Alguns dos momentos mais importantes na luta contra o preconceito e o racismo no mundo

Contra a discriminação racial

O dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas em referência ao Massacre de Sharpeville.

Ao longo do século XX, a humanidade presenciou importantes momentos que ajudaram e marcar a luta contra preconceitos que permeiam as sociedades há séculos. A luta contra o racismo e a garantia dos direitos humanos aos negros, mulheres e homossexuais foram alguns dos movimentos mais significativos durante as últimas décadas.

Ainda existem inúmeras barreiras a serem ultrapassadas, mas com certeza os seres humanos já deram um grande passo contra a discriminação, seja ela racial, social ou sexual.

Confira alguns dos momentos que retratam o combate contra a intolerância e preconceito no mundo!

1. O fim do Apartheid

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A África do Sul viveu um dos maiores regimes de segregação racial do século XX: o ApartheidA população negra da África do Sul, sob o governo de uma minoria branca europeia, enfrentou severas restrições de liberdade e dos direitos humanos por séculos.

No entanto, oficialmente o regime do Apartheid perdurou por mais de 50 anos (1948 – 1994).

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Um dos grandes símbolos da luta pelos direitos dos negros foi Nelson Mandela, um dos líderes do Congresso Nacional Africano, que passou 27 anos na prisão por ajudar no combate contra o governo do apartheid sul-africano.

Mandela foi eleito o primeiro Presidente da República negro da África do Sul, durante as primeiras eleições multirraciais daquele país, em 1994.

O fim do absurdo que caracterizava o Apartheid configurou um gigantesco passo contra os ideais de segregação racial no mundo.

Aliás, foi em homenagem ao episódio do Massacre de Shaperville (um dos mais tristes e violentos do Apartheid) que a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, celebrado anualmente em 21 de março. Entenda mais sobre o que foi o Apartheid.

2. A primeira mulher negra a estudar numa escola para brancos nos EUA

Dorothy Counts - Racismo

Do outro lado do mundo, em meados da década de 1950 e 1960, os afro-americanos também travavam uma constante batalha contra o racismo nos Estados Unidos.

A partir da aprovação de uma lei que começava a forçar o fim da segregação racial no país, várias escolas norte-americanas foram obrigadas a aceitar alunos negros em suas instituições de ensino. Até então, os afrodescendentes só podiam estudar em colégios destinados exclusivamente aos negros.

Os primeiros alunos negros a frequentar escolas para brancos sofreram severos ataques físicos e verbais da sociedade local, principalmente das instituições de ensino do sul do país.

Elizabeth Eckford foi uma primeiras estudantes afro-americanas a frequentar o Little Rock Central High School, em Little Rock, no estado de Arkansas.

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Com uma população de alunos predominantemente formada por brancos conservadores, Elizabeth Eckford foi duramente atacada e mal recebida na escola. A sua persistência e força ao enfrentar os diversos insultos no colégio foi registrada pelos jornalistas da época.

A sua imagem ficou marcada como uma das mais icônicas da resistência contra a intolerância e ignorância que caracteriza o racismo. Veja também os 6 Livros sobre Racismo que todo mundo deveria ler.

Outras estudantes que também enfrentaram duras agressões durante o processo de “miscigenação racial” das escolas americanas, se transformaram em ícones da luta pelos direitos cíveis dos negros nos Estados Unidos, como Dorothy Counts, primeira negra a ingressar a Harry Harding High School, em Charlotte, no estado da Carolina do Norte.

3. Morte de Martin Luther King Jr.

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Sem sombra de dúvida, Martin Luther King Jr. é considerado uma das personalidades mais emblemáticas na luta contra o racismo nos Estados Unidos e em todo o mundo. A sua posição e grande paixão por garantir os direitos civis da população afrodescendente fez com que ganhasse inúmeros inimigos ao longo da vida.

A partir de uma postura em prol da “não violência” e do “amor ao próximo”, Luther King foi consagrado em 1964 com o Prêmio Nobel da Paz em resposta ao seu trabalho contra a desigualdade racial.

O assassinato de Luther King, em 4 de abril de 1968, impulsionou uma série de ações para travar o racismo na América e em todo o planeta.

Em sua homenagem, ficou estabelecido nos Estados Unidos, desde 1986, o Dia de Martin Luther King (celebrado na terceira segunda-feira de janeiro). Conheça outras personalidades negras que mudaram o mundo.

4. Revolta de Stonewall

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O combate contra o preconceito não está só focado em questões raciais, mas também de gênero. A partir de meados do século XX, grupos de homossexuais começaram a se organizar com o objetivo de garantir igualdades nos seus direitos civis e sociais.

Nos Estados Unidos, a Revolta de Stonewall (28 de junho de 1969) marcou um dos episódios mais importantes do movimento LGBT.

