A posse

Elegemos um grupo do WhatsApp para governar o país!

Elegemos um grupo do WhatsApp para governar o país!

Não irei à sua posse
Porque sou negro cotista
Sou filho da diarista
Daquela cuja empregada
que a carteira assinada
Você queria negar.

Não irei à sua posse
Porque sou homoafetivo
Filho do índio nativo
Dono desse lugar
Cujas terras demarcadas
Você reluta em tomar.

Não irei à sua posse
Porque sou mulher educada
Não nasci de fraquejada
E luto por igualdade
E isso me engrandece
Mas respeito e liberdade
não é coisa pra covarde
Isso você desconhece.

Não irei à sua posse
Porque sou trabalhador
Se sem direitos estou
É porque você contribuiu
Pra reforma trabalhista
Assassinou o sindicato
E o povo pagará o pato
Do modelo escravagista.

Não irei à sua posse
Porque eu sou um retirante
Filho de um imigrante
Imitante de Jesus
Que também por um instante
foi um simples imigrante
Pra cumprir com sua cruz.

Não irei à sua posse
Porque sou deficiente
Sou humano, sou valente
Mas tenho vergonha na cara
Minha cadeira de rodas
Segue outra direção:
A do respeito, inclusão
A direção bem contrária
Dessa farsa anunciada.

Não irei a sua posse
Porque eu sou a poesia
Sou poeta sou folia
Sou a cantiga de rodas
Sou quilombo, sou favela
Sou a pipa da janela
Voando a favor do vento
Caindo na plantação
De uma reforma agrária
Sou a raça libertária
Sou alegria perene
Por isso não me condene!
Sua graça é temporária.

Recebido no grupo do Comitê pela Democracia
Autor desconhecido.

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Por que os evangélicos votaram em Bolsonaro?

Por que os evangélicos votaram em Bolsonaro

Primeiro é importante destacar que, se as aparências costumam enganar, talvez no campo evangélico enganem mais ainda. Um exemplo foi uma pesquisa coordenada por professores da USP e da Unifesp, com participantes da marcha pra Jesus em junho de 2017, organizada pela direita evangélica. Foi observado que “ao contrário do que poderia apontar o senso comum, as opiniões desses fiéis têm mais matizes com respeito à questão de gênero e de direitos das minorias LGBT do que o alinhamento fechado da influente bancada evangélica no Congresso, composta por 75 deputados federais e três senadores”. Na pesquisa durante Marcha para Jesus em 2018, Lula teve 20,09%, seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 15,6%, a intenção de votos. Talvez nenhum evangélico, mesmo petista, apostasse em um resultado semelhante em função da aparência na conjuntura naquele momento.

De fato nas eleições as pesquisas eleitorais apontam uma votação em Bolsonaro para presidente no segundo turno maior que a média geral o que indica que o voto evangélico ajudou na sua vitória. Destacamos aqui alguns elementos que provavelmente ajudou a conquistar esse resultado.

No inicio de 2013, quando o Deputado Marco Feliciano foi eleito como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o Deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) se aproximou mais da Bancada Evangélica e da Comissão, fazendo um papel de defesa agressiva e ganhou a simpatia dos deputados evangélicos. Em 2016, deputado federal Jair Bolsonaro, já no PSC, foi batizado no Rio Jordão, em Jerusalém, pelo Pastor Everaldo, presidente do PSC. No mesmo ano foi também lançado com pré-candidato a presidência pelo PSC, começando desde já, sua campanha e fortemente entre os evangélicos.

Enquanto Bolsonaro fazia sua campanha presidencial, a pauta do PT era “Não vai ter golpe” e na sequência o “Lula Livre”. Não havia espaço para uma tentativa de dialogo com os evangélicos, pois todas as energias estavam tomadas por essas pautas.

Outro aspecto a ser analisado melhor foi o número de lideranças representativas que declararam apoio e fizeram uma campanha aguerrida pro Bolsonaro. Um dos aspectos que talvez tenha influenciado foi o fim das doações de empresas que deixou o PT sem recursos para os famosos “projetos eleitorais” entre os evangélicos. Talvez tenha ficado então a identidade ideológica de projeto de poder político dessas lideranças com Bolsonaro. Aqui entraria as narrativas falaciosas de combate ao comunismo, “defesa da família”, LGBTI, Aborto, transferência da embaixada de Israel para Jerusalém, e principalmente a expectativa de participação fisiológica no governo. Não podemos deixar de destacar o fato da esposa de Bolsonaro ser membro de uma igreja Batista, o que talvez tenha ajudado a fortalecer o diálogo.

