Há 88 anos, as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil

Dia 24 de fevereiro - Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil

24 de fevereiro, Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil.

Depois de uma intensa campanha nacional levada por movimentos feministas, sociais e sindicais, o direito das mulheres de escolher seus representantes foi garantido em 24 de fevereiro de 1932. Hoje, na data, o Brasil comemora 88 anos da conquista do voto feminino.

Este foi um dos passos conquistados pelas mulheres para ocupar seu espaço no cenário político brasileiro.  A República Federativo do Brasil já foi presidida por uma mulher. Dilma Rousseff, foi eleita em 2010 e reeleita para um segundo mandato e desposta por um golpe, através do impeachment orquestrado pelo candidato derrotado nas eleições presidências de 2014. No país, temos apenas uma governadora, Fátima Bezerra do PT, eleita em 2018 para governar o estado do Rio Grande do Norte.

No Senado, sete mulheres foram eleitas em 2018 e bancada feminina que assumiu no dia primeiro de fevereiro de 2019 terá 12 mulher, nenhuma delas é catarinense. Na Câmara dos Deputados, os próximos quatro anos, 15% será ocupada por mulheres. O número ainda está bem abaixo do que a gente gostaria, mas já representa um avanço. Houve um aumento de 51% entre 2014 e 2018 e foram 77 mulheres eleitas na último eleição. Dos 16 catarinenses na Câmara dos Deputados 4 serão mulheres, Caroline de Toni, Geovânia de Sá, Angela Amin e Carmen Zanotto. Em Santa Catarina, o estado nunca teve uma mulher governadora, mas em 2018, elegeu-se Daniela Cristina Reinehr, a primeira vice-governadoranatural que é natural de Maravilha. A Assembleia Legislativa, dos 40 deputados estuais, apenas 4 são mulheres, entre elas, Ada de Luca, Ana Caroline Campagnolo, Marlene Fengler, Luciane Carminatti do PT e Paulinha. Em Ilhota, a prefeitura nunca teve uma mulher prefeita nem vice-prefeita em 60 anos de emancipação política.Já na Câmara de Vereadores, apenas duas mulheres ocuparam o parlamento municipal.

No entanto, a participação da mulher no cenário político ainda está longe de representa-las, especialmente no Legislativo e Executivo. O PT já estabeleceu a paridade de gênero como regra em seu estatuto e nestas eleições e estimula que mais mulheres e jovens participem desse processo tão importante na vida política do país.

Anúncios

Um terço dos inscritos não se apresenta no programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos

Brasileiros que preencheram cadastro do programa deixam pelo menos 30% das vagas vazias. Muitos abandonaram vagas de saúde da família para comparecer.

Dos 8.411 inscritos no edital do programa Mais Médicos, aberto em função do rompimento da parceria com Cuba por conta de ameaças de Jair Bolsonaro, 2.520 profissionais não compareceram nem iniciaram as atividades nas cidades até as 17 horas de sexta. O número corresponde a cerca de 30% das vagas, o que deixará milhares de pessoas desassistidas em todo o país.

Outras 106 vagas do edital nem chegaram a ter interessados — a maioria em distritos sanitários indígenas, justamente onde os cubanos atuavam de maneira mais presente. Os dados são do ministério da Saúde, que acabou prorrogando o prazo de comparecimento para essa terça (18) e prorrogou o prazo para inscrições de médicos formados no exterior sem revalida para o domingo (16).Além do desfalque no programa, ocasionado pela política hostil e ideológica de Bolsonaro, que ameaça todos que não estão alinhados com sua visão de mundo, a saída dos Cubanos também ocasionou uma saída de médicos da Saúde da Família.

Cerca de 2.800 profissionais, quase 40% dos inscritos, abandonaram postos de trabalho no SUS para se tornarem bolsistas do Mais Médicos, segundo informação do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O conselho realizou o levantamento utilizando dados do Ministério da Saúde, com base em uma relação que listava 7.271 profissionais alocados (de um total de 8,3 mil inscritos confirmados) pelo novo edital, cruzando dados com a lista dos profissionais já em atuação no país disponível no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

“Em vez de somar profissionais, esse novo edital está trocando o problema de lugar. Se o médico sai de um serviço do SUS para atender em outro, o município de origem fica desassistido, principalmente no Norte e Nordeste”, afirmou o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em entrevista ao G1.

O motivo para a migração está no salário pago pelo Mais Médicos, de R$ 11.800, mais benefícios como ajuda de custo, que varia de R$ 1.000 a R$ 3.000 por profissional.

Brasileiros abandonam programa em até 1 ano e meio

Além das vagas que ficaram em aberto, também gera preocupação os altos índices de desistência entre brasileiros no programa. Entre 2013 e 2017, mais da metade (54%) dos profissionais do país deixaram seu posto de trabalho em até 1 ano e meio.

A  alta rotatividade é mais expressiva em São Paulo e Mato Grosso, onde 70% dos participantes deixou o programa em até um ano e meio, sendo que em SP, 40% não ficaram nem 12 meses. A maioria dos desistentes (58%) atuava em periferias de capitais e regiões metropolitanas e áreas consideradas de extrema pobreza.

Parece existir uma resistência dos profissionais formados no país com o programa. Em 2013, ano do lançamento, apenas 6% das vagas foram ocupadas por médicos brasileiros.

Matéria publicada pelo Intercept Brasil mostrou ainda que a maior preocupação entre os brasileiros que ingressam no programa, é quando poderão abandoná-lo. Muitos trocam o trabalho por vagas em cidades maiores, ou abandonam o programa para iniciar uma residência.

Da redação da Agência PT de notícias, com informações do G1 e da Folha.

Justiça segue perseguição política ao PT

perseguição política ao PT

O Partido dos Trabalhadores é, mais uma vez, vítima de uma ambiciosa perseguição judicial. O juiz federal Valliney de Souza Oliveira, da 10ª Vara do Distrito Federal acatou, na sexta-feira (23/11), denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, em setembro de 2017, e tornou Lula, Dilma, Guido Mantega, Palocci e Vaccari réus.

A denúncia foi assinada por Rodrigo Janot, enquanto procurador-geral, e diz que os ex-presidentes teriam liderado uma organização criminosa que prejudicou a Petrobras entre os anos de 2003 e 2016. O PGR fez suas contas e chegou a um prejuízo da ordem de 1,5 bilhão de reais.

Em nota, o PT rechaçou a denúncia, afirmando que esta não se sustenta por ausência de fatos e provas. “É o resultado de um delírio acusatório do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, sem qualquer base na lei”, disse o partido, que continuou: “Quem vem atuando como verdadeira organização fora da lei no país, já há alguns anos, são setores partidarizados do Ministério Público e do sistema judicial, que perseguem o PT e suas lideranças com acusações sem pé nem cabeça, com o objetivo de criminalizar o partido. Trabalham cotidianamente para excluir o PT da vida política brasileira, valendo-se de mentiras e do abuso de poder. Cometem, em conluio organizado e hierarquizado, um crime contra a democracia, contra o direito de livre organização política”.

De acordo com a nota, os setores mencionados se aliaram à grande mídia para tentar fazer com o PT o mesmo que a ditadura fez contra partidos de oposição, mas não terão sucesso: “Querem fazer na marra o que não conseguiram no voto, pois o PT saiu dessas eleições, mais uma vez, como a maior força política popular do país, apesar das mentiras e da perseguição. Não vão conseguir acabar com o PT, porque nossa força vem do povo, não de decisões judiciais nem de campanhas midiáticas. A arbitrariedade desses setores compromete a imagem do Brasil e, mais grave: solapa a democracia, o estado de direito, o princípio constitucional da presunção da inocência e as próprias bases do Judiciário, que tem a imparcialidade por princípio”.

A defesa de Lula também emitiu uma nota, classificando a denúncia como descabida e afirmando que se trata de uma “continuidade à perseguição judicial iniciada contra o ex-presidente em 2016, com o objetivo de interditá-lo na política, além de colocar em risco sua saúde”.

Para os advogados do ex-presidente, trata-se de mais uma “etapa do lawfarecontra Lula, que consiste na deturpação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política”.

No mesmo sentido, a assessoria de imprensa de Dilma Roussef afirmou, em nota, que a ex-presidenta e os demais petistas estão sendo vítimas de lawfare, e a denúncia é uma tentativa clara de criminalização da política e do PT.

