[Filme] Batismo de Sangue

São Paulo, fim dos anos 60. O convento dos frades dominicanos torna-se uma trincheira de resistência à ditadura militar que governa o Brasil. Movidos por ideais cristãos, os freis Tito (Caio Blat), Betto (Daniel de Oliveira), Oswaldo (Ângelo Antônio), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves) passam a apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado por Carlos Marighella (Marku Ribas). Eles logo passam a ser vigiados pela polícia e posteriormente são presos, passando por terríveis torturas.

Crítica do Câmera Lenta

A produção nacional “Batismo de Sangue”, dirigida e escrita por Helvécio Ratton, em parceria com Dani Patarra, é mais uma dentre tantas obras que descrevem o período mais crítico da política brasileira, a Ditadura Militar.

Uma salva de palmas para Ratton que, ao contrário de Bruno Barreto no adorado “O que é isso, companheiro?”, não se manteve em cima do muro, não humanizou carrascos militares, nem demonizou revolucionários de esquerda. O diretor e roteirista colocou cada personagem em seu respectivo lugar.

Quem estudou sobre a história da Ditadura Militar no Brasil, sabe que os padres tiveram grande participação na luta em favor da democracia, liberdade e direitos civis. E o filme de Ratton, sob um olhar macroscópico, mostra isso. Conta a história mais conhecida do envolvimento de padres contra os militares naquele período. A razão de o fato ser tão famoso, é o livro homônimo de Frei Betto, lançado em 1983 e ganhador do prêmio Jabuti.

Betto, também jornalista, escreveu do que viveu ao lado de Frei Tito e os frades dominicanos Oswaldo, Fernando e Ivo, em São Paulo.

Comovidos com tantas notícias de violência contra os jovens por parte dos militares, e motivados por ideais de cristianismo e democracia, os frades decidem se unir ao grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, liderado por Carlos Marighella, o revolucionário mais procurado pela Ditadura à época.

Na busca por Marighella, os padres acabam pegos e torturados por militares comandados pelo delegado Sérgio Fleury, um dos piores carrascos do Regime. Frei Tito, cujo olhar norteia o andamento do filme, consegue ser liberto. No entanto, fica severamente perturbado após as sessões de tortura nos porões do Dops. Mesmo exilado na França, as memórias das violências sofridas no Brasil o atormentam.

Um longa-metragem altamente informativo, sem perder a humanidade. Uma brilhante atuação de Caio Blat, como o protagonista Frei Tito. Daniel de Oliveira encarna o narrador, Betto. O filme levou para casa os prêmios de melhor diretor e melhor fotografia no Festival de Cinema de Brasília.

Ficha técnica

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Filme Lamarca de 1994 – Assista online

Lamarca é um filme brasileiro de 1994, dirigido por Sérgio Rezende e baseado em livro de José Emiliano e Miranda Oldack, de título Lamarca, o capitão da guerrilha, uma biografia do militar e guerrilheiro Carlos Lamarca. O filme acompanha os dois últimos anos da vida do Capitão Carlos Lamarca (Paulo Betti), desde o momento em que, casado com Marina, decide fazer uma opção radical pela revolução enviando a mulher e os dois filhos para Cuba e desertando do Exército em janeiro de 1969 até a sua morte em 1971. Na clandestinidade, ligado à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Lamarca comanda assaltos e sequestros, apaixona-se por Clara e amadurece em suas convicções políticas.

Filme colaborativo retrata os anos de chumbo no Brasil em 50 olhares

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Um Golpe, 50 Olhares. Este é o nome do filme que reúne 50 vídeos de um minuto de duração produzidos por realizadores de diferentes lugares do Brasil. A produção colaborativa busca retratar o olhar da sociedade brasileira sobre os anos de chumbo no Brasil passados 50 anos do golpe civil militar. Nesta quarta-feira (1), se completam 51 anos. O resultado é um painel de reflexões sobre o período e seu legado negativo para o país.

