Em 1857, potências ocidentais atacam China dando início à Segunda Guerra do Ópio

Suspeito de contrabando, navio britânico Arrow é apreendido por soldados chineses

Conflito ocorreu em um contexto histórico de expansão do imperialismo; EUA, França e Reino Unido exigiam que chineses abrissem seu comércio à força.

A Segunda Guerra do Ópio foi um conflito armado entre Reino Unido e França de um lado e a dinastía Qing, da China, de outro, que teve início em 3 de março de 1857 com o ataque britânico à cidade de Guangzhou.

Os anos 1850 assistiram a um rápido crescimento do imperialismo. Alguns objetivos comuns entre as potências ocidentais consistiam em expandir seus mercados ultramarinos e estabelecer novos portos de escala. Em um esforço para ampliar seus territórios na China, o Reino Unido exigiu em 1854 que as autoridades da dinastía Qing renegociassem o Tratado de Nanquim. As demandas britânicas incluiam o exercício do livre comércio, a legalização da comercialização do ópio, abolição dos impostos a estrangeiros, supressão da pirataria, regulação do tráfico de coolies (trabalhadores semi-escravos) e a permissão do embaixador britânico residir em Pequim. A corte dos Qing repeliu as exigências apresentadas pelo Reino Unido, França e Estados Unidos.

A guerra pode ser vista como uma continuação da Primeira Guerra do Ópio (1839-1842). Em 8 de outubro de 1856, oficiais dos  Qing abordaram o Arrow, um barco de donos chineses, registrado em Hong Kong, suspeito de pirataria e contrabando. Doze chineses foram presos. O fato ficou conhecido como o Incidente do Arrow.

Oficiais britânicos em Cantão pediram a libertação dos marinheiros afirmando que como o navio havia sido recentemente registrado por britânicos estava protegido pelo Tratado de Nanquim. Quando se demonstrou que a alegação era débil, os britânicos insistiram  que os soldados dos Qing haviam insultado a bandeira. Em guerra com os insurgentes da Rebelião Taiping, os Qing não estavam em condições de repelir um ataque do Ocidente.

Após o Incidente do Arrow, no começo de março de 1857, os britânicos atacaram  Guangzhou a partir do rio das Pérolas. Depois de tomar os fortes cerca de Cantão, a armada britânica atacou a cidade. O Parlamento em Londres decidiu exigir compensação da China. França, Estados Unidos e Rússia receberam convite do Reino Unido para uma aliança. A França logo se uniu à ação britânica contra a China, provocada pela execução do missionário francês Auguste Chapdelaine, em Guangxi.

Britânicos e franceses uniram forças sob o comando do almirante Michael Seymour. Suas armadas atacaram e ocuparam no final de 1857. A aliança anglo-francesa manteve o controle de Guangzhou por quase quatro anos.

Em junho de 1858, terminou a primeira fase da guerra com o Tratado de Tientsin, no qual França, Rússia e Estados Unidos tomaram parte. Os chineses inicialmente se negaram a firmar o tratado que rezava: o Reino Unido, a França, a Rússia e os Estados Unidos teriam o direito de estabelecer delegações diplomáticas em Pequim, uma cidade fechada à época; dez novos portos seriam abertos ao comercio internacional, incluindo  Niuzang, Danshui, Hankou e Nanquim; o direito de todos os navios estrangeiros navegar libremente pelo rio Yangtsé; o direito aos estrangeiros de viajar livremente pelo interior do país; a China deveria pagar uma indenização ao Reino Unido e à França de 2 milhões de taeles de prata; além de uma compensação aos comerciantes británicos de 2 milhões de taeles de prata pela destruição de suas propiedades.

Em 1859, depois que a China se negou a permitir o estabelecimento de embaixadas em Pequim, conforme acordado no Tratado de Tientsin, uma força naval bombardeou os fortes localizados na boca do rio Hai He.

Em 1860, uma força naval anglo-francesa levou a cabo um desembarque em Pei Tang em 3 de agosto e um ataque bem-sucedido aos fortes de Taku em 21 de agosto. Em 26 de setembro, a força chegou a Pequim e tomou a cidade em 6 de outubro. Designado seu irmão, o príncipe Gong, como seu representante, o imperador Xianfeeng fugiu para o Palácio de Verão, em Chegde, mais ao oeste. As tropas anglo-francesas incendiaram, o palácio e o velho Palácio de Verão, depois de saqueá-los por vários días.

Os motivos da destruição do palacio de verão foram um tema de debate. Os britânicos alegaram que se tratava de desalentar os chineses de usar o sequestro como ferramenta de negociação, além de vingar-se do imperador por sua violação à tregua.

Ruínas do Palácio de Verão do imperador em Xiyanglou, na China, detruído por tropas britânicas e francesasHistoriadores ocidentais afirmam que a autorização dos britânicos para incendiar o palácio deveu-se à tortura e ao assassinato de quase 20 prisioneiros ocidentais. Os manchus da época haviam convertido a tortura em uma arte cruel que incluía a morte por meio de milhares de cortes na epiderme da vítima presa por uma espécie de jaqueta de arame; além da morte por mortificação, em que os membros eran separados do corpo, um a um. Historiadores chineses argumentaram que a destruição foi um encobrimento para os múltiplos saques.

O Tratado de Tientsin, firmado em julho de 1858, foi finalmente ratificado pelo irmão do imperador, o príncipe Gong, na Convenção de Pequim em 18 de ouutubro de 1860, enquanto as potências ocidentais ocupavam Pequim, pondo fim à Segunda Guerra do Ópio.

Convenção de Pequim submete China a indenizações humilhantesO comercio do ópio foi legalizado e aos cristãos foram concedidos todos os direitos civis, incluindo o direito à propriedade privada e o direito de evangelizar.

A Convenção de Pequim incluiu: abertura de Tianjin como porto comercial; cessão desse distrito ao Reino Unido; autorização aos navios britânicos de levar os chineses feridos aos Estados Unidos; indenização ao Reino Unido e à França de 8 milhões de taeles de prata a cada um.

