A mulher e a fotografia na sociedade atual, por Danny Bittencourt

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Acredito que a fotografia é um espaço de expressão muito poderoso, que pode promover mudanças, propor outros pontos de vista, e assim, nos ajudar a evoluir como seres humanos

iPhoto EditoraNeste mês de março, o iPhoto Channel contará com a participação de grandes fotógrafas brasileiras, trazendo a visão de cada uma sobre a mulher no mundo da fotografia. Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, 08/03, trazemos à pauta o papel da mulher hoje na fotografia e as influências disso na sociedade.

O primeiro artigo é assinado pela fotógrafa gaúcha Danny Bittencourt, que dirige a Escola de Fotografia Artística e é autora do livro Fotografia Fine Art. Confira:

Como educadora, noto dois movimentos importantes sobre a figura feminina no âmbito da fotografia. O primeiro está relacionado diretamente com a presença feminina em sala de aula. A totalidade dos cursos que ministro são frequentados pela maioria de mulheres, que buscam sua capacitação e qualificação profissional. Isso reflete diretamente no mercado da fotografia que ganha cada vez mais fotógrafas profissionais competentes, que ocupam todas as áreas que a fotografia oferece, e não somente aquelas relacionadas com a maternidade.

Essa é uma movimentação importante, pois assim como a sociedade diferencia certos cargos estereotipados por gênero, na fotografia isso também acontece. Áreas como a fotografia newborn ou fotografia de família tem uma aceitação muito maior da figura feminina. Isso acontece principalmente pelo estereótipo feminino ser relacionado com a maternidade, a família, a delicadeza. Me faz muito feliz encontrar uma quantidade enorme de mulheres fortes que ocupam a área da fotografia que desejam, seja ela qual for, desde fotografia pericial até fotografia esportiva.   Hoje temos grandes fotojornalistas que nos representam brilhantemente; em Porto Alegre temos Adriana Franciosi, Gabriela Di Bella, Camila Domingues entre outras. Temos nas artes também fotógrafas que criticam, que cutucam, que se expressam como Carine Wallauer, Adi Korndörfer.

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Outra questão importante é a representação feminina nos trabalhos dos alunos e fotógrafos. Praticamente todos eles discutem essa questão de alguma maneira. Como por exemplo, a objetificação do corpo feminino ou a falta de voz da mulher na nossa sociedade. Claro que isso é um reflexo do momento cultural e social que vivemos, onde o empoderamento da mulher se torna um assunto em pauta. Os alunos, no entanto, se sentem motivados a discutir o assunto, pois sentem que ainda há muito o que dizer, refletir, questionar, desconstruir e principalmente desnaturalizar.

Eu os incentivo, pois acredito que a fotografia é um espaço de expressão muito poderoso, que pode promover mudanças, propor outros pontos de vista, e assim, nos ajudar a evoluir como seres humanos.

Artigo copiado do portal iPhoto Channel

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O que seria do mundo sem o olhar feminino? #DiaInternacionalDaMulher da iPhoto Editora

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iPhoto EditoraO que seria do mundo sem o olhar feminino? Somos felizes hoje por contar na fotografia com cada vez mais mulheres, trazendo à profissão seu olhar especial, seu cuidado, sua criatividade excepcional. Dando novas cores à fotografia.

No mês de março, todas as compras e pedidos feitos por mulheres/fotógrafas ganham 20% de desconto sobre o valor dos produtos na loja www.iphotostore.com.br. Para ganhar o desconto, basta inserir o vale-desconto no fechamento do pedido. O código é: iphotorosa.

A iPhoto Editora parabeniza as mulheres por este dia especial e deseja o melhor da fotografia a todas! Feliz Dia da Mulher!
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A igualdade entre homens e mulheres na economia só será atingida em 81 anos

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A igualdade entre homens e mulheres tem avançado lentamente, conclui relatório das Nações Unidas (ONU) que avaliou a equidade de gênero em 167 países. O documento será apresentado segunda-feira (9) pelo secretário-geral Ban Ki-moon, em referência ao Dia Internacional da Mulher comemorado no dia 8 de março.

O relatório destaca que, no ritmo atual, serão necessários 81 anos para se alcançar a paridade de gênero na economia e 50 anos para a igualdade na representação parlamentar.