A saga da perseguição judicial ao PT

Confira outros destaque

1. O ministério de Bolsonaro é um show de horrores
Depois de quatro anos fazendo campanha e vendendo a ideia de que mudaria “tudo que está aí”, Bolsonaro foi eleito e já indicou metade dos seus ministros. Sempre que perguntado se tinha nomes em mente, o então candidato era vago, fazia questão de assegurar que seriam nomes exclusivamente “técnicos”. Nada de “negociatas políticas” ou “escolhas ideológicas”. Ao ler o nome dos indicados, notamos o completo oposto.

No ministério da Educação, por exemplo, Bolsonaro anunciou o filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodriguez. Mas a escolha, falsamente saudada como técnica e inovadora, traz, na verdade, um futuro ministro cujas ideias cheiram ao bolor da época da ditadura. É o que mostra o blog que ele mantém desde 2007. Os textos exalam paranoia anticomunista, antipetismo e elogios à ditadura. Vélez diz, por exemplo, que o golpe de 1964 deve ser comemorado e considera a Comissão da Verdade “a iniciativa mais absurda que os petralhas tentaram impor”Leia mais aqui.

2. Haddad vai iniciar viagens internacionais para denunciar prisão política de Lula
O PT vai iniciar articulações internacionais para denunciar a prisão arbitrária de Lula e se unir a um esforço para barrar o avanço da direita no Brasil e em outros países. O anúncio foi feito pela presidenta do partido, senadora Gleisi Hoffmann, durante visita à Vigília Lula Livre, juntamente com Fernando Haddad. “Temos que fazer a resistência interna e externamente. Haddad vai começar agora uma grande caminhada externa, conversando com atores da política internacional, para a gente dizer ao mundo o que está acontecendo no Brasil e reforçar a campanha Lula Livre”, disse Gleisi que, assim como Haddad, visitou o ex-presidente na quinta-feira (22/11). Leia mais aqui.

3. PT garantiu avanços importantes no combate à violência contra a mulher
Os governos do PT sempre priorizaram o combate à violência contra a mulher. Durante as administrações petistas, foram criadas as principais políticas de enfrentamento a esse tipo de violência, alguns exemplos são a Lei Maria da Penha, reconhecida internacionalmente, e a Lei do Feminicídio, que tipifica esse crime como hediondo. A Casa da Mulher Brasileira, também criada por Dilma, representou a continuidade das medidas de combate a violência contra a mulher. O programa “Mulher: Viver Sem Violência”, criado em 2013, integrou um conjunto de iniciativas de ampliação da rede de proteção à mulher, dando acolhimento para casos de violência doméstica. Em dezembro de 2015, Dilma garantiu também que o Sistema Único de Saúde (SUS) passasse a fazer cirurgias reparadoras decorrentes de agressões em vítimas de violência doméstica. Os governos do PT também tiveram cuidado especial na elaboração de programas sociais para garantir a emancipação das mulheres. O cadastro no Bolsa Família é feito prioritariamente no nome da mulher, o mesmo ocorre na inscrição do Minha Casa, Minha VidaLeia mais aqui.

4. Com Temer, pobreza aumenta e redução da desigualdade no Brasil volta a ficar estagnada
O retrocesso com a ascensão do governo golpista de Michel Temer (MDB) começa a aparecer em dados internacionais. Relatório da organização não governamental Oxfam mostra que a desigualdade de renda domiciliar per capita, medida pelo Índice de Gini, permaneceu inalterada entre 2016 e o ano passado, interrompendo um processo de queda iniciado em 2002. Durante os mandatos do ex-presidente Lula e da presidenta eleita Dilma Rousseff a Oxfam relatou redução da desigualdade. Segundo dados divulgados na segunda-feira (26/11), após o golpe parlamentar foi registrado aumento da pobreza. Leia mais aqui.

5. Moção no parlamento inglês pede Lula Livre e denuncia Bolsonaro
Uma moção assinada por dez integrantes do parlamento britânico pede a liberdade do ex-presidente Lula, reforça sua condição de preso político, que foi arrancado do processo eleitoral para que Jair Bolsonaro pudesse vencer a disputa e também denuncia as políticas de extrema direita do presidente eleito, que ameaçam a democracia e os direitos das minorias no Brasil. Os signatários são Jonathan Edwards, Kelvin Hopkins, Clive Lewis, Ian Mearns, Grahame Morris, Lloyd Russell-Moyle, Liz Saville Roberts, Dennis Skinner, Christopher Stephens e Chris Williamson. Leia mais aqui.

6. O Brasil será uma ‘zona de sacrifício’ na geopolítica dos EUA
A uma semana da Cúpula de Líderes do G20 em Buenos Aires, evento no qual Estados Unidos e China trarão sua guerra comercial, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, em entrevista à RFI Brasil, traçou o cenário de como essa disputa pode impactar na América do Sul a partir da posse do presidente eleito brasileiro Jair Bolsonaro em 1° de janeiro. Para o diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e estudioso dos movimentos políticos na América Latina, Bolsonaro, como aliado automático dos Estados Unidos, deve ser a peça fundamental de Donald Trump para conter o avanço da China na região. Ele também exprime o seu principal temor hoje com o Brasil, país que classifica como uma “zona de sacrifício” dentro da estratégia geopolítica dos Estados Unidos. Leia mais aqui.

A afirmação de Boaventura vai de encontro com as intenções do presidente eleito no Brasil, que, segundo a edição brasileira do El País, pretende colocar o país em um alinhamento firme com os Estados Unidos de Donald Trump, numa guinada sem precedentes na história recente das relações bilaterais.

7. Marcos Coimbra, dono do Vox Populi, afirma que houve fraude na eleição de Jair Bolsonaro
O diretor-presidente do instituto de pesquisa Vox Populi, Marcos Coimbra, afirmou que a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) foi uma fraude com repercussões globais. “Os sinais de que alguma coisa estranha aconteceu só aumentam. Tudo indica que houve uma interferência na eleição, centrada na manipulação de redes sociais, semelhante à que ocorreu em outros países, mudando seu rumo e ensejando a vitória de Bolsonaro”, disse o pesquisador. Leia mais aqui.

8. Candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz será formalizada em janeiro
Em seu site, o Partido dos Trabalhadores informou que a campanha internacional para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja contemplado com o Prêmio Nobel da Paz em 2019 está em etapa de formalização. O ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, que recebeu o prêmio em 1980, tem trabalhado para reunir assinaturas de indivíduos que se encaixam nos critérios estipulados pela organização a fim de oficializar a candidatura. A ideia é que eles assinem um formulário, na página do Comitê Norueguês do Nobel, até 31 de janeiro do ano que vem. Ao todo, 400 mil pessoas aderiram à campanha desde o ano passado. Esquivel e os demais apoiadores consideram que Lula foi um lutador incansável contra a fome e a pobreza, e que sua trajetória o transformou em um líder mundial pela paz e pela dignidade humana. Leia mais aqui.

Escola Nacional de Formação do PT

Capa da Veja na Década de 80!

Médicos brasileiros não atendem chamado de Bolsonaro para substituir os cubanos

Programa Mais Médicos - Médicos cubanos

Médicos cubanos chegaram às comunidades mais remotas do Brasil, coisa que o profissionais brasileiros estão negando. Quem vai trabalhar por R$ 10 mil por 40 horas? Médicos contratados pela Secretaria Municipal de Saúde de Ilhota recebem R$ 9 mil por 20 horas trabalhadas semanalmente.

Menos de 10% dos médicos brasileiros que se inscreveram para preencher vagas para profissionais cubanos no Programa Mais Médicos apareceram em seus empregos, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde do Brasil.

O decreto de convocação aberto em 19 de novembro para substituir os mais de oito mil e quinhentos médicos cubanos conseguiu substituir 97,8% (8.319) dos locais, segundo o portal Diário do Centro do Mundo.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, usou essa informação para garantir a substituição dos médicos cubanos e a continuidade do programa.

Mas os números mais recentes indicam que apenas 738 médicos brasileiros apareceram em seus locais de trabalho, o equivalente a 8,9% de participação.

