Entrevista de Décio Lima no Jornal Diarinho

Décio Lima e Fernando Haddad

O que planeja para a saúde, segurança, educação, moradia e o endividamento do estado? O que propõem de mudanças aos catarinenses? O candidato ao governo de Santa Catarina Décio Lima passou pela sabatina do DIARINHO que vai demonstrar ao eleitorado o que esperar do candidato petista. Nesta primeira edição especial do Entrevistão, Décio Lima (PT) e Rogério Portanova (Rede) foram entrevistados pelos jornalistas Franciele Marcon e Sandro Silva. Décio é deputado federal e tem larga experiência no legislativo. Portanova ajudou a fundar o Partido Verde e a Rede, e tem ampla experiência acadêmica. Vamos apenas transcrever a entrevista do candidato Décio Nery de Lima do PT.

Saúde

Diarinho – Um problema crônico da saúde catarinense é o endividamento dos hospitais filantrópicos que, segundo estimativas, chega a cerca de R$ 300 milhões. Os municípios também têm reclamado do atraso dos repasses à saúde. As cidades que mantém hospitais municipais se queixam que acabam fazendo um atendimento regional, mas não recebem ajuda financeira do Estado e precisam bancar a conta sozinhas. A solução é aumentar o repasse aos municípios ou investir nos hospitais regionais, como é o caso do Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí?

Décio Lima – O problema da saúde em Santa Catarina não é só esse. O problema da saúde em Santa Catarina é muito maior. Não é só da dívida. Nós temos hoje meio milhão de catarinenses na fila, esperando atendimento. Nós vamos criar um modelo diferente. Está lá no nosso programa de governo, o SUSC, o Sistema Único de Saúde Santa Catarina, reunindo as políticas do SUS com o atendimento básico que fica para os municípios, e reunindo, também, neste processo, os hospitais filantrópicos e a estrutura do estado para que a gente tenha um processo planejado e unificado a fim de tocar a vida nos 295 municípios de Santa Catarina, de acordo com as necessidades dos catarinenses. O problema da dívida é decorrente justamente da falta de planejamento e da falta de empenho do governante em relação a busca de recursos para fortalecer, sobretudo, o SUS aqui em Santa Catarina. Há uma disparidade enorme entre o processo que é levado ao estado do Paraná, ao Rio Grande do Sul. Santa Catarina está prejudicada em função da falta de determinação do governo do estado.

Educação

Diarinho – As estruturas mais sucateadas das escolas em nossas cidades são as sob responsabilidade do Estado. Na região, novos colégios sofreram com a falta de mobília em Itajaí, Balneário e Navegantes. Se a batalha ainda é por uma estrutura física melhor, como avançar exigindo um ensino com qualidade – lembrando que os colégios estaduais já tiveram o melhor salário para a categoria?

Décio Lima – Não é só o problema de estrutura. Eu sou aluno da escola pública do estado. Passei oito anos da minha vida. Filho de professora. A escola que eu frequentei há 40 anos, o Henrique da Silva Fontes, no bairro São João, é a mesma hoje. Ela está deteriorada, sucateada. Os nossos professores são mágicos. Mágicos no piso, mágicos na carreira e mágicos com o giz na mão em uma escola que não oferece mais os avanços que a humanidade tem em tecnologia. Como é que o professor enfrenta a educação enquanto o aluno já está interligado nos processos de alta tecnologia? Nós vamos dobrar o piso do professor em Santa Catarina nos quatro anos, desbloquear a carreira e levar para as escolas um processo de inovação. Os recursos? Nós vamos fazer com que as 20 e tantas secretarias regionais, que ainda existem sejam “desaparecidas do mapa”, economizando R$ 650 milhões. Vamos tocar naquilo que é mais grave hoje no estado de Santa Catarina, que é a pilhagem dos recursos públicos que são dados generosamente em incentivos fiscais para meia dúzia de empresários e que somam R$ 6 bilhões da receita dos municípios, ou seja, 25% do que o estado arrecada.

Endividamento

Diarinho – O próximo governador vai herdar um estado com contas públicas em vermelho. Isso inclui títulos de dívidas do estado e letras do tesouro nunca pagos (mais de 6 bilhões), a dívida de mais de um bilhão da duplicação da rodovia SC 401, no norte da Ilha de Floripa, e a crise na saúde, que acumula dívida de mais de 1 bilhão. Como resolver?

Décio Lima – Não tenho medo. Eu fui prefeito de Blumenau e quando sentei naquela cadeira, em janeiro de 1997, havia três folhas de pagamento atrasadas. Cidade quebrada! Estrutura destruída! Ponte caída!Eu não tenho medo das adversidades porque o caminho é o impacto de gestão; trocar valores. Há décadas a receita de Santa Catarina está sendo corroída por interesses escusos. A generosidade fiscal contabiliza R$ 6 bilhões ao ano. Ou seja, é feita para gerar empregos; cada emprego custa R$ 406 mil. É o emprego mais caro do mundo! Eu quero trazer o modelo de renovação. Se Santa Catarina continuar com os mesmos no poder, vai estar contaminada com essa pilhagem. Nós temos uma dívida a ser cobrada que dá para fazer com que o estado tenha liquidez, e vou enfrentar isso com um processo de renovação. [De quanto é a dívida ativa]? R$ 13 bilhões para cobrar. O crescimento da receita é R$ 2 bilhões ao ano. Então, eu vou ter mais R$ 8 bilhões. Dobrar piso de professor é tranquilo. A folha de pagamento do professor, hoje, dá 1 bilhão e 700 mil. E só para empresários dão três vezes o que pagam para 80 mil professores. É uma vergonha!

Infra-estrutura

Diarinho – Entra campanha eleitoral e sai campanha eleitoral e a promessa dos governantes à nossa região é a construção de uma travessia entre Itajaí e Navegantes. Foi cogitada uma ponte e um túnel, que beneficiaria o turismo e a mobilidade de toda a Amfri. É viável ou não essa promessa?

