Alcântara: o custo do Centro Espacial para as comunidades quilombolas

Centro de Lançamento de Alcântara

Novos projetos da base de lançamentos ameaçam 400 moradores de comunidades próximas à Alcântara, no Maranhão.

O Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, mudou a vida de dezenas de famílias quilombolas. Se antes moravam ao lado do mar e sobreviviam da pesca, a nova morada, nas chamadas agrovilas, está a 40 quilômetros da antiga residência. Hoje, compram o peixe – que chega na garupa de motos.

O segundo maior Centro Especial de Foguetes do mundo nunca mandou um só satélite ao espaço. Este ano, o governo Temer retomou negociações para que os Estados Unidos usem a base.

Novos projetos ameaçam 400 pessoas das comunidades de Boa Vista e Manuma. Nessa última comunidade, vivem 71 famílias de remanescentes de escravos. Há 30 anos vivem um conflito territorial com o Centro de Lançamento de Alcântara.

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Câmara de Vereadores de Ilhota irá iniciar o processo de transmissão via internet das sessões

Plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Ilhota

Sinceramente, eu não entendi essa Lei. Gratificação para assessor de áudio e vídeo? Como diria o povo joinvillense… Éééguaaa.

Esse projeto é de iniciativa do próprio Poder Legislativo, da Mesa Diretora. O Projeto de Lei Ordinária 01/2018 foi dado entrada no dia 9 de janeiro e deliberado pelo Plenário da Câmara de Vereadores de Ilhota na segunda sessão extraordinária Câmara deste ano, em 5 de fevereiro. Como havia comentado, iniciamos bem os trabalhos legislativos do ano, com sessão extraordinária. Se o projeto passou por alguma comissão, se teve algum parecer jurídico, eu não sei. O que apenas sei, consultando o portal da Câmara de Vereadores de Ilhota, só há o parecer do impacto orçamentário/financeiro e alguns outros anexos, e mais nada. O prefeito, respeitando a decisão do plenário, sancionou no dia 6 de fevereiro.

Entendo que, com essa lei, a Câmara irá transmitir em tempo real as sessões ordinárias, extraordinárias, solenes e audiências públicas.

Como sou um mero mortal e um simples contribuinte, só sei das coisas quando é publicado pelo Diário Oficial dos Municípios e é por lá, oficialmente nesse instrumento, onde eu sei das coisas e emito minha opinião. Graças ao DOM é que nós sabemos das coisas. Os bastidores, as entrelinhas da política, fofoca de homem velho, isso não me interessa, deixamos essa besteirol americano a cargo da rádio pião e rádio corredor. A Lei Ordinária Nº 1903/2018 foi publicado em 8 de fevereiro, ontem.

Cada um faz a lei que entender melhor para o município. É pra isso que elegemos vereador… pra propor leis que irá beneficiar a sociedade no geral, fiscalizar o executivo, discutir, promover debates e votar essas matérias e temos uma assessoria jurídica para emitir os pareceres. Pronto! A partir daí, a democracia representativa está em pleno uso de suas atribuições do estado de direito e exercendo sua função. Mas em minha modesta opinião, se alguém nos consultasse, a respeito dessa lei, eu diria ou aconselharia a criar um novo cargo para administrar todo esse processo. E qual seria esse cargo??? Eu vos apresento… o assessor de imprensa!

Não necessariamente poderia ser um jornalista graduado, formado na Univali, o bom seria, mas uma pessoa que entendesse bem da coisa e fosse linkado com o universo da crossmedia. Esse carinha ou mina da comunicação teria a função de não somente ligar o botão da webcam, dar o play e transmitir as sessões para internet e controlar a mesa de som, mas produzir conteúdo, releases, informações. Além de gerenciar uma conta no YouTube, Facebook, Twitter e Instagram, iria aproximar de fato a comunidade com os vereadores já que é a casa do povo e toda informação, claro, é sempre bem vinda.

Somos carentes de notícias. Ilhota é pobre de conhecimento. As únicas informações que temos hoje da Câmara de Vereadores do município são os atos publicados no portal do legislativo, por que se não fossem obrigatórios, as pautas, atas, tramitações de projetos de leis e otras coisitaas más, nem isso saberíamos, nada seria publicado, mas como é imprescindível, isso dá um trabalho…

Contrata um jornalista aí, presidente! Isso irá fazer bem para todos. Vereador Rogério bem sabe disso. Dinheiro pra isso temos, até porque, foram devolvidos mais de R$ 300 mil pra Prefeitura de Ilhota ano passado.

Se não impulsionar as transmissões e divulgar as coisas deliberadas pela Câmara, serão 800 conto jogado fora. Não estão pensado e esperando que será comunidade que irá fazer isso, né? Vai me dizer que estão? De graça? #SQN

Com alegria,
#DialisonCleberVitti

Vereador Rogério do PT na tribuna da Câmara de Vereadores

Estudo divulga os riscos à diversidade e à pluralidade no sistema de comunicações no país

Quem controla a mídia no Brasil?

O debate sobre a democratização dos meios de comunicação no Brasil está na pauta do Serviço Social. Atualmente, o CFESS integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), pois considera que, se houvesse no Brasil uma mídia democraticamente acessível a todas as pessoas e segmentos, diferentes vozes seriam ouvidas e você, assistente social, poderia ter a oportunidade de assistir a outros programas de televisão e de rádio e ter até suas manifestações ouvidas.

É nesse sentido que o CFESS divulga o lançamento do estudo Quem Controla a Mídia no Brasil, que ocorreu em Brasília nesta sexta-feira, 2 de fevereiro, no auditório do Conselho Nacional do Ministério Público Federal. O levantamento, que faz parte de uma iniciativa internacional que ganhou o nome de Media Ownership Monitor (Monitor de Propriedade de Mídia), foi organizado pela instituição Repórteres sem Fronteiras.