Na cidade de Cosmópolis, no interior de São Paulo, dos sete aprovados pela nova chamada, apenas três estão trabalhando. Segundo a Câmara Municipal, três desistiram antes de tomar posse e um nem sequer apareceu.

As novas contratações têm até o dia 14 de dezembro para aparecer em seus municípios de destino, mas as autoridades de saúde brasileiras mostraram ceticismo sobre a possibilidade de conseguir cobertura completa das vagas.

Presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, advertiu recentemente que pelo menos 611 cidades podem se esgotar de médicos cubanos que deixam mais médicos, programa criado em 2013 pelo governo do Partido dos Trabalhadores para levar cuidados de saúde aos municípios mais pobres e remotos do gigante sul-americano.

Junqueira disse que o país dificilmente poderia substituir todos os profissionais cubanos com brasileiros nessas cidades. Os médicos cubanos foram os únicos que aceitaram ir às cidades mais remotas, isoladas ou pobres do país, já que os brasileiros preferem procurar trabalho nas grandes cidades, explicou.

Os cubanos representavam mais da metade dos profissionais contratados em Mais Médicos, mas as ameaças e provocações de Bolsonaro levaram as autoridades cubanas a encerrar sua participação e chamar de volta os profissionais.

Segundo uma contagem da Conasems, cerca de 28 milhões de brasileiros ficarão sem cobertura de saúde após a saída dos médicos cubanos.

Cuba Debate

Quero ver que médico brasileiro vai querer morar e trabalhar em tempo integral nos postos de saúdes catarinenses

Em Içara, 82% dos eleitores escolheram Bolsonaro. A cidade perdeu a metade dos doutore do Mais Médicos.

Nicolas ficou oito dias internado no hospital de Içara. E nenhum dos médicos sabia explicar o que atacava o garoto de 8 anos. “Depois disso, eu trouxe ele no posto de saúde e conhecemos a doutora Ienni”, me disse a mãe de Nicolas, Renata Reus, moradora da pequena cidade no interior de Santa Catarina.

A doutora Ienni Lopes Camacho, de 27 anos, é um dos nove cubanos que atuavam na cidade de 55 mil habitantes como parte do programa Mais Médicos até a decisão do governo caribenho de retirar seus profissionais do Brasil em resposta ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, crítico da importação de médicos. Os cubanos representam metade do força de atendimento básico na cidade.

Nicolas sofria há meses de problemas de saúde não identificados. Quando encontrou o rapaz, Camacho pediu uma série de exames e descobriu que o garoto sofria de múltiplas alergias, incluindo doença celíaca, o que o impede de comer alimentos com glúten, como pão. “Ela foi muito atenciosa e pediu vários exames até descobrir o que ele tinha”, me disse a mãe. “Não quero desmerecer os médicos brasileiros, mas os cubanos têm um cuidado especial com os pacientes. Se eles forem embora, acho que a nossa cidade vai piorar”, completou.

No dia 19 de novembro, Renata Reus saiu lacrimejando da última consulta com a sua médica preferida. Assim como outros 8.555 médicos cubanos no Brasil, Camacho deve deixar o país. “Podemos fazer um abaixo-assinado para a doutora ficar na cidade?”, perguntou.

A mãe de Nicolas votou em Jair Bolsonaro, bem como 82% dos eleitores de Içara. “Eu não tenho como dizer se é culpa dele [Bolsonaro] ou não a saída dos médicos cubanos, pois ele nem assumiu ainda a Presidência. Eu acredito que ele vai ser um bom presidente, mas que esses médicos não deveriam ser retirados por uma avaliação política, mas, sim, pelo seu profissionalismo. É triste isso porque perdemos bons profissionais”, me disse.

Dos 18 médicos que atuam na atenção básica na cidade, 14 são do programa Mais Médicos.

Nesta semana, uma médica cubana de Içara já retornou para a ilha do Caribe, e todos os médicos estrangeiros já estavam afastados do trabalho desde terça-feira por orientação do governo da ilha. Dos 18 médicos que atuam na atenção básica na cidade, 14 são do programa Mais Médicos, criado em 2013 pela presidente Dilma Rousseff para capilalizar o atendimento ao interior do Brasil, muitas vezes deixado de lado pelos doutores que preferem ficar nas capitais. Além dos nove cubanos, há cinco brasileiros no Mais Médicos de Içara.

Ienni Camacho estava na sua primeira missão humanitária como médica. Com um filho de 2 anos que ficou em Cuba com a avó, ela já definiu que deixa o Brasil em dezembro. “Ela não vai embora. Se o Fidel vier buscar ela vamos colocar ele pra correr daqui”, brincou Waldir Gislon, 77, enquanto aguardava pela consulta.

Camacho também está sofrendo. “É muito doloroso, porque depois de um ano e três meses aqui, já conheço todos os meus pacientes e só de ver eles na porta já sei se é acompanhamento, primeira visita ou retorno por algum exame”, diz a médica.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

‘Quem assina esse contrato não vem pelo dinheiro’

Flor de Liz Levandoski, 55 anos, também votou em Bolsonaro e está perplexa com a situação. “A gente votou nele [Bolsonaro] pra ele mudar o que estava errado, não o que estava certo. Já não estou gostando disso. Espero que ele melhore quando assumir a Presidência”, reclama.

A médica de Levandoski, Esther Carina Abeledo, é da segunda turma de cubanos do Mais Médicos. Junto com outros 2 mil médicos do país, passou por uma bateria de testes de português, cultura brasileira e de conhecimentos médicos em Havana, Brasília e Florianópolis, até assumir o posto em Içara em maio de 2014. “A doutora Carina é muito boa com todos nós, não tem outra igual. Vai fazer muita falta para toda a nossa família”, me disse a mãe de Flor de Liz, Olga Levandoski, de 78 anos, moradora da zona rural na cidade e que não votou nessas eleições.

Bolsonaro chegou a dizer que os médicos são “escravos de uma ditadura”, mas a médica contesta as declarações, que serviram de justificativa para o rompimento do contrato por parte do governo cubano.

“Muitas pessoas fazem confusão sobre a nossa situação. Eu saí de Cuba sabendo quanto iria ganhar no Brasil. Quem assina esse contrato não vem pelo dinheiro, mas para uma missão médica, para atender uma população que precisa de tratamento adequado. Viajamos, conhecemos outras culturas e ainda temos a oportunidade de ajudar essas pessoas. Nenhum cubano é enganado ou explorado. Em Cuba, há um regime social, não há escravos. Isso é ofensa para nós, a escravidão já acabou há muito tempo”, afirma Abeledo, que atende na unidade de saúde do bairro Jussara.

Em Cuba, há um regime social, não há escravos. Isso é ofensa para nós, a escravidão já acabou há muito tempo.

Com 30 anos de experiência, a médica está na quarta missão e pediu, no começo do ano, renovação do contrato por mais mais três anos. Antes, trabalhou cinco anos em Honduras, depois dois anos na Guatemala e outros cinco anos na Venezuela. Ela esclarece outra polêmica criada por Bolsonaro, que acusou o governo cubano de não permitir que familiares dos médicos venham ao Brasil.

“Me casei em 2017 com um baiano que mora aqui em Içara. Minha filha e meus dois netos vieram de Cuba e moram aqui comigo também. Não existe qualquer impedimento para parentes virem nos visitar ou até mesmo morar no Brasil”, afirma Abeledo, que, por conta da família, agora busca uma forma de permanecer no país.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

Ignorada pelos brasileiros

Içara tem um boa qualidade de vida, com alto IDHM, o índice de desenvolvimento humano dos municípios, de 0741 – o mesmo que a mineira Ouro Preto. O acesso é fácil, pela BR-101, a apenas 145 km de Florianópolis. Mesmo assim, em nenhum dos cinco editais de chamadas pelo programa Mais Médicos publicados desde 2013 houve preenchimento total de vagas para brasileiros e estrangeiros formados no Brasil. Quando isso acontece, os médicos cubanos são chamados.

“Até 2012, não tínhamos médicos em todos os postinhos de saúde de manhã e de tarde. Eu tinha que vir até o centro bem cedo se quisesse pegar uma senha e ser atendida no mesmo dia”, conta Doraci Ribeiro, de 66 anos.
Eleitora do candidato derrotado Fernando Haddad, Doraci critica Bolsonaro e alerta que muitos vizinhos bolsonaristas não relacionam a saída dos médicos cubanos como uma consequência do resultado das urnas.

