O golpe e a soberania

Temer entrega o controle da Embraer para Boing

A decisão do governo Temer em entregar o controle da Embraer à empresa norte-americana Boing é questionada por políticos da oposição, que criticam o argumento de que os novos donos ficariam com apenas 51% da ex-estatal brasileira, o que representa a perda de controle num dos setores-chave para a soberania do Brasil.

A Embraer foi privatizada em dezembro de 1994, no final do governo Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso já eleito. Por se tratar de uma empresa estratégica nos setores de defesa e desenvolvimento tecnológico, inclusive de uso militar, o governo detém o chamado golden share, espécie de ação nas mãos do governo que teria o poder de vetar transações desse tipo.

A presidenta eleita Dilma Rousseff disse, na segunda-feira (26/02), que Temer vende o Brasil “pedaço por pedaço”, classificou como “desfaçatez absoluta” o discurso do governo e destacou o óbvio, que com 51% do controle acionário os americanos passaram a mandar na nova empresa a ser criada.

“Parece piada”, disse o ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores Celso Amorim. Ele também afirmou que a separação entre a parte militar e a comercial o governo alega que o setor militar ficaria livre do controle da Boing é outro argumento “ilusório” e “nocivo”. “As mesmas aeronaves utilizadas na aviação regional são utilizadas como ‘plataforma’ para os radares aerotransportados. E por aí vai”, detalhou.

Aloizio Mercadante, que já foi ministro da Educação, da Casa Civil e de Ciência e Tecnologia, reagiu indignado à venda da Embraer. “Essa venda sinaliza que o golpe fez um realinhamento geoestratégico, que coloca a política defesa do Brasil na órbita dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos. O governo golpista poderia ter vetado essa desnacionalização, com uso da golden share em poder da União. Contudo, preferiu, mais uma vez, submeter-se aos desejos de uma potência estrangeira. Com tal venda, o Brasil perde a sua principal empresa de alta tecnologia”, disse ele.

Houve um golpe muito bem articulado (a direita só consegue sobreviver através de golpes) para introduzir uma ideia completamente infundada de que empresas estatais “lesam o povo brasileiro com toda sua burocracia e ineficiência econômica”. Será que alguém se lembra da Vale do Rio Doce, hoje conhecida apenas por “Vale”, e de seu inescrupuloso processo de venda?

A empresa, que foi taxada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como “estatal ineficiente” era a maior empresa estratégica do Brasil e apresentava em suas reservas minerais valores que ultrapassavam os R$ 100 bilhões em 1997. Foi vendida por R$ 3,3 bilhões. Inacreditáveis 3,3% do seu valor de suas reservas.

O mesmo aconteceu com a Eletropaulo, maior distribuidor de energia da América Latina. A controvertida privatização da Eletropaulo em 1998, resultou em uma CPI e várias ações populares. Os benefícios para os usuários nunca ficaram evidentes. A compra foi por parte da companhia americana AES e foi parcialmente financiada pelo BNDES, totalizando R$ 2 bilhões.

A avaliação constatou que a empresa deveria ser vendida por algo em torno de R$ 22 bilhões. Ou seja, a AES comprou uma propriedade do Estado brasileiro, com dinheiro do Estado brasileiro, não pagou a dívida pois o BNDES converteu US$ 1,3 bilhão do saldo devedor em ações e debêntures e ficou com o lucro.

Foi igual com uma suposta Petrobrax (A estatal Petrobras, maior empresa do país e terceira maior da América Latina, quase mudou para PetroBrax no governo de FHC). E lá se foram Usiminas, Açominas, Banestado, Embratel, Light S.A, TELERJ, Rede Ferroviária Federal e tantas outras.

A entrega da soberania nacional e suas privatizações forçadas, a partir do início da década de 1990, tiveram como seu maior mentor Fernando Henrique Cardoso. Prática que está sendo retomada pelo governo golpista.