Também nessa data

Há 91 anos nascia Leonel Brizola

Leonel Brizola, uma das maiores lideranças políticas do nosso país, antes, durante e depois da ditadura. Brizola liderou a Campanha da Legalidade bancando João Goulart como presidente, quando da primeira tentativa de afastá-lo do poder, e durante a ditadura foi exilado, só retornando anos depois quando fundou junto com seus colegas o PDT. Como governador do Rio de Janeiro, enfrentou e peitou poderosos tais como a Rede Globo (como podemos ver no vídeo acima) e deixou exemplo a outros políticos por não ter o “rabo preso”. Candidatou-se à presidência da república logo depois, e por pouca diferença não foi para o segundo turno contra Collor. O trem da história havia passado. Sua chance de ser presidente havia sido desperdiçada pelos golpistas e fascistas de 1964.

Brizola na Globo. Cid Moreira era a voz do dono, a voz de Roberto Marinho. Leonel Brizola ganhou na Justiça direito de resposta no “Jornal Nacional” – para responder às perseguições da Globo. Cid leu o texto de Brizola. Momento histórico na TV brasileira.

Morre Lenin, o líder da Revolução Russa

Lenin, o líder da Revolução Russa

Em 21 de janeiro de 1924, morre aos 53 anos o líder da revolução bolchevique, Vladímir Ílitch Ulianov – Lenin. O revolucionário já estava semi-paralisado devido a sucessivos acidentes vasculares e aos poucos foi obrigado a renunciar ao exercício do poder. Mas teve tempo de instalar a ditadura do proletariado após o triunfo da Revolução de Outubro. Sua morte, devido a uma hemorragia generalizada, provocou intensa comoção popular. O funeral de Lenin foi assistido por quase 1 milhão de pessoas sob o rigoroso inverno russo.

Teórico político e homem de ação, Lenin foi o primeiro dos herdeiros de Marx a conduzir uma revolução até a vitória, lançando as bases do sistema soviético. Combinando uma reflexão teórica original e uma visão de organização centralizada e disciplinada, foi considerado por seus contemporâneos como o verdadeiro pai da revolução bolchevique. Os opositores consideram-no também como a origem do sistema de repressão e supressão das liberdades individuais.

Influenciado desde muito cedo pela leitura da obra seminal de Karl Marx, O Capital, Lenin radicalizou sua posição com a execução de seu irmão mais velho, Aleksandr, por conspirar contra o czar Alexandre III em 1887. Profundo e ardoroso intelectual, Lenin associa os princípios do marxismo diretamente à sua própria teoria de organização política e a análise da realidade russa, imaginando um grupo de elite de revolucionários profissionais – ou “vanguarda do proletariado” -, que inicialmente conduziriam as massas russas à vitória sobre o regime czarista para finalmente provocar uma revolução mundial. Expôs essa teoria em sua famosa obra O que fazer? em 1902. A insistência de Lenin na necessidade desta vanguarda acabou por dividir o Partido Social-Democrata russo em dois. Uma ligeira maioria passou a ser conhecida como bolchevique que pregava a revolução e seus oponentes, como mencheviques, que defendiam as reformas graduais.

Após a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, Lenin, que então vivia na Suíça, instou seus partidários na Rússia de reverter o  conflito interimperialista numa guerra civil que livraria as classes trabalhadoras do jugo da burguesia e da monarquia. Com o sucesso da Revolução de Fevereiro de 1917 com a abdicação do czar Nicolau II, Lenin retorna clandestinamente à Rússia e trata de organizar a tomada do poder pelos bolcheviques, o que ocorreria em outubro do mesmo ano.

Ao chegar ao poder, Lenin busca um armistício imediato com as Potências Centrais (Alemanha, Áustria e Turquia) e age rapidamente para consolidar o poder do novo Estado soviético, sob o controle do que passou a ser Partido Comunista bolchevique. Para tanto, os “vermelhos” (revolucionários) tiveram de derrotar os “brancos” (reacionários) em feroz luta e repelir a invasão de 13 potências estrangeiras.

Em seus 6 anos de poder, Lenin enfrentou extremas dificuldades para implementar sua visão de Estado dentro das fronteiras, assim como materializar a revolução internacional. Lenin e o Politburo, que incluia Trotsky, seu fiel seguidor durante a guerra civil, e Josef Stalin, o secretário-geral do Partido Comunista, cuidaram de esmagar toda a oposição às políticas proclamadas na constituição da nova União Soviética.

Lenin sofreu um primeiro derrame em maio de 1922. O segundo, mais violento, ocorreu em maio do ano seguinte, deixando-o quase sem fala e praticamente encerrando sua carreira política.

Quando Lenin morre, em janeiro de 1924, em sua casa de campo em Gorki, o Politburo, em meio à comoção geral, prepara exéquias excepcionais. Stalin envia um telegrama a Trotsky, que estava ausente de Moscou, comunicando a morte de Lenin, mas o velho camarada não vai ao funeral. Havia três versões para a ausência de Trotsky: estaria em descanso no sul da Rússia; em tratamento de saúde; a serviço, a bordo de um trem militar. Trotsky telefona para Stalin e pergunta quando seriam os funerais. Stalin responde “No sábado. Você não conseguirá chegar a tempo, e de qualquer modo nós o aconselhamos a seguir aí com o seu tratamento de saúde”. As cerimônias ocorreram no domingo. Stalin foi o único orador ao lado do caixão mortuário. O povo e os camaradas do partido interpretaram a cena: Stalin transformara-se no herdeiro de Lenin.