Para facilitar ainda mais a campanha do Bolsonaro a esquerda entre os evangélicos parece um elefante em uma loja de louças. Seria interessante perguntar quais são os erros da esquerda com os evangélicos, com o objetivo de torna conhecido os momentos em que foi colocado gasolina da fogueira da direita visando apagar o fogo. Citando apenas dois exemplos, temos a reação contra Marcos Feliciano quando foi eleito presidente da comissão de direitos humanos. Entendemos que a esquerda fez dele uma vítima e ajudou a dar visibilidade nacional, enchendo a bola da bancada evangélica.

Outro exemplo foi a declaração de Haddad: “Sabe o que é o Bolsonaro? Ele é o casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, […] com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é o Bolsonaro”. Talvez se equipare a Haddad pedir para os evangélicos não votar nele. Não sei se a esquerda sabe que é preciso dizer de forma muito clara que, chegando ao poder, vai respeitar a liberdade religiosa dos fundamentalistas. Não são raras as vezes que políticos de esquerda usam a palavra “fundamentalistas”, de forma inapropriada expressando exatamente o contrário. Precisamos nos lembrar de que até poucos anos atrás não havia liberdade religiosa na União Soviética.

Além desses dois exemplos podemos falar de muitos outros que, em minha opinião, fazem com que a esquerda termine criando uma falsa imagem de si mesma perante os evangélicos e, consequentemente, empurrando-os para a direita. Compartilho o texto do EPJ – Evangélicos Pelo Justiça, “O cristão e a Esquerda”. Nele se mostra o erro de se falar que é “a favor de aborto” e trata um pouco da questão LGBT.

Aparentemente a distância entre o “mundo da esquerda” e o “mundo evangélico” tem aumentado cada vez e está mais difícil fazer pontes. Para piorar ainda mais a situação temos mudanças conjunturais gigantes que ainda não foram suficientemente compreendidas. O lado bom é que a esquerda com um todo tem percebido a necessidade de dialogar com esse campo. Enfim, a luta continua!

Felizes os que têm fome e sede de justiça!

Geter Borges de Sousa.

PT nunca mais?

Deixa eu te explicar uma coisa. Bolsonaro tem 30 anos de nada no congresso. Durante esse período só teve dois projetos de lei aprovados, e passou todo esse tempo defendendo ditadura, tortura e ofendendo negros, gays, índios, ex presidiários e nordestinos. Sua campanha política foi marcado pelo ódio. Ódio ao PT, ao Lula, a Dilma, e a esquerda. O que ele não se deu conta, é que pra ter um bom governo, ele precisa do apoio das bancadas. E que eu saiba a maior bancada no congresso ainda é do PT. Sem contar as demais esquerdas. Sem contar que o Lula ganhava nas pesquisas eleitorais. E aonde estão esses eleitores? Evaporaram? Não. Estão vivos e ofendidos com todas palavras de ódio ao Lula. Sem contar que Lula está velho e preso. O que agrava ainda mais a ofensa. Bolsonaro pegou o país na pior situação da história. Com metade do país exigindo mudanças imediatas. E a outra metade o odiando e torcendo pra tudo dar errado. Sinceramente, eu não queria estar na pele dele. PT? A esqueci. Só está crescendo cada vez mais.

Pastor Daniel Elias.

Um terço dos inscritos não se apresenta no programa Mais Médicos

Programa Mais Médicos

Brasileiros que preencheram cadastro do programa deixam pelo menos 30% das vagas vazias. Muitos abandonaram vagas de saúde da família para comparecer.

Dos 8.411 inscritos no edital do programa Mais Médicos, aberto em função do rompimento da parceria com Cuba por conta de ameaças de Jair Bolsonaro, 2.520 profissionais não compareceram nem iniciaram as atividades nas cidades até as 17 horas de sexta. O número corresponde a cerca de 30% das vagas, o que deixará milhares de pessoas desassistidas em todo o país.