O estudo identificou os 40 principais grupos de mídia, seus proprietários e proprietárias e os riscos à diversidade e à pluralidade no sistema de mídia do país. Participaram do lançamento a procuradora federal dos direitos do cidadão, Deborah Duprat, o representante da Repórteres sem Fronteiras no Brasil, Emmanuel Colombié, e o coordenador da pesquisa, André Pasti, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, este último responsável pelo estudo do caso brasileiro.

Assistente social pode participar

Para além do estudo, a categoria de assistentes sociais pode participar ativamente desse debate e dessa luta. Basta conhecer as atividades da Comissão de Comunicação do CRESS de sua região, as ações e estratégias do FNDC e dos Fóruns Estaduais pela Democratização da Comunicação.

O CFESS acredita que, para se aliar a essa luta, é preciso entender que a comunicação é um direito de todos/as. E que, para todo mundo poder exercer esse direito (que inclui a expressão e o direito à informação com diversidade), é preciso que haja mais mídia independente, menos recursos públicos para a mídia privada, menos concentração de controle e propriedade, mais canais disponíveis gratuitamente para a sociedade, mais conteúdo local e menos influência de governos e políticos nos conteúdos da radiodifusão.

Você pode acessar o estudo, clicando aqui!

Conselho Federal de Serviço Social – CFESS

 

Mapa da comunicação comunitária

Mapa da Comunicação Comunitária

O Mapa da Comunicação Comunitária é uma plataforma de georeferenciamento que reúne veículos de comunicação comunitária do Brasil. Entendemos como veículos de comunicação comunitária aqueles que se caracterizam por processos baseados em princípios públicos, que propiciem a participação ativa da população, que sejam de propriedade coletiva e que não tenham fins lucrativos.

Nesse mapa, escolhemos abranger aqueles veículos já articulados, produzidos, difundidos ou protagonizados por sujeitos, coletivos e organizações de favelas e outros territórios populares. Excluímos os blogs pessoais, veículos que não produzem conteúdo próprio ou só replicam conteúdo de outros e os que estão inativos.

A plataforma é colaborativa e qualquer iniciativa que se encaixe nos critérios estabelecidos pode se inscrever e participar do mapa. Utilizamos como ponto de partida a base de dados produzida pelo projeto Direito à Comunicação e Justiça Racial, realizado em 2014 pelo Observatório de Favelas com o apoio da Fundação Ford. A partir dela entramos em contato com os veículos, a atualizamos e conseguimos iniciar a plataforma com alguns dos principais veículos de comunicação comunitária do Rio de Janeiro.

O projeto é um dos produtos do Data_labe, um laboratório de dados na favela. Acreditamos que o empoderamento da juventude de periferia do Brasil passa, necessariamente, pelo acesso, produção e difusão de informações e hoje a comunicação comunitária é um dos principais responsáveis por garantir esses direitos. Aqui, pretendemos reunir esses veículos, tornar pública a nossa base de dados sobre essas iniciativas e construir um panorama acerca da comunicação comunitária brasileira, contribuindo para a reflexão e elaboração de iniciativas para o setor.

A plataforma foi desenvolvida pela agência de jornalismo de dados Volt Data Lab.

Participe:
Acesse o formulário neste link, adicione seu veículo e participe do mapa.

Acesse os dados:
Formato de tabela no Google Sheets e API em Json.

Projor e Observatório da Imprensa lançam iniciativa para mapear o jornalismo local no Brasil

Em parceria com agência Volt Data Lab, objetivo é compilar iniciativas existentes e identificar vazios de notícias.

Buscando mapear o jornalismo local no Brasil, o Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, que mantém o Observatório da Imprensa, anuncia nesta quinta-feira o Atlas​ ​da​ ​Notícia​, um grande levantamento para identificar iniciativas de notícias espalhadas por todos os cantos do país.

Para isso, uma primeira etapa do projeto é convocar empresas jornalísticas, associações, universidades, sindicatos, profissionais da área e até consumidores de notícias a colaborarem com a construção de um banco de dados que mostrará como estão distribuídos os veículos produtores de jornalismo no território nacional, fornecendo conhecimento importante sobre o tema.

Esses dados, que serão abertos para o público ao fim do desenvolvimento da plataforma Atlas​, servirão de fonte para estudos acadêmicos e outros tipos de pesquisa sobre a imprensa brasileira.

Se você gostaria sugerir algum veículo, seja do Acre ou de São Paulo, basta acessar o formulário pelo site, identificando o nome da organização, a cidade onde se localiza sua sede, o Estado e certas especificações como segmento principal e endereço eletrônico.

Encorajamos pessoas a divulgarem os veículos que conhecem, independentemente se considerarem que alguma organização já foi mencionada: essa possível redundância nos ajudará a certificar a informação.

As informações serão, então, estruturadas e avaliadas pelos organizadores, a fim de garantir a veracidade, a precisão e a padronização dos dados.

A agência Volt Data Lab é responsável pela validação das informações, pela estruturação do banco de dados e pela construção da plataforma.

Acesse o site do Atlas da Notícia – www.atlas.jor.br – e colabore com o levantamento e compartilhe em suas redes, para que mais pessoas possam participar e ajudar a visualizar o jornalismo local no Brasil.

Para possíveis colaborações técnicas ou parcerias, entre em contato com pelo info@voltdata.info.

 

BBC Brasil afirma que empresa usou perfis falsos em redes sociais para influenciar eleições

BBC Brasil

Uma reportagem realizada pela BBC Brasil e divulgada no dia 8/12 apontou que um “exército virtual” de perfis falsos foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente nas eleições de 2014.

De acordo com a reportagem, ao menos 13 políticos teriam sido beneficiados com a estratégia, entre eles senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

As evidências mostradas na reportagem, que teve investigação de mais de três meses, demonstram que a estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012.

A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio. De acordo com a matéria, os perfis, conhecidos como ciborgues, misturam pessoas reais e máquinas e criam um rastro de atividade mais difícil de detectar por computador, devido ao comportamento similar ao de humanos.

O empresário carioca Eduardo Trevisan, proprietário da Facemedia, registrada como Face Comunicação On Line Ltda, teria começado a mobilizar os perfis falsos, em 2012, contratando até 40 pessoas espalhadas pelo Brasil que administrariam as contas para atuar principalmente em campanhas políticas.

