Alguns dos momentos mais importantes na luta contra o preconceito e o racismo no mundo

Contra a discriminação racial

O dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas em referência ao Massacre de Sharpeville.

Ao longo do século XX, a humanidade presenciou importantes momentos que ajudaram e marcar a luta contra preconceitos que permeiam as sociedades há séculos. A luta contra o racismo e a garantia dos direitos humanos aos negros, mulheres e homossexuais foram alguns dos movimentos mais significativos durante as últimas décadas.

Ainda existem inúmeras barreiras a serem ultrapassadas, mas com certeza os seres humanos já deram um grande passo contra a discriminação, seja ela racial, social ou sexual.

Confira alguns dos momentos que retratam o combate contra a intolerância e preconceito no mundo!

1. O fim do Apartheid

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A África do Sul viveu um dos maiores regimes de segregação racial do século XX: o ApartheidA população negra da África do Sul, sob o governo de uma minoria branca europeia, enfrentou severas restrições de liberdade e dos direitos humanos por séculos.

No entanto, oficialmente o regime do Apartheid perdurou por mais de 50 anos (1948 – 1994).

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Um dos grandes símbolos da luta pelos direitos dos negros foi Nelson Mandela, um dos líderes do Congresso Nacional Africano, que passou 27 anos na prisão por ajudar no combate contra o governo do apartheid sul-africano.

Mandela foi eleito o primeiro Presidente da República negro da África do Sul, durante as primeiras eleições multirraciais daquele país, em 1994.

O fim do absurdo que caracterizava o Apartheid configurou um gigantesco passo contra os ideais de segregação racial no mundo.

Aliás, foi em homenagem ao episódio do Massacre de Shaperville (um dos mais tristes e violentos do Apartheid) que a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, celebrado anualmente em 21 de março. Entenda mais sobre o que foi o Apartheid.

2. A primeira mulher negra a estudar numa escola para brancos nos EUA

Dorothy Counts - Racismo

Do outro lado do mundo, em meados da década de 1950 e 1960, os afro-americanos também travavam uma constante batalha contra o racismo nos Estados Unidos.

A partir da aprovação de uma lei que começava a forçar o fim da segregação racial no país, várias escolas norte-americanas foram obrigadas a aceitar alunos negros em suas instituições de ensino. Até então, os afrodescendentes só podiam estudar em colégios destinados exclusivamente aos negros.

Os primeiros alunos negros a frequentar escolas para brancos sofreram severos ataques físicos e verbais da sociedade local, principalmente das instituições de ensino do sul do país.

Elizabeth Eckford foi uma primeiras estudantes afro-americanas a frequentar o Little Rock Central High School, em Little Rock, no estado de Arkansas.

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Com uma população de alunos predominantemente formada por brancos conservadores, Elizabeth Eckford foi duramente atacada e mal recebida na escola. A sua persistência e força ao enfrentar os diversos insultos no colégio foi registrada pelos jornalistas da época.

A sua imagem ficou marcada como uma das mais icônicas da resistência contra a intolerância e ignorância que caracteriza o racismo. Veja também os 6 Livros sobre Racismo que todo mundo deveria ler.

Outras estudantes que também enfrentaram duras agressões durante o processo de “miscigenação racial” das escolas americanas, se transformaram em ícones da luta pelos direitos cíveis dos negros nos Estados Unidos, como Dorothy Counts, primeira negra a ingressar a Harry Harding High School, em Charlotte, no estado da Carolina do Norte.

3. Morte de Martin Luther King Jr.

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Sem sombra de dúvida, Martin Luther King Jr. é considerado uma das personalidades mais emblemáticas na luta contra o racismo nos Estados Unidos e em todo o mundo. A sua posição e grande paixão por garantir os direitos civis da população afrodescendente fez com que ganhasse inúmeros inimigos ao longo da vida.