Outras 106 vagas do edital nem chegaram a ter interessados — a maioria em distritos sanitários indígenas, justamente onde os cubanos atuavam de maneira mais presente. Os dados são do ministério da Saúde, que acabou prorrogando o prazo de comparecimento para essa terça (18) e prorrogou o prazo para inscrições de médicos formados no exterior sem revalida para o domingo (16).Além do desfalque no programa, ocasionado pela política hostil e ideológica de Bolsonaro, que ameaça todos que não estão alinhados com sua visão de mundo, a saída dos Cubanos também ocasionou uma saída de médicos da Saúde da Família.

Cerca de 2.800 profissionais, quase 40% dos inscritos, abandonaram postos de trabalho no SUS para se tornarem bolsistas do Mais Médicos, segundo informação do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

O conselho realizou o levantamento utilizando dados do Ministério da Saúde, com base em uma relação que listava 7.271 profissionais alocados (de um total de 8,3 mil inscritos confirmados) pelo novo edital, cruzando dados com a lista dos profissionais já em atuação no país disponível no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

“Em vez de somar profissionais, esse novo edital está trocando o problema de lugar. Se o médico sai de um serviço do SUS para atender em outro, o município de origem fica desassistido, principalmente no Norte e Nordeste”, afirmou o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, em entrevista ao G1.

O motivo para a migração está no salário pago pelo Mais Médicos, de R$ 11.800, mais benefícios como ajuda de custo, que varia de R$ 1.000 a R$ 3.000 por profissional.

Brasileiros abandonam programa em até 1 ano e meio

Além das vagas que ficaram em aberto, também gera preocupação os altos índices de desistência entre brasileiros no programa. Entre 2013 e 2017, mais da metade (54%) dos profissionais do país deixaram seu posto de trabalho em até 1 ano e meio.

A  alta rotatividade é mais expressiva em São Paulo e Mato Grosso, onde 70% dos participantes deixou o programa em até um ano e meio, sendo que em SP, 40% não ficaram nem 12 meses. A maioria dos desistentes (58%) atuava em periferias de capitais e regiões metropolitanas e áreas consideradas de extrema pobreza.

Parece existir uma resistência dos profissionais formados no país com o programa. Em 2013, ano do lançamento, apenas 6% das vagas foram ocupadas por médicos brasileiros.

Matéria publicada pelo Intercept Brasil mostrou ainda que a maior preocupação entre os brasileiros que ingressam no programa, é quando poderão abandoná-lo. Muitos trocam o trabalho por vagas em cidades maiores, ou abandonam o programa para iniciar uma residência.

Da redação da Agência PT de notícias, com informações do G1 e da Folha.

Torço para dar errado desde a véspera, por razões éticas, políticas, humanitárias, históricas e por aí vai…

Cristo Redentor foguete

Talvez você já tenha visto e lido esse texto por aí, não é meu, é de autoria de Luiz Carlos Romanholli. Recebi através de um das dezenas de grupos que participo no  WhatsApp e não é bem o meu posicionamento quanto a questão em torcer pra dar errado, essa não é minha política. Mas, o conteúdo é relevante, interessante na verdade e por isso, compartilho no meu blog. Vamos ao conteúdo.

Fala-se em “torcer pelo governo Bolsonaro”. Bem, eu acho que a gente torce é pra time e pra ganhar a Mega-Sena. De governo se cobra os erros e se apoia os acertos. Todo cidadão é oposição, independentemente do governo. Mas, vá lá, vamos admitir que se possa torcer. Então, eu torço contra. Quero que dê errado. Muito errado. Por uma razão simples: o que significa esse governo dar certo? Vamos à lista (feita a partir das promessas de campanha e das escolhas ministeriais):