Intitulados de “ativadores”, estes funcionários recebiam perfis prontos da Facemedia, contendo foto, nome e história de cada um. Os funcionários alimentavam e dava prosseguimento à narrativa criada pela empresa, misturando publicações de caráter pessoal com posts de apoio aos políticos. O salário inicial de um controlador de perfis falsos ficava por volta de R$ 800 — nas eleições de 2014, o valor teria subido para R$ 2 mil.

Esta reportagem é a primeira da série Democracia Ciborgue, em que a BBC Brasil mergulha no universo dos fakes mercenários, que teriam sido usados por pelo menos uma empresa, mas que podem ser apenas a ponta do iceberg de um fenômeno que não preocupa apenas o Brasil, mas também o mundo.

A BBC Brasil procurou Trevisan. Por e-mail, o empresário afirmou que nunca criou perfil falso. “Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais”, disse. “Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados”, vaticinou.

Ainda segundo a reportagem da BBC, em 2009, Trevisan foi convidado para falar sobre o Twitter no programa de Ana Maria Braga na TV Globo. Ele também foi fonte de diversas matérias sobre a Lei Seca no Rio de Janeiro e em 2010 foi homenageado pela Câmara Municipal da capital fluminense.

A matéria da BBC traz dados sobre os pagamentos realizados pelos partidos a Facemedia, além de um roteiro utilizado pelos perfis nas redes e mais informações sobre os envolvidos. Leia a reportagem completa, aqui.

Portal Imprensa

Notícias falsas e pós-verdade: o mundo das fake news e da (des)informação

FakeNews - Art by: #DialisonCleberVitti

Vivemos numa avalanche de informações a cada segundo. O mundo inteiro está a um clique de distância. No celular, o whatsapp está o tempo todo alerta, com mensagens de amigos e de grupos sobre diversos temas; no Facebook, o painel de novidades – o newsfeed – está repleto de vídeos, notícias urgentes, postagens de páginas que você curte e comentários fazendo juízos de valor sobre qualquer assunto.Em meio a todo esse cenário, às vezes é difícil saber o que é verdadeiro ou não.

Nos últimos tempos, houve um aumento de notícias falsas, as famosas fake news, em inglês. Quantas vezes você sai falando sobre uma matéria de jornal e, na verdade, só leu a manchete? Quantas vezes você checa a informação que um colunista do qual você gosta publicou? Quantas vezes você assiste a um vídeo polêmico e o compartilha com seus amigos? Vamos conversar sobre o nosso mundo da (des)informação?

Fake news: afinal, o que são notícias falsas?

Notícias falsas sempre existiram, não é mesmo? Principalmente no ramo da política, onde não é novidade um candidato plantar uma informação sobre seu adversário para que ele perca votos ou que boatos sobre a vida privada dessas figuras sejam espalhados. Historicamente, diversas fake news foram disseminadas com determinados objetivos. Mas fiquem tranquilos, não estamos deduzindo isso: tiramos essa informação de uma entrevista do historiador Robert Darnton para a Folha de São Paulo.

O historiador Robert Darnton, que é professor emérito da Universidade Harvard , conta que as notícias falsas são relatadas pelo menos desde a Idade Antiga, do século 6: “Procópio foi um historiador bizantino do século 6 famoso por escrever a história do império de Justiniano. Mas ele também escreveu um texto secreto, chamado “Anekdota”, e ali ele espalhou “fake news”, arruinando completamente a reputação do imperador Justiniano e de outros. Era bem similar ao que aconteceu na campanha eleitoral americana”, diz Robert Darnton ao jornal Folha de São Paulo. Leia a entrevista completa aqui!

Notícias que aparentam ser verdadeiras, que em algum grau poderiam ser verdade ou que remontam situações para tentar se mostrar confiáveis: isso são as fake news que vemos atualmente. Por isso há de ser ter cuidado: as notícias falsas não são apenas aquelas extremamente irônicas, que têm o intuito de serem engraçadas e provocar o leitor. As notícias falsas atualmente buscam disseminar boatos e inverdades com informações que não estão 100% corretas sobre pessoas, partidos políticos, países, políticas públicas… Elas não vão aparentar ser mentira, ainda mais se nós acreditamos que elas podem ser verdadeiras – mas não são.

Isso se deve também a um fenômeno contemporâneo presente no mundo: a pós-verdade. Vamos entendê-la?

Pós-verdade: o que tem a ver com as notícias falsas?

Pós-verdade foi eleita a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford. De acordo com o Dicionário Oxford, pós-verdade é: um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais”. Um mundo com a pós-verdade é uma realidade em que acreditar, ter crença e fé de que algo é verdade é mais importante do que isso ser um fato realmente.

A explicação da palavra pós-verdade de acordo com o Oxford é de que o composto do prefixo “pós” não se refere apenas ao tempo seguinte a alguma situação ou evento – como pós-guerra, por exemplo –, mas sim a “pertencer a um momento em que o conceito específico se tornou irrelevante ou não é mais importante”. Neste caso, a verdade. Portanto, pós-verdade se refere ao momento em que a verdade já não é mais importante como já foi.

O termo pós-verdade já existe desde a última década, mas as avaliações do Dicionário Oxford perceberam um pico de uso da palavra exatamente no ano de 2016, no contexto do referendo de saída do Reino Unido da União Europeia – o Brexit – e das eleições estadunidenses. Além disso, é bastante usado com o termo política depois, então, pós-verdade política. Seu uso foi destacado durante esses eventos pois diversas notícias falsas foram publicadas em sites na internet, em páginas de Facebook, vídeos no Youtube e o público as absorveu como verdadeiras exatamente porque gostariam que fossem verdadeiras.

pós-verdade

Qual é o real impacto das notícias falsas no mundo e na política?

Dois acontecimentos que tiveram relevância internacional em 2016 foram o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – e as eleições presidenciais estadunidenses. Além de serem os principais motivos do crescente uso da palavra pós-verdade, também foram onde o próprio fenômeno das notícias falsas foi muito intenso.

