Colômbia reconhece Palestina como “Estado livre, independente e soberano”

Palestina Livre

A decisão foi tomada pelo agora ex-presidente Juan Manuel Santos, a poucos dias de terminar o seu mandato. A Colômbia era o único país sul-americano que ainda não tinha reconhecido o Estado palestiniano.

“Estamos conscientes das dificuldades e do sofrimento que a população palestiniana tem enfrentado. Também reconhecemos que, para a construção gradual do seu Estado, a unidade da nação palestiniana é um imperativo, e esperamos que continuem a verificar-se as condições internas para superar os desafios que se apresentam no caminho”, lê-se na carta oficial, datada de 3 de agosto e assinada por María Ángela Holguín, então ministra de Relações Exteriores.

No comunicado, endereçado ao ministro de Relações Exteriores do Estado da Palestina, Riad Malki, o anterior executivo colombiano defende que “a negociação direta é a melhor maneira de chegar a uma solução duradoura e justa que permita a ambos os povos e Estados conviver de maneira pacífica”.

Iván Duque Márquez, o novo presidente da Colômbia, emitiu entretanto uma missiva na qual avança que “diante de possíveis omissões que poderiam depreender-se da forma como se deu esta decisão do antigo Governo, o [novo] Governo examinará cuidadosamente as suas implicações e agirá em conformidade com o direito internacional”.

Numa nota publicada esta quarta-feira, a embaixada palestiniana em Bogotá frisa que a decisão “é profundamente grata para o povo palestiniano e o seu Governo, que sempre viram a Colômbia e o seu povo como irmãos infatigáveis na procura pela paz. Essa fraternidade foi construída durante mais de um século e hoje vê-se materializada com uma das comunidades palestinianas mais numerosas de toda a América Latina”.

De acordo com a representação da Palestina na Colômbia, este reconhecimento resulta “de um profundo trabalho de aproximação entre os Governos colombiano e palestiniano, esforço que hoje dá seus frutos e que sem dúvida será fortalecido no futuro próximo para bem de ambos os povos”.

Já a Embaixada de Israel, afirmou-se “surpresa e decepcionada”, afirmando que está em causa “uma bofetada a um aliado fiel”.

“Pedimos ao atual governo colombiano que reverta a decisão do governo anterior, tomada nos últimos dias, e que constitui uma violação das nossas relações estreitas, da ampla cooperação em áreas e interesses vitais para ambos os povos”, lê-se no comunicado da embaixada israelita.

Esquerda.net

Palestina bandeira

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Israel vs. Palestina. Filme explica a convivência impossível entre as duas comunidades

Cinco câmeras quebradas: o melhor filme para entender a convivência impossível entre israelenses e palestinos.

“5 Câmeras Quebradas” mostra como a convivência entre israelenses e palestinos é impossível – e, ao mesmo tempo, fala de esperança, justiça, perseverança e paz. Emad Burnat, um pequeno proprietário de terras em Bilin, ganhou uma filmadora meia-boca em 2005, quando nasceu seu quarto filho, Gibreel. Naquele mesmo ano, colonos israelenses começaram a construir assentamentos nas redondezas de sua casa, erguendo uma cerca.

O filme foi indicado para o Oscar de documentário em 2013. Com simplicidade e poucos recursos, com talento, urgência e coragem, um judeu e um palestino realizaram um pequeno épico. “Se você for ferido, vai sempre se lembrar da sua ferida, mesmo depois de ela se curar. Se você se machucar de novo e de novo… você esquece as suas cicatrizes”, diz Emad. “Mas a câmera se recorda, e então eu filmo para me curar”.

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Líder do Hamas jura nunca reconhecer Israel

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, comparece a um comício marcando o 25º aniversário da fundação do Hamas

O líder do Hamas, em sua primeira visita à Faixa de Gaza, prometeu no sábado nunca reconhecer Israel e disse que seu grupo islâmico jamais abandonaria sua reivindicação de todo o território israelense.

“A Palestina é nossa do rio para o mar e do sul para o norte. Não haverá concessão de uma polegada de terra”, disse ele a um mar de defensores em um comício ao ar livre, o destaque de seus três dias de estadia em Gaza. “Nunca vamos reconhecer a legitimidade da ocupação israelense e, portanto, não há legitimidade para Israel, não importa quanto tempo vá demorar”.

Em um discurso intransigente, Meshaal também prometeu libertar prisioneiros palestinos detidos em Israel, indicando que militantes islâmicos tentariam sequestrar soldados israelenses para usá-los como moeda de troca.

