e homofóbica que ameaça a ainda frágil democracia brasileira”.

A mobilização online foi criada por Mauro Nadvorny, brasileiro que mora em Israel e membro do Juprog (Judeus Progressistas) e da J-Amlat (movimento em construção de judeus latinoamericanos de esquerda). O abaixo-assinado apela para que os judeus não se deixem “seduzir pela simpatia declarada do candidato para com uma Israel estereotipada. Trata-se de mero interesse eleitoreiro”.

Ao justificar a violência como método, hostilizar mulheres, negros, oposicionistas políticos e quem não concorda com ‘sua’ noção de normalidade sexual, Bolsonaro se coloca no mesmo patamar de doutrinas que tanto sofrimento causaram ao povo judeu e a todo o mundo, se desnudando como o fascista que realmente é. Como minoria, somos solidários a todos os grupos hostilizados por este candidato e nos unimos a eles no combate à intolerância e ao preconceito,
diz outro trecho.

Outra mobilização do povo judeu contra o candidato foi criada no Facebook, em um grupo chamado “Judeus Contra Bolsonaro”, que já reuniu cerca de cinco mil membros em apenas cinco dias.

Em abril do ano passado, Bolsonaro participou de um evento na Hebraica do Rio de Janeiro, onde fez um discurso de ódio, ofendendo negros e quilombolas, e por causa dele se tornou alvo de um processo de racismo que até há pouco corria no Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, a Suprema Corte rejeitou a abertura de investigação sobre o caso. A maioria da comunidade judaica no Brasil, no entanto, é contra a candidatura do deputado.

Brasil 247

Ele não me representa

Ele não me representa

Essa frase se popularizou nas redes sociais alguns meses atrás após a declaração de um pastor sobre o seu ponto de vista a respeito de alguns assuntos polêmicos. Muitos cristãos e alguns líderes religiosos publicaram seu posicionamento dizendo que aquele pastor não lhes representava.

De fato, nenhum dos nossos líderes e governantes, mesmo os que receberam nosso voto e tem o nosso apoio, podem nos representar integralmente naquilo que pensamos e cremos.

Podemos concordar em um ou até em vários aspectos, mas ainda assim, continuamos sendo diferentes e, teremos hora ou outra, posicionamentos diferentes. Apesar de não termos dúvida quanto a isso, às vezes erramos querendo atribuir a alguém a imagem exata de Deus. E o resultado disso, sempre será a decepção, a raiva e a revolta contra o próprio Deus.

Afinal de contas, as pessoas erram, pecam e nos ferem. Elas estão longe de serem iguais a Deus. Por isso muitos têm se afastado da igreja. Acreditam, ou foram levados a acreditar, que a posição do seu líder era sempre a posição de Deus. Já outros –  e talvez seja este o seu caso – têm se afastado de Deus por acreditarem que Ele é exatamente como seu pai. Acham que Deus irá lhe tratar do mesmo modo como o pai aqui da Terra trata.

Se não podemos representar o outro na sua totalidade, imagine a Deus! Em muitas atitudes do seu pai, Deus pode estar te dizendo: “Ele não me representa”. Apesar disso: “Ele continua sendo o seu pai, portanto o ame e o respeite, mas nunca o confunda comigo quando da sua parte lhe faltar amor, perdão e graça. Lembre-se: independente do que você fizer, eu, seu Deus e Pai, sempre estarei pronto para te aceitar, abraçar e beijar”.

Oração

Peça a Deus que te ajude a abrir o seu coração para ter as suas feridas curadas por Ele. Se você tem trazido em sua mente uma imagem negativa de Deus, talvez fruto de algo que possa ter escutado ou visto em alguém, peça a Ele que te ajude a percebe-lo como um Pai de amor e misericórdia, que está de braços abertos para te aceitar, corrigir os seus erros e te dar uma nova chance. Peça a Deus também que te ajude a amar e perdoar o que for necessário do seu pai.

Por Diego Guerzoni Brusamolim do blog Consciência Cristã.

Os “evangélicos” e a política: reflexões necessárias sobre o Brasil de hoje

Evangélicos e a política

O objetivo deste artigo é relativizar diagnósticos conclusivos sobre os “evangélicos em geral”. Fiéis evangélicos são “mais que ovelhas” e com suas histórias e experiências não são, necessariamente, impermeáveis a todas as causas que envolvem direitos sociais. Afinal, para a construção da democracia interessa diferenciar e se aproximar de pessoas, grupos e segmentos que vivenciem discriminações e injustiças sociais, independentemente das religiões que professem.

“Os evangélicos” tornaram-se personagens obrigatórios nas conversas sobre a política brasileira

Nas últimas décadas, “os evangélicos” tornaram-se personagens obrigatórios nas conversas sobre a política brasileira. Disputam todas as eleições e estão em diferentes partidos. Uma vez no Poder Legislativo, os eleitos agem para obter isenções de impostos, para lograr feriados no calendário oficial da nação e para garantir concessões nos meios de comunicação.

