Detentos do Paraná estão fazendo enfeites de Natal

Presos de três penitenciárias do Paraná – Foz do Iguaçu, Londrina e Maringá – já estão produzindo enfeites de Natal. O trabalho garante remissão de penas, cestas básicas e pecúlio mensal. Em Foz, o projeto Um Natal Brilhante começou na penitenciária industrial com a confecção de enfeites que serão distribuídos entre espaços municipais e pontos turísticos da cidade.

A prisão instalou um canteiro de trabalho de reciclagem, onde os presos transformam garrafas PET, arrecadadas em escolas municipais, em objetos variados. “A colaboração dos alunos está superando as expectativas. Cerca de oito mil garrafas estão sendo recicladas por dia”, afirmou o vice-diretor da penitenciária, Alexandre Calixto.

O trabalho tem a participação de 120 internos, que confeccionam bolas com luminárias, árvores em balão e fios iluminados para ruas e avenidas. São 30 presos que trabalham por turno, totalizando 24 horas por dia. Cada dupla realiza uma atividade diferente, entre reciclagem, corte, recorte e armação. Para compor a decoração natalina, estão previstos ainda velas e pacotes de presentes gigantes, confeccionados com latões e contêineres.

O objetivo é que se comece a colocação dos enfeites na primeira semana de dezembro. Todos os internos que estão trabalhando nas atividades têm benefícios, entre remissão de pena, cesta básica e pecúlio mensal. Entre os que participam, 60 recebem pecúlio e remissão e os outros 60 ganham cesta básica e remissão de pena. A divisão foi feita pela própria unidade que conseguiu as cestas básicas da prefeitura municipal. “Essa é a contribuição que posso dar para que Foz tenha um Natal bonito e ainda estou ajudando a minha família”, afirmou o interno A..D.L , que não quis se identificar.

Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), as atividades de Natal também já foram iniciadas. Lá uma parte dos enfeites está sendo produzida com materiais recicláveis e a outra com materiais não-recicláveis, como CDs utilizados para declaração do imposto de renda, doados pela Receita Federal. A idéia de utilizar CDs foi dos alunos do curso de Desenho Industrial da Unopar, porque não precisam de iluminação artificial, o que reduz o consumo de energia nesta época do ano.

Oportunidade

As técnicas foram repassadas aos internos que montam os enfeites, mais de mil sinos e pombas já estão prontos para serem colocados nas rotatórias e avenidas de Londrina, dando oportunidade de trabalho a 80 internos.

A representante da Associação Comercial, Cláudia Prochet, que coordena o projeto na penitenciária, afirmou que a atividade é muito bem aceita pelos detentos. “Os internos têm muita facilidade em aprender trabalhos manuais e estão felizes de colaborar.”

Na penitenciária de Maringá, os presos estão montando um presépio em tamanho natural. Ao todo, são 15 peças que irão enfeitar o pátio da unidade. Painéis natalinos e apresentações teatrais também fazem parte da programação de dezembro da unidade.

Para o secretário da Segurança, José Tavares, são atividades como essas que estimulam a reinserção social dos detentos, melhorando sua auto-estima com a conseqüência legal da redução da pena através do trabalho. “É importante que os presos participem do espírito natalino. As atividades ajudam muito no tratamento de ressocialização dos presos”, disse Tavares.

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Presos fazem enfeites de Natal com garrafas plásticas

Os presos da Colônia Penal Agrícola (CPA), em Piraquara, são os responsáveis pela decoração de Natal da Secretaria de Estado da Justiça e de mais três empresas em Curitiba. As mãos que um dia se juntaram para praticar algum delito se uniram para transformar garrafas de plástico em arte. São pinheiros, guirlandas, velas e outros enfeites. O espetáculo fica mais bonito à noite, quando as luzes das garrafas se acendem, refletindo o desejo dos presos de uma vida nova. A decoração foi inaugurada ontem.

O projeto foi criado pelo mímico Everton Ferre. Desde junho, ele realiza espetáculos em Curitiba e Região Metropolitana para arrecadar as 300 mil garrafas. “Ao mesmo tempo em que levamos arte para as regiões carentes, conseguimos as garrafas”, conta. O material foi para a CPA e lá se transformou em enfeites natalinos.

Antônio Silva de Souza, 27 anos, começou a participar do projeto em novembro. “O material que a gente cortou se transformou em lindas flores e enfeites”, se empolga. Foi na prisão que ele teve o primeiro contato com o artesanato e nas horas de folga começou a fazer enfeites para vender e arrecadar um dinheiro extra. Ele faz canetas, pulseiras e bonecas. “Quem se interessa, compra”, revela. Quando sair da CPA, Antônio quer uma vida melhor, arranjar um bom emprego e não pensa em abandonar o artesanato.

Paulo Roberto Rocha, 42 anos, também participou do projeto. É a primeira vez que a sua mão lida com arte tão delicada para enfeitar o Natal. “O trabalho ficou bom, muito bonito”, comemora. No entanto, os presos ainda não tiveram a oportunidade de ver como a decoração ficou. Durante o dia, o que chama a atenção dos visitantes na Secretaria da Justiça é a árvore de quase três metros de altura, no salão de entrada. Mas à noite, o espetáculo fica completo, com as luzes acesas, que se refletem nas guirlandas e velas em todas as janelas da fachada do prédio.

Dez presos estiveram envolvidos na atividade e receberão um salário mínimo de recompensa. Além disso, a cada três dias de trabalho reduzem um dia de pena. Ano que vem, Ferre quer ampliar o número de detentos envolvidos. “Para isso precisamos aumentar os pedidos”, fala. Ele espera atrair a atenção de pelo menos mais trinta empresários e da Prefeitura.

O mímico Ferre começou a enfeitar o Natal com garrafas em 2000, na cidade de Medianeira, Oeste do Estado. Foram usadas 35 mil garrafas para decorar o município, que recebeu cerca de 100 mil visitantes. Depois foi a vez das cidades de Foz do Iguaçu e Gramado (RS) aderirem à idéia. “Além de deixar a cidade mais bonita, também ajuda a preservar o meio ambiente”, comenta.