Algumas séries sobre política que você precisa conhecer

Seriados de política

Política costuma ser assunto para muita discussão! A indústria cinematográfica sempre considerou isso nas suas produções, como em Dr. Fantástico (1964), que conta a história de um general que planeja dominar o mundo e acabar com o comunismo, bem no período histórico em que essa corrente ganhava força.

As produções relacionadas à política vêm estabelecendo-se, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial e o Plano Marshall, um projeto realizado pelos Estados Unidos para financiar a reconstrução da Europa pós-guerra. Assim, teve como medida a inserção de produtos culturais que propagavam ideologias, como o American Way of Life. Desde então, a indústria cresceu e, hoje, os produtos audiovisuais estão cada vez mais em evidência e diversificados.

Vamos indicar algumas séries sobre política, relacionando o conteúdo delas com os eventos no mundo, para que você se divirta e ainda fique por dentro de temas importantes! Confira agora as 6 séries sobre política que você precisa conhecer.

House of Cards

House of CardsHouse of Cards talvez seja a série mais popular dessa lista. A série estreou em 2013 pela Netflix e tem seu enredo baseado nas tentativas de ascensão ao poder de um congressista chamado Frank Underwood.

No decorrer das temporadas, estando na 5º atualmente, Frank arquiteta estratégias e planos corruptos para o tão almejado cargo da Presidência da República, juntamente com sua esposa Claire. No decorrer dos episódios, você aprende sobre o sistema político dos EUA e as relações de poder entre seus políticos e partidos.

O interessante sobre essa série é a forma escancarada com que Frank maneja suas artimanhas e interage com o público, compartilhando todos os pensamentos. Isso assusta, pois se põe à visão geral de que os políticos escondem o que pensam e seus verdadeiros objetivos. Frank, no entanto, não faz segredos com quem está assistindo. Além de contar com a brilhante atuação de Kevin Spacey como Frank Underwood, os espectadores acompanham de perto a vida desse político que os cidadãos estadunidenses não verdadeiramente conhecem.

A série se passa nos Estados Unidos, mas chamou atenção por seus eventos serem similares aos eventos políticos que aconteciam no Brasil. Só não contamos mais para não vazar informações antes que você assista! Uma rede social oficial da série, inclusive, brincou com essa semelhança afirmando, em português, que “está difícil competir”.

Homeland

HomelandHomeland retrata o momento da guerra entre o Iraque e os Estados Unidos. A série tem como protagonista a atriz Claire Daines, que interpreta uma oficial de operações da CIA, a agente Carrie Mathison. Tudo começa quando, após conduzir uma operação não autorizada, Claire foi realocada para o Centro Contraterrorista da CIA.

Nesse meio tempo, Claire foi informada de que um agente norte-americano, anteriormente capturado pela Al-Qaeda, se aliou a eles e repassou informações sigilosas do governo. Com isso, Claire segue em busca do agente infiltrado, permeada por toda a atmosfera da guerra e de seus próprios problemas psicológicos.

A Al-Qaeda e os Estados Unidos
Al-Qaeda é uma organização islâmica que foi liderada por Osama Bin Laden e, desde a sua criação em 1989, tem como principal objetivo expulsar tropas russas do Afeganistão. Durante esse período, os Estados Unidos ajudavam financeiramente a organização com a compra de armamento. Com a Guerra do Golfo e as instalações de bases militares estadunidenses na península arábica, uma localização sagrada do islã, a Al-Qaeda iniciou atividades diretas contra os Estados Unidos. Conheça a história completa do grupo terrorista, neste post.

A série está na sua 6º temporada e está disponível na Netflix. Homeland traz a perspectiva dos Estados Unidos, mas também recomendamos assistir à série na qual Homeland fora inspirada, a israelense “Prisioneiros de Guerra” (Hatufim), disponível no Globosat+ e no Now, para conhecer o outro lado da história.

The Americans

The AmericansA Guerra Fria é um dos acontecimentos históricos mais conhecidos, por ter se passado entre dois grandes eventos mundiais: a Segunda Guerra Mundial e a extinção da União Soviética. A constante tensão entre EUA e URSS, defensores de correntes políticas diferentes – capitalismo e comunismo -, é representada na série.

The Americans elucida justamente esse período. A série traz a história de dois agentes soviéticos da KGB que se infiltram nos Estados Unidos, tendo que se passar por uma família comum. Eles têm como missão controlar a rede de espiões no país, entretanto, cada vez mais se envolvem e se comportam como um casal.

