Por que às vezes achamos que Deus não está sendo muito justo?

Deserto

Faça um esforço de imaginação e tente visualizar isso: Moisés, de pé no topo de uma montanha, um lindo panorama se estende diante dele. Ele está olhando para a Terra Prometida. Depois de 40 anos sem rumo vagando pelo deserto, parece maravilhoso demais para ser verdade. Ele está esperando este dia há muito, muitos anos. É uma terra que flui leite e mel, uma terra que já vem pronta – já é cultivada e domada. Não é uma terra selvagem. E Deus está preparado para entregá-la ao Seu povo em uma bandeja de ouro.

Se alguém no mundo mereceu este belo capítulo de prosperidade que se aproxima, esse alguém é Moisés. Ele tem sido alvo de tanta reclamação, rebeldia e acusação dos israelitas por tantos anos… toda essa beleza e sonho próximo é o suficiente para levar o homem mais humilde do mundo à vagar em sua imaginação. É o suficiente, na verdade, para desencadear um ataque de alegria desmedida – o tipo de situação em que você grita e grita e bate nas coisas. Mas Moisés era um cara equilibrado. Nas situações mais difíceis Moisés manteve a calma por mais de 40 anos, mesmo conduzindo um povo extremamente difícil, orando por seu povo maltrapilho, guiando-os em obediência e até mesmo intercedendo em favor deles quando Deus ia eliminá-los da face da terra.

Mas em vez de prosseguir para o sonho, em vez de prosseguir para a Terra Prometida, Deus tem algo completamente diferente planejado para Moisés. Morte, para ser claro.

Você irá morrer!

Você já ficou completamente espantado quando está lendo um texto na Bíblia? Eu já fiquei muitas vezes. Essa é uma daquelas histórias que parece nos incomodar quando lemos. Parecia tão “injusto”. Eu diria que Moisés tinha um espírito de mãe, tal a paciência com a qual ele conduziu aquele povo. Deus o colocou no comando de um grupo das crianças mais chorosas que já existiu. E Moisés não estava exatamente pedindo uma oportunidade para ser um líder. Na verdade, ele estava cuidando de seus próprios negócios, cuidando de ovelhas em uma montanha distante, quando Deus lhe deu uma designação que viraria seu mundo de cabeça para baixo.

Agora, vamos voltar para o topo da montanha onde deixamos Moisés olhando para a Terra Prometida extasiado. Deus lhe deu um vislumbre da terra em que estavam prestes a entrar, mas não permitiu que Moisés a desfrutasse. Por quê? Aqui está o que Deus disse a Moisés:

Depois de vê-la, você também morrerá como seu irmão Arão, pois, quando a comunidade se rebelou nas águas do deserto de Zim, vocês dois desobedeceram à minha ordem de honrar minha santidade perante eles. Isso aconteceu nas águas de Meribá, em Cades, no deserto de Zim… verás a terra diante de ti, mas tu não irás para a terra que eu dou ao povo de Israel.

Agora, para entender isso, precisamos voltar, mais uma vez, a outro dia na vida de Moisés, muitos anos antes. Deus estava guiando o Seu povo pelo deserto, cuidando fielmente de todas as suas necessidades, mostrando a Si mesmo a eles uma e outra vez. Mas o povo de Israel ficou com sede em um lugar chamado Meribá. Eles não tinham água, então vieram a Moisés e disseram que desejavam estar mortos. Eu não estou brincando com você.

Moisés tinha acabado de perder sua irmã Miriam e, apesar das aparências externas, logo abaixo da superfície, ele estava fervendo. E quem poderia culpá-lo por isso?

Moisés foi a Deus e caiu prostrado diante dele, e o Senhor disse a Moisés que pegasse seu cajado e fosse à frente do povo e dissesse a uma rocha para produzir água. Então ele pegou seu cajado e reuniu o povo diante desta rocha, como Deus lhe dissera para fazer. Mas então, Moisés perdeu o controle da situação. Ele abriu a boca e eis o que saiu:

Escutem, rebeldes, será que nós teremos que tirar água desta rocha para lhes dar? Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e os rebanhos beberam
Números 20.10,11

E foi isso. Esse é o pequeno ataque que fez com que Moisés fosse excluído da entrada na Terra Prometida. Pareceu um pouco injusto para mim quando li pela primeira vez há muitos anos. Afinal, Moisés acabara de perder sua irmã. Ele estava de luto. E esses israelitas estavam além do absurdo e ridículo. Eu não sei como alguém poderia aguentar isso. O próprio Deus ficou muito bravo com eles. Moisés estava apenas demonstrando uma pequena indignação justa, certo? E essas pessoas não estavam apenas pecando contra Moisés, mas contra o próprio Deus.

Mas um dia eu estava lendo essa história quando as escamas caíram dos meus olhos. O peso do meu próprio pecado me atingiu com força total quando vi, pela primeira vez, a maldade das ações de Moisés. Você vê, Moisés não estava apenas cansado e com raiva. Ele não apenas atingiu a rocha. Ele não apenas os chamou de rebeldes, uma palavra que certamente se justificava nas circunstâncias. Aqui está o que ele disse:

Nós devemos…

Ou…

Escutem, rebeldes, será que nós teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?

Com uma pequena palavra, nós, Moisés, invertemos a situação. Ele se colocou no mesmo nível de Deus e agiu como se o pecado do povo fosse uma afronta pessoal a ele. Ele agia como se estivesse fornecendo água para eles de uma rocha. “Nós vamos ter que tirar água para vocês desta rocha?” Quando Moisés disse “nós” não está claro se ele estava se referindo a si mesmo e a Arão, ou a si mesmo e a Deus. Mas de qualquer forma, ele está fazendo tudo sobre si mesmo. Nas palavras de Moisés, o pecado do povo é contra ele. E a água vem dele também.

Mas aqui está o que Deus disse a Moisés depois que ele pecou:

Por que você não honrou minha santidade perante eles?

E novamente bem antes da morte de Moisés na montanha…

“…Assim será porque vocês dois foram infiéis para comigo na presença dos israelitas, junto às águas de Meribá, em Cades, no deserto de Zim, e porque vocês não sustentaram a minha santidade no meio dos israelitas. Portanto, você verá a terra somente à distância, mas não entrará na terra que estou dando ao povo de Israel
Deuteronômio 32.51,52

Quando finalmente entendi a natureza do pecado de Moisés, me vi chorando. E aqui está o porquê:

Eu nunca quis ver a natureza do pecado de Moisés porque sou tão culpado desse mesmo pecado. Até onde sabemos, Moisés cometeu esse pecado uma vez. E, no entanto, eu já o cometi tantas vezes.

Quando meus filhos choramingavam quando pequenos e se queixavam ou se rebelavam, eu fazia tudo ser sobre mim. Quando penso que estou exibindo justa indignação, estou realmente me elevando a um nível com Deus. Como Moisés, eu sinto que o lamento deles é a palha final que quebrou as costas do camelo. A gota de água que fez transbordar o copo. Como Moisés, eu penso:

Depois de tudo que fiz por você, é assim que você me trata? Aqui vamos nós novamente…

E isso é só um pequeno problema entre outros maiores. Muitas vezes fazemos da luta pela Verdade, pelo Evangelho, pela Sã Doutrina, pela igreja… como se fosse algo sobre nós.