O levantamento é um balanço da aplicação das normas adotadas pelos países na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, em Pequim, na China, há 20 anos. Lá, foi pactuada uma plataforma de ação para ser cumprida pelos governos, iniciativa privada e sociedade.

“Há uma lacuna decepcionante entre as normas e a implementação da Plataforma de Ação de Pequim, e um fracasso coletivo de liderança nos progressos para as mulhere, disse a diretora executiva da agência da ONU para Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, na sexta-feira (6). “Os líderes com poder para fazer essas ações falharam com mulheres e meninas”, avaliou.

Em 1995, 189 países assinaram a Plataforma de Ação de Pequim. De la para cá, a ONU mostra que houve poucos progressos para acabar com leis discriminatórias, aprovar leis contra a violência dirigida a mulheres e meninas. No entanto, a ONU reconhece que caiu a mortalidade materna, aumentou o número de jovens em escolas primárias e a participação de mulheres mercado de trabalho.

“Os ganhos contrastam com o fato de, apesar da melhoria de educação, as mulheres têm alguns dos piores empregos, enquanto o fosso salarial entre os gêneros é um fenômeno mundial”, diz a agência, em comunicado divulgado pela ONU Mulheres. A estimativa é que elas ganham salários 77% menores do que o dos homens.

“Deixe-me sugerir três requisitos essenciais [para equidade de gênero]: vontade e liderança política inabaláveis; aumento dos investimentos na agenda para as mulheres e meninas e uma forte responsabilização que inclui a sociedade”, diz a diretora Phumzile Mlambo-Ngcuka.

Agência Brasil

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Livraria recomenda leituras sobre o Dia da Mulher e as lutas das mulheres

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No dia 8 de março se comemora em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher. A primeira celebração internacional deste dia aconteceu em 1911, nos Estados Unidos. Passados 103 anos, ainda é necessário um dia especial para lembrar e defender que a mulher seja reconhecida como ser humano e tenha direitos iguais aos do homem no trabalho, na sociedade, em casa, em tudo.

Nesta publicação destaca-se duas obras que tratam da história deste dia: a cartilha produzida pelo Núcleo Piratininga de Comunicação “A origem socialista do dia da mulher” e o livro “As origens e a comemoração do dia internacional das mulheres”, de Ana Isabel Álvarez Gonzales.

Também destacam outras duas obras que têm a mulher como centro: “A mulher na Igreja e na política”, de Maria Isabel da Cruz e “A Mulher na sociedade de classes – mito e realidade”, de Heleieth Saffioti. Para lembrar o nascimento da revolucionária comunista Rosa Luxemburgo, em 5 de março de 1871, propomos a leitura de seu clássico “Reforma ou revolução”. Boa leitura!

Cartilha “A Origem Socialista do Dia da Mulher”

Dia internacional da mulher, Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti,A cartilha, produzida por Vito Giannotti e Claudia Santiado, coordenadores do NPC, traz a história da comemoração do Dia Internacional da Mulher ressaltando sua origem socialista. Didática e repleta de ilustrações feitas pelo cartunista Carlos Latuff, a cartilha questiona a versão de que o 8 de março teria começado a partir de uma greve ocorrida em 1857 em Nova Iorque, quando teriam morrido 129 operárias queimadas vivas. A obra mlembra que o Dia Internacional da Mulher tem uma origem socialista, que remonta ao início do século 20. Inclusive o 8 de março foi fixado a partir de uma greve iniciada no dia 23 de fevereiro (calendário russo) de 1917, na Rússia. Uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de Petrogrado foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Como escreveu Alexandra Kollontai, membro do Comitê Central do Partido Operário Social Democrata Russo, “nesse dia as mulheres russas levantaram a tocha da revolução”. É um ótimo e bem didático material para explicar a história desta data, que precisa continuar sendo lembrada. Comprar!