O projeto é fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, por meio do edital Marcas da Memória, e organizado pela ONG Criar Brasil – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio. De acordo com Marcia Vales, coordenadora do projeto, foram 97 inscritos com depoimentos, entrevistas e animações. O resultado final foi lançado na última segunda-feira (30) no Rio de Janeiro.

A iniciativa foi uma oportunidade para os brasileiros revelarem em um minuto seu olhar sobre a ditadura, especialmente sobre as violações aos direitos humanos fundamentais ocorridas neste período, que deixaram marcas profundas na sociedade, e as suas consequências atuais.

Para Marcia, é muito importante que num momento em que parte da população vai às ruas pedir a volta da ditadura o assunto seja levantado para que todos possam entender o que aconteceu naqueles anos. A coordenadora acredita que as pessoas precisam entender todas as violações de direitos sofridas para que isto nunca mais se repita.

A fonte é da Agência Pulsar

Sinopse

Um Golpe, 50 Olhares é uma produção colaborativa, que busca retratar o olhar da sociedade brasileira sobre os anos de chumbo no Brasil passados 50 anos de golpe civil militar. Para tanto, reúne 50 vídeos de 1 minuto de duração produzidos por realizadores de diferentes estados do país. O resultado é um painel de reflexões diversas sobre o período da ditadura e seu legado negativo para a sociedade brasileira.

O projeto é fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, através do Projeto Marcas da Memória, e organizado pela ONG CRIAR BRASIL – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio.

TVs interessadas em receber o material em HD devem entrar em contato pelo email: 50olhares@criarbrasil.org.br.

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1964: História do Regime Militar Brasileiro

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Em tempos que a sociedade clama pela volta dos militares ao poder e a alta da aclamação por mais um golpe de Estado promovidos pelos coxinhas de 5 estrelas, nada melhor que estudar sobre o assunto, antes que seja tarde. Confira a nova publicação da Editora Contexto.

Exatos cinquenta anos atrás, o Brasil mergulhou em uma ditadura que iria perdurar por mais de duas décadas. É chegado o momento de fazer um balanço histórico do regime militar. Marcos Napolitano, conhecido historiador da USP, discute neste livro sólido e bem escrito as principais questões desses “anos de chumbo”.

A ditadura durou muito graças ao apoio da sociedade civil, anestesiada pelo “milagre” econômico? Foi Geisel, com a ajuda de Golbery, o pai da abertura, ou foi a sociedade quem derrubou os militares do poder? Como era o dia a dia das pessoas durante o regime militar? Como a cultura aflorou naquele momento? O que aconteceu com a oposição e como ela se reergueu? Qual a reação da sociedade (e do governo) à tortura e ao “desaparecimento” de presos políticos?

Obra de historiador, livro obrigatório para quem quer compreender o Brasil, uma síntese brilhante.

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1964 nunca mais

1964 nunca mais Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Ilhota, #blogdodcvitti,Esse artigo está circulando nas mídias sociais mais relevantes e resolvi blogar.

A provocação mais sádica da história desse país está sendo organizada pro dia 22 de março. E é com imagens como essa que eu espero que todos saibam o que estes monstros, essa gente nefasta, estes jovens ignorantes e cruéis, estarão festejando. A imagem é forte? Sim.

Mas prometo que trarei outras ainda mais chocantes e constrangedoras, dia a dia, até o dia que completarmos os 50 anos da maior covardia que este país já presenciou. Pra que horror desse jamais seja homenageado, jamais seja festejado, aplaudido e, principalmente, desejado, mais uma vez. E olhe bem pra estas imagens… podia ser teu pai, tua irmã, podia ser teu irmão.

1964 nunca mais!