Facilmente eu me justifico por perder a paciência por fazer tudo a minha volta a ser sobre mim. Eu desculpo a mim mesmo e aponto para circunstâncias atenuantes. Eu catalogo todos os pecados dos meus filhos, da igreja, dos irmãos, das pessoas no trabalho, do motorista a minha frente no trânsito… que me trouxeram a este ponto de ruptura. Pior ainda, como Moisés, sou culpado do pecado da incredulidade. Deus me deu instruções sobre como orientar e instruir e viver como seu filho no mundo. Mas eu não creio que Deus irá trabalhar no coração das pessoas, da igreja, dos irmãos, dos meus filhos… e cumprir as promessas que Ele deu sobre eles – que Ele irá suavizar seus corações duros à obediência, que Ele trará água de uma rocha.

Como Moisés, eu tenho a responsabilidade de pastorear as almas de uma multidão heterogênea de pessoas que são frequentemente rebeldes, muitas vezes reclamando… Eu atravesso os movimentos de disciplina e discipulado porque é isso que Deus me mandou fazer. Mas eu não trato Deus como santo no meio do Seu povo quando faço tudo isso ser algo a meu respeito.

Isto não é algum pequeno pecado, algum pequeno lapso de julgamento, alguma fraqueza momentânea. Este é meu orgulho, minha ingratidão, minha rebelião. Isso é uma violação do primeiro mandamento e o terceiro também. Se esse pecado excluiu Moisés da entrada na Terra Prometida, então o que o meu pecado merece?

Quando Deus abre meus olhos para a profundidade da minha culpa, é quando entendo melhor a Sua santidade. Essa é a graça de Deus para mim, para reconhecer e lamentar o meu pecado. Não tememos a Deus como devíamos.

Moisés não conseguiu entrar na Terra Prometida naquele dia. Ele morreu no topo da montanha e foi enterrado lá pelo próprio Deus. Moisés, porém, foi tirado da prova e aperfeiçoado na terra da luz, e não por seu próprio mérito. Se ele não merecia a entrada na Terra Prometida, quanto mais a Terra Prometida final – a Cidade de Deus. E, no entanto, Moisés também foi redimido pelo sangue do Cordeiro, perdoado por seu pecado. Naquele mesmo dia ele se tornou um cidadão do céu.

Graças a Deus que estamos vestidos na justiça de Cristo. Não podemos nos justificar, mas Deus nos justifica. Somos cidadãos indignos do Céu, apesar de nossa incredulidade. Apesar da nossa raiva absurda muitas vezes. Apesar do nosso fracasso em seguir as instruções claras de Deus. Que possamos ter aprendido com Moisés. Não é sobre nós… nunca é. É sempre sobre santificar o nome de Deus em todas as situações. E Deus foi claro, como com Moisés, como devemos fazer.

“Graças a Deus por Jesus Cristo… nosso Senhor!”

Artigo de Josemar Bessa, extraído do blog Ministério Batista Beréia.

Anúncios

[Vídeo] Esperança para corações aflitos

Deus nunca está do lado do opressor, do escravagista e do rico espoliador. Assista a pregação do Pastor Ricardo Gondim da Igreja Betesda.

Eu sou da igreja de Cristo

Eu sou da igreja de Cristo

O meu Deus só é glorificado e exaltado, quando:

  1. Vidas são libertas e transformadas.
  2. Quando a graça, que ninguém merece, é entregue a nós pelo amor de Deus.
  3. Quando um pecador se arrepende do seu pecado e deixa o Espírito Santo agir na sua mudança de vida.
  4. Quando permitirmos que o amor de Deus entre em nossos corações e preencha o vazio que um dia sentimos.
  5. Quando conquistamos uma intimidade com Deus, que nos faz esquecer os nossos próprios interesses e lutarmos pelo seu que é permeado de amor!
  6. Quando paramos de tentar impor com força e violência o que só se contagia através do amor.
  7. E quando por fim nos tornamos imagens e semelhança, de alguém que deu a vida por amor de todos sem acepção de pessoas.

Eu sou a igreja de Cristo e se precisar de um abraço, de uma palavra de amor de Cristo, se você se sente oprimido, cansado e angustiado, conte comigo! Eu vou orar por você. Somos muitos intercedendo pela sua vida!

Não se sinta sozinho! O meu Jesus é amor e eu posso te apresentar esse amor! Ele morreu de braços abertos, por todos e para todos e não é exclusividade de ninguém.

Por Michele Lima Nascimento

Carta aberta ao povo de Deus

Fernando Haddad em encontro com pastores evangélicos

Queridos irmãos, queridas irmãs!

O Senhor odeia os lábios mentirosos,
mas se deleita com os que falam a verdade.
Provérbios 12:22

Quero me dirigir diretamente ao povo evangélico neste momento tão decisivo da vida de nosso Brasil, cujo futuro será decidido democraticamente nas urnas do próximo dia 28. Para estar no segundo turno, tive que vencer uma agressiva campanha baseada em mentiras, preconceitos e especulações massivamente espalhadas pelo Whatsapp e outras redes sociais, contra mim e minha família.

Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.
Provérbios 6:16-19

Desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT. Comunismo, ideologia de gênero, aborto, incesto, fechamento de Igrejas, perseguição aos fiéis, proibição do culto: tudo o que atribuem ao meu futuro governo foi usado antes contra Lula e Dilma. As peças veiculadas, de baixo nível, agridem a inteligência das pessoas de boa vontade, que não se movem pelo ódio e pela descrença.

Ó Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos, dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito.
Salmos 109:1-2

Que provas tenho a oferecer para desmentir quem usa meios tão baixos para enganar, fraudar a vontade popular?

Minha vida, em primeiro lugar: sou cristão, venho de família religiosa desde meu avô, que trouxe sua fé do Líbano quando migrou para o Brasil para construir vida melhor para sua família. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher, Ana Estela, minha companheira de jornada que criou comigo dois filhos, nos valores que aprendemos com nossos pais. Sou professor, passaram por minhas mãos milhares de jovens com os quais aprendi e ensinei meus sonhos de um Brasil digno e soberano.

Minha vida pública, em segundo lugar: minha atuação, como Ministro da Educação e como Prefeito de São Paulo, fala por mim. Abri as portas da educação para os mais pobres, das creches – nas quais o governo federal passou a investir pesadamente em minha gestão – à Universidade. Antes do Pro-Uni, do FIES sem fiador, do ENEM, da criação de vagas em instituições públicas e gratuitas de ensino e das cotas raciais, o ensino superior era inacessível para jovens negros, trabalhadores e da periferia. Busquei humanizar a metrópole que me foi confiada, buscando inovações para ampliar os direitos, à moradia, à mobilidade urbana, ao meio ambiente sadio, à convivência fraterna.

Sempre contei, no MEC ou na Prefeitura de São Paulo, com a parceria com todas as denominações religiosas. Tratei a todas de forma igualitária. Os governos Lula e Dilma, bem como nossos governos estaduais e municipais, sempre reconheceram dois pilares do Estado democrático: é laico e, como tal, não privilegia nem discrimina ninguém em razão de sua religiosidade. Nenhuma Igreja foi perseguida, o direito de culto sempre foi assegurado, a liberdade de expressão também. Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo.

Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? Assim sendo, toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore ruim dá frutos ruins.
Mateus 7:15-17

Os frutos que quero legar ao Brasil como Presidente são a justiça e a paz. Emprego para milhões de desempregados e desempregadas poderem sustentar com dignidade suas famílias. Salário justo, com direitos que foram eliminados pelo atual governo e que serão trazidos de volta com a anulação da reforma trabalhista, e o direito à aposentadoria, ameaçado pela reforma da Previdência apoiada pelo atual governo e meu adversário.

Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.
Isaías 1:17

Quero governar o Brasil com diálogo e democracia, com a participação de todos e todas que se disponham a doar de seu tempo e talentos na construção do bem comum. Um governo que promova a cultura da paz, que impeça a violência, que nunca use da tortura e da guerra civil como bandeiras políticas. Que una novamente a Nação brasileira, para que volte a ser vista com esperança pelos mais pobres e com respeito pela comunidade internacional.

Apresento-me, pois, diante dos irmãos e irmãs das mais variadas denominações cristãs, com a sinceridade e honestidade que sempre presidiram minha vida e meus atos. A Deus, clamo como o salmista:

Guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo
Salmos 25:5 

E a vocês, peço justiça, a justa apreciação de meus propósitos e o voto para concretizar essas intenções num governo que traga o Brasil aos caminhos da justiça, da concórdia e da paz.

Fernando Haddad
Presidente

Carta aberta ao povo de Deus Carta aberta ao povo de Deus Carta aberta ao povo de Deus

Quando a bancada da bíblia se submete à bancada da bala, Romanos 13 fica mais importante que 1ª Coríntios 13

Bancada da bíblia se submete a bancada da bala

Ainda na linha de desmascarar duas lógicas mentirosas impostas aos cristãos nessas eleições, (1) Deus teria escolhido um candidato; e (2) a Igreja está em uma guerra santa contra políticos que querem destruí-la, gostaria de falar sobre uma exegese enviesada que alguns pastores tem feito sobre os primeiros versículos do capitulo 13 da carta de Paulo aos Romanos.

1. Entendendo o Contexto

Antes de começar é preciso entender duas coisas: A primeira é o motivo dessa preocupação em fazer a exegese dessa passagem e publicar os vídeos que foram lançados. O tal candidato que segundo (1) é ungido por Deus tem um largo histórico de negação de Direitos Humanos, de exaltação a tortura, já fez discurso mostrando seu apoio a um grupo de extermínio na Bahia, é abertamente favorável a pena de morte e como proposta para resolver a grave epidemia de violência que passamos quer que os policiais tenham um “excludente de ilicitude” nas operações em comunidades controladas pelo tráfico, ou seja, uma licença para atirarem para matar primeiro e não serem responsabilizados nem mesmo nos casos em que inocentes sejam atingidos.

Nós vamos voltar a falar sobre o papel esperado da polícia mais adiante nesse texto mas no momento eu quero que entenda que a preocupação com o texto de Rm 13 é apenas para tentar legitimar o voto em um candidato que se esconde na mentira (1). Há 4 anos atrás nenhum pastor postava vídeo sobre Rm 13. E se fossem questionados sobre a pena de morte certamente diriam que são contra. Eles mesmos não acreditam no que dizem. A lógica de guerra (2) tem feito afetado até mesmo a credibilidade de pastores honestos e respeitáveis. Se alguém dissesse que grandes homens de Deus estariam usando a Bíblia para justificar a frase “bandido bom é bandido morto” ninguém acreditaria a 4 anos atrás. Mas é o cenário que temos hoje. E a razão tem ver com o próximo parágrafo.

A segunda coisa a entender é que os políticos e pastores que criaram a mentira (2) fazem parte de um grupo de deputados federais conhecido pelo nome de Bancada da Bíblia. Até 2014 esse grupo era mais ou menos independente mas a partir de 2015 começaram a se juntar com outro grupo, conhecido como a Bancada da Bala, formado por policiais e ex militares, misturando os temas. Era de se esperar que o Evangelho influenciasse os policiais mas o que ocorreu foi o contrário. Os deputados evangélicos foram influenciados e começaram a defender pautas que nunca tinham sido suas. A Bancada Evangélica hoje está a serviço da Bancada da Bala.

Há números sobre esse movimento: Em 2014 foram eleitos quase 90 deputados evangélicos, inclusive o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que depois acabou preso por corrupção. Este ano, o número caiu para perto de 80. Quase 30 deputados evangélicos não conseguiram se reeleger. A Bancada da Bala, por outro lado, não para de crescer. O próprio candidato se referiu a Eduardo Cunha como um herói e seus filhos são militares que frequentam igrejas evangélicas para conseguir arrebanhar votos. A influência da igreja evangélica no Brasil está diminuindo depois que ela sucumbiu ante seus novos “parceiros”. A exegese enviesada de Rm13 é mais uma imposição que a Bancada da Bala está empurrando goela abaixo dos evangélicos, fazendo com que eles digam o contrário do que sempre pregaram, falaram e votaram.

2. Romanos 13:1-4 como licença para matar

A exegese feita sob encomenda para a campanha do candidato se baseia em dois pontos: Primeiro, que a bíblia manda matar, sim. Segundo, que a autoridade que existe foi constituída por Deus e tem, por isso, o direito de matar quem quiser, se achar que deve. Há muita coisa errada aqui e mais a frente uma exegese e uma interpretação sobre Romanos 13 será apresentada. Essa seção apenas aponta os erros teológicos comuns que tem sido mais falados.

Pastores conhecem a bíblia e conhecem um pouco da alma humana. Nós somos bons nisso e não por acaso usamos os dois conhecimentos ao mesmo tempo: Fazemos pregações com textos bíblicos que parecem estar falando da sua vida e na hora dos aconselhamentos no gabinete encontramos nos problemas que nos contam comparações com personagens bíblicos. Mas quando algum pastor quer trazer uma reflexão bíblica sobre outro assunto que não a alma humana, como o papel do Estado ou os conflitos que existem na sociedade, sem ter a capacidade para isso, acabam mudando o sentido da boa leitura bíblica. Ao invés da opinião se basear no texto, o texto acaba se baseando na opinião.

Pastores sem estudo fora da teologia não possuem conhecimentos de sociologia, direito, história, ciência política ou políticas públicas. Falam de uma sociedade que existiu há dois mil anos cheia de contradições e conflitos (como todas são) como se fossem harmoniosas e seus únicos problemas fossem as questões morais e a idolatria. São incapazes de perceber e diferenciar os contextos históricos, sociais e políticos e por isso tem uma enorme dificuldade de trazer uma interpretação útil para os nossos dias sobre como o Estado deve exercer sua autoridade sobre os cidadãos. É como se alguém que não soubesse que a terra é redonda começasse a comentar sobre como a terra é plana por a bíblia citar os seus 4 cantos.