Em tempos de twitter, vale a pena mencionar algumas das citações curtas de Lenin:

Enquanto o Estado existir não haverá liberdade; quando reinar a liberdade não haverá mais Estado

Os fatos são terrivelmente teimosos

A mania de citação é a nossa maior inimiga

A confiança não exclui o controle

Lá onde houver uma vontade, haverá um caminho

É mais agradável e mais útil fazer a experiência de uma revolução do que escrever sobre ela

O tempo não espera

O Estado somos nós

Em 1793, o ex-rei da França Louis Capet é guilhotinado

ex-rei da França Louis Capet

Às 10h20, de 21 de janeiro de 1793, na Praça da Revolução (atual Place de La Concorde), Louis Capet, 39 anos, ex-rei da França, é guilhotinado um dia após ser condenado por conspiração com potências estrangeiras e sentenciado à morte pela Convenção Nacional Francesa.

Preso nas Tuileries com sua família desde o mês de agosto de 1792, a Convenção o acusa de ser um traidor da Nação. Suas derradeiras palavras: “Franceses, eu morro inocente; perdôo meus inimigos; desejo que minha morte seja…” No entanto, o final de suas palavras seria coberto pelo rufar do tambor anunciando sua execução. Em 16 de outubro do mesmo ano seria vez de sua mulher Maria Antonieta ser executada na guilhotina em praça pública.

Luis XVI havia assumido o trono francês em 1774 e desde o começo mostrou-se incapaz de tratar dos graves problemas financeiros que herdara de seu avô, o rei Luis XV. Em 1789, numa desesperada tentativa de resolver a aguda crise por que passava o país, Luís XVI convoca os Estados-Gerais, uma assembleia nacional que representava os três “Estados” do povo francês – a nobreza, o clero e a população comum e que não se haviam reunido desde o longínquo ano de 1614.

Ao longo da década de 1780, vários ministros tentaram ampliar a cobrança de impostos para assim reverter o quadro critico do país. No entanto, o conservadorismo das autoridades reais e a conivência de grande parte da nobreza e do clero impediam a realização dessas mudanças.

O primeiro estado, o clero, contava com cerca de 120 mil religiosos divididos em alto clero (bispos e abades, muitos deles proprietários de terras) e o baixo clero (padres, monges e abades de pouca condição). O segundo estado, a nobreza, dividia-se entre a nobreza provincial (proprietária de terras) e a nobreza de toga (burgueses que compravam títulos de nobreza da Coroa). O terceiro estado era composto pela esmagadora maioria da população. No topo, a burguesia que se dividia em três categorias: a alta burguesia (banqueiros, agiotas e grandes empresários). Em seguida, vinha a média burguesia (empresários, professores, profissionais liberais e advogados). Por fim, a pequena burguesia (artesãos, pequenos comerciantes, artistas). Na base do terceiro estado encontrava-se toda a classe trabalhadora francesa, proletários, aprendizes, pequenos artesãos, e os camponeses livres e semi-livres.

À parte de formar um estado misto com agudos conflitos de classe, somente os integrantes do terceiro estado arcavam com as taxas e impostos que sustentavam a monarquia francesa.

No hemiciclo da Assembléia Geral, o primeiro estado, sentado à direita, contava com 291 cadeiras; o segundo, no centro, com 270; o terceiro, posicionado à esquerda, contava com 578 cadeiras. Como o voto era dado por Estado, a coalizão entre nobreza e clero barrava a aprovação de leis mais avançadas.

Contando com o apoio de integrantes dos demais estados, o Terceiro Estado forçou a adoção de voto por cabeça o que garantiu um amplo leque de reformas. Acuado o rei ameaçou dissolver os Estados gerais. Rebelados, os membros do Terceiro Estado reuniram-se nos espaços do Jogo da Péla, de onde exigiram a convocação de uma Assembléia Nacional. Sem saída, o monarca decidiu acatar o estabelecimento de uma Assembléia Nacional que aprovaria uma nova Constituição.

Diante da insuportável situação econômica vivida, a população começa a se mobilizar. No dia 14 de julho de 1789, uma grande multidão invadiu a Bastilha e libertaram todos aqueles que eram considerados inimigos da realeza. Era o começo da Revolução Francesa.

Em outubro de 1789, a multidão marchou sobre Versalhes obrigando o casal real a se mudar para as Tuileries. Em junho de 1791, forçaram os reis a fugir para a Áustria. Durante a viagem, Luis e Maria foram detidos em Varennes e reconduzidos a Paris. Ali, Luis XVI teve de aceitar a Constituição de 1791, que o reduziu a mera figura decorativa.

Em agosto de 1792, os reis foram presos pelos ‘sans-cullottes’ e levados à Conciergerie. Em setembro, a monarquia é abolida pela Convenção, que substituíra a Assembleia Nacional. Em novembro, ficaram provadas as maquinações contra-revolucionárias com a Áustria e outras nações estrangeiras, o que levou o rei a ser julgado por traição pela Convenção.

Em janeiro seguinte, Luis foi considerado culpado e condenado à morte por estreita maioria. Em 21 de janeiro, caminhou imperturbável para a guilhotina.

Em 1938, morre Georges Méliès, ilusionista e pai do cinema

Georges Méliès

Visionário e empreendedor, transformou a sétima arte ao assistir histórica projeção dos irmãos Lumière.

Georges-Jean-Méliès, ilusionista francês, que usava efeitos especiais para criar mundos fantásticos, morre em Orly em 21 de janeiro de 1938, aos 76 anos. Considerado o fundador da 7ª Arte, o cinema, Méliès fez mais de 500 filmes e construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa. Foi também o primeiro cineasta a usar desenhos de produção e storyboards para projetar suas cenas.

Méliès tinha 33 anos quando assistiu à primeira sessão pública dos irmãos Lumière. Isto ocorreu em 28 de dezembro de 1895, no Grand Café do bulevar des Capucines, em Paris. Deslumbrado, antevê a dimensão artística do cinema, a qual iria revelar ao grande público.

Nascido em 8 de dezembro de 1861, filho de família abastada, Méliès prestou serviço militar em Blois, cidade do prestidigitador Robert Houdin e assim descobriu sua vocação. Vai a Londres se iniciar na magia e de volta a Paris, vende sua parte na sociedade familiar para adquirir de Houdin um pequeno teatro. Rapidamente, ganha reputação como prestidigitador. Após a sessão memorável dos irmãos Lumière, mostra-se disposto a comprar seu material. Porém, Auguste Lumière recusa-se a vender, afirmando: “Agradeça-me, estou evitando sua ruína, pois este aparelho, simples curiosidade científica, não tem qualquer futuro comercial”.

