Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada

Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada

Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?

Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no Facebook?

Pois bem, vou contar uma história.

O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do Facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo Facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

Posts no Facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranoicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.

Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fake news.

Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O Facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do Facebook no período que antecede as eleições.

Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de Whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fake news, portanto, fazer um perfil fake no Whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de Whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene”. Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”

Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.

Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”

Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”

Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.

Artigo recebido e compartilhado via WhatsApp e desconheço a autoria.

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O voto evangélico

O voto evangélico

Houve um assanhamento sobre a possibilidade de uma migração massiva do voto dos evangélicos ao Bolsonaro, pelo suposto apoio de caciques de igrejas no início desta semana pela mídia. Reforçada por uma campanha de #FakeNews, utilizando-se em caixa alta, a perversão, o preconceito e a mentira.

Alguns exemplos, mamadeiras em formato de pênis, definição de sexo em registro após uma certa idade, além de confisco humano pelo estado, turbinadas aos ventos nas redes sociais, atitude que na verdade disfarça os verdadeiros desejos que possui ou a intenção, falando da perversão. Mas esquecem de um detalhe, não será pela moral, o subjetivo, que uma significativa parte da base evangélica destinará o seu voto a #EleNão.

O discurso moral influencia a religião, claro, mas não na proporção estatística que é alardeada. Digo isso porque a parcela significativa dos membros das chamadas igrejas evangélicas e de massa, são mulheres, de periferia, mães e trabalhadoras que, até bem pouco tempo, a única boa nova do evangelho que ouvia era a palavra: submissão. Mas não é mais assim. Muitas delas, foram empoderadas pelos programas sociais, administram recursos, educaram filhos e filhas, compraram casas, viajaram de férias, adquiriam direitos trabalhistas etc.

O voto será, em parte, destinado a essa memória objetiva, principalmente, com o retrocesso, ou seja, a perda dos direitos e a ameaça de voltar ao mundo da total dependência. Apesar do apóstolo, bispo, pastor, missionário, tentar convencer ao contrário, esquece de quem sabe dos problemas, guarda os segredos dos filho(as), administra os conflitos, os recursos, preocupa-se com o futuro da família, na maioria das vezes, não são eles, são elas. Imagino que, na hora da desobediência silenciosa dessas mulheres, a oração íntima será, segundo a bíblia: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At. 5:29).

Isso não é para gerar conforto nem comodidade. É o voto a ser consolidado, com clareza,discernimento, diálogo e consciência nesta reta final da campanha eleitoral.

Companheiro Luis Sabanay, 52 anos, Teólogo e Pastor Presbiteriano.

Fake news: Centro Knight abre inscrições para curso online gratuito

Fake News dcvitti

O Centro Knight para o Jornalismo das Américas está com inscrições abertas para o curso on-line “Como desbancar as ‘fake news’ e nunca mais chamá-las por esse nome”. As aulas começam dia 5 de agosto e vão até o dia 2 de setembro.

O curso será coordenado por Ângela Pimenta, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) e coordenadora do Projeto Credibilidade (Trust Project), iniciativa voltada a criar indicadores para distinguir o jornalismo de qualidade na internet.

Ângela também será uma das instrutoras do curso junto com Fábio Gusmão, editor online do jornal Extra, do Rio de Janeiro; Bárbara Libório, jornalista da Aos Fatos e do Canal Meio; e Pedro Burgos, fundador do projeto Impacto.Jor.

Os participantes vão aprender as etapas do trabalho de checagem e verificação para desmascarar notícias fabricadas, memes enganosos e vídeos manipulados que surgem nas redes.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do Centro Knight.

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Novo curso sobre como combater as fake news

Fake News

Recebi um e-mail do Centro Knight da Universidade de Texas pra nos convidar a se inscrever no próximo curso online gratuito em português: “Como desbancar as ‘fake news’ e nunca mais chamá-las por esse nome”. Isso mesmo, recebi e estou compartilhando esse convite, que afinal de contas, é muito bom e já fiz outros cursos dessa organização, com intuito de aprender a desmascarar conteúdo falso e a desinformação que circula nas suas redes sociais.

Se você vai cobrir política no período eleitoral ou está apenas interessado em combater os memes e notícias fabricadas que recebe em grupos de conversa, estou certo de que o material deste curso vai te ajudar. Convocamos quatro especialistas que vão ensinar conceitos, ferramentas e práticas sobre o trabalho de checagem e verificação de conteúdo digital.

