A tal “censura” à internet

Censura na internet

Foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, uma emenda na reforma política que exige das plataformas de redes sociais um papel mais responsável diante dos conteúdos publicados, e que gerou muita polêmica.

Antes de abrir uma explicação mais detalhada sobre a emenda, cabe uma breve análise do que aconteceu nas últimas eleições disputadas, depois que a internet tomou espaço como um dos principais palcos para o debate eleitoral.

O fenômeno mais recente ocorreu na eleição de Donald Trump, em que uma avalanche de notícias falsas foi disseminada em redes sociais, de forma que a confusão gerada na cabeça dos eleitores pode ter alterado o resultado eleitoral em favor do atual presidente.

A bagunça foi tamanha que o próprio fundador do Facebook, Mark Zuckberg, se manifestou há cerca de duas semanas sobre o tema. Em seu pronunciamento, mostrou grande preocupação com o mau uso da plataforma na eleição estadunidense e na francesa. Anunciou algumas medidas para contenção de problemas futuros e o comprometimento da plataforma com as instituições que investigam a influência russa na eleição americana.

No Brasil não é muito diferente. Desde a campanha de Gilberto Kassab, em 2008, para a prefeitura de São Paulo, convivi em todas em que trabalhei com a disseminação de boatos ou material ofensivo na internet.

Primeiro no Orkut, depois por meio de blogs e e-mails, mais recentemente, pelo Facebook, Youtube e Whatsapp. O conteúdo das mensagens costuma variar entre sátiras, memes, dublagens e, até mesmo, notícias falsas.

A internet não inventou a guerrilha, apenas ampliou o alcance. Quando estamos em período eleitoral, os eleitores são bombardeados por publicações feitas por grupos especializados, de todos os tipos, buscando influenciar a escolha para determinado candidato.

O que acontece quando um candidato sofre com o jogo sujo do adversário? Ele precisa entrar com uma ação na justiça para que ela peça ao Facebook, ao Google ou outra ferramenta, a remoção do conteúdo. Na teoria funciona. Mas, a verdade é que boa parte das ações contra agressores não são julgadas a tempo e, com isso, o processo eleitoral é prejudicado de maneira irreparável.

Além disso, muitas vezes, após todo o trâmite do processo, descobre-se que o Facebook não tem como identificar a autoria dos ataques, por tratar-se de publicações feitas por perfis falsos, com fotos roubadas de outros usuários e ferramentas que dificultam a localização dos autores.

Quem perde com isso? O candidato? Claro que sim, mas também perde o eleitor, que é o principal prejudicado pela manipulação do resultado eleitoral.

A emenda, vetada do presidente Michel Temer, colocaria equilíbrio no uso de redes sociais para finalidade política.

O texto dizia que, em caso de uma publicação com conteúdo ofensivo ou mentiroso, qualquer cidadão poderia reportar a ferramenta para que ela fazesse a identificação do autor. A identificação não seria pública, mas apenas garantiria que o conteúdo tem autoria real, não sendo fruto de perfil falso.

A publicação ficaria suspensa até a identificação do autor, que caso não ocorresse, continuaria suspensa. Uma vez a autoria da publicação realizada, o autor não deveria mais ter publicações suspensas.

Essa medida seria um tiro no coração da guerrilha virtual. Inviabilizaria o uso de robôs e de perfis falsos para esparramar boatos e notícias falsas em 2018.

A preocupação dos usuários com a censura não é justificada, pois o conteúdo só seria suspenso em caso de não confirmação de autoria, que poderia ocorrer por meio do envio de uma simples foto do documento para a plataforma que hospeda a publicação.

A própria Constituição Federal garante a liberdade de expressão, mas veda o anonimato. Diante da repercussão negativa gerada, pela compreensão equivocada da emenda, o próprio deputado pediu o veto ao presidente, o que nos jogou novamente no meio da guerra digital de robôs, páginas e perfis falsos.

Infelizmente, uma medida que nos afastaria de ter uma eleição mais equilibrada, com menos notícias falsas e manipulação, foi derrotada pelo senso comum.

Por Marcelo Vitorino :: Artigo publicado no Correio Braziliense.

Anúncios

Os pilares da comunicação política e a internet

Comunicação política e a internet

Considero que há cinco grandes pilares para que a comunicação de mandato tenha sucesso:

  1. Informação
  2. Presença e exposição
  3. Relacionamento
  4. Reputação
  5. Pesquisa e desenvolvimento

1. Informação

O primeiro pilar, a informação, é o que define as bases para as estratégias que serão utilizadas. Reúne-se informações de todos os públicos de interesse, os temas que serão abordados e evitados durante o mandato, as palavras e termos compostos mais utilizados relacionados aos temas, os pontos de atenção, os canais que serão ativados e os políticos “concorrentes”.