A série é inspirada em fatos reais e seu criador é um ex-agente da CIA, Joe Weisberg, que mostra um pouco do que aconteceu nos Estados Unidos naquela época. A história, então, é um drama político entre o impasse do disfarce deles como agentes e a vida familiar com seus filhos. The Americans também está disponível na Netflix.

Narcos

Narcos com Wagner MouraNarcos se passa na Colômbia e conta a trajetória dos cartéis colombianos liderados por Pablo Escobar (1949 – 1993), considerado um dos maiores narcotraficantes do mundo. O colombiano ganhou notoriedade por suas formas de burlar a política anti-drogas norte-americana, seu principal mercado. Além disso, envolveu-se com o maior grupo guerrilheiro do país, as FARC.

A série se passa na perspectiva de dois agentes da DEA (Agência Anti-Drogas norte-americana), que mudaram sua vida para combater Escobar em Medellín. Assim, Narcos acompanha a dualidade de Pablo como um traficante e, por outro lado, um “benfeitor” para a população da cidade. O colombiano se candidatou e chegou ao Congresso, além de realizar constantes reparações à comunidade. A série mostra também a atuação do governo da Colômbia perante o crescimento dos cartéis.

O ator brasileiro Wagner Moura faz o papel de Pablo Escobar. Para interpretar Pablo, Wagner se mudou para Medellín durante 6 meses para aprender espanhol, além de ter engordado 20 kg apenas para o papel.

Narcos foi produzida pela Netflix e dirigida pelo brasileiro José Padilha, diretor dos renomados Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), que também usou a violência explícita e a exploração de aspectos íntimos dos personagens. A parceria anterior entre Wagner e Padilha fez com que houvesse uma liberdade criativa para a execução dessa série. Baseada em fatos reais, Narcos caminha para sua terceira temporada.

Quiz: mito ou verdade, o que você sabe sobre as FARC?

Designated Survivor

Designated SurvivorEstrelada por Kiefer Sutherland (da série 24 horas), Designated Survivor tem como premissa a ascensão do Secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Tom Kirkman, à posição de presidência dos Estados Unidos.

A repentina mudança na vida de Kirkman foi causada por uma explosão no Capitólio dos Estados Unidos, na noite do Discurso do Estado da União, momento em que todos os governadores estavam reunidos. O Discurso do Estado da União é uma obrigação do presidente dos Estados Unidos, proposto pela Constituição, de prestar informações conclusivas sobre as estratégias políticas e militares ao Congresso. O evento acontece anualmente e é transmitido para a população.

Assim, um representante do governo fica designado a não comparecer à cerimônia, para suceder a posição de Presidente da República em caso de algum atentado.

Com o ocorrido, Kirkman tem que aprender a lidar com essa nova realidade, subitamente, sem possuir nenhuma experiência em cargos de tamanho poder. Assim, a série acompanha as imcumbências a Kirkman de formar um novo secretariado, lidar com relações exteriores e investigar o atentado terrorista.

No Brasil, a série – que é a única da nossa lista não inspirada em fatos reais – é transmitida pela Netflix.

Os Dias Eram Assim

Os Dias Eram AssimPor último, indicamos uma série brasileira que tem conquistado a atenção de muitas pessoas. Aos poucos, o país adentra o mundo das séries, fazendo grandes produções principalmente no horário das 23h na TV aberta. Os Dias Eram Assim é uma série que retrata a vida de uma família, seus conflitos e cotidiano na Ditadura Militar.

A série mostra os impasses da militância com as elites. A atriz Sophie Charlotte interpreta a personagem principal, que faz a ponte entre esses dois lados. Além disso, a produção vem sendo elogiada pela fotografia, enredo e aplicação dos fatos, tendo como parte da abertura fotos reais da época da ditadura militar (1964-1985).

A série é uma boa pedida para quem busca consumir mais produtos audiovisuais nacionais. Os Dias Eram Assim está no ar na Rede Globo, mas pode ser assistida na íntegra no Globo Play.

Diante dos mais recentes quadros no mundo, de atentados terroristas e guerras civis, podemos esperar grandes produções inspiradas na “vida real”. E você, já assistiu algumas dessas séries? Indica outras para conhecermos? Comente!

Fonte: Politize! por Giulliana Moreira, que é estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fotógrafa. Acha fascinante o processo criativo da Comunicação, culturas e relações interpessoais.