Inscreva-se agora mesmo neste curso massivo online e aberto (MOOC, na sigla em inglês), que começa dia 5 de agosto e vai até 2 de setembro. Nestas quatro semanas, você estará acompanhado da Ângela Pimenta, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) e coordenadora do Projeto Credibilidade (Trust Project); Pedro Burgos, fundador do projeto Impacto.Jor; Barbara Libório, jornalista da Aos Fatos e do Canal Meio; e Fábio Gusmão, editor online do jornal Extra, do Rio de Janeiro.

O curso é super prático, cheio de dicas sobre ferramentas e habilidades que você poderá começar a usar de imediato. Como todos os nossos MOOCs, não haverá aulas ou atividades ao vivo, portanto você poderá participar nos horários e dias mais convenientes, durante o período do curso.

Para mais detalhes e um vídeo explicativo sobre o conteúdo do curso, visite este site: JournalismCourses.org. Você vai encontrar a ementa, com os detalhes dos tópicos de cada módulo, e as instruções de como se inscrever neste MOOC.

Se quer estar atualizado sobre as práticas de checagem e verificação de conteúdo, não perca essa oportunidade! Ah, e dada a importância do tema, por favor espalhe a notícia pelas redes sociais, entre seus contatos, colegas e amigos. Ajude-nos a chegar no maior número possível de pessoas e vamos formar um exército contra a desinformação!

Se tiver qualquer dúvida, a assistente deste curso, Natália Mazotte, está disponível para te ajudar, só escrever para nmazotte@gmail.com.

Fake news: Google usará jornalismo de dados na apresentação de pesquisas de usuários

Fakebook News

O Google começará a usar jornalismo de dados na apresentação de buscas feitas por usuários do Google Search. Com a medida, o site quer combater as fake news. A informação é do TecMundo, Canaltech  e Engadget.

A empresa, por meio da Google News Initiative, vai produzir conteúdo baseado no jornalismo de dados – com gráficos, planilhas e até algoritmos – para conferir a informação antes de apresenta-la. Com isso, os usuários receberão detalhes mais precisos da sua busca no topo dos resultados.

Segundo o Engadget, agora, quando o usuário faz uma pesquisa sobre assuntos específicos, como as despesas de uma organização sem fins lucrativos em um determinado ano, por exemplo, o Google mostrará dados tabulares específicos no topo da página à frente de todos os outros resultados.

Até agora, o Google vem trabalhando com sites como o ProPublica, que emprestou seu banco de dados interativo para organizações sem fins lucrativos ao projeto.

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Facebook admite que redes sociais podem não ser boas para a democracia

Facebook é um grave perigo à saúde da internet

“Gostaria de garantir que os aspectos positivos se destinassem a superar os negativos, mas não posso. É por isso que temos o dever moral de entender como essas tecnologias estão sendo usadas e o que pode ser feito para tornar comunidades como o Facebook mais representativas, civis e confiáveis quanto possível.”, escreveu Samidh Chakrabarti, gerente de produto do Facebook, em uma postagem no blog oficial de notícias da empresa.

O Chakrabarti demonstrou pesar pelo fato de, segundo a empresa, durante as eleições de 2016 nos Estados Unidos, entidades russas criaram e promoveram páginas falsas no Facebook para influenciar o sentimento público – essencialmente usando as mídias sociais como uma arma de informação. De acordo com o executivo, foram espalhadas mais de 80 mil postagens, que chegaram a cerca de 126 milhões de pessoas ao longo de dois anos.

O compartilhamento de notícias falsas ou enganosas nas mídias sociais tornou-se um problema global, com suspeitas de que a Rússia tentou influenciar votos em pleitos recentes nos Estados Unidos, na Espanha, na França e no Reino Unido. Moscou sempre negou essas acusações.

Samidh Chakrabarti assegurou que o Facebook está a fazer o possível para o impedir. Nesta segunda, a rede social começou a testar para usuários nos Estados Unidos um novo formato que permitirá aos próprios usuários que classifiquem as fontes de notícias que consideram mais confiáveis.

Com mais de 2 bilhões de usuários, o Facebook é atualmente a maior rede social do mundo.

Fonte: http://www.portalimprensa.com.br

Quem decide quais os sites que você deve visitar?

Recentemente tem havido muita indignação justificada sobre “notícias falsas” e o fato de que muitas pessoas estão vivendo em uma câmara de eco online. Empresas como a Google utiliza o seu perfil para filtrar os resultados que mostram, com base no que eles pensam que são mais propensos a clicar em. Isto é comumente conhecido como o “Bubble Filter”.