  • Concentração de renda e aumento da pobreza e da desigualdade.
  • Achatamento salarial.
  • Perda de direitos trabalhistas.
  • Fim da aposentadoria.
  • Aumento do lucro dos bancos.
  • Censura a escolas, universidades e professores, com perseguição ao pensamento crítico.
  • Desmonte do ensino público em favor de grandes grupos privados do setor.
  • Incentivo do ensino à distância.
  • Desmonte do SUS para beneficiar as operadoras dos planos privados.
  • Perseguição a opositores. Notadamente de esquerda, mas não só.
  • Tolerância à tortura.
  • Incentivo à violência policial, com a respectiva impunidade dos criminosos de farda.
  • Ameaça às liberdades democráticas e ao estado de direito.
  • Discurso oficial misógino e machista.
  • Perseguição aos movimentos de trabalhadores rurais.
  • Tolerância à violência contra mulheres, LGBTs e gays.
  • Desmonte das políticas afirmativas para essas “minorias”.
  • Aumento do desmatamento para atender os interesses do agronegócio e das mineradoras.
  • Aumento do número de homicídios com a liberação do porte de armas.
  • Frouxidão na fiscalização e punição de crimes ambientais.
  • Frouxidão na fiscalização e punição de trabalho escravo.
  • Desmonte do incentivo federal ao esporte.
  • Desmonte das universidades públicas.
  • Perseguição a índios e quilombolas.
  • Desmanche da cultura e “criminalização” de nossos artistas.
  • Tolerância à corrupção.
  • Fake news oficial.
  • Tolerância a crimes de racismo.
  • Interferência direta da religião (uma especificamente) nas decisões do executivo, ameaçando o estado laico e nos empurrando para uma temível teocracia.
  • Ameaça à liberdade de imprensa, com censura e chantagem usando o expediente de verbas públicas de publicidade.
  • Política externa suicida em nome de mentiras, moralismo tacanho, fanatismo religioso e desconhecimento histórico.
  • Subserviência aos Estados Unidos.
  • Entreguismo.
  • Falta de planejamento.
  • Memes ruins.
  • Muita burrice.
  • Muita mentira.
  • Mais burrice.
  • Muita corrupção.
  • Burrice pra caralho.
  • Muita cafonice.
  • Eu cheguei a mencionar burrice?
  • Excelentes salários para motoristas.

Eu quero que dê errado pra cacete.

O Mais Médicos tem menos médicos trabalhando do total de inscritos para trabalhar

Programa Mais Médicos - protesto de médicos brasileiros

Até o dia 28 de novembro, menos de 10% dos inscritos se apresentaram para trabalhar.

Pouco menos de 10% dos aprovados no novo edital do programa Mais Médicos se apresentaram para trabalhar em seus respectivos postos de saúde. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo ministério da Saúde.

Das cerca de 8,5 mil vagas abertas com saída de Cuba do programa, 8.319(97,8%) foram preenchidas. O ministério informou, no entanto, que apenas 738 profissionais já se apresentaram nos locais que se inscreveram para começar os trabalhos, o equivalente a 8,9%.

No texto, a pasta ainda explicou que a gestão dos municípios é a responsável por estabelecer a data do início das atividades dos médicos. A apresentação dos profissionais tem de ser feita até o dia 14 de dezembro, de acordo com o edital.

Em Cosmópolis, interior de São Paulo, de sete aprovados no novo edital, só três estão disponíveis. Três desistiram antes de “tomar posse”, diz a prefeitura, e um não se apresentou. A reposição dos desistentes já foi pedida. Lá havia oito médicos cubanos – sete saíram. O outro fez o Revalida, exame de validação do diploma obtido no exterior, e foi aprovado. O jornal O Estado de S. Paulo tentou contato com os desistentes, mas eles não quiseram falar.

A evasão preocupa gestores de Saúde. Se houver dificuldade em repor os cubanos, o ministério estuda deslocar profissionais que já atuam no programa para essas regiões. Em edital de novembro de 2017, o índice de desistência entre profissionais com registro havia sido de 20%.

Em Contagem, Grande Belo Horizonte, a expectativa era receber cinco inscritos, mas dois desistiram. Os outros devem começar na semana que vem. Um posto em Nova Contagem, bairro pobre da cidade, só tinha um médico, cubano, e agora está sem nenhum. A prefeitura estima que 22 pacientes deixem de ser atendidos por dia no local.

O Ministério da Saúde disse adotar medidas “para garantir a assistência”. Balanço sobre o novo edital deve sair no dia 18. “Em caso de desistência, a vaga será disponibilizada numa possível segunda etapa”.