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Trump, o Dr. Fantástico e os cavaleiros do Armagedom

Dr. Fantástico

Carta Maior logoO filme, do diretor norte-americano Stanley Kubrick, de 1964, aborda com humor e sarcasmo a Guerra Fria e a possibilidade de um confronto nuclear, em um ano em que, por aqui, sofríamos na carne a divisão do planeta; os EUA se envolviam cada vez mais no Vietnã e em golpes sangrentos por todo o mundo; e a opinião pública ocidental estava tomada pelo impacto da construção do Muro de Berlim, e da então recente Crise dos Mísseis em Cuba.

O personagem que dá nome à obra é um cientista “ex-nazista” (existem ex-nazistas?), preso à cadeira de rodas, que, metaforicamente, se levanta dela no final da estória, em uma representação da ressurreição do fascismo que cairia muito bem nos dias de hoje, a começar pela própria eleição de Donald Trump.

O grande ator do filme é Peter Sellers, que faz três papéis, incluído o do Dr. Strangelove.

Mas a figura que mais se identifica – até mesmo fisicamente – com o novo presidente eleito norte-americano, é, com certeza, a do Major T.J. “King” Kong, interpretado pelo ator Slim Pickens, que, como comandante da “fortaleza voadora”, salta do avião no final do filme, com um chapéu de cowboy, montado na bomba atômica como se ela fosse um cavalo, em louca e frenética, apocalíptica, celebração da destruição e da morte.

Já dissemos em um artigo anterior sobre o tema, UM MALUCO NA CASA BRANCA, que Trump representa a ascensão hipócrita da “antipolítica” – e do fascismo – ao topo do “establishment” administrativo norte-americano, e, contra tudo e contra todos, tornou-se uma espécie de símbolo para a extrema-direita do mundo inteiro, a ponto de lideranças como Marine Le Pen, do Front National francês, o terem saudado como o advento de um “novo tempo”, e de fascistas tupiniquins se manifestarem, ainda durante a campanha, em seu favor, em plena  Avenida Paulista, e contra a eleição de Hillary Clinton, uma “Dilma” norte-americana, para a Casa Branca.

Sem precisar de razões ancoradas na realidade, ou de justificativa maior que “tornar a América grande de novo”, e a rejeição aos políticos “tradicionais”, os eleitores norte-americanos, e, principalmente os delegados dos “swing-states”, que, teoricamente, poderiam ser comprados por um candidato bilionário, entregaram o poder a uma figura tão perigosa quanto controversa e imprevisível.

A polícia (também como costuma ocorrer em certos países) interferiu na campanha, a pouco mais de uma semana da eleição, lançando acusações relacionadas a emails não transcritos da candidata democrata, para depois negar, cinicamente, às vésperas do pleito, que algum indício de crime estivesse relacionado ao caso.

Seria interessante saber por que o Chefe do FBI, James Comey,  que é republicano, resolveu fazer esse desmentido na última hora.

Em política, tudo é uma questão de timing.

Feito o estrago contra Hillary, em uma campanha em que ela (como ocorreu também com outros personagens em certos países) foi tachada de corrupta sem nenhuma evidência jurídica que apoiasse essa acusação, o que aumentou o ódio – e a mobilização – dos eleitores de Trump em uma nação em que o voto não é obrigatório; talvez tenha sido preciso inocentar Hillary no último momento, não apenas para evitar acusações futuras de decisiva interferência no pleito, mas também para diminuir o ímpeto de seus eleitores, dando-lhes a certeza de que Trump certamente perderia, evitando que eles se esforçassem mais para comparecer em massa às urnas, para votar na candidata democrata.

Agora, será preciso esperar, para ver o que vai ocorrer com os EUA, e, também, com o mundo, nos próximos quatro anos, com Donald Trump na Casa Branca.

Teoricamente, ele é muito mais radical do que a candidata democrata, agora derrotada.

Mas foi ela, como Secretária de Estado, responsável pelas relações exteriores, que endossou, ou melhor, promoveu, no primeiro  mandato de Obama, alguns dos maiores erros cometidos pelos EUA, em matéria de política externa, nos últimos anos.

O seu apoio à malfadada e mentirosa “primavera” árabe, com a derrubada de Khadafi – e o seu assassinato por terroristas apoiados pelos EUA – a queda do governo no Egito, que levou os militares de volta ao poder naquele país, com a implementação de uma ditadura de fato, depois de uma eleição controversa; o maior envolvimento dos EUA no Iraque e as suas tentativas frustradas de derrubar o Presidente sírio Bachar Al Assad, ajudaram a criar um monstro chamado Exército Islâmico, destruíram países estáveis levando-os a horripilantes guerras civis, e causaram centenas de milhares de mortes, principalmente de velhos, mulheres e crianças, levando à crise dos refugiados, que obrigou milhões de pessoas a deixar os seus países para encontrar a morte nas águas do Mediterrâneo, ou enfrentar um destino amargo e incerto, em países como a Turquia, ou em uma Europa que não os quer, que neles vê um estorvo e um perigo, e que os tratará como animais, discriminando- os por sua cor e sua cultura.