É uma forma de censura corporativa que pode ser usado para influenciar a opinião pública (mesmo involuntariamente), tais como os resultados das eleições e outras questões políticas.

Quer saber mais sobre como você está sendo censurado? Confira a conversa TED por Eli Parsier. Não acho que alguém deve decidir quais informações você começa a ver!

BBC Brasil afirma que empresa usou perfis falsos em redes sociais para influenciar eleições

BBC Brasil

Uma reportagem realizada pela BBC Brasil e divulgada no dia 8/12 apontou que um “exército virtual” de perfis falsos foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente nas eleições de 2014.

De acordo com a reportagem, ao menos 13 políticos teriam sido beneficiados com a estratégia, entre eles senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

As evidências mostradas na reportagem, que teve investigação de mais de três meses, demonstram que a estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012.

A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio. De acordo com a matéria, os perfis, conhecidos como ciborgues, misturam pessoas reais e máquinas e criam um rastro de atividade mais difícil de detectar por computador, devido ao comportamento similar ao de humanos.

O empresário carioca Eduardo Trevisan, proprietário da Facemedia, registrada como Face Comunicação On Line Ltda, teria começado a mobilizar os perfis falsos, em 2012, contratando até 40 pessoas espalhadas pelo Brasil que administrariam as contas para atuar principalmente em campanhas políticas.

Intitulados de “ativadores”, estes funcionários recebiam perfis prontos da Facemedia, contendo foto, nome e história de cada um. Os funcionários alimentavam e dava prosseguimento à narrativa criada pela empresa, misturando publicações de caráter pessoal com posts de apoio aos políticos. O salário inicial de um controlador de perfis falsos ficava por volta de R$ 800 — nas eleições de 2014, o valor teria subido para R$ 2 mil.

Esta reportagem é a primeira da série Democracia Ciborgue, em que a BBC Brasil mergulha no universo dos fakes mercenários, que teriam sido usados por pelo menos uma empresa, mas que podem ser apenas a ponta do iceberg de um fenômeno que não preocupa apenas o Brasil, mas também o mundo.

A BBC Brasil procurou Trevisan. Por e-mail, o empresário afirmou que nunca criou perfil falso. “Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais”, disse. “Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados”, vaticinou.

Ainda segundo a reportagem da BBC, em 2009, Trevisan foi convidado para falar sobre o Twitter no programa de Ana Maria Braga na TV Globo. Ele também foi fonte de diversas matérias sobre a Lei Seca no Rio de Janeiro e em 2010 foi homenageado pela Câmara Municipal da capital fluminense.

A matéria da BBC traz dados sobre os pagamentos realizados pelos partidos a Facemedia, além de um roteiro utilizado pelos perfis nas redes e mais informações sobre os envolvidos. Leia a reportagem completa, aqui.

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Notícias falsas e pós-verdade: o mundo das fake news e da (des)informação

FakeNews - Art by: #DialisonCleberVitti

Vivemos numa avalanche de informações a cada segundo. O mundo inteiro está a um clique de distância. No celular, o whatsapp está o tempo todo alerta, com mensagens de amigos e de grupos sobre diversos temas; no Facebook, o painel de novidades – o newsfeed – está repleto de vídeos, notícias urgentes, postagens de páginas que você curte e comentários fazendo juízos de valor sobre qualquer assunto.Em meio a todo esse cenário, às vezes é difícil saber o que é verdadeiro ou não.

Nos últimos tempos, houve um aumento de notícias falsas, as famosas fake news, em inglês. Quantas vezes você sai falando sobre uma matéria de jornal e, na verdade, só leu a manchete? Quantas vezes você checa a informação que um colunista do qual você gosta publicou? Quantas vezes você assiste a um vídeo polêmico e o compartilha com seus amigos? Vamos conversar sobre o nosso mundo da (des)informação?

Fake news: afinal, o que são notícias falsas?

Notícias falsas sempre existiram, não é mesmo? Principalmente no ramo da política, onde não é novidade um candidato plantar uma informação sobre seu adversário para que ele perca votos ou que boatos sobre a vida privada dessas figuras sejam espalhados. Historicamente, diversas fake news foram disseminadas com determinados objetivos. Mas fiquem tranquilos, não estamos deduzindo isso: tiramos essa informação de uma entrevista do historiador Robert Darnton para a Folha de São Paulo.