“Muitos não entendem que o Bolsonaro é o responsável pela saída dos médicos, que estão nos atendendo tão bem. Mas também conheço algumas pessoas que já estão arrependidas por terem votado nele só por causa dessa situação dos médicos”, diz a moradora.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

25 mil votos e 25 mil moradores sem médicos

Santa Catarina foi o segundo estado a dar a maior vitória percentual a Bolsonaro no segundo turno, com 76% dos votos válidos. Em Içara, o candidato do PSL teve 25 mil votos, o mesmo número de pessoas que a prefeitura calcula que serão afetadas diretamente pela despedida dos cubanos.

Quem criou esse problema terá que resolvê-lo.

Além do 14 profissionais do Mais Médicos, que recebem salário da União e uma ajuda de custo mensal paga pelo município de R$ 2 mil, há outros quatro médicos contratados diretamente pela prefeitura ao custo de R$ 18 mil por mês para cada um. Com as contas municipais no limite, o prefeito de Içara, Murialdo Gastaldon, do MDB, diz que não tem condições de contratar nove médicos e que vai recorrer à Justiça, se for preciso, para ter a reposição dos cubanos.

“O piso constitucional para gastos com saúde é de 15%, e Içara já gasta mais de 27%, então não temos orçamento para contratar nove médicos. Quem criou esse problema terá que resolvê-lo, pois estamos dispostos a cobrar na Justiça que o Ministério da Saúde cumpra com o acordo com o nosso município, que é de ter 14 médicos ajudando no atendimento básico”, afirma o prefeito.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

Fonte e fotos The Intercept Brasil

Valorizar a cultura negra e a luta contra o racismo

dia da consciência negra

O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, em homenagem à data de morte de Zumbi dos Palmares, que liderou uma das mais importantes resistências contra a escravidão no Brasil. Mais do que lembrar a memória de Zumbi, a data oficializada por Dilma Rousseff em 2011 é um momento de valorização da cultura negra e dos séculos de luta contra o racismo, que até hoje perdura no Brasil.

Ao longo desta semana, acontecem manifestações em todo o país, com atos políticos, eventos culturais e debates. Em São Paulo, centenas de pessoas se reuniram no Vão Livre do Masp e saíram em caminhada pela Avenida Paulista, na terça-feira (20/11), para celebrar o dia da Consciência Negra e reforçar a resistência da população afro-brasileira.

Com gritos de “Mulheres negras não param de lutar” e “Pelo fim do genocídio negro” o povo enfervecido fez o ato avançar para além da luta contra o racismo, mas também de combate ao fascismo e o autoritarismo que o governo de Bolsonaro representa.

“Não fomos nós negros que nos colocamos nessa situação em que estamos hoje, portanto para sairmos dela vamos precisar de todo mundo, todo mundo de mãos dadas, ninguém solta a mão de ninguém”. A afirmação foi do Secretário de Combate ao Racismo do PT, Martvs Chagas, durante a XV Marcha da Consciência Negra na capital paulista.

Durante toda a marcha, reafirmou-se também a necessidade de se opor aos planos do presidente eleito Jair Bolsonaro de tipificar os movimentos sociais como terroristas. “Essa marcha de hoje se reveste de uma importância maior que as marchas anteriores, o novo governo quer fazer com que os movimentos sociais sejam criminalizados e nós temos que estar nas ruas para dizer que é direito de todo o povo brasileiro poder se manifestar para construir um Brasil melhor”, declarou Martvs, que também falou sobre os retrocessos que já estão acontecendo com o governo Temer e podem piorar ainda mais. “O que nós conquistamos através de políticas promovidas pelos governos do PT agora está em risco, nós não podemos permitir que isso aconteça”.

Na Vigília Lula Livre, o Dia da Consciência Negra foi celebrado rememorando os avanços obtidos nos governos do PT pela população negra no Brasil. “Assim como a luta da população LGBTI e dos companheiros do campo e da cidade, a luta do povo negro tem que estar presente nesse espaço de resistência. Aqui fazemos o resgate dos avanços nos governos Lula e Dilma, para que a gente não os perca”, afirmou Luiz Carlos dos Santos, militante do movimento negro e diretor da APP-Sindicato, que congrega os professores da rede pública estadual paranaense.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a escritora Conceição Evaristo, voz forte dentro da comunidade negra brasileira e autora consagrada mundo afora, falou sobre a importância desta data: “não é um dia só de festejo, ele marca também a colocação de uma problemática para a sociedade brasileira pensar, não só nós negros. E coloca também Zumbi, inclusive, no panteão dos heróis brasileiros, como foi Tiradentes, Frei Caneca e João Cândido”.

Dia de valorizar a cultura negra e a luta contra o racismo

Discriminação e violência

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população negra e a autoidentificada como parda no Brasil somam 54% do povo brasileiro. Mas inúmeros outros indicadores socioeconômicos evidenciam as disparidades nas condições de vida e de acesso a oportunidades entre a população, ancorados, bem no fundo e de maneira nem sempre velada, no preconceito e na discriminação étnico-racial.

Podemos citar aqui as desigualdades salariais, de renda, no acesso a serviços e até no ingresso e permanência nas universidades ou mesmo as desigualdades de condições que possibilitam a formação profissional e acadêmica entre negros e brancos. A distância é notável e imensa em todos esses indicadores.

Mas a mais cruel e que sintetiza a realidade do racismo no Brasil vem do levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que foi publicada na véspera do dia nacional da consciência negra: a população negra é expressivamente a maior vítima de homicídios no Brasil. A cada 100 assassinatos registrados no Brasil, 71 vítimas são negras. E cresceu 18% em dez anos analisados pela pesquisa, ou seja, no período compreendido entre 2005 e 2015. De onde vem esse ódio retratado pelos indicadores da violência? Da mesma raiz preconceituosa que discrimina, mata e violenta pobres, mulheres e a população LGBT, com o agravante da impunidade e naturalização dos crimes de racismo.

Em entrevista para o Diário Regional de Juiz de Fora, Martvs Chagas defende que a solução para reverter essa situação envolve a conscientização de toda sociedade. Para o sociólogo, é preciso que a população negra crie mecanismos de enfrentamento e resistência diários ao racismo. “Nossos ancestrais conseguiram sobreviver através dos quilombos, através da resistência, da irmandade, da religiosidade, através da cultura. Nós conseguimos nos manter e ser maioria da sociedade brasileira. Se conseguimos de antes até hoje, conseguiremos sobreviver de hoje em diante. A nossa saída é resistência!”.

Nos governos do PT, de Lula e Dilma, o resgate da dívida histórica com nossa população negra não se resumiu aos currículos escolares. Partiu deles, mas também se expandiu para as cotas raciais de ingresso nas universidades, a criação de uma universidade federal em Redenção (Ceará), para promover o desenvolvimento econômico e social daquela região, a primeira do Brasil a abolir a escravidão, e chegou até as diretrizes da nossa política internacional, que o golpe raivosamente veio aniquilar, desmontando as relações diplomáticas estabelecidas e ampliadas, a cooperação e as relações comerciais fortalecidas com os países do continente africano.

Temor de mais retrocessos no governo Bolsonaro

Depois de 14 anos de avanços conquistados com muita luta durante os governos democráticos e populares do PT, os retrocessos registrados no governo do ilegítimo Michel Temer (MDB) tendem a se intensificar com a posse, em janeiro de 2019, do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo a secretária de Combate ao Racismo da CUT, Maria Júlia Reis Nogueira, Bolsonaro já deu sinais de mais retrocessos que ameaçam ainda mais a população negra. Antes mesmo de ser candidato, o deputado Bolsonaro votou a favor de projetos de retirada de direitos, como a reforma Trabalhista, e votou contra a PEC das domésticas, que garantiu um mínimo de direitos para a categoria, formada em sua grande maioria por mulheres negras.