Trump, paradoxalmente, parece se dar bem com regimes de força, como o chinês e até mesmo com os russos, principalmente Putin, a quem parece admirar pela sua personalidade forte e – quem sabe – seu físico de atleta.

Resta saber se isso não vai mudar depois que ele se sentar, com o seu queixo erguido e seu topete postiço, na cadeira mais poderosa do planeta, tendo, ao alcance de sua mão, os códigos para ordenar um ataque nuclear que poderia dar início ao Armagedon.

Nesse caso, com um Presidente na Casa Branca com uma trajetória menos previsível que a de um asteróide gigante dirigindo-se  para a Terra, só podemos rezar e pedir, já que os eleitores norte-americanos não o fizeram, que Deus nos ajude, a nós e a nossos filhos e netos, nos próximos anos.

Por Mauro Santayana, em Carta Maior.

Uma era pós-Osama Bin Laden? O que a esquerda tem a dizer?

Como atenta Susan Willis, logo após o 11 de setembro, quando a nação estadunidense ainda se recuperava dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, os meios de comunicação, aparentemente insatisfeitos com a catástrofe ocorrida, espalharam o medo de que terroristas, tendo fechado o tráfego aéreo e a Bolsa de Valores, iriam continuar sua empreitada usando armas químicas e biológicas. Os temores se concretizaram com as correspondências com antraz, cinco verdadeiras e outras milhares fraudentas. A histeria se espalhou pelo país desde as áreas afastadas da zona rural até as grandes metrópoles – lugares que, até então, eram considerados de baixo risco como alvos terroristas em potencial. Agências de correio das faculdades mandaram para quarentena pacotes de biscoitos caseiros que recebiam; milhares de correspondências foram lacradas e armazenadas para testes futuros; diversos vôos comerciais foram redirecionados e forçados a pousar quando qualquer tipo de pó branco (na maioria das vezes, adoçante) era encontrado nas bandejas. Nas suas palavras, “substâncias triviais da vida cotidiana – pó para pudim de baunilha, açúcar, farinha, talco – conseguiram fechar escolas e fábricas, reter correspondências e emperrar o ritmo usual dos negócios. O país entrou em pânico. Os cidadãos tinham medo de receber e, sobretudo, de abrir suas correspondências. Órgãos governamentais, o serviço postal e os centros para controle de doenças demoraram em emitir recomendações preventivas. E quando a recomendação era feita, intensificava a preocupação pública. Ordenaram que procurássemos envelopes suspeitos: cartas sem remetente, combinações estranhas de selos, volumes injustificados, embrulhos inusitados e, sobretudo, o pó branco. Fomos avisados para lacrar a carta suspeita num saco plástico, bem como nossas roupas, e tomarmos banho imediatamente. Acompanhando o aviso, vieram centenas de outros trotes e alarmes falsos. As pessoas começaram a encomendar e estocar Cipro, o antibiótico então recomendado. Algumas pessoas, que nunca haviam sido expostas, começaram a tomar o remédio antecipadamente, apesar da advertência médica de que a droga produziria efeitos colaterais indesejados”.

A busca pela sensação de segurança é patente no mapa imaginário da pós-11 de setembro. Não é toa que essa histeria se espalhou rapidamente. Somente em Londres, no fim da terceira semana de outubro de 2001, os aliados ingleses já haviam recebido mais de quinhentas ameaças de contaminação por antraz. No meio dessa paranóia é tão estranho que, logo após os ataques de 11 de setembro, a aprovação presidencial de Bush tenha ficado em torno de 90%? E não haveria acontecido algo quase inverso agora com a morte de Osama Bin Laden? Todos estão satisfeitos com o assassinato do líder da Al Qaeda: é uma nova oportunidade para a expansão do “eixo da democracia” contra o terror e as rebeliões populares no mundo árabe. Será mesmo?