Sem se deixar vencer, Méliès fabrica seu próprio aparelho à imitação daqueles dos Lumière. É o “kinetógrafo”. A partir de 1896, com o fim de renovar o interesse do público, idealiza montar ficções e inventa os primeiros efeitos especiais do cinema.

A história dessa invenção é curiosa. Méliès estava rodando uma cena de rua nos grandes bulevares quando sua máquina ficou travada durante um minuto. Ao inesperadamente voltar a funcionar percebeu que havia sido filmado antes da pane um ônibus da linha Madeleine-Bastille e, na retomada, um carro fúnebre. Seu técnico quis inutilizar esta passagem, mas Meliès o impediu, captando de pronto o resultado cômico do incidente.

Méliès conquista rapidamente grande sucesso junto ao público pela sua fantasia e sua imaginação que contrastavam com a vulgaridade da maioria dos realizadores de então. Ainda hoje sua arte suscita interesse entre os amantes do cinema. Abre em Montreuil-sous-Bois, perto de Paris, em 1897 um estúdio cinematográfico, cria sua própria companhia a Star-Film, e na duas décadas seguintes roda cerca de mil filmes.

Realiza em 1899 um filme engajado, absolutamente notável, sobre o Caso Dreyfus. Em 1901, filma a coroação do rei Edward VII, mesclando cenas de ficção, com figurantes, e uma rodagem  in situ, à saída da Abadia de Westminster. Esta proeza valeu ao cineasta ser convidado pela família real.

Méliès em ums de suas apresetnações como ilusionista, em 1896

Os primeiros filmes eram chamados de ‘‘vistas’’, evidentemente mudos, medindo 125 metros com duração média de 4 minutos. Eram projetados em barracas de feira. Méliès realiza em 1902 um primeiro ‘‘ longa metragem’’ com sua obra-prima “Viagem à Lua”, inspirado num romance de H.G. Wells publicado no ano anterior : Os Primeiros Homens na Lua. Investiu no projeto 30 mil francos, uma soma assombrosa. A rodagem durou 4 meses, de maio a agosto de 1902 e a primeira sessão teve lugar em 1º de setembro de 1902.

Película de duração excepcional de 16 minutos decepciona num primeiro momento os compradores para os quais foi especialmente apresentado. Temiam que os fizesse perder receita, uma projeção substuituindo quatro. O cineasta não obstante conseguiu convencer um deles a fazer um teste, exibindo-a na Feira do Trono em Paris.

O público lotou as sessões e o filme foi imediatamente distribuido em centenas de cópias pelo mundo inteiro, Estados Unidos inclusive. Foi o primeiro filme de exportação, visto que, feito só de imagens, superava as barreiras do idioma.

O genial criador é eleito presidente do Congresso Internacional de Editores de Filmes em 1909 porém, em seguida, é rapidamente ultrapassado pelo vertiginoso sucesso mundial do cinema. Além do mais, a I Guerra Mundial desfere um golpe fatal no cinema europeu e favorece o surgimento dos grandes estúdios de Hollywood.

Méliès teve de jogar a toalha em 1923 por não ter dado a sua companhia uma dimensão industrial. Arruinado, teve de vender seus bens e latas e latas de filmes. Restaram até nós apenas pouco mais de cinquenta.

Sem perder seu sorriso e o indestrutível otimismo, converte-se em vendedor de brinquedos numa galeria comercial da estação de trens de Montparnasse. Reconhecido ao acaso por ilustres cineastas, terminou, graças à mobilização da categoria,  tranquilamente seus dias no castelo de Orly, a casa de repouso das pessoas ligadas ao cinema.

O diretor Martin Scorcese recriou a história de Georges Meliès no aclamado A Invenção de Hugo Cabret, premiado com cinco Oscars em 2012.

Em 1915, o tubo de iluminação neon é patenteado

Cores produzidas pelo gás neon podem variar de acordo com a forma como ele é produzido

Uso do gás passou a ser muito disseminado, principalmente para fins publicitários. Georges Claude, químico, físico e inventor, patenteia em 19 de janeiro de 1915 o tubo de iluminação neon.

Por volta de 1902, ele foi o primeiro a aplicar uma descarga elétrica em tubo selado contendo gás néon com a ideia de criar uma lâmpada. Inspirado em parte na invenção de Daniel McFarlan Moore, a lâmpada de Moore, Claude inventou a lâmpada de neon mediante a descarga elétrica através de um gás inerte, comprovando que o brilho era considerável.

Realizara investigações sobre um grupo de gases, o criptônio, o xenon e o neon, que junto com o hélio e o árgon eram denominados “gases inertes” ou “nobres”. Demonstrou que, ao aplicar descargas elétricas dentro de um tubo de vidro que contivesse gases nobres, se podia produzir luz. A mais brilhante era a luz vermelha produzida com o gás neon e, por isso, ainda que se utilizasse outros gases, as luzes assim produzidas passaram a se chamar de luzes de neon.

Uma das consequências mais espetaculares dessa descoberta foi sua aplicação na publicidade e o surgimento de cartazes luminosos que mudaram a cara das cidades. Esta descoberta foi também o antecedente da luz fluorescente, que substituiu as lâmpadas incandescentes, primeiro nas indústrias e, mais tarde, em muitos usos residenciais.

No transcurso da Segunda Guerra Mundial, Claude apoiou o governo do marechal Petain, com sede em Vichy, e ao terminar o conflito foi julgado como colaboracionista. Passou quatro anos preso, de 1945 a 1949.