Em se tratando de política e da polarização ideológica generalizada, as notícias falsas foram usadas para causar tumulto e reforçar posicionamentos – ou mesmo, acentuá-los. No caso do Brexit e das eleições, os nervos estavam ainda mais à flor da pele por serem assuntos determinantes ao futuro daqueles países.

Há de se considerar também que as redes sociais e seus algoritmos formam bolhas sociais – e também ideológicas. Esses algoritmos reúnem no seu painel de notícias do Facebook, por exemplo, as pessoas com que você mais interage e os assuntos mais pertinentes ao que você publica ou curte, assim como notícias, reportagens, vídeos e histórias sobre posicionamentos que você já endossa, também politicamente. O algoritmo, portanto, não dá lugar ao contraditório. A sua visão de mundo é confirmada repetidamente e, se um amigo seu compartilha uma “notícia”, mesmo que falsa, você pode acreditar. Esse fenômeno une a notícia falsa à pós-verdade e foi um episódio recorrente no Reino Unido e nos Estados Unidos em 2016.

Em 2016, 33 das 50 notícias falsas mais disseminadas no Facebook eram sobre a política nos Estados Unidos, muitas delas envolvendo as eleições e os candidatos à presidência. Durante a campanha presidencial, notícias falsas foram espalhadas sobre os dois candidatos: o republicano Donald Trump – depois eleito – e a democrata Hillary Clinton. No monitoramento de 115 notícias falsas pró-Trump e 41 pró-Hillary, os economistas Hunt Allcott e Matthew Gentzkow concluíram que as postagens pró-Trump foram compartilhadas 30 milhões de vezes, enquanto as pró-­Hillary 8 milhões.

Sobre Trump, a “notícia” de que o Papa Francisco havia apoiado sua candidatura e lançado um memorando a respeito foi a segunda maior notícia falsa sobre política mais republicada, comentada e a qual as pessoas reagiram no Facebook em 2016. Outra notícia falsa,  diretamente relacionada com Trump, afirmava que ele oferecia uma passagem de ida à África e ao México para quem queria sair dos Estados Unidos – a postagem obteve 802 mil interações no Facebook. Quando à Hillary Clinton, uma notícia falsa com alta interação no Facebook – 567 mil – foi de que um agente do FBI (órgão de investigação federal) que trabalhava no caso do vazamento de e-mails da candidata foi supostamente achado morto por causa de um possível suicídio.

Quanto ao Brexit, houve diversas informações truncadas disseminadas pela campanha Vote Leave – em tradução livre, “vote para sair” – para a saída do Reino Unido da União Europeia. As questões envolviam principalmente as políticas de imigração da UE e questões econômicas. O jornal The Independent reporta que um dos líderes da campanha pelo Brexit afirmou que mais 5 milhões de imigrantes iriam ao Reino Unido até 2030 por conta de uma licença dada a 88 milhões de pessoas para viver e trabalhar lá – uma informação que não tem fundo de verdade. Um dos pôsteres da campanha clamava: “Turquia (população de 76 milhões) está entrando na UE” – quando, na verdade, o pedido de entrada na UE pela Turquia é antigo e não mostra sinal de evolução.

Para as eleições de 2018, não se acredita que as notícias falsas poderão de fato mudar o resultado da eleição, como discutido num evento da Revista ÉPOCA. Mas é claro que os boatos enfraquecem e distraem a população do assunto que realmente importa: os planos de governo, as ideias de políticas públicas, o modelo de gestão… Essa questão é tão latente que até órgãos de defesa do governo federal, como o Ministério da Defesa e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), junto ao Tribunal Superior Eleitoral, preparam uma força-tarefa para combater as notícias falsas no período eleitoral em 2018.

Qual o papel da imprensa com as notícias falsas no mundo da pós-verdade?

Podemos dizer que o jornalismo sempre foi o canal que disseminava as notícias e conteúdos às pessoas, seja a respeito da sua própria comunidade ou sobre o mundo. Hoje há, porém, um ruído na relação entre os jornalistas, os meios de comunicação tradicionais e o público. Em alguns casos, o público não quer mais ser informado por apenas o que uma emissora de TV, de rádio ou jornal impresso têm vontade de veicular. Em outros, acredita-se que a cobertura de situações é parcial e partidária para algum lado.

Desde a massificação da internet, mas principalmente das redes sociais, não há mais filtro entre a informação e o público. O público pôde se emancipar da necessidade em se conectar com veículos tradicionais de informação e, portanto, há quem se informe somente pelas redes sociais e nunca abra um jornal. Aí reside o problema: muitas vezes são disseminadas informações inexatas, exageradas ou erradas de alguma maneira. Isso traz à tona a importância da imprensa, que tem a formação jornalística necessária para o combate a notícias falsas, pois envolve apuração dos fatos, a checagem de informações e as entrevistas com diversas partes envolvidas numa situação (pluralidade de fontes).

Em um estudo da USP sobre as “Eleições 2018 – Perspectivas da comunicação organizacional”, conclui-se que metade das empresas brasileiras não acredita que a imprensa está preparada para a cobertura das eleições de 2018. Por outro lado, a metade que acredita na capacidade da imprensa de cobrir as eleições do ano que vem o faz porque enxerga competência e tradição da mídia brasileira nesse tipo de cobertura.

O jornalismo tradicional, portanto, pode e deve encontrar novos formatos de conteúdo, inovar em suas abordagens para manter a sua credibilidade perante o público que já tem e adquirir o público que ainda não tem – exatamente a população que nasceu em meio à internet e às redes sociais. É papel de imprensa utilizar suas ferramentas para combater a disseminação das notícias falsas e da pós-verdade. Um dos meios para isso é a checagem de fatos feita em agências, redações e coletivos de jornalismo, sobre a qual você pode ler aqui!

Vamos combater notícias falsas?