Com o fim da Guerra Fria o antigo inimigo do Império (os comunistas) desapareceu. Entretanto, o fim da bipolaridade deixou um vácuo do poder preenchido pelos Estados Unidos como a única superpotência mundial. Sua atuação passou neste período da clássica guerra entre Estados para a expansão de bases aéreas e frotas por todos os continentes, com intervenções “humanitárias” para desestabilização social ou para estabilizar a democracia na marra – Bósnia, Yugoslávia, Somália, Honduras, Colômbia, Haiti, Iraque, Afeganistão, entre outros países. Mas como se legitimavam estas intervenções? Afinal, o velho inimigo desapareceu. Foi em 2001, nos ataques do 11 de setembro, que se encontrou um novo Inimigo: era o terrorismo. Emergiu um novo Significante-Mestre que unificou todos os males sociais: o terrorista com a figura de Osama Bin Laden. Seu rosto foi mostrado por todo o mundo como o inimigo principal a ser combatido. Nessa euforia foram iniciadas duas guerras que até hoje ninguém sabe ao certo por que existem. No Afeganistão foram para capturar Bin Laden. Depois ficou claro que o Afeganistão é um ponto militar que dá fácil acesso tanto à Rússia e China como ao Irã e outros países extratores de petróleo no Oriente Médio. Sendo um ponto de localização geopolítica privilegiada, em torno do Sul da Ásia, Ásia Central e o Oriente Médio, o Afeganistão também tem saídas pelo Mar Cáspio que facilitam enormemente os dutos de petróleo rumo ao Oceano Índico onde a empresa estadunidense Unocal tem negócios exclusivos para o gás natural do Turcomenistão pelo Afeganistão e Paquistão. Entretanto, sempre parecia que Osama estava um passo na frente dos Estados Unidos.

Agora que Obama declarou a morte de Osama por forças especiais num país independente, e que o jogaram no mar, qual é a razão de continuar em guerra? “O mundo sente alívio”, disse Obama. Será mesmo? Parece mais que a gestão norte-americana e a CIA ficaram mais aliviadas. Como escreveu Atílio Borón, “Osama vivo era un peligro. Sabía (¿o sabe?) demasiado, y es razonable suponer que lo último que quería el gobierno estadounidense era llevarlo a juicio y dejarlo hablar. En tal caso se hubiera desatado un escándalo de enormes proporciones al revelar las conexiones con la CIA, los armamentos y el dinero suministrado por la Casa Blanca, las operaciones ilegales montadas por Washington, los oscuros negocios de su familia con el lobby petrolero norteamericano y, muy especialmente, con la familia Bush, entre otras nimiedades. En suma, un testigo al que había que acallar sí o sí, como Muammar Gadafi. El problema es que ya muerto Osama se convierte para los jihadistas islámicos en un mártir de la causa, y el deseo de venganza seguramente impulsará a las muchas células dormidas de Al Qaeda a perpetuar nuevas atrocidades para vengar la muerte de su líder”.

A morte de Bin Laden reinstalaria a Al Qaeda no centro do cenário das grandes mobilizações do mundo árabe, por mais que até agora estivesse ausente. Seu líder morto brutalmente pelo líder do ocidente instigaria novamente o fundamentalismo islâmico. Como escreve, “probablemente su acción no hizo sino despertar a un monstruo que estaba dormido. El tiempo dirá si esto es así o no, pero sobran las razones para estar muy preocupados”.

E se este movimento for não para acabar com o terrorismo, mas impulsionar a saturação do imaginário ocidental pela Al-Qaeda? Agora ela volta à cena – no mesmo momento de ascenso de massas em países como Marrocos, Tunísia, Egito, Síria, Líbia, Iraque, Palestina, Irã etc. Como escreveu Santiago Alba Rico na nota “Matar a Bin Laden, ressuscitar a Al-Qaeda”: “no sabemos si realmente han matado a Bin laden; lo que está claro es que el esfuerzo por resucitar a toda costa a Al-Qaeda pretende matar los procesos de cambio comenzados hace cuatro meses en el mundo árabe”. Assim como os ataques de 11 de setembro acabaram por impulsionar o descenso do movimento “antiglobalização”, a morte de Bin Laden não teria o mesmo efeito nas revoltas árabes? Não seria a tentativa de ascender a Al-Qaeda para a disputa pelo poder nestes países?