Israel libertou 1.027 palestinos de suas prisões no ano passado, em troca da libertação de Gilad Shalit, um soldado recruta que foi capturado por guerrilheiros palestinos em 2006 e escondido por mais de cinco anos em Gaza. Milhares de prisioneiros palestinos permanecem em Israel. O Estado judeu diz que muitos deles são terroristas. Hamas chama-os de combatentes da liberdade.

“Nós não vamos descansar até libertarmos os prisioneiros. A maneira que libertamos alguns dos prisioneiros no passado é o caminho que vamos usar para libertar os prisioneiros restantes”, disse Meshaal, sob aplausos da multidão que havia se reuniu para vê-lo.

Líder do Hamas pede união palestina e diz que não reconhecerá ocupação israelense

Líder do Hamas durante o seu discurso deste sábado, em comemoração aos 25 anos do movimento islâmico

No discurso em comemoração aos 25 anos desse movimento islâmico, Khaled Meshal defendeu resistência armada.

O líder do Hamas, Khaled Meshal, defendeu neste sábado (08/12), no discurso em comemoração ao aniversário de 25 anos do movimento islâmico, a união das facções palestinas e garantiu que não reconhecerá a ocupação israelense como legítima.

A Palestina é nossa e não de outros. Por isso, nunca reconheceremos a legitimidade da ocupação de nossa terra e a presença ilegal desta ocupação na Palestina. Antes ou depois, a terra da Palestina será nossa e nunca dos sionistas, afirmou.

É hora de virar a página da divisão e abrir uma nova página de unidade palestina. O Hamas não tem interesse em seguir com a divisão interna, que consideramos um desastre. Nosso objetivo é a reconciliação. Convidamos Mahmoud Abbas e a Autoridade Nacional Palestina para acabar de verdade com essa divisão, declarou o líder.

Como mais uma evidência de sua intenção de unir os movimentos palestinos, Meshal exaltou a recente elevação do status da Palestina a Estado observador na ONU, avanço diplomático atribuído a Abbas, líder do Fatah, que governa Cisjordânia. “É um passo pequeno, mas muito importante, no caminho da defesa dos direitos do povo palestino”.

Ainda sobre a unidade palestina, o líder do Hamas afirmou que, nos próximos dias, o governo do Egito elaborará uma proposta para concretizar essa ideia. O islamita chegou ontem a Gaza em sua primeira viagem à faixa, viabilizada em meio a trégua alcançada com Israel após o último confronto bélico, em novembro. No início de seu discurso, Meshal afirmou que o Hamas conseguirá “libertar todos os palestinos” detidos nas prisões israelenses.

“A Palestina, do Rio Jordão até o Mediterrâneo e do norte ao sul, é nossa terra, nosso direito e nossa pátria, não faremos a concessão de um milímetro de terra”, declarou Meshal de um palanque montado na Praça Al Katiba, o qual era adornado com uma réplica gigante em papelão de um foguete M-75, o mesmo utilizado pelas milícias no último confronto armado com Israel, em novembro.

O líder do Hamas voltou a pedir a apoio à causa palestina e também reivindicou “a Jihad (guerra santa) e a resistência armada” como o único caminho para recuperar os direitos perdidos. “Se a comunidade internacional tem outra opção para libertar nossa terra, que diga. Eu digo ao mundo que tentamos durante 64 anos, e o mundo não fez nada pelos palestinos. É por isso que acho que o único recurso é a resistência armada”, declarou.

O direito de retorno dos refugiados “a Gaza, Cisjordânia e a todos os territórios ocupados em 1948” foi outra das questões abordadas por Meshal, que assegurou que sua visita a Gaza “é o princípio desse direito de retorno, um direito que é sagrado”.

Segundo o Hamas, 500 mil pessoas marcaram presença no evento festivo, sendo que mais de 2,5 mil representavam delegações procedentes de mais de mais de dez países islâmicos e árabes. A maioria erade Catar, Bahrein, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Líbano, Marrocos, Argélia, Tunísia e Indonésia.

O Hamas completa um quarto de século no dia 14, mas decidiu comemorar o aniversário hoje por coincidir com o do início da Primeira Intifada.

Uma enorme vitória. ONU reconhece a Palestina!

Bandeira Palestina

Há algumas horas, a maioria esmagadora da ONU votou o reconhecimento da Palestina como 194º Estado do mundo! É uma grande vitória para o povo palestino, para a paz e para a nossa comunidade! As pessoas de todo o mundo estão se unindo a enormes multidões na Palestina para comemorar.