Para evitar um mundo que vive na pós-verdade, precisamos combater e prevenir a disseminação de notícias falsas. A pesquisadora Claire Wardle, em um artigo no First Draft News, acredita que para combater de fato as fake news precisamos entender três pilares:

  • Os diferentes tipos de conteúdos que estão sendo criados e compartilhados.
  • As motivações de quem cria esse conteúdo;
  • As maneiras com que esse conteúdo é disseminado.

Passaremos por cada um desses pontos para, então, compreender algumas dicas sobre como podemos combater as notícias falsas.

7 tipos de notícias falsas que podemos identificar

Para sanar o primeiro item é identificar que tipo de conteúdos estão sendo criados e compartilhados, a jornalista Claire Wandle criou uma lista de 7 tipos de notícias falsas que podemos identificar e combater nas redes:

  1.   Sátira ou paródia: sem intenção de causar mal, mas tem potencial de enganar;
  2.   Falsa conexão: quando manchetes, imagens ou legendas dão falsas dicas do que é o conteúdo realmente;
  3.   Conteúdo enganoso: uso enganoso de uma informação para usá-la contra um assunto ou uma pessoa;
  4.   Falso contexto: quando um conteúdo genuíno é compartilhado com um contexto falso;
  5.   Conteúdo impostor: quando fontes (pessoas, organizações, entidades) têm seus nomes usados, mas com afirmações que não são suas;
  6.   Conteúdo manipulado: quando uma informação ou ideia verdadeira é manipulada para enganar o público;
  7.   Conteúdo fabricado: feito do zero, é 100% falso e construído com intuito de desinformar o público e causar algum mal.

Poderíamos dar exemplos de cada um desses itens, mas vamos nos ater a comentar o primeiro, da sátira utilizada sem o intuito de mal informar. No Brasil, há o portal Sensacionalista, que é muito conhecido e famoso. Ele tem o slogan: um jornal isento de verdade. A frase é, por si só, ambígua: pode significar que o jornal é realmente isento, objetivo e imparcial ou que ele é isento em publicar verdade, ou seja, publica mentiras. Esse segundo entendimento é o correto.

O Sensacionalista produz notícias falsas como se fossem verdadeiras, mas com o objetivo de construir críticas sobre acontecimentos mundiais por meio da ironia e da sátira, não de desinformar as pessoas. Mas apesar de todos esses fatores, pode haver confusão e o público considerar o seu conteúdo verídico.

Por que notícias falsas são feitas?

Há diversos fatores para a criação de notícias falsas. Alguns deles são a descrença na imprensa e a utilização das fake news como um negócio, para atingir objetivos de interesse próprio. Em estudos sobre os motivos pelos quais são feitas as fake news, chegou-se ao seguinte resultado: os motivos podem ser um jornalismo mal-feito; paródias, provocações ou intenção de “pregar peças”; paixão; partidarismo; lucro; influência política e propaganda.

Quanto ao lucro, por exemplo, os estudos se referem às notícias falsas terem se tornado um negócio. Há realmente quem lucre com esse advento, com ferramentas de propaganda gratuitas e com as manchetes chamadas de “iscas de clique”. Foi o caso de um brasileiro que chegou a fazer 100 mil reais mensais de lucro com sites de notícias falsas, segundo um mapeamento da  Folha de São Paulo.

A respeito da veiculação desses conteúdos, podemos dizer que são disseminados principalmente pela internet, por meio de redes sociais, portais falsos de notícias e grupos de aplicativos de mensagem, amplificados até por jornalistas que passam informações truncadas às pessoas. Outras notícias falsas são disseminadas por grupos diversos – de política, de religião, de crenças variadas – que fazem comunidades, páginas de Facebook e sites para compartilhar suas crenças e (des)informar as pessoas de acordo com sua fé. Existem também outras maneiras mais sofisticadas, em que há uso de robôs e mecanismos da internet próprios para disseminar conteúdos falsos.

Dicas para verificar se uma notícia é ou não falsa

A Federação Internacional das Associações e Instituições de bibliotecária (IFLA) publicou dicas para ajudar as pessoas a identificarem notícias falas. Elas são:

  • Considere a fonte da informação: tente entender sua missão e propósito olhando para outras publicações do site;
  • Leia além do título: títulos chamam atenção, mas não contam a história completa;
  • Cheque os autores: verifique se eles realmente existem e são confiáveis;
  • Procure fontes de apoio: ache outras fontes que confirmem as notícias;
  • Cheque a data da publicação: veja se a história ainda é relevante e está atualizada;
  • Questione se é uma piada: o texto pode ser uma sátira;
  • Revise seus preconceitos: seus ideais podem estar afetando seu julgamento;
  • Consulte especialistas: procure uma confirmação de pessoas independentes com conhecimento;

Pronto, agora você entendeu o que é notícia falsa, de que maneira ela pode aparecer para você, os motivos pelos quais elas são feitas e ainda fazer um trabalho individual de checagem de informação para não repassar boatos por aí.

Referências

Historiador Robert Darnton – entrevista Folha de S. Paulo; “Fake news viraram um grande negócio” – Revista Época; Imprensa brasileira na cobertura das eleições de 2018 – Revista Época; O que são as fake news – Professor Doutor Diogo Rais (Mackenzie); Fake news: o novo espetáculo – João Pedro Piragibe, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Mackenzie); Blog Watch – Fake News Types; First draft news – Claire Wardle – 7 types of fake news; 6 tipos de fake news nas eleições dos EUA em 2016 – Claire Wardle – Columbia Journalism; O mundo das fake news – El País; Pós-verdade – Dicionário OxfordFact-check.org – Papa Francisco endossou Donald Trump?Estadão – TSE, Abin e Defesa combatem fake newsNew York Times – Como fake news se espalhamThe Guardian – Fake news ajudaram Trump a se eleger;  Buzzfeed News – Top Fake News 2016Relação Turquia e União Europeia – ExameO império da pós-verdade – Época;

Você acha que é possível as pessoas saírem da realidade da pós-verdade e realmente se importarem com a veracidade dos conteúdos que consomem? Deixe seu comentário!