Carlos Marighella – Quem samba fica, quem não samba vai embora

Carlos Marighella - Quem samba fica, quem não samba vai embora Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti,

O documentário foca o período da luta armada de resistência à Ditadura Militar, de 1964 até a morte de Carlos Marighella, em dezembro de 1969. Montado a partir de importantes depoimentos de militantes políticos, estudiosos e pesquisadores, o documentário conta com as participações de Carlinhos Marighella, filho de Carlos Marighella; do cineasta Silvio Tendler; do último líder da ALN, Carlos Eugênio Clemente; do jornalista e escritor Alípio Freire; da Presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Rose Nogueira; do Deputado Federal Emiliano José (PT/BA); do militante dos Direitos Humanos, Aton Fon; da ex-militante da ALN Guiomar Lopes, entre outros. O título “Quem samba fica, quem não samba vai embora” é uma referência à carta homônima redigida por Marighella e endereçada aos revolucionários de São Paulo, em dezembro de 1968: “O fundamental na organização são os grupos e a atuação de baixo para cima. Uma coordenação ativa e revolucionária leva a ação para diante. Os grupos devem unir-se de baixo para cima, a partir da ação. Podem ser feitas ações em conjunto. Todos os grupos nossos ou não nossos devem ser chamados para a ação conjunta, para ICR [Imposto Compulsório da Revolução], seja para o que for contanto que acabe a ditadura e o Imperialismo. De todo modo, o problema é quem samba fica, quem não samba vai embora”.

1964: História do Regime Militar Brasileiro

1964: História do Regime Militar Brasileiro Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Ilhota, #blogdodcvitti,Exatos cinquenta anos atrás, o Brasil mergulhou em uma ditadura que iria perdurar por mais de duas décadas. É chegado o momento de fazer um balanço histórico do regime militar. Marcos Napolitano, conhecido historiador da USP, discute neste livro sólido e bem escrito as principais questões desses “anos de chumbo”.

A ditadura durou muito graças ao apoio da sociedade civil, anestesiada pelo “milagre” econômico? Foi Geisel, com a ajuda de Golbery, o pai da abertura, ou foi a sociedade quem derrubou os militares do poder? Como era o dia a dia das pessoas durante o regime militar? Como a cultura aflorou naquele momento? O que aconteceu com a oposição e como ela se reergueu? Qual a reação da sociedade (e do governo) à tortura e ao “desaparecimento” de presos políticos?

A Editora Contexto apresenta 1964: História do Regime Militar Brasileiro, de Marcos Napolitano, da USP – um livro obrigatório para quem quer compreender o Brasil. Uma síntese brilhante. A obra já está disponível, aproveite!

O parabéns que ninguém cantou!

José Koehler Kila” ou melhor, José Koehler, apelido em que ele é generosamente conhecido por todos, foi o nosso primeiro prefeito eleito na história política do município. Depois dele, muitos outros administram a cidade, 9 na verdade, entre eles o seu irmão, Ricardo Kila, o Hercules que teve dois mandatos, o Betinho o primeiro reeleito sucessivamente e por último Ademar. Agora temos esse aí que todos o conhecem, pelo menos eu o conheço dos tempos de Pedra de Amolar.

O que me levou a postar esse artigo em meu blog, foi que ao ler a página do meu amigo Rudi no facebook, Personagens da Nossa Política, um grande fórum em que aborda a política e o processo eleitoral de todos os tempos ocorridos na cidade, onde procura enaltecer os grandes personagens da política ilhotense, figuras marcantes que fizeram e fazem parte da nossa história. “Os homens passam, os nomes ficam”, é o lema da comunidade, e que recentemente ganhou um blog [www.personagensdanossapolitica.blogspot.com.br]. Gosto muito do que leio lá na página. Parabéns Rudi!

Mas afinal, e o parabéns é pro Rudi? Deveria, mas não é! O parabéns é pra democracia. Na sexta-feira, dia primeiro de fevereiro foi a 54º aniversário de posse da primeira legislatura política executiva e legislativa do município e ninguém se lembrou, muito menos o parabéns foi cantado.

