A fome é real: nota do Ibase sobre a declaração de Jair Bolsonaro

A fome é real: nota do Ibase sobre a declaração de Jair Bolsonaro

A declaração do Presidente Jair Bolsonaro em que afirma ser mentira haver quem passe fome no Brasil mostra um total desconhecimento do cotidiano de boa parte da população brasileira. Apesar de sermos um dos maiores produtores de alimentos no mundo, nosso país ainda carrega uma realidade bastante dramática quando o assunto é a fome e a extrema pobreza.

Dados levantados pelo Relatório Luz da Agenda 2030, do ano passado, já mostravam o aumento do número de pessoas vivendo em situação de pobreza no Brasil, nos levando a patamares de 12 anos atrás, com mais de 10 milhões de brasileiros nessa condição. Um quadro diretamente ligado à fome e que é agravado com o desmonte de políticas públicas de transferência de renda. Dados mais recentes sobre segurança e insegurança alimentar no Brasil ainda não foram liberados para divulgação pelo Governo.

O fim de espaços de participação da sociedade civil para o monitoramento e a acompanhamento da situação da segurança alimentar no país é mais um fato que demonstra o quanto a comida que chega (ou não) à mesa do brasileiro não está entre as preocupações mais urgentes da atual gestão federal. Depois de ter sido recriado pelo Congresso, o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) foi extinto novamente por Jair Bolsonaro, agora com força de lei.

Como organização que, historicamente, tem a luta contra a fome e pela segurança alimentar em sua pauta, o Ibase acredita que é preciso que o Governo Federal trabalhe para a geração de renda e emprego aos brasileiros, com inclusão social e equidade de direitos, além de fortalecer os espaços de participação para que a sociedade civil tenha mais voz nas decisões que afetam a todas e a todos. Fechar os olhos para a realidade do país não irá fazer com que os problemas desapareçam. E, como diria Herbert de Souza, fundador do Ibase, quem tem fome, tem pressa.

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Morreram de fome

Mais de 85 mil crianças menores de cinco anos morreram de fome no Iêmen

AvaazMais de 85 mil crianças menores de cinco anos morreram de fome no Iêmen. 85 mil vidas interrompidas brutalmente. Elas são vítimas inocentes da fome causada por uma guerra sem sentido liderada pela Arábia Saudita. A cada DEZ minutos, morre uma criança iemenita.

É de cortar o coração, e o pior de tudo é que nossos governos são cúmplices. Apesar da fome e de episódios como o bombardeio de um ônibus escolar cheio de crianças, países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e o Canadá continuam enviando aos sauditas centenas de bilhões de dólares em tanques e mísseis.

Não podemos deixar isso continuar. Precisamos levá-los aos tribunais!

Pequenas mas perseverantes organizações no Reino Unido, França, Canadá e outros países iniciaram casos judiciais inéditos ao processar seus próprios governos pela venda de armas ao governo saudita. Mas eles estão trabalhando com poucos recursos e precisam urgente da nossa ajuda para continuarem esse trabalho. Se eles ganharem — e eles têm chances! — isso abriria um incrível precedente que poderia finalmente pôr fim à guerra brutal da Arábia Saudita no Iêmen.

Doe com apenas um clique o custo equivalente a uma refeição (algo que muitas famílias no Iêmen não terão hoje). Se arrecadarmos o suficiente, poderemos parar a máquina de guerra saudita e salvar inúmeras vidas no Iêmen.

O segredo da Arábia Saudita é que eles dependem quase inteiramente dos nossos governos para a compra de armamentos e na exportação de petróleo. Porém, episódios como o assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi e a morte trágica de Amal, a menina desnutrida de 7 anos cujo retrato apareceu no New York Times, fez com que tais governos começassem a pensar duas vezes no apoio cego que dão ao governo saudita.

Essa é, sem dúvida, a melhor oportunidade que já tivemos para enquadrar a Arábia Saudita e finalmente acabar com esse bombardeio brutal contra o Iêmen.

Se a pressão diminuir, a Arábia Saudita continuará comprando o silêncio dos governos, dando-lhes bilhões em troca de armas que serão usadas contra os civis do Iêmen e contra o seu próprio povo — violando as leis sobre a exportação de armas dos nossos próprios governos!

Imagem do jornal 'The New York Times' mostra menina desnutrida no Iêmen — Foto: Reprodução/The New York TimesMas se aumentarmos a pressão e levarmos essa luta não apenas aos tribunais, mas também aos corredores do poder para pressionar por um processo de paz significativo, e se expormos o massacre humano com jornalismo investigativo de alta qualidade; podemos acabar com essa guerra de uma vez por todas.

Vamos fazer de tudo para ganhar esses processos judiciais e fortalecer as campanhas pelo fim do sangrento comércio de armas.

A Avaaz já financiou jornalistas investigativos para que se infiltrassem no Iêmen e mostrassem ao mundo o que acontece lá. Já conseguimos apoio em massa para que parlamentares atuem contra a guerra nos Estados Unidos, no Reino Unido, na União Europeia e no Canadá. Agora vamos levar nossa indignação aos tribunais e aos governos, para que deixem de alimentar as mortes dessas crianças.

Com esperança e determinação, Allison, Marigona, Danny, Jenny, Bert, Martyna, Camille e Rosa, em nome de toda a equipe da Avaaz.

Mais informações

Campanha para compra de cestas básicas Natal sem fome. “Quem tem fome, tem pressa”

Betinho Natal sem Fome

Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em casa do de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

No dia em que comemoramos os 70 anos da carta que defende vida digna a todas e todos os cidadãos do mundo, o Ibase reforça o pedido de contribuição com a campanha para a compra de cestas básicas para os assentados do Sebastião Lan II. As 38 famílias que moram e trabalham no local perderam toda sua produção devido a uma chuva forte que caiu na região. Com isso, eles estão com dificuldades para conseguir dinheiro para coisas básicas como a alimentação.

Para conhecer a história do assentamento, saber mais sobre a vida das famílias locais e fazer sua doação, acesse: bit.ly/campanhaibase.

Colabore! Esta é a última semana da campanha e ainda falta muito para alcançarmos 100% da meta. E, como dizia Betinho, quem tem fome, tem pressa.