A jornada do povo palestino para a liberdade está longe do fim. Mas este é um grande passo e nossa comunidade teve um papel fundamental nisso. Respondendo à votação, a embaixadora da Palestina para a Europa, disse:

“Avaaz e seus membros em todo o mundo desempenharam um papel fundamental ao persuadir os governos para apoiar a candidatura do povo palestino a um Estado e para a liberdade e a paz. Eles estiveram conosco durante todo o tempo e tal solidariedade e apoio serão lembrados e queridos em toda a Palestina.” – Leila Shahid, Delegada Geral da Palestina para a Europa.

Os governos dos EUA e de Israel, em dívida com grupos pesados de lobby (sim, infelizmente, até mesmo Obama cedeu ao lobby), jogou tudo o que tinham para acabar com a votação, usando ameaças financeiras e até mesmo ameaçando derrubar o presidente palestino se ele fosse em frente. A Europa foi o voto decisivo. E por causa da intensa pressão dos EUA, há apenas duas semanas os líderes não apoiavam o Estado palestino. Conhecendo as apostas, a nossa comunidade respondeu com a velocidade e a força democrática que precisávamos para vencer:

  • Quase 1.8 milhão de nós assinaram a petição por um Estado palestino.
  • Milhares de nós doaram para financiar pesquisas de opinião pública em toda a Europa – mostrando que incríveis 79% dos europeus apoiavam a criação de um Estado palestino. Nossas pesquisas apareceram em toda a mídia, e foram repetidamente citadas em debates parlamentares no Reino Unido, Espanha e França!
  • Enviamos dezenas de milhares de e-mails, mensagens no Facebook e tweets para os líderes de toda a Europa e fizemos milhares de chamadas para os ministérios de assuntos estrangeiros e chefes de Estado.
  • Nós abrimos uma bandeira gigante do tamanho de um prédio de 4 andares do lado de fora da Comissão da UE em Bruxelas (à direita), enquanto os líderes estavam reunidos. Então, realizamos uma grande ação em Madrid. E anteriormente, navegamos com uma flotilha de navios em frente ao prédio das Nações Unidas pedindo pela votação. Nossas ações foram manchete em toda a Europa.
  • Colaboradores e membros da Avaaz se reuniuram com dezenas de ministros, assessores, jornalistas, parlamentares e líderes em cada um dos países-chave, em muitos casos se unindo para conquistar os líderes, um por um, por meio de reuniões, pressão, resoluções parlamentares e declarações públicas, sempre com base na onda de poder das pessoas por trás dessa causa.
  • Entramos em contato com líderes importantes como Stéphane Hessel, um sobrevivente dos campos de concentração nazistas de 94 anos de idade, e Ron Pundak, um israelense que desempenhou um papel fundamental no processo de paz de Oslo, para falar em favor de um Estado palestino.

Um por um, importantes Estados europeus romperam com os EUA para atender a um chamado por justiça e ao seu povo. Na contagem final da votação que acabou de acontecer, apenas 9 dos 193 países votaram contra! França, Espanha, Itália, Suécia e maior parte da Europa votou pela Palestina.

Os EUA e Israel argumentaram primeiro que um Estado palestino era perigoso para a paz, e então, quando foram derrotados, disseram que não importava e que a votação foi apenas simbólica. Mas se fosse apenas algo simbólico eles não teriam feito de tudo para tentar impedir a votação. E depois de anos de má-fé e conforto por parte de Israel com o status quo à medida em que eles constantemente colonizam mais terra palestina, este movimento mostra aos EUA e Israel que se eles não se envolverem com boa fé, os palestinos e o mundo estão preparados para seguir em frente sem eles. É uma forma mais equilibrada para as negociações de paz de verdade. E essa é a melhor alternativa para o tipo de violência que vimos o governo de Israel e o Hamas em Gaza oferecerem este mês.

Durante décadas, o povo palestino sofreu sob uma sufocante ditadura militar israelense, controles repressivos em suas viagens e trabalho, a negação contínua dos seus direitos e da ameaça constante de insegurança e violência. Há 65 anos, a ONU reconheceu o Estado de Israel, começando um caminho para o estabelecimento de um lar seguro para o povo judeu. Agora os palestinos dão um passo na mesma direção e ganham dignidade aos olhos da comunidade internacional, o que lhes foi negado por uma geração. E, com essa dignidade, poderemos construir os alicerces da paz.

Com esperança e alegria, Ricken, Alice, Ari, Wissam, Allison, Sam, Julien, Pascal, Wen, Pedro, Saravanan, Emma, Ben, Dalia, Alexey, Paul, Marie, Aldine, Luca, Jamie, Morgan e toda a equipe da Avaaz.