O Brasil vive um momento extremamente delicado e nunca precisou tanto de seus filhos como agora. O Executivo é ilegítimo. O Legislativo é corrupto e corruptor, legislando em causa própria. Por sua vez, o Judiciário vem se apresentando como a nova forma de engendrar golpes em países democráticos. O fuzil deu lugar à toga.

Agora, com Temer na presidência, colocando em prática um programa de governo do PSDB, que foi recusado nas urnas, se faz necessário refletir sobre que tipo de país ou resto de país será deixado para o futuro.

Temer entrega o controle da Embraer para Boing

Confira outros destaques

1. Nota do PT: Invasão da casa de Wagner é perseguição política
A invasão da residência do ex-governador Jaques Wagner por agentes da Polícia Federal, na manhã de segunda-feira (26) é mais um episódio da campanha de perseguição contra o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças.A sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT e até os advogados que defendem nossas lideranças e denunciam a politização do Judiciário. A escalada do arbítrio está diretamente relacionada ao crescimento da pré-candidatura do ex-presidente Lula, nas pesquisas, nas manifestações populares, nas caravanas de Lula pelo Brasil. Quanto mais Lula avança, mais tentam nos atingir com mentiras e operações midiáticas. Nossa solidariedade ao companheiro Jaques Wagner e sua família. Por Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores.

2. Defesa de Lula desmente fake news do Estadão sobre laudo da PF
Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, advogados do ex-presidente Lula, divulgaram no domingo (25/02) uma nota na qual apontam erros factuais de reportagem do jornal O Estado de São Paulo, reproduzida pelo portal UOL e diversos outros sites. No texto, os defensores de Lula reiteram que o Instituto Lula funciona desde 1991 no mesmo imóvel. O ex-Presidente Lula não solicitou ou recebeu da Odebrecht ou de qualquer outra empresa imóvel destinado à instalação daquela instituição. É factualmente incorreta a reportagem intitulada Laudo autentica provas no caso do Instituto Lula, distribuída pela Agência Estado. Ao contrário do que afirma a reportagem, o laudo entregue pela Polícia Federal na última sexta-feira (23/02) não confirmou a existência de qualquer documento que vincule o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a contratos da Petrobras e muito menos ao recebimento de qualquer imóvel para o Instituto Lula ou para a sua moradia, ao contrário do que afirmou a acusação. Leia mais aqui.

3. Temer coloca general no Ministério da Defesa
O presidente Michel Temer escolheu o ministro Raul Jungmann para assumir o novo ministério da Segurança Pública. A decisão foi tomada no domingo e o anúncio foi feito na segunda-feira, 26/02. O ministério será criado por Medida Provisória. No lugar de Jungmann na Defesa, assume o general Joaquim Silva e Luna, atual secretário-geral da pasta. Ele foi chefe do Estado Maior do Exército e é general do Exército da reserva. Desde que o Ministério da Defesa foi criado, no governo de Fernando Henrique Cardoso, esta será a primeira vez que um militar assumirá a Defesa. Leia mais aqui.

4. Polícia Federal e MPF se transformaram em suporte do PSDB?
A invasão da casa do ex-governador Jaques Wagner, sem que nenhuma acusação forte contra o petista tenha sido feita, mostra que a Polícia Federal deve explicações aos brasileiros: afinal, transformou-se em suporte do PSDB? A mesma questão deve ser feita ao Ministério Público, sobretudo aos procuradores da Lava Jato. Na semana passada, graças à Justiça da Suíça, descobriu-se que o ex-tesoureiro de campanhas do PSDB, Paulo Preto, tem R$ 113 milhões em contas bancárias naquele pequeno país europeu. O que tem feito os procuradores, o Judiciário em geral e a Polícia Federal em particular? Nada! O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari, por outro lado está preso há um bom tempo pelo juiz Sergio Moro. Foi inocentado na única acusação que foi a julgamento em segunda instância até agora. Para Moro, contudo, precisa continuar preso. Leia mais aqui.