A partir de uma postura em prol da “não violência” e do “amor ao próximo”, Luther King foi consagrado em 1964 com o Prêmio Nobel da Paz em resposta ao seu trabalho contra a desigualdade racial.

O assassinato de Luther King, em 4 de abril de 1968, impulsionou uma série de ações para travar o racismo na América e em todo o planeta.

Em sua homenagem, ficou estabelecido nos Estados Unidos, desde 1986, o Dia de Martin Luther King (celebrado na terceira segunda-feira de janeiro). Conheça outras personalidades negras que mudaram o mundo.

4. Revolta de Stonewall

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O combate contra o preconceito não está só focado em questões raciais, mas também de gênero. A partir de meados do século XX, grupos de homossexuais começaram a se organizar com o objetivo de garantir igualdades nos seus direitos civis e sociais.

Nos Estados Unidos, a Revolta de Stonewall (28 de junho de 1969) marcou um dos episódios mais importantes do movimento LGBT.

Neste caso, a invasão abusiva da polícia ao bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, desencadeou uma intensa e violenta rebelião entre os frequentadores do local, que eram majoritariamente homossexuais.

Vale lembrar que entre as décadas de 1950 e 1960, os homossexuais estadunidenses enfrentavam uma legislação e um sistema jurídico totalmente anti-homossexuais.

A resistência em Stonewall espalhou por todo o país uma onda de protestos em prol dos direitos LGBT. Aliás, foi a partir deste episódio que surgiram as primeiras Paradas do Orgulho Gay, eventos que buscavam conscientizar a população sobre a ideia da igualdade entre os direitos de pessoas com diferentes orientações sexuais.

Os homossexuais continuam na luta por garantir seus direitos civis, mas já obtiveram significativos avanços em várias regiões do mundo.

A aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, constitui uma grande vitória da comunidade LBGT contra o preconceito e a homofobia.

Se você quer saber mais sobre o assunto, veja também o significado da Homofobia.

5. Mulheres conquistam direito de votar no Brasil

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As mulheres também sempre foram alvo de preconceitos nas sociedades predominantemente machistas.

No Brasil, a conquista do direito ao voto nas eleições democráticas foi uma das vitórias mais significativas do gênero feminino no século XX.

Foi em 24 de fevereiro de 1932 que as mulheres brasileiras passaram a garantir o direito de manifestar a sua democracia nas urnas durante as eleições.

Mas, a luta das mulheres por uma igualdade de direitos e deveres entre os gêneros é bastante antiga. Os movimentos feministas no Brasil começaram a se intensificar ainda durante o século XIX.

Atualmente, no entanto, a luta contra o preconceito também permanece constante para as mulheres. É certo que vários avanços já foram feitos, mas a desigualdade entre os gêneros ainda é alarmante e medidas ainda precisam ser tomadas para evitar a misoginia e outras formas de violência contra a mulher.

Fonte

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Seja um pacificador

Pacificador

Você não precisa pensar demais para identificar indivíduos que se destacaram por serem pacificadores ao longo das páginas da história. Pessoas como Marthin Luther King Jr., Madre Teresa e Nelson Mandela. Pessoas de grande coragem e tenacidade. Pessoas que sabiam que a dor da mudança não era tão ruim quanto a dor de continuar no mesmo. Pessoas que promoveram a paz e fizeram a diferença. Essas pessoas abriram o caminho e deram o exemplo de condutas a serem seguidas.

E embora no passado a mídia tenha dado o microfone apenas para esse grupo seleto, atualmente as mídias sociais deram um megafone para as massas. Isso nos permite, como cristãos, nos posicionarmos pelo que acreditamos e usar nossa voz coletiva para fazer diferença na coletividade. A pergunta é: o que estamos dizendo e qual será a diferença?

Se você pensar a respeito, a paz, assim como o amor, tem acumulado vários significados ao longo do tempo. Mas temos uma oportunidade agora de declarar o verdadeiro significado da paz por meio das nossas palavras e ações, e apresentar as pessoas a Jesus, o verdadeiro Pacificador.