O historiador Robert Darnton, que é professor emérito da Universidade Harvard , conta que as notícias falsas são relatadas pelo menos desde a Idade Antiga, do século 6: “Procópio foi um historiador bizantino do século 6 famoso por escrever a história do império de Justiniano. Mas ele também escreveu um texto secreto, chamado “Anekdota”, e ali ele espalhou “fake news”, arruinando completamente a reputação do imperador Justiniano e de outros. Era bem similar ao que aconteceu na campanha eleitoral americana”, diz Robert Darnton ao jornal Folha de São Paulo. Leia a entrevista completa aqui!

Notícias que aparentam ser verdadeiras, que em algum grau poderiam ser verdade ou que remontam situações para tentar se mostrar confiáveis: isso são as fake news que vemos atualmente. Por isso há de ser ter cuidado: as notícias falsas não são apenas aquelas extremamente irônicas, que têm o intuito de serem engraçadas e provocar o leitor. As notícias falsas atualmente buscam disseminar boatos e inverdades com informações que não estão 100% corretas sobre pessoas, partidos políticos, países, políticas públicas… Elas não vão aparentar ser mentira, ainda mais se nós acreditamos que elas podem ser verdadeiras – mas não são.

Isso se deve também a um fenômeno contemporâneo presente no mundo: a pós-verdade. Vamos entendê-la?

Pós-verdade: o que tem a ver com as notícias falsas?

Pós-verdade foi eleita a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford. De acordo com o Dicionário Oxford, pós-verdade é: um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais”. Um mundo com a pós-verdade é uma realidade em que acreditar, ter crença e fé de que algo é verdade é mais importante do que isso ser um fato realmente.

A explicação da palavra pós-verdade de acordo com o Oxford é de que o composto do prefixo “pós” não se refere apenas ao tempo seguinte a alguma situação ou evento – como pós-guerra, por exemplo –, mas sim a “pertencer a um momento em que o conceito específico se tornou irrelevante ou não é mais importante”. Neste caso, a verdade. Portanto, pós-verdade se refere ao momento em que a verdade já não é mais importante como já foi.

O termo pós-verdade já existe desde a última década, mas as avaliações do Dicionário Oxford perceberam um pico de uso da palavra exatamente no ano de 2016, no contexto do referendo de saída do Reino Unido da União Europeia – o Brexit – e das eleições estadunidenses. Além disso, é bastante usado com o termo política depois, então, pós-verdade política. Seu uso foi destacado durante esses eventos pois diversas notícias falsas foram publicadas em sites na internet, em páginas de Facebook, vídeos no Youtube e o público as absorveu como verdadeiras exatamente porque gostariam que fossem verdadeiras.

pós-verdade

Qual é o real impacto das notícias falsas no mundo e na política?

Dois acontecimentos que tiveram relevância internacional em 2016 foram o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – e as eleições presidenciais estadunidenses. Além de serem os principais motivos do crescente uso da palavra pós-verdade, também foram onde o próprio fenômeno das notícias falsas foi muito intenso.

Em se tratando de política e da polarização ideológica generalizada, as notícias falsas foram usadas para causar tumulto e reforçar posicionamentos – ou mesmo, acentuá-los. No caso do Brexit e das eleições, os nervos estavam ainda mais à flor da pele por serem assuntos determinantes ao futuro daqueles países.

Há de se considerar também que as redes sociais e seus algoritmos formam bolhas sociais – e também ideológicas. Esses algoritmos reúnem no seu painel de notícias do Facebook, por exemplo, as pessoas com que você mais interage e os assuntos mais pertinentes ao que você publica ou curte, assim como notícias, reportagens, vídeos e histórias sobre posicionamentos que você já endossa, também politicamente. O algoritmo, portanto, não dá lugar ao contraditório. A sua visão de mundo é confirmada repetidamente e, se um amigo seu compartilha uma “notícia”, mesmo que falsa, você pode acreditar. Esse fenômeno une a notícia falsa à pós-verdade e foi um episódio recorrente no Reino Unido e nos Estados Unidos em 2016.