Fonte: Politize! Escrito por Carla Mereles, estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize.

Icnográfico POLITIZE Fake News

Profissionais de mídia e defensores da liberdade de expressão lançam iniciativas contra impunidade em crimes contra jornalistas

Dia Internacional para acabar com a Impunidade dos Crimes Contra os Jornalistas

Quase quatro anos depois que a Assembléia Geral da ONU declarou o 2 de novembro como o Dia Internacional para acabar com a Impunidade dos Crimes Contra os Jornalistas (IDEI, na sigla em inglês), a data se tornou uma época em que profissionais da mídia e grupos de liberdade de expressão na América Latina e no resto do mundo chamam a atenção para os níveis de violência e impunidade que afetam seus colegas.

A declaração da ONU fez parte de uma resolução que pedia que “os Estados membros façam todo o possível para prevenir a violência contra jornalistas e funcionários dos meios de comunicação, para garantir que se encontrem os culpados por meio da condução de investigações rápidas, efetivas e imparciais sobre toda a violência contra jornalistas e trabalhadores da mídia reportada e que se levem os autores de tais crimes à justiça”.

Segundo a UNESCO, foram registrados assassinatos de 930 jornalistas nos últimos onze anos. Além disso, a organização acrescentou que ninguém é punido em nove entre cada dez casos.

No ano passado, a organização informou números que mostram que, na década anterior, apenas 11% dos homicídios de jornalistas que ocorreram na América Latina e no Caribe foram resolvidos.

Como parte da campanha #MyFightAgainstImpunity (Minha Luta Contra a Impunidade), que destaca seis entrevistas com jornalistas, ativistas de direitos humanos e parentes de jornalistas mortos, a UNESCO compartilhou a história de Oscar Cantú, fundador e editor do jornal Norte em Ciudad Juárez, no México. Cantú fechou o impresso em abril de 2017 após o assassinato de uma de suas jornalistas, Miroslava Breach.

Ficar sabendo de sua morte foi traumático para mim. Não só porque perdi uma colega querida, mas também porque me fez perceber que ainda não somos capazes de exercer nosso direito de informar o público, disse Cantú à UNESCO. Desde que o Norte foi fundado, há 27 anos, as condições para o exercício do jornalismo não mudaram.

O fundador do jornal apontou que mais de 11 jornalistas foram mortos no México apenas este ano.

“Fechei meu jornal como uma forma de protesto, como uma exigência de que os criminosos que matam jornalistas sejam levados à justiça. Quando conseguirmos a justiça, vamos abri-lo novamente”, disse ele. Cantú também pediu aos meios de comunicação que lembrem constantemente o público sobre os casos não resolvidos de crimes contra a imprensa.

Para marcar o IDEI, assim como a UNESCO e Cantú, organizações de liberdade de expressão e jornalismo da América Latina e de todo o mundo publicam sobre casos de violência contra jornalistas e sobre a subseqüente impunidade dos autores crimes, e também exigem que os governos façam mais para proteger os trabalhadores da mídia.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou seu Índice de Impunidade Global, que mais uma vez mostrou o México e o Brasil entre os países com os mais altos níveis de impunidade em crimes contra jornalistas no mundo.

A IFEX e seus membros continuaram a campanha “No Impunity” (Sem Impunidade) para elevar “as vozes das vítimas ao cenário internacional” e exigem que “os governos defendam padrões mais elevados de justiça e responsabilidade”. Eles se concentraram em “cinco casos emblemáticos de impunidade”, incluindo o da jornalista Jineth Bedoya, na Colômbia, que foi sequestrada, torturada e agredida sexualmente por membros de grupos paramilitares, enquanto ela reportava uma história em uma prisão em 2000. Embora algumas prisões tenham sido feitas neste caso, os julgamentos estão em andamento e ela foi convocada para testemunhar no tribunal várias vezes. Ela criou a campanha #NoEsHoraDeCallar (Não é hora de ficar em silêncio) para combater a violência sexual contra as mulheres.

Para participar nas mídias sociais e compartilhar suas próprias histórias, os usuários marcaram suas postagens com hashtags como #EndImpunity (Pelo fim da Impunidade), #JournoSafe(Jornalistas Seguros) e #SayNoToImpunity (Diga não à Impunidade).

Nos dias que antecederam o IDEI, algumas organizações lançaram oficialmente projetos que não só aumentariam a conscientização a respeito dos jornalistas que foram assassinados por sua profissão, mas também asseguraram que suas investigações não fossem interrompidas.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) começou o Programa Tim Lopes para a Proteção de Jornalistas. Nomeado em homenagem a um repórter de TV Globo morto enquanto reportava em uma favela do Rio de Janeiro em 2002, o projeto visa a investigar assassinatos, tentativas de assassinato e sequestros de profissionais da mídia e dar continuidade a seus trabalhos.

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) e a Freedom Voices Network lançaram oficialmente o projeto Forbidden Stories (Histórias Proibidas), que fornece uma plataforma para os jornalistas ameaçados de publicar seus trabalhos. No caso de um jornalista não poder continuar suas investigações, possivelmente devido a ameaças ou à morte, a organização pode continuar e divulgar seu trabalho. A organização iniciou o projeto promovendo as histórias de três jornalistas recentemente mortos no México por sua profissão.

A UNESCO e o Congresso Latino-Americano de Jornalismo Investigativo (COLPIN) planejam lançar a iniciativa “Quem investiga os crimes contra os investigadores?” no congresso de 2017 em Buenos Aires, Argentina, em 2 de novembro.

“Com o objetivo de estimular reportagens investigativas sobre a questão da impunidade em crimes contra jornalistas, a iniciativa tem como principal objetivo aumentar a solidariedade entre os jornalistas latino-americanos e contribuir para a redução da impunidade e da violência contra jornalistas”, disse um comunicado da UNESCO. “O projeto incluirá a produção de quatro reportagens dirigidas a jornalistas, além de debates e divulgação de um portal da web que reunirá, publicará e divulgará as reportagens”.