Mas se a Al Qaeda já estivesse morta quando nestes últimos quatro meses surgiram as revoluções de massa no mundo árabe? Para Jáled Harub em “Las revoluciones árabes acaban con la ideología y el discurso de Al Qaeda”, o efeito mais importante das revoluções árabes pacíficas sobre a lógica e a ideologia da Al Qaeda consiste em demonstrar a incapacidade do uso do recurso da violência pura para transformações internas nos regimes autoritários. “Los pueblos árabes y musulmanes no necesitan de organizaciones armadas ni violentas generadoras de los más altos niveles de terrorismo para hacer caer a regímenes que no quieren. La palabra clave que han aportado las revoluciones árabes pacíficas al diccionario del cambio político y social es ‘efectividad’. Estas revoluciones que no se han apoyado en ningún tipo de armas ni en ninguna forma, por remota que sea, de violencia armada han sido ‘eficaces’, han logrado todo lo que no habían conseguido el resto de medios de cambio. Los regímenes, confusos ante como responder ante estas revoluciones pacíficas, deseaban que éstas se inclinasen hacia la violencia para poder justificar el uso de sus aparatos sanguinarios de represión […]. El fracaso de la ‘era de Al Qaeda’ y de sus estrategias violentas consiste en que se basan en la destrucción, el caos y el derramamiento de sangre como único resultado, sin que tenga ningún proyecto que llevar a término. La táctica por excelencia para reclutar miembros y enrolarlos en sus filas eran las armas y el discurso de la ‘yihad’, la creación de un romanticismo falso en torno a las armas, vanagloriándolas y creando cánticos sobre ellas. El manejo de las armas, como usarlas y como perpetrar acciones son su principal misión sin tener un objetivo más amplio o más importante, o una estrategia convincente. Si analizamos el esfuerzo para crear ideas, dar con nuevos métodos vemos que solo se concentran en como colar explosivos o suicidas a bordo de aviones civiles y estrellarlos […]. La batalla se ha convertido en una caricatura ridícula de un combate de lucha por puntos entre Al Qaeda y los servicios secretos, a expensas de los pueblos de la región, su futuro y sus vidas. La segunda explicación sería la fascinación por la imagen. A pesar de toda la penuria que ha caído sobre los musulmanes como resultado del terrorismo del 11-S, Al Qaeda y sus líderes siguen extasiados por los medios de comunicación y la capacidad dramática”.

Parece que a morte de Bin Laden é uma manobra. Está se procurando usar a morte de Bin Laden para aumentar as medidas de “segurança nacional” e redividir o mundo entre os lutadores contra o terrorismo e aqueles que o defendem. Procura-se retroceder numa nova polarização do campo político, não mais entre “forças populares contra regimes tirânicos”, mas a democracia contra o terrorismo (não é a toa que é a primeira vez que Israel parabeniza os EUA desde o início dos levantes árabes). Como disse David Cameron, a morte de Bin Laden “não significa o fim da ameaça do terror extremista”. Mas não era Bin Laden o Inimigo do Ocidente? O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que “esse é um golpe importante e decisivo para o terrorismo global e demonstra, mais uma vez, que os terroristas, mais cedo ou mais tarde, sempre caem” […] “Na luta global contra o terrorismo só existe um maneira: perseverar, perseverar e resistir”, dando uma bela indireta sobre o trabalho da CIA militarizada contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Bin Laden havia se tornado uma espécie de sujeito imortal e, de repente, é morto por “elites da segurança nacional” dos Estados Unidos no Paquistão. Mas ele não estava nas montanhas longínquas do Afeganistão? E por que as forças paquistanesas não podiam tê-lo capturado? Existe um nó que parece apontar como uma espécie de CIA altamente militarizada que atua “contra o terrorismo” por todo o mundo. Esta morte parece com a de Michel Jackson: cheia de interrogações e com poucas pessoas habilitadas a dizer os reais interesses em jogo. As perguntas iniciais ainda continuam em suspenso: onde estão as provas, fotos e relatos da missão de assassinato de Bin Laden? Como Bin Laden foi capaz de movimentar seu dinheiro durante este tempo? Qual era sua relação com a Al Qaeda? Como opera a CIA nos países “contra o terrorismo”? Por que esta morte parece tanto fazer parte do teatro da “guerra ao terror” assim como os ataques de 11 de setembro e a acusação de que no Iraque havia “armas de destruição em massa”? Já não aprendemos – um pouco até com o Wikileaks – que o terrorismo é fomentado pelos agentes da CIA?  E agora a esquerda terá força para pôr fim a esta falsa polarização entre democracia e fundamentalismo islâmico, para impor uma nova alternativa social, ou retrocederá o pouco que avançou?

Escrito por Fernando Marcelino, analista internacional e secretário de formação política do PSOL-Curitiba. Contato: fernandomarcelinopereira@gmail.com

Na União Soviética era melhor

URSS

Estado atual dos povos da ex-URSS

A introdução do capitalismo significou um revés para todos os países da Europa Oriental, tanto econômica quanto socialmente. Um relatório das Nações Unidas afirma: a transição de uma economia planificada para uma economia de mercado tem sido acompanhado por importantes mudanças na distribuição da riqueza nacional de bem-estar. Os “números demonstram que, para a maioria das mudanças já registradas rápida. O presente é dramática e resultou em custo humano elevado”.