Em 2016, 33 das 50 notícias falsas mais disseminadas no Facebook eram sobre a política nos Estados Unidos, muitas delas envolvendo as eleições e os candidatos à presidência. Durante a campanha presidencial, notícias falsas foram espalhadas sobre os dois candidatos: o republicano Donald Trump – depois eleito – e a democrata Hillary Clinton. No monitoramento de 115 notícias falsas pró-Trump e 41 pró-Hillary, os economistas Hunt Allcott e Matthew Gentzkow concluíram que as postagens pró-Trump foram compartilhadas 30 milhões de vezes, enquanto as pró-­Hillary 8 milhões.

Sobre Trump, a “notícia” de que o Papa Francisco havia apoiado sua candidatura e lançado um memorando a respeito foi a segunda maior notícia falsa sobre política mais republicada, comentada e a qual as pessoas reagiram no Facebook em 2016. Outra notícia falsa,  diretamente relacionada com Trump, afirmava que ele oferecia uma passagem de ida à África e ao México para quem queria sair dos Estados Unidos – a postagem obteve 802 mil interações no Facebook. Quando à Hillary Clinton, uma notícia falsa com alta interação no Facebook – 567 mil – foi de que um agente do FBI (órgão de investigação federal) que trabalhava no caso do vazamento de e-mails da candidata foi supostamente achado morto por causa de um possível suicídio.

Quanto ao Brexit, houve diversas informações truncadas disseminadas pela campanha Vote Leave – em tradução livre, “vote para sair” – para a saída do Reino Unido da União Europeia. As questões envolviam principalmente as políticas de imigração da UE e questões econômicas. O jornal The Independent reporta que um dos líderes da campanha pelo Brexit afirmou que mais 5 milhões de imigrantes iriam ao Reino Unido até 2030 por conta de uma licença dada a 88 milhões de pessoas para viver e trabalhar lá – uma informação que não tem fundo de verdade. Um dos pôsteres da campanha clamava: “Turquia (população de 76 milhões) está entrando na UE” – quando, na verdade, o pedido de entrada na UE pela Turquia é antigo e não mostra sinal de evolução.

Para as eleições de 2018, não se acredita que as notícias falsas poderão de fato mudar o resultado da eleição, como discutido num evento da Revista ÉPOCA. Mas é claro que os boatos enfraquecem e distraem a população do assunto que realmente importa: os planos de governo, as ideias de políticas públicas, o modelo de gestão… Essa questão é tão latente que até órgãos de defesa do governo federal, como o Ministério da Defesa e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), junto ao Tribunal Superior Eleitoral, preparam uma força-tarefa para combater as notícias falsas no período eleitoral em 2018.

Qual o papel da imprensa com as notícias falsas no mundo da pós-verdade?

Podemos dizer que o jornalismo sempre foi o canal que disseminava as notícias e conteúdos às pessoas, seja a respeito da sua própria comunidade ou sobre o mundo. Hoje há, porém, um ruído na relação entre os jornalistas, os meios de comunicação tradicionais e o público. Em alguns casos, o público não quer mais ser informado por apenas o que uma emissora de TV, de rádio ou jornal impresso têm vontade de veicular. Em outros, acredita-se que a cobertura de situações é parcial e partidária para algum lado.

Desde a massificação da internet, mas principalmente das redes sociais, não há mais filtro entre a informação e o público. O público pôde se emancipar da necessidade em se conectar com veículos tradicionais de informação e, portanto, há quem se informe somente pelas redes sociais e nunca abra um jornal. Aí reside o problema: muitas vezes são disseminadas informações inexatas, exageradas ou erradas de alguma maneira. Isso traz à tona a importância da imprensa, que tem a formação jornalística necessária para o combate a notícias falsas, pois envolve apuração dos fatos, a checagem de informações e as entrevistas com diversas partes envolvidas numa situação (pluralidade de fontes).

Em um estudo da USP sobre as “Eleições 2018 – Perspectivas da comunicação organizacional”, conclui-se que metade das empresas brasileiras não acredita que a imprensa está preparada para a cobertura das eleições de 2018. Por outro lado, a metade que acredita na capacidade da imprensa de cobrir as eleições do ano que vem o faz porque enxerga competência e tradição da mídia brasileira nesse tipo de cobertura.

O jornalismo tradicional, portanto, pode e deve encontrar novos formatos de conteúdo, inovar em suas abordagens para manter a sua credibilidade perante o público que já tem e adquirir o público que ainda não tem – exatamente a população que nasceu em meio à internet e às redes sociais. É papel de imprensa utilizar suas ferramentas para combater a disseminação das notícias falsas e da pós-verdade. Um dos meios para isso é a checagem de fatos feita em agências, redações e coletivos de jornalismo, sobre a qual você pode ler aqui!