Décio Lima – Eu acho que tá na hora de Itajaí, o Vale do Itajaí, eleger um governador que sabe, vive as dificuldades e as adversidades locais. Eu penso que esse é o grande momento para questões de infraestrutura fazerem uma pauta dentro das prioridades do governo do estado. Eu quero ser governador dos 295 municípios de Santa Catarina. Mas, sobretudo, ter como prioridade absoluta as velhas promessas que o povo catarinense não se esqueceu e o povo catarinense, como é o caso da nossa Itajaí, reúne um sentimento de profunda indignação. Até porque se acha enganado pelos processos políticos. Acho que tá na hora do povo, sobretudo da nossa região, aproveitar esta rica oportunidade de ser o protagonista da história, onde um filho seu está neste processo com todas as condições de ir para o segundo turno e ganhar as eleições. Para, justamente, mudarmos as adversidades e construirmos uma pauta extremamente positiva para a região do Vale do Itajaí e para todo o estado de Santa Catarina. [Ponte ou túnel?] Penso que a discussão tem que ser feita de forma horizontal. Eu sou um democrata. Não sou uma pessoa que faz as coisas de cima pra baixo. Acho que nós temos que discutir com a cidade, discutir com a Amfri, discutir com os setores produtivos, discutir com a estrutura portuária, para vermos o que é mais viável, se ponte ou é túnel.

Meio ambiente

Diarinho – Proporcionalmente, Santa Catarina é o estado com maior área preservada de floresta de Mata Atlântica: 23%, segundo a fundação SOS Mata Atlântica. No entanto, até pela vocação turística no litoral e agrária no oeste, se vê a todo o momento denúncias de grandes áreas de desmatamento e ações do ministério Público Federal contra empreendimentos em áreas de preservação. Como conciliar desenvolvimento com sustentabilidade?

Décio Lima – Eu acho que esse é um mundo moderno. Se a questão ambiental ainda é pauta de política de estado, é porque nós não conseguimos criar uma cultura de preservação ao meio ambiente, um processo educativo. Nós não podemos matar aquilo que nos alimenta, aquilo que nos traz vida, aquilo que nos fornece oxigênio, aquilo que nos traz valores diferenciados, inclusive da nossa natureza, que são os valores humanistas de preservar e abraçar a natureza como um ambiente que garanta, inclusive, o futuro das gerações. Eu vejo que a questão do meio ambiente não pode ser pontuada pelas agressões existentes em Santa Catarina. Mas ela tem que ser produto de uma firme política educadora. O bonito é o cidadão que preserva o meio ambiente. Não é aquele que é preso por uma agressão ao meio ambiente. Eu vou construir, a partir do ano que vem, uma política que inclua, faça a inclusão da consciência do povo catarinense, nas questões de preservação. Esse é o futuro. Se nós não trabalharmos os processos educativos, nós não vamos construir a cidadania que tanto precisamos para garantir a qualidade de vida e o humanismo do povo catarinense.

Segurança

Diarinho – Os números apontam que, em nível nacional, SC tem problemas de violência menores que outras regiões do Brasil. De toda forma, Segurança aparece sempre como uma das prioridades para os catarinenses. Os municípios têm investido em Guardas Armadas, mas isso significa mais gastos nos orçamentos municipais e também um conflito de competência com a polícia Militar. Qual o seu plano para a Segurança Pública?

Décio Lima – Primeiro que não é verdade que Santa Catarina é esse palco de paz. Santa Catarina é um estado que vive um feminicídio por semana! Uma mulher é assassinada por semana! Santa Catarina, por falta de compromisso de um governo que proteja o nosso povo, permitiu entrar no sistema penitenciário do estado o crime organizado, que já está aqui. Santa Catarina, hoje, convive com um efetivo de policiais da nossa gloriosa polícia Militar, com 10,4 mil homens, ou seja um policial para cada 700 habitantes, enquanto a ONU recomenda um policial para cada 250 habitantes. Santa Catarina não é esse paraíso… Eu vou criar o Susp, o Sistema Unificado de Segurança Pública, unificando a gloriosa polícia Militar, a polícia Civil numa política única de segurança pública e também os programas de inclusão social. Porque, sobretudo, no tema segurança pública é importante proteger o menino que tá sem família, sem escola, para que ele não seja o delinquente do futuro. A Santa Catarina que nós queremos fazer é essa, que agasalhe e proteja o povo catarinense. E, sobretudo, toque as feridas da nossa gente para curá-las.

Eleição

Diarinho – Por que o senhor acha que merece o voto dos catarinenses?

Décio Lima – Acho que sou aquela pessoa que pisa onde o povo anda. Estou nesta eleição, mas a minha cabeça nunca deixou de estar ao lado dos humildes, ao lado dos que não têm casa, não têm terra; fazer o bem para o povo de Santa Catarina. Sonhar com um estado que não tenha 64 mil jovens, como nós temos hoje, fora da escola. Essa é a evasão escolar só no ensino médio. Sempre nos enganaram sobre essa realidade. Eu quero sentar naquela cadeira de governador e governar olhando para o povo. E eu acho que isso o povo de Santa Catarina está percebendo. Um processo que possa, sobretudo, agasalhar as soluções daquilo que nunca foi resolvido, que é ter escola para os filhos, saúde sem essa fila desastrosa de meio milhão de catarinenses; segurança para o povo, sobretudo, para que Santa Catarina se encoraje com o potencial que tem para gerar emprego e renda para uma juventude de 422 mil catarinenses. Santa Catarina quer renovar. Peço o voto para que nós possamos renovar o estado, a política e a história de Santa Catarina.

Problema social

Diarinho – Camboriú e Navegantes, duas cidades da região, sofrem com um problema crônico de ocupações irregulares que acabam se tornando bolsões de violência. Programas habitacionais já foram bancados em parceria com o governo federal, no passado, mas a demanda por moradias populares é cada vez maior. Como resolver essa questão?

Décio Lima – O Brasil recepcionou o maior programa habitacional não da nossa história, mas do mundo. O sucesso é o Minha Casa, Minha Vida. Eu tenho plena convicção de que esse é o caminho para estancar os processos de favelização. Mas, no caso específico de Santa Catarina, nós temos que proteger o homem do campo. Nós temos 163 mil famílias no campo, que compreendem 1 milhão de catarinenses, homens e mulheres. Por isso, nós temos que fazer investimentos na agricultura familiar. Vou fazer o programa Prove Santa Catarina, para que o agricultor agregue valor no seu produto e garanta o varejo nas escolas e nos supermercados catarinenses. Mas vou levar energia elétrica, trifásica, e sobretudo promover a inclusão digital. Acredito que a inclusão digital vai garantir o jovem no campo e com isso nós evitamos os processos de ocupação, como você verifica hoje em Camboriú, em Navegantes, em muitas cidades, principalmente do litoral catarinense. Eu acredito que apostando nas vocações regionais de Santa Catarina para que nós possamos fazer com que o povo fique no local onde nasceu, onde mora, e com qualidade de vida.