PS.: Aqui estão algumas fontes (em inglês) – A Associated Press cobriu a vitória de ontem, o Guardian cobriu a nossa pesquisa de opinião há duas semanas, o Daily Briefing da Avaaz oferece um mapa do resultado da votação, e o Haaretz descreve a resposta de Israel.

Mais informações

A ONU e a Questão da Palestina: exposição online conta a história do conflito

Como parte das atividades do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, comemorado mundialmente em 29 de novembro, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) disponibiliza hoje uma exposição online sobre a ONU e a Questão da Palestina.

Produzida pelo Departamento de Informação Pública (DPI) da ONU, a exposição tem informações sobre a origem do conflito, o trabalho da ONU na região, as negociações de paz e a vida dos palestinos. Também estão disponíveis dados sobre a cooperação e assistência do Governo Brasileiro com a Palestina nos últimos anos.

Acesse também dois vídeos especiais, um sobre o tema da exposição http://youtu.be/fQWkTJ1Y57E e outro sobre o trabalho da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWAhttp://youtu.be/Qshz3wv6Z60.

Leia ainda a mensagem do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, para o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino: http://bit.ly/PalestinaSG2012.

Acesse a exposição via Facebook (www.facebook.com/ONUBrasil ou diretamente em http://bit.ly/ONUePalestina) ou em nossa página: www.onu.org.br/palestina.

A batalha político-imobiliária pelo controle de Jerusalém

Em 1947, logo após a divisão da Palestina, a ONU colocou Jerusalém sob mandato internacional. No ano seguinte, com a guerra da independência, Israel se apoderou do setor oeste da cidade, enquanto que o setor oriental passou para controle da Jordânia. Durante a Guerra dos Seis Dias (1967), Israel anexou Jerusalém Oriental. Hoje, à força de investimentos, compra de terras e restrições específicas aos palestinos, Jerusalém se move entre a modernidade de seu setor israelense e a pobreza da parte oriental. Jerusalém é o território de um combate imobiliário em cujo interior se movem as sombras da geopolítica. A reportagem é de Eduardo Febbro.

Cada pedra é um conflito, cada muro uma leda, cada rocha o rastro sagrado de algum Deus diferente: Jerusalém. Suprema, mágica, polifônica, acolhedora, juvenil, discriminatória e veloz. Capital “eterna” para os judeus, capital da palestina “histórica” para os palestinos, capital fundacional do cristianismo, Jerusalém é uma viagem dentro da viagem, um labirinto de ódio e de amor que está no centro da disputa territorial entre israelenses e palestinos, onde intervém corporações secretas, milionários norteamericanos, ritos religiosos corrompidos por dólares, capitais árabes bloqueados e uma política urbana de manifesto isolamento.

Uma mesma cidade, três religiões, islamismo, cristianismo, judaísmo, três histórias, dois nomes diferentes: Yerushalayim – a paz aparecerá – para os judeus, Al Qods – a santa – para os árabes. Nesta capital poliglota, de cruzes e contrastes, convergem os relatos fundadores das três religiões monoteístas: para os árabes, Jerusalém é, depois de Meca e Medina, o terceiro lugar santo do Islã. Para os judeus, Jerusalém é a cidade conquistada pelo rei Davi no ano de 1004 antes de Cristo, logo depois de Davi se unir às tribos de Israel. Para os cristãos, Jerusalém é o epicentro dos atos fundadores do cristianismo, o lugar onde Cristo viveu a paixão e a ressureição. Jerusalém, capital de quem? A resposta é inequívoca. Como diz Khaled, um comerciante da célebre rua Salah Ad Din, de Jerusalém Oriental: “é de quem tiver mais capital e poder para se apropriar dela”.

Em 1947, logo após a divisão da Palestina, a ONU colocou Jerusalém sob mandato internacional. No ano seguinte, com a guerra da independência, Israel se apoderou do setor oeste da cidade, enquanto que o setor oriental passou para controle da Jordânia. Mas durante a Guerra dos Seis Dias (1967), Israel anexou Jerusalém Oriental. Em 1950, a cidade foi declarada capital do Estado de Israel e, em 1980, a Knesset, Parlamento israelense, a elevou à condição de “capital eterna”. Hoje, à força de investimentos, compra de terras e restrições específicas aos palestinos, Jerusalém se move entre a modernidade de seu setor israelense e a pobreza da parte oriental. Um mundo estagnado, marcado pela ausência de infraestrutura urbana e falta de investimentos, e outro mundo desenvolvido, uma cidade moderna, luminosa e cuidada.