Vamos combater notícias falsas?

Para evitar um mundo que vive na pós-verdade, precisamos combater e prevenir a disseminação de notícias falsas. A pesquisadora Claire Wardle, em um artigo no First Draft News, acredita que para combater de fato as fake news precisamos entender três pilares:

  • Os diferentes tipos de conteúdos que estão sendo criados e compartilhados.
  • As motivações de quem cria esse conteúdo;
  • As maneiras com que esse conteúdo é disseminado.

Passaremos por cada um desses pontos para, então, compreender algumas dicas sobre como podemos combater as notícias falsas.

7 tipos de notícias falsas que podemos identificar

Para sanar o primeiro item é identificar que tipo de conteúdos estão sendo criados e compartilhados, a jornalista Claire Wandle criou uma lista de 7 tipos de notícias falsas que podemos identificar e combater nas redes:

  1.   Sátira ou paródia: sem intenção de causar mal, mas tem potencial de enganar;
  2.   Falsa conexão: quando manchetes, imagens ou legendas dão falsas dicas do que é o conteúdo realmente;
  3.   Conteúdo enganoso: uso enganoso de uma informação para usá-la contra um assunto ou uma pessoa;
  4.   Falso contexto: quando um conteúdo genuíno é compartilhado com um contexto falso;
  5.   Conteúdo impostor: quando fontes (pessoas, organizações, entidades) têm seus nomes usados, mas com afirmações que não são suas;
  6.   Conteúdo manipulado: quando uma informação ou ideia verdadeira é manipulada para enganar o público;
  7.   Conteúdo fabricado: feito do zero, é 100% falso e construído com intuito de desinformar o público e causar algum mal.

Poderíamos dar exemplos de cada um desses itens, mas vamos nos ater a comentar o primeiro, da sátira utilizada sem o intuito de mal informar. No Brasil, há o portal Sensacionalista, que é muito conhecido e famoso. Ele tem o slogan: um jornal isento de verdade. A frase é, por si só, ambígua: pode significar que o jornal é realmente isento, objetivo e imparcial ou que ele é isento em publicar verdade, ou seja, publica mentiras. Esse segundo entendimento é o correto.

O Sensacionalista produz notícias falsas como se fossem verdadeiras, mas com o objetivo de construir críticas sobre acontecimentos mundiais por meio da ironia e da sátira, não de desinformar as pessoas. Mas apesar de todos esses fatores, pode haver confusão e o público considerar o seu conteúdo verídico.

Por que notícias falsas são feitas?

Há diversos fatores para a criação de notícias falsas. Alguns deles são a descrença na imprensa e a utilização das fake news como um negócio, para atingir objetivos de interesse próprio. Em estudos sobre os motivos pelos quais são feitas as fake news, chegou-se ao seguinte resultado: os motivos podem ser um jornalismo mal-feito; paródias, provocações ou intenção de “pregar peças”; paixão; partidarismo; lucro; influência política e propaganda.

Quanto ao lucro, por exemplo, os estudos se referem às notícias falsas terem se tornado um negócio. Há realmente quem lucre com esse advento, com ferramentas de propaganda gratuitas e com as manchetes chamadas de “iscas de clique”. Foi o caso de um brasileiro que chegou a fazer 100 mil reais mensais de lucro com sites de notícias falsas, segundo um mapeamento da  Folha de São Paulo.

A respeito da veiculação desses conteúdos, podemos dizer que são disseminados principalmente pela internet, por meio de redes sociais, portais falsos de notícias e grupos de aplicativos de mensagem, amplificados até por jornalistas que passam informações truncadas às pessoas. Outras notícias falsas são disseminadas por grupos diversos – de política, de religião, de crenças variadas – que fazem comunidades, páginas de Facebook e sites para compartilhar suas crenças e (des)informar as pessoas de acordo com sua fé. Existem também outras maneiras mais sofisticadas, em que há uso de robôs e mecanismos da internet próprios para disseminar conteúdos falsos.