Citar a parte do texto que diz que a autoridade traz a espada para concluir que a Bíblia manda matar pessoas seria o mesmo que concluir que a Bíblia manda dar todo o dinheiro para os pobres citando a parábola do jovem rico. Isso é obviamente um absurdo! O mandamento de Jesus não foi “Se livre de todo o seu dinheiro!”, mas sim “Não seja escravo do seu dinheiro!”. Paulo não ensinou “A autoridade deve usar a espada para matar bandidos!”, mas sim “Sejam submissos às autoridades desse mundo pois os bandidos que não se submetem tem sido tratados com a espada”. Não é uma recomendação mas uma constatação de como as coisas funcionavam naquela época. E funcionavam muito mais para o mal do que para o bem, já que vários cristãos foram mortos injustamente pelas autoridades romanas.

O cristianismo, por dever de consciência e respeito aos seus mártires, é contra a pena de morte. O Novo Testamento não manda matar. Ele orienta a andar a segunda milha e sempre deixar espaço para o arrependimento. Aplicar a pena de morte é desistir da pessoa, coisa que o Senhor nunca fez conosco. Thiago e João quiseram aplicar a pena de morte em Lucas 9:54 mas foram repreendidos por Jesus. Pedro desembainhou a espada e atacou o servo Malco em João 18:10 e também foi repreendido pelo Senhor. Ao término desse texto será falada a perspectiva cristã sobre o papel do Estado na sua função de manter a ordem e punir os infratores.

O outro absurdo defendido é que como a autoridade foi constituída por Deus ela teria a legitimidade para decidir, em nome de Deus, quem deveria morrer e quem deveria ficar vivo. Acreditar que Deus dá um cheque em branco para homens decidirem sobre a vida e a morte de outros é o mesmo que dizer que Hitler matou 6 milhões de judeus em nome de Deus. Isso é uma ofensa sem tamanho! O texto como veremos na outra seção não fala em avalizar as escolhas de quem está dando ordens mas sim realçar a virtude de quem de boa consciência é capaz de se submeter a outros, reconhecendo a autoridade que neles está.

No caso concreto do Brasil a autoridade não está em uma pessoa mas na Constituição Federal. Toda a autoridade do país vem dela pois não somos mais uma monarquia absolutista em que o imperador podia mandar e desmandar a vontade. E o que diz a constituição? No Brasil não há pena de morte. Quem diz e prega isso está indo contra a autoridade máxima do Brasil, está em rebeldia e debocha da autoridade constituída pelo próprio Deus.

Romanos 13 não manda ninguém usar a espada contra ninguém nem avaliza a decisão de um juiz ou policial que resolve matar ou mandar matar quem quer que seja. Paulo não estava escrevendo um tratado sobre segurança pública ou ciência política nem dando regras para o funcionamento da polícia militar. Paulo, como veremos a seguir, estava apenas resolvendo um problema peculiar que a igreja de Roma estava passando.

3. Romanos 13:1-7 – Como um ensino sobre a disciplina espiritual da submissão.

O texto fala em ser obediente às autoridades. Ora, poucas coisas eram tão desobedientes ao império romano quanto o cristianismo. Sofremos 10 grandes perseguições nos primeiros trezentos anos exatamente por sermos desobedientes. A política do império era cultuar o imperador como Deus, coisa que os cristãos sempre rejeitaram. Mas não era apenas isso. Os cristãos de dentro do império tratavam os de fora como irmãos e não como inimigos. Em uma economia baseada no trabalho escravo em que várias rebeliões destes ocorreram, o cristianismo desafiava a hierarquia com algumas comunidades cristãs sendo lideradas por escravos. Do que Paulo estava falando, afinal?

As cartas no Novo Testamento são respostas para problemas que as comunidades estavam passando. Paulo não entra em um assunto sem contexto. Havia uma inquietação na igreja de Roma com a qual ele precisava lidar: cristãos estavam enfrentando perseguições e problemas com os magistrados romanos não convertidos e alguns começavam a acreditar que somente magistrados cristãos seriam autoridades legítimas. Há um princípio de clima de desobediência civil fomentado por uma visão de que o cristianismo deveria ter o seu próprio Estado. A resposta de Paulo para esses irmãos é exatamente no sentido contrário: É indiferente para a igreja quem esteja exercendo a justiça dos homens sobre a igreja já que “nenhum magistrado teria autoridade contra Cristo se de cima não lhe tivesse sido dada”.

A primeira surpresa aparece aqui: Paulo se posiciona contra a ideia de que o Estado funcionaria melhor com autoridades cristãs! O Império Romano naquilo que fazia de bem, não dependia de ser dirigido por cristãos. É justamente o contrário do que alguns pastores tem pregado quando dizem que Deus ungiu um candidato supostamente cristão para trazer a Paz para o Brasil. Paulo diz o contrário: Não importa quem seja o encarregado para fazer justiça e sim que haja justiça disponível para as pessoas. Não se sujeitar a uma autoridade ou magistrado apenas por ele não ser cristão é negar se sujeitar ao próprio Deus.

Paulo sabia muito bem que autoridades muitas vezes erravam e eram injustas. Ele mesmo sofreu na pele algumas vezes com isso. Os apóstolos foram perseguidos e alguns mortos por ordem de autoridades perversas. E o próprio Senhor foi condenado em um julgamento fraudulento e irregular, tanto por parte dos Judeus quanto por parte dos Romanos. Desde que existem governantes no mundo ocorrem injustiças feitas pelas pessoas com autoridade contra inocentes ou contra adversários políticos. Por que Paulo então diz que as autoridades são ministros de Deus para o bem das pessoas? Onde está o sentido no que Paulo está ensinando?

Primeiro, Paulo não está dando o aval de Deus para as pessoas que estão revestidas com autoridade, como os juízes e os reis, agirem do jeito que quiserem. Deus nunca deu carta branca para ninguém agir em seu nome. Paulo não enfatiza o direito de alguém ditar e fazer cumprir as regras e sim a virtude de alguém em se sujeitar a estas. Podem parecer coisas iguais mas são profundamente distintas. Dar ordens até o diabo dá, mas se sujeitar de boa consciência é algo que só Filhos de Deus podem fazer. Não é a hierarquia que revela a autoridade e sim a sujeição. Paulo não estava defendendo que tudo o que um magistrado fazia era da vontade de Deus mas apenas que a própria igreja não poderia reivindicar a autoridade de Deus quando falava se não fosse capaz de se sujeitar a autoridade dos homens no Estado quando vivia. Há um ditado para isso: Quem não se assenta para ouvir, que não se levante para falar!

Segundo, Paulo fala sobre fazer o bem para receber louvor e evitar o mal para não receber castigo. Nem de longe o apostolo está dizendo que as autoridades sabem sempre o que é o bem e o que é o mal. Longe disso, pois os juízes e reis também são pecadores e não há um justo sequer. Ele está se referindo às consequências sociais dos nossos atos. Por mais que alguém julgue incorreto pagar tantos impostos, não pode simplesmente parar de pagá-los, como o próprio Paulo citou no verso 6, pois o Estado irá lhe cobrar o devido cedo ou tarde. Quem não quiser gastar tempo e dinheiro para obter sua carteira de motorista e resolve dirigir vai ter seu carro apreendido se for parado em uma operação policial. As palavras ‘bem’ e ‘mal’ aqui não estão sendo usadas como sinônimos de virtude e pecado. O mundo jaz no maligno e esperar que magistrados saibam louvar o que é santo e reprovar o que é pecado é ignorar a própria lógica do Evangelho.