5. Filme sobre golpe ganha prêmio do público em Berlim
O documentário “O Processo”, que narra os bastidores da conspiração de políticos corruptos contra a presidente honesta Dilma Rousseff, venceu o prêmio do público no Festival de Berlim, um dos maiores do cinema mundial, na mostra Panorama, da qual participava. A premiação foi anunciada na tarde de sábado (24/02) e foi comemorada pela diretora Maria Augusta Ramos. Quando foi exibido durante a semana no Festival, o filme deu mostra de sua força junto ao público. Assim que subiram os letreiros, a plateia passou a aplaudir de pé, com sonoros gritos de Fora Temer, referindo-se ao presidente golpista que assumiu após a retirada da presidenta eleita do poder. Leia mais aqui.

6. Paraíba e Amazonas também terão curso sobre o golpe de 2016
A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vai oferecer um curso sobre o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil com o mesmo programa do que será ministrado no curso de graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). A Universidade Federal do Amazonas, irá ofertar no primeiro semestre a disciplina História do Brasil IV, discutindo Golpes de Estado, autoritarismo e repressão no Brasil Republicano. A Unicamp também ministra um curso sobre o golpe de 2016. Ainda em fevereiro, o professor Luís Felipe Miguel, da UnB anunciou a criação do curso: O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil. A reação do ministro golpista da Educação Mendonça Filho foi ameaçar acionar o Ministério Público Federal (MPF), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar a disciplina. Leia mais aqui.

7. México também colocou Exército nas ruas e viu o fracasso
Adotando política comparável ao golpista Michel Temer com a intervenção federal na Segurança Pública no Rio de Janeiro, o México viveu situação similar, quando o então presidente Felipe Calderón decidiu enviar os soldados às ruas para a expectativa, depois vista como fracassada, de conter a violência. A parte os contextos e históricos políticos diferentes, a comparação com outros países da América Latina ajuda a entender as consequências e resultados de medidas punitivas para combater a violência. Reportagem do El País recuperou o que o país latino-americano vivenciou após mais de 10 anos com o exército realizando medidas de segurança. Leia mais aqui.

8. Ex-prefeito de Londres denuncia envolvimento americano em caça a Lula
O ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone, fez uma declaração de apoio à Lula, na segunda-feira (26/02), e disse ainda desconfiar da participação americana na perseguição ao ex-presidente. Eu suspeito que, assim como aconteceu por décadas e décadas no Brasil e em vários países da América Latina, os EUA estão mais uma vez por trás da queda do governo progressista brasileiro, assim como estiveram por trás da queda dos governos da Argentina e do Chile e de vários outros países. Livingstone disse lembrar de se encontrar com Lula quando ele era presidente do Brasil, depois de anos de governos corruptos, e vê-lo tirar milhões de pessoas da pobreza. Leia mais aqui.

Fonte: ENFPT – Escola Nacional de Formação do PT

Embraer e Boing

Anúncios

Carta de um trabalhador do setor elétrico aos demais companheiros de luta

Trabalhador do setor elétrico

Estamos em 2017, ano pós-golpe parlamentar ocorrido em 17/04/2016. Desde que tudo começou tínhamos a sensação de que de alguma forma, nós do setor elétrico seríamos duramente afetados. O fantasma da privatização promovido na Eletrosul no período FHC, marcou a vida profissional de muitos trabalhadores que foram demitidos, perseguidos e tiveram suas vidas totalmente desconfiguradas naquele período.

Em poucos, lutamos contra o golpe com unhas e dentes. Mas ele aconteceu, perdemos aquela batalha triste de Abril de 2016. Sofremos intensamente quando a presidenta eleita Dilma Vana Rousseff foi afastada por uma corja golpista e corrupta. Os desdobramentos da Lava Jato, operação policial e judicial que acabou com a soberania do nosso país, chegou nos aliados do temer e o golpe foi iniciado. O golpe, teve como um dos pilares a intenção de parte dos parlamentares de se salvarem da cadeia e isso está registrado na história recente e triste do nosso país.