História do gás

Neon vem do grego “neos”, que significa “novo”. O gás néon foi descoberto por William Ramsey e Morris Travers, em 1898, em Londres, quando refrigeraram uma amostra retirada da atmosfera até que se tornou um líquido. Em seguida, o líquido foi aquecido e se capturaram os gases quando era fervido. Os gases encontrados foram o criptônio, xenônio e o neon. A cor vermelha brilhante, que é emitida pelo neon gasoso, foi notada imediatamente, sendo que Travers escreveu mais tarde: “A chama da luz vermelha do tubo contou sua própria história”.

Neon é um elemento raro, presente na atmosfera na extensão de 1 parte em 65.000 de ar. É obtido por liquefação de ar e separado dos outros gases, por destilação fracionada. Claude exibiu publicamente a primeira lâmpada de néon em Paris em 11 de dezembro de 1910. Em 1923, Claude, por meio de sua empresa Claude Neon, vende dois sinais de gás neon para um concessionário de automóvel Packard, em Los Angeles, por 24 mil dólares.

A iluminação a neon rapidamente se tornou bastante popular na publicidade externa. Visível mesmo de dia, as pessoas paravam para olhar os sinais de néon, cognominados então de “fogo líquido”. Os sinais de neon são produzidos por trabalhadores com habilidades para o ofício de vidraceiro, dando-se a forma desejada aos tubos de vidro. Os tubos de neon são feitos a partir de hastes vazias de vidro de 4 a 5 metros, onde são manualmente montadas de acordo com o projeto individualizado do cliente. Existem dezenas de cores disponíveis, definidas a partir do tipo de vidro do tubo e da composição do gás levado a preenchê-lo.

A manufatura dos sinais de neon é uma mescla de indústria artesanal e arte eclética e, na maioria dos casos, organizada na forma de pequeno negócio familiar. Mesmo nos dias de hoje, quase a totalidade dos tubos de neon são fabricados manualmente e resultado de labor intensivo.

O diâmetro externo do tubo mede entre 8 a 15 milímetros, com 1 milímetro de espessura da parede do vidro, o mais comumente usado, embora tubos com 6 milímetros estejam hoje comercialmente disponíveis com vidros de diversas cores. O tubo é aquecido por seções usando-se diversos tipos de queimadores, selecionados de acordo com a quantidade de vidro a ser aquecido para cada curva. O interior dos tubos deve ser recoberto por uma fina camada de pó fosforescente, disposta na parede interna do tubo com material colante.

O tubo é preenchido com uma mistura de gás purificado e o gás ionizado em alta voltagem aplicado por entre as extremidades do tubo fechado por meio de catodos frios soldados nas extremidades. A cor da luz emitida pelo tubo provém exatamente do tipo de gás ou da luz da camada de fósforo.

O gás neon é apenas um dos tipos de gás utilizado no preenchimento dos tubos, sendo sua aplicação é eminentemente publicitária. Gás neon puro é usado para produzir apenas um terço das cores. A maioria das cores decorre do preenchimento dos tubos com outros gases ‘nobres’, como o árgon ao qual se adiciona uma gota de mercúrio imediatamente após a purificação.

Em 1947, morre Aleister Crowley, a “besta” da magia britânica

Aleister Crowley

Místico influenciou diversas gerações de bandas do Rock e chegou a ser traduzido por Fernando Pessoa.

Serenamente segundo alguns, exultante segundo outros, falece aos 72 anos, no primeiro dia de dezembro de 1947, o místico britânico Aleister Crowley. Quatro dias depois, no crematório de Brighton, é realizada a cerimônia que ficou conhecida como “O Último Ritual”, com a leitura de trechos da Missa Gnóstica, e de seu famoso Hino, a Pã.

Socialmente, Crowley ficou conhecido no mundo do rock’n roll dos anos 70 por meio de Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles, Black Sabbath, Ozzy Osbourne e Iron Maiden. No Brasil, impossível deixar de falar em Raul Seixas, um devoto da obra de Crowley, junto com Paulo Coelho, que posteriormente abandonou o caminho thelêmico. Ambos estiveram sob instrução de Frater Thor.

Aleister CrowleyMuita gente já ouviu falar da Besta 666, o Anticristo, Lúcifer, o Demônio e o mal vinculado a estas figuras. O que poucas pessoas sabem é que um homem se intitulou “A Besta 666”. Pode nos vir à mente que se trata de um louco, um facínora, um celerado da pior espécie. Só que este homem, Crowley, se dizia o maior amigo da humanidade. A fortuna herdada gastou parte com livros que divulgavam sua filosofia, a Thelema, vinda dos dirigentes invisíveis da Terra, a Grande Fraternidade Branca. Outra parte foi gasta na criação de um centro de estudos de magia, na Sicília.

Nascido na Inglaterra, no seio de uma família de abastados cervejeiros, teve uma educação esmerada em Cambridge e pretendia seguir a carreira diplomática. Mas Crowley sonhou algo totalmente diferente. Seus interesses dirigiram-se para a magia, que se tornou o grande objetivo de vida.

Crowley vivia na Inglaterra Vitoriana, repleta de hipocrisias e falso moralismo. Era natural que seus objetivos, portanto, acabassem chocando-se com a sociedade da época. Foi taxado de pornográfico, depravado, drogado, satanista e mais uma infinidade de rótulos. Em 1904, aos 28 anos, Crowley atinge o ápice de sua carreira mágica. Casando-se com Rose Edith Kelly apenas 24 horas após se conhecerem, vai ao Cairo passar sua lua-de-mel.

Aleister Crowley

Durante a estadia, Rose passa a ter contato espontâneo com uma entidade (Thoth) que diz querer contatar seu marido. Ela então recebe por meio de um ritual de invocação a divindade egípcia conhecida como Hórus, o deus da guerra, com cabeça de falcão.

Crowley recebe da entidade Aiwass um documento chamado o Livro da Lei. Este livro continha uma mensagem sobre o início de uma nova era, denominada Aeon de Hórus, na era de Aquário-Leão e de Thelema, uma nova lei para a humanidade. A mensagem era recheada de frases ininteligíveis, porém destacava-se a prioridade à liberdade do homem e a busca do caminho pessoal de cada um.

