Julian Assange oferece recompensa por informações sobre assassinos de jornalista

Twitter Julian Assange

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, prometeu uma recompensa de 20 mil euros por informações que levem aos assassinos da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia. A repórter, vítima de um atentado no dia 16 de outubro, foi fundamental na investigação e divulgação de denúncias no âmbito do “Panamá Papers”.

“Indignado de saber que a jornalista investigativa e blogger maltesa Daphne Caruana Galizia foi assassinada esta tarde perto de casa com uma bomba em seu carro. Ofereço uma recompensa de 20 mil euros por informações que conduzam à condenação de seus assassinos”, escreveu Assange em seu blog.

Esta semana, o filho da jornalista, Matthew Caruana Galizia, que também é membro do Consórcio Internacional de Periódicos de Investigação (ICIJ), acusou as autoridades de Malta de cumplicidade do assassinato. “Vocês são cúmplices, responsáveis”, disse por sua conta no Facebook.

Na quarta-feira (18), a União Europeia se pronunciou sobre o crime. “Estamos horrorizados pelo fato de ser uma jornalista conhecida e respeitada, a senhora Daphne Caruana Galizia, perdeu sua vida no que parece ser um ataque especificamente dirigido contra ela”, disse Margarita Schinas. “Foi um ato escandaloso”, assegurou, “O que conta agora é que se faça justiça”.

O primeiro ministro de Malta, Joseph Muscat, que reconheceu que a jornalista publicava constantemente críticas contra ele, tachou o assassinato como um ato de “barbarie” e ordenou aos serviços de segurança que dediquem todos os recursos possíveis à investigação.

Para o porta-voz do executivo europeu, Caruana Galizia era “uma pioneira do jornalismoinvestigativo em Malta” e explicou que o presidente da Comissão Jean-Claude Juncker, e seus comissários “condenam com máxima força este ataque”.

Portal Imprensa

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Cypherpunks – Liberdade e o futuro da internet. Livro de Julian Assange

Cypherpunks - Liberdade e o futuro da internet

Este livro não é um manifesto. Não há tempo para isso. Este livro é um alerta
Julian Assange

Cypherpunks – liberdade e o futuro da internet é o primeiro livro de Julian Assange, editor-chefe e visionário por trás do WikiLeaks, a ser publicado no Brasil. A edição brasileira, lançada pela Boitempo, conta com a colaboração do filósofo esloveno Slavoj Žižek e da jornalista Natalia Viana, parceira do WikiLeaks no Brasil e coordenadora da agência Pública de jornalismo investigativo.

A obra é resultado de reflexões de Assange e de um grupo vanguardista de pensadores rebeldes e ativistas que atuam nas linhas de frente da batalha em defesa do ciberespaço (Jacob Appelbaum, Andy Müller–Maguhn e Jérémie Zimmermann). A questão fundamental que o livro apresenta é: a comunicação eletrônica vai nos emancipar ou nos escravizar?

O assédio ao WikiLeaks e a ativistas da internet, juntamente com as tentativas de introduzir uma legislação contra o compartilhamento de arquivos, caso do Sopa (Stop Online Piracy Act) e do Acta (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), indicam que as políticas da internet chegaram a uma encruzilhada. De um lado, encontra-se um futuro que garante, nas palavras de ordem dos cypherpunks, “privacidade para os fracos e transparência para os poderosos”; de outro, a ação da parceria público-privada sobre os indivíduos, que permite que governos e grandes empresas descubram cada vez mais sobre os usuários de internet e escondam as próprias atividades, sem precisar prestar contas de seus atos.

Assange e os outros debatedores trazem à tona questões complexas relacionadas a essas escolhas cruciais ao refletir sobre vigilância em massa, censura e liberdade, assim como sobre o movimento cypherpunk, que usa a criptografia como mecanismo de defesa dos indivíduos contra a apropriação da internet pelos governos e empresas. Os cypherpunks defendem a utilização desse e de outros métodos similares como meio para provocar mudanças sociais e políticas. O movimento atingiu o auge de suas atividades durante as “criptoguerras”, sobretudo após a censura da internet em 2011, na Primavera Árabe. O termo cypherpunk, uma derivação de cipher (escrita cifrada) e punk, foi incluído no Oxford English Dictionary em 2006.