As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres

Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Dia Internacional da MulheresDurante a 3º Ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres foi lançada a tradução para o português de um livro muito interessante de Ana Isabel Alvarez González, “As Origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres”. Diversas são as histórias que existem sobre esse dia, que é comemorado no 8 de março, e, neste livro, Ana Isabel Álvarez Gonzáles, apresenta uma possibilidade de desvendarmos esses fatos e mitos sobre uma data tão simbólica para a luta das mulheres e para a sociedade como um todo. A autora revela embates e contradições dentro do movimento socialista quanto ao reconhecimento da importância da igualdade entre os sexos e da libertação das mulheres. Pouco mais de um século depois que as mulheres socialistas reunidas em Copenhague aprovaram a proposta do Dia Internacional das Mulheres, a recuperação do significado dessa data é uma contribuição importante para a reflexão sobre os desafios, as formas de organização e as reivindicações que mobilizam a lutadas mulheres ainda hoje. O livro é da Expressão Popular. Comprar!

A mulher na Igreja e na política

Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Dia Internacional da MulheresMaria Isabel da Cruz, em seu estudo sobre a mulher na Igreja e na política,demonstra os desafios que todas as mulheres vivenciam na concretude de suas vidas: entre eles, o patriarcado, que atribui ao homem poder sobre a mulher desde sua infância, visto como natural e reforçado pelas instituições. Suas consequências são constatadas tanto na Igreja como no exercício da política. A autora ponta que, apesar dos esforços de alguns companheiros e muitas companheiras, a luta por igualdade não terminou. Ela analisa o depoimentos de três mulheres dos meios populares que vivenciaram desde a juventude seu compromisso de fé, sua pertença eclesial e sua militância política e tiveram a coragem de disputar pleitos eleitorais, em períodos diferentes, e foram vitoriosas. A autora conclui que a desigualdade de gênero ainda persiste vigorosamente; que a Igreja continua determinando tarefas complementares e subalternas à mulher; que o exercício do poder político para as mulheres é diferente, conforme o que Izalene, então prefeita, declarou: “olha bem este processo, pois atrás destes papéis existe vida, existe gente”. O livro é da editora Expressão Popular. Comprar!

A Mulher na sociedade de classes – mito e realidade

Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Dia Internacional da MulheresPassados quase 50 anos desde sua primeira edição, este livro é considerado um clássico dos estudos de gênero, e sua autora, Heleieth Saffioti, a pioneira na análise da situação das mulheres como um efeito da sociedade de classes. Para Saffioti, o problema da mulher não é algo isolado da sociedade, e superar a opressão feminina só será possível com a destruição do regime capitalista e a implantação do socialismo. O capitalismo pode até se revelar maleável e mesmo permitir e estimular mudanças, mas isto não significa que ele ofereça plenas possibilidades de integração social feminina, já que as características naturais (como sexo e raça) se tornam mecanismos que funcionam em desvantagem no processo competitivo e atuam de forma conveniente para a conservação da estrutura de classes. Esta edição foi publicada pela Expressão Popular. Comprar!

Reforma ou revolução

Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Dia Internacional da MulheresEste livro de Rosa Luxemburgo, publicado originalmente em 1900, agrega dois artigos escritos por Rosa Luxemburgo entre setembro de 1898 e abril de 1899. Os ensaios são uma resposta política a setores do Partido Social Democrata alemão (SPD), agrupados em torno de Eduardo Bernstein. Ao contrário do que defendia a revolucionária, este pensador defendia o “revisionismo”, ou seja, para ele a revolução seria desnecessária, pois se poderia chegar ao socialismo através de reformas graduais do capitalismo. Já para Rosa, as reformas seriam apenas um meio de impulsionar as lutas da classe proletária para a conquista do poder político. Segundo a pensadora polonesa, a finalidade deveria ser, sempre, a verdadeira revolução social. Comprar!

8 de março: luta e resistência pela emancipação das mulheres

CFESS presta homenagem com reportagem sobre avanços e desafios sobre os direitos das mulheresCFESS presta homenagem com reportagem sobre avanços e desafios sobre os direitos das mulheres.

“Assistentes sociais lutam pela autonomia e emancipação das mulheres”. Esta foi a chamada do CFESS Manifesta lançado durante a 3ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, realizada em novembro de 2011, em Brasília (DF).

E é esta chamada que o CFESS traz novamente para a categoria neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher. “É a defesa permanente dos direitos das mulheres e o combate à desigualdade de gênero que deve estar presente em nossa ação cotidiana profissional”, afirma a conselheira integrante da Comissão de Direitos Humanos do CFESS, Maria Elisa Braga.