Depois, estes mesmos poucos, lutamos contra a PEC da morte, desmonte das leis trabalhistas, dos correios, da Petrobras, direitos dos quilombolas e contra tantos outros malefícios que este governo sem legitimidade está implantando no nosso país. Agora, estamos lutando pelo setor elétrico, neste momento em que a onda de choque do golpe atinge nossas empresas como um tsunami atinge o litoral. Gostaria de dialogar de forma franca e aberta informando o que realmente acontece, oferecendo a oportunidade de contraponto ao que a mídia corrompida difunde diariamente contra nós.

O que o setor privado quer implantar no país, é um modelo onde o estado mínimo é a principal característica. O desmonte do setor elétrico é primordial para que consigam eliminar a possibilidade do estado regular, controlar e proteger o setor de energia elétrica, pilar principal da soberania do país.

É mentira que a MP579 editada pela presidenta Dilma acabou com o setor elétrico. A MP579 veio para prorrogar as concessões das empresas do governo que venceriam em 2015, causando uma desoneração forçada de igual ou maior tamanho da que foi feita. Tal prorrogação impediu que o setor sofresse com um desmonte já em 2015. Naquela ocasião, o governo federal cortou a receita das empresas proporcionando uma redução de tarifa para a população. Tal redução só não foi tão percebida devido à crise hídrica ocorrida em 2014, que forçou o setor a usar o potencial termelétrico que custa bem mais caro.

Hoje, o modelo sancionado pelo presidente Lula em 2014, através da lei 10.848/2004, está baseado em três pilares: modicidade tarifária, universalização e garantia de fornecimento. A modicidade tarifária é praticada através de vários mecanismos que permitem forçar o custo para baixo, sendo o preço praticado o menor possível. São realizados leilões de usinas e de linhas de transmissão, onde vence quem oferece o menor preço. No período de 2002 a 2014, as empresas do grupo Eletrobrás foram as que mais ofereceram deságio para o setor elétrico, aumentando a eficiência ano após ano através da competência, experiência e vontade que desse certo de todos os empregados das suas subsidiárias.

A universalização é garantida pelos programas sociais do estado, que através de subsídios, garantem energia para as populações mais distantes dos grandes centros. A agricultura familiar foi amplamente fortalecida e beneficiada neste período com programas como Luz Para Todos que erradicou em Santa Catarina a falta de acesso das pessoas a energia elétrica. As concessionárias também recebem subsídio, sendo a energia garantida a todas as pessoas de baixa renda.

A garantia de fornecimento, é realizada por programas de investimento como PAC, financiamentos do BNDES e de um planejamento que permite que o setor ante na frente da demanda necessária para o crescimento e consequente desenvolvimento do nosso querido Brasil.

O governo golpista, quer através de duas consultas públicas MME 5/2017 e MME 33/2017, legitimar de forma rápida e rasteira a total alteração neste modelo de eficiência e sucesso no Brasil. Cabe ressaltar que as consultas públicas não terão o caráter a que se destinam, sendo consideradas somente como cumpridoras formais. A pretensão do governo é editar uma medida provisória alterando todo o modelo, que carecia de ajustes, mas não de uma transformação tão profunda e desastrosa.

A alteração proposta acaba com a modicidade tarifária, colocando no lugar a liberdade de mercado e comercialização. Esta medida irresponsável vai afetar todos os brasileiros e brasileiras que dependem da energia elétrica. A energia com o preço liberado e controlado tão somente pelo mercado, pode subir a exemplo da Argentina onde passou a custar 700% mais. Com o aumento do preço da energia, poderemos ter racionamento em escolas, hospitais, universidades, aumento dos preços de tarifas de todos os demais serviços que dependem da energia elétrica para se viabilizarem. Só para se ter uma ideia, a energia será comercializada em uma “bolsa de energia” e o preço será definido hora a hora ao longo do dia. Exemplo mais parecido com isso é o da Colômbia, onde o preço é por dia, ou seja, cada dia da semana o preço tem um valor diferente do outro. Será um desastre. Imagine-se tomando banho de madrugada porque a energia no horário chamado de ponta 18h às 22h tenderá a custar mais por causa da elevada demanda neste período do dia.

