[Filme] O Jovem Karl Marx

O Jovem Karl Marx é didático, contextualizado e bem definido politicamente. Merece ser visto por todos que se interessam pela causa da libertação da maioria do povo contra a exploração de uma minoria e serve de inspiração àqueles que já se decidiram por abraçar como sua a tarefa de impulsionar a luta pelo socialismo internacional.

Aos 26 anos, Karl Marx (August Diehl) embarca para o exílio junto com sua esposa, Jenny (Vicky Krieps). Na Paris de 1844, ele conhece Friedrich Engels (Stefan Konarske), filho de um industrialista que investigou o nascimento da classe trabalhadora britânica. Dândi, Engels oferece ao jovem Marx a peça que faltava para completar a sua nova visão de mundo. Entre a censura e a repressão, os tumultos e as repressões políticas, eles liderarão o movimento operário em meio a era moderna.

 

 

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A sangrenta e herética ideologia Marxista

Karl Marx

Karl Marx acreditava que toda a história foi marcada pela luta de classes que pode ser resumida em uma luta entre opressores e oprimidos. Essa luta é o motor da História, e sempre termina, ou em uma grande revolução que transforma toda a sociedade, ou em uma destruição das duas classes.

Na Modernidade o mundo se divide em duas classes antagônicas diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado. A burguesia desempenhou um papel revolucionário para o progresso histórico abatendo o feudalismo. Não obstante, a burguesia transformou tudo em mercadoria reduzindo as relações sociais a relações monetárias.

No entanto, na própria tese burguesa já está presente a semente de sua antítese e as armas de sua própria destruição. O desenvolvimento do Capital produziu também o proletariado, que a cada dia vem se tornando uma maioria mais poderosa. O proletariado deverá derrubar o domínio burguês por meio de uma revolução violenta, implantar uma ditadura do proletariado e abolir a propriedade privada. Isso inclui a abolição da “família tradicional burguesa”, responsável pela manutenção do capital por meio da perpetuação da herança privada.

A ditadura do proletariado possibilitará o fim da sociedade de classes, das explorações e o rompimento radical com as ideias tradicionais, como aquelas sustentadas pela religião cristã. Para isso, o proletariado deverá tomar gradualmente o capital da mão dos burgueses, centralizar os meios de produção no domínio do Estado. Serão necessárias tomar medidas como aumento de impostos, centralização dos meios de transporte na mão do Estado, obrigatoriedade do trabalho e educação pública e gratuita de todas as crianças. A destruição violenta das relações de produção acabará com as classes em geral, fazendo surgir o comunismo no qual o desenvolvimento livre de cada pessoa será o livre desenvolvimento de todos. [1]

Assim, o fim do projeto marxista é uma sociedade perfeita em que todos são iguais. Mas como diz o ditado “não se faz uma gemada sem quebrar ovos”, para um comunista é necessário despotismo, violência, fuzilamentos e derramamentos de sangue para que esse mundo seja alcançado. Não obstante, como a implantação do igualitarismo por meio de uma ação imanente ou pelo desdobrar-se de um progresso histórico tem se mostrado um sonho impossível, apenas ovos foram quebrados. O comunismo já deixou um saldo de mais de 100 milhões de mortes[2] e “fuzilamentos”, “canibalismo” e “miséria”[3] são os frutos da busca pelo fantástico e inalcançável mundo da “igualdade social”. Isso sem falar do nazismo e do facismo, os filhos bastardos do marxismo [4].

Marxismo cultural

Na metade do século XX, neo-marxistas e frankfurtianos passaram a criticar o movimento operário por querer mais enriquecer do que realmente promover uma revolução. Desse modo, passou-se a compreender que o protagonismo histórico deveria ser executado pelo lumpesinato (urbanos improdutivos), que seriam aquelas pessoas que por terem “raiva contra o sistema”, estavam aptos para serem os verdadeiros promotores da tão sonhada revolução.[5]

Antonio Gramsci foi o responsável pela ideia de que se deve ocupar todos os espações de conhecimento a fim de que toda a informação sirva aos interesses do movimento revolucionário. Desse modo, a escola, os jornais, as universidades, a imprensa, os movimentos e agremiações estudantis, os sindicatos, as revistas, livros didáticos e os movimentos sociais passam a ser colocados a serviço da ideologia revolucionária, transformando os indivíduos em massas de manobra[6]. Essa ocupação de todos os espaços criaria uma hegemonia do pensamento revolucionário, fazendo com que todos se tornassem marxistas sem nem mesmo perceber, como um peixe nadando na água de um aquário sem saber. É interessante observar que o gramscianismo foi um projeto adotado pelo PT[7].