Décio Lima

Fala, Décio Lima!

Sou aquela pessoa que pisa onde o povo anda. A minha cabeça nunca deixou de estar ao lado dos humildes, dos que não têm casa, não têm terra

Diarinho – O PT sai sozinho nesta disputa eleitoral e concorre com grandes forças da política catarinense. Na pesquisa do Ibope o senhor esponta como primeiro colocado na intenção de votos, mas também tem a maior rejeição. Qual a sua análise do cenário?

Décio Lima – Eu quero primeiro pegar o que você fala de rejeição. A rejeição que aparece é uma rejeição extremamente pequena, para quem analisa o processo político dentro da concepção da democracia como valor universal. Isso não é rejeição pra ser considerada. Isso é aglutinação dos outros contra a minha posição política. Rejeição é pra cima de 40%, 50%, 60%. Rejeição tem o Bolsonaro, com 70%. O presidente Temer, com 90%. Você falar em rejeição com 21%, são as pessoas que são contra a minha posição política. Então eu não acredito que a rejeição é impeditiva para eu ser candidato a governador e ganhar as eleições. A questão das alianças também. O povo está desprezando esses aglomerados políticos, porque há a indignação. É isso que criou a situação do nossos país. E eu sempre tive claro que a grande aliança que eu quero é com o povo catarinense; com os valores de Santa Catarina. Aliás, foi assim que eu ganhei a eleição em Blumenau, falando do Banco do Povo, do programa Renda Mínima, de políticas de inclusão e de políticas humanas. É o conteúdo que eu vou trabalhar nessas eleições para fazer a grande aliança que Santa Catarina precisa, que é com o seu próprio povo.

Diarinho – Apesar do ex-presidente Lula liderar as pesquisas em nível nacional, em Santa Catarina o candidato petista está perdendo pra Jair Bolsonaro (PSL). Acha que a situação de Lula, por conta da condenação em segunda instância e da prisão, pode atrapalhar sua campanha?

Décio Lima – Acho que defender a questão do Lula vai além do processo que ele está submetido, que na minha opinião é injusto, uma aberração jurídica. O mundo todo está consternado. Defender a presença de Lula nas eleições é defender a democracia. Você vê que ele lidera as pesquisas no primeiro turno e, no segundo turno, em todos os cenários, o pior número dele é 63,8%. Você imaginar a democracia sem a vontade do povo é dizer que não vai ter democracia. Você imaginar que o Lula não vai disputar as eleições, é dizer: “essa democracia vai ser uma farsa”. Essas eleições vão ser uma farsa sem a presença dele. No que diz respeito a atrapalhar ou somar no meu processo eleitoral, eu não tenho preocupação porque sempre tive a política como causa. O povo me conhece, eu tenho um perfil na vida pública. Um perfil que se sobrepõe a todas as outras candidaturas. Fui prefeito eleito e reeleito em Blumenau com 63% dos votos e aprovado, quando deixou o mandato, por 85%, segundo pesquisa Ibope. Essa será a percepção do povo catarinense.

Nome completo: Décio Nery de Lima
Candidato a governador pelo PT
Idade: 58 anos.
Local de nascimento: Itajaí.
Estado civil: Casado.
Filhos: Três.
Formação: Estudos Sociais, Direito e especialização em Direito do Trabalho.
Experiências profissionais, políticas e de gestão: Comerciante, professor, advogado, vereador em Blumenau, duas vezes prefeito de Blumenau, deputado federal por três mandatos.

Jornal Diarinho

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Capa do Diarinho desse final de semana publica matéria com resultado de pesquisa em Ilhota

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O jornal Diarinho que não tem circulação periódica na cidade, foi a sensação desse sábado, onde divulgou o resultado de uma pesquisa de intensão de votos para as eleições de 2016 ao cargo de prefeito. Muitas fotos do tabloide circulou nas mídias sociais, mas não encontrei um ponto de vendas para comprar o periódico, nem sou sou assinante do jornal, por isso, não tive acesso ao conteúdo. O que li, foi das imagens que retratam a matéria de capa do jornal.

Bem, a pesquisa que foi publicada no Jornal Diário do Litoral, em 17/09/2016, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, sob o registro SC-05907/2016. Até o momento que publiquei esse post a página do TSE que aborda sobre a consulta às pesquisas registradas estava fora do ar. Assim que restabelecer a conexão, irei consultar sobre a metodologia.

Mas, sobre a pesquisa, não acredito que aquele resultado reflete a atual situação dos eleitores da cidade. Há muita contradição nos resultados, porém o partido tem que justificar que o candidato Dida esteja mesmo na frente, com essa larga vantagem, afinal, como havia comentado num post anterior, ele está há muito tempo na estrada seria natural sua liderança na intensão de votos. Acredito que o verdadeiro resultado seja um empate técnico, e um grande número de indeciso.

Sim! Imagino que deve haver um grande números de indecisos até o momento e isso pode favorecer o candidato do 11. Essa gente pode descarregar no novo ao invés no senhor do 15 que todo mundo já sabe quem ele é. Não quer dizer que o novo seja a esperança e nem a salvação, mas há uma grande diferença entre o candidato velho.

Lembro que o candidato da coligação #CompromissoComOFuturo está na rua há quase 3 anos e todo mundo já sabe que ele seria (e é) o candidato e mesmo assim, ainda tem gente que está com dúvida de votar nele? Vale apena lembrar aos amigos que o candidato da coligação #AvanteIlhota é candidato há poucas semanas.

Postei alguma coisa em meu Twitter que foi redirecionado no Facebook. Esse o link não estiver bugado, ele deve aparecer aqui abaixo.

Seria isso!

O eleitor tá querendo ver o mundo colorido

Altair Hoppe em entrevista ao Jornal Diarinho

Entrevistão do meste Altair Hoppe, o mago do Photoshop no Brasil e um dos 10 do mundo onde concedeu uma parte do seu tempo as páginas do Jornal Diarinho, publicado em  5 de setembro de 2010 em que o Blog do dcvitti faz um revival dessas publicações marcantes. Leia e relembra um pouco de sua história. Essa postagem foi chupado do site do Jornal Diarinho sem autorização, que pelo Altair, nós fazemos  qualquer coisa pra ajudá-lo.

