Ele não, ele nunca

Ele não

Como é possível que se digam seguidores de Jesus Cristo e de Bolsonaro ao mesmo tempo? Como é possível que em nome dos valores cristãos votem em um candidato que trata Carlos Alberto Brilhante Ustra como herói?

Será que é possível ver em um torturador como Ustra os valores de Jesus? Será que são mandamentos de Jesus Cristro enfiar insetos no ânus e na vagina de mulheres Será preceito de Jesus Cristo torturar gestantes e crianças? O “pau-de-arara” e o choque elétrico são instrumentos de Jesus? Será o espancamento e o afogamento os métodos de salvação de Jesus? O estupro de homens e mulheres nos porões do DOI-CODI são sinais da salvação? #EleNão!

Ele não

Aproveitado a postagem…

Desrespeitam nossas famílias e ainda querem governar esse país… desajustado aqui só seu discurso preconceituoso que não representa a diversidade de lares do Brasil! Assista ao vídeo em que o descontrolado do vice de Bolsonaro disse num encontro com a corja dele.

 

[Filme] Batismo de Sangue

São Paulo, fim dos anos 60. O convento dos frades dominicanos torna-se uma trincheira de resistência à ditadura militar que governa o Brasil. Movidos por ideais cristãos, os freis Tito (Caio Blat), Betto (Daniel de Oliveira), Oswaldo (Ângelo Antônio), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves) passam a apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado por Carlos Marighella (Marku Ribas). Eles logo passam a ser vigiados pela polícia e posteriormente são presos, passando por terríveis torturas.

Crítica do Câmera Lenta

A produção nacional “Batismo de Sangue”, dirigida e escrita por Helvécio Ratton, em parceria com Dani Patarra, é mais uma dentre tantas obras que descrevem o período mais crítico da política brasileira, a Ditadura Militar.

Uma salva de palmas para Ratton que, ao contrário de Bruno Barreto no adorado “O que é isso, companheiro?”, não se manteve em cima do muro, não humanizou carrascos militares, nem demonizou revolucionários de esquerda. O diretor e roteirista colocou cada personagem em seu respectivo lugar.

Quem estudou sobre a história da Ditadura Militar no Brasil, sabe que os padres tiveram grande participação na luta em favor da democracia, liberdade e direitos civis. E o filme de Ratton, sob um olhar macroscópico, mostra isso. Conta a história mais conhecida do envolvimento de padres contra os militares naquele período. A razão de o fato ser tão famoso, é o livro homônimo de Frei Betto, lançado em 1983 e ganhador do prêmio Jabuti.

Betto, também jornalista, escreveu do que viveu ao lado de Frei Tito e os frades dominicanos Oswaldo, Fernando e Ivo, em São Paulo.

Comovidos com tantas notícias de violência contra os jovens por parte dos militares, e motivados por ideais de cristianismo e democracia, os frades decidem se unir ao grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, liderado por Carlos Marighella, o revolucionário mais procurado pela Ditadura à época.

Na busca por Marighella, os padres acabam pegos e torturados por militares comandados pelo delegado Sérgio Fleury, um dos piores carrascos do Regime. Frei Tito, cujo olhar norteia o andamento do filme, consegue ser liberto. No entanto, fica severamente perturbado após as sessões de tortura nos porões do Dops. Mesmo exilado na França, as memórias das violências sofridas no Brasil o atormentam.

Um longa-metragem altamente informativo, sem perder a humanidade. Uma brilhante atuação de Caio Blat, como o protagonista Frei Tito. Daniel de Oliveira encarna o narrador, Betto. O filme levou para casa os prêmios de melhor diretor e melhor fotografia no Festival de Cinema de Brasília.

Ficha técnica

Corte interamericana condena Brasil por não investigar morte de Vladimir Herzog

Vladimir Herzog

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou, na quarta-feira (4), o Estado brasileiro pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog durante a ditadura militar. A decisão foi proferida mais de quatro décadas após a sua morte.

Vladimir Herzog foi assassinado em 1975 após ter sido interrogado sobre o vínculo dele com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a ditadura.

A Corte concluiu que “o Estado violou o direito das vítimas de conhecer a verdade, porque não esclareceu judicialmente os fatos violatórios do presente caso e não determinou as responsabilidades individuais respectivas em relação à tortura e ao assassinato de Vladimir Herzog, por meio da investigação e do julgamento desses fatos na jurisdição ordinária.

Ademais, constatou que foram transcorridos vários anos desde que o Brasil reconheceu a competência contenciosa da Corte [em 10 de dezembro de 1998], sem que a verdade dos fatos conste oficialmente. A isso se somou a negativa do Exército de fornecer informação e de dar acesso aos arquivos militares da época dos fatos.

Em sua sentença, a Corte considerou que o” Estado é responsável pela violação do direito de conhecer a verdade” e “pela violação do direito à integridade pessoal de Zora Herzog, Clarice Herzog, Ivo Herzog e André Herzog”, respectivamente mãe, mulher e filhos de Herzog, e ordenou a adoção de diversas medidas de reparação.

Ao final, a Corte determinou que o Estado reinicie a investigação e o processo penal para identificar, processar e punir os responsáveis pela tortura e morte de Herzog. Também foi estabelecida a realização de um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional pelos fatos do presente caso, em desagravo à memória de Vladimir Herzog.

A Corte também ordenou a indenização por danos morais e materiais à família e afirmou que vai supervisionar o cumprimento integral da sentença. Veja a sentença.