E não há necessidade de um discurso lógico-racional, nem importa muito que causa está sendo defendida (feminismo, LGBTTT, combate ao racismo, islamofobia etc.), e sim fazer com que alguma “causa” seja submetida aos interesses da ideologia. O que importa é fomentar um espírito revolucionário para a derrubada da ordem social vigente. Por isso, um gramscista não vê problema em mudar de opinião a todo momento ou adotar um discurso contraditório – o que vale é usar qualquer ideia que possa atender a seus interesses.

O gramscismo promove uma derrubada da ordem social se infiltrando de maneira sutil na própria cultura dominante e adotando seu discurso para destruir ela mesma por dentro. Assim, um revolucionário pode travestir seus interesses com termos da própria cultura que planeja desconstruir. Não atoa, vemos discursos de “amor”, “tolerância”, “igualdade”, “respeito” (valores cristãos) que visam justamente a derrubada da tradição cristã.

Hebert Marcuse, influenciado pela teoria freudiana, imaginava o ser humano como panelas de pressões, cheios de desejos sexuais reprimidos que levavam os indivíduos a serem agressivos e a se tornarem capitalistas opressores como manifesto no imperialismo americano. Marcuse propunha uma Revolução Sexual, em que as pessoas fossem mais livres sexualmente. Isso pode ser visto no lema “Faça amor (sexo), não faça guerra (imperialismo)”. As ideias de Marcuse vieram a ser pautas de muitas das novelas da rede Globo.

Theodore Adorno, por sua vez, propôs a ideia de que existiriam traços de personalidade facistas que levavam as pessoas a terem um comportamento autoritário. Segundo ele, para que o nazismo não se repetisse era necessário uma educação crítica emancipadora.[8] Isso é interessante porque a ideia de controlar os meios educacionais esteve justamente presente no nazismo e no facismo como um instrumento de doutrinação. Lilina Zinoviev disse:

Devemos fazer da geração jovem uma geração de comunistas. As crianças, como cera, são muito maleáveis e devem ser moldadas como bons comunistas. Devemos resgatar os infantes da influência nociva da vida familiar. Devemos racionalizá-los. Desde os primeiros dias de sua existência, os pequenos devem ser postos sob a ascendência de escolas comunistas para aprenderem o ABC do comunismo… Obrigar as mães a entregar seus filhos ao Estado soviético – eis nossa tarefa.[9]

Considerações finais

O Marxismo, herdeiro da materialização do Espírito Absoluto de Hegel, a mitologização do Evangelho de David Strauss e da antropologização da teologia de Feuerbach, não passa de uma imanentização da escatologia[10]. Em outras palavras, o Marxismo é uma religião materialista ou ainda uma heresia. É a tentativa de estabelecer o paraíso por meios e ações humanas, ao invés de confiar na ação redentiva transcendente de Deus[11].

O marxismo cultural e sua Teoria Crítica alimenta o espírito revolucionário por formentar “lutas de classes” colocando negros contra brancos, mulheres contra homens, jovens contra adultos, homossexuais contra heterossexuais e empregados contra patrões. Mas já foi dito quais são as consequências que a busca imanente por um paraíso perfeito inalcançável produz. Não é possível desconstruir os pilares da Cultura Ocidental (moral judaico-cristã, filosofia grega e direito romano) sem banho de sangue e caos social[12].

Notas

[1] Marx & Engels. Manifesto Comunista. [On-line] Disponível neste link.
[2] Site estima que comunismo matou mais de 100 milhões no mundo
[3] Voce sabe de onde veio a expressão ” Comunista come criancinha”?
[4] Vídeo: O Fascismo e Marxismo Cultural – Marxismo Cultural e Revolução Cultural – 2/6 – Segunda Aula
[5] Não precisamos de feminismo, precisamos de Bolsonaro
[6] Por que o movimento LGBT apoia aqueles que mais os perseguiram na história?
[7] Vídeo: Marxismo cultural 
[8] Vídeo: Marxismo Cultural e Revolução Cultural – Pe. Paulo Ricardo
[9] FIGES, Orlando. A Tragédia de um Povo: A Revolução Russa (1891-1924). Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 1999. p. 912. apud
[10] Vídeo: Feuerbach, Proudhon, David Strauss e as Influências de Marx 
[11] A heresia da ideologia Marxista
[12] FIGES, Orlando. A Tragédia de um Povo: A Revolução Russa (1891-1924). Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 1999. p. 912. apud.