Junto ao Poder Executivo, buscam apoio financeiro para eventos religiosos em espaços públicos e agem para lograr subsídios para a construção de templos. Ao mesmo tempo, em suas iniciativas, campanhas e declarações midiáticas, criminalizam práticas ligadas às religiões de matriz africana.

Nos meios de comunicação, também são frequentes as repercussões de declarações de conhecidos evangélicos que negam o reconhecimento de direitos das mulheres, dos grupos LGBT, dos negros, das populações indígenas, bem como se contrapõem a iniciativas que propõem desarmamento e tratamento de saúde para usuários de drogas consideradas ilícitas.

Por tudo isso, seja por defender interesses de suas igrejas, seja por fomentar a intolerância religiosa, seja por questionar direitos e estimular discriminações, “os evangélicos” são, muitas vezes, vistos como a mais perfeita metáfora do mal que ronda a democracia brasileira.

E, certamente, não há como negar que nos dias atuais a atuação pública de setores evangélicos produz nefastas consequências para o combate das desigualdades e para a valorização de nossa diversidade.

Contudo, o objetivo deste pequeno artigo é justamente relativizar diagnósticos conclusivos sobre os “evangélicos em geral”. Para tanto, de início vamos lembrar alguns aspectos de nossa história religiosa e, em seguida, destacar algumas características do Brasil atual que envolvem desigualdades nas condições de vida, sistema eleitoral e concessões nos meios de comunicação.

Catolicismo hegemônico x crescimento pentecostal

Evangélicos e a políticaDesde os tempos coloniais, os santos, os símbolos e rituais católicos se imbricaram no calendário oficial da nação brasileira bem como essa igreja teve papel central na configuração de territórios urbanos e espaços rurais.

Mesmo após a Proclamação da República, a Igreja Católica continuou sendo a religião oficial e dominante e, ainda, assegurou sua presença nas ações públicas, sobretudo as voltadas para educação, saúde e assistência social.

Enfim, em nossa história, “ser brasileiro e ser católico” parecia ser uma equação inquestionável. As religiões mediúnicas – por vezes ignoradas, por vezes combatidas – não chegavam a ameaçar a hegemonia católica no campo religioso. Até mesmo porque muitos frequentadores de candomblé, umbanda e do espiritismo kardecista, vivendo um pertencimento duplo, também se declaravam católicos.

Os protestantes de migração, herdeiros da Reforma do século 15 (batistas, presbiterianos, luteranos, metodistas etc.), também não representaram grande ameaça, pois, sem priorizar novas conversões, seguiram com crescimento vagaroso.

De fato, foi a chegada do pentecostalismo, no começo do século 20, que provocou fortes mudanças no campo religioso. Marcados pela crença nos dons especiais concedidos pelo Espírito Santo, com suas ofertas de êxtase religioso e com seu forte ativismo proselitista, os primeiros crentes pentecostais chegaram via Estados Unidos, como indica a história da Assembleia de Deus e da Congregação Cristã do Brasil.

Décadas depois, aquelas e muitas outras denominações – vindas de fora ou nascidas no país – já estavam espalhadas Brasil afora. A partir dos anos 1960, contando com as concessões de rádio e TV, algumas obtidas durante a ditadura militar, as denominações pentecostais chegaram aos lares católicos e cresceram, sobretudo nas camadas populares.

Logrando conversões e exigindo exclusividade, essa vertente religiosa introduziu concorrência explícita no interior do campo religioso. Como reação a esse crescimento, sobretudo no decorrer dos anos 1970, novas movimentações surgiram no interior da Igreja Católica.

De um lado, a Renovação Carismática Católica (RCC) – também enfatizando o acesso dos fiéis contemporâneos aos dons do Espírito Santo – passou a oferecer rituais católicos com maior efervescência e ganhou adeptos no interior da própria população católica. De outro lado, inspiradas nos documentos do Concílio Vaticano II, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) se tornaram espaços de reivindicação por terra, por condições de trabalho, por moradia urbana. Por meio de uma “politização do religioso”, quadros das CEBs renovaram a fé e passaram a atuar segundo as regras do campo político.

Porém, nem a Renovação Carismática nem as CEBs chegaram a ser movimentos massivos e não foram suficientes para estancar a diminuição do rebanho católico. Como indicam os resultados dos censos do IBGE, o catolicismo seguiu linha decrescente: 89,0% (1980); 83,3% (1991); 73,6% (2000) e 64,6% (2010). Enquanto os evangélicos, alavancados pelo crescimento das denominações pentecostais, chegaram aos seguintes números: 6,6% (1980); 9,0% (1991); 15,4% (2000) e 22,2% (2010)1.

Situações, trajetórias de vida e níveis de pertencimentos

Política e religiãoNão por acaso, denominações evangélicas chegaram nas prisões, favelas, conjuntos habitacionais, acampamentos rurais e outras periferias marcadas pela pouca presença da Igreja Católica e pela presença precária do Estado.