Da Conferência para cá, a grande vitória no que diz respeito aos direitos das mulheres foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 9 de fevereiro de 2012, que afirmou que não apenas a vítima de violência doméstica poderá registrar ocorrência contra seu agressor. Por dez votos a um, os/as ministros/as decidiram que o Ministério Público poderá entrar com a ação penal, em casos de violência doméstica, mesmo que a mulher decida voltar atrás na acusação contra seu companheiro. Até então, conforme determinava a Lei Maria da Penha (11.340/2006), apenas a vítima podia representar contra o agressor nos casos de lesões corporais leves, e a denúncia ficava condicionada à autorização dela.

“Os dados passados pela secretária-geral de Contencioso da Advocacia Geral da União (AGU), Gracie Maria Fernandes Mendonça, durante a sessão do STF, mostram que em 92,8% dos casos de violência contra a mulher o agressor é um homem. E na grande maioria das vezes, trata-se de um companheiro ou ex, com quem manteve um vínculo afetivo”, ressalta a conselheira do CFESS. Segundo ela, estes dados transmitem bem o tamanho e o impacto desta violência na vida das mulheres, como também das crianças, das famílias, das comunidades e toda a sociedade. “Por ter mantido algum vínculo afetivo com o agressor, em muitos casos, a mulher deixa de registrar a ocorrência, com medo de novos atos de violência. Por isso, o poder público deve intervir para coibir a violência doméstica”, analisa.

O relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4424) que analisou a Lei Maria da Penha, ministro Marco Aurélio, afirmou que as mulheres desistem das queixas em 90% dos casos de lesões corporais leves. Os/as ministros/as chegaram a citar também um artigo da Constituição Federal que dá ao Estado a tarefa de criar mecanismos para coibir a violência no âmbito das relações familiares. “A decisão do Supremo é importantíssima porque fortalece a Lei Maria da Penha como instrumento de combate à violência contra a mulher. É impressionante que, quase seis anos após a aprovação da Lei, ainda tínhamos magistrados que não aplicavam a Lei Maria da Penha ou que questionavam sua constitucionalidade”, indagou a conselheira do CFESS.

Um dos casos mais famosos nesse sentido foi o do juiz Edilson Rodrigues, de Sete Lagoas (MG), punido em 2010, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por fazer declarações preconceituosas sobre a Lei Maria da Penha em suas decisões. Em uma de suas sentenças, o magistrado chegou a afirmar que a lei tem “regras diabólicas”, é um “monstrengo tinhoso” e que as “desgraças humanas começaram por causa da mulher”. Rodrigues foi colocado em disponibilidade por dois anos.

Igualdade nos salários

Outra recente vitória foi a aprovação pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação participativa (CDH) do Senado Federal, no último dia 6 de março, por unanimidade e em caráter terminativo, de um projeto que diz que as empresas poderão ser multadas se pagarem para as mulheres salário menor do que pagam para os homens, quando ambos realizam a mesma atividade.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora as mulheres estudem mais, elas ainda ganham menos que os homens. No levantamento feito, a diferença pode chegar até 40% a menos para aquelas que exercem as mesmas funções ou cargos que os homens. E de acordo com dados do IBGE, 59,9% das mulheres ocupadas estudaram onze anos ou mais, contra 51,9% dos homens trabalhadores.

Se for sancionado pela Presidenta Dilma Rousseff, o Projeto de Lei Complementar (PLC 130/2011) se tornará um importante instrumento jurídico para assegurar o princípio da igualdade entre homens e mulheres.

80 anos do voto feminino no Brasil

O ano de 2012 é importante também porque marca os 80 anos da instituição do voto feminino no Brasil. Foi em fevereiro de 1932 que o então presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto nº 21.076, aprovando o 1º Código Eleitoral Brasileiro, concedendo o direito às mulheres de votar e serem votadas. Direito esse conquistado após anos de luta de centenas de feministas, como relata Schuma Schumaher, feminista e educadora social, no artigo “2012: 80 anos do voto feminino”.