Durante sua viagem à China, em 1905, Crowley realiza a Magia Sagrada de Abramelin mentalmente, e atinge o objetivo central de todo o iniciado: o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, na esfera de Tiphareth.

Crowley sempre foi uma figura polêmica: expunha sua condição sexual sem temor, possuía uma necessidade de auto-divulgação muito grande e não hesitava em participar de escândalos. Um homem de excessos, porém direcionados.

No ano de 1912 foi convidado pelo Grão Mestre Teodore Reuss a se filiar à Ordo Templi Orientis. Foi-lhe revelado então o segredo principal da ordem, o da magia sexual do grau IX. Após a morte de Reuss em 1925, Crowley assume a liderança do ramo britânico. Indo morar nos EUA durante a Primeira Guerra Mundial, publica o Volume III do The Equinox. Lá atinge a sephirah de Chokmah, assumindo o grau de Magus, em 1915, sob o motto A Grande Besta.

Em 1930 encontra-se com o poeta português Fernando Pessoa, que corrigira seu mapa astral. Pessoa, também interessado nos assuntos do ocultismo, ajuda numa simulação de suicídio de Crowley. Traduz algumas poesias da Besta. Financeiramente, a década de 1930 proporcionou algumas atribulações à Crowley, que vai à falência. No entanto, continua publicando obras, como o Equinócio dos Deuses, Oito Lições de Yoga e seu Confessions.

Durante a Segunda Guerra Mundial foi contatado por um amigo, agente da Coroa chamado Ian Fleming, o criador de James Bond, para ajudar no interrogatório de Rudolf Hess e fornecer a Winston Churchill informações sobre o pensamento supersticioso do inimigo. Dessa participação saiu o conhecido sinal do “V” da vitória, na verdade uma representação do símbolo da divindade Apophis-Typhon, um deus de destruição e aniquilação capaz de fazer frente às energias solares da suástica.

A herança de Aleister Crowley estende-se até hoje. É impossível estudar magia sem conhecer a obra da Besta. Atualmente, com o advento da internet, a cultura telêmica disseminou-se mais rapidamente angariando interessados. São inúmeras as ordens hoje que trabalham com o sistema em todo o mundo, principalmente baseados na estrutura da extinta O. T. O., refeita por Crowley.

Também nesse dia

Em 1893, o compositor russo Piotr Tchaikovsky morre em São Petesburgo

Piotr Tchaikovsky

Piotr Ilich Tchaikovsky, eclético compositor do auge do romantismo, morre em São Petersburgo, em 6 de novembro de 1893, vítima de tifo.

Sua obra de inspiração ocidental, à diferença de seus compatriotas contemporâneos, contém elementos exóticos mas não deixa de valer-se também de melodias folclóricas nacionais. Compôs em todos os gêneros mas é na música orquestral em que expõe todo o enorme talento a par de um senso melódico inspirado. Emprestou nobreza à música de balé, dando dimensão sinfônica a um gênero considerado menor. Encarnou a figura dominante do romantismo do século XIX com toda a sua vitalidade popular.

Segundo de seis filhos, nasce em Votkinsk em 7 de maio de 1840, no seio de uma família endinheirada, sem qualquer ligação com a música. Seu pai, engenheiro, dirigia as instalações mineiras do Estado em Kamsko-Votkinsk, no Ural. Foi uma governanta francesa quem lhe deu as primeiras lições de música.

Em 1863 se matricula no Conservatório de São Petersburgo, instituição sob os auspícios da Sociedade Russa de Música e direção de Anton Rubinstein. Cursa composição, orquestração, flauta e órgão e no final dos estudos apresenta uma cantata sobre verso “An die Freunde”, de Schiller.

Em Moscou, Nicolas Rubinstein, irmão de Anton, funda o conservatório e convida Tchaikovsky a lecionar harmonia.

Em 1867, compõe sua 1ª Sinfonia, apresentada com algum sucesso em 3 de fevereiro de 1868. No mesmo ano encontra-se com os músicos do “Grupo dos Cinco” – Mussorgsky, César Cui, Rimsky Korsakov, Balakirev e Borodin – que acolhem favoravelmente sua música. No entanto, não demora para se criar um fosso artístico entre eles.

Sua primeira ópera, Voivode sobre libreto de Alexandre Ostrovski, criada em 1869, tem pouco êxito. No mesmo ano compõe o poema sinfônico Fatum e conclui sua segunda ópera Ondine sobre libreto de La Motte-Fouqué.

Em 1870, Balakirev lhe encomenda um poema sinfônico. Compõe então Romeu e Julieta que obtém grande sucesso.

Em 1875 compõe o Concerto nº 1 para piano – que viria se tornar amplamente  conhecido – e o dedicou a Nicolas Rubinstein, que criticou severamente a obra: “Como você, meu caro, quer que eu dê atenção aos detalhes, se sua música me repugna em seu conjunto?”.

Contrariado, Tchaikovsky envia a obra a Hans von Bülow que a executa em Boston com sucesso. Revendo seu julgamento, Rubinstein acaba incluindo-a em seu repertório.

Tem início então uma importante correspondência , que marcou sua vida, com Nadejda von Meck, uma rica viúva, mãe de 11 filhos, que gostava de tocar música e reunia jovens em sua casa para organizar um ambiente musical.

Em 1876, recebe uma encomenda de balé para o Teatro Imperial e compõe “O Lago dos Cisnes” sobre um libreto de V. Begichev e V. Geltzer. A apresentação do balé em 20 de fevereiro de 1877 no Bolshoi de Moscou resultou em fracasso, o que o fez retirar a obra do repertório por muitos anos.

Homossexual, porém envergonhado, decide apresentar-se à sociedade com “imagem respeitável”.  Casa-se em 18 de julho de 1877 com uma ex-aluna, Antonina Miliukova. A união resulta num fiasco lamentável e Rubinstein é chamado para negociar uma separação amigável.