Em espaços marcados pela fragmentação e violência, as igrejas evangélicas oferecem recursos materiais e simbólicos para dar sentido à vida e para enfrentar situações difíceis. Ali circulam recursos ritualísticos e estoques de argumentos para enfrentar sofrimentos relacionados com desemprego, doenças, alcoolismo, drogas, violência doméstica etc.

Em territórios mais pobres, muitas vezes dominados pela violência do narcotráfico e da polícia, sem dúvida, os templos evangélicos tornam-se importantes espaços de sociabilidade. Para quem mora em comunidades, favelas e periferias faz diferença “ser da Igreja”. Pertencer a grupos de oração, equipes de evangelização, participar de vigílias e ações sociais pode resultar em aumento da autoestima e acesso a redes de ajuda mútua.

Porém, olhando mais detidamente para o interior dessas igrejas, percebe-se que também há diferenças entre os fiéis que devem ser consideradas. Em um artigo intitulado “Somos mais que ovelhas” (O Globo, 29/9/2016), Ana Paula Lisboa – afirmando que “boa parte da esquerda considera os crentes burros, bitolados, alienados” – faz uma distinção entre “crentes ativos que se engajam nas programações da Igreja”; “crente de banco que entra e sai despercebido” e “crente Raimundo, um pé na Igreja e um pé no mundo”.

Essas várias maneiras de “estar na Igreja” somadas às diferentes experiências de vida dos fiéis sugerem a seguinte pergunta: até que ponto o que é dito nas igrejas, nas rádios e nas TV é incorporado por todos ou sempre existem possibilidade de selecionar e (re)interpretar mensagens? Por exemplo, a recorrente demonização dos cultos afro-brasileiros pode ter significados diferentes para um evangélico que nunca frequentou terreiros, para outro que já os frequentou e, ainda, um outro para quem vive (ou não) com parentes próximos que são adeptos da umbanda ou do candomblé.

Interessante notar ainda que a depender da idade dos fiéis as experiências vividas em espaços de evangélicos também podem ser apropriadas de formas diferentes. Sem dúvida, para os jovens, as igrejas são locais de sociabilidade, de convivência e lazer. Mas, nessa fase da vida, geralmente, os jovens “têm um pé no mundo”, circulam por outros espaços e têm outros pertencimentos. Jovens das classes populares – que têm oportunidade de aprender a cantar e a tocar instrumentos musicais nas igrejas – estão transferindo esse aprendizado para redes de hip-hop gospel e para outros grupos de arte e cultura, parte deles com ativismo político ligado à cultura de periferia.

Foram muitos os jovens evangélicos que em 2013 postaram suas fotos na rede social Facebook com a frase “Feliciano não me representa”, em protesto contra o deputado homofóbico que naquele momento presidia a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

As cúpulas e as bases: sintonias e distanciamentos

Evangélicos na políticaContudo, a despeito das diferenciações acima apontadas, pode-se dizer que para a grande maioria dos fiéis o pertencimento a igrejas evangélicas produz “conservadorismo”, aqui entendido como intolerância religiosa, discriminação das chamadas minorias e negação de direitos? A meu ver, não produz conservadorismo, mas exacerba crenças e valores preexistentes no tecido social. Em outras palavras, trata-se de um considerável reforço condensador de percepções e valores conservadores espalhados no contraditório “senso comum” da sociedade. Tal reforço religioso, sem dúvida, pode realimentar (e sistematizar) preconceitos e sectarismos.

Assim sendo, em momentos eleitorais (mesmo sendo difícil isolar a variável “religião” de outras variáveis como renda e escolaridade), esse mesmo reforço pode determinar escolhas de candidatos. Sendo assim, sem dúvida ganham votos aqueles que – enfatizando a “defesa da família” – repudiam o aborto e negam os direitos das mulheres e da população LGBT etc.

Mas isso não é tudo. Para compreender as repercussões do “ser evangélico” é preciso também considerar outras possibilidades. Em um extremo, a proximidade (física, pessoal) de um candidato evangélico pode, muitas vezes, funcionar mais do que a total ou parcial concordância com seus pensamentos. Em outro extremo, a grande circulação de fiéis entre denominações, e entre igrejas de uma mesma denominação, torna mais fluidas as relações entre “representantes” e as “bases” que eles dizem representar. Situações intermediárias podem se dar entre os evangélicos que, segundo o censo do IBGE de 2010, dizem não pertencer a nenhuma igreja. Lendo a Bíblia e assistindo programas de TV, esses fiéis estabelecem vínculos descontínuos com diferentes denominações.

Atentar para diferentes maneiras de “ser evangélico” contribui para a compreensão das dissintonias que podem existir entre os posicionamentos dos pastores/candidatos/representantes evangélicos e o conjunto das percepções de toda a população que os elege. Segundo pesquisa do DataFolha, divulgada em 2014, há grande sintonia no repúdio ao homossexualismo, mas há notáveis discrepâncias no que diz respeito ao uso de armas de fogo e à pena de morte. Ainda segundo pesquisa do Datafolha, divulgada em 2015, a grande maioria dos evangélicos entrevistados se posicionou contra propostas neoliberais de redução do Estado e reivindicou o Estado protetor, marcando a distância de parlamentares evangélicos que hoje (parte da base aliada do governo federal) estão votando medidas que levam à privatização de serviços públicos e à perda de direitos.