A fronteira entre a luz e a limpeza e o caos e a miséria é invisível. Basta descer até o começo de Jaffa Street, dobrar à esquerda, caminhar trezentos metros e, pronto, você está em outro planeta. Na parte leste da cidade não há cinemas, nem teatros, nem bares atraentes. Apesar de seu declarado laicismo, o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, mantem as limitações aos investimentos palestinos em Jerusalém. Ainda que representem 59% da população de Jerusalém Oriental, os palestinos só estão autorizados a construir em 13% desse setor. As permissões de construção demoram uma década para serem outorgadas. Isso leva os palestinos a erguer construções ou ampliar suas casas sem autorização, o que implica a imediata demolição desses puxados.

As cifras sobre os investimentos municipais são eloquentes. Os palestinos representam 35% da população global, mas só entre 10 e 12% do orçamento municipal é utilizado para investimento em obras de infraestrutura no setor leste. Cerca de 80% das ruas corretamente asfaltadas e dos bueiros em bom estado estão na zona judia da cidade, onde também há 1.000 jardins públicos contra 45 em Jerusalém Oriental. Persiste uma inesgotável sensação de que tudo é feito para levar os palestinos a deixar Jerusalém.

Nada reflete melhor a complexidade da situação do que o bonde inaugurado em 2011. A linha percorre 14 quilômetros em ambos os sentidos, desde o bairro de Pisgat Zeev, em Jerusalém Leste, até Monte Herzl, na parte oeste. Em seu trajeto, a linha é uma espécie de bomba geopolítica: passa pelos bairros judeus construídos no setor de Jerusalém anexado logo depois da Guerra dos Seis Dias e onde a soberania do Estado de Israel não está plenamente reconhecida pela comunidade internacional.

Em termos do direito internacional, a ocupação e a posterior anexação de Jerusalém Leste foram condenadas pelas resoluções 241, 446, 452 e 465 das Nações Unidas, além de contraria a quarta Convenção de Genebra. A guerra pela posse da cidade tem atores econômicos de peso que jogam entre as sombras e antecipadamente a carta que pode conduzir ao reconhecimento de um Estado Palestino com Jerusalém Leste como capital. Por isso, com lances de milhões, compram o máximo de áreas possíveis.

Os negócios da Richard Marketing Corporation deram lugar a um dos controversos episódios desta confrontação pelas pedras sagradas. A Richard Marketing Corporation é, na verdade, a cobertura da organização sionista Ateret Cohanim, atrás da qual se encontra o milionário norteamericano Irving Moscowitch. Há anos, a corporação vem se dedicando a comprar casas palestinas e áreas situadas na Cidade Velha de Jerusalém, ou seja, no olho do furacão: ali estão a Mesquita de Al-Aqsa (Maomé foi de Meca até a Mesquita de Al-Aqsa), o Domo da Pedra (os muçulmanos acreditam que Maomé subiu aos céus neste local), o Muro das Lamentações (o último vestígio do Templo de Jerusalém, que é o emblema mais sagrado do judaísmo), a Esplanada das Mesquitas e um sem número de edificações ligadas à história do cristianismo, entre elas o Santo Sepulcro.

A Cidade Velha, localizada em Jerusalém Oriental, está dividida em quatro setores: muçulmano, judeu, cristão e armênio. Ali a corporação colocou seus dólares para comprar casas palestinas, cristãs e, sobretudo, áreas e secessões negociadas com a Igreja Ortodoxa Grega. O patriarca Irineu primeiro, hoje recluso em sua espiritualidade, cobrou vários milhões por baixo da mesa em troca de um “aluguel” de 99 anos de um dos lugares mais emblemáticos da Cidade Velha, situado na Porta de Jaffa. Por curioso que pareça, partindo desde a Porta de Jaffa, a primeira placa indicando o Santo Sepulcro está escrito em vários idiomas, incluindo o hebraico, menos em árabe.

Arieh King, um membro notório de Ateret Cohanim, levou anos comprando quantas casas aparecessem em seu caminho na Cidade Velha e em Jerusalém Oriental. Homem franco e sem rodeios, King está a frente da organização Israel Land Fund. Não tem nada a ocultar: “Jerusalém é o lugar mais importante do projeto sionista. Nós estamos comprando dos árabes para colocar judeus em seu lugar. Não aceitamos que Jerusalém seja dividida”. Arieh King é um autêntico agente imobiliário da judaização de Jerusalém e não esconde isso. Tem em seu “currículo” dezenas de casas compradas e – isso ele não confessa – acordos de compra e aluguel com várias congregações cristãs sensíveis ao dinheiro em cash. Nada o detém, nem sequer a compra de casas palestinas e, além do preço elevado que paga, consegue “a obtenção de um visto para que o vendedor vá para o exterior”.