Aqui aparece a segunda surpresa do texto: A lei dos homens tem muito mais a ver com poder do que com justiça. A escravidão estava dentro da lei. O extermínio de judeus na Alemanha nazista estava dentro da lei. O regime do apartheid na África do Sul estava dentro da lei. Nenhuma dessas coisas tem a ver com a justiça de Deus mas com o poder de quem faz e executa as leis. A maior parte do ministério de Paulo foi usada justamente para mostrar que pela observância de leis ninguém consegue ser justo. A Lei de Moisés revelava que havia um poder maior acima dos homens, a quem todos um dia irão prestar contas. A Lei tem a ver com poder de Deus sobre as criaturas. O Evangelho tem a ver com justiça de Deus sobre seus filhos. O texto de Romanos 13 não é um aceno ao poder das leis e dos magistrados mas um chamado à memória que no Evangelho o Filho, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de quem servia. Quem não consegue ser submisso a um homem de carne e osso como será submisso a Deus que é apenas Espírito?

A disciplina espiritual da submissão é algo esquecido no meio da igreja hoje. E quando se toca no assunto, é para legitimar uma obediência cega dos membros para com os líderes. Eles mesmos, porém, em nada são submissos. Submissão tem a ver com reconhecer nas necessidades da comunidade a importância maior que as suas próprias. Não há comunhão sem submissão pois quem se considera acima dos demais a ponto de não precisar se submeter deixou de tratar os demais como irmãos. Eu não gosto de pagar impostos mas a necessidade da cidade de ter luz elétrica no poste e escola de qualidade para todos é maior que a necessidade de guardar ou gastar dinheiro. A submissão não tem a ver com acreditar que a hierarquia dos homens foi instituída por Deus e sim que mais bem aventurado é servir do que ser servido.

Romanos 13 deve ser lido com o mesmo Espírito de 1ª Coríntios 13. O caminho excelente que Paulo mostrou não mudou. Como apoiar a pena de morte e uma carta branca para autoridades matar quem quiserem ao ler “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”? Será que Paulo se enganou ao escrever o texto de Coríntios e resolveu consertá-lo com esse texto de Romanos? É claro que não! O Evangelho é um só e nele não há variação. Usar a espada para se livrar dos problemas era algo que qualquer povo conseguia fazer. Amar quem nos ofende, por outro lado, é algo que só os seguidores de Cristo fazem.

Mas como conseguimos conciliar a justa necessidade de manter a ordem e fazer justiça com a lógica do amor? Se Paulo não estava em Romanos 13 dando seu parecer sobre a política de segurança pública nem endossando o uso da pena de morte pelo Império Romano, o que o cristianismo tem a dizer sobre o assunto? Que tipo de relação do Estado com os cidadãos pode existir que se aproxime do Espírito de 1 Coríntios 13? É o assunto da próxima seção.

4. Qual é a perspectiva cristã sobre o papel do Estado na manutenção da ordem?

Toda sociedade vai ter conflitos. Parte do problema nas interpretações erradas de Rm 13 é achar que a sociedade é como um formigueiro onde todo mundo tem o seu lugar certo. Quem pensa com a lógica do “formigueiro” acha que todos os males da sociedade ocorrem por causa de indivíduos desajustados, “formigas que nasceram erradas”, males sociais que precisam ser extirpados. Só que não. Nós não somos insetos e a sociedade nunca esteve em harmonia. Desde Caim e Abel estamos convivendo no mesmo espaço social mas em constante divergência.

Quando estamos em uma ditadura, como era o Império Romano do tempo da carta de Paulo, o Estado não tolera conflitos, simplesmente porque quem está no poder não quer que nada seja criticado. O crime é visto como uma ameaça ao Estado e a preocupação não é com a vítima e sim com o sistema. O importante não é fazer justiça e sim garantir que a ordem seja mantida, pois o “formigueiro” tem de continuar funcionando sem perturbações. Se inocentes forem condenados será apenas um pequeno preço que a sociedade tem de pagar para a ordem seja mantida. Algumas formigas precisam se sacrificar às vezes para que o formigueiro continue.

Quando estamos em uma democracia as coisas são diferentes. Todos reconhecem que estão sempre em conflito, uns mais graves, outros mais simples, e o papel do Estado é fazer a justiça ouvindo todas as partes. O Estado não pode ter lado nas disputas, pois não existem “formigas que nasceram defeituosas”. Isso é próximo da Bíblia quando ela “diz que todos pecaram e que não há um justo sequer”, e que “quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra”. O criminoso não é um ser humano “com defeito” e “menos humano” que os demais. Antes, ele é profundamente humano, pois o que mais temos de igual uns com os outros é o pecado e a desobediência a Deus.

Combater o crime na ditadura é dar uma lição em alguém “menos humano” que os outros por ter perturbado a ordem dos humanos. Combater o crime na democracia é fazer justiça entre dois humanos que entraram em conflito por causa de uma propriedade (que pode ser em último caso, a própria vida). No primeiro caso é a ordem que interessa e a acusação sempre vai sempre querer desumanizar o outro. No segundo é a justiça que interessa e todos continuam sendo humanos, sendo discutido apenas como um deles será responsabilizado pelo que fez.

Em uma ditadura não importa se mil inocentes forem condenados para que um culpado pague por seus atos. A ordem e o sistema, afinal de contas, são mais importantes que as pessoas. Na democracia as pessoas, todas e cada uma delas, são mais importantes que o sistema de tal forma que é preferível que mil culpados não sejam punidos do que apenas um inocente acabe condenado. Isso também é condizente com o cristianismo que exige que haja duas testemunhas para que alguém seja condenado (uma só não bastava!) e que afirma que todos pecados podem ser perdoados, com uma exceção: chamar de maldito e merecedor de Cruz o único ser humano realmente inocente que já houve: o Filho de Deus.

A ditadura trabalha com uma ilusão que através da força o Estado vai conseguir resolver todos os conflitos, sem espaço para a necessidade do perdão. A democracia trabalha com a realidade de que sempre teremos conflitos e que nem sempre o uso da força vai conseguir resolvê-los, fazendo com que muitas vezes a única saída para vivermos em paz seja perdoar. Vemos aqui de novo os ecos das palavras de Jesus dizendo: Se perdoares os pecados de quem te ofendeu, Deus também perdoará os teus pecados.

A ditadura é o sistema mais parecido com o Império Romano. A democracia é o sistema mais parecido com o Reino de Deus. Nada neste mundo será perfeito até que o Senhor venha mas se a terra nunca será parecida com o paraíso, não quer dizer que precisa imitar o inferno! Pelo contrário: a igreja está nesse mundo justamente para dar uma amostra de como será o céu. A Luz do mundo deve brilhar para iluminar o “como-deve-ser” e não bater palmas para o “como-sempre-foi”. Só depois de entender a diferença entre ditadura e democracia é que podemos falar da perspectiva cristã sobre o papel do Estado na manutenção da ordem, que é o que faremos a seguir.