Com informações da Agência Estado.

Bolsonaro nunca esperou uma resposta tão forte de Cuba, diz médico brasileiro

Programa Mais Médicos - Médicos cubamos

Bolsanaro teve uma ação muito desajeitada e nunca imaginou que receberia uma resposta tão forte de Havana, disse Daniel Sabino, formado pela ilha em 2010.

O presidente eleito Jair Bolsonaro nunca esperou uma resposta tão forte de Cuba que sua colaboração com o Programa Médicos Mais cessou e hoje essa decisão honrosa gera o caos sanitário no Brasil.

Isto foi afirmado pelo médico brasileiro Daniel Sabino, que se formou na ilha em 2010, da Prensa Latina.

Cuba determinou em meados deste mês não participar em Mais Médicos antes de perguntas e declarações depreciativas do futuro governador sobre os profissionais da ilha.

Bolsanaro tinha ações muito desajeitados e nunca imaginei que eu iria receber uma resposta tão esmagadora de Havana, porque quando algumas figuras estão fazendo campanha dizem coisas loucas, mas então no poder, por vezes, não cumprem,
disse Sabino.

Ele reiterou que o político de extrema-direita “não esperava uma resposta tão rápida e enérgica. Foi muito lamentável, no sentido de que se você já é o presidente e o médico está na comunidade, você deve continuar trabalhando lá”.

Para Sabino, o ex-militar “foi levado pelos bandeiras políticas e ideológicas que respondem a grupos de interesse com uma tradição de luta contra a revolução cubana e partidos de esquerda, e não acho que a qualquer momento no atendimento médico de seu povo”.

Agora, refletiu o médico, “um gigante como o Brasil ficará sem assistência médica nos lugares mais necessitados, em comunidades distantes das grandes cidades, nas cidades originais”.

Muitos profissionais brasileiros estão agora registrados para cobrir os lugares deixados pelos cubanos, mas o ano está entre 30 e 40 por cento, disse o médico e revela: “não é o primeiro que isso acontece”.

Ele explicou que “por tradição, os médicos brasileiros querem ir trabalhar em grandes centros urbanos, para aparecer em clínicas particulares. Eles são atraídos para o mercado, dinheiro”.

Apenas um profissional, forjado com ideais de humanismo como o cubano, vai aos lugares mais necessitados da assistência médica.

Segundo Sabino, Cuba e Brasil têm bases curriculares muito semelhantes na carreira da Medicina, mas há uma diferença marcante.

Nesse sentido, ele argumentou que “na ilha há mais ênfase na prática, na abordagem do médico aos cenários clínicos, próximos à população”.

Desde os primeiros anos de carreira trabalha-se, seja estudante, em hospitais ou centros de assistência cubanos. O aspecto humano é priorizado. No Brasil há uma abordagem, uma visão mais forte em relação ao mercado, em direção ao corporativismo, em tornar-se rico, ressaltou.

Sobre o mesmo assunto, o médico brasileiro Carlos Simer, formado em 2006 na Escola Latino-Americana de Medicina da Ilha (ELAM), argumentou que “a diferença está no prático e no humano. Em Cuba, aprendemos a sentir, a entender a pessoa, como ele vive e o diagnóstico é procurado”.

Os cubanos transformaram e demonstraram o que realmente é um médico. Eles trouxeram e aplicaram a melhor maneira de interagir com a comunidade. Se o Brasil tinha Cuba no Programa Mais Médicos, é porque faltava alguma coisa e faltava neste país,
disse Simer.

Fonte CubaSí

De acordo com a OPAS, Cuba enviou médicos experientes para o Brasil

Programa Mais Médicos - Médicos cubanos

Cuba enviou médicos experientes para o Brasil e foi uma resposta de emergência à falta de profissionais no interior do país, disse hoje o representante da Organização Pan-Americana da Saúde.

Cuba enviou médicos experientes para o Brasil e foi uma resposta emergencial à falta de profissionais no interior do país, disse hoje o representante de Cuba na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Joaquín Molina.

“Eles são médicos com prática. Cuba nunca enviou ao Brasil um recém-formado, apenas aqueles com experiência”, disse Molina, citado por uma edição do jornal Folha de São Paulo.