Tudo o que Jesus fazia apontava para a paz. Na verdade, o motivo dEle ter vindo para a terra foi trazer paz.

Em João 8:1-11 vemos que quando líderes religiosos se reuniram para apedrejar uma mulher que tinha quebrado a lei, Jesus ofereceu a ela a paz, o perdão e um novo jeito de viver.

Essa mesma paz está disponível e acessível hoje, e somos chamados para estendê-la para o mundo. Porque a verdade é que não podemos conhecer a Jesus verdadeiramente e não sermos pacificadores. Ser pacificador é parte do ato de se entregar a Deus, pois apenas Deus pode trazer a verdadeira paz.

Somos chamados para ser pacificadores, e não apaziguadores!

Apaziguadores mantém a paz de uma perspectiva do medo, evitando conflitos, enquanto pacificadores restauram a paz de uma perspectiva de força e reconciliação.

Como embaixadores de Jesus e agentes de paz, é hora de nos posicionarmos e tomarmos responsabilidade pessoal por PROMOVER a paz em nossas comunidades e cidades. Não será fácil. Isso requererá convicção, diligência, perseverança e disposição para sair da nossa zona de conforto e imitar Jesus, para que outros possam iniciar suas vidas com Ele. Mesmo com as dificuldades, valerá a pena!

Mateus 5:9 diz:

Bem-aventurados são os pacificadores! Porque eles serão chamados filhos de Deus

Então, você está preparado e disposto a ser um pacificador?

Vamos passar esses próximos dias desvendando o que isso pode significar para você no dia a dia, e aprender como você pode colocar isso em ação de forma prática na sua comunidade, seu local de trabalho e sua casa.

Para mais informações, acesse o site da yesHEis. Sobre o devocional, acesse este link!

A libertação de Nelson Mandela

Três anos antes de ganhar o Nobel da Paz, o mais importante líder da África Negra foi libertado e praticamente refundou o seu país.

Hoje é o grande dia para o povo da África do Sul, pois é aniversário da libertação de Nelson Mandela que completou 27 anos e se tornou um protagonista com sua prisão. Os protestos aumentaram nos anos 80, principalmente em 1986. Em 5 de julho de 89 começaram as negociações para sua libertação. Em 11 de fevereiro de 1990 o presidente da África do Sul, Frederik de Klerk determinou a libertação de Mandela e reabriu o CNA, Congresso Nacional Africano, um partido político. Em 1994, Mandela foi eleito presidente da África do Sul. A balada do dia é Get Up, Stand Up, de Bob Marley.

Em 1985, Nelson Mandela renunciou à liberdade caso abandonasse a luta armada

 

O líder rebelde, anos depois, chegara à presidência do país, que governou entre 1994 a 1999

Uma das páginas da vida de Nelson Mandela, foi quando, em 1985, renunciou à liberdade caso abandonasse a luta armada. O líder rebelde, anos depois, chegara à presidência do país, que governou entre 1994 a 1999. A música do dia é Soul Rebel, de Bob Marley.

Declaração de Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU sobre a morte de Mandela

Declaração de Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU sobre a morte de Mandela

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou na noite do dia 5 de dezembro a morte do líder sul-africano Nelson Mandela. Para Ban, Mandela foi “uma figura singular” no cenário global – um homem de “dignidade calma e realização imponente”, um “gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração”. Leia abaixo a declaração na íntegra, em português, de Ban Ki-moon, e abaixo vídeos sobre Mandela.

Nelson Mandela foi uma figura singular no cenário global – um homem de dignidade calma e realização imponente, um gigante da justiça e uma fonte humana de inspiração.

Estou profundamente triste com a sua morte. Em nome das Nações Unidas, estendo minhas mais profundas condolências ao povo da África do Sul e, especialmente, à família de Nelson Mandela e entes queridos.