A primeira distinção a fazer é que soldados e policiais são funções diferentes e com resultados esperados diferentes. O soldado existe para as situações de guerra a fim de usar a força contra inimigos para derrotá-los. O policial existe para situações de Paz a fim de usar a força contra quem não aceita resolver seus conflitos dentro da lei. Um soldado em missão vai matar seus inimigos ou capturá-los. Um policial em missão vai levar alguém perante a justiça. Um pensa em vitória. O outro pensa em justiça. A primeira coisa que o cristianismo considera sobre o Estado manter a ordem é que policiais não devem ser soldados. Na maioria do mundo ocidental eles não são.

Em segundo lugar, os policiais não devem existir para matar bandidos, e sim para levá-los até um magistrado, onde serão julgados de forma justa. O cristianismo não aceita a lógica do “bandido bom é bandido morto” por que acredita que Deus não se livra dos problemas, ele disciplina sempre esperando o arrependimento. O bandido bom é o bandido que ao estar cumprindo sua pena, se converte e tem o seu coração mudado pelo Espírito Santo de Deus. Foi para estes que o Senhor veio. Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.

Em terceiro lugar, o próprio policial deveria ter a sua voz ouvida sobre o que acha dessa guerra contra o varejo das drogas em que eles vivem morrendo e nada melhora. O comercio de drogas existe em todos os lugares do mundo mas a violência desse comércio existe apenas em alguns lugares. A causa real da violência não é a droga em si mas as condições de extrema desigualdade da sociedade que fazem o caminho do crime organizado ser mais atraente que tentar a vida dentro da honestidade. Hoje o policial é usado como peça descartável de uma operação que apenas “enxuga gelo” para agradar uma sociedade que ao invés de encarar o desafio de dar oportunidades iguais para todos prefere fingir que tudo se resolve a bala.

Em quarto lugar, as operações policiais que fazem vítimas inocentes, algo que seria repudiado se acontecesse nos bairros ricos, tem se tornado comum e aceitável nas favelas. Nenhuma “guerra às drogas” justifica a morte de uma única criança inocente. Muito se fala que as favelas se tornaram territórios do tráfico, o que justificaria as operações, mas a questão é perguntar porque o tráfico se organizou na favela e não no asfalto. A resposta é que no asfalto há saneamento, há obras, há coleta de lixo, há escola, há ruas, etc. Na favela nunca houve nada disso. A crise de violência também é uma crise de moradia e uma crise de cidadania. São crises que não se resolvem a bala mas com planos de urbanização e de acesso à cidadania.

Há muito mais para dizer e se debater sobre o assunto e certamente isso deve ser feito com toda a sociedade, principalmente com quem mora nas comunidades onde o tráfico opera. Quando se trata de pessoas em uma sociedade democrática as soluções não aparecem com o recitar de um ou dois versículos. Nem o Império Romano que era uma ditadura se manteve na base da espada, por que achamos que o Brasil do século XXI irá resolver seus problemas assim?

5. Palavras finais

A democracia é o sistema onde tratamos os outros da mesma forma que gostaríamos de ser tratados. É o mais perto do sermão do monte que podemos chegar. Defender a espada é fazer o jogo da Bancada da Bala. O Evangelho não pode se sujeitar a isso. Nenhuma vaga no palácio de Cesar é mais importante que a nossa vaga nas mansões celestiais. A igreja que lançar mão da espada, à espada morrerá. Já começamos a minguar no congresso. Quanto tempo demorará para minguarmos nos templos?

Que Deus nos abençoe.

Por Artur Souza, presbítero ativo e Pastor da 7ª R.E. da Igreja Metodista.

PS: Na foto, cristãos fazem o gesto da “arminha” dentro de um templo, em um gesto de apoio ao candidato que defende a pena de morte.

O voto evangélico

O voto evangélico

Houve um assanhamento sobre a possibilidade de uma migração massiva do voto dos evangélicos ao Bolsonaro, pelo suposto apoio de caciques de igrejas no início desta semana pela mídia. Reforçada por uma campanha de #FakeNews, utilizando-se em caixa alta, a perversão, o preconceito e a mentira.

Alguns exemplos, mamadeiras em formato de pênis, definição de sexo em registro após uma certa idade, além de confisco humano pelo estado, turbinadas aos ventos nas redes sociais, atitude que na verdade disfarça os verdadeiros desejos que possui ou a intenção, falando da perversão. Mas esquecem de um detalhe, não será pela moral, o subjetivo, que uma significativa parte da base evangélica destinará o seu voto a #EleNão.

O discurso moral influencia a religião, claro, mas não na proporção estatística que é alardeada. Digo isso porque a parcela significativa dos membros das chamadas igrejas evangélicas e de massa, são mulheres, de periferia, mães e trabalhadoras que, até bem pouco tempo, a única boa nova do evangelho que ouvia era a palavra: submissão. Mas não é mais assim. Muitas delas, foram empoderadas pelos programas sociais, administram recursos, educaram filhos e filhas, compraram casas, viajaram de férias, adquiriam direitos trabalhistas etc.

O voto será, em parte, destinado a essa memória objetiva, principalmente, com o retrocesso, ou seja, a perda dos direitos e a ameaça de voltar ao mundo da total dependência. Apesar do apóstolo, bispo, pastor, missionário, tentar convencer ao contrário, esquece de quem sabe dos problemas, guarda os segredos dos filho(as), administra os conflitos, os recursos, preocupa-se com o futuro da família, na maioria das vezes, não são eles, são elas. Imagino que, na hora da desobediência silenciosa dessas mulheres, a oração íntima será, segundo a bíblia: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At. 5:29).

Isso não é para gerar conforto nem comodidade. É o voto a ser consolidado, com clareza,discernimento, diálogo e consciência nesta reta final da campanha eleitoral.

Companheiro Luis Sabanay, 52 anos, Teólogo e Pastor Presbiteriano.

Carta aberta aos pastores e igrejas que apoiam Bolsonaro

Carta aberta aos pastores e igrejas que apoiam Bolsonaro

Senhores (as) líderes evangélicos, graça, paz e discernimento!

As eleições se avizinham, e boa parte dos pastores de nosso país tem manifestado seu apoio à candidatura de Jair Bolsonaro. A maioria alega ser ele o que melhor representa os anseios do povo evangélico, principalmente devido ao seu discurso favorável à família tradicional e aos valores morais tão caros ao cristianismo.

De repente, sinto-me como se houvesse viajado no tempo e revivesse os dias da guerra fria, quando o mundo se via ameaçado pela eclosão de uma guerra nuclear envolvendo as duas potências mundiais: A União Soviética e os Estados Unidos. Colegas vociferam de seus púlpitos sobre o perigo do comunismo que ronda a nossa sociedade. Pergunto-me em que mundo estamos vivendo, afinal? Qualquer um que levante sua voz a favor do pobre, do excluído, do oprimido, logo é tachado de esquerdopata, comunista, “agente do inferno”, e coisa parecida.

Os senhores já pararam para se perguntar sobre o que estaria por trás deste discurso ultraconservador? Há uma onda conservadora varrendo a Europa e os EUA, suscitando velhos rancores contra os imigrantes, os homossexuais, as minorias, a classe operária, etc.