O material é interessante porque além de traçar um histórico da luta das mulheres pela igualdade de direitos, traz alguns dados sobre a participação política das mulheres no Brasil e no Mundo. “Em âmbito mundial as mulheres representam somente 12% dos assentos parlamentares e ocupam 11% dos cargos de presidência dos partidos políticos. De acordo com cálculos das Nações Unidas, mantido o ritmo atual de crescimento da participação feminina em cargos de representação, o mundo levará 400 anos para chegar a um patamar de equilíbrio de gênero. O Brasil integra o grupo de 60 países com o pior desempenho no que se relaciona à presença de mulheres no parlamento – pouco mais de 10% nos espaços Legislativos”, afirma Schumaher.

E no país em que se tem pela primeira vez uma presidente mulher, somente 8,9% dos/as congressistas e a 12% dos/as parlamentares nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais são mulheres, de acordo com o governo federal.

Ainda tem muita luta pela frente

Apesar dos avanços referentes à conquista de direitos das mulheres, e de a Presidenta Dilma afirmar que o século 21 será das mulheres, ainda é possível acompanhar um cenário de inúmeras violações desses direitos. A começar pela leitura diária de jornais e revistas, que noticiam somente algumas das incontáveis barbáries cometidas contras as mulheres.

De acordo com a pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizada pelo Instituto Avon/Ipsos (2011), uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido” e que o parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% dos casos reportados.

Por isso, neste 8 de março, o CFESS ratifica as bandeiras de luta feminista pela emancipação das mulheres, representando assistentes sociais de todo o Brasil. São elas:

  • defesa intransigente da liberdade, da autonomia e dos direitos das mulheres;
  • empenho na eliminação de toda forma de violência e preconceito, expressos na reprodução do machismo, do racismo, do sexismo e do não respeito à diversidade;
  • intervenção crítica nos espaços institucionais e na mídia, tendo em vista o uso da fetichização e mercadorização do corpo da mulher;
  • garantia de políticas intersetoriais com a  perspectiva de gênero;
  • implementação da Lei Maria da Penha, para que ela impacte efetivamente na vida das mulheres, no sentido da prevenção e superação das violências;
  • intensificação do debate sobre a agenda feminista, particularmente a discussão da descriminalização e legalização do aborto no Brasil;
  • acesso das mulheres à política de saúde integral (Paism), respeitando-se sua fase geracional e respectivas demandas;
  • adensar a luta pela legalização do aborto, lembrando que se trata de uma questão gravíssima de saúde pública e causa de mortalidade materna no Brasil;
  • respeito à auto-determinação das mulheres, combatendo a maternidade compulsória e defendendo a maternidade livre, desejante e voluntária;
  • exigência da notificação compulsória em relação a todas as violências contra a mulher atendidas nos serviços de saúde;
  • direito ao trabalho e salários equivalentes às mesmas funções realizadas pelos homens;
  • cobertura previdenciária a todas as mulheres, em particular às trabalhadoras rurais, empregadas domésticas e donas de casa;
  • fim da exploração sexual e do tráfico de mulheres;
  • implementação, em sua integralidade, das convenções  e tratados internacionais assinados pelo Brasil  no sentido de prevenir, punir e erradicar a violência contra as mulheres;
  • efetivação do plano nacional de políticas para as mulheres, em todo o território nacional, com controle democrático;
  • orçamento público transparente, que permita o monitoramento dos reais investimentos públicos para as mulheres;
  • combate à lesbofobia que afeta de forma decisiva a trajetória de vida das mulheres lésbicas;
  • fim do assédio sexual e moral ao qual  as mulheres são submetidas no mundo do trabalho;
  • fortalecimento e incentivo às mulheres para a participação nos espaços de representação política;
  • firme posicionamento e vigoroso combate a todas as violações dos direitos da mulher e defesa da construção de uma sociedade justa,  equitativa  e humana para todos/as.

“O nosso tempo histórico presente promove uma anticivilização pautada na lógica mercantil, que transforma a vida humana em mercadoria. É uma era de banalização das variadas formas de violências, como a violência de gênero, classe e raça/etnia. Ainda há um comportamento contundente da sociedade ainda machista, conservadora e fundamentalista, em ignorar e ridicularizar os direitos das mulheres, não implementar legislações e políticas conquistadas e continuar subalternizando as mulheres, produzindo um cotidiano de violações e barbárie, demonstrado diariamente em estatísticas que nos revelam a dimensão do problema e nos causam profunda indignação. Por isso nossa luta deve ser todo dia, contra o racismo, machismo e homofobia”, defendeu a conselheira do CFESS, Maria Elisa, parafraseando o grito de guerra do movimento feminista.