Isso tudo sem falar que a segmentação continua sendo uma característica do mundo evangélico. Novas denominações surgem cotidianamente e, entre elas, aquelas que questionam as pautas conservadoras, religiosas e/ou laicas. Assim nasceram as “igrejas evangélicas inclusivas”2 que aliam pertencimento religioso e engajamentos em lutas por reconhecimento de direitos da população LGBT. Este também é o caso da Igreja Batista do Caminho, à qual pertence o pastor Henrique Vieira, ex-vereador pelo PSOL, em Niterói, Rio de Janeiro.

Entretanto, quando se fala “dos” evangélicos em geral, essas e outras diferenças são silenciadas. Melhor, então, seria falar “de” evangélicos e, a partir de tal delimitação, relacionar seus comportamentos com algumas características do Brasil atual. É o que faremos a seguir.

Conluios “de evangélicos” no sistema político e nos meios de comunicação

Política x religiãoEntre evangélicos nota-se uma espécie de “religiosização da política”. Isso porque, a partir de justificativas morais (em consonância com interesses de suas instituições religiosas), seus membros, sem constrangimento, utilizam categorias bíblicas e evocam Deus nos espaços usuais da política.

Entretanto, se é verdade que essa linguagem e identidade religiosa (construída em oposição aos privilégios da Igreja Católica) funciona como um passaporte para o ingresso na vida política, isso não impede que esses parlamentares rapidamente incorporem e reproduzam os usos e (maus) costumes predominantes no sistema político vigente.

Tanto na “bancada evangélica”, conhecida após a promulgação da Constituição de 1988, quanto posteriormente na Frente Parlamentar Evangélica (FPE), articularam-se interesses religiosos e contrapartidas políticas. Já foi assim, em 1987, por ocasião da aprovação dos cinco anos para o governo Sarney; continuou assim em 1992, no escândalo dos “anões do orçamento”, e em 2004, na “operação Sanguessuga”.

Após essa constatação, pode-se então indagar: qual seria hoje o traço distintivo de sua atuação? Ocultando ou não seu pertencimento religioso, mas sempre usando referências bíblicas, temos hoje um conjunto de evangélicos que levantam bandeiras de cunho moral que lhes garantem grande visibilidade. Por exemplo, nas iniciativas contra a descriminalização do aborto, se unem a parlamentares de diferentes religiões e partidos, mas eles parecem falar mais alto. Nas questões de gênero e de orientação sexual3, as posições públicas de evangélicos também coincidem com uma onda conservadora mais ampla que, atualmente, tem se manifestado no Brasil (e no mundo). Porém, suas vozes também ganham destaque.

As narrativas sobre famoso episódio que resultou na não distribuição de material pedagógico sobre diversidade sexual (desqualificado como “kit gay”), preparado pelo Ministério de Educação, em 2014, omitem as pressões feitas de outros atores e atribuem o feito somente à “força dos evangélicos”. Também a expressão acusatória “ideologia de gênero” é imediatamente associada aos evangélicos, ainda que seja usada por padres, por bispos católicos, por leigos4 e até adotada por noticiários de TV.

Tal visibilidade exacerbada contribui para a invisibilidade das “igrejas evangélicas inclusivas” e da Teologia da Missão Integral5. Assim como invisibiliza as atividades desenvolvidas por redes evangélicas e/ou ecumênicas, que com restritos recursos financeiros se colocam a favor dos direitos (conquistados ou a conquistar) de diferentes grupos sociais discriminados. Aqui vale também lembrar blogues e sites nos quais jovens evangélicos (da Rede Fale e da Rede Ecumênica de Juventude, entre outras) se contrapõem às visões machistas e homofóbicas que fundamentam a campanha denominada de Escola sem Partido.

Certamente, essa mesma visibilidade exacerbada também tem contribuído para eleições de parlamentares e pode ter influenciado resultados de eleições majoritárias no Rio de Janeiro, que elegeu para prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

Nessas, e em outras situações, pastores evangélicos negociam apoios e contrapartidas. De um lado, abrem suas igrejas, onde um grande número de “eleitores evangélicos”, com grande frequência cotidiana, são disputados por candidatos de diferentes religiões, perfis e partidos. Nas campanhas eleitorais, candidatos não evangélicos visitam igrejas, participam de cultos, criam “comitês evangélicos”. Depois das eleições, para alimentar tais relações, implementam-se parcerias em ações públicas e cargos são oferecidos como moeda de troca.