Muitos por todo o mundo foram fortemente influenciados por sua luta altruísta pela dignidade humana, igualdade e liberdade. Ele tocou nossas vidas de maneiras profundamente pessoais. Ao mesmo tempo, ninguém fez mais em nosso tempo para fazer avançar os valores e aspirações das Nações Unidas.

Nelson Mandela dedicou sua vida ao serviço do seu povo e da humanidade, e ele o fez com grande sacrifício pessoal. Sua posição de princípios e a força moral que sustentou foram decisivos no desmantelamento do sistema de apartheid.

Notavelmente, ele ressurgiu após 27 anos de detenção sem rancor, determinado a construir uma nova África do Sul com base no diálogo e na compreensão. A Comissão da Verdade e da Reconciliação estabelecida sob a sua liderança continua a ser um modelo para alcançar a justiça nas sociedades que confrontam um legado de violações dos direitos humanos.

Na luta de décadas contra o apartheid, as Nações Unidas estavam lado a lado com Nelson Mandela e com todos aqueles na África do Sul que enfrentaram o racismo e a discriminação implacáveis. Seu discurso em 1994 a Assembleia Geral da ONU como o primeiro presidente democraticamente eleito de uma África do Sul livre foi um momento decisivo.

A Assembleia declarou 18 de julho, seu aniversário, como o Dia Internacional Nelson Mandela, uma celebração anual em que reconhecemos e procura,ps desenvolver a sua contribuição para a promoção de uma cultura da paz e da liberdade em todo o mundo.

Tive o privilégio de conhecer Nelson Mandela em 2009. Quando eu lhe agradeci pelo trabalho de sua vida, ele insistiu que o crédito pertencia a outros. Fiquei muito emocionado por seu altruísmo e profundo senso de propósito comum.

Nelson Mandela mostrou que é possível para o nosso mundo e dentro de cada um de nós – se nós acreditarmos, sonharmos e trabalhar juntos.

Vamos continuar a cada dia a nos inspirarmos em seu exemplo ao longo da vida e seu chamado para nunca deixar de trabalhar por um mundo melhor e mais justo.”

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, 5 de dezembro de 2013 (leia também em inglês clicando aqui)

 

ONU lamenta morte de Mandela, uma ‘fonte de inspiração’ e ‘gigante da justiça’

ONU lamenta morte de Mandela

A alta comissária da ONU para os Direitos HumanosNavi Pillay, declarou: “Milhões de pessoas, incluindo muitos que nunca o conheceram, vai sentir uma profunda tristeza pessoal com a notícia de hoje, já que Nelson Mandela foi, talvez, o maior líder moral do nosso tempo. (…) Em seu último discurso à Assembleia Geral da ONU, em setembro de 1998, ele observou como a Declaração Universal (dos Direitos Humanos) tinha validado a luta contra o apartheid, mas também lançado o desafio de que ‘a nossa liberdade, uma vez alcançada, deve ser dedicada à aplicação das perspectivas contidas na Declaração’. Ele próprio nunca se desviou dessas perspectivas. Um homem verdadeiramente notável, cujo exemplo nunca deve ser esquecido.”

“Perdemos um dos apaixonados defensores do direito à alimentação”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva. “Como um verdadeiro campeão dos direitos humanos, Nelson Mandela entendeu que a fome de milhões de pessoas era injusta e insustentável.”

presidente da Assembleia Geral da ONU, John Ashe, disse que todos os Estados-membros lamentavam a morte de Mandela e acrescentou que o exemplo de vida e as atitudes do sul-africano “demonstraram a diferença que uma pessoa pode fazer em face da adversidade, da opressão e do preconceito, mantendo uma postura de humildade, humor e modéstia tão rara entre as pessoas de sua importância”.

Já o Conselho de Segurança da ONU interrompeu uma reunião pública na tarde da quinta-feira (5) para realizar um momento de silêncio em homenagem a Mandela. O grupo emitiu um comunicado expressando profunda admiração pela “liderança moral e política” do sul-africano e seu papel decisivo na transição pacífica para uma África do Sul unida e democrática.