Dicas para verificar se uma notícia é ou não falsa

A Federação Internacional das Associações e Instituições de bibliotecária (IFLA) publicou dicas para ajudar as pessoas a identificarem notícias falas. Elas são:

  • Considere a fonte da informação: tente entender sua missão e propósito olhando para outras publicações do site;
  • Leia além do título: títulos chamam atenção, mas não contam a história completa;
  • Cheque os autores: verifique se eles realmente existem e são confiáveis;
  • Procure fontes de apoio: ache outras fontes que confirmem as notícias;
  • Cheque a data da publicação: veja se a história ainda é relevante e está atualizada;
  • Questione se é uma piada: o texto pode ser uma sátira;
  • Revise seus preconceitos: seus ideais podem estar afetando seu julgamento;
  • Consulte especialistas: procure uma confirmação de pessoas independentes com conhecimento;

Pronto, agora você entendeu o que é notícia falsa, de que maneira ela pode aparecer para você, os motivos pelos quais elas são feitas e ainda fazer um trabalho individual de checagem de informação para não repassar boatos por aí.

Referências

Historiador Robert Darnton – entrevista Folha de S. Paulo; “Fake news viraram um grande negócio” – Revista Época; Imprensa brasileira na cobertura das eleições de 2018 – Revista Época; O que são as fake news – Professor Doutor Diogo Rais (Mackenzie); Fake news: o novo espetáculo – João Pedro Piragibe, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Mackenzie); Blog Watch – Fake News Types; First draft news – Claire Wardle – 7 types of fake news; 6 tipos de fake news nas eleições dos EUA em 2016 – Claire Wardle – Columbia Journalism; O mundo das fake news – El País; Pós-verdade – Dicionário OxfordFact-check.org – Papa Francisco endossou Donald Trump?Estadão – TSE, Abin e Defesa combatem fake newsNew York Times – Como fake news se espalhamThe Guardian – Fake news ajudaram Trump a se eleger;  Buzzfeed News – Top Fake News 2016Relação Turquia e União Europeia – ExameO império da pós-verdade – Época;

Você acha que é possível as pessoas saírem da realidade da pós-verdade e realmente se importarem com a veracidade dos conteúdos que consomem? Deixe seu comentário!

Fonte: Politize! Escrito por Carla Mereles, estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize.

Icnográfico POLITIZE Fake News

O circulo vicioso das fake news e o futuro do jornalismo

Fake News dcvitti

Nos dias atuais, a mídia está muito presente na vida das pessoas, principalmente com a expansão da internet, que de certa forma aumentou o conteúdo comunicacional e as plataformas voltadas para a comunicação. Porém esse boom da expansão midiática não trouxe apenas pontos positivos para a área. A exigência da instantaneidade leva a uma apuração nem sempre com qualidade, o excesso de informação está deixando a sociedade confusa pelo fato de ter aumentado a divulgação de notícias falsas (fake news) como se fossem verdadeiras, ou seja, há muito menos questionamentos, além disso, as redações estão cada vez mais enxutas e os profissionais da área perdem noites de sono com medo das crescentes demissões. O grande número de demissões, as notícias falsas e o excesso de factualidade são os principais problemas que causaram uma crise na mídia contemporânea e que devem ser discutidos a seguir.

A mídia contemporânea obriga o jornalista à factualidade. Se por um lado isso deixa o consumidor da notícia informado de forma mais rápida sobre determinado fato ou serviço, por outro a apuração pode ser mal feita e acontecer uma divulgação de notícia que não seja verdadeira. Existe uma possibilidade cada vez menor de aprofundamento do conteúdo, já que há uma corrida para informar o fato o mais rápido possível. A preocupação com a qualidade da informação continua sendo importante, porém pode passar a ser secundária.

Outra mudança que essa instantaneidade pode trazer é a notícia cada vez mais curta, o que podemos classificar como uma twittertização do conteúdo jornalístico. Mesmo que a apuração apresente poucos fatos interessantes, existe a necessidade de jogar esse conteúdo o mais rápido possível na rede de informações. Além disso, o repórter pode acabar divulgando algo que foi dito de uma fonte questionável e acaba se perdendo no fluxo de informações. Mas a necessidade do factual exigida pelas empresas deixa a reflexão menor, pois tudo tem que ser feito em um curto espaço de tempo para atender a um público que exige mais velocidade em relação à qualidade. Começa a aparecer um público cada vez menos crítico e a notícia curta cria o costume de ler muito menos do que antigamente.

As novas tecnologias de mídia contemporânea também permitem uma atualização da informação de forma mais simples, o que exige ainda mais essa factualidade. É mais fácil levar novidade ao público e tudo pode ser alterado em questão de segundos. A longo prazo isso pode causar um certo relaxamento na apuração da notícia antes dela ser divulgada já que ela pode ser alterada e atualizada em pouco tempo. Uma informação com pouco conteúdo pode ser jogada na rede somente para gerar cliques e dar a sensação ao público de que ele está sendo bem informado naquele veículo somente pelo fator da notícia instantânea.