De outro lado, esse sistema político baseado em “puxadores de votos” também alimenta o particular crescimento de parlamentares que se apresentam como evangélicos. E assim, os mais conhecidos, com maior acesso aos meios de comunicação, vão elegendo (com poucos votos) outros candidatos evangélicos pouco conhecidos O sistema beneficia os pastores-comunicadores, bem como beneficia “famosos em geral”, como Tiririca, deputado federal mais votado do país em 2010.

Também as rádios e TVs “evangélicas” se movem dentro da lógica perversa na área da comunicação no Brasil. A Record, que pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, é hoje a segunda televisão do país, ainda assim também “aluga” horários em outros canais. Prática essa seguida por outras igrejas evangélicas que, em concessões públicas, praticam aluguéis sem autorização, fazendo subconcessões e negociações publicitárias. Emissoras como a Bandeirantes, Rede TV! e Gazeta em São Paulo não fecham seus orçamentos sem a venda de horário para as igrejas6. Tudo isso reforça a desigualdade no uso de espaço de uma concessão pública.

Nota final: evangélicos, a quem interessam as generalizações?

Político fazendo o seu pé de meiaNo que diz respeito ao campo religioso, é interessante indagar por que em escândalos e polêmicas envolvendo parlamentares, somente a religião dos evangélicos ganha destaque. Certamente isso pode se explicar pela maneira, veemente e religiosamente reiterativa, dos evangélicos atuarem na política. Mas também pode revelar preconceitos em relação aos evangélicos por parte da sociedade brasileira que se vê como laica, mas naturaliza a presença de símbolos e rituais católicos no espaço público. Ou seja, para refletir sobre o papel desempenhado por segmentos evangélicos, hoje, é preciso também indagar sobre o catolicismo tradicional fortemente imbricado em nossa cultura.

No que diz respeito ao campo político, é necessário indagar: quais grupos econômicos e forças sociais se beneficiam – direta ou indiretamente – da atuação dos parlamentares evangélicos? Como se sabe, vários projetos que visam a democratização dos meios de comunicação têm sido barrados por “deputados evangélicos”, que acabam também por prestar um serviço para canais concorrentes. Paradoxalmente, a mesma Rede Globo, que pareceu tão empenhada em dificultar a eleição de Crivella no Rio de Janeiro, se beneficia da ação de evangélicos quando estes barram mudanças na atual forma de regulamentação dos meios de comunicação.

Nesse sentido, ao circunscrever o mal da democracia aos “evangélicos” acaba-se por economizar reflexão sobre realidades, interesses e disputas políticas presentes no Brasil de hoje. Sem dúvida, o protagonismo sectário de certos líderes evangélicos tem sido oportuno para outros segmentos religiosos, políticos e econômicos. Tais confluências também criam obstáculos para levar adiante a reforma política.

Em cenários de barganha e disputa por capital político, aos setores evangélicos conservadores também interessa ocultar outras iniciativas e denominações e assim ter seu poder de representação inflacionado. Em contraposição, para refletir sobre o Brasil de hoje, é preciso conhecer mais sobre denominações, grupos e redes evangélicos que têm se somado aos coletivos e movimentos sociais que lutam por reconhecimento da diversidade e efetivação de direitos sociais.

Por fim, para melhor qualificar o debate, é preciso também ir além das informações quantitativas sobre a “população evangélica”. Conformando um todo bem heterogêneo, os fiéis evangélicos são “mais que ovelhas” e com suas histórias e experiências não são, necessariamente, impermeáveis a todas as causas que envolvem direitos sociais. Afinal, para a construção da democracia interessa diferenciar e se aproximar de pessoas, grupos e segmentos que vivenciem discriminações e injustiças sociais, independentemente das religiões que professem.

Notas

  • 1. Nos resultados dos censos do IBGE chama atenção também o crescimento progressivo dos “sem religião”, sobretudo entre jovens.
  • 2. Sobre o assunto ver o livro Margens da Política. Estado, Direitos Sexuais e Religiões, de Marcelo Natividade, Ed. Garamond, 2017.
  • 3. Sobre o assunto ver livro de Christina V. da Cunha e Paulo Vitor Lopes intitulado Religião e Política: uma Análise da Atuação de Parlamentares Evangélicos sobre Direitos das Mulheres e de LGBTs no Brasil, Rio de Janeiro, Gráfica Minister, 2012.
  • 4. Ver no YouTube vídeo de Alexandre Garcia, jornalista da TV Globo, falando sobre os perigos da “ideologia de gênero”.
  • 5. Para entender os pressupostos da Teologia da Missão Integral ver ariovaldoramosblog.blogspot.com
  • 6. Ver http://www.conjunturaonline.com.br/noticia/geral/sem-dinheiro-de-igrejas…

Regina Novaes é antropóloga, como pesquisadora do CNPq, desenvolve projetos de investigação nas áreas de Juventude, Religião e Política.