O escritor e especialista no programa Photoshop revela os segredos das montagens de fotos, o abuso do recurso nas campanhas políticas e os casos escabrosos que resolveu no Fantástico.

O escritor e especialista no programa Photoshop, Altair Hoppe, 36 anos, se parece com tudo, menos com uma celebridade. Com a visibilidade que seu trabalho adquiriu nos últimos anos por causa da consultoria que presta ao programa ‘Fantástico’, da TV Globo, pro quadro “Detetive virtual”, era de se esperar que o sucesso subisse à cabeça deste leonino que luta contra a vaidade, própria de seu signo. Ele só se revela um ‘astro’ quando sobe no palco e dá suas palestras sobre Photoshop por todo o país. Segundo ele, fica ‘possuído’, como se recebesse uma entidade espírita.

Seria este o segredo do sucesso deste jovem, que desde cedo foi empreendedor, abrindo um jornal combativo em Ilhota, aos 21 anos, antes mesmo de entrar pra faculdade de jornalismo? Ele conta que nada foi planejado. As coisas, simplesmente, aconteceram, resultado também de seu trabalho pioneiro e de formiguinha, de levar a informação para os recantos mais longínquos do país, trabalho que ainda não tem concorrentes.

Pra isso, contou também com a sorte, e a empatia com a platéia, que levou o garoto de Presidente Getúlio a patamares nunca dantes imaginados, e com uma carreira em plena ascensão, depois de quatro livros publicados.

Na entrevista que deu às jornalistas Renata Rosa e Marina Fiamoncini, com fotos de Deivid Couto, Altair conta sua trajetória desde a experiência em Ilhota, a faculdade de Jornalismo, a passagem pela revista Photos e a abertura da nova empresa, a iPhotos, na Maravilha do Atlântico (Balneário Camboriú). Também revela os segredos das montagens de fotos, o abuso do recurso nas campanhas políticas, e casos escabrosos que resolveu no programa global.

Diarinho: Na época em que cursava a faculdade na Univali, o senhor tinha um jornal em Ilhota que denunciava irregularidades. Você sofria represálias?

Altair Hoppe: Todo dia. [risos]. Eu comecei com o jornal em 1993 e fiquei com ele até 2004, foram 11 anos. Era um jornal independente. Apesar de ser uma cidade pequena, não tinha dependência nenhuma, como habitualmente acontece, de prefeitura, essas coisas. [E você é de lá?] Eu não nasci lá. Nasci numa cidade de Santa Catarina chamada Presidente Getúlio. Morei no Rio Grande do Sul por alguns anos e depois voltei a morar em Ilhota quando eu tinha 12, 13 anos. A cidade não tinha jornal e eu montei o jornal sempre com esse cunho – de ser independente, um jornal bem crítico e de muita opinião. Nunca foi um jornal informativo. Eu não curto muito o jornalismo informativo. Eu gosto do jornalismo opinativo, investigativo, e isso numa cidade pequena, de uma cultura muito de domínio, com coronelismo, era bem complicado. Recebia desde ameaça de morte, o prefeito me bateu, deu soco em mim. Deu BO e tudo porque eu não quis deixar passar em branco. Aconteceu esse tipo de situação, mas isso nunca me desmotivou, ao contrário, eu sempre me motivei ainda mais. O jornalismo, acho que tem essa função: quando o jornalismo tá agradando todo mundo é porque ele não tá cumprindo o papel dele.

Diarinho: E por que acabou ‘A Folha de Ilhota’?

Altair Hoppe: Eu terminei com um sentimento de missão cumprida, entendeu? Eu fiquei 10 anos com o jornal. Levei pancada de tudo quanto é lado e suportei isso, consegui passar por todas essas fases. Quando a cidade criou uma estrutura, um pouco de cultura e senso crítico, que era isso que buscava despertar nas pessoas através do jornal, aí, eu acho que a minha missão foi cumprida. E aí, eu optei por um caminho diferente, de buscar outra coisa dentro da minha profissão. Não que Ilhota seja pequeno. Lugar nenhum do mundo é pequeno pra qualquer pessoa. Pra mim, aquilo era o meu universo, o meu mundo, eu era a pessoa mais feliz do mundo fazendo aquilo. Mas eu também queria ter oportunidade de fazer coisas diferentes. Durante 10 anos eu fiz com o maior prazer do mundo e tenho só pontos positivos dessa história toda, aí eu comecei a fortalecer essa área na qual trabalho hoje. Eu comecei a trabalhar na editora Photos, de Itajaí, como um humilde arte-finalista, um diagramador.

Diarinho: Quais os motivos que fizeram você trancar a faculdade de jornalismo? Você continua tendo contato com o jornalismo?

Altair Hoppe: Na verdade, pra me formar, eu levei oito anos. Eu comecei a fazer jornal antes de pensar em fazer uma faculdade, que foi em 98. Eu já tinha levado porrada de tudo quanto é lado e o jornalismo surgiu, sei lá, por pura intuição, né? Era uma época muito diferente da de hoje porque a gente não tinha internet. Na época que a gente fazia o jornal em Ilhota, os jornais que a gente tinha eram só os regionais, regionais entre aspas, era só um jornal de Gaspar e o Jornal de Santa Catarina. Não tinha Diário Catarinense, o próprio Diarinho, a gente não tinha acesso, apesar da proximidade com Itajaí, isso é incrível, né? E isso aconteceu no ano 2000. Eu parei por um ano e meio, dois anos porque a faculdade foi meio frustrante pra mim. Chegou um ponto em que a faculdade não fazia muito sentido porque não era exatamente aquilo que eu tava buscando. Tinha alguns professores que me alimentavam na esperança do jornalismo que eu fazia lá (em Ilhota), um jornalismo mais crítico, mas, no geral, a universidade tenta te preparar pro mercado e eu não tenho um espírito de mercado ou pra entrar num determinado padrão. Eu achava terrível e me sentia muito frustrado. Eu gostava da faculdade quando sentava no corredor e ficava conversando com os professores. Ficava apático quando entrava na sala de aula porque, daí, eles tentavam me enquadrar dentro do sistema. Falavam no tal do lide que, pra mim, é um modelo que foi criado numa situação de guerra porque a história conta, a tecnologia não permitia transmitir as informações muito longas, entendeu? Mas hoje, nós estamos numa época diferente e as pessoas precisam pensar e o jornalismo, de maneira geral, não faz as pessoas pensarem. Virou um produto o jornal, a revista. Daí, eu optei em priorizar a minha carreira. Eu fiquei dois anos e meio, três anos parado e me dediquei a me desenvolver e escrevi o meu primeiro livro. Eu trabalhava durante o dia, e durante a noite me dedicava ao livro. Isso foi em 2004. E eu acho que fiz a aposta certa, de não priorizar a faculdade. Depois, é claro, eu voltei, porque, afinal, já havia feito um investimento financeiro. A razão pela qual voltei foi fazer valer o que já tinha investido. E, também, é claro, a universidade te ensina várias coisas, mas, como eu falei, fora da sala de aula. Às vezes, a pessoa sai pior da faculdade do que quando entrou. Isso é uma coisa muito engraçada. Acho que a universidade, em alguma situação, cria uma espécie de soberba nas pessoas na forma de ver o mundo. Você sabe pouco e você sai da universidade com a sensação de que você sabe muito. Quando você entra, você sabe que você sabe pouco. E se infla com uma sensação de conhecimento. A gente nunca deve ter a sensação de que a gente sabe muito. Eu, a cada dia que passa, tenho a sensação de que menos eu sei. E mais tenho a aprender. E isso nas relações pessoais, na própria profissão. Porque quando a gente pensa que sabe muito, aí, de fato, a gente tá no caminho da limitação, da pouca evolução.