 

Debate com Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em São Paulo

Debate com Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em São Paulo

Boitempo Editorial e Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo promovem seminário “Liberdade, privacidade e o futuro da internet” com participação de Julian Assange por videoconferência.

Com as recentes denúncias de espionagem divulgadas pelo ex-técnico da Agência Nacional de Segurança dos EUA, Edward Snowden, a discussão sobre liberdade e privacidade na internet ganhou o noticiário em todo o Brasil. Considerada um grande avanço no campo das comunicações, de tempos em tempos, com a revelação de casos como o de Snowden, a internet torna-se alvo de desconfiança e críticas.

Como contribuição para esta discussão, no próximo dia 18 de setembro, no Centro Cultural São Paulo, acontece o seminário “Liberdade, privacidade e o futuro da internet”, correalizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e Boitempo Editorial.

O secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, acredita na importância da Prefeitura de São Paulo contribuir para a reflexão sobre o assunto. “A internet é hoje um espaço chave no cotidiano de praticamente toda a humanidade e essencial para a fruição cultural neste início do século XXI. A quebra de privacidade pela bisbilhotagem e a prática de espionagem é uma ameaça para os direitos individuais conquistados com muita luta no século passado e é preciso uma grande mobilização para garantir a privacidade e a liberdade na rede e o direito dos usuários a uma cultura livre”, conclui ele.

O evento contará com três mesas de debates. No encerramento, às 19h30, acontecerá a videoconferência com Julian Assange, fundador do Wikileaks e autor do livro Cypherpunks: Liberdade e o futuro da internet, publicado este ano pela Boitempo. Atualmente sob asilo político na embaixada do Equador em Londres, Assange participará da última mesa do evento por meio de transmissão ao vivo, com tradução simultânea. A jornalista Natália Viana, parceira do Wikileaks no Brasil e coordenadora da Agência Pública de Jornalismo Investigativo e o secretário Juca Ferreira compõem a mesa de discussões.

A primeira mesa começa às 14h e traz como tema “Arquitetura e Governança na Internet” e explora as regras para o tráfego dos dados. Na sequência, às 16h, o assunto é “Vigilância e Privacidade na Rede”, que aprofunda a discussão em torno da privacidade de dados em tempos de vigilância. Este tema terá entre os debatedores, Silvio Rhatto, especialista brasileiro em tecnologia digital e armazenamento de dados. A segurança dos usuários para a troca de informações e a dinâmica das redes sociais estarão entre os temas a serem discutidos.

Por meio do seu livro Cypherpunks: Liberdade e o futuro da internet, Assange pauta uma questão absolutamente contemporânea, que impacta a vida de todos os usuários da internet, que se beneficiam da revolução no campo das comunicações mas ainda refletem pouco sobre a vigilância que sofrem.

Ivana Jinkings, diretora editorial da Boitempo, ressalta a importância da obra de Assange: “O livroCypherpunks e a discussão global iniciada por Julian Assange à frente do Wikileaks – ao quebrar paradigmas e revelar a vigilância em massa na internet – são contribuições inestimáveis ao nosso tempo. O debate sobre a liberdade no meio virtual é necessário e inevitável, como mostram as ações de Bradley Manning, Edward Snowden e do próprio Assange, em busca de mais transparência. É hora de discutir as consequências dessas ações e ao mesmo tempo disputar a regulação e as políticas de comunicação no Brasil e na América Latina como um todo”.

Ingressos para a videoconferência serão entregues durante as atividades da tarde. Os restantes serão distribuídos a partir das 18h30. O evento é público, gratuito e não requer inscrição.

Serviço

  • Seminário “Liberdade, privacidade e o futuro da internet”.
  • Com Julian Assange, Juca Ferreira, Natalia Viana, Sérgio Amadeu, Maria Tereza Carvalho, Silvio Rhatto, Marta Knashiro e Gisele Beiguelman.
  • Dia 18/9 | a partir das 14h | Centro Cultural São Paulo | Sala Adoniran Barbosa.
  • Rua Vergueiro | nº 1.000 (próximo da estação Vergueiro do Metrô).
  • Confira a página oficial do evento no Facebook.