Fake news e excesso de informação

Por incrível que pareça, um dos motivos da crise da mídia contemporânea é o excesso de informações. Os veículos midiáticos atuais podem até ter trazido uma certa pluralidade e diferentes visões ideológicas sobre determinados acontecimentos; porém, em meio a tantas informações, o público acabou se perdendo sobre o que é verdadeiro e falso. Isso gerou uma indústria chamada fake news onde informações falsas com apelo emocional ganham um grande público que difunde as ideias sem contestar aquilo que foi divulgado e espalham boatos que colaboram com a crise na mídia contemporânea.

A questão da fake news gera uma crise tanto na mídia atual quanto na sociedade em geral, a prática da difusão de boatos pode se tornar cultural a longo prazo empobrecendo o debate racional e acabar sendo uma concorrência do jornalismo sério, já que os boatos tem uma grande repercussão e muitas vezes o público acaba achando mais interessante do que as informações com mais credibilidade. Esse é um fator da crise da mídia contemporânea que não será combatido de maneira simples já que hoje é mais fácil pessoas com péssimas intenções criarem seu próprio canal de comunicação.O assunto do fake news já foi até tema de discussão da ONU (Organização das Nações Unidas). De acordo com o site da Agência Brasil, no dia 3 de março deste ano, relatores da instituição disseram que esse tipo de notícia representa uma preocupação global e pode ser um risco de violência contra o jornalismo e um motivo de desconfiança pública nos jornalistas. Podemos notar que essa indústria do fake news pode ter sido uma das principais responsáveis pela crise da mídia contemporânea, já que isso diminui a credibilidade dos conteúdos midiáticos. Até a rede social Facebook se preocupou e no dia 12 de janeiro lançou o “Projeto Jornalismo” com o intuito de combater notícias falsas, porém sempre é bom desconfiarmos das intenções dessa preocupação.

O futuro

A mídia não conseguiu fugir das ondas de demissões causadas pela crise econômica no Brasil e isso é mais um ponto importante para citarmos como fator da crise da mídia contemporânea. Com redações mais enxutas, os profissionais estão ficando carregados demais e o cansaço pode gerar uma queda de qualidade da mídia. As demissões também se tornam um fator para que cada vez menos pessoas tenham o desejo de seguir a carreira na mídia, já que há a sensação de pouco mercado de trabalho, além das pessoas perdendo o emprego, também tem veículos que deixam de circular e o jornalismo de credibilidade vai perdendo espaço para os fake news, aumentando a crise da mídia contemporânea. Todas essas dificuldades podem afetar também as faculdades voltadas à comunicação.

O ano de 2016 não foi nada legal para profissionais da mídia. De acordo com a IVC (Instituto Verificador de Circulação), houve uma queda de 8% a 15% dos na circulação dos maiores jornais do país no primeiro semestre em relação ao ano anterior. Já o site ABI online registrou ao longo do ano passado o fechamento de aproximadamente 15 veículos de mídias tradicionais como rádio, TV e jornais impressos. No estado de São Paulo, os dados do Sindicato dos Jornalistas Profissionais indicaram que em 2016 houve demissão de 581 profissionais. Dados nada animadores para profissionais da mídia atual e que mostram a crise na mídia.

Não há tantos motivos para acreditar que a mídia contemporânea possa melhorar futuramente. A tentação do público pelo fake news, a preferência pela velocidade da notícia ao invés da qualidade e as demissões nas redações provam que a mídia contemporânea está cheia de problemas. Tudo isso gera um círculo vicioso, já que o fake news atraindo mais interesse do público pode ocupar o espaço das mídias contemporâneas de grande credibilidade, com isso o público ficará cada vez menos crítico e aceitará qualquer coisa como verdade diminuindo o papel do jornalista, a diminuição da figura jornalística irá gerar uma falta de interesse pela área e assim veremos menos profissionais que queiram seguir essa carreira. A crise e a queda de qualidade da mídia contemporânea só devem diminuir após trabalhos e estudos de longo prazo ou com uma educação midiática nas escolas.

Resta aos profissionais da área lutarem a cada dia para mudar um pouco a realidade.

Por Lucas Souza Dorta, estudante de Jornalismo. Extraído do portal Observatório da Imprensa.