A universalização é atacada quando o governo através desta MP inconsequente, acaba com o os subsídios, sejam eles da natureza que for. As concessionárias e cooperativas, que atendem a população mais carente e as famílias que vivem longe dos grandes centros urbanos serão afetadas, uma vez que a viabilidade da sua sobrevivência depende destes incentivos.

Com o preço liberado, a bolsa de energia implantada, a energia sendo precificada por hora e as empresas sendo vendidas para o mercado, terá sido implantado o caos energético neste importante recurso tecnológico e estratégico para o país. Outra medida catastrófica é a liberação de toda pesquisa desenvolvida no CEPEL até então para o setor privado. O conhecimento gerado pelos profissionais ao longo de anos de pesquisa será liberado sem qualquer custo ao setor privado, sendo considerado um saque à nação e ao povo brasileiro. Bem sabemos o valor incalculável do conhecimento. Esta entrega significa mais que isso, significa mais um ataque ao patrimônio nacional.

A privatização da Eletrobras, anunciada pelo ministro de minas e energia do governo golpista dia 21/08 terá como efeito imediato o aumento da energia para a população. Cerca de 20% a 30% da energia custa R$11,00 para ser gerada nas empresas estatais, dependendo da hidrologia do país. Cerca de 20% da energia custa em torno de R$40,00 pelo MW gerado nas empresas estatais. Com a venda para o mercado esta energia passa a custar R$200,00 pelo menos. É só verificar o preço no mercado livre de energia.

Precisamos mobilizar nossa população para defender a soberania, o preço, o patrimônio do povo e os empregados que garantem o funcionamento deste importante serviço para a população brasileira.

Nenhuma alteração deve ser realizada de forma tão profunda e por mais acertada que fosse (que não é), poderia causar danos irreparáveis no setor elétrico.

Tiago Bitencourt Vergara
Florianópolis, 23 de agosto de 2017

Posse do presidente Lula, em 2013

Posse do presidente Lula em 2013

Lula e Alencar subindo a rampa do Palácio do Planalto em 2003. De costas, FHC. Lula foi simplesmente o melhor presidente da história do Brasil. E quem acha o contrário da minha opinião está com problema de enxergar a realidade ou então é mais um daqueles que estiveram 7 anos torcendo contra o Brasil, ou seja, quanto pior melhor. O fato é que nunca houve, no Brasil, tantas oportunidades para os mais carentes e para os jovens! Eu quase fui a pose do Lula em Brasília, faltou um pouquinho de grana, se empenhasse um pouco mais, estaria em Brasília no dia primeiro testemunhando este que foi um dos maiores fatos políticos de nossa história, mas como não fui, acompanhei ao vivo pela televisão.

 

Entenda como e por que Serra afundaria o Brasil na crise mundial

Porque não devemos voltar ao tenebroso passado. Vá no Google e digite: FHC CIA NED. Este vídeo traça uma cronologia da crise mundial (2008-2009) sob a ótica da imprensa brasileira e da oposição ao governo Lula.

O comparativo dos governos de FHC x LULA

O livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior intitulado “A Privataria Tucana” pode representar o fim da carreira política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador do Estado de São Paulo, José Serra, um dos principais participantes do governo FHC na era das grandes privatizações, haja vista que ocupou a função de Ministro do Planejamento e, em seguida, Ministro da Saúde. O vídeo é sugestão do jornalista Paulo Henrique Amorim entrevista autor do livro da obra investigativo.

Uma coisa que me deixa puto é esse lance de piratear obras literárias sem autorização e disponibilizar na rede como mais um link. Desculpem amigos, mas temos que dar e ser o exemplo. Sou contra a pirataria e esse link do livro publicado no 4Shared é algo desonesto para aqueles que lutam por justiça neste país e principalmente aos patronos da ética. Caro ou não, temos que adquirir o livro com a intensão de financiarmos esses autores iluminados a produzirem outros tantos livros valiosos como esse. Esse link não é legal e me recuso a divulga-lo! Eu comprei o meu e recomendo.