Entre 1990 e 2002, o produto interno bruto (PIB, o conjunto de bens e serviços produzidos em um ano) per capita dos países da Europa Oriental, diminuiu 10%, enquanto aumentou em 27% nos países nível comparável. Isso representa uma perda efetiva de quase 40%. Esta regressão é válida para todos os países, exceto a Polônia e a Eslovênia. Hoje, o PIB per capita dos países ex-comunistas da Europa Central e Oriental é mais baixo por um quarto que da América Latina. Para as repúblicas da antiga União Soviética, a situação é ainda mais dramática. Na década de 90, o PIB caiu em 33%. Ucrânia tem ainda uma diminuição de 48% entre 1993 e 1996, e 47% da Rússia…

As ações do estado da economia eram vendidos a preços ridiculamente baixos. Uma grande parte dos direitos econômicos e industrial e potente equipamento foi desmontado. Em alguns anos, a grande potência industrial que foi a Rússia, se tornou um país do terceiro mundo. PIB da Rússia (144 milhões) é inferior à dos Países Baixos (16 milhões). A União Soviética recuou em cerca de 100 anos. Na época da revolução socialista em 1917, o PIB per capita atingiu 10% de os EUA. Em 1989, apesar do fato de que a União Soviética foi completamente mortos e destruiu grande parte da segunda guerra mundial, o PIB per capita atingiu 43% de os EUA. Hoje, é inferior a 7%.

A situação social

Russo chorandoCerca de 150 milhões de pessoas na antiga União Soviética (isto é, o número de habitantes da França, Grã-Bretanha, Holanda e países escandinavos juntos) viviam na pobreza no início dos anos 90. Ter menos de 4 dólares por dia. O número de pobres vivendo com menos de um dólar por dia multiplicado por vinte. Na Bulgária, Romênia, Rússia, Cazaquistão, Ucrânia, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Moldávia, o número de pobres é de 50 a 90% da população.

De acordo com um estudo recente da UNICEF, uma em cada três crianças dos países do Leste ex vivem na pobreza hoje. Mais de um milhão de crianças vivem em orfanatos. Na Rússia, o número de crianças abandonadas dobrou, apesar do acentuado declínio na proporção de nascimentos. Em Bucareste, capital romena, centenas de crianças que vivem nas ruas, 100 mil crianças foram abandonadas. Mais de 100 000 crianças no antigo bloco de Leste são empurradas para a prostituição. O acolhimento de crianças foi praticamente desmontado. Para muitas mulheres, a transição para o capitalismo é também uma verdadeira catástrofe, “Um número crescente de mulheres são vítimas de violência. Muitas mulheres que foram desesperadamente à procura de um emprego e uma vida melhor são empurradas para a prostituição por redes criminosas organizadas”. Cada ano, cerca de meio milhão de mulheres na região está literalmente exportado para a Europa Ocidental.

Antes da transição para o capitalismo, a região conheceu um bem-estar social garantido. Um relatório da ONU diz: “Antes dos anos noventa, a infra-estrutura social nos países da Europa Central e Oriental e os países da CEI foram muito bons tempos. Havia social de alta segurança de um emprego. Integral a base foi garantido para a vida. Como se o rendimento em dinheiro foi baixa, era estável e seguro. muitos bens de consumo e serviços básicos eram subsidiados e o abastecimento era regular. bastasse alimentação, vestuário e habitação. O acesso à educação e saúde estava livre. O conselho foi assegurado e as pessoas poderiam desfrutar de muitas outras formas de protecção social”. O relatório continua: “Hoje, uma educação adequada, uma alimentação saudável e adequada não são segurados perigo. A taxa de morte aumenta, potencialmente destrutivos novas epidemias ameaçam e fazem a vida (e sobrevivência), em um alarmante e crescente”.

Conseqüência: decresceu drasticamente alguns países. Na Ucrânia, a população diminuiu em 1,2 milhão desde 1991. Na Rússia, entre 1992 e 1997, a população diminuiu em 5,7 milhões, apesar da chegada de 3,7 milhões de imigrantes de países vizinhos. Isso significa que os russos estão a menos de 3.500 por dia. As Nações Unidas estimam que, se a tendência não for revertida, a população dos países do antigo bloco do Leste caiu 20% até 2050: 307-250 milhões.

O que as pessoas pensam?

A população varia, renúncia decepção e raiva. Alguns exemplos.