A revolução silenciada da Islândia

revolução islandesa

Uma revolução está ocorrendo na Europa.

Recentemente surpreenderam-nos os acontecimentos de Tunísia que desembocaram na fugida do tirano Ben Ali, tão democrata para ocidente até anteontem e aluno exemplar do FMI. No entanto, outra “revolução” que tem lugar desde faz dois anos foi convenientemente silenciada pelos meios de comunicação ao serviço das plutocracias europeias.

Ocorreu na mesmíssima Europa (no sentido geopolítico), num país com a democracia provavelmente mais antiga do mundo, cujas origens remontam ao ano 930, e que ocupou o primeiro lugar no relatório da ONU do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007/2008. Adivinhais de que país se trata? Estou seguro de que a maioria não tem nem ideia, como não a tinha eu até que tomei conhecimento por acaso (apesar de ter estado ali em 2009 e 2010). Trata-se de Islândia, onde se fez demitir a um governo ao completo, nacionalizaram-se os principais bancos, decidiu-se não pagar a dívida que estes criaram com Grã-Bretanha e Holanda por causa de sua execrável política financeira e se acaba de criar uma assembleia popular para reescrever a sua constituição.

E todo isso de forma pacífica: a base de caçarola, gritos e certeiro lançamento de ovos. Esta foi uma revolução contra o poder político-financeiro neoliberal que nos conduziu até a crise atual. Aqui está o motivo por que não se deram a conhecer estes factos durante dois anos ou se informou frivolamente e de passagem: Que passaria se o resto de cidadãos europeus tomasse exemplo? E com isto também confirmamos, uma vez mais por se ainda não estava claro, ao serviço de quem estão os meios de comunicação e como nos restringem o direito à informação na plutocracia globalizada de Planeta S.A.

Esta é, brevemente, a história dos factos:

  • No final de 2008, os efeitos da crise na economia islandesa são devastadores. Em Outubro nacionaliza-se Landsbanki, principal banco do país. O governo britânico congela todos os activos da sua subsidiaria IceSave, com 300.000 clientes britânicos e 910 milhões de euros investidos por administrações locais e entidades públicas do Reino Unido. A Landsbanki seguir-lhe-ão os outros dois bancos principais, o Kaupthing e o Glitnir. Seus principais clientes estão nesse país e na Holanda, clientes aos que seus estados têm que reembolsar suas poupanças com 3.700 milhões de euros de dinheiro público. Por então, o conjunto das dívidas bancárias de Islândia equivale a várias vezes seu PIB. Por outro lado, a moeda desaba-se e a carteira suspende sua actividade depois de um afundamento de 76%. O país está em bancarrota.
  • O governo solicita oficialmente ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que aprova um empréstimo de 2.100 milhões de dólares, completado por outros 2.500 milhões de alguns países nórdicos.
  • Protestantes em frente ao parlamento em Reykjavik sempre a aumentar. Em 23 de Janeiro de 2009 convocam-se eleições antecipadas e três dias depois, as caçaroladas já são multitudinárias e provocam a demissão do primeiro-ministro, o conservador Geir H. Haarden, e de todo seu governo em bloco. É o primeiro governo que cai vítima da crise mundial.
  • 25 de Abril celebram-se eleições gerais das que sai um governo de coalizão formado pela Aliança Social-democrata e o Movimento de Esquerda Verde, encabeçado pela nova Primeira Ministra Jóhanna Sigurðardóttir.
  • Ao longo de 2009 continua a péssima situação econômica do país e no ano fecha com uma queda do PIB de 7%.
  • Mediante uma lei amplamente discutida no parlamento propõe-se a devolução da dívida a Grã-Bretanha e Holanda mediante o pagamento de 3.500 milhões de euros, soma que pagarão todas as famílias islandesas mensalmente durante os próximos 15 anos ao 5,5% de interesse. Os cidadãos voltam à rua e solicitam submeter à lei a referendo. Em Janeiro de 2010 o Presidente, Ólafur Ragnar Grímsson, nega-se a ratificá-la e anuncia que terá consulta popular.
  • Em Março celebra-se o referendo e o NÃO ao pagamento da dívida arrasa com um 93% dos votos. A revolução islandesa consegue uma nova vitória de forma pacífica.
  • O FMI congela as ajudas económicas à Islândia, à espera de que se resolva a devolução da sua dívida.
  • A tudo isto, o governo iniciou uma investigação para dirimir juridicamente as responsabilidades da crise. Começam as detenções de vários banqueiros e altos executivos. A Interpol dita uma ordem internacional de detenção contra o ex-Presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson.
  • Neste contexto de crise, elege-se uma assembleia constituinte no passado mês de Novembro para redigir uma nova constituição que recolha as lições aprendidas da crise e que substitua a actual, uma cópia da constituição dinamarquesa. Para isso, recorre-se directamente ao povo soberano. Elegem-se 25 cidadãos sem filiação política dos 522 que se apresentaram às candidaturas, para o qual só era necessário ser maior de idade e ter o apoio de 30 pessoas. A assembleia constitucional começa o trabalho este mês de Fevereiro de 2011 e apresentará um projecto de carta magna a partir das recomendações acordadas em diferentes assembleias, que celebrar-se-ão por todo o país. Deverá ser aprovada pelo actual Parlamento e pelo que se constitua depois das próximas eleições legislativas.
  • E para terminar, outra medida “revolucionária” do parlamento islandês: a Iniciativa Islandesa Moderna para Meios de Comunicação (Icelandic Modern Média Initiative), um projecto de lei que pretende criar um marco jurídico destinado à protecção da liberdade de informação e de expressão. Pretende-se fazer do país, um refúgio seguro para o jornalismo de investigação e a liberdade de informação onde se protejam fontes, jornalistas e provedores de Internet que hospedem informação jornalística; o inferno para EEUU e o paraíso para Wikileaks.

Pois esta é a breve história da Revolução Islandesa: demissão de todo um governo em bloco, nacionalização da banca, referendo para que o povo decida sobre as decisões económicas transcendentais, encarceramento de responsáveis da crise, reescritura da constituição pelos cidadãos e um projecto de blindagem da liberdade de informação e de expressão.

Disseram algo os meios de comunicação europeus? Comentou-se nas repugnantes tertúlias radiofónicas de políticos de médio cabelo e mercenários da desinformação? Viram-se imagens dos factos pela TV?

Claro que não. Deve ser que aos Estados Unidos de Europa não lhes parece suficientemente importante que um povo pegue as rédeas da sua soberania e plante contra o rolo neoliberal. Ou quiçá temam que se lhes caia a cara de vergonha ao ficar uma vez mais em evidência que converteram a democracia num sistema plutocrático onde nada mudou com a crise, excepto o início de um processo de socialização das perdas com recortes sociais e precarização das condições de trabalho. É muito provável também que pensem que ainda fique vida inteligente entre as suas unidades de consumo, que tanto gostam em chamar cidadãos, e temam um efeito contágio. Ainda que o mais seguro é que esta calculada desvalorização informativa, quando não silêncio clamoroso, se deva a todas estas causas juntas.

Alguns dirão que Islândia é uma pequena ilha de tão só 300.000 habitantes, com uma estrutura social, política, económica e administrativa muito menos complexa que a de um grande país europeu, pelo que é mais fácil organizar-se e levar a cabo este tipo de mudanças. No entanto é um país que, ainda que tem grande independência energética graças a suas centrais geotérmicas, conta com muito poucos recursos naturais e tem uma economia vulnerável cujas exportações dependem num 40% da pesca.

Também haverá quem dirá que viveram acima de suas possibilidades endividando-se e especulando no casino financeiro. Igual que o fizeram o resto dos países guiados por um sistema financeiro liberado até o infinito pelos mesmos governos irresponsáveis e suicidas que agora se jogam as mãos à cabeça. Eu simplesmente penso que o povo islandês é um povo culto, solidário, optimista e valente, que soube rectificar-lhe mostrando valentia, indo contra ao sistema e dando uma lição de democracia ao resto do mundo.