Um salve o jornalismo investigativo e parabéns Amaury pelo livro.

Crise exige nova vanguarda social, despida de ilusão com o pacto formado pelo lulismo

Os artigos que de forma regular escrevo sobre a economia brasileira são publicados, generosamente, entre outros veículos, pelo Correio da Cidadania, portal de informações, matérias jornalísticas e opiniões extremamente úteis para todos os interessados em conhecer pontos de vista alternativos ao que, em geral, encontramos na chamada mídia dominante.

Claudio Campos, leitor desse portal, me agradece pelas minhas contribuições, mas, lembrando que no dia 23 de setembro ele passou “oficialmente a idoso”, me indaga, frente ao meu artigo da semana passada (O dólar sobe), qual a saída que temos. Ele, me parece, está muito mais preocupado em encontrar alternativas para o impasse que vivemos do que em meras considerações sobre a marcha do dia-a-dia da economia.

O leitor tem razão. A análise da economia, bem como das demais ações desenvolvidas pelo governo, sob o prisma da política, e dentro de uma perspectiva transformadora, deve ser apenas um instrumento para melhor auxiliar a todos os que lutam por uma nova ordem.

Nova ordem em favor dos trabalhadores e demais setores sociais que percebem a contradição entre a dinâmica de funcionamento do capitalismo, seus valores e as necessidades de vida das maiorias, especialmente frente à perigosa crise que vivemos.

Sou de opinião favorável à mudança substantiva da política macroeconômica. A macroeconomia que temos é a recomendada por bancos e transnacionais. Perdura, em suas linhas gerais, desde janeiro de 1999, quando a primeira fase do Plano Real sucumbiu, com a tentativa de se manter a nova moeda atrelada ao dólar. Desde então, com a interferência do FMI, passamos a adotar o câmbio flutuante, metas fiscais de superávit primário e, como referência à política monetária, o sistema de metas de inflação.

Sem prejuízo de outras reformas que se fazem absolutamente necessárias – como a tributária, a agrária, a dos serviços públicos e a da previdência (em uma perspectiva totalmente distinta da defendida pelos liberais) –, precisaríamos de uma macroeconomia que colocasse o crescimento econômico, a geração de empregos de qualidade, o fortalecimento da produção nacional e a distribuição de renda e riqueza como objetivos maiores a serem alcançados.

A dificuldade que encontramos hoje, aqui no Brasil, começa pelo fato de não existir concordância, ou reconhecimento, sobre a grave crise em que estamos mergulhados. Ao contrário, catapultados pela mídia dominante nativa e internacional, os governos de Lula e Dilma são avaliados positivamente e responsabilizados pelo que chamam de “emergência do país no cenário internacional”. A política econômica, naturalmente, e o Programa Bolsa-Família são apresentados como exemplos de políticas bem sucedidas e que colocariam o Brasil, finalmente, na rota de um desenvolvimento “sustentável”.

Da nativa TV Globo ao jornal londrino Financial Times, os elogios são rasgados. O ex-presidente Lula, por exemplo, é levado por várias corporações internacionais, especialmente do mundo financeiro, para os quatros cantos da Terra, onde promove palestras regiamente remuneradas e transmite um pouco da sua “exitosa” gestão presidencial.

No campo da economia, o acelerado processo de endividamento do Estado, das famílias e das empresas, especialmente no mercado externo, é minimizado – ou mesmo negado. A desnacionalização do parque produtivo e a crescente dependência do país, para o seu financiamento externo, da exportação de commodities agrícolas e minerais ou da atração de recursos financeiros da especulação internacional são consideradas normais.