E também no dia 2 de novembro, o Centro Knight, a UNESCO e a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) anunciaram a última edição do curso on-line “Marco Jurídico Internacional da Liberdade de Expressão, Acesso à Informação Pública e  Proteção dos Jornalistas“. Até o momento, as cinco edições anteriores deste curso capacitaram mais de 5.200 juízes e operadores de Justiça na América Latina e Espanha sobre normas internacionais que regem a liberdade de expressão, o acesso à informação e a proteção dos jornalistas.

Fonte

Quem controla a mídia no Brasil?

 

Quem controla a mídia no Brasil?

RSF e Intervozes lançam relatório “Quem Controla a Mídia no Brasil”

A Repórteres Sem Fronteiras e a Intervozes lançaram na tarde de terça-feira (31), em São Paulo, o Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil (MOM). A pesquisa, que durou quatro meses e contou com a participação de apenas oito profissionais oferece uma imagem detalhada de quem são os proprietários da mídia no Brasil e de sua atuação em outros setores da economia. O país é o 11.º a receber o levantamento e os dados completos da pesquisa podem ser acessados pelo site do MOM.

Foram investigados 50 veículos de comunicação de todo o país divididos em quatro grandes grupos: TV, rádio, impresso e online. E evidenciou-se que 26 deles pertencem ou são controlados por grupos econômicos. Nove são do Grupo Globo, cinco do grupo Bandeirantes, outros cinco de Edir Macedo (considerando a Rede Record e os meios de comunicação da Igreja Universal do Reino de Deus), quatro da RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul e três do grupo Folha. Os grupos Estado, Abril e Editoral Sempre Editora/SADA controlam, cada um, dois dos veículos de maior audiência. Os demais possuem apenas uma das mídias pesquisadas.

A pesquisa identificou que 73% destes grupos têm sede na região metropolitana de São Paulo. No total, 80% estão localizados nas regiões Sul e Sudeste do país, de onde dominam a audiência nacional. No segmento de TV, mais de 70% da audiência nacional está concentrada em quatro grandes redes (Globo, SBT, Record e Band) e, somente a Rede Globo, detém mais da metade da audiência entre os “top quatro”, 36,9%. O SBT segue com 14,9% e a Record registra 14,7% do total.

Metodologia

O MOM-Brasil mapeou 50 veículos ou redes de comunicação em quatro segmentos: 11 redes de TV (aberta e por assinatura), 12 redes de rádio, 17 veículos de mídia impressa (jornais de circulação diária e revistas de circulação semanal) e 10 veículos online (portais de notícias). De acordo com os organizadores, a pesquisa brasileira é a de maior extensão já realizada pela RSF. Nos demais países, o número de veículos investigados chegou a, no máximo, 40.

Os veículos foram selecionados com base em dados de audiência. Também foi considerada sua capacidade de agendamento, ou seja, seu potencial de influenciar a opinião pública. A diferença entre o número de veículos de cada tipo se deve a maior ou menor concentração de audiência e ao alcance geográfico em cada segmento.

Para cada emissora, a equipe realizou um perfil dedicado ao histórico do veículo e também do grupo controlador até chegar ao proprietário da mídia. No total, estão disponíveis 98 perfis, em inglês e português, que detalham os vínculos comerciais, parcerias, amigos influentes, relações políticas e religiosas de cada um deles.

“Fizemos um trabalho de levantamento de fontes de audiência disponíveis e em alguns casos fontes de hábito de consumo da mídia e cruzamos os dados. O IVC também foi um grande parceiro, que enviou informações para a pesquisa com muita generosidade. Diferentemente de outros setores que são controlados por mercado de venda de informação, como é o caso da audiência de TV, por exemplo, onde o custo pra obtenção dos dados é muito alto”, apontou André Pasti, coordenador da pesquisa pelo Intervozes.

Ainda sobre a metodologia utilizada no levantamento, desenvolvida pela RSF Alemanha, Pasti pontuou a importância de dar transparência às informações. “Para além de dizer quem são, é saber que interesses econômicos existem. Isso é um ganho da pesquisa no sentido de dar transparência. Não significa que porque uma empresa tem negócios no mercado financeiro vai proibir seus jornalistas de fazer uma crítica, mas é importante que as pessoas saibam quais interesses econômicos estão associados aos grupos e famílias que detém o controle da mídia no país”, disse.

“Fizemos um esforço grande de separar o conceito de empresa, de legalidade de empresa. Porque há empresas que têm 20 ou mais CNPJs e a própria ‘pejotização’ está levando a algumas parcerias do tipo: conselheiro que recebe parcela de ações e vira acionista ou diretor para dar conta de uma contabilidade criativa nas empresas. E isso dificulta de maneira inimaginável o trabalho”, defendeu.

Pasti comentou também, sobre a dificuldade na obtenção de dados dos veículos.  “Faz parte da metodologia buscar as fontes oficiais, descobrir se as empresas disponibilizam dados de propriedade e outros publicamente, se há transparência ativa e nenhuma no Brasil tem, nenhuma empresa fornece esses dados. Fizemos pedidos de informação às empresas, mandamos mensagem para todas elas, garantimos que o pedido foi recebido e demos um prazo para retorno. Nenhuma empresa devolveu as informações”, vaticinou.

Ainda de acordo com Pasti, das 50 empresas investigadas, uma respondeu que eram informações estratégicas, “sendo que ela é concessionária de televisão e é um serviço público que obriga ela por Lei a nos dar essa informação”, disse. Outra respondeu querendo saber se os demais veículos tinham respondido e que ela só daria as informações caso as outras também o fizessem. E a terceira disse que ajudaria, mas que estava com dificuldade em obter as informações. “Isso foi assim até o fim da pesquisa. Não temos transparência ativa nem passiva nos dados”, apontou.

Resultados

A partir dos perfis levantados, a equipe chegou a uma série de indicadores de riscos à pluralidade na mídia no país. Dos dez indicadores, oito representam risco médio e alto para a transparência na imprensa. Entre os 11 países pesquisados pela RSF até agora, o Brasil é o mais negativo neste quesito.