LeninPolônia emergiu mais ileso da transição. Neste país muito católico, o comunismo não era a vida mais fácil que nunca. No entanto, hoje, 44% do juiz polaco o período do Bloco de Leste como positivo. 47% acreditam que o socialismo é uma boa doutrina, que “tem sido mal aplicado”. 37% dos poloneses até mesmo fazer uma avaliação positiva do partido comunista estava no poder de 1945-1989. 31% estão insatisfeitos com este período. Apenas 41% acham que o capitalismo é um sistema melhor.

76% dos alemães orientais acreditam que o socialismo é “uma boa idéia que foi mal aplicada” e apenas um em cada três está satisfeito com a democracia funciona assim.

De acordo com um inquérito realizado em 1999, 64% dos romenos preferem a vida de Ceausescu. Na Rússia, Lênin é ainda popular. 67% dos russos emitiu uma opinião positiva sobre o assunto. Apenas 15% falam do papel de Lênin, em termos negativos. Há uma infinidade de insatisfação eo potencial de revolução é grande. As feridas do passado ainda estão frescas e confusão ideológica é ainda maior, mas não é de excluir que no futuro próximo, o retorno ao socialismo, mas desta vez “devidamente aplicados”.

Desde o advento do capitalismo, na Europa parece cada vez mais como um país do terceiro mundo.

  • Um décimo dos habitantes dos países do antigo bloco de Leste está desnutrida. Na Rússia, uma criança de sete anos que sofre de desnutrição crônica.
  • Pela primeira vez em 50 anos, o analfabetismo reapareceu.
  • A tuberculose é quase tão ampliada novamente, como no terceiro mundo.
  • O número de casos de sífilis na Rússia em 1998 foi de quarenta vezes maior do que em 1990.
  • Expectativa de vida dos homens russos caiu 63,8-57,7 anos, entre 1992 1994. Na Ucrânia diminuiu 65,7-62,3 anos.
  • Desde 1992, o número de alcoólatras na Rússia dobrou.
  • Para cada 100 gravidezes, há cerca de 60 abortos na Rússia. Resultado: 6 milhões de mulheres são inférteis.
  • Na Polônia, o número de suicídios aumentou 25%. Em alguns países da antiga União Soviética, este número foi duplicado.
  • O número de crimes na Bulgária, é quatro vezes maior do que em 1989 na Hungria e na República Checa, triplicou. Na Polônia, aumentou em 60% o número de mortes em outros países tem aumentado em 250%.
  • As Nações Unidas estimam que o número de mortes nos países ex-socialistas que são atribuídas a doenças novas (facilmente tratáveis) e violência (a guerra), é de 2 milhões nos primeiros cinco anos de transição para o capitalismo.

53% dos russos acreditam que a desintegração da URSS era evitável e mais culpa Gorbachev

Os russos ainda anseiam para a poderosa União Soviética para ser cumprida este ano, duas décadas após o desaparecimento da URSS. Os habitantes da Federação da Rússia não valorizam tanto a “liberdade individual”, como as conquistas sociais que garantiram a União Soviética: os postos de trabalho permanente, educação e saúde gratuita, habitação acessível e as pensões.

Segundo uma pesquisa sociológica do prestigiado Centro Levada, 55 por cento dos russos ainda lamentando o rompimento soviético. Esse percentual é um reflexo das opiniões dos adultos da Rússia, porque os jovens (17 por cento) e aqueles com mais de 60 anos (83 por cento) são posições muito extremas.

Ao olhar para trás, 53 por cento dos russos acreditam que a desintegração da URSS era evitável, enquanto 32 por cento pensam o contrário. Isto demonstra porque muitos russos continuam a culpar o último líder soviético, Mikhail Gorbachev, para colocar o prego na URSS acesso a todas as exigências dos EUA, que se tornou o vencedor da Guerra Fria.

Desde então, os EUA são a única superpotência global, apenas seguida de perto pela China, enquanto a Rússia ainda não superou o trauma da queda do comunismo. Outro exemplo dessa nostalgia é que mais de metade dos inquiridos a favor do reforço dos laços entre os quinze ex-repúblicas da antiga União Soviética, para a restauração da URSS.

Fonte: Escrito por Juan Carlos Arguello. Texto encaminhado por email do fórum “Socialismo ou Barbárie”. Para ler mais, acesse http://www.larepublica.es/spip.php?article22771, http://www.taringa.net/posts/info/8065282/Como-se-vivia-en-la-Union-Sovietica.html, ou http://socialismo-solucion.blogspot.com/2010/12/en-la-union-sovietica-se-vivia-mejor.html#ixzz1AI3Qsloi.