Durante a campanha, em suas redes sociais e em entrevistas para uma parte da mídia comercial, Bolsonaro prometeu diminuir ou acabar com as cotas raciais nas universidades, reduzir maioridade penal, reverter regularização de terras quilombolas, dar carta branca para policiais matarem e disse, também, que iria romper com a Organização das Nações Unidas (ONU), o que significaria romper todos os tratados internacionais de direitos humanos. “Todas as medidas anunciadas pelo presidente eleito vão afetar diretamente a vida da população negra, que já é a que mais morre, a mais encarcerada, a que mais fica desempregada, a mais analfabeta e a que tem renda menor e trabalho precário”, afirmou a secretária de Combate ao Racismo da CUT.

Além disso, também nas redes sociais, o presidente eleito mostrou por meio de posts como ele alimenta a cultura da violência racista. “Eu fui em um ‘quilombola’ em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas [unidade de medida para peso de gado]. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”, disse Bolsonaro, aos risos do público durante uma palestra.

Ao tratar do tema educação, Bolsonaro defendeu sem constrangimento a meritocracia. “Não tem como tratar igual os desiguais. A história do Brasil nos mostra que quem tem dinheiro paga as escolas de seus filhos e prepara estas crianças para disputar as vagas nas universidades públicas. E o pobre que não tem o ensino adequado quando chega para disputar a universidade ele vai pagar, porque ele não tem como disputar com quem se preparou”, destacou Júlia.

Em mais de 80 páginas do plano de governo de Jair Bolsonaro, a equipe dele não citou em nenhum momento as palavras negro, negra, indígena, etnia e raça, muito menos existem propostas de políticas de ações afirmativas. “Em 518 anos de história, houve apenas um pequeno intervalo de 14 anos em que a população negra teve seus direitos reconhecidos e acesso a cidadania. O que nos preocupa com o novo governo é que os retrocessos sejam enormes e a desigualdade aumente ainda mais”, finalizou Júlia.

Resistência e luta - Lula

Cinco séculos de resistência

Em homenagem ao dia da Consciência Negra, o Brasil de Fato preparou um especial que traz uma linha do tempo com cinco séculos de resistência da população negra, rememorando lutas que foram fundamentais para as conquistas democráticas e para a formação do Brasil. Leia aqui.

Confira outros destaques

1. Haddad é convidado por Bernie Sanders para participar de frente progressista
O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi convidado a participar do lançamento de uma coalizão internacional progressista idealizada pelo senador americano Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis, dia 1º de dezembro, em Nova York. A iniciativa dos dois políticos é uma forma de se contrapor à proliferação de governos de extrema-direita pelo mundo. Varoufakis enviou uma carta a Haddad no último dia 16 para reforçar o convite. Haddad confirmou presença. Leia mais aqui.

2. Com menos médicos, Brasil pode viver uma catástrofe sanitária
Jair Bolsonaro conseguiu alcançar um objetivo que tem há cinco anos: acabar com o programa Mais Médicos. Desde 2013, ano da criação do projeto, quando ainda era deputado pelo PP-RJ, ele protocolou uma ação no STF na tentativa de suspender a Medida Provisória editada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), que elaborou o Mais Médicos. Um dos argumentos usados por Bolsonaro era de que os cubanos precisariam se submeter ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos (Revalida). Contudo, depois das declarações do militar feitas na quarta-feira (14/11), fica evidente de que seu intuito sempre teve um viés ideológico, pois Cuba envia médicos para 66 países e somente o Brasil tentou fazer essa exigência.

A retirada dos médicos foi anunciada por Cuba também na quarta-feira, após o governo do país caribenho considerar a decisão de Bolsonaro de modificar os termos e condições de colaboração da iniciativa “ameaçadora” e “depreciativa”. “O Brasil com certeza sofre com essa saída. Vamos ter de fato uma catástrofe sanitária”, disse o médico Thiago Henrique Silva sobre o fim da participação de Cuba no Mais Médicos. Secretários municipais de Saúde e prefeitos reagiram à interrupção da cooperação técnica entre a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o governo de Cuba, que possibilitava o trabalho de profissionais cubanos no programa Mais Médicos. Em nota conjunta, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) apelaram para a manutenção dos profissionais cubanos no Brasil sob risco de faltar atendimento à população. Eles pediram que o presidente eleito Jair Bolsonaro reveja a decisão de aplicar novas exigências para a permanência dos cubanos no país.

Em nota, o PT afirmou que o “preconceito ideológico, a ignorância sobre políticas públicas e a falta de sensibilidade social de Jair Bolsonaro” vão deixar milhões de brasileiros sem a assistência dos 8,5 mil médicos cubanos que participaram do programa Mais Médicos, criado pelo governo da presidenta Dilma Rousseff em 2013. O Setorial Nacional de Saúde do PT também emitiu uma nota, denunciando a medida e pressionando para que seja revertida.

Ao invés de tentar reverter essa situação, o governo Michel Temer (MDB) lançou, na terça-feira (20/11) um novo edital para a substituição das vagas dos profissionais cubanos.

3. Nota do PT: Ação contra Haddad é vingança política
“O Partido dos Trabalhadores denuncia a perseguição movida pelo Ministério Público de São Paulo e pelo juízo da 5a. Vara Criminal da Barra Funda contra o ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT à presidência da República que recebeu 47 milhões de votos no segundo turno das eleições. Com base apenas na palavra de um réu confesso, Ricardo Pessoa, que foi descartada pelo Supremo Tribunal Federal por ausência de provas e de credibilidade, o MP-SP fez uma denúncia infundada que não poderia ter sido aceita por um juízo imparcial. Este episódio caracteriza a partidarização do sistema judicial do estado de São Paulo, controlado por notórios adversários do Partido dos Trabalhadores. Tem cheiro de vingança e retaliação pelo grande desempenho de Haddad e do PT nas eleições presidenciais”. Leia a nota na íntegra aqui.

4. Sítio de Atibaia: Por que Justiça desconsidera perícia que desmente acusação contra Lula?
No último ato da defesa, antes da sentença no processo sobre o sítio de Atibaia, os advogados de Lula pediram uma série de providências, dentre elas duas se destacaram: querem a resposta dos peritos da Polícia Federal a um parecer técnico que desmonta a tese de acusação e o depoimento de Rodrigo Tacla Durán. Os advogados começam o texto pela declaração de que não reconhecem na 13a. Vara Federal Criminal do Paraná competência legal para processar o ex-presidente. “Inexiste qualquer relação das reformas do sítio em Atibaia e os desvios advindos de contratos da Petrobras. Ou seja, no caso concreto revela-se ausente a situação de modificação de competência assentada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal para autorizar a competência da Justiça Federal de Curitiba em relação aos processos da chamada ‘Operação Lava Jato’”, escrevem. A defesa também registra que não reconhece a validade dos atos praticados por Sergio Moro. “Aquele magistrado não detinha – e jamais deteve – a necessária imparcialidade, impessoalidade, isenção e independência para a cognição e julgamento do feito”, registram. Leia mais aqui.

5. “Bolsonaro inicia guerra nas escolas”, diz Le Monde
O jornal Le Monde publicou em sua edição de domingo (18/11) uma extensa reportagem a respeito da “cruzada” da extrema-direita brasileira contra o sistema educacional, encorajada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro. Entre outras intenções, o diário diz que o objetivo de Bolsonaro é atenuar as críticas à ditadura. Logo na capa, o diário francês adverte: “a extrema-direita brasileira, convencida de que a escola é assombrada pelo comunismo e pela apologia de comportamentos desenfreados, está apoiando um projeto de lei que visa obrigar os professores à neutralidade e ao respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis”, explicou Le Monde. Assim, os professores estariam impedidos de contradizer as famílias a respeito de temas como educação moral, sexual e religiosa. “E Bolsonaro ainda quer que os alunos possam filmar seus professores para denunciá-los”, acrescentou. Leia mais aqui.

6. Celso Amorim: escolha de chanceler representa “volta à Idade Média”
O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou, na quarta-feira (14/11), a indicação do diplomata Ernesto Fraga Araújo para o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo. A indicação vem sendo questionada devido à inexperiência e opiniões polêmicas e conservadoras de Araújo. Entre os posicionamentos controversos do diplomata, estão uma grande admiração ao antiglobalismo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o rechaço a valores considerados por ele “decadentes”, como “democracia”, “cooperação”, “tolerância” e o “politicamente correto”. Para o ex-Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que atuou durante dois períodos da redemocratização brasileira, por oito anos no governo do ex-presidente Lula, e durante dois anos do governo de Itamar Franco, caso as posições de Araújo e de Bolsonaro sejam colocadas em prática, representariam a “volta à Idade Média”. Leia mais aqui.