Ele explica que a chegada de médicos cubanos para trabalhar no Programa Mais Médicos representou uma resposta emergencial a uma época em que o Brasil estava “desesperado” pela falta de profissionais de saúde.

Segundo Molina, que está no Brasil desde 2012 e acompanha o programa desde o início, “a necessidade de médicos estrangeiros era óbvia”.

Quando o Brasil criou o Programa Mai Médicos, estava em uma situação desesperadora, com milhares de vagas abertas e desocupadas, e as ocupadas eram parcialmente, diz o delegado da OPAS.

Afirma que, cinco anos depois, o alto número de médicos de intercâmbio, em lugares onde não havia interesse por parte dos brasileiros, mostra que o problema da falta e da má distribuição de médicos no país ainda persiste.

Em meados deste mês, Cuba anunciou o fim do acordo com a More Doctors of Brazil. Sua decisão respondeu a perguntas e declarações depreciativas do presidente eleito Jair Bolsonaro, que queria mudar o acordo com os profissionais da ilha caribenha.

Para Molina, a possibilidade de quebra do contrato era esperada. A decisão foi de Cuba, mas não é surpreendente. De qualquer forma, seria difícil para eles continuar nas condições atuais”, ressalta.

O funcionário da OPAS rejeitou críticas sobre a formação de médicos cubanos, muitos dos quais têm experiência em outras missões colaborativas.

Cubasí

Quero ver que médico brasileiro vai querer morar e trabalhar em tempo integral nos postos de saúdes catarinenses

Em Içara, 82% dos eleitores escolheram Bolsonaro. A cidade perdeu a metade dos doutore do Mais Médicos.

Nicolas ficou oito dias internado no hospital de Içara. E nenhum dos médicos sabia explicar o que atacava o garoto de 8 anos. “Depois disso, eu trouxe ele no posto de saúde e conhecemos a doutora Ienni”, me disse a mãe de Nicolas, Renata Reus, moradora da pequena cidade no interior de Santa Catarina.

A doutora Ienni Lopes Camacho, de 27 anos, é um dos nove cubanos que atuavam na cidade de 55 mil habitantes como parte do programa Mais Médicos até a decisão do governo caribenho de retirar seus profissionais do Brasil em resposta ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, crítico da importação de médicos. Os cubanos representam metade do força de atendimento básico na cidade.

Nicolas sofria há meses de problemas de saúde não identificados. Quando encontrou o rapaz, Camacho pediu uma série de exames e descobriu que o garoto sofria de múltiplas alergias, incluindo doença celíaca, o que o impede de comer alimentos com glúten, como pão. “Ela foi muito atenciosa e pediu vários exames até descobrir o que ele tinha”, me disse a mãe. “Não quero desmerecer os médicos brasileiros, mas os cubanos têm um cuidado especial com os pacientes. Se eles forem embora, acho que a nossa cidade vai piorar”, completou.

No dia 19 de novembro, Renata Reus saiu lacrimejando da última consulta com a sua médica preferida. Assim como outros 8.555 médicos cubanos no Brasil, Camacho deve deixar o país. “Podemos fazer um abaixo-assinado para a doutora ficar na cidade?”, perguntou.

A mãe de Nicolas votou em Jair Bolsonaro, bem como 82% dos eleitores de Içara. “Eu não tenho como dizer se é culpa dele [Bolsonaro] ou não a saída dos médicos cubanos, pois ele nem assumiu ainda a Presidência. Eu acredito que ele vai ser um bom presidente, mas que esses médicos não deveriam ser retirados por uma avaliação política, mas, sim, pelo seu profissionalismo. É triste isso porque perdemos bons profissionais”, me disse.

Dos 18 médicos que atuam na atenção básica na cidade, 14 são do programa Mais Médicos.

Nesta semana, uma médica cubana de Içara já retornou para a ilha do Caribe, e todos os médicos estrangeiros já estavam afastados do trabalho desde terça-feira por orientação do governo da ilha. Dos 18 médicos que atuam na atenção básica na cidade, 14 são do programa Mais Médicos, criado em 2013 pela presidente Dilma Rousseff para capilalizar o atendimento ao interior do Brasil, muitas vezes deixado de lado pelos doutores que preferem ficar nas capitais. Além dos nove cubanos, há cinco brasileiros no Mais Médicos de Içara.