O país já iniciou negociações para entrar na União Européia. Aguardo, por seu bem e tal e como se estão a pôr as coisas no continente com a praga de vigaristas que nos governam, que o povo islandês complete sua revolução recusando a adesão. E oxalá ocorresse o contrário, que fosse a Europa a aderir à Islândia, porque essa sim seria a verdadeira Europa dos povos.

Fonte: NSMB – Tradução do Diário Liberdade, rectificado.

Wikileaks sofre ataques há cinco dias e está fora do ar

Wikileaks

O site de vazamento de documentos governamentais Wikileaks está fora do ar, vítima de ataques de negação de serviço (DDoS) que tiram servidores do ar solicitando mais acessos do que eles podem suportar.

De acordo com informações postadas por voluntários do projeto em perfis no Twitter e no Facebook, o site vem sofrendo com a suspensão do seu serviço desde o último dia 3 de agosto. Por enquanto, ainda não se sabe que organização estaria fazendo os ataques DDoS, celebrizados como método preferido de protesto do grupo-irmão do Wikileaks, o Anonymous.

O Wikileaks acredita que as invasões podem ser uma tentativa do governo sírio de evitar novos vazamentos de informações internas do regime de Bashar al Assad ou uma represália patrocinada pela empresa de segurança global Stratfor, que teve sua estratégia mundial revelada em uma série de documentos divulgados no começo do ano.  Por enquanto, o Wikileaks está usando endereços alternativos para permitir o acesso ao seu acervo. A página principal – Wikileaks.org – continua offline.

Contexto

Tendo como uma proposta a cobrança de uma transparência radical por parte de governos e instituições privadas de interesse público, o Wikileaks ganhou notoridade com o vazamento de mais de 250 mil documentos secretos dos Estados Unidos, em novembro de 2011. O caso gerou uma crise internacional de grandes proporções, com o soldado colaborador da instituição – Bradley Manning – tendo sido enviado para a prisão de segurança máxima da Baía de Guantánamo, em Cuba, acusado de crime contra a segurança nacional.

A repercussão negativa da divulgação dos cabos diplomáticos também prejudicou muito o criador do projeto, Julian Assange, que sofre um suspeito processo de estupro – ou melhor, sexo sem camisinha – na Suécia. No futuro, Assange pode ser extraditado para os Estados Unidos, onde poderia receber até a pena de morte.

O ativista perdeu todos os recursos possíveis e foi obrigado pela justiça britânica a se apresentar para julgamento na Suécia, mas considerou-se abandonando pelo seu país natal – Austrália – e decidiu buscar refúgio na embaixada do Equador.

Um dos poucos governantes favoráveis ao Wikileaks, o esquerdista Rafael Correa ainda avalia se aceitará abrigar Assange, considerando-o um perseguido político. A decisão deve ser anunciada depois do final da Olimpíada de Londres.

Simpsons completam 500 episódios parodiando a família americana

O criador dos Simpsons, Matt Groening, posa entre seus personagens Bart Simpson, à esquerda, e Homer Simpson. (Foto: Reuters)

Série é a mais longa do horário nobre da TV nos EUA. Episódio 500 teve como convidado Julian Assange, fundador do Wikileaks.

A série sobre a extravagante família dos Simpsons, criada por Matt Groening em 1987, teve neste domingo (20) seu episódio de número 500 transmitido nos Estados Unidos, consolidando a engenhosa crítica ao estilo de vida americano como uma das séries mais longas da televisão.

Como desde os primeiros dias, tudo começou com Homer, Marge, Bart, Lisa e a pequena Maggie de volta pra casa para se sentar em frente à televisão, onde eles mesmos fizeram história, com 27 prêmios Emmy e a marca dos 500 capítulos, só superada por “Lassie” e “Gunsmoke”. No entanto, “Os Simpsons”, nascida como experiência piloto em 1987, já é considerada na história a série mais longa do horário nobre da TV americana e uma das que mais alcance internacional obteve.