A primeira eleição pra prefeito e vereadores ocorreu no dia 3 de outubro de 1958 e tive apenas dois candidatos, José Koehler, pelo UDN, e Pedro Teixeira de Melo, pelo PSD, elegendo o seu Zé. Naquela época, Ilhota tinha míseros 2.446 eleitores, sendo que apenas 2.365 marcaram presença na urna. Com a maioria dos votos, o candidato da UDN, José Koehler foi eleito o primeiro prefeito da pequena cidade recém criada. Sua posse deu-se em 31 de janeiro de 1959 há exatos 54 anos e findou em 31 de dezembro de 1964, um ano antes do golpe militar.

Mas quem sabe, ano que vem o povo de Ilhota resolve cantar o “parabéns pra você” a democracia, afinal, a posse do primeiro prefeito eleito completará 55 anos. Falando em 55, uma coisa é certa e não passará em branco, ou verde, seja a cor que preferir. Ilhota completará os seus 55 anos da emancipação política-administrativa da fundação do município e certamente farão a festa. Tomara, pois eu gosto muito de festa e nessa eu vou!

Naquele anos, os vereadores eleitos e empossados foram: Lauro Olimpio Ignacio, Arnoldo Schmitt, José Pedro Castelain, Ervins Kretzer, Felicio José Bitencourtt, Antonio Castelain, Arnoldo João Vicente

Ilhota ano a ano

Confira o cronograma das eleições e governos dos prefeitos de Ilhota:

  • 2013: Início do governo de Daniel Bosi (PSD)
  • 2012: Eleições municipais
  • 2009: Segundo mandato do governo de Ademar Felisky (PMDB)
  • 2008: Eleições municipais
  • 2005: Início do primeiro mandato do governo de Ademar Felisky (PMDB)
  • 2004: Eleições municipais
  • 2001: Segundo mandato do governo de Roberto da Silva (PP)
  • 2000: Eleições municipais
  • 1997: Início do primeiro mandato do governo de Roberto Da Silva (PDT)
  • 1996: Eleições municipais
  • 1993: Governo de Hercules Geraldo de Oliveira (PMDB)
  • 1992: Eleições municipais
  • 1989: Governo de José Izidro Vieira (PFL)
  • 1988: Eleições municipais
  • 1983: Governo de Henrique Schaadt (PMDB)
  • 1982: Eleições municipais
  • 1977: Governo de Hercules Geraldo de Oliveira (PMDB)
  • 1976: Eleições municipais
  • 1973: Governo de Ricardo Koehler (ARENA)
  • 1972: Eleições municipais
  • 1969: Eleições para vereadores
  • Governo de Orlando Schneider (ARENA)
  • 1968: Eleição para prefeito
  • 1966: Eleições para vereadores
  • 1965: Governo de Osvaldo Teixeira de melo (UDN)
  • 1964: Eleição para prefeito
  • 1962: Eleições para vereadores
  • 1959: Governo de José Koehler (UDN)
  • 1958: Eleições municipais
  • Inicio da administração de Guilherme Alipio Nunes
  • Emancipação de Ilhota

Há 91 anos nascia Leonel Brizola

Leonel Brizola, uma das maiores lideranças políticas do nosso país, antes, durante e depois da ditadura. Brizola liderou a Campanha da Legalidade bancando João Goulart como presidente, quando da primeira tentativa de afastá-lo do poder, e durante a ditadura foi exilado, só retornando anos depois quando fundou junto com seus colegas o PDT. Como governador do Rio de Janeiro, enfrentou e peitou poderosos tais como a Rede Globo (como podemos ver no vídeo acima) e deixou exemplo a outros políticos por não ter o “rabo preso”. Candidatou-se à presidência da república logo depois, e por pouca diferença não foi para o segundo turno contra Collor. O trem da história havia passado. Sua chance de ser presidente havia sido desperdiçada pelos golpistas e fascistas de 1964.

Brizola na Globo. Cid Moreira era a voz do dono, a voz de Roberto Marinho. Leonel Brizola ganhou na Justiça direito de resposta no “Jornal Nacional” – para responder às perseguições da Globo. Cid leu o texto de Brizola. Momento histórico na TV brasileira.