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirmou que o ícone sul-africano também se destacou pelo esforço contra a degradação ambiental e as mudanças climáticas. Dentre as principais atividades que Mandela desenvolveu na área ambiental estão: a criação da “The Elders” (Os Anciãos, na sigla em português), organização que buscou unir um renomado grupo de chefes de Estado, advogados e outros para lutar, principalmente, contra a devastação do meio ambiente e mudanças climáticas; a participação na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que procurou discutir a melhora na qualidade de vida e conservação dos recursos naturais; e o discurso de inauguração que baseou o ‘South Africa’s WaterDome’.

UNESCO também se manifestou. “Ele não apenas mudou a história da África do Sul, mas também mudou o mundo e fez dele um lugar melhor. Ele ensinou a todos nós uma lição sobre o poder da paz e da reconciliação, bem como sobre a importância do perdão e do respeito pela dignidade de cada ser humano”, disse a diretora-geral da agência da ONU, Irina Bokova.

Agência da ONU para Refugiados divulgou um comunicado lamentando a morte do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, que trabalhou com o ACNUR na ajuda a refugiados. “É com grande tristeza que recebi as notícias sobre a morte de Nelson Mandela”, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, no comunicado. “Sua sabedoria, generosidade e compaixão extraordinárias não apenas mantiveram a África do Sul unida após o colapso do apartheid, o que preveniu imensos deslocamentos humanos, como também fizeram dele um verdadeiro símbolo global para os oprimidos e perseguidos, e um exemplo para todos nós.”

UNICEF afirmou que Mandela foi o “pai de sua nação” e dedicou grande parte de sua obra para as crianças. Por meio de sua Fundação, por exemplo, Mandela lançou, em parceria com a Sociedade Hamburgo e o UNICEF, a campanha “Escolas para a África” com o objetivo de incluir 2 milhões de crianças africanas na escola.

Campanha “Agir, inspirar a mudança” convida para 67 minutos de prestação de serviços comunitários. Cada minuto representa um ano em que Mandela se dedicou ao serviço público.

As Nações Unidas comemoram no dia 18 de julho deste ano o Dia Internacional Nelson Mandela, que celebra 95º aniversário do líder sul-africano e honra sua dedicação ao serviço público, à justiça social e à reconciliação que inspira milhões de pessoas no mundo.

Neste ano, a ONU se juntou à iniciativa “Agir, inspirar a mudança“, proposta pela Fundação Nelson Mandela. Nela, todos são convidados a prestar 67 minutos de serviço voluntário à comunidade. Cada um dos 67 minutos propostos representa um dos anos em que Mandela se dedicou ao serviço público, como advogado de direitos humanos, prisioneiro de consciência, pacificador internacional e primeiro presidente democraticamente eleito pós-apartheid na África do Sul.

“O coração do Dia Internacional Nelson Mandela são as boas obras para as pessoas e para o planeta. Seu tema destina-se a mobilizar a família humana para fazer mais para construir um mundo pacífico, sustentável e equitativo. Esta é a melhor homenagem que podemos prestar a um homem extraordinário que encarna os mais altos valores da humanidade”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em mensagem para o dia.

Confira um vídeo marcando a data em 2010:

 

♪ Música pode mudar o mundo? ♫

Postagem chupada da Revista Sanuel

Você acredita que uma música pode mudar o mundo? Sozinha, não, mas com certeza a história mostrou que elas foram importantes em diversas situações sendo eficazes na implantação de uma questão emocional na mente das pessoas que as ouviam. Essa é a opinião de Richard Curtis, diretor e ativista, convidado para comandar o projeto Agit8, um filme com grande apelo sensorial feito para ser visto “ao vivo” em grandes telas ou projetado em paredes, que conta a história da eficácia dos protestos ao longo dos anos através das músicas políticas em inúmeros contextos.