Ao longo de 23 temporadas, inauguradas em 1989 com o primeiro episódio de meia hora transmitido pela “Fox”, a “família amarela” de Springfield mostrou ao mundo com sarcasmo e engenhosidade o dia a dia da vida de uma família de classe média americana. Durante todo esse tempo, cerca de 200 horas de tradicional animação em duas dimensões, os Simpsons compartilharam aventuras com personagens famosos da vida real, desde o ator Mel Gibson até o ex-presidente George Bush pai, passando por Tito Puente e The Ramones.

O episódio 500 contou como convidado com o australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, o portal que realizou a maior revelação de documentos classificados da história dos EUA e que poderia ser processado pelo governo americano. Em “At long last leave”, nome do episódio transmitido neste domingo, os Simpsons são expulsos de Springfield por seus vizinhos para um assentamento nos arredores.

Os Simpsons vão continuar na tela por pelo menos mais duas temporadas assinadas com a Fox, o que levará o número de capítulos pelo menos a 559.

Antes que o roteiro chegue aos atores, cerca de 20 escritores trabalham nas gags e brincadeiras que fizeram audiências de todas as idades rirem durante mais de duas décadas, em processo produtivo que demora entre oito meses e um ano para se completar.

O humor dos Simpsons não foi indiferente à polêmica, como quando o artista de rua anônimo Banksy discursou na introdução do capítulo 467 para denunciar a exploração de trabalhadores terceirizados na Ásia. Ou na temporada 13, quando a família viaja para um Brasil onde os taxistas raptam os turistas e os programas infantis são comandados por apresentadoras com pouca roupa, o que provocou uma pequena crise diplomática com o país.

Os Simpsons foram uma revolução na televisão que desconstruiu a classe média americana, os mitos da cultura moderna e leva na brincadeira temas polêmicos que muitos outros não se atreviam a tocar como a homossexualidade, as drogas e a política. Mas, além disso, a série se transformou em uma crítica da própria televisão e dos meios de comunicação, com ácidos comentários inclusive contra a empresa que os financia, a 20th Century Fox, propriedade do magnata Rupert Murdoch, que também possui o canal conservador de notícias Fox News.

Autobiografia “não-autorizada” de Julian Assange é lançada

Fundador do Wikileaks desistiu de publicar livro de memórias, mas, mesmo assim, a editora lançou a obra na última quinta-feira, dia 22.

A Canongate Books está publicando um novo livro sobre o fundador do Wikileaks e jornalista, Julian Assange. De acordo com o site TG Daily, o livro trata-se de uma “autobiografia não autorizada”, e foi lançado nesta quinta-feira (22/9) contra a vontade do principal interessado.

Em dezembro do ano passado, Assange assinou um contrato com a editora para escrever um livro que seria parte memórias, parte manifesto. A obra recebeu um adiantamento de 500 mil Libras e chegou a reunir mais de 50 horas de entrevistas gravadas pelo escritor Andrew O’Hagan.

Na época, o fundador do Wikileaks disse que o livro seria um documento de “unificação da nossa geração” e que o objetivo do projeto era explicar como ele luta para transformar as relações entre os cidadãos e os governos.

No entanto, depois que a primeira versão do livro ficou pronta, em março de 2011, Assange mudou de ideia. Segundo o site, o jornalista estava preocupado, e pensava que a obra ajudaria os Estados Unidos a incriminá-lo, forçando sua extradição sob a acusação de espionagem. Além disso, Assange chegou a dizer que considerava livros de memórias uma forma de prostituição e, portanto, não gostaria de lançar o volume.

Em resposta ao pedido de cancelamento, a Canongate afirmou que 38 editoras do mundo todo estavam comprometidas em lançar o livro e, por isso, não seria possível desistir do projeto. “Decidimos honrar o contrato e publicar o livro, uma vez que o adiantamento já foi pago. Vamos honrar o contrato e pagar os royalties do Julian”, comunicou a editora.