O  CFESS parabeniza neste 8 de março todas as mulheres que resistem e lutam contra a desigualdade  e opressão capitalista patriarcal. E como diz a poetisa Daniela Castilho: “andam de peito aberto e olhar aguerrido/trazem nos olhos páginas avulsas em branco/quem sabe, sonhando um dia escrever/igualdades e liberdades num mundo emancipado”.

Com informações da Agência SenadoSTFInstituto Patrícia Galvão e Universidade Livre Feminista

Voto das mulheres no Brasil completa 80 anos

Voto das mulheres no Brasil completa 80 anosEm 1877, época do Império, Machado de Assis defendia que as mulheres ganhassem o direito de ir às urnas. Espirituoso, escreveu: “Venha, venha o voto feminino; eu o desejo, não somente porque é ideia de publicistas notáveis, mas porque é um elemento estético nas eleições, onde não há estética”.

Machado assistiu à libertação dos escravos, à queda do Império e à proclamação da República, mas morreu sem ver o voto feminino. Seriam necessários longos 55 anos até que as brasileiras fossem finalmente autorizadas a votar.

A permissão foi dada por Getúlio Vargas num decreto de 1932. O texto definia que o eleitor era “o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo”.

Em 2012, o direito de voto das brasileiras completa 80 anos. Para marcar o aniversário, o Senado abrirá nesta quinta-feira — Dia Internacional da Mulher — uma exposição com fotos, jornais, títulos eleitorais e outros documentos históricos que contam essa conquista.

A luta foi longa e começou no exterior. No final do século 18, a França assistia às primeiras defesas públicas do voto da mulher. Viviam-se os ventos libertadores da Revolução Francesa. A ideia ganharia adeptos em outros países.

Escândalos

Na Inglaterra, o economista e parlamentar John Stuart Mill argumentava não existir equívoco maior do que a submissão das mulheres aos homens. Em 1869, no livro A Sujeição das Mulheres, pedia que elas gozassem dos mesmos direitos deles — incluído o voto. A sociedade vitoriana ficou escandalizada.

O voto feminino só se tornaria realidade no mundo em 1893. O país pioneiro foi a Nova Zelândia. As inglesas puderam se tornar eleitoras em 1918. As francesas, apenas em 1944.

No Brasil, durante a elaboração da Constituição de 1891, a primeira da República, já se cogitava essa hipótese. O plano não prosperou. Segundo Tania Navarro Swain, professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), os legisladores alegaram que a natureza das mulheres não as habilitava à vida pública:

Para eles, as mulheres tinham como destino biológico a domesticidade e a submissão.  Assim, o voto feminino era uma aberração, ia contra a natureza. Mas isso era só uma desculpa. Na realidade, tinham medo de perder o controle sobre elas. Dar-lhes direitos políticos implicaria abrir as comportas das reivindicações femininas.

Pioneiras

Inspiradas pelo movimento no exterior, algumas mulheres mais audaciosas deram impulso à luta sufragista no Brasil, como Leolinda Daltro (fundadora, em 1910, do Partido Republicano Feminino — que, obviamente, não era um partido formal) e Bertha Lutz(fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922).

Os primeiros frutos foram colhidos no Rio de Grande do Norte, antes do decreto de Vargas. Em 1927, o governo local liberou o voto feminino sob o argumento de que a Constituição, embora não o autorizasse, tampouco o proibia. No ano seguinte, os eleitores — e as eleitoras — de Lajes (RN) escolheram a primeira prefeita do Brasil, Alzira Soriano. Foi notícia até no New York Times.

O outro candidato se sentiu tão humilhado por ter sido derrotado por uma mulher que se mudou da cidade. Isso mostra a dificuldade para aceitar a mulher na política — afirma o demógrafo Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

Na realidade, Getúlio Vargas concedeu o direito de voto às mulheres mais por conveniência política do que por amor à causa feminista. No mesmo ano do decreto, alguns meses adiante, ele enfrentaria os paulistas na chamada Revolução Constitucionalista de 1932. Interessava ao presidente arrebanhar o maior apoio eleitoral possível.