Diarinho: A guinada na sua carreira profissional começou a partir da revista Photos? Como surgiu a ideia de escrever livros sobre o Photoshop e dar cursos sobre o programa?

Altair Hoppe: Não foi uma guinada. De fato, comecei como arte-finalista, que dentro de um jornal, uma editora, é a menor escala, é um estagiário um pouquinho melhorado. É o cara que só faz o alinhamento de colunas, se todas as fontes estão dentro do padrão, eu comecei assim. E eu busquei ser o melhor arte-finalista que pudesse existir no mundo. Com esta dedicação, fazendo uma tarefa simples. Fui pra diagramador e dentro da diagramação, fui pra área de linguagem e comecei a ter mais contato com o Photoshop. A gente tava dentro de uma revista de fotografia, e neste período de transição do analógico pro digital, eu percebi que muitas pessoas tinham dúvidas com relação ao Photoshop. Eu ofereci pra minha chefe, na época, escrever uma coluna sobre Photoshop. Eu fazia tratamento de imagem e isso pode ser uma coisa interessante pros leitores aprenderem algumas dicas de como usar o Photoshop. Aí, depois de umas seis, sete edições, eu passei a receber muitos e-mails com mais e mais dúvidas. E se eu continuasse só a publicar os artigos, não ia atender às expectativas das pessoas, até pela necessidade de mercado. Eu fiz uma pesquisa de mercado no Brasil e vi quais livros havia sobre Photoshop e descobri que não havia livros sobre Photoshop em português, voltado para fotógrafos. Aí, eu conversei com minha chefe perguntando se podia escrever um livro, ela disse que eu poderia escrever, mas também não ia garantir que ele fosse publicado. Eu tinha que escrever e ver o resultado. Isso porque a editora nunca tinha publicado um livro; só tínhamos uma única revista. Demorei seis meses pra escrever o livro. Ela disse: “Tu podes escrever o livro, mas tu não podes escrever durante o teu trabalho. Tu podes usar a estrutura da editora, mas escreve à noite, nos finais de semana”. E foi este motivo que me fez largar temporariamente a universidade. Então, eu priorizei isso. Quando eu terminei, imprimi tudo em papel sulfite, só num lado pra dar um volume gigantesco, cheguei lá, joguei em cima da mesa da chefe. Eu disse: “Ó, taí o livro. Terminei de escrever”. Um calhamaço. Ela disse: “Tá, vou dar uma olhada”. Eu acho que ela nunca leu o livro, porque era muita coisa e era coisa mais técnica, mas ela aprovou e a gente lançou o livro. A ideia nossa inicial, como a gente não tinha experiência nesse mercado, era vender 300 livros porque com 300 livros se pagava o custo de impressão do material, do investimento. Aí, a gente fez o lançamento e em 50 dias, vendemos os livros. Em 50 dias esgotou a primeira edição. E hoje, o livro já tá na sétima edição e a gente já vendeu 30 mil livros. A gente conseguiu um diferencial que foi traduzir para uma linguagem simples um programa que é muito técnico. Nisso o jornalismo me ajudou bastante porque se eu fosse só um cara técnico, não teria a mesma facilidade, mas como sou da área da comunicação, eu consigo interpretar melhor as informações. Agora, eu estou lançando o quarto livro dessa série.

Diarinho: A partir do primeiro livro, você já começou a dar cursos?

Altair Hoppe: Essa história de curso, eu também não tinha muita intenção de dar. Quando eu escrevi o volume 1, eu achava que tinha reunido conteúdo suficiente pras pessoas aprenderem Photoshop tranquilamente. Eu nunca sonhei escrever o volume 2. Não só escrevi esses livros como houve pedidos, as pessoas queriam também o curso ao vivo. E aí eu comecei a fazer os workshops. O primeiro workshop foi em Balneário Camboriú como cobaia, um teste, deu certo, apesar de que eu não tinha experiência nesse negócio de palestra, né? [Teve que abandonar a timidez?] No meu dia-a-dia eu sou uma pessoa muito comedida, mas quando eu viro palestrante, eu sou uma pessoa muito diferente. Bem diferente do que você tá vendo aqui. As pessoas ficam assombradas, inclusive. Eu sou meio Chico Xavier, dá uma incorporada, eu viro um outro ser. Fico possuído. É meio um transe. Daí começou esse negócio de workshop e no primeiro ano, a gente foi a 21 cidades do país, e sempre priorizou as capitais. Fomos a São Paulo, Rio e já estou há seis anos fazendo o circuito nacional com esta média de 15, 16 capitais por ano. Eu não consigo fazer workshop em cidades que a gente chama de interior, não dá porque a demanda é muito grande. A gente prioriza as capitais para que o pessoal do interior possa se deslocar às capitais e fazer os cursos. É, e se eu só desse workshop não teria capacidade de fazer outras coisas. Só que eu não privilegio São Paulo. Nunca. Nós somos pessoas do interior, eu sou uma pessoa do interior, e eu acho que devo fazer um trabalho nacional e dar oportunidade para todo mundo. Em São Paulo, eu dou um único curso por ano. No Rio de Janeiro – um único curso por ano. Por ser uma cidade gigantesca, eu poderia dar 10 cursos em São Paulo, mas como as pessoas lá de Fortaleza vão assistir à palestra? O acesso à informação em São Paulo é melhor. Um amigo meu disse que eu criei um tipo de “caravana Holiday”. [Do filme ‘Bye bye Brasil’ de Cacá Diegues?] Exatamente.

