100 coisas que todo candidato deveria saber sobre eleições na internet

100 coisas que todo candidato deveria saber sobre eleições na internet from Marcelo Vitorino

Desde 2002 estive envolvido em campanhas políticas, primeiro com as tradicionais, atuando na mobilização ou em conjunto com as equipes de estratégia. A partir de 2008 passei a integrar times digitais, onde minha estreia nesse segmento foi com a campanha de Gilberto Kassab para a prefeitura de São Paulo.

De lá para cá, treinei profissionais, planejei ações e coordenei equipes em todas as esferas (legislativo e executivo), bem como, angariei experiência  com campanhas para todos os cargos eletivos (presidente, governador, senador, deputado, prefeito e vereador). Nestes anos acompanhei a dificuldade que boa parte dos candidatos tem quando querem usar a internet para angariar votos. A falta de visão sobre as possibilidades e a de profissionais capacitados para o trabalho são os principais problemas.

É preciso entender o ambiente digital, o comportamento do usuário conectado, as ferramentas que podem ser utilizadas, as oportunidades e os perigos que a rede oferece para uma eleição. A conclusão que cheguei é que o melhor caminho para mudar esse quadro seria a disseminação de conhecimento e não há momento mais oportuno para essa ação.

O resultado de tudo isso é um e-book recheado de dicas, números e conceitos que todo candidato deveria saber sobre eleições na internet. As dez primeiras páginas estão logo acima.

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As campanhas eleitorais já começaram na internet

eleições 2014

A corrida eleitoral já começou a dar mostras de que será a mais quente dos últimos anos. Ao que tudo indica teremos cinco candidatos à presidência: Dilma, Aécio, Serra, Eduardo Campos e Marina Silva. Sera? Não acredito! Mas eu voto na Dilma e no PMDB. A internet deverá ser palco de boa parte da disputa por votos.

Há uns meses, Marcelo Vitorino (editor do blog Presença Online, um espaço centralizador de ideias e conceitos sobre a construção de uma boa presença em ambiente digital e temas relacionados) foi entrevistado pela Agência Estado sobre o tema e falou sobre militância virtual, guerrilha, ferramentas, redes sociais e tendências para 2014. A matéria foi reproduzida em alguns veículos, mas se você tiver interesse no tema, pode encontrar também no blog da Presença Online. eu li, recebo a sua news e resolvi blogar, sem autorização.

As manifestações de junho, a primavera árabe e o Occupy Wall Street são alguns exemplos de como as redes sociais mudaram o processo de participação política. Em eleição, o potencial de crescimento da internet no Brasil é imenso, mas o avanço acontecerá mais lentamente do que seria possível por causa do conservadorismo de marqueteiros.

Essa é a avaliação do estrategista de comunicação digital Marcelo Vitorino, que atuou na campanha vitoriosa de Gilberto Kassab (PSD) à Prefeitura de São Paulo, em 2008, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço da Agência Estado.

Ao falar da importância das redes sociais numa campanha política, o estrategista acredita que o pleito presidencial do ano que vem deverá ser na base do vale-tudo na web: “(A campanha presidencial) deverá ser a mais suja de todos os tempos na internet.”. Por essa razão, Vitorino ressalta que aumenta a importância da internet neste processo.

“Nem sempre é a campanha que apela, às vezes o militante acha que está ajudando e apela. Por isso é necessário treinar o militante e este treinamento começa agora”, conta o especialista, que já está trabalhando para pré-candidatos a governos estaduais e negocia com presidenciáveis.

Sobre a avaliação de que há um conservadorismo nos marqueteiros de campanha, o estrategista explica que geralmente este profissional não é um entusiasta da internet. “Os grandes marqueteiros ainda têm dificuldade com os canais digitais”, reitera.

Por conta da descrença e do temor dos marqueteiros, cada vez mais poderosos nas grandes campanhas, Vitorino aposta que as maiores inovações devem acontecer em eleições minoritárias.

Para o próximo ano, a grande aposta será o trabalho com aplicativos vinculados às redes sociais, o primeiro passo para a criação de discursos segmentados de acordo com cada fatia do eleitorado.

“Quando você cria uma página no Facebook e ganha um ‘like’ (gostei), você não tem acesso aos dados de quem curte. Com essas ferramentas, as campanhas podem captar os dados e o trabalho de inteligência fica muito maior”, conta Vitorino, que já atuou também na área digital nas campanhas de Orestes Quércia, José Serra (2010) e Netinho de Paula (2012).

Segundo o estrategista, com os dados em mãos, abre-se um novo mundo para que os partidos explorem seu eleitorado, conheça o perfil e o que interessa ou incomoda o usuário. “É possível saber a tendência de consumo de informação do público, idade, região que mora, do que gosta. É o caminho para a segmentação de conteúdo, que é uma tendência para essa campanha eleitoral”.

A internet é também um território de ataques, muitas vezes anônimos, mas capaz de causar estragos aos candidatos. Vitorino diz que pretende apostar nas chamadas “vacinas” e em treinamento de militantes.

As vacinas são vídeos ou textos abordando pontos polêmicos da trajetória do candidato, seja na vida pessoal ou sobre sua posição sobre algum assunto polêmico. Antes que o ataque tome grandes proporções, a campanha está preparada para respondê-lo.

Em 2012 eu já havia escrito sobre os custos de uma campanha eleitoral digital em contraponto com os baixos orçamentos e visões de curto prazo dos marqueteiros. Também publiquei um estudo de caso da campanha de Orestes Quércia, que teve o planejamento como eixo principal do trabalho.