Nadejda von Meck resolve conceder-lhe uma pensão anual de 6 mil rublos, o que lhe permite levar uma vida de compositor e maestro em tempo integral.

Dedica sua 4ª Sinfonia à sra. von Meck, conclui a ópera Eugênio Oniéguin sobre texto de Pushkin e o célebre “Concerto para Violino e Orquestra em ré maior”. Viaja a Paris em 1885, onde se encontra com o editor Félix Mackar com o fim de publicar toda a sua obra.

A partir de 1886 começa a se apresentar como regente. Faz uma turnê pela Europa em 1888 e suas composições são acolhidas triunfalmente.

Em 1889, o dançarino e coreógrafo francês Marius Petipa lhe encomenda um novo balé tendo como argumento “A Bela Adormecida”, de Charles Perrault.

Em 1890  Nadejda von Meck suspende a pensão em razão de dificuldades financeiras. Especulou-se que ela teria tomado conhecimento da sexualidade do compositor e ficado chocada, pois suspendeu também a correspondência. É possível também que teria ficado desgostosa com uma grosseria de Tchaikovsky que lhe havia pedido juntar as contribuições mensais numa só, o que lhe permitiria comprar uma casa em Paris.

Em 31 de dezembro, apresenta sua ópera “A Dama de Paus”, libreto de seu irmão Modesto segundo poema de Pushkin.

A turnê pelos Estados Unidos em 1891 é triunfal. Participa em 5 de maio da inauguração do Carnegie Hall regendo suas obras. No mesmo ano, Petipa lhe encomenda outro balé, o “Quebra-Nozes”, segundo um conto de Hoffmann. O Balé estreia no teatro Marinsky de São Petersburgo em dezembro de 1892 com enorme sucesso.

Em 1893, compõe a 6ª Sinfonia, conhecida como “Patética”, sua obra definitiva, de extrema beleza. É o período em que estava obcecado pela ideia do homem lutando contra o seu destino. O primeiro movimento é revestido de uma dor intensa, uma luta sem piedade contra a morte. No terceiro movimento uma réstia de esperança parece renascer. O quarto e último movimento é um adágio lamentoso, verdadeiro réquiem, a morte traduzida em música. É o ápice do romantismo e do poder de sugestão.

Conta-se que, quando da estreia da obra no teatro Marinsky em São Petersburgo, Tchaikovsky jazia em seu leito de morte, vindo a falecer naquela mesma noite. A notícia do falecimento do compositor chega ao teatro exatamente no intervalo do terceiro para o quarto movimento. O maestro vira-se para a plateia e anuncia solenemente: “O nosso Tchaikovsky acaba de nos deixar”. Levanta a batuta e a orquestra executa o “adágio lamentoso”. O silêncio do público é absoluto. No entanto a emoção é tal que soluções abafados por lenços são ouvidos por toda a grande sala.

Em 1911 morre o jornalista norte-americano Joseph Pulitzer

Joseph Pulitzer, mais do que criar os prêmios que levam seu nome, ele também foi uma referência pioneira do jornalismo mundial

Joseph Pulitzer, magnata dos meios impressos de comunicação dos Estados Unidos, cuja visão se deteriorou rapidamente durante seus últimos anos de vida, morre em 29 de outubro de 1911. Em seu testamento deixou dois milhões de dólares para a criação de uma escola de jornalistas na Universidade Columbia. Deixou fundos para também financiar prêmios para literatura, dramaturgia, música e jornalismo.

Nascido no seio de uma família judia abastada – seu pai era um influente comerciante de grãos – em Budapeste, então Império Austro-Húngaro, em abril de 1847. Com 17 anos decidiu tornar-se soldado e tentou ingressar nos exércitos austríaco e britânico, não tendo êxito devido à frágil saúde e débil visão. Em 1864 decidiu emigrar para os Estados Unidos, onde serviu nas fileiras de um regimento de cavalaria, durante a Guerra de Secessão.

Pulitzer falava fluentemente alemão, francês e húngaro. Depois da guerra, trabalhou em Saint Louis, tendo trabalhado como carregador, bagageiro e garção, enquanto estudava inglês e direito.

Em 1866 conseguiu seu primeiro emprego como repórter no Westliche Post, um jornal em idioma alemão e, cinco anos depois, adquiriu uma parte desse jornal. Com 25 anos, torna-se editor e, em 1874, morando em Washington, trabalha como correspondente para o New York Sun. Em 1878, criou em Saint Louis, pela fusão de dois jornais, o Dispatch e o Evening Post, o Post-Dispatchs, tornando-se uma figura proeminente na cena jornalística. No mesmo ano casa-se com Kate Davis, mulher da alta sociedade, o que lhe confere um status social elevado e um maior reconhecimento entre a elite de Saint Louis.

Dono de respeitável riqueza, muda-se para Nova York, onde compra, em 1883, o jornal The New York World, centrado em escândalos e matérias sensacionalistas, por 346 mil dólares, que se tornou um dos mais importantes da época. Pulitzer anunciou então que seu jornal seria “verdadeiramente democrático, dedicado à causa popular em vez da dos potentados da Bolsa”.

Pulitzer filiara-se ao Partido Republicano, sendo eleito para a assembleia do Estado de Missouri. Em 1872, a exemplo de muitos republicanos radicais, defendeu Horace Greeley contra Ulysses Grant, sagrado candidato oficial republicano na eleição presidencial e que acabou conquistando a Casa Branca.

Pulitzer valeu-se também do New York World para defender um programa de reformas de dez pontos: imposto sobre o luxo; imposto sobre a herança; imposto sobre grandes rendas; imposto sobre monopólios; imposto sobre as corporações privilegiadas; imposição de tarifa sobre o petróleo; reforma do funcionalismo civil; punição aos corruptos; punição para a compra de votos; punição aos empregadores que coagem seus empregados nas eleições; cruzada contra as loterias, o jogo e a sonegação de impostos.