O filme foi exibido na parede do Tate Modern, em Londres, pouco antes da reunião do G8 mês passado e para dar uma ajudinha na relevância destas músicas, a organização The One Campaign também está regravando com novos artistas 50 vídeos com antigas música de protesto que tratam de direitos civis, guerra, apartheid etc. O catálogo das canções você encontra aqui e os vídeos das músicas regravadas – com cantores como Usher, Bono Vox e James Morrison, por exemplo – dá pra ver aqui.

No Brasil

Quem decidiu compor uma música para a situação que estamos vivendo nas últimas semanas no Brasil foi o cantor Tom Zé.  Em parceria com Marcelo Segreto, “Povo Novo” critica os aproveitadores, a postura dos manifestantes do Brasil e aproveita para lembrar da ditadura. Falta saber se o tribunal do Feicibuqui vai aprovar. Confira música e letra abaixo:

A minha dor está na rua

Ainda crua
Em ato um tanto beato, mas
Calar a boca, nunca mais!
O povo novo quer muito mais
Do que desfile pela paz

Mas Quero muito mais
Quero gritar na
Próxima esquina
Olha a menina
O que gritar ah, o
Olha menino, que a direita
Já se azeita,
Querendo entrar na receita, mas
De gororoba, nunca mais

Já me deu azia, me deu gastura
Essa politicaradura
Dura,
Que rapa-dura!

Mundo

Excelente música de protesto para ser relembrada no contexto atual  é o hit de 1984 “Free Nelson Mandela”, música de grande sucesso no Reino Unido e em toda a África cantada pelo grupo The Special A.K.A . A música foi composta não só para protestar contra o aprisionamento de Nelson Mandela pelo governo sul-africano do apartheid, mas também para divulgar sua história, desconhecida ainda por muitos na época. Em 2008, no evento de comemoração dos 90 anos do líder sul-africano, quem regravou a canção foi Amy Winehouse. Letra e música também logo abaixo, mandando boas vibrações para o ex-presidente:

Free Nelson Mandela
Free free
Free free free Nelson Mandela

Free Nelson Mandela

21 years in captivity
Shoes too small to fit his feet
His body abused, but his mind is still free
You’re so blind that you cannot see

Free Nelson Mandela

Visited the causes at the AMC
Only one man in a large army
You’re so blind that you cannot see
You’re so deaf that you cannot hear him

Free Nelson Mandela

21 tears in captivity
You’re so blind that you cannot see
You’re so deaf that you cannot hear him
You’re so dumb that you cannot speak

80 anos de Desmond Tutu

É tempo de parar de destruir vidas

Demond Tutu

80 anos de Desmond Tutu.

Nascido em 7 de outubro de 1931, em Klerksdorp, na África do Sul, Desmond Mpilo Tutu – primeiro negro a exercer as funções de bispo anglicano em Johannesburgo – é um dos mais conhecidos ativistas dos direitos humanos de seu país. Vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1984, teve reconhecimento pelos seus esforços como um peregrino global na propagação de valores espirituais, direitos humanos, a não violência e a tolerância.

Aos 80 anos, Desmond Tutu mantem sua luta incessante contra a pobreza, o preconceito e o racismo entre todos os povos da Terra.

Filho de professor, Desmond foi um dedicado aluno de Johannesburgo, apesar de todas as adversidades e hostilidades advindas de um sistema de segregação racial. Jovem ainda, escreveu ao Primeiro ministro de seu país sobre o apartheid, referindo-se a ele como “uma política diabólica“. Seguiu sua trajetória, trabalhando como professor secundário e ordenou-se ministro anglicano em 1960.

Ausentou-se do país, de 1967 a 1972, e estudou teologia na Inglaterra. Eram tempos difíceis na África do Sul, e não havia perspectivas para melhorias. A imponência do apartheid chegava a circunstâncias aberradoras. Os negros eram presos somente por usar banheiros, beber nas fontes ou ir à praia. Naturalmente, haveria uma resposta para esta violação de direitos de igualdade. Em 1968, um protesto calmo feito por estudantes negros transformou-se em tragédia quando a polícia reagiu com um violento ataque, com carros armados, cães e gases. Era um de tantos episódios que estavam por vir.