Fonte: Teoria e Debate

Apologética Católica – O Problema teológico dos protestantes e a negação da Redenção

Apologética Católica

A justificação

No dia 31 de outubro de 1999, em Augsbourg (onde Lutero proclamou a sua revolta), foi assinado uma “declaração comum entre católicos e luteranos“. Essa declaração, que não faz parte do magistério eclesiástico, gerou várias indagações entre os católicos. Para esclarecer um pouco o problema teológico, a Frente Universitária Lepanto disponibiliza, a seus leitores, a doutrina católica comparada com a doutrina protestante, onde fica clara a distinção entre uma e outra.

Para um católico, o Batismo redime o homem, tornando-o Filho de Deus, capaz de alcançar méritos, santificar-se, etc.

Segundo um documento entregue à SS. o Papa, por vários teólogos, antes dessa “declaração”:

A justificação é a aplicação dos efeitos da Redenção a um cristão particular, que se tornou possível pela mediação da Igreja quando da aceitação da Fé através do batismo. No momento de ser batizado, o fiel é interiormente renovado, ao ponto que São Paulo dele fala como de um “homem novo”; o pecado original e os pecados pessoais são apagados e ele se torna daí por diante um “filho de Deus”, habitada pela graça santificante, assim como um membro inteiramente da Igreja. Mesmo se uma certa tendência desordenada ao pecado – chamada concupiscência – permanece nele, o homem justificado é essencialmente redimido e não é mais um escravo do pecado como antes. Todo batizado está plenamente justificado e, do ponto de vista ontológico, ele não é mais um pecador. A concepção católica da dignidade do cristão está fundada sobre esta convicção dogmática que, ela só, pode fazer encarar o homem como verdadeiramente livre – de uma liberdade que prepara já sua justificação – e como verdadeiramente responsável de suas obras, as quais pela ação da graça, se tornam meritórias em vista de sua salvação eterna

Bem, esse não é o ponto de vista Luterano, na qual o homem permanece sempre pecador, sendo “incompleta” a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para eles, o batismo não tem nada que ver com batismo católico. Pelo batismo católico o homem deixa de ser pecador – a criança deixa de ter o pecado original e o adulto deixa o original e os atuais que cometeu – e passa a ser justo. Esse é o ponto fundamental de diferença entre as duas concepções teológicas.

O pensamento luterano pretende que o homem não pode aceitar livremente sua justificação que é obra apenas da graça, porque o homem é essencialmente um pecador, tanto antes quanto depois de sua justificação. Os luteranos pretendem que a concupiscência não é unicamente uma tendência desordenada para o pecado, mas que ela é em si mesma culpável.

Então, santo Afonso que tinha tentações aos 80 anos, não poderia ser santo. É uma doutrina fatalista que joga o homem no pecado. Lutero dizia que devia jogar os pecados no vaso sanitário e cobrir com a tampa… O jansenismo era isso também.

Segundo a visão luterana, o homem comete pecados mesmo quando ele faz boas obras e ele é incapaz de fazer algum bem, mesmo a preparação e aceitação do processo de sua própria justificação.

E como o homem permanece sempre mau, mesmo depois do batismo, tudo depende só da graça. Em consequência, afirmam os luteranos, o cristão é “simul justus et peccator” – ao mesmo tempo justo e pecador. Suas obras não são por elas mesmas uma verdadeira cooperação com a graça e não podem trazer-lhe nenhum mérito. Pior, segundo essa doutrina, o homem fica “passivo” sob a ação só da graça.

Sua dignidade como colaborador livre de Deus – que é também um dom da graça, segundo a doutrina católica – não lhe é reconhecida e suas obras ficam sem nenhum efeito intrínseco sobre sua salvação.

Sobre isso, cabe lembrar a frase de Paulo:

Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja
Colossenses 1:24

Fonte

Apologética Católica

Em 1215, Papa Inocêncio III pede nova cruzada e intensifica perseguição aos hereges

Papa Inocêncio III

Com o fim do IV Concílio, aumentou a repressão a grupos opositores de Roma.

O papa Inocêncio III preside a última sessão do IV Concílio deLatrão em 30 de novembro de 1215. Este novo concílio ecumênico foi o quarto a ter lugar no palácio romano de Latrão. Resultou na condenação dos cátares e dos valdenses; na proibição de criar novas ordens religiosas; na manutenção da discriminação contra os judeus; na aparição do termo “transubstanciação”. De resto, o papa apela por uma nova cruzada. Todavia, seria seu sucessor, o papa Honório III quem a organizaria dois anos depois e que acabaria em fracasso.

Até 1184, a ação de reprimir a heresia na Itália era problema dos bispos nas áreas afetadas. O III Concílio de Latrão (1179), que discutira a incidência da heresia, dirigiu sua atenção parao sul da França. No entanto, em 1184, o papa Lúcio III e o imperador Frederico Barba Ruiva encontram-se em Verona e juntos condenam os cátares, patarinos, valdenses, humiliates, os Pobres de Lyon e outras seitas.

Foi Inocêncio III (1198-1216) quem pressionou para que a ação papal tivesse maior âmbito. Enviou uma torrente de cartas sobre heresia aos arcebispos e bispos e aos governantes seculares. Ele via a reforma da Igreja como necessidade básica. Em 1215, o IV Concílio de Latrão reafirmou a legislação pontifical ainda em vigor.