No plano social, a falência das políticas sociais de educação e de saúde, por exemplo, parece não ter importância alguma. E a crise de mobilidade urbana das nossas grandes cidades, sufocadas pelo automóvel e carentes de transportes públicos de massa, também é desconsiderada.

Caso nos voltemos para a esfera institucional, as notícias dos jornais falam por si só. Integrantes da cúpula do Poder Judiciário se insurgem contra a corregedora do Conselho Nacional de Justiça, por conta de uma corajosa declaração da magistrada, apontando a existência de “bandidos escondidos atrás da toga”. O mandante da morte da juíza Patrícia Acioli, recentemente assassinada aqui no Rio, teria sido, de acordo com a própria polícia, o ex-comandante do Batalhão da PM de S. Gonçalo, quartel investigado pela juíza, por conta de um conjunto de crimes praticados por integrantes daquela unidade.

E no plano do Poder Legislativo, o presidente da Câmara se apressa para tentar justificar uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça que, com apenas dois parlamentares presentes, aprovou, em três minutos, 118 projetos. Em tempo: a referida sessão aprovou outorgas e renovações de rádios e TVs, outra verdadeira bandalha que institucionaliza o universo dos meios de comunicação de massa, dependentes de concessão pública.

Portanto, para aqueles que reivindicam uma saída para o impasse em que vivemos, uma primeira tarefa seria conseguir criar uma massa crítica de informações, capaz de desvendar essa realidade ocultada das maiorias, ao menos para setores de uma vanguarda social, disposta a enfrentar as duras batalhas que temos à frente.

Contudo, e esse me parece o problema mais grave, esses setores da vanguarda social, em sua maioria, se encontram absolutamente iludidos – ou cooptados – pelo pacto social forjado pelo lulismo.

O pacto social lulista trouxe novos atores para o interior do bloco de poder original que sustentou o Plano Real, formado por bancos e transnacionais. O chamado agronegócio e uma elite de trabalhadores vinculados aos fundos de pensão fechados, junto com os partidos que eram de esquerda e criticavam anteriormente o modelo neoliberal, passaram a fortalecer a opção adotada pelas elites dominantes, a partir dos anos 90.

É esse processo que explica – e justifica – o fato de um parlamentar como Aldo Rebelo, do PCdoB, ser festejado pela senadora Kátia Abreu, expoente política do latifúndio produtivo; ou Bresser Pereira, o estrategista da reforma administrativa de FHC, exercitar contorcionismos pseudo-teóricos para defender o modelo dos bancos e das transnacionais, sob gestão do lulismo, como “neo-desenvolvimentista”.

Desse modo, uma segunda tarefa, simultânea à primeira, seria reconfigurar uma nova vanguarda social, despida de qualquer ilusão com o lulismo e capaz de reinterpretar o diagnóstico da crise em que nos encontramos mergulhados, estabelecendo novos objetivos de luta e organização do povo. E esta não é uma tarefa das mais simples.

Estamos em um tempo de plena hegemonia do regime do capital e, aqui no Brasil, vivemos esse paradoxo da metamorfose política da ex-esquerda. Recolocar a luta social e política em um novo plano demandará tempo. Tempo político, distinto do tempo cronológico, mas tempo. Tempo onde a perseverança e a firmeza de princípios, junto com criatividade política e o conhecimento da realidade em permanente mutação, se farão, mais que nunca, necessários.

Escrito por Paulo Passarinho é economista e membro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.

Será que FHC fumou um baseado?

Enfim, precisou um “velhinho” de 80 anos ter a coragem de vir a público tocar numa ferida, que é exposta, mas a sociedade procura ignora-la. A semana fecha com a discussão sobre a posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendendo a regulamentação da maconha. Mas não é só ele que está nessa cruzada As vozes pela descriminalização, ou até pela liberação da maconha, estão ganhando apoio de peso, não só Brasil como no mundo, como os ex-presidentes dos Estados Unidos, Jimmy Carter e Bill Clinton;  do México, Ernesto Zedillo; e da Colômbia, César Gaviria.

Leia mais sobre o artigo neste link.