Escola Nacional de Formação do PT

13 pontos sobre a fiscalização da eleição

13 Pontos Sobre a Fiscalização da Eleição

Estamos há poucos dias das eleições que podem trazer o Brasil de volta e fazer nosso povo feliz de novo. Depende de cada um de nós o resultado que virá!

Companheiros e companheiras Dirigentes! Depende de cada um de nós o resultado que virá!

Estamos há poucos dias das eleições que podem trazer o Brasil de volta aos brasileiros e fazer nosso povo feliz de novo.

Enfrentamos uma guerra, com a força e a determinação da nossa militância. Neste curto período da história, fomos vítimas de um Golpe que depôs uma Presidenta eleita e instalou um governo ilegítimo que destrói as conquistas sociais e de soberania alcançados pelos governos populares de Lula e Dilma. Uma operação jurídico-midiática, mantém o Presidente Lula como prisioneiro político, impedido, inclusive, de se manifestar.

O país, submergido nessas trevas, despertou os monstros saudosos da ditadura, herdeiros do autoritarismo e neófitos de extrema direita embevecidos em suas fontes anti-petistas e fascistas.

A candidatura de Haddad representa o nosso projeto, a possibilidade do país retomar o crescimento econômico com distribuição de renda, o desenvolvimento social e a sua soberania.

Nesta reta final, precisaremos estar preparados para dar visibilidade à nossa campanha. De cabeça erguida, disputando o voto e o coração de cada eleitor ou eleitora.

Nossos dirigentes terão também a importante tarefa de garantir a fiscalização do processo eleitoral, atentos às possíveis fraudes e ilegalidades que poderão ser cometidas.

A Coligação “O Povo Feliz de Novo” informou ao TSE que todos os Presidentes e membros das Executivas Estaduais e Municipais ou das Comissões Provisórias estão autorizados a credenciar Delegados e Fiscais dos partidos que compõe a coligação.

Poderão ser nomeados até 2 Delegados por Município ou Zona Eleitoral (quando houver mais de uma no mesmo Município) e até 2 Fiscais por Seção Eleitoral.

Qualquer pessoa com mais de 18, desde que não seja mesário, poderá ser credenciada como Fiscal.

O Fiscal deve verificar, antes do início da votação, se as urnas estão lacradas e acompanhar a emissão da “zerésima” e, ao final da eleição, a emissão dos Boletins de Urna.

Durante a apuração, devemos orientar a militância a se concentrar em algum ponto da cidade (a sede do Diretório, o Comitê, uma praça) para acompanhar a divulgação do resultado e dar início à nossa arrancada para o segundo turno.

Ao identificar qualquer irregularidade ou em caso de dúvida, procure a Assessoria Jurídica do Diretório Estadual, que estará em contato permanente com a Coordenação Nacional de Campanha.

Se você vai ser Fiscal, clique em http://bit.ly/13PontosFiscalização para ler o documento 13 Pontos para a Fiscalização.

Agora é Rua. Agora é Luta. Até a Vitória!

Coligação “O Povo Feliz de Novo”
Agência PT

A cidadania ativa sacode a democracia

A cidadania ativa sacode a democracia - Crônica de Cândido Grzybowski #blogdodcvittiA uma semana das eleições, dá para sentir no ar a energia que só a cidadania pode propiciar nos processos eleitorais democráticos. Em meio à enorme tragédia social, econômica, ecológica e política do desastroso, totalmente ilegítimo e desaprovado governo Temer, fruto do golpe parlamentar contra a eleita Dilma Rousseff, estamos vendo ressurgir a vontade instituinte e constituinte da cidadania. Independentemente dos resultados em si, esta já é uma eleição que marca nossa ainda jovem democracia. As manifestações de sábado, 29 de setembro, nas grandes cidades brasileiras, protagonizadas pelas mulheres sob o lema “Ele não”, com apoio de muitos homens, é um vento profundamente renovador e portador de esperança de outro amanhã para um Brasil de bem consigo mesmo e com o mundo.

O amanhã, pós-eleitoral, terá diante de si uma vontade de cidadania – sofrida, desigual, dividida e polarizada – disposta a exercer o seu protagonismo diante daqueles e daquelas a quem ela delegar mandatos. Quem poderia prever emergir algo assim nesta difícil conjuntura? Tal onda poderá aprofundar oposições, ódios e intolerâncias, que estamos descobrindo quão vivos estão entre nós. Mas poderá, também, ser a renovação e revitalização da própria democracia como imaginário e como processo transformador de relações e estruturas que nos prendem ao passado. Certamente esta será a maior questão, pois no processo eleitoral atual é isto que estamos pondo como algo central em termos de disputa de hegemonia para o país que consideramos necessário. Serão tempos desafiantes e muito difíceis pela frente, sem dúvida, mas carregados de possibilidades e emoções, algo que só democracias podem propiciar.

Não vale a pena olhar para trás agora, o melhor é entrar na onda, com olho no que pode vir pela frente: a onda seguinte, que vem depois desta que está chegando na nossa praia cidadã, bem comum de todas e todos. É sintomático que “Ele”, o do “não”, comece a questionar o resultado eleitoral – o “como” a onda vai rebentar, literalmente – antes mesmo dos votos de milhões de cidadãs e cidadãos definirem as condições políticas imediatas: teremos para os próximos quatro anos um ambiente político, cultural e ecossocial de reconstrução e avanço da democracia, ou de retrocesso autoritário e fascista para uma economia neoliberal, de negação de direitos? Na verdade, a eleição é um marco divisor de águas em determinado momento histórico das sociedades democráticas, mas não o fim das disputas e sim o começo de novas. Nisto reside a vitalidade e a capacidade da democracia em nos fazer superar desafios e adversidades.

Aprendi com as cosmovisões indígenas, alicerçadas no movimento vital da natureza e do Planeta de que fazemos parte, que o futuro está por vir, vem vindo atrás do que já passou e ainda não está definido. O que está na frente é o passado, já se foi, não dá para mudar, como as águas de um rio,

ou o dia, a noite, a chuva… de ontem. A nossa própria vida está nos filhos e filhas, nos netos e netas, está num fazer-se enquanto nós, mães e pais, vamos nos desfazendo ao nos completar, por assim dizer. De tal perspectiva, em termos políticos, o importante é tirar da mobilização cidadãs de mulheres e de todas outras o potencial portador de amanhã. Ao escrever isto estou profundamente convicto de que o jogo mudou, mesmo com olhos marejados pela emoção diante tão fantástica vitalidade da cidadania brasileira.

Sei que não será fácil o amanhã. Mas nossas trincheiras de resistência ao risco do ódio e do neofascismo estão se revelando um espaço estratégico de construção do futuro. Estamos reaprendendo a dizer sim e não, de forma aberta, sem hesitar. Enfrentamos um movimento desorganizado, heterogêneo e raivoso de gente como nós mesmos, cidadãs e cidadãos, mas que vivem de privilégios, promovem exclusões e negam direitos.  Dadas as difíceis condições que vivemos, o apelo autoritário e neofascista tem, sim, terreno fértil para prosperar como proposta, sabiamente explorado por alguns novos grupos de extrema direita, constituídos entre nós na esteira de uma onda racista, xenofóbica e fundamentalista que se espalha ameaçadora sobre o mundo todo. As e os que nos engajamos com uma perspectiva ecossocial de direitos, de igualdade na diferença, de solidariedade, de democratização da própria democracia, em última análise, teremos uma árdua tarefa pela frente. Tal disputa política e cultural poderá ser facilitada se a as eleições produzirem um governo democrático e popular. Mas ela continuará no pós-eleições, pois por mais que discordemos dos defensores de outros caminhos para o país, eles são parte da cidadania brasileira e é seu direito nos enfrentar politicamente, hoje e amanhã.