Em 1975, seguindo sua trajetória, Desmond Tutu foi o primeiro negro a ser nomeado decano da Catedral de Santa Maria, em Johannesburgo, posição pública que lhe deu o direito de ser ouvido. Sagrado bispo, dirigiu a diocese de Lesoto de 1976 a 1978, ano em que se tornou secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul.

Incansável, sempre dedicou-se na busca de uma sociedade sul-africana com igualdade de direitos civis, inclusive na esfera da educação, com a abolição das leis que limitavam a circulação dos negros e o fim das deportações forçadas de negros. Na época em que foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz, foi eleito arcebispo de Johannesburgo. Depois, da Cidade do Cabo.

Nos anos 60, assumiu a liderança da comissão de Reconciliação e Verdade, destinada a promover a integração racial na África do Sul, com poderes para investigar, julgar e anistiar crimes contra os direitos humanos praticados no país. E consolidou um relatório reunindo um trabalho de mais de uma década.

Jovens, desobedeçam

Só a teimosia de quem gritou que algo estava errado no mundo, como a poetisa Ingrid Jonker na África do Sul do apartheid, permite enterrar velhas ideologias. Por Matheus Pichonelli

O grupo entra na sala de aula para uma prova e nem imagina que os outros colegas da classe são, na verdade, atores contratados para um estudo científico. A prova começa e, alguns minutos depois, alguém de fora grita que o prédio está pegando fogo. Os atores fingem que nada acontece e permanecem no local. A exemplo dos colegas, as “cobaias” não se movem: estão contaminadas pelo clima de que nada de grave está acontecendo.

Em outra situação, com outras “cobaias”, o mesmo grito de “fogo” é ouvido. Desta vez, os atores entram em pânico, que logo contamina os não-atores. E todos abandonam seus lápis e saem correndo. Nos dois casos, a inércia só fora quebrada (ou não) por um grito de alerta anterior.

Foi lembrando dessa pesquisa, sobre “comportamento de manada” e relatada nos tempos da faculdade, que deixei, na quarta-feira 28, a sessão de “Borboletas Negras”, cinebiografia da poetisa sul-africana Ingrid Jonker dirigida por Paula van Oest. O filme tem como pano de fundo a África do Sul dos anos 1960, época em que os absurdos do Apartheid eram ainda ofuscados pela calmaria vendida por quem tentava manter a ordem vigente. Ainda que a ordem vigente fosse separar brancos de negros, e manter estes à míngua (e à distância) de toda sorte de direitos.

Logo nas cenas iniciais, Paula van Oest leva longos segundos para filmar o movimento das ondas, numa praia da Cidade do Cabo, que são quebradas pelo vento em direção ao Oceano. Nessas águas, Ingrid (personagem de Carice van Houten) fica presa entre a corrente e a contracorrente. Sob risco, ela é socorrida pelo também escritor Jack Cope (Liam Cunningham). Ele passava pela praia, resolve ajudar a desconhecida e impede o seu afogamento. “Não adianta nadar contra a corrente”, alertou em seguida o escritor, com quem a poetisa viveria um longo e tortuoso romance.

Na África do Sul, negros tinham circulação restrita a áreas pobres e abandonadasSe tivesse seguido o alerta, na vida e na obra, talvez Ingrid Jonker não tivesse sido lembrada por Nelson Mandela, anos depois, como um dos símbolos da libertação de seu país. Para isso não foi necessário pegar em armas, mas romper, por meio da literatura, as amarras que a prendiam em seu próprio tempo. Para Ingrid Jonker, autora praticamente desconhecida no Brasil, este era um esforço duplo: seu pai, Abram Jonker, era um político africâner nacionalista que via a exclusão dos negros (para ele, seres inferiores) como algo natural. Era também responsável pelo departamento de censura do governo vigente. Escrever e influenciar o mundo não eram mais desafiadores para ela do que convencer o pai sobre os absurdos de sua época, da qual compactuava e reproduzia. Seu primeiro livro é dedicado ao pai, que a rejeita. Para ele, a filha era sua própria negação.