A história de Arieh King merece um capítulo a parte. Sua atividade, financiada com fundos provenientes do mundo inteiro, tem o mérito da transparência ao mesmo tempo em que revela a luta pela posse da Cidade Santa. “Trabalho para o futuro da nação judia”, proclama sem titubear. Os cristãos palestinos denunciam essa política aplicada de judaização de Jerusalém. Árabes, muçulmanos e cristãos de Jerusalém viram a maneira pela qual, pouco a pouco, as casas situadas nas ruelas da Cidade Velha que levam ao Templo foram mudando de proprietário.

A batalha imobiliária é uma corrida contra o relógio. Para retomar as negociações de paz, além das fronteiras de 1967, do fim da colonização e do retorno dos refugiados, a Autoridade Palestina reivindica como condição que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro Estado Palestino. Políticas de Estado, municipais e agentes privados participam dessa corrida. Jerusalém é o território de um combate imobiliário em cujo interior se movem as sombras da geopolítica.

Tradução de Katarina Peixoto.

Conselho de Segurança da ONU inicia debate sobre reconhecimento de Estado palestino

Nesta segunda-feira (26/09) o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve realizar sua primeira sessão de consultas sobre o pedido de adesão dos palestinos à ONU, segundo anunciado na última sexta-feira pelo embaixador do Líbano, Nawaf Salam, que preside o Conselho em setembro. Os Estados Unidos, porém, deverão vetar o pedido dos palestinos.

O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmud Abbas, apresentou a demanda na sexta-feira e justificou o pedido num discurso na Assembleia Geral. “Submeti ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o pedido de admissão da Palestina com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, tendo Jerusalém como capital, e gozando do status de membro pleno das Nações Unidas”, disse Abbas durante seu discurso.

Para ser aprovada, a adesão da Palestina à ONU precisa receber nove votos favoráveis. A possibilidade de que um dos cinco membros permanentes da casa (EUA, Rússia, França, Reino Unido e China) use seu direito a veto contra a medida é dada como certa. Mesmo assim, os demais países presentes na Assembleia Geral das Nações Unidas ainda podem elevar o status da Palestina de “entidade observadora sem direito a voto” para “estado observador permanente”.

Na sexta-feira, Mustafa Barghouti, porta-voz da candidatura palestina à ONU, ressaltou a importância da apresentação do pedido diretamente ao Conselho de Segurança, em vez da Assembleia Geral, para “deixar exposto aos EUA” e mostrar ao mundo sua “verdadeira face”.

Prazo

Normalmente, o conselho não levaria mais do que 35 dias para analisar e avaliar um pedido de adesão. Em julho, a aplicação do Sudão do Sul, o país mais recente a aderir ao organismo, foi aprovado em questão de dias e entregue à Assembleia Geral, que confirmou a solicitação.

Diplomatas dizem, porém, que este não será o caso da aplicação palestino já que o limite de 35 dias pode ser facilmente dispensado. Retardar o processo, dizem eles, seria útil para que os EUA, a União Europeia, Rússia e Nações Unidas – conhecido como o “Quarteto” – coloquem pressão em ambos os lados para voltar à mesa de negociações.

Dilma na ONU: Crise do capitalismo mundial passa por questões econômicas e gestão política

A presidenta Dilma faz sua estreia na abertura da Assembleia Geral da ONU

Ao discursar na abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a presidenta DilmaRousseff disse que a crise global é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política. Dilma destacou que, se a situação não for contida, pode se transformar em uma ruptura sem precedentes. Primeira mulher a discursar na abertura da assembleia da ONU, Dilma defendeu a necessidade de esforços de integração das nações para a superação da crise e retomada do crescimento.

Não haverá retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificaram os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e das demais instituições multilaterais como o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial – afirmou.

Para ela, “a ONU e essas organizações precisam emitir com máxima urgência sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica”. Dilma acrescentou que o Brasil está apto a ajudar os países em desenvolvimento e que é preciso lutar contra o desemprego no mundo.

Questão palestina

Ainda durante seu discurso, a presidenta Dilma lamentou não ter a Palestina entre os países participantes da reunião. Ao cumprimentar os representantes do Sudão do Sul, país que pela primeira vez participa do encontro multilateral, Dilma lamentou a ausência da nação palestina.

O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nessa assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título – afirmou.