Munido das informações corretas, é possível planejar, produzir e aproveitar melhor as oportunidades que surgem do dia a dia. O político falará sobre uma pauta? Pode saber o que os influenciadores dizem a respeito, escolher os melhores termos para se posicionar e, depois do posicionamento, fazer a disseminação da mensagem para os públicos de interesse previamente definidos.

2. Presença e exposição

Em seguida há o pilar da presença e exposição, tratando de como o mandato será exposto ao seu público, que é um dos pontos mais fracos da maioria dos políticos brasileiros. Com a febre do Facebook, grande parte entendeu que só essa presença é necessária, excluindo um universo de possibilidades e restringindo o alcance do conteúdo.

Dentro dessa “caixinha” há os canais próprios, como o site ou blog do político; as demais redes sociais, o que inclui o YouTube (bastante subutilizado); canais paralelos, que podem ser portais temáticos ou regionais; comunicadores instantâneos, como um WhatsApp para o mandato; e eventos presenciais e virtuais.

3. Relacionamento

Outro pilar importante é o do relacionamento. Dado o caráter do imediatismo e da dispersão de atenção dos usuários graças a grande quantidade de conteúdos publicados, as redes sociais não são suficientes para estabelecer relacionamento com eleitores, mas demandam que se faça o que chamamos de gestão de respostas, respondendo aos questionamentos dos eleitores.

Contudo, há ainda a possibilidade do relacionamento se fazer presente por meio de proposição de enquetes sobre temas específicos; pela votação de eleitores sobre um projeto ou posicionamento; em transmissões ao vivo nas plataformas do YouTube e do Facebook; pela disseminação dos conteúdos via WhatsApp, em grupos de Facebook ou por e-mail; e por fim, com a utilização de técnicas de inbound marketing (coleta e nutrição de cadastros).

4. Reputação

Evidentemente, para que os eleitores prestem a atenção ou que encontrem o conteúdo é preciso obter reputação, o pilar que considero mais importante. A reputação neste caso se dá por dois aspectos: a propriedade do emissor da mensagem para posicionamento sobre um tema ou projeto; o entendimento dos mecanismos de busca como o Google a respeito dos canais do político. De forma simples: as pessoas e a tecnologia precisam considerar o político e seus canais como fontes seguras e confiáveis de informação.

Para construção da reputação primeiramente é preciso estabelecer objetivamente a “mensagem” que será vinculada ao político, bem como, a definição da “persona” pública. Com esses dois elementos definidos, parte-se para a produção de conteúdo, independentemente do formato, se texto, vídeo ou foto. Em comunicação, qualquer atividade é um conteúdo.

Cabe inclusive um alerta aos profissionais e políticos: basta uma foto mal pensada ou uma frase mal colocada, para uma reputação ser devastada. A máxima do “menos ser mais” também não se aplica. Deve-se divulgar sempre conteúdos que ajudem na construção de uma marca. Se tem uma equipe profissional e uma atividade que permita fazer muitas divulgações, ótimo.

No aspecto da construção de reputação digital, muita gente reduz o significado e a importância dessa atividade. Não basta apenas estar presente na primeira página do Google quando alguém digita seu nome, é preciso também estar presente quando alguém procura por sua atividade ou por seus projetos. Pode fazer o teste comigo, pode procurar por “Marcelo Vitorino”, “curso de marketing político” ou “palestrante de marketing digital”. Vai me achar na primeira página, variando o posicionamento.

Esse tipo de resultado não é fácil de conquistar, leva meses e requer muito trabalho na produção de conteúdos, como esse aqui que você está lendo, e também na correta publicação dos textos, tarefa que consome muito tempo e exige técnica.

5. Pesquisa

pesquisa e desenvolvimento, é o quinto pilar, baseado no marketing tradicional, que estrutura benchmark, promove ações, mensura resultados e altera a estratégia caso necessário.

Agrega-se aos dados obtidos pela “informação”, uma espécie de fotografia do momento que o trabalho se inicia, para ser comparada ao longo dos meses para ver o que funcionou e o que pode ser aprimorado.

O monitoramento de menções em redes sociais perdeu muito do valor depois que o Facebook cortou a possibilidade de ferramentas monitorar os usuários. Hoje é mais produtivo monitorar as próprias ações e as pautas de interesse para aproveitar as oportunidades.

Para finalizar, todos os pilares só funcionam bem se tiver profissionais qualificados e visão de investimento, entendendo que a comunicação política é muito mais do que uma foto com frase motivacional. Na urna é o voto que conta, não o like!