A pesquisa indica também, que o perfil dos proprietários dos grupos é, em sua maioria, homens, brancos e cristãos. As exceções estão no Grupo SADA, Grupo Record e, também, no SBT, onde os cargos executivos já estão sob a gerência das filhas e esposas dos proprietários.

“Tentamos mapear não apenas os donos que constam nos CNPJs, mas também quem é a cara pública dos veículos, o CEO, o diretor de redação e o redator-chefe, se tem outras pessoas importantes naquele grupo e os colunistas. Se considerar não só os fundadores e proprietários, mas também etes cargos executivos, a maior parte deles é composta por homens brancos e grupos familiares. Há muita transmissão da empresa para as famílias, filhos, herdeiros, netos, bisnetos”, apontou Olivia Bandeira, da Intervozes.

Outro dado importante é a relação entre a mídia e os grupos políticos; 32 deputados federais e oito senadores controlam meios de comunicação, ainda que não sejam formalmente seus proprietários. O relatório aponta que, na maioria dos casos, as afiliadas são controladas por empresas que representam diretamente políticos ou famílias com tradição política. No caso da família Macedo, controladora do grupo Record e da Igreja Universal do Reino de Deus, eles dominam o Partido Republicano Brasileiro (PRB).

A relação dos proprietários de mídia com as Igrejas também é destaque na pesquisa. Veículos com programação evangélica, católica e espírita dominam as faixas de horários arrendados em veículos não-religiosos, como no caso da Record ou da Rede TV!. A presença de colunistas em impressos e em rádios também é marcante. “As minorias religiosas e religiões afrodescendentes não aparecem em local nenhum, nem na propriedade e nem na produção de conteúdo”, declarou Olívia.

Para Olaf Steenfadt, coordenador global do projeto MOM, esta relação entre veículos e Igreja é típico do Brasil. “Investigamos 10 países até agora e em nenhum o envolvimento entre a Igreja e a mídia foi tão intenso e profundo quanto no Brasil. Há apenas um país que talvez possamos comparar que são as Filipinas, onde há grande presença da Igreja Católica, que além de possuir canais de mídia usa isso como plataforma política”, declarou.

“O que vemos de particular neste cenário brasileiro é a triangulação entre igrejas, política e negócios, em que a Igreja também tem influência em outras áreas como a educação, por exemplo”, disse.

“É possível compreender que este é um fenômeno particularmente cristão. Em outros países de outras religiões, muçulmanas, por exemplo, há um tom geral muçulmano nas mídias, mas não há a propriedade de uma igreja ou instituição. Isso também não acontece em países budistas ou hindus”, ponderou.

Além disso, setores do agronegócio, bancos, siderúrgicas, instituições educacionais e empresas do ramo da saúde são mantidos pelos proprietários de mídia investigados.

Baixa adesão

Apesar de terem tido contato com as emissoras durante a apresentação dos dados à imprensa não houve comparecimento de membros dos veículos citados na coletiva, com exceção de dois representantes de uma das rádios do Grupo Bandeirantes e a reportagem da IMPRENSA. Também não compareceram veículos de trade, coletivos independentes, sindicatos ou demais órgãos de representação.

De acordo com Olívia, todos os veículos que foram investigados receberam convites para a coletiva e também para o evento de apresentação, que aconteceu no final da tarde. Além disso, a RSF se reuniu ainda, com representantes dos grupos durante todo o processo de levantamento de informações.

Segundo a assessoria de imprensa do MOM, a taxa de recebimento e abertura dos e-mails com o release sobre a pesquisa chegou a 100% em alguns dos veículos mais significativos da região sudeste e, mesmo assim, não houve cobertura destes sobre o relatório.

Portal Imprensa

Brasil é o sétimo país do mundo que mais mata jornalistas

Brasil é o sétimo país do mundo que mais mata jornalistas

O levantamento “World Trends in Freedom of Expression and Media Development” da Unesco, que deve ser publicado nas próximas semanas, revelou que em média um jornalista é assassinado a cada quatro dias em todo o mundo. Nos últimos 11 anos, foram 930 jornalistas mortos exercendo seu trabalho. A informação é da Folhapress.

Ainda de acordo com o estudo, em 2016, cinco jornalistas foram mortos no Brasil por exercerem sua profissão, nos alçando assim, ao sétimo lugar no ranking mundial de países que mais matam jornalistas no mundo. À frente do Brasil estão a Guatemala, com sete jornalistas mortos; a Síria, que há seis anos vive uma guerra civil, com oito mortes; e o Iraque, envolvido na guerra contra a milícia terrorista Daesh, conhecida como Estado Islâmico, com nove.

O terceiro lugar é do Iêmen, que está em guerra civil desde 2015 e sofre uma grave crise de segurança alimentar. Onze jornalistas morreram no país. Em primeiro e segundo lugar estão o México e o Afeganistão; esse último completou 16 anos de conflito armado em 2017. Ambos tiveram 13 jornalistas mortos no último ano.

O índice alarmante motivou em 2013 as Nações Unidas a declararem o dia 2 de novembro como o “Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas“. A cada dez casos, apenas um é resolvido. Para a Unesco, a impunidade encoraja o assassinato de jornalistas e os intimida, criando um ciclo vicioso de cerceamento da liberdade de imprensa.

Unesco, no exercício de seu mandato de defesa da liberdade de expressão e de imprensa, dedica em seu site uma página a condenações públicas de assassinatos de jornalistas em todo o mundo.

Entre os casos ocorridos no Brasil e condenados pela agência, destaca-se o assassinato de Maurício Campos Rosa, 64, que era dono do jornal “O Grito”, distribuído gratuitamente em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte. No dia sete de setembro deste ano, Roseli Ferreira Pimentel (PSB), prefeita de Santa Luzia, foi presa por suspeita de envolvimento no assassinato de Rosa. Investigações da Polícia Civil concluíram que ela teria desviado R$ 20 mil da Secretaria de Saúde municipal para pagar pelo crime.

Redação Portal IMPRENSA