Escrito por Bruno dos Santos QueirozBereianos

Cadernos de pesquisa marxista do Direito

O primeiro número dos Cadernos de Pesquisa Marxista do Direito traz uma longa entrevista com o Prof. Alaôr Caffé Alves,refletindo sobre diversos temas de interesse para a crítica jurídica, no momento em que acaba de lançar um novo livro, “Dialética e Direito”, resenhado ao final da revista por Josué Mastrodi Neto. A revista conta, ainda, com colaborações dos professores Ricardo Antunes e Eduardo C. B. Bittar, no dossiê “Direito e Crise”, e artigos de jovens pesquisadores críticos do direito, como Giselle Sakamoto Souza Vianna, Éder Ferreira e Vitor Bartoletti Sartori. Na seção “Clássico”, apresenta um excerto dos “Grundrisse” em que Marx trata do Direito, em tradução de José Carlos Bruni. Fechando a edição, 8 tiras da série “Quadrinhos dos anos 10” de André Dahmer. Editores: Celso Naoto Kashiura Jr., Oswaldo Akamine Jr., Tarso de Melo e Vinícius Casalino.

  • Livro: Cadernos de pesquisa marxista do Direito
  • Autor: Celso N. Kashiura Jr., Oswaldo A. Jr., Tarso de Melo, Vinicius Casalino (editores)
  • Páginas: 224
  • Editora: Expressão Popular
  • Valor:  R$ 20,00
  • Para comprar, clique neste link.

Capital: essência e aparência

Este livro, Capital: essência e aparência, não é para ser lido; na verdade é para ser estudado, pois pretende auxiliar os leitores a entenderem essa obra fundamental de Marx, qual seja, O capital. Mas, atenção, não pretendemos oferecer um manual. Ao contrário. Aqui as questões são apresentadas, na medida do possível e do necessário, com todas as suas complexidades, porém utilizando-se de uma redação a mais didática possível.

Este é o primeiro dos dois volumes que compõem o livro, constituído de ensaios de autores que apresentam uma perspectiva similar sobre o capitalismo e sobre a obra de Marx; e, nesse aspecto, embora escrito por diversas mãos, não se encontrarão divergência de interpretação nos textos aqui reunidos.

  • Livro: Capital: essência e aparência
  • Autor: Reinaldo Carcanholo (org.)
  • Páginas: 176
  • Editora: Expressão Popular
  • Valor: R$ 15,00
  • Para comprar, clique neste link.

As ideias estéticas de Marx

O exame deste livro, publicado originalmente numa quadra histórica em que o marxismo se renovava ao se desembaraçar das contrafações próprias do período stalinista, revela a fecundidade do legado marxiano no trato do objeto estético. A partir de uma criativa (e, por isto mesmo, polêmica) interpretação de Marx, Sánchez Vázquez recupera o potencial crítico e heurístico de suas ideias, expondo a sua riqueza e a sua atualidade para uma análise da arte que articule a sua contextualização sócio-histórica com a abordagem da sua especificidade estética. A relação arte/sociedade capitalista ancora o conjunto das reflexões de Sánchez Vázquez, oferecendo-lhe a base para a tematizar algumas das questões essenciais nela implicadas.

  • Livro: As ideias estéticas de Marx
  • Autor: Adolfo Sanchéz Vázquez
  • Páginas: 272
  • Editora: Expressão Popular
  • Valor: R$ 20,00
  • Para comprar, clique neste link.

Uma análise marxista da atual onda revolucionária nos países árabes

Tremores Revolucionários, uma análise marxista da atual onda revolucionária nos países árabes.

“Na natureza, um terremoto é seguido por tremores secundários, suas réplicas. Estes podem ser tão catastróficos em seus efeitos quanto a explosão original. Estamos testemunhando este fenômeno em termos sociais e políticos. O terremoto revolucionário no Egito e na Tunísia replicou em choques sísmicos nas mais distantes partes do mundo de fala árabe. Argélia, Marrocos, Líbia, Sudão Bahrein, Jordânia, Iraque, Iêmen, Kuwait, Djibuti – a lista continua crescendo não a cada dia, mas a cada hora.” (Alan Woods)

 

No momento em que os povos árabes se levantam contra os tiranos e seus regimes, a Esquerda Marxista (seção brasileira da CMI) apresenta esta brochura com 72 páginas de artigos escritos por Alan Woods no calor dos acontecimentos no Magrebe e Oriente Médio e fotos coloridas em alta resolução.