Diarinho: Como surgiu o convite pra participar do quadro “Detetive virtual” no ‘Fantástico’? E quais os casos mais escabrosos que você já desvendou?

Altair Hoppe: Os workshops que criaram o convite pro “Detetive virtual”. Eu dei um workshop em Brasília, em 2007, no sindicato dos jornalistas e um dos jornalistas, do Correio Brasiliense, era amigo do Tadeu Schimitt, que apresenta o ‘Fantástico’. O Tadeu perguntou pra esse amigo se conhecia algum especialista em Photoshop. O Caio tinha feito o workshop e sabia que eu tinha três livros publicados e não tinha nenhum outro autor com tantos livros e fazendo esse trabalho nacional. É impressionante como o Brasil é um país que carece de desenvolvimento. De melhoria na informação. E aí, ele recomendou o meu nome. O Tadeu entrou em contato comigo e conversamos a respeito. Eu nem acreditei porque, na verdade, essas coisas a gente não planeja, simplesmente acontecem. [E até quando vai o contrato?] A gente não possui um contrato. Nós temos um acordo verbal de parceria. Eles precisam de consultoria, eles precisam da informação, eles precisam de um especialista pra aguentar o rojão, entre aspas, né? Pra se responsabilizar pela avaliação das imagens. E pra mim também é bom porque me dá credibilidade. Se fosse uma situação normal de trabalho, a gente trabalharia com imagens melhores, mas são todas imagens de internet, e imagens de internet são complicadas porque a resolução é muito baixa. Então, às vezes, você não tem uma condição técnica boa de imagem pra descobrir se é uma montagem ou não. Daí, eu não posso deduzir que houve um recorte, uma fusão de imagem. A foto, às vezes, não te dá essa condição, é horrível. E aí eu parto para outros elementos pra identificar se é uma montagem. Por exemplo: perspectiva. Eu analiso a perspectiva dos objetos, a sombra dos objetos, a textura, a luz, a proporção, eu analiso vários elementos pra conseguir identificar a montagem. Teve casos bem difíceis já. O fantasma de Wem town, que é uma cidade na Inglaterra. Aconteceu um incêndio, o fotógrafo fez uma foto e apareceu uma menina no fogaréu. Complicado, né? Como é que você vai explicar? Numa lógica simples eu poderia dizer que a foto é uma montagem porque fantasma não existe. Eu não posso fazer isso, entendeu? Eu tenho que dar uma explicação técnica. Então, depois de uns dois dias que eu consegui encontrar um elemento, que provasse que aquilo era uma montagem. E era uma montagem, mas demorou. Têm tantos casos cabeludos… Tem um que não foi ao ar que eu não consegui resolver porque demandaria mais pesquisa. Teve um lançamento de um carro no interior de São Paulo, numa pista de testes, com vários fotógrafos de várias revistas fazendo a cobertura. Um fotógrafo fez uma foto de um carro em primeiro plano e no fundo tava o céu. Era 17h30, no entardecer, e aí, no céu, apareceram alguns objetos estranhos. Como se fosse ovni, né? Eu consegui a foto em alta resolução do fotógrafo, com todos os metadados, tava tudo correto, a foto era real, não havia montagem, e a gente não conseguiu identificar os objetos. Podia ser um mosquito, um meteriorito, três, na verdade, porque eram três objetos, poderiam ser jatos, e eu tentei investigar tudo isso. Tentei com o Inpe [instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], tentei investigar na internet se havia algum tipo de exibição, show aéreo naquele período em Indaiatuba, onde era essa foto, e eu não consegui uma resposta até hoje. Isso, é claro, nunca me foge à mente, eu sempre fico pensando em outras possibilidades. São coisas complicadas e eu quero descobrir. Tem casos que caem também. Eu dou um parecer que a foto é verdadeira e a matéria acaba não saindo porque não eles não conseguem encontrar o personagem que prove que, aquilo, de fato, é uma situação real. Teve o caso do ‘viajante do tempo’. É uma foto antiga de uma reabertura de uma ponte em 1940. E aparece, no meio das pessoas, que estavam todas de terno, de chapéu, um sujeito estranho com óculos escuros e uma câmera fotográfica com uma teleobjetiva moderna. Eles queriam saber se era montagem. E eu dei um parecer de que era uma montagem porque havia alguns elementos apontando pra isso. Essa foto tá num museu no Canadá e a matéria acabou não entrando até hoje. Um fator muito forte que pra mim evidencia que é uma imagem falsa é a luz da orelha do tal ‘viajante do tempo’. O que eu analisei? Na foto, a sombra tá projetada mais na lateral do rosto, ou seja, a fonte de luz do sol estaria mais nessa posição. Mas no ‘viajante do tempo’, o que acontece? A projeção do sol na orelha dele é muito intensa no rosto. Como se existisse uma fonte de luz vinda de trás. Teoricamente, isso não seria possível. Esse foi um dos elementos, eu elenquei, pelo menos, cinco.

Diarinho: Se o senhor fosse coordenador de campanha política, o que jamais faria usando o Photoshop?

Altair Hoppe: Eu não usaria o Photoshop porque a classe política já tem esse conceito de mentira, né? E aí você pega a foto do candidato e começa mentindo na foto? O candidato nem abriu a boca e ele já tá mentindo. Se você usa o Photoshop pra dar um retoque no candidato, muda a pele, as marcas de expressão… No meu modo de entender, um dos predicados para que a gente vote em alguém, normalmente, é a experiência, a pessoa tem que mostrar que tem experiência de vida. E não tem coisa melhor pra mostrar que a pessoa tem experiência do que as marcas da vida, as marcas de expressão. Então, eu acho que é desnecessário o uso do Photoshop. Você pode, por exemplo, maquiar a pessoa, põe uma basezinha, dá uma retocadinha, pronto. Suaviza a olheira do candidato com a maquiagem tradicional, não é necessário mentir. Já começa com descrédito.