Câmara devolve mandato a deputados cassados pela ditadura

Plínio de Arruda

Em sessão solene marcada por discursos emocionados, a Câmara devolveu nesta quinta-feira, simbolicamente, os mandatos de 173 deputados federais cassados pelo regime militar, entre 1964 e 1977, ao longo de quatro legislaturas.

O Plenário ficou lotado de deputados e familiares que expressaram, por meio dos olhos marejados, o sentimento de reparação e justiça que aconteceu no mesmo plenário onde, nas décadas de 60 e 70, sofreram as injustiças do arbítrio e da falta de liberdade. Dos 28 parlamentares ainda vivos, 18 compareceram à cerimônia, e os outros foram representados por familiares e amigos.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a solenidade foi um ato que busca “apagar a nódoa causada pelos gestos autoritários que muito nos envergonha”. Ele lembrou que os deputados cassados foram calados “não pelo debate, mas pela imposição e pela força do regime”.

A presidente da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), definiu a solenidade como uma forma de restabelecer a soberania do voto popular, “usurpado pelo regime de força que perdurou por 20 anos”. A comissão iniciou o estudo sobre o período e preparou a solenidade.

Não ao arbítrio

Erundina – que solicitou a sessão solene juntamente com o deputado Eduardo Gomes (PMDB-TO) – frisou que a Câmara foi a instituição mais atingida pela ditadura com seus atos institucionais. Para ela, houve um ataque de intimidação contra a representação do povo brasileiro, e a devolução de mandatos é “uma justiça a essas pessoas que tiveram a coragem de dizer não ao arbítrio”.

A deputada defendeu a revisão da Lei de Anistia (Lei 6.683/79) e a aprovação do Projeto de Lei 573/11, que exclui da anistia os agentes públicos que cometeram crimes durante a ditadura militar.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputado Domingos Dutra (PT-MA), foi graças a brasileiros como os deputados cassados que o Brasil elaborou uma Constituição chamada de cidadã. Dutra acrescentou que eles também deixaram como legado um Congresso que funciona livremente, uma imprensa livre e um Judiciário democrático, além da eleição de “um operário e uma mulher” para o cargo de presidente da República, em referência ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff.

Dutra citou desafios para o Congresso, como encontrar os corpos das pessoas mortas pela ditadura, rever a Lei da Anistia, garantir os direitos dos povos indígenas e dos quilombolas e combater a violência urbana. “Apesar de a estrada ser longa e penosa, esta sessão solene faz aumentar nossa autoestima e a confiança em um Brasil justo e fraterno”, declarou.

Reparação necessária

O presidente da Comissão Nacional da Verdade, ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, disse que o reconhecimento oferecido pela Câmara aos deputados cassados pela ditadura é uma indicação de que uma reparação precisa ser feita. Ele participou da solenidade de devolução simbólica dos mandatos no Plenário Ulysses Guimarães.

“A verdade, para mim, pressupõe integridade, e o que vemos aqui é o resgate de pessoas que se comprometeram com sua própria integridade”, disse Fonteles, sobre os deputados cassados por desentendimentos com o governo autoritário. Em um discurso emotivo, Fonteles propôs um pacto entre as gerações que viveram o período de exceção e as futuras gerações. “Que nunca mais venhamos a permitir que nossas divergências sejam decididas pelo arbítrio, pela truculência e pelo desaparecimento”, disse.

Para a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, a restituição simbólica dos mandatos é um momento que fica para a história como atitude de reconhecimento e de reparação “àqueles que empenharam suas vidas em defesa da democracia”.

Maria do Rosário, que é deputada federal licenciada, lembrou que o juramento prestado pelos parlamentares na recuperação dos mandatos é, na verdade, um juramento à democracia e o compromisso para que “jamais permitam que a democracia, a justiça e a paz sejam aviltadas como foram no golpe de 1964”.

Na página de Discursos e Notas Taquigráficas do Portal da Câmara dos Deputados é possível acessar todos os discursos dos parlamentares cassados, basta pesquisar por nome.

Veja aqui os depoimentos de alguns dos deputados cassados.