Em seu primeiro cânone, o concílio aprovou a doutrina baseadanas tradicionais profissões de fé, que foi porém emendada para contemplar as presentes heresias. O terceiro cânone especificou os procedimentos contra os heréticos, Outros cânones tocaram no tema da heresia de várias formas.

Por ocasião da morte de Inocêncio a Igreja já mobilizava suas forças contra a heresia, faltando apenas a Inquisição papal, para o que os  recedentes já estavam estabelecidos.

Seria excomungada e anatematizada toda heresia que se levantasse contra a sagrada, ortodoxa e católica fé. Seriam condenados todos os hereges, fosse quem fosse. “Ele têm distintas faces, mas suas caudas estão atadas juntas na medida em que se parecem em sua arrogância. Que esses condenados sejam levados às autoridades seculares para a devida punição”.

Se fossem clérigos seriam primeiramente privados de suas ordens. Os bens do condenado seriam confiscados se foremlaicos e, se clérigos, seriam aplicadas as leis da ordem da qual recebiam o estipêndio. Aqueles que fossem apenas suspeitos de heresia seriam tocados pela espada do anátema, a menos que provassem sua inocência por uma apropriada purgação, levando-se em conta as razões da suspeita e o caráter da pessoa. Se a excomunhão persistisse por um ano seriam condenados como hereges.

Se um senhor temporal, demandado e instruído pela Igreja, negligenciasse em depurar seu território dessa “imundície herética”, estaria sujeito à excomunhão. Se se recusasse a dar satisfação dentro de um ano, a questão será levada ao supremo pontífice que poderá declarar seus vassalos livres de prestar-lhe lealdade e tornar a terra, após a expulsão dos hereges, disponível para ocupação pelos católicos.

Também estavam sujeitos à excomunhão os crentes que homiziassem, defendessem ou apoiassem os hereges. Qualquer pessoa que, após ter sido indicada como excomungada, se recusasse a prestar satisfação dentro de um ano, seria acoimado de infame e não poderia ser admitido em órgãos públicos, nem escolher outros para a mesma função ou prestar testemunho. Não teria a liberdade de manifestar a última vontade nem de receber herança.

Se fosse um juiz, suas sentenças não teriam vigência e casos não poderiam ser levados ao seu julgamento; se advogado, não lhe seria permitido defender ninguém; se notário, os documentos por ele autenticados não teriam valor algum; se clérigo, que fosse destituído de qualquer função ou benefício.

Em 64 dC, apóstolo Pedro é crucificado em Roma

Um dos principais apóstolos de Jesus, Pedro, é crucificado em Roma em 13 de outubro de 64 em seguida às perseguições de Nero contra os cristãos. Cristo lhe havia dado esse nome para simbolizar sua função de fundador da Igreja. São Pedro é o apóstolo investido da dignidade de primeiro papa pelo próprio Jesus. “Você é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.

Pedro nasceu em Bethsaida na Galileia. Pescador no lago Tiberíades, junto com o irmão André, seu nome era Simão, que em hebraico significava “Deus te ouviu”. Simão e André tinham sua própria frota de barcos, em sociedade com Tiago e João. Casado, teria também uma filha, Santa Petronilha. André, depois de ter ouvido de João Batista a exclamação “Eis o anjo de Deus!” apontando para Jesus, contou depois a Simão que havia conhecido o Messias.

Pedro foi chamado por Cristo a segui-lo, dizendo-lhe: “Você é Simão, filho de João. Você se chamará Pedro.” Em seguida, depois da pesca milagrosa, recebeu a promessa de Cristo que se tornaria pescador de almas.

Foi dos apóstolos o mais ativo e certamente o mais impulsivo, razão pela qual se tornou o porta-voz e líder reconhecido: “Te darei a chave do Reino do Céu e tudo o que ligares na Terra terá sido ligado nos céus; e tudo o que desligares na Terra terá sido desligado nos céus”.

Outro dado interessante era a estreita amizade entre Pedro e João Evangelista, atestado por exemplo na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo Amado, quem o haveria de trair ou quando ambos encontram o sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Fato é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém.

Não obstante, foi presa de grande temor durante a prisão e o suplício de Jesus e o renegou três vezes. Mas logo se arrepende e deixa cair amargas lágrimas de remorso. Ele não é um asceta, um diplomata e diz o que pensa. E protesta quando o Mestre prenuncia sua iminente morte: “Tem compaixão de ti, Senhor, isso de modo algum te acontecerá.”. Ou quando se recusou a lavar os pés de Jesus durante a última ceia. Porém recebeu admoestações de Cristo e, embora não as compreendendo, se dispôs a aceitá-las por intuir que estava diante da verdade.

Os apóstolos no afã de propagar o cristianismo a todos e não somente aos judeus, depois de permanecer 12 anos em Jerusalém espraiaram-se pelo mundo conhecido de então.