Diarinho: Qual o pior produto com o uso de Photoshop na campanha dos candidatos de Santa Catarina?

Altair: De todas as imagens que eu vi, a pior foi da Ideli [Salvatti – PT]. Inclusive, nacional. É uma coisa absurda! É muito feio! Não se reconhece. Quem a vê ao vivo num comício, não vai reconhecer, vai procurar. “Vai ver que aquela que tá no palanque é uma assessora” porque a diferença é brutal. Continuo achando que isso é um fator negativo porque não se tá vendendo a beleza do candidato. Em política, não se vende a beleza do candidato, você vende a capacidade dele de viver em sociedade, de poder encontrar soluções, e a política tá virando muito publicidade, tá virando produto de marketing. Por isso que a gente tem esses deputados que a gente tem. Parece que quem tem mais dinheiro é mais capaz, e o eleitor, pela massificação, fica seduzido por isso, infelizmente, por essa estética. O eleitor tá querendo ver o mundo colorido. Na verdade, as pessoas, nessa cultura moderna, querem se ver bonitas, e se elas não se enxergam bonitas, compram coisas que as projetam dentro desta questão da beleza. Então, infelizmente, os políticos também tão caindo nessa. Tem muita gente que vai votar por uma questão estética porque o cara é bem apessoado. Como se ele se cuida bem, ele é bonito, automaticamente, ele vai fazer coisas bonitas também na política. Isso é mentira. Então, é um conceito perigoso.

Diarinho: Há um critério profissional que defina o limite entre o bom senso estético e o exagero?

Altair Hoppe: O critério que eu uso pra fazer qualquer retoque é a realidade. Eu não faço retoque com conceito surreal. A gente trabalha com a realidade, seja no segmento moda, publicidade, na fotografia social mesmo. A gente tem que partir do conceito de realidade, não pode criar um mundo abstrato, um conceito abstrato a partir dos recursos que o Photoshop permite a gente usar. Todo retoque que a gente faz influencia as pessoas de uma maneira direta ou indireta, cria uma influência na vida das pessoas. Então nós temos uma responsabilidade. Por exemplo: quando a gente faz um tratamento e alisa uma mulher completamente, como acontece, por exemplo, no caso da Playboy, a gente tá criando um conceito de sociedade. Para o cara que faz a manipulação de imagem é um simples trabalho, ele não tem a dimensão do quanto isso vai afetar a vida das pessoas. Quantas meninas e jovens vão adotar aquele padrão como sendo o belo, como sendo o bonito e vão se matar com creme, com academia pra chegar naquele padrão. Isso é uma atrocidade com o ser humano. Por isso que eu falo, o limite é a realidade. Eu tenho que fazer correções que levem em consideração a característica natural das pessoas. É possível que aquela pessoa a qual eu estou tratando a imagem, tenha aquela pele, aquela textura, na vida real? Eu mostro no meu trabalho possibilidades surreais, mas com opção de linguagem artística, mas toda vez que a gente entender que as pessoas vão se influenciar, que elas não vão ter um entendimento que é uma coisa abstrata, que você tá querendo dar um conceito mais artístico, você tem que puxar pra esse limite. E existem dois campos nesse mundo do Photoshop. Existe o campo da manipulação e o campo do tratamento. Toda imagem sofre um tratamento. Até antes da era digital. Seja no laboratório, no minilab digital ou através do Photoshop. Sempre houve a correção de cor. O próprio ajuste de exposição, a escolha de um balanço de branco, isso aí faz parte da fotografia analógica e digital. Mas a manipulação já é um pouco diferente. O Photoshop ampliou essas possibilidades. A manipulação também sempre existiu na fotografia. Têm casos de 1915 com manipulação de Lênin; de 1936, de Hitler; através daquele processo em chapa, em vidro, eles faziam retoque nas imagens pra excluir pessoas das imagens. Isso é muito antigo e o Photoshop facilitou isso. Então, a gente tem que evitar as manipulações, principalmente quando afetam a moral das pessoas. Tem um caso que eu sempre lembro e cito: eu recebi um caso bem dramático de uma menina do Rio Grande do Sul, ela mandou um e-mail, dizendo que ela tinha sido vítima de uma manipulação. Ela postou algumas fotos no Orkut, e alguém que não gostava dela pegou o rosto dela, pegou fotos pornográficas, colou de uma maneira absolutamente tosca, de uma maneira ridícula, mal feita, sem proporção, nada, simplesmente recortou e jogou para toda a rede de uma universidade onde ela estudava e onde o marido era professor universitário. A menina ficou mais de um mês sem ir pra universidade tamanho o constrangimento.

Diarinho: Aconteceu um caso recente com a Cláudia Leite, fotos dela foram colocadas em sites pornôs…

Altair Hoppe: E cada vez mais isso acontece. A culpa não é do Photoshop. As pessoas buscam atribuir a culpa das manipulações, dos retoques, no Photoshop, mas isso é um grande erro. É desconhecimento do processo. Tudo que a gente faz na vida parte de uma intenção nossa. Quem tem a ferramenta na mão é que decide. A ferramenta por si só não decide nada. Um policial usa um revólver pra defender a sociedade, o bandido pode usar o mesmo revólver pra fazer atrocidades, para matar uma pessoa. Um fotógrafo pode usar uma câmera fotográfica pra registrar uma coisa bela, uma coisa bonita, como também pode usar o instrumento fotográfico pra invadir a privacidade das pessoas. Tudo parte daquilo que a gente quer fazer. Essa história de que o Photoshop é culpado é senso-comum.

Diarinho: Qual ensaio fotográfico da Playboy o uso do Photoshop ficou mais evidente? Dá pra acreditar que as mulheres que aparecem nuas nas revistas são elas mesmas?

Altair Hoppe: Tem tratamento em toda edição. Teve um caso engraçado agora em junho. A Playboy lançou uma edição com uma menina do Big Brother, eles colocaram que não foi usado Photoshop. É uma coisa tão inédita que eles anunciaram que naquela edição não foi usado Photoshop. Mas, em julho, eles deram um azar gigantesco porque fizeram uma aberração no Photoshop. Parece até que foi pra um contraponto. Saiu uma menina, uma apresentadora de TV, sem o mamilo. Eles removeram o mamilo da menina. Não é a primeira vez que a Playboy faz isso. Tinha o seio, a forma toda e aí excluíram o mamilo. Mas por que eles fizeram isso? Nesse caso, foi por uma questão da legislação. Não é permitido colocar na capa de uma revista que circula em banca um seio exposto. [Mas aparece…] Elas sempre dão um jeitinho. O seio aparece, mas o mamilo não. Tem um fotógrafo amigo meu, o Luiz Garrido, que é um dos gênios do retrato no Brasil, talvez do mundo, ele contou um episódio que no regime militar não poderia aparecer a foto com os seios expostos, mas tinha uma restrição: só era proibido se fossem dois seios. Então, uma das fotos que ele fez, fez a mulher só com um único seio. Fez um corte e a mulher ficou meio aleijada, mas ele conseguiu fazer [risos].