No meio desta avalanche de intolerância, eis que uma voz destoante se faz ouvir mundo afora. Não de um pastor como foi nos dias de Luther King nos EUA, ou de Bonhoeffer na Alemanha, mas de um Papa, líder da instituição mais conservadora do mundo. Por ironia, justamente o primeiro Papa latino-americano se levanta contra tudo e contra todos os que insistem em ressuscitar um discurso que há décadas parecia ter sido abandonado e enterrado. Enquanto isso, a igreja evangélica, que por tanto tempo esteve na vanguarda na luta pelos direitos humanos passa a se aliar com o que há de mais retrógrado e ultrapassado. Que vergonha! Tudo em nome de nossos escrúpulos moralistas.

Conseguiram a façanha de diluir o puro Evangelho da graça num discurso de ódio e intolerância.

Esquecemo-nos dos colegas que foram perseguidos, torturados, e, alguns até mortos e desaparecidos, durante o regime militar. Justificamo-nos no fato de que o tal candidato defenda os mesmos valores. Será que ser a favor da tortura soa menos cruel quando se é contrário ao aborto? Será que ser a favor do armamento da população condiz com o que foi ensinado por Jesus? Afinal, bem-aventurados são os pacificadores ou os que pretendem armar a população? Ser pela família tradicional abona a conduta de quem se revela contrário aos direitos trabalhistas conquistados a duras penas? Se você, pastor, é contra tais direitos, recomendo que não aceite mais dízimos de décimo-terceiro ou de férias de seus membros.

Não ajamos como o profeta Natan que encorajou a Davi a construir o templo, afirmando-lhe categoricamente que Deus o havia escolhido para aquela empreitada. Porém, o Senhor não o tinha autorizado a fazer tal coisa, de modo que, mesmo constrangido, teve que retornar ao rei e dizer-lhe a verdade. Por causa do sangue que havia em suas mãos, Deus não o designou para edificar Sua casa, ainda que já houvesse levantado todos os recursos para tal, e recebido do Senhor a planta, caberia ao seu sucessor tocar a obra.

Quem somos nós para abençoar o que Deus não abençoou? Quem somos nós para encorajar o que contraria frontalmente a Sua vontade?

Sei que muitos alegarão que tudo não passa de manipulação da mídia esquerdista. Mas basta assistir aos inúmeros vídeos de discursos e entrevistas do candidato para verificar que exatamente assim que ele pensa. Ele mesmo afirma que o trabalhador terá que escolher entre ter seus direitos assegurados ou o emprego. Ele é quem diz com todas as letras que o Estado não é laico, mas cristão e que as minorias terão que se dobrar à vontade das maiorias. Ele diz que seria incapaz de amar um filho homossexual e que a homossexualidade é falta de p*rrada na infância. Diz que não empregaria uma mulher, já que esta engravida. Diz que educou seu filhos para que jamais namorassem negras. Diz que em seu governo os índios não receberiam nem mais um centímetro de terra. Se ele é a favor da família tradicional, por que disse que usava o apartamento para “comer gente”? Como defender quem diz que uma mulher não merecia ser estuprada por ser feia? Como apoiar quem defende o uso da tortura se somos seguidores de um Cristo torturado e morto numa cruz? Como apoiar quem diz que ordenaria que helicópteros metralhassem uma favela se os criminosos não se rendessem? Será que na favela só mora bandido? Com que cara visitaremos os presídios para pregar o amor de Cristo depois de apoiar que tem como slogan “bandido bom é bandido morto”?

O sangue de toda uma geração poderá cair em nossas mãos!

Se você é pastor de uma pequena congregação, talvez esteja indo na onda de grandes líderes que já manifestaram seu apoio a Bolsonaro. Não seja ingênuo. Muitos deles o fazem, não por convicção, mas por conveniência, movidos por interesses nem sempre louváveis (alguns até sórdidos).

Lembre-se de quem nos considerou fiéis, pondo-nos em seu ministério (1 Timóteo 1:12), e que um dia, teremos que prestar contas (Hebreus 13:17).

Por isso, deixo aqui uma recomendação que deveria perturbar o sono de todos os que levam a sério o ministério pastoral:

Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho.
1 Pedro 5:2,3

Não compete a pastor algum dizer em quem seu rebanho deve votar. Mas compete-nos instrui-los a reconhecer os riscos por trás de todo discurso de ódio e intolerância.

Jesus disse que enquanto o bom pastor dá a vida pelas ovelhas, o ladrão, ao ver o lobo, foge e deixa suas ovelhas à mercê do perigo. Portanto, cumpramos nosso papel. Pois cuidar das ovelhas que nos foram confiadas é a melhor maneira de dizer: TU SABES QUE TE AMO, SENHOR.

Por Hermes C. Fernandes

Judeus contra Bolsonaro #EleNão

Nós, brasileiros abaixo-assinados, judeus e judias identificados com várias candidaturas à Presidência do Brasil, vimos a público para deixar claro nosso repúdio ao candidato Jair Bolsonaro, representante de uma visão intolerante, racista, machista, misógina e homofóbica que ameaça a ainda frágil democracia brasileira.

Ele enaltece o período da ditadura militar (1964-1984), um dos mais nefastos da história do país, e tudo de trágico que ela representou, especialmente a tortura contra seus oponentes. Entre eles, muitos judeus e judias.

Não nos deixamos seduzir pelo apelo à “segurança” feito pela campanha do candidato, que encontra terreno fértil diante de nossa sociedade civil fragilizada. Essa “segurança” mascara a violência indiscriminada, a defesa de privilégios e a exclusão de amplos setores da sociedade.

Não nos deixamos seduzir, também, pela simpatia declarada do candidato para com uma Israel estereotipada. Trata-se de mero interesse eleitoreiro.

Ao justificar a violência como método, hostilizar mulheres, negros, oposicionistas políticos e quem não concorda com “sua” noção de normalidade sexual, Bolsonaro se coloca no mesmo patamar de doutrinas que tanto sofrimento causaram ao povo judeu e a todo o mundo, se desnudando como o fascista que realmente é.

Como minoria, somos solidários a todos os grupos hostilizados por este candidato e nos unimos a eles no combate à intolerância e ao preconceito.

Conclamamos os democratas de todo o espectro político nacional a cerrarem fileiras em defesa dos direitos de todos os segmentos que compõem nossa sociedade.

Somos contra o fascismo! Todos por todas e todas por todos! Vote pela democracia, Vote pela tolerância, #EleNão!

Change

Enquanto os evangélicos neopentecostais glorificam o candidato neofascista, judeus criam manifesto contra Bolsonaro

Judeus criam manifesto contra Bolsonaro

Petição no site Change.org foi criada por Mauro Nadvorny, brasileiro que mora em Israel, tem texto em apela para que os judeus não se deixem ‘seduzir pela simpatia declarada do candidato para com uma Israel estereotipada. Trata-se de mero interesse eleitoreiro’; um grupo chamado Judeus contra Bolsonaro Judeus Contra Bolsonaro, criado no Facebook, já reuniu cinco mil membros em apenas cinco dias.

Às vésperas de uma data importantíssima para o povo judeu, o Yom Kippur, ou Dia do Perdão, um abaixo-assinado criado no site Change.org reúne, em pouco menos de dez horas, quase mil assinaturas de judeus contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República, descrito no texto da petição como “representante de uma visão intolerante, racista, machista, misógina e homofóbica que ameaça a ainda frágil democracia brasileira”.