Por conta dos problemas, o livro ganhou o título de “Julian Assange: The Unauthorised Autobiography” (“Julian Assange: Uma autobiografia não-autorizada”) e não será publicado nos Estados Unidos.

De acordo com o site, a obra aborda temas pessoais do jornalista como as acusações feitas por duas suecas de agressão sexual.

WikiLeaks sofre ataque e fica fora do ar na terça-feira

Ao que tudo indica, o site do WikiLeaks – grupo de ciberativistas comandado por Julian Assange, que divulga documentos e informações confidenciais de governos e empresas na internet – sofreu um ataque na última terça-feira, que tirou a página do ar.

Segundo notícia do Ubergizmo, a tentativa de ataque ocorreu após a publicação de centenas de documentos confidenciais do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

No Twitter, o WikiLeaks avisou que seu site estava sofrendo ataque e, uma hora depois, tanto o site quanto os documentos secretos norte-americanos não podiam mais ser acessados. O grupo postou links alternativos no microblog para os interessados em visualizar os arquivos.

Até agora, nenhum grupo se responsabilizou pelos ataques e a página do WiliLeaks na internet voltou a funcionar normalmente.

Fundador do WikiLeaks diz que a mídia tem medo de divulgar informações

Criador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange não poupou críticas à imprensa ao participar nesta quarta-feira (1/9) do Info@Trends, evento realizado em São Paulo. “Pelo que coletei de experiências em vinte anos de jornalismo, percebi que a oferta de fontes não é o problema. O problema é achar mídias que publiquem a informação de forma sólida”, lamentou.

Assange continua a disparar contra o trabalho da mídia e afirmou que muitos veículos de comunicação têm medo desnecessário para divulgar informações que denunciem práticas ilegais feitas por Estados e que se sentem ameaçados por empresas e pelo tráfico de drogas. Ele creditou ao seu site a mudança dessa atitude da imprensa.

“Muita gente acusa o WikiLeaks de proteger fontes. Na verdade, ao garantir o anonimato da fonte, nós estamos incentivando outras as pessoas a terem a mesma coragem para abastecer a mídia de informações sobre violações aos direitos humanos”, declarou Assange.

A palestra durante o Info@Trends foi a primeira de Assange após a condenação por abuso sexual feita pela justiça britânica. A participação aconteceu via telepresença, pois ele cumpre prisão domiciliar e atualmente mora em Norfolk, região de Londres. O criador do WikiLeaks não pode deixar o Reino Unido.

“Transparência é para os governos”

Transparência é para os governos.

Transparência é para organizações

que são tão grandes que se tornam parte do governo.

Privacidade é para os indivíduos.

Transparência tira o poder das organizações poderosas

e o confere a quem não tem poder nenhum.

Privacidade protege indivíduos que não tem poder

contra a força das organizações titânicas.

Hoje de manhã teve um talkshop no Santander Cultural acerca do tema “Co-Criação, novos negócios e direito autoral” pelo projeto Agora Ágora, com uns convidados bem bacanas. Falando de internet, direito autoral, produção de conteúdo, etc, o papo acabou descambando pro tema privacidade.

Quão transparente somos individualmente quando cobramos transparência de governos e corporações? O jornalista Lino Bocchini (daquele caso de censura da “Falha de São Paulo”) respondeu com esse trecho da entrevista do Assange.Tá certo, a transparência é pros grandes grupos, pros coletivos humanos tomadores de decisões que nos afetam diariamente.

No entanto, é tênue a zona fronteiriça entre público e privado hoje. O cidadão não tem sua privacidade invadida porque ele mesmo a evade, respondendo às perguntas que ninguém perguntou no Facebook e no Twitter, respondendo às perguntas a si mesmo, talvez. “O que você está pensando? O que está acontecendo? Onde você está agora?”, são perguntas que exigem do sujeito uma reflexão mínima a fim de que sua resposta mostre quem ele é e ao que veio naquele ambiente virtual. Escancarar as portas da vida privada é peça fundamental da construção identitária hoje.

Agora, quanto de nós realmente aparece nesses meios? E aquilo que é preservado, pra onde vai?