Diarinho: É possível modificar uma imagem sem deixar pistas?

Altair Hoppe: É possível. Os recursos que a gente tem no Photoshop, pra quem tem conhecimento, é possível fazer uma foto idêntica à realidade, sem praticamente deixar rastro de que é uma montagem. Claro que tem que haver um planejamento na captura das fotos. Você não vai pegar qualquer foto e juntar com outra. Isso é uma diferença entre um trabalho profissional e um amador. O amador junta uma relação de fotos que não tem relação, que não foram planejadas, e tenta fazer a montagem. É isso que acontece na internet e no detetive virtual. Não são profissionais da área, são pessoas comuns que fazem e sempre deixam um pequeno errinho e a gente consegue descobrir. Mas profissionais mesmo, se eles fizeram as montagens com capricho, não tem como descobrir. Na publicidade, por exemplo, se cria todo um cenário e todo um conceito.

Diarinho: Que dicas você dá pra identificar quando uma foto é montagem?

Altair Hoppe: As sombras em posições diferentes são o erro mais comum de uma montagem. Você tentar identificar na cena a fonte de luz, de onde ela tá partindo, e tentar identificar a direção da sombra. O recorte das fusões é mais simples. E alguns erros de perspectiva também podem acontecer. Eu tive uma convicção muito grande com esse viajante do tempo nessa questão da luz. O fato de criar uma sombra da orelha não é uma coisa possível. Quando a gente salva em jpg, a foto perde bastante informação, aí a textura da imagem, a diferença de granulação, praticamente desaparece. Esse é um elemento que poucas vezes eu consigo considerar, só se a imagem é em alta resolução, tem bastante definição, mas a maioria das vezes eu trabalho na questão da perspectiva, da sombra.

Diarinho: Hoje em dia é possível trabalhar para grandes empresas sem abandonar sua cidade? O que ainda é preciso fazer in loco? Você nunca pensou em ir morar no eixo Rio – SP pra impulsionar a carreira?

Altair Hoppe: Quando eu comecei a trabalhar, a gente era uma editora de Itajaí que editava uma revista de circulação nacional. Os caras não acreditavam como que alguém de Itajaí ia fazer uma coisa boa numa era que só tinha revista em São Paulo. A gente conseguiu quebrar isso mostrando qualidade. Eu acho que é o grande mérito de quem vem do interior. Quem vem do interior sabe que precisa mostrar que tem capacidade. É um desafio. Com a chegada da internet isso só foi potencializado. Hoje, eu consigo fazer o meu trabalho aqui em Balneário ou em qualquer parte do Brasil com a mesma qualidade que as pessoas fazem em São Paulo. Na verdade, hoje todo mundo imagina que eu sou de São Paulo. As pessoas se espantam quando eu digo que sou de Santa Catarina, de Balneário Camboriú, principalmente as pessoas aqui da região. Hoje, quando eu digo que moro aqui no Vale do Itajaí as pessoas dizem “nossa, tu mora no paraíso”. Aqui a gente tem tudo que a gente precisa, consegue fazer um trabalho extremamente bom num outro ritmo. Eu tô aqui na empresa, não pego trânsito, não me preocupo tanto com a questão da violência, então isso dá tranquilidade pra gente trabalhar. Na verdade, cada vez eu quero estar num centro menor. O meu planejamento de vida é poder ter uma vida cada vez mais simples porque eu tenho certeza que isso vai me fazer cada vez mais feliz. [Mas sem abandonar a tecnologia…] De forma alguma. É a tecnologia que permite fazer exatamente isso. Hoje, a galera que trabalha aqui comigo no meu escritório, poderia trabalhar em casa. Se a gente fizer uma reunião e definir isso é possível fazer esse tipo de coisa hoje. Ou eu ter um funcionário lá de Fortaleza, um lá do Rio Grande do Sul, a tecnologia permite isso. Hoje nós estamos em condição de igualdade, hoje o que determina a diferença desses profissionais é o querer. A questão geográfica ela inexiste.

Diarinho: A única coisa que você faz presencialmente são os workshops?

Altair Hoppe: Ainda. Daqui a pouquinho não vai ser mais. Temos um projeto de fazer isso à distância, na verdade, há dois anos a gente trabalha essa ideia. A partir de 2011 eu acredito que a gente vá começar a viabilizar os cursos à distância. Vamos atingir um número maior de pessoas. Hoje eu faço os cursos só nas capitais, isso restringe um pouco o pessoal do interior, que tem menos capacidade de investimento. Eu fazendo curso à distância na internet, o custo vai ser bem menor, porque eu não vou ter que viajar, não vou ter que alugar estrutura de hotel, coffe-break, etc.

Diarinho: A sua mulher também é fotógrafa. O senhor também faz consultorias a ela?

Altair Hoppe: Na verdade eu não dou conselho, eu dou esporro [risos]. Eu dou mais conselhos na parte estratégica. Eu não interfiro no processo de edição, eu dou minha opinião sobre como, estrategicamente, ela pode desenvolver a carreira. Eu dou esporro como companheiro que busca apoiá-la através da minha experiência de mercado. Eu poderia influenciar meu filho, tornar ele um mini Altair, mas eu não falo nada com ele a respeito de Photoshop. Eu não vou impor meu conceito de mundo pra ele.

Raio-X

  • Nome: Altair Hoppe.
  • Idade: 36 anos.
  • Natural: Presidente Getú­lio/SC.
  • Estado civil: casado com Juliana Hoppe.
  • Filhos: Dois – Alecsander, 12 anos; e Nicholas, 4 anos.
  • Formação: Jornalismo, na Univali.
  • Carreira: Criador da Fo­lha de Ilhota; revista Photos, onde começou como arte-finalista até chegar a sócio; e criador da editora iPhoto.