Extrema-direita reivindica ataque contra a Porta dos Fundos

Porta dos Fundos

Esta quinta-feira, um grupo de extrema-direita reivindicou a autoria de um ataque terrorista contra a sede da Porta dos Fundos, ocorrido na véspera de Natal, no Rio de Janeiro.

Tem circulado pela Internet um vídeo em que os alegados autores do ato de terrorismo dizem pertencer ao Comando da Indulgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira. No vídeo em questão, três pessoas mascaradas e com vozes distorcidas assumem o ataque.

“Nós, do Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira, reivindicamos a ação direta revolucionária que buscou justiçar os anseios de todo o povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica que o grupo de militantes marxistas culturais Porta dos Fundos tomou quando produziu o seu Especial de Natal”, afirmaram os supostos autores do atentado num vídeo online.

No dia 24 de dezembro, a sede da Porta dos Fundos foi alvo de um atentado terrorista. A produtora, que afirma não ter havido vítimas, já condenou publicamente “todos os atos de violência” e afirmou esperar que “os responsáveis por este ataque sejam encontrados e punidos”.

Fábio Porchat, ator da Porta dos Fundos, já reagiu ao ataque, afirmando que a liberdade de expressão da produtora não se calará perante este ato.

O ato de terrorismo foi filmado pelas câmaras de vigilância. As imagens já foram entregues às autoridades e o secretário estadual de Polícia Civil, de acordo com o jornal O Globo, irá receber esta quinta-feira os atores da Porta dos Fundos.

No início de dezembro, a produtora lançou um especial de Natal na Netflix. Intitulado “A primeira tentação de Cristo”, representa Jesus como tendo vivido uma experiência homossexual. Após a divulgação do vídeo, milhares de fanáticos religiosos, através de um abaixo-assinado, tentaram suprimir a liberdade artística da produtora.

O grupo que reivindicou o ataque terrorista é uma corrente política criada pela Ação Integralista Brasileira (AIB), caracterizada pelo ultranacionalismo e pela defesa de valores conservadores e tradicionalistas católicos de extrema-direita. Surgiu na década de 1930, inspirada no fascismo italiano.

Fonte: Esquerda