Ienni Camacho estava na sua primeira missão humanitária como médica. Com um filho de 2 anos que ficou em Cuba com a avó, ela já definiu que deixa o Brasil em dezembro. “Ela não vai embora. Se o Fidel vier buscar ela vamos colocar ele pra correr daqui”, brincou Waldir Gislon, 77, enquanto aguardava pela consulta.

Camacho também está sofrendo. “É muito doloroso, porque depois de um ano e três meses aqui, já conheço todos os meus pacientes e só de ver eles na porta já sei se é acompanhamento, primeira visita ou retorno por algum exame”, diz a médica.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

‘Quem assina esse contrato não vem pelo dinheiro’

Flor de Liz Levandoski, 55 anos, também votou em Bolsonaro e está perplexa com a situação. “A gente votou nele [Bolsonaro] pra ele mudar o que estava errado, não o que estava certo. Já não estou gostando disso. Espero que ele melhore quando assumir a Presidência”, reclama.

A médica de Levandoski, Esther Carina Abeledo, é da segunda turma de cubanos do Mais Médicos. Junto com outros 2 mil médicos do país, passou por uma bateria de testes de português, cultura brasileira e de conhecimentos médicos em Havana, Brasília e Florianópolis, até assumir o posto em Içara em maio de 2014. “A doutora Carina é muito boa com todos nós, não tem outra igual. Vai fazer muita falta para toda a nossa família”, me disse a mãe de Flor de Liz, Olga Levandoski, de 78 anos, moradora da zona rural na cidade e que não votou nessas eleições.

Bolsonaro chegou a dizer que os médicos são “escravos de uma ditadura”, mas a médica contesta as declarações, que serviram de justificativa para o rompimento do contrato por parte do governo cubano.

“Muitas pessoas fazem confusão sobre a nossa situação. Eu saí de Cuba sabendo quanto iria ganhar no Brasil. Quem assina esse contrato não vem pelo dinheiro, mas para uma missão médica, para atender uma população que precisa de tratamento adequado. Viajamos, conhecemos outras culturas e ainda temos a oportunidade de ajudar essas pessoas. Nenhum cubano é enganado ou explorado. Em Cuba, há um regime social, não há escravos. Isso é ofensa para nós, a escravidão já acabou há muito tempo”, afirma Abeledo, que atende na unidade de saúde do bairro Jussara.

Em Cuba, há um regime social, não há escravos. Isso é ofensa para nós, a escravidão já acabou há muito tempo.

Com 30 anos de experiência, a médica está na quarta missão e pediu, no começo do ano, renovação do contrato por mais mais três anos. Antes, trabalhou cinco anos em Honduras, depois dois anos na Guatemala e outros cinco anos na Venezuela. Ela esclarece outra polêmica criada por Bolsonaro, que acusou o governo cubano de não permitir que familiares dos médicos venham ao Brasil.

“Me casei em 2017 com um baiano que mora aqui em Içara. Minha filha e meus dois netos vieram de Cuba e moram aqui comigo também. Não existe qualquer impedimento para parentes virem nos visitar ou até mesmo morar no Brasil”, afirma Abeledo, que, por conta da família, agora busca uma forma de permanecer no país.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

Ignorada pelos brasileiros

Içara tem um boa qualidade de vida, com alto IDHM, o índice de desenvolvimento humano dos municípios, de 0741 – o mesmo que a mineira Ouro Preto. O acesso é fácil, pela BR-101, a apenas 145 km de Florianópolis. Mesmo assim, em nenhum dos cinco editais de chamadas pelo programa Mais Médicos publicados desde 2013 houve preenchimento total de vagas para brasileiros e estrangeiros formados no Brasil. Quando isso acontece, os médicos cubanos são chamados.

“Até 2012, não tínhamos médicos em todos os postinhos de saúde de manhã e de tarde. Eu tinha que vir até o centro bem cedo se quisesse pegar uma senha e ser atendida no mesmo dia”, conta Doraci Ribeiro, de 66 anos.
Eleitora do candidato derrotado Fernando Haddad, Doraci critica Bolsonaro e alerta que muitos vizinhos bolsonaristas não relacionam a saída dos médicos cubanos como uma consequência do resultado das urnas.