Neste caso, a invasão abusiva da polícia ao bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, desencadeou uma intensa e violenta rebelião entre os frequentadores do local, que eram majoritariamente homossexuais.

Vale lembrar que entre as décadas de 1950 e 1960, os homossexuais estadunidenses enfrentavam uma legislação e um sistema jurídico totalmente anti-homossexuais.

A resistência em Stonewall espalhou por todo o país uma onda de protestos em prol dos direitos LGBT. Aliás, foi a partir deste episódio que surgiram as primeiras Paradas do Orgulho Gay, eventos que buscavam conscientizar a população sobre a ideia da igualdade entre os direitos de pessoas com diferentes orientações sexuais.

Os homossexuais continuam na luta por garantir seus direitos civis, mas já obtiveram significativos avanços em várias regiões do mundo.

A aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, constitui uma grande vitória da comunidade LBGT contra o preconceito e a homofobia.

Se você quer saber mais sobre o assunto, veja também o significado da Homofobia.

5. Mulheres conquistam direito de votar no Brasil

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As mulheres também sempre foram alvo de preconceitos nas sociedades predominantemente machistas.

No Brasil, a conquista do direito ao voto nas eleições democráticas foi uma das vitórias mais significativas do gênero feminino no século XX.

Foi em 24 de fevereiro de 1932 que as mulheres brasileiras passaram a garantir o direito de manifestar a sua democracia nas urnas durante as eleições.

Mas, a luta das mulheres por uma igualdade de direitos e deveres entre os gêneros é bastante antiga. Os movimentos feministas no Brasil começaram a se intensificar ainda durante o século XIX.

Atualmente, no entanto, a luta contra o preconceito também permanece constante para as mulheres. É certo que vários avanços já foram feitos, mas a desigualdade entre os gêneros ainda é alarmante e medidas ainda precisam ser tomadas para evitar a misoginia e outras formas de violência contra a mulher.

Fonte

Em 1957, tropas escoltam alunos negros em Little Rock, nos EUA

Alunos da escola de Little Rock, no Arkansas, são escoltados por tropas norte-americanas

Contingente de paraquedistas é despachado pelo presidente Eisenhower em 26 de setembro de 1957, a fim de permitir que estudantes negros ingressem num colégio de Little Rock em Arkansas. O governador do estado, Orval Faubus, se opunha à aplicação da lei sobre a não discriminação racial que obrigava todas as escolas norte-americanas a receber as crianças negras.

O caso começou no dia 17 de setembro quando o governador mandou cercar o estabelecimento com guardas nacionais para impedir que os alunos negros entrassem. Sob pressão de Washington, terminou por ceder. Contudo, no dia 23, eram os alunos brancos que se negavam a entrar em sala de aula. Violentos confrontos entre estudantes negros e brancos eclodem. Diversos jovens afro-americanos são assassinados. O governador de Arkansas seria destituído de uma parte de seus poderes por Eisenhower.

Os Nove de Little Rock, como mais tarde vieram a ser conhecidos, eram os primeiros adolescentes negros a frequentar o Colégio Central destinado somente a alunos brancos, em Little Rock, Arkansas, em 1957. Esses notáveis jovens estudantes negros desafiaram a segregação espraiada pelo Sul Profundo nos Estados Unidos e ganharam.

Embora a legislação federal proibisse a segregação nas escolas, muitos sistemas escolares desafiavam a lei, intimidando e ameaçando estudantes negros. O Colégio Central de Little Rock era um exemplo notório. Contudo os Nove de Little Rock estavam determinados a frequentar a escola e receber a mesma educação oferecida aos estudantes brancos.

Os fatos enveredaram porém para um caminho inquietante e ameaçador. No primeiro dia de aula, o governador de Arkansas ordenou que a Guarda Nacional do estado bloqueassem a entrada dos estudantes negros. O tumulto se alastrou quando os estudantes ousaram enfrentar os soldados armados. O presidente Eisemhower, alarmado, foi forçado a enviar tropas federais para proteger os estudantes negros.

Porém este foi apenas o início de sua terrível experiência. Todas as manhãs, a caminho da escola, turbas enraivecidas de pessoas brancas provocavam, caçoavam e insultavam os Nove de Little Rock, sendo inclusive ameaçados de morte. Um dos estudantes, Elizabeth Eckford, de 15 anos, disse: “Tentei ver algum rosto amigável em meio àquela gente. Fixei o olhar numa velha senhora, desviei o olhar por um instante, mas quando olhei para ela novamente, ela cuspiu no meu rosto”.

Embora assustados, os estudantes não iriam ceder. Diversos deles se diplomaram no Colégio Central. Os nove adolescentes negros desafiaram o sistema racista e o derrotaram.

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