A Esquerda Marxista (www.marxismo.org.br) preza pela independência político-financeira, dependendo assim apenas das contribuições de seus militantes e apoiadores, trabalhadores e jovens e venda de nossos materiais. Nossa atual campanha financeira é a venda desta brochura e pedimos qualquer contribuição (mínimo R$ 15,00).

Para contribuir com nossas lutas, adquirindo uma brochura ou comprando várias para presentear amigos e companheiros de luta, você pode falar comigo, com qualquer outro militante da Esquerda Marxista ou comprar pela internet no site da Livraria Marxista: http://www.livrariamarxista.com.br/livros/revolucoes/tremores-revolucionarios:-uma-analise-marxista-da-atual-onda-revolucionaria-nos-paises-arabes.

Há alguns anos a CMI (Corrente Marxista Internacional) vem acompanhando os desenvolvimentos no norte da África e Oriente Médio em geral. Inúmeros artigos, relatos e análises de fundo foram publicados no site internacional da CMI, In Defense of Marxism – “Em Defesa do Marxismo” (www.marxist.com). Além disso, por compreender a importância do movimento operário nos mais de 20 países árabes, a CMI lançou em 2003 um site na internet todo escrito em língua árabe:www.marxy.com – onde são publicados artigos escritos por militantes árabes e traduções dos artigos da internacional escritos por camaradas de diversos países.

No ano passado, uma série de artigos sobre as greves no Egito foi publicada em inglês e árabe nesses sites da internet. Abrimos contatos com militantes em vários países árabes, inclusive na Tunísia e Egito.

Ao contrário da imprensa burguesa que foi surpreendida pelos desenvolvimentos na Tunísia e Egito e os representantes dos diversos imperialismos que na véspera do levante no Egito diziam que este era o país mais estável da região e que nada ocorreria ali, nós, marxistas, já vínhamos analisando há muito tempo o acúmulo crescente de fatores que poderiam levar a revoluções na região. Destacamos o artigo “Egito: iminente tempestade” assinado pelos camaradas Hamid Alizadeh e Frederik Ohsten em Outubro de 2010. Nesse artigo, os camaradas prevêem a revolução egípcia a partir de uma análise materialista histórica e dialética da situação.

A partir do site em língua árabe nossas análises têm tido grande repercussão na região. Pouco antes da derrubada do ditador Ben Ali na Tunísia, no início de Janeiro, dois analistas em um programa jornalístico da principal rede de TV do Magrebe (norte da África) comentaram na TV o editorial de marxy.com intitulado: “A Primavera Tunisiana” de 5 de Janeiro.

O artigo de Alan Woods intitulado “A Insurreição na Tunísia e o Futuro da Revolução Árabe” publicado em mais de 10 idiomas, foi acessado por dezenas de milhares de internautas. Em janeiro e fevereiro, o camarada Alan escreveu uma série de análises diárias sobre a revolução no Egito, que foram traduzidas imediatamente ao árabe, espanhol, português, italiano, francês, alemão, grego, urdu e outros idiomas. Enviamos camaradas de outras seções à Tunísia e ao Egito e estamos nos correspondendo com ativistas em diversos países árabes.

Agora, Alan Woods está fazendo um giro pela América Latina apresentando suas análises em conferências públicas. Em poucos dias estará no Brasil (ver programação abaixo).

Estamos certos que as idéias marxistas cada vez mais encontram eco entre os militantes árabes e seguiremos com nosso trabalho. Mas para isso, precisamos de mais recursos. Adquirir esta brochura contribuindo com qualquer quantia é uma grande ajuda para esta luta.

 

Conferências no Brasil com Alan Woods

A revolução dos povos árabes e a crise capitalista mundial

  • Florianópolis, 31/03 (quinta) às 18h30: Mini-Auditório do CFH – Universidade Federal de Santa Catarina.
  • Joinville, 02/04 (sábado) às 16h00: Anfiteatro do IELUSC – R. Princesa Isabel, 438.