“Muitos não entendem que o Bolsonaro é o responsável pela saída dos médicos, que estão nos atendendo tão bem. Mas também conheço algumas pessoas que já estão arrependidas por terem votado nele só por causa dessa situação dos médicos”, diz a moradora.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

25 mil votos e 25 mil moradores sem médicos

Santa Catarina foi o segundo estado a dar a maior vitória percentual a Bolsonaro no segundo turno, com 76% dos votos válidos. Em Içara, o candidato do PSL teve 25 mil votos, o mesmo número de pessoas que a prefeitura calcula que serão afetadas diretamente pela despedida dos cubanos.

Quem criou esse problema terá que resolvê-lo.

Além do 14 profissionais do Mais Médicos, que recebem salário da União e uma ajuda de custo mensal paga pelo município de R$ 2 mil, há outros quatro médicos contratados diretamente pela prefeitura ao custo de R$ 18 mil por mês para cada um. Com as contas municipais no limite, o prefeito de Içara, Murialdo Gastaldon, do MDB, diz que não tem condições de contratar nove médicos e que vai recorrer à Justiça, se for preciso, para ter a reposição dos cubanos.

“O piso constitucional para gastos com saúde é de 15%, e Içara já gasta mais de 27%, então não temos orçamento para contratar nove médicos. Quem criou esse problema terá que resolvê-lo, pois estamos dispostos a cobrar na Justiça que o Ministério da Saúde cumpra com o acordo com o nosso município, que é de ter 14 médicos ajudando no atendimento básico”, afirma o prefeito.

Programa Mais Médicos - Médcios cubamos em Santa Catarina

Fonte e fotos The Intercept Brasil

Juntos, enfrentamos o desafio de proteger os direitos humanos no Brasil

Juntos, enfrentamos o desafio de proteger os direitos humanos no Brasil

O presidente eleito [Jair Bolsonaro] fez campanha com uma agenda abertamente anti-direitos humanos e frequentemente fez declarações discriminatórias sobre diferentes grupos da sociedade. Sua eleição como presidente do Brasil representa um enorme risco para os povos indígenas e quilombolas, comunidades rurais tradicionais, pessoas LGBTI, jovens negros, mulheres, ativistas e organizações da sociedade civil, caso sua retórica seja transformada em política pública
Erika Guevara-Rosas, Diretora da Anistia Internacional para as Américas.

Anistia Internacional, Dialison, Dialison Cleber, Dialison Cleber Vitti, DialisonCleberVitti, Dialison Vitti, Dialison Ilhota, Cleber Vitti, Vitti, dcvitti, @dcvitti, #dcvitti, #DialisonCleberVitti, #blogdodcvitti, blogdodcvitti, blog do dcvitti, Ilhota, Newsletter, Feed, 2016, ツPrecisamos mostrar que as pessoas no Brasil se importam com direitos humanos! Mais do que nunca, precisamos nos unir para reagir, com rapidez e urgência para barrar retrocessos e garantir nossos direitos.

Buscamos o apoio e contribuição de mais 1000 Defensores da Liberdade  para que possamos  responder rápido a qualquer ameaça de retrocessos! A nossa mobilização já mostrou ao que veio e que tem muito poder de frear retrocessos!

Lembra do potencial da nossa campanha Direitos Não se Liquidam no ano passado? Com nossa mobilização e de outros movimentos da sociedade civil conseguimos, por exemplo, o adiamento da votação sobre a redução da maioridade penal e a não aprovação do relatório sobre a PEC 181 de 2015, que criminaliza o aborto nos casos previstos na legislação brasileira. Ou seja, quanto mais lutamos, mais ganhamos.

Já estamos preparando as bases para ampliar nossa mobilização e pressão sobre as autoridades em 2019, a fim de garantir que o futuro do Brasil tenha menos retrocessos e mais justiça e liberdade. Mas precisamos do seu apoio e doação para nos fortalecermos e atuarmos juntos por nenhum direito a menos!

Vem com a gente! Some sua voz a essa luta por direitos! Mostre que você se importa com direitos humanos!

Anistia Internacional Brasil