Termino lembrando algo fundamental, que nos equaliza na diferença. O pressuposto da democracia é aceitar o embate e seu resultado. Ninguém, na disputa, pode questionar o que dizem as urnas antes da cidadania se manifestar. Esta é uma questão sine qua non de qualquer democracia. Precisamos denunciar e combater, desde aqui e agora, todas e todos que questionem a legitimidade e integridade do processo de disputa. Não é possível participar da disputa virtuosa da democracia e, de antemão, afirmar que seu resultado será inválido e passível de contestação.  Existe, como pressuposto da democracia, a legítima e essencial defesa de sua capacidade de construir legitimidade, nas condições históricas em que se realiza. Quem se sente derrotado deve começar no amanhã a se preparar para o depois de amanhã, como os próprios vitoriosos devem fazer. Afinal, democracia é uma aposta na virtude e possibilidades criativas da incerteza sobre o futuro.

Rio de Janeiro, 01/10/2018

Cândido Grzybowski
Sociólogo, do Ibase

E não é que a Dilma estava certa! Cientistas britânicos desenvolveram tecnologia capaz de “estocar vento”

Dilma estava certa. Cientistas britânicos desenvolveram tecnologia capaz de estocar vento

O projeto consiste no armazenamento do ar em sua forma líquida, que depois é expandido e move turbinas que convertem a energia mecânica em elétrica.

Diversas são as polêmicas envolvendo a falta de habilidade de Dilma Roussef em fazer discursos. Uma das grandes frases da presidenta que agitou as redes sociais ocorreu quando, em entrevista coletiva concedida na ONU, ela disse que a possibilidade de “estocar vento” beneficiaria o mundo inteiro.

No discurso (clique aqui para ver), Dilma menciona as dificuldades técnicas de viabilizar a substituição de hidrelétricas por parques de energia eólica. Ela defende que, atualmente, a energia hidrelétrica é a mais barata e viável em termos de manutenção, pelo fato da água ser gratuita e existir a possibilidade de estocá-la. Ela então aponta que a energia eólica também seria muito interessante para o país, porém ainda não existe tecnologia para “estocar vento”. Isso dificulta o investimento nesse tipo de energia, devido à falta de estabilidade das correntes de ar. A energia eólica depende da ocorrência de vento em densidade e velocidade ideais, e esses parâmetros sofrem variações anuais e sazonais (Confira a matéria “O que é energia eólica? Entenda como turbinas geram energia elétrica a partir dos ventos” para saber mais).

A frase virou meme: fotografias de um homem com um ventilador enchendo sacolas plásticas de vento foram compartilhadas na internet, assim como montagens com o rosto de Dilma em pacotes de salgadinhos “de ar” e em porções de pastel de vento. A brincadeira “viralizou”.

Mas será que Dilma falou uma besteira tão grande assim? Segundo cientistas britânicos, não.

Bom, para mover as turbinas de usinas eólicas, precisamos de vento, certo? Se ele não é constante, uma forma artificial de controlar essa intermitência seria ideal para solucionar um dos principais problemas dessa tecnologia, correto?

De acordo com a Agência Fapesp, cientistas britânicos, da Faculdade de Engenharia e Ciências Físicas da University of Birmingham estão desenvolvendo uma tecnologia que possibilita a utilização de ar líquido como forma de otimizar a implementação de fontes renováveis como a solar e a eólica. Dessa forma, haveria a minimização dos efeitos de sua intermitência no abastecimento da rede elétrica. O método já foi testado em planta-piloto e entrará em escala comercial em 2018.

Cientistas britânicos desenvolveram tecnologia capaz de estocar vento

Como funciona?

O princípio físico é relativamente simples. Quando o ar é resfriado a -196ºC, ele se transforma em líquido. Cerca de 10 litros de ar dão origem a um litro de ar líquido. Esse pode ser estocado e posteriormente aquecido. Quando em contato com uma fonte térmica ele se expande e movimenta uma turbina que converte a energia mecânica em energia elétrica.

A proposta dos responsáveis pelo projeto não é muito diferente da feita por Dilma em seu discurso. O objetivo é contribuir para superar os altos e baixos no abastecimento de energia gerada por fontes renováveis. Dessa forma, com o ar líquido, a energia estaria disponível sem decréscimo no fornecimento mesmo em dias de menor insolação ou de redução no regime dos ventos.

Ainda de acordo com Williams, os impactos ambientais decorrentes do processo deverão ser muito baixos. “Para o armazenamento de energia, o dispositivo apenas captura e esgota o ar. E, quando a estocagem criogênica é utilizada em motores, o material trocado com o meio é novamente o ar”, esclareceu.

A Universidade de Birmingham, responsável pelo projeto, foi eleita “universidade do ano” pelos periódicos The Times e The Sunday Times. Uma de suas prioridades é elaboração de soluções revolucionárias que se adequem ao conceito de sustentabilidade. A universidade mantém acordo de cooperação com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para apoiar projetos de pesquisas colaborativas entre o Estado de São Paulo e o Reino Unido.

A proposta de Dilma não é tão absurda assim afinal de contas. Considerando que vento é, de acordo com a definição do dicionário Michaelis, “o ar em movimento ou em deslocação”, o mal-entendido pode ter ocorrido devido a uma confusão nas palavras. A proposta dos cientistas britânicos é de armazenamento de energia eólica utilizando um ar como a “caixa” para estocar tal energia.

É só pensarmos no princípio básico da natureza, a conservação de energia, e se você preferir, é possível até utilizar a frase de Antoine Lavoisier “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O que os novos cientistas britânicos estão propondo é, através da energia proveniente dos ventos, esfriar ar (pois para esfriar algo, precisamos de energia também) e assim a energia usada nesse processo estaria “armazenada” para ser utilizada através da expansão que o ar tem ao ser aquecido artificialmente ou não – entrando assim em movimento para gerar as turbinas. Lembra o que é o ar em movimento? Isso, o vento. O processo não consiste literalmente em “capturar” o vento e armazená-lo, mas sim um meio de armazenar a energia do vento através do processo de tornar o ar líquido e recuperar essa energia por meio do movimento do ar líquido ao voltar ao seu estado natural, o que consequentemente irá se tornar um vento.

Independentemente da frase da presidente, novas tecnologias que propiciem o aproveitamento máximo da produção de energias alternativas, como a eólica e a solar, são necessárias para mudar o paradigma da produção de energia atual e reduzir os impactos ambientais do consumo energético. De inicio, muitas invenções revolucionárias pareceram absurdas e foram alvo de chacota, mas por meio da ousadia de cientistas e de métodos rígidos de observação, identificação e pesquisa, elas se tornaram viáveis e nós podemos usufruir de seus benefícios. Por fim, que bom que os cientistas britânicos investiram nessa tecnologia e não a consideraram tão absurda assim, pois inovações são sempre bem-vindas para mudar os ares de nossa sociedade.

Fonte: eCycle, Agência Fapesp e Palácio do Planalto

Furb promoverá curso sobre o golpe de 2016

Golpistas de 2016

O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil.

O curso de extensão O GOLPE DE 2016 E O FUTURO DA DEMOCRACIA NO BRASIL é uma inciativa de solidariedade ao movimento nacional em defesa da autonomia e liberdade acadêmica para o debate crítico de questões nacionais relevantes. O Curso tem três objetivos complementares:

  1. refletir sobre a fragilidade do sistema política brasileiro na experiência democrática;
  2. analisar características do processo de democratização, emergência do PT e do
    Governo de Lula e Dilma; e
  3. analisar o Golpe de 2016 e suas consequências para a nação e democracia brasileira.

O curso possibilitará formação complementar aos estudantes e poderá mobilizar interesse para estudos específicos sobre esta conjuntura e sua relação com a realidade local. Ele complementa outras iniciativas de extensão já promovidas na Universidade sobre os impactos destes fatos na cidadania e na emergência de uma agenda conservadora e reacionária.

Justificativa

A realidade nacional contemporânea tem sido objeto de intensa reflexão tanto no Brasil quanto no exterior. Com o processo de democratização inciado no final de 1970 havia um entendimento que os os desafios sócio-históricos limitavam-se a consolidar a experiência democrática consubstanciada na Constituição de 1988.

No entanto, assistimos a emergência de um novo movimento questionador da democracia e de suas institucionalidades. Um movimento presente nas ruas e nas instituições. O futuro da democracia está incerto.