A mobilização online foi criada por Mauro Nadvorny, brasileiro que mora em Israel e membro do Juprog (Judeus Progressistas) e da J-Amlat (movimento em construção de judeus latinoamericanos de esquerda). O abaixo-assinado apela para que os judeus não se deixem “seduzir pela simpatia declarada do candidato para com uma Israel estereotipada. Trata-se de mero interesse eleitoreiro”.

Ao justificar a violência como método, hostilizar mulheres, negros, oposicionistas políticos e quem não concorda com ‘sua’ noção de normalidade sexual, Bolsonaro se coloca no mesmo patamar de doutrinas que tanto sofrimento causaram ao povo judeu e a todo o mundo, se desnudando como o fascista que realmente é. Como minoria, somos solidários a todos os grupos hostilizados por este candidato e nos unimos a eles no combate à intolerância e ao preconceito,
diz outro trecho.

Outra mobilização do povo judeu contra o candidato foi criada no Facebook, em um grupo chamado “Judeus Contra Bolsonaro”, que já reuniu cerca de cinco mil membros em apenas cinco dias.

Em abril do ano passado, Bolsonaro participou de um evento na Hebraica do Rio de Janeiro, onde fez um discurso de ódio, ofendendo negros e quilombolas, e por causa dele se tornou alvo de um processo de racismo que até há pouco corria no Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, a Suprema Corte rejeitou a abertura de investigação sobre o caso. A maioria da comunidade judaica no Brasil, no entanto, é contra a candidatura do deputado.

Brasil 247

Será que somos verdadeiramente cristãos como falamos por aí?

O sangue do teu irmão clama a mim desde a terra

O sangue do teu irmão clama por mim desde a terra

Quero pedir desculpas a vocês se tenho andado afastada do front.

O problema é que já não acredito em soluções pacíficas para o Brasil. Creio que o que vem por aí é um banho de sangue, qualquer que seja o resultado destas eleições.

Se Bolsonaro ganhar, teremos um dos períodos mais violentos da história deste país, contra mulheres, negros, homossexuais, jornalistas, intelectuais, e até mesmo contra religiosos que não rezem pela cartilha dos xiitas que apoiam esse cidadão.

Se Bolsonaro perder, é possível que tenhamos um novo golpe, muito pior do que o de 1964.

E em qualquer dos casos, não se pode descartar uma guerra civil.

Tudo isso tem me deixado muito angustiada. Até porque, ao contrário dos defensores do fascismo, tenho uma profunda crença em Deus, a quem amo de todo o meu coração.

No passado, tive uma relação muito tumultuada com Deus. Mas em 2002, quando já não acreditava em coisa alguma, sofri um acidente em que quase morri.

E foi aí que senti a mão de Deus a me segurar.

Desde então, voltei a acreditar nEle.

E, a partir de 2011, essa relação foi se tornando cada vez mais forte.

É que vim morar em uma casa, ao redor da qual plantei muitas árvores, flores e cipós. Ao redor da qual há sempre passarinhos, borboletas e insetos de todos os tipos.

E foi nesta casa, através de toda essa explosão de vida, que Deus me mostrou toda a grandiosidade das maravilhas que Ele criou.

Tenho uma profunda gratidão a Deus, por jamais ter desistido de mim, apesar de todos os meus erros e defeitos.

Ele é de fato o Bom Pastor, que vai buscar as suas ovelhas, onde quer que se encontrem. A Sua luz ilumina os nossos caminhos. E Ele nos dá vida – e vida com abundância!

E é por isso que eu sei que onde Ele está não há lugar para o ódio.

A presença de Deus, quando preenche o nosso coração, afasta as trevas, afasta os espíritos que querem nos manter distantes do Criador.

E se você, meu irmão, odeia o seu próximo a ponto de querer vê-lo até torturado e morto, Deus, com certeza, não está no seu coração.

Esse ódio que você sente, com certeza, não vem de Deus.

E ainda que você fale em línguas e ande com a Bíblia debaixo do braço; ainda que você grite aleluias e se imagine o mais santo entre os santos; ainda que você ore todos os dias e tente conquistar mais e mais almas para Jesus, ainda assim, se você não tiver amor, NÃO poderá estar na presença de Deus.

Só um caminho conduz a Deus. E esse caminho é a maior expressão de amor do Universo: é Aquele que morreu de forma horrenda em uma cruz, apenas para salvar esse bando de pecadores que somos todos nós.

Jesus nos deixou dois mandamentos, que resumem todos os demais: amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, como a nós mesmos.

Por isso, fique certo, meu irmão: tudo o que disso passar provém do maligno.

Porque não é amar dentro de determinadas condições; não é amar apenas aqueles que me agradam ou que se parecem comigo: é amar a todos, como amamos a nós mesmos, com todas as nossas qualidades e imperfeições.

E isso significa não fazer ao outro o que não queremos que nos façam.

Queremos apanhar? Queremos ser violentados? Queremos ser torturados? Queremos ser espancados, presos e mortos apenas por nossa maneira de ser ou pelas nossas convicções?

Então, como podemos querer fazer tudo isso ao nosso irmão e ainda dizer por aí que somos cristãos?

Nós, cristãos, temos uma importante missão neste mundo: temos de refletir o amor e a misericórdia de Deus.

E o desafio que nos foi lançado por Jesus (de amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, como a nós mesmos) pode até parecer extremamente simples.

No entanto, amar assim, apesar de todas as imperfeições humanas, exige um esforço e um vigiar constantes, todos os dias, todas as horas, por toda a vida. E é por isso, meu irmão, minha irmã, que é estreito o caminho que conduz ao Nosso Senhor.

Nós, cristãos, se é que somos cristãos de fato; se é que verdadeiramente amamos a Deus, não podemos nos permitir odiar a quem quer que seja. Não podemos dar ouvidos aos falsos profetas, aos fariseus semelhantes aqueles que torturaram e crucificaram Jesus.

Um pastor ou um padre que prega o ódio, de forma alguma pode falar em nome de Deus.

São apenas cegos, a guiar outros cegos. São apenas almas que desconhecem o amor de Deus, e que, por isso mesmo, dizem aos irmãos: “espanquem!”, “persigam!”, “matem!”, “odeiem!”. Quando, na verdade, disse Jesus: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. E orai até por aqueles que vos perseguem!”.

E disse mais o Senhor: “quem vive pela espada, morrerá pela espada!”.

O Senhor conhece o coração de cada uma de suas criaturas e sabe o tempo exato de cada qual.

Nada do que existe dentro de nós escapa aos olhos de Deus.

E é só a Ele que compete dizer quem vive ou morre.

É só a Ele que compete condenar ou absolver.

É só a Ele que pertence todo o poder e toda a glória.

E quem somos nós, seres de pó e alma imperfeita, para querermos ocupar o lugar de Deus?

Como podemos imaginar ter o poder de dizer: “este vive, aquele morre!”

Que é o Homem diante Daquele que a tudo criou?

E eu oro, meus irmãos, para que Deus tenha piedade do Brasil. Oro para que Ele não permita que o ódio incendeie este país.

“O sangue do teu irmão clama a mim desde a terra!”, disse o Senhor a Caim.

Que Deus NÃO permita que acabemos todos por ter nas mãos o sangue dos nossos irmãos.

Extraído da fanpage Ana Célia Pinheiro – Perereca da Vizinha