Por Marcelo Vitorino, Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, Marcelo Vitorino reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político. Fonte: Acesse este link!

7 coisas que você deveria saber sobre comunicação e marketing de mandato

Comunicação e marketing de mandato

Há muitas considerações sobre a comunicação de mandato, mas elenquei 7 que considero principais para obter bons resultados:

  1. A internet aproximou os eleitores e permitiu que a conexão com o político o tempo todo, questionando suas ações, exigindo respostas e posicionamentos que antes não eram necessários;
  2. O juízo de valor feito na política antiga dependia muito do período eleitoral e da mídia tradicional, hoje está muito mais relacionado aos canais próprios e a comunicação extemporânea à campanha;
  3. O período eleitoral foi reduzido e o tempo de televisão também, inviabilizando boa parte das candidaturas que apostavam apenas em repetição de mensagem e em campanhas publicitárias;
  4. Diante de tanta descrença popular, o caminho para uma eleição bem-sucedida passa pela formação de “embaixadores”, que são eleitores que “compram” e “vendem” o político porque acreditam no seu trabalho;
  5. A internet não é um meio menos importante que a televisão ou que o rádio, mesmo com menor penetração em regiões de pouco acesso, pois grande parte dos veículos de comunicação tradicionais hoje se pautam pelas redes sociais e por sites;
  6. Estabelecer e manter relacionamento com eleitores leva tempo e requer grande investimento na produção de conteúdo e na tecnologia, com profissionais qualificados, mas ainda assim é muito menor do que a somatória das antigas campanhas;
  7. Comunicar o mandato não é o mesmo que informar o que está acontecendo.Para impactar eleitores é preciso agregar valor e ajustar a informação com viés publicitário. Fotos posadas de visitas ao gabinete ou qualquer coisa similar interessam a pouquíssimas pessoas. É preciso criar uma narrativa envolvente.

Fonte

Os três julgamentos políticos são fruto do marketing ou da comunicação de mandato

Marketing da comunicação de mandato

Parto da premissa que todo político recebe três julgamentos: o político, a eleitoral e o histórico. No julgamento político entram as questões partidárias e as defesas por temas. No eleitoral, entra a aprovação popular por meio da quantidade de votos. No histórico, entram os grandes feitos e marcas.

A comunicação de mandato trabalha na construção dos três julgamentos, como um capital político que será sacado em diferentes épocas e por diferentes motivos.

Um exemplo disso ocorre quando um eleitor pesquisa no Google pelo nome de um candidato, na intenção de definir seu voto. Caso o candidato tenha feito uma boa divulgação de seu mandato, usando dos recursos certos, com certeza estará nas primeiras posições no mecanismo de busca com conteúdos que defendam sua reputação. Com isso, a comunicação terá surtido efeito no julgamento eleitoral, que é bastante pragmático.

Nos julgamentos político e histórico, os tempos de construção são outros e o resultado tem a mensuração mais complexa e subjetiva. Dependerá da forma com que se relaciona com os influenciadores dos temas que aborda e também como “vende” sua atuação. Encontrar o meio termo entre a promoção ¾ que pode ser mal interpretada ¾ e a informação é o maior problema.

Fonte

Comunicação política em tempos digitais

Comunicação política digital

O político enfrenta, simultaneamente, o céu e o inferno na comunicação. Por um lado, o brasileiro vem se mostrando mais interessado pelos temas relacionados à política. Por outro, está cada vez mais desacreditado nos políticos. E é aí que o desafio da comunicação e do marketing de mandato entra: como fazer o cidadão se interessar pelo trabalho realizado em meio a tantas informações e descrédito.

A popularização do acesso à internet levou a população a se entusiasmar com as redes sociais que, além de estimular o relacionamento entre seus usuários, é ambiente fértil para disseminação de conteúdo de todos os tipos, tanto propositivos quanto depreciativos. Mais da metade dos lares brasileiros têm acesso à internet, e 80% dos usuários utilizam o celular para navegação, número que ultrapassa o de acesso por meio do computador.

Nisso, surgem reflexões importantíssimas:

  1. Como construir uma narrativa envolvente que coloque o mandato político em sinergia com os interesses dos cidadãos?; quais conteúdos serão tão bons a ponto de chamar a atenção de quem está sendo impactado por uma avalanche de estímulos?;
  2. Quais os formatos de conteúdo devem ser utilizados de acordo com os objetivos?
  3. Quais as plataformas e ambientes de acesso em que se dá o consumo de conteúdo?; e
  4. Oque pode e o que não pode?

Antes de começar a trilhar um caminho de respostas, é preciso entender o que a comunicação de mandato pode representar para um político em cargos executivos ou legislativos.

Fonte