Acompanhamos o amplo interesse da comunidade acadêmica para caracterização e análise deste contexto. De forma hegemônica no campo das ciências humanas há um entendimento de que já foram quebradas regras democráticas constitucionais com apoio da maioria no congresso nacional, poder judiciário e grandes veículos de comunicação. O que está em debate é a relação deste processo ¨golpista” com as bases estruturais da sociedade, sua relação com o contexto de crise da sociedade capitalista mundial e com a história nacional caracterizada pelo permanente recurso a saídas autoritárias no enfrentamento dos impasses e conflitos.

Por iniciativa do o professor Luís Felipe Miguel, titular do Instituto de Ciência Política/Universidade de Brasília foi ofertada a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia do Brasil”. Tal iniciativa foi seguida de forte reação do Ministério de Educação no sentido que questionar tal iniciativa, configurando mais uma ação de interferência política sobre a Universidade Brasileira. Em solidariedade ao professor Luis Felipe outras universidades passaram a ofertar o curso sob forma de disciplina ou curso de extensão.

A proposta aqui apresentada faz parte deste um movimento de solidariedade que tem se manifestado em mais de três dezenas de iniciativas semelhantes e de defesa da liberdade científica e da autonomia universitária (incluindo o manifesto de mais de cem intelectuais nos Estados Unidos).

No entanto, mais do que um ato de solidariedade se trata de oportunizar o acesso ao conhecimento desenvolvido sobre tal contexto pelo pensamento social contemporâneo (nacional e internacional). Constatamos fortes evidências analíticas de que a destituição da presidenta da república em 2016 foi um golpe e que o governo instalado (e seus defensores) não possui legitimidade.

Com a proximidade do processo eleitoral os impasses se evidenciam e os riscos de instabilidade política se aprofundam.

Assim sendo o Curso “O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil” pretende ser uma modesta contribuição para a reflexão sobre os acontecimentos recentes a partir da socialização da produção acadêmica produzida sobre os mesmos.

BRAZIL-IMPEACHMENT-ROUSSEFF-VOTE

Procedimentos metodológicos

O Curso está organizado em três módulos.

MODULO I – DEMOCRACIA E GOLPE NO BRASIL

  • Objetivo: Analisar o contexto histórico e impasses do processo de implementação da democracia no Brasil, bem como sua sistemática negação pelas sucessivas tentativas de golpe ou mesmo implementação do regime ditatorial a partir de 1964.
  • Conteúdo: 
    • 14/04/18: Regime Político e Classes Sociais no Brasil pós-guerras
      • Responsável: Dr. José Roberto Paludo (Sociologia)
      • Carga horária: 3 horas
    • 21/04/18: O Golpe de 64 e a ditadura militar
      • Responsável: Esp. Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira
      • Carga horária: 3 horas
    • 28/04/18: Da transição à Constituição de 1988
      • Responsável: Ms. Viegas Fernandes da Costa (História)
      • Carga horária: 3 horas

MODULO II – DAS LUTAS POPULARES AO LULISMO

  • Objetivo: Analisar as condições históricas de emergência dos novos movimentos sociais e sua relação com o Partido dos Trabalhadores (PT). Analisar a emergência do Lulismo e aspectos que permitem compreender sua força popular e suas fragilidades para enfrentamento da crise geradora do impedimento da presidenta Dilma.
  • Conteúdo:
    • 05/05/18: Os novos movimentos sociais e o surgimento do PT
      • Responsável: Dr. Valmor Schiochet (Sociologia Política)
      • Carga horária: 3 horas
    • 12/05/18: PT e Lulismo. Projeto Nacional e Inserção Internacional
      • Responsável: Esp. Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira
      • Carga horária: 3 horas
    • 19/05/18: O Lulismo. Direitos Humanos e Inclusão Social
      • Responsável: Dr. Lucas Haygert Pantaleão (Serviço Social)
      • Carga horária: 3 horas
    • 26/05/18 – O Lulismo (II) Transformações no Mundo do Trabalho e a Classe Trabalhadora
      • Responsável: Dr. Valmor Schiochet (Sociologia Política)
      • Carga horária: 3 horas

MÓDULO III – O GOLPE, O GOVERNO ILEGÍTIMO E A RESISTÊNCIA

  • Objetivo: Analisar o processo do Golpe e suas interpretações com destaque para elementos relativos a atuação do judiciário, a emergência na arena pública de movimentos conservadores. Analisar o governo Temer e as principais medidas que conduziram à sua impopularidade bem como as resistências sociais e populares no contexto latinoamericano.
  • Conteúdo:
    • 02/06/18: O Golpe. Ativismo Judiciário e Ruptura institucional
      • Responsável: Dra. Cátia R M Liczbinski (Direito)
      • Carga horária: 3 horas
    • 09/06/18: A nova direita e a Ascensão do parafascismo
      • Responsável: Dr. Leonardo Brandão (História)
      • Carga horária: 3 horas
    • 16/06/18: Governo Temer: Crise Econômica e Ultraneoliberalismo
      • Responsável: Dr. Ivo Marcos Theis
      • Carga horária: 3 horas
    • 23/06/18: Golpe e as resistências populares na América Latina e Caribe:um olhar epistemológico afroamericano e desde a diáspora de África
      • Responsável: Dr. Marcos Rodrigues da Silva (Ciências da Religião)
      • Carga horária: 3 horas
    • 30/06/18: Golpe. Avanço da direita e conservadorismo e mídias sociais
      • Responsável: Ms. Thiago de Oliveira da Silva (Sociologia)
      • Carga horária: 3 horas.
  • Fechamento:
    • 07/07 (Palestra de encerramento): Desafios para a Democracia Brasileira pós-Golpe
      • Responsável: Dr. Márcio Pochmann (Economia/Unicamp)
      • Carga horária: 3 horas

Cada um dos módulos será desenvolvido a partir de diferentes temáticas com maior concentração para a análise do Módulo III e terá seu desenvolvimento sob a responsabilidade um dos professores do Curso (que atuarão de forma voluntária) a partir do subsídio de textos e documentários (disponibilizados aos participantes).

Serão doze (12) encontros temáticos que acontecerão semanalmente aos sábados das 9 às 12 horas.

Os encontros temáticos serão precedidos por um encontro inaugural no qual será apresentada a proposta, seus objetivos e fundamentos, bem como, será pactuada com os participantes a metodologia de estudos e compromissos para o adequado andamento das atividades.

O Curso terá seu término com uma palestra que será proferida pelo Prof. Márcio Pochmann da Unicamp.

Serviço

  • Realização
    • Data de início: 07/04/2018
    • Data de término: 07/07/2018
    • Carga horária total: 42 horas
    • Local: Campus I – Universidade Regional de Blumenau
  • Inscrição:
    • Data de Início: 19/03/2018
    • Data de Término: 02/04/2018 (até às 23:59 horas deste dia)
    • Local da inscrição: Por meio eletrônico via e-mail golpe2016.curso@gmail.com (Preenchimento de Formulário)
    • Valor: R$ 10,00 (Estudante/Profissional/Comunidade)
  • Público alvo:
    • Comunidade acadêmica: Acadêmicos/Docentes
    • Comunidade externa: Comunidade em geral/Setor privado/Setor público (municipal estadual ou federal)/Sociedade civil organizada (Associações de Moradores, ONGS, etc.)
  • Certificação:
    • Frequência mínima: 75%
    • Local de entrega: Local do curso
    • Assinaturas adicionais: Valmor Schiochet
  • Palestrantes/Parceiros:
    • Dra. Cátia R M Liczbinski (Direito), Dr. Ivo Marcos Theis, Esp. Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira, Dr. José Roberto Paludo (Sociologia), Dr. Leonardo Brandão (História), Dr. Lucas Haygert Pantaleão (Serviço Social), Dr. Márcio Pochmann (Economia/Unicamp), Dr. Marcos Rodrigues da Silva (Ciências da Religião), Ms. Thiago de Oliveira da Silva (Sociologia), Dr. Valmor Schiochet (Sociologia Política), Ms. Viegas Fernandes da Costa (História)

Bibliografia

Considerando a falta de espaço para inserção da lista de referências bibliográficas a mesma será inserida como documento anexo que costa no slide abaixo.

Documentários

Considerando a falta de espaço para inserção da lista de referências audiovisuais compartilharemos a relação dos filmes indicados no conteúdo programático do curso.