O intricado diálogo entre pai e filha deixa expostas as fraturas resultantes do embate entre uma geração que sai de cena, com seus velhos preconceitos e ideologias, e outra que tenta emergir – e cujas mudanças só vão se consolidar anos à frente. O combate, de um lado, é feito com qualquer pedaço de lápis que permita colocar para fora o fluxo de consciência por meio da poesia; de outro, é combatido pela lei, pelo silêncio ou pela censura. Isso na melhor das hipóteses: nas áreas reservadas aos negros, a violência explode com qualquer esboço de mudanças reivindicado pelos grupos recriminados.

Quando testemunha o assassinato de uma criança negra num bairro exclusivo para negros, Ingrid se dá conta de que aquela luta também era dela. O que a leva a escrever um de seus mais famosos poemas:

The child is not dead

The child lifts his fists against his mother

Who shouts Afrika ! shouts the breath

Of freedom and the veld

In the locations of the cordoned heart

São apenas palavras contra um país tomado por leis absurdas, que, como a contracorrente do início do filme, a afasta da terra firme. Mas se espalham feito rastilho de pólvora pelos guetos, grupos de intelectuais, e pessoas que começavam a perceber que, lá fora, alguém avisava que um prédio estava em chamas.

As consequências desse grito não são outras se não a tragédia provocada pelo rompimento não só histórico, mas também familiar e social. Drama que a empurra para a loucura.

Ingrid Jonker, no papel de Carice van Houten, vive romance atribulado com Jack Cope (Liam Cunningham)Influenciado pela história, baseada em fatos reais, lembrei também que, quando criança, fui escolhido como orador da formatura do meu pré-primário. Lembro até hoje do juramento, do alto dos seis anos de idade: “eu prometo ser honesto, honrar os mais velhos, cuidar dos mais novos” e uma série de blábláblá que meus colegas, como cordeirinhos, repetiam. Éramos crianças, mas já assumíamos o compromisso de que, acontecesse o que acontecesse, jamais romperíamos a ordem que nos acabava de ser entregue.

Era uma propagação gratuita, em escala industrial, da multiplicação de indivíduos dóceis, incapazes de sugerir ou encaminhar mudanças em seu próprio tempo e espaço. Tudo o que fosse contrário era desobediência ou rebeldia gratuita – que, 28 anos depois, me fazem pensar em quantas Ingrids Jonker sairiam daquela formatura caso não cumprissem à risca o juramento ou não fossem dopados, pelos pais, com remédios contra a hiperatividade.

Mesmo assim, se tudo der certo, os que tiveram coragem de apontar caminhos vão fazer com que, daqui a 50 anos, as pessoas estudem este tempo de absurdos em que potências ocidentais ajudavam a proliferar o terrorismo com o argumento de combate preventivo. Ou se debruçar para entender um tempo em que pessoas do mesmo sexo não tinham os mesmos direitos civis, de um tempo em que os próprios governos escolhiam os integrantes das Supremas Cortes, de um tempo em que só pobres iam para a cadeia e de um tempo em que as pessoas haviam perdido a modéstia ao defender em público a perpetuação de privilégios originados de um tempo de escravidão ancestral.

Um tempo em que tudo parecia certo porque tudo era vendido como natural. Porque tudo estava referendado pela ordem e pela lei.

Matheus Pichonelli, jormado em jornalismo e ciências sociais, é subeditor do site e repórter da revista CartaCapital desde maio de 2011. Escreve sobre política nacional, cinema e sociedade. Foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e do portal iG. Em 2005, publicou o livro de contos ‘Diáspora’.