Qualquer que tenha sido a motivação, o fato é que o direito de ir às urnas abriu caminho para que as mulheres acumulassem mais direitos nas décadas seguintes. Para obter o voto delas, os políticos se viram obrigados a fazer promessas de campanha e elaborar leis que as beneficiassem — ­preocupação que não havia antes. Exemplo: em 1961, uma lei equiparou o ensino normal (que formava professoras) ao ensino médio, o que finalmente desobstruiu a entrada das mulheres na universidade.

Um século atrás, o Brasil não tinha eleitora. Hoje, a proporção é de 52 eleitoras para 48 eleitores. A senadora Lídice da Mata (PSB-BA), vice-presidente da Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher, chama a atenção para o fato de que esses números não se repetem no cenário político. No Senado, elas são 12% dos parlamentares. Na Câmara, menos ainda.

O Parlamento reflete o que acontece na sociedade. As brasileiras continuam sendo vítimas de discriminação, não ocupam o mesmo espaço dos homens. O voto feminino, em 1932, só foi o primeiro passo. Ainda há muita luta pela frente, dentro e fora da política — diz.

Ricardo Westin/Jornal do Senado

História do 8 de março

Mulheres socialistas

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História

  • 1788 – O político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
  • 1840 – Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
  • 1859 – Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
  • 1862 – Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
  • 1865 – Na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
  • 1866 – No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.
  • 1869 – É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.
  • 1870 – Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
  • 1874 – Criada no Japão a primeira escola normal para moças.
  • 1878 – Criada na Rússia uma Universidade Feminina.
  • 1901 – O deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.

Pela emancipação das mulheres trabalhadoras!

Dia Internacional da Mulher

Devemos decisivamente rejeitar o feminismo burguês e pequeno-burguês, os quais vêem o problema como um conflito entre homens e mulheres e não como uma questão de classe.

Para muitas feministas a opressão das mulheres está baseada na natureza dos homens: não é um fenômeno social, mas biológico. Essa é uma concepção atrasada, não-científica, não-dialética e não-histórica da condição humana, da qual apenas conclusões pessimistas podem surgir. Pois se aceitarmos que há algo inerente aos homens que os induz a oprimir as mulheres, fica difícil ver como poderemos mudar o mundo. Por esse caminho, deveríamos concluir que a opressão das mulheres pelos homens sempre existiu e sempre existirá enquanto existirem homens.

O marxismo explica que esse não é o caso. Para os marxistas, a causa original de todas as formas de opressão consiste na divisão da sociedade em classes. O estudo da história através dos métodos do marxismo mostra que, junto com a propriedade privada e o Estado, a família burguesa nem sempre existiu, e que a opressão das mulheres teve início com a divisão da sociedade em classes. Logo, a abolição dessa opressão está intrinsecamente ligada à abolição das classes.

Isso não significa que a opressão das mulheres desaparecerá automaticamente quando a classe trabalhadora tomar o poder. A herança psicológica de milhares de gerações sob o barbarismo de classe será finalmente superada quando forem criadas as condições sociais para o estabelecimento de relações humanas reais entre homens e mulheres.

Para que ocorra a revolução socialista, é necessário unir a classe trabalhadora e suas organizações, incluindo em seu programa a luta contra a opressão da mulher. Isso significa que a classe trabalhadora deve tomar para si a tarefa de combater todas as formas de opressão e exploração, e colocar-se como a direção de todas as camadas oprimidas da sociedade. No Brasil, a luta contra o racismo deve ser travada pelos trabalhadores brancos e negros, assim como a luta pela emancipação da mulher deve ser travada por homens e mulheres trabalhadoras.

Isso implica que, nesse caminho, a classe trabalhadora deve rejeitar decisivamente todas as tentativas de dividi-la – mesmo quando essas tentativas forem feitas por setores dos próprios oprimidos. Devemos nos opor às feministas que impulsionam movimento de mulheres onde homens não participam e, entretanto, onde qualquer mulher participe, independente de quais interesses de classe defenda. Dividir os trabalhadores entre brancos e negros ou entre homens e mulheres só favorece à exploração exercida pelo patrão, seja ele branco ou negro, homem ou mulher.

 

Escrito por Roberta Ninin.