Em 1887, Pulitzer contratou Nellie Bly, jornalista que trabalhava para o Pittsburgh Dispatch. Nos anos que se seguiram tornou-se o pioneiro do jornalismo investigativo, escrevendo artigos sobre as condições de pobreza, trabalho e habitação em Nova York. Sete anos depois, ele deixou a direção editorial do New York World. Embora tivesse apenas 43 anos, estava praticamente cego, incapaz de retornar a sua mesa na redação. Continuou, porém, a chefiar os negócios e a determinar a linha editorial de suas publicações.

Em 1896, o jornal começou a editar um suplemento a cores. O jornalista Richard Outcault criou um personagem jovem que vestia uma camisola amarela. Conhecido como Yellow Kid, esse ‘cartoon’ tornou-se tão popular que outro magnata da imprensa, Wlliam Randolph Hearst, dono do New York Journal, ofereceu-lhe soma considerável para trabalhar para ele.

Hearst reduziu o preço de seu jornal para um cent e incluiu seções e encartes a cores. O rival, provocado, deu início a uma guerra de circulação, que envolveu esquemas promocionais e matérias sensacionalistas. Tudo isto levou ao que se tornou conhecido como jornalismo amarelo.

No dia 5 de agosto de 1962, Marylin Monroe é encontrada morta em seu quarto

Atriz Marilyn Monroe foi vítima de uma overdose de sedativos e anti-depressivos

Atriz Marilyn Monroe foi vítima de uma overdose de sedativos e anti-depressivos.

No dia 5 de agosto de 1962, a atriz cinematográfica Marilyn Monroe é encontrada morta em sua casa de Los Angeles, deitada nua em sua cama, com o rosto para baixo e o telefone em mãos. Caixas de pílulas vazias, prescritas para tratar de depressão, estavam espalhadas por todo o quarto. Após uma breve investigação, a polícia de Los Angeles concluiu que o óbito ocorreu “por uma overdose de sedativos”. O motivo foi “provavelmente suicídio”. No dia 8 de agosto, o corpo de Marilyn é velado no Corridor of Memories, nº 24, no Westwood Memorial Park em Los Angeles, onde está enterrada.

Marilyn Monroe nasceu Norma Jean Mortenson em Los Angeles em 1º de junho de 1926. Sua mãe, emocionalmente instável, era internada com frequência em um asilo. Foi, assim, criada por uma sucessão de pais adotivos e em orfanatos. Aos 16 anos, casou-se com um operário de uma fábrica de aviões, mas se divorciou poucos anos depois. Passou a ser modelo em 1944 e em 1946 assinou contrato de curto prazo com a 20th Century Fox. Foi aí que adotou o nome artístico de Marilyn Monroe. Teve participações muito pequenas em filmes e logo retornou à profissão de modelo, quando pousou nua para um calendário em 1949.

Começou a atrair atenções como atriz apenas em 1950, após figurar em papeis menores nos filmes O Segredo das Joias e A Malvada. Embora tenha interpretado personagens menos importantes como amante em ambos os longas, as plateias passaram a aplaudir a loira estonteante e ela ganhou um novo contrato da Fox. Sua carreira de atriz alçou vôo com atuações em O Segredo das Viúvas (1951), O Inventor da Mocidade (1952) e Torrente de Paixão (1953).

Celebrada por sua voluptuosidade e charme contagiante, conquistou fama internacional por seus papeis como símbolo sexual em Os Homens Preferem as Loiras (1953), Como agarrar um Milionário (1953) e  O Mundo da Fantasia (1954). Em O Pecado Mora ao Lado (1955), quando demonstrou também seus inegáveis talentos para a comédia, roda a clássica cena em que aparece sobre o exaustor do metrô e o vento dos trens levanta seu vestido branco. Em 1954, casa-se com o astro do beisebol Joe DiMaggio, atraindo mais publicidade ainda. Se divorciam, contudo, apenas oito meses depois.

Em 1955, estudou sob orientação de Lee Strasberg no Actors Studio em Nova York e, em seguida, fez uma expressiva performance como uma desafortunada artista em Nunca fui Santa (1956). Em 1956, casa-se com o renomado dramaturgo Arthur Miller. Estrela em 1957, ao lado de Laurence Olivier, O Príncipe Encantado – um fracasso crítico e comercial. No entanto, em 1959, foi aclamada na consagrada comédia Quanto Mais Quente Melhor. Em seu último papel, em Os Desajustados, foi dirigida por John Huston num roteiro escrito por Miller, de quem se divorciou uma semana após a estreia do filme.

Em 1961, Marilyn, afetada por depressão, estava sob constantes cuidados psiquiátricos. Crescentemente errática nos últimos meses de vida, vivia reclusa em sua casa de Brentwood. Passada a meia-noite de 5 de agosto de 1962, sua empregada, Eunice Murray, notou que as luzes do dormitório ainda estavam acesas. Ao notar a porta trancada e ver que Marilyn não respondia aos seus chamados, Murray chamou o psiquiatra Ralph Greenson, que conseguiu acesso ao quarto quebrando a janela. Encontrou-a já morta. A polícia foi chamada pouco depois. A autópsia localizou uma quantidade fatal de sedativos em seu sistema sanguíneo e a ‘causa mortis’ foi dada como provável suicídio.

Em décadas recentes, houve um número de teorias conspiratórias acerca de seu falecimento, a maioria alegando que teria sido morta por John ou Robert Kennedy, com quem ela mantinha casos amorosos. Essas teorias afirmavam que os irmãos Kennedy a teriam matado porque temiam que tornasse público seu relacionamento e outros segredos governamentais que pudessem ter reunido. Em 4 de agosto, Robert Kennedy, então procurador-geral no governo de seu irmão, estava de fato em Los Angeles. Duas décadas após o fato, a governanta de Monroe, sra. Murray, anunciou pela primeira vez que Robert havia visitado Marilyn na noite de sua morte e brigado com ela. No entanto, a confiabilidade dessa e de outras declarações feitas por Murray foram questionadas.

Também nesse dia