Pedro tinha o dom de operar milagres. À porta do templo curou um pobre aleijado, suscitando entusiasmo entre os populares e preocupação no Sinédrio – sob o domínio romano, assembléia judia de anciãos da classe dominante. É preso, seviciado e miraculosamente libertado. Deixa Jerusalém onde a vida se havia tornado perigosa devido à perseguição de Herodes Antipa. Empreende numerosas viagens antes de se fixar em Roma, centro do imenso Império Romano. Ali se tornou bispo e o primeiro papa durante 24 anos.

Em virtude do incêndio de Roma em 64, do qual foram culpados os cristãos, iniciou-se a primeira perseguição por vontade de Nero e que vitimou milhares de pessoas. Pedro termina na prisão e no mesmo ano é crucificado na colina do Vaticano. Seu corpo é sepultado à direita da via Cornélia, onde mais tarde foi erguida a Basílica Costantiniana.

Outros fatos marcantes da data

Em 1959 o Concílio Vaticano II, papa João XXIII inicia a modernização da Igreja Católica

Quem visita a Basílica de São Pedro, no Vaticano, depara-se com três pontos de aglomerações: extasiadas diante da Pietá de Michelangelo Buonarotti, contemplativas ante as colunatas de Bernini e reverenciando o corpo embalsamado de João XXIII.

João XXIII (1881–1963), papa de 1958 a 1963, nasceu em Bergamo, como Ângelo Giuseppe Roncalli, que sucedeu ao papa Pio XII. Em janeiro de 1959, anunciou reservadamente a intenção de convocar um concílio ecumênico, a fim de estudar medidas para a renovação da Igreja no mundo moderno, para a promoção da diversidade dentro da enclausurada unidade eclesiástica e para levar adiante reformas seriamente estimuladas pelo movimento ecumênico e o movimento litúrgico.

Desta forma, a convocação do Concílio em 11 de outubro de 1962 foi o ponto alto de seu pontificado. A amabilidade, o entranhado amor pela humanidade, individual e coletivamente, e o frescor na abordagem dos assuntos da Igreja trouxe-lhe o apodo de “O Bom Papa João”, um dos mais amados papas da história. Ele foi sucedido por Paulo VI e beatificado em 2000 pelo Papa João Paulo II.

Uma passagem interessante em seu pontificado ocorreu em abril de1959, quando proibiu os católicos de votar em qualquer partido que defendesse o comunismo. Contudo, sua encíclica Mater et Magistra – um vigoroso documento publicado em 14 de julho de 1961 – clamava por reforma social, assistência aos países subdesenvolvidos, salários dignos para todos os trabalhadores e apoio a todas as medidas socialistas que redundassem em real benefício à sociedade.

O Concílio Vaticano II foi o 21º concílio da Igreja Católica Romana. Seu manifesto propósito foi a renovação espiritual da Igreja e o reposicionamento no mundo moderno.

A mais espetacular inovação do Concílio foi o convite às igrejas protestantes e ortodoxas do Leste para que enviassem observadores. As sessões foram assistidas por representantes de muitas outras igrejas.

Um dos objetivos do conclave era a reforma da liturgia. Fundamentalmente, fazer com que os fiéis participassem mais de perto dos serviços eclesiais e, por conseguinte, encorajar a diversidade na linguagem e na prática. Grande ênfase foi dada desde o princípio aos deveres pastorais dos bispos, distintos das obrigações administrativas.

O regimento do concílio, fundado nas práticas democráticas, propiciou um vivo debate entre as correntes progressistas e conservadoras. Do encontro, surgiram quatro constituições, nove decretos e três declarações. A natureza das afirmações foi de conciliação, evitando definições rígidas e anátemas condenatórios. O papa João XXIII praticamente dobrou o número de cardeais, fazendo deste colégio de purpurados o mais numeroso até então.

A Sessão II, de setembro a dezembro de 1963, aprovou a Constituição da Sagrada Liturgia, permitindo a vernacularização da liturgia – a missa seria conduzida na língua local, e não mais em latim, e o oficiante deveria estar voltado de frente para os fieis, estimulando sua maior participação no ritual.

Na Sessão III, de setembro a novembro de 1964, aprovou-se a Constituição Dogmática da Igreja que esposou o princípio da colegialidade Episcopal com o Santo Padre, os decretos sobre o ecumenismo e sobre as igrejas católicas do Leste e a proclamação da Abençoada Virgem Maria como a “Mãe da Igreja”.

A Sessão VI, aberta pelo papa Paulo VI depois da morte de João XXIII, publicou uma série de medidas de ordem interna, destinada a abrir a Igreja para os ventos da modernidade. Um ponto de destaque foi a declaração sobre o relacionamento da igreja católica com as religiões não-cristãs que incluiu uma passagem importante que condena o antissemitismo e reconhece “o vínculo que liga espiritualmente o povo das Doutrinas da Graça do Novo Testamento com o legado de Abraão”.