A menção de Dilma à Palestina foi aplaudida pelos que participam da reunião. O Brasil já considera oficialmente a existência do Estado palestino desde dezembro do ano passado, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem de reconhecimento à Autoridade Nacional Palestina (ANP). O ingresso da ANP na ONU é um dos pontos polêmicos dessa reunião. A proposta encaminhada pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas, que tem o apoio da maioria dos países-membros, pede que a ONU reconheça o Estado palestino, segundo as fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967.

Os governos dos Estados Unidos e de Israel já se manifestaram contra a proposta. O governo de Israel informou que não aceita a exigência da ANP, que quer a divisão da cidade de Jerusalém. Segundo os israelenses, a capital religiosa de Israel é indivisível e não há possibilidade de mudar essa posição. O governo dos Estados Unidos antecipou que votará contra o pedido de Abbas, pois é favorável à busca por acordo e consenso. O tema deve ser submetido à votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para ser aprovado, o pedido tem de contar com nove votos favoráveis, de um total de 15. Dilma ressaltou que o reconhecimento é primordial para a busca da paz na região.

O reconhecimento é um direito legítimo do povo palestino à soberania, e a autodeterminação amplia a possibilidade de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional – acrescentou.

A convivência pacífica entre judeus e palestinos no Brasil foi dada como exemplo pela presidenta Dilma.

Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia como deve ser – destacou.

O dia em que a Palestina derrotou os EUA

Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, e Barack Obama em encontro nesta quarta-feira na sede da ONU, em Nova York

Na ausência explícita do primeiro presidente negro dos EUA, advogado ativista dos direitos civis, eleito, entre outras coisas, para recuperar a moral mundial, Obama compareceu na ONU como vergonha. Na postura evasiva e envergonhada do homem mais poderoso do mundo está a vitóriapalestina.

Entre a presença de Dilma Rousseff na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU e a ausência de Barack Obama, explícita no discurso do presidente dos EUA, abriu-se um flanco. Faltou Obama no discurso de um presidente enfraquecido e na defensiva, refém de interlocutores ausentes (Bin Laden e o Hamas). E Dilma Rousseff esteve lá, inteira, com a sua história, os seus compromissos e uma agenda clara. Ela não tem, perante o mundo, do que se envergonhar. E o presidente dos EUA tem tanto do que se envergonhar que se envergonhou, nas palavras, na cabeça baixa, na postura de quem fala no que não acredita e defende a posição dos seus adversários. Nesta vergonha de Obama está a vitória palestina. Na ausência explícita do primeiro presidente negro, advogado ativista dos direitos civis, eleito, entre outras coisas, para recuperar a moral mundial, Obama compareceu como vergonha. Mas é preciso que se diga, de novo: na postura evasiva e derrotada do homem mais poderoso do mundo está a vitória palestina.

É verdade que, de um ponto de vista realista, o movimento da OLP tem pela frente muitas fronteiras a serem desfeitas, refeitas e estabelecidas. Dentre os árabes e palestinos há pelo menos os seguintes problemas, na proposta capitaneada por Abbas: o aparente escanteio dos refugiados palestinos, o pouco ou nenhum debate relativo a compensações dos direitos destes; há também questões em aberto sobre o estatuto jurídico e a competência da OLP em se converter ela mesma em Estado, há o Hamas, que já se retirou da proposta, porque o movimento da OLP não comporta uma recusa da existência do estado de Israel e há também a histórica hipocrisia de muitos dos países árabes, frente ao povo palestino, que costuma deixa-los à própria sorte (não é demais lembrar que Assad mandou bombardear um campo de refugiados palestinos, na Síria, há menos de um mês). Na relação com Israel e os israelenses, o problema é antes de tudo de fronteiras e tudo indica que este confronto, com o reconhecimento do estado palestino, na Assembleia Geral da ONU, ganhará um estatuto político mais claro na comunidade internacional.

Dilma lembrou algo importante, que serve de pista para entender a enrascada israelense perante a comunidade internacional, daqui para a frente: “O mundo sofre hoje as dolorosas consequências das intervenções, possibilitando a infiltração do terrorismo, onde ele não existia. Muito se fala da responsabilidade de proteger, pouco se fala da responsabilidade ao proteger”. Esta afirmação traduz com muita propriedade também a relação dos EUA com sucessivos governos israelenses, mesmo quando estes seguem violando o direito internacional. À parte a percepção de que Obama sabe bem da responsabilidade que seu país tem pela consequências sobre os palestinos de suas decisões e omissões, o que de fato sobressai é que o governo israelense foi exposto formalmente hoje como adversário de uma vontade reconhecida da comunidade internacional. Isso significa, entre outras coisas, que as violações pesarão mais, que construir assentamentos se tornará mais caro politicamente, que a defesa da retomada do processo de paz não ficará mais tão facilmente refém do ardil da “falta de interlocutores” ou da não negociação com terroristas.

Os passos dados pela OLP foram desde o começo de natureza diplomática, política, voltada à negociação. Por mais que o Hamas tenha fustigado, apesar das diatribes verbais do presidente do Irã, com a iminência de um atrito maior entre Egito e Israel, que poderia vir a fortalecer o Hamas, pois bem, apesar de tudo isso, Abbas seguiu obstinado a via da negociação com a comunidade internacional.

E Israel, agora, não pode mais dizer que não tem interlocutor na região, porque todos querem destruí-lo e não o reconhecem. Este passo foi dado, já, inclusive por Israel. O país é uma realidade e, fora da retórica oportunista do Hamas e do Hezbollah, ninguém questiona a legitimidade e o direito de Israel a existir, como país soberano e autodeterminado e membro da comunidade internacional. É nota característica da vitória palestina hoje a exposição de que o Hamas e o Hezbollah só são interlocutores da intolerância, da falta de respeito e do desprezo ao direito, ao estado de direito e ao direito internacional. Numa palavra, a exposição de que o interlocutor do Hamas é Avigdor Lieberman.

Resta saber se Israel pretende ser reconhecido se não reconhece. Se pretende prosseguir na mais longa ocupação militar moderna ou se está disposto a ser um estado respeitável na comunidade internacional. Hoje, estas considerações se tornaram muito mais acessíveis ao imaginário e à percepção das pessoas, frente ao movimento palestino, à celebração nas ruas da Palestina. E ao acontecimento a um só tempo luminoso e vergonhoso, na Assembleia da ONU.

Obama disse e repetiu o truísmo de que a paz é uma coisa difícil. Disse a verdade para iludir e, de tanto saber o que estava fazendo, envergonhou-se antes de dizer não aos palestinos. O presidente dos EUA entrou em campanha pela reeleição e parece cada vez mais cativo dos seus adversários, inclusive dos adversários internos, do seu partido. Em 19 de maio deste ano, falou em defesa das fronteiras de 67 e hoje balbuciou como um boneco de ventríloquo. Quem é o ventríloquo de Obama, pouco importa, agora. Dizer que é Avigdor Lieberman, ou Netanyahu é mentir. O ventríloquo de Obama é o medo e a derrota. Essas coisas que tornaram a sua presença hoje na ONU uma retumbante ausência e uma vergonha. A paz assim não é difícil, mas impossível.

A possibilidade de paz existe, é difícil mesmo, tornou-se mais complexa e talvez mais produtiva exatamente porque avança para o campo do direito, invertendo a prática da região. Na direção oposta à prevalência do fato consumado da construção e do muro de anexação dos territórios palestinos, o movimento da OLP, que teve seu ponto alto ou o fim de seu primeiro ato hoje, na Assembleia Geral, visa a estabelecer as condições de possibilidade de um estado palestino de fato. É verdade que o fundamento do estado, em boa teoria, é uma regra de reconhecimento que institui o fundamento último do direito. Também é verdade que o Estado não é uma obra de arte, mas um produto histórico. É verdade que os cínicos fizeram e seguem fazendo pouco caso dos palestinos, como se dizendo que os palestinos e Abbas estão desejando e imaginando que amanhã a ocupação tenha cessado (sim, todo cínico é um ingênuo arrogante).

Um ex-embaixador israelense disse que essa questão do reconhecimento do estado palestino virou uma coletiva de imprensa, quando deveria ser tratada de maneira discreta, em segredo. Talvez ele defenda isso para que as coisas continuassem como eram, com os israelenses fingindo que negociavam e bancando a expansão ilegal. Talvez seja só desdém, mesmo. Só que hoje, isso finalmente pouco importa: os palestinos derrotaram os EUA. E daqui para a frente, apesar dos pesares, do quão difícil venha a ser a paz, isso além de ser verdadeiro, permanecerá verdadeiro. Hoje, as desculpas cínicas entoadas por diplomatas entre meia dúzia de representantes no Conselho de Segurança foram substituídas por uma fala pública, envergonhada e embaraçosa do homem mais poderoso do mundo, perante os palestinos.

Poucas, muito poucas vezes na história a verdade irrompe a conjuntura para ser enunciada como aquilo que é: a norma de si mesma. Hoje foi um dia assim, e por isso Obama sentiu vergonha, por isso Dilma brilhou. E por isso os palestinos venceram.

Escrito por Katarina Peixoto,  doutoranda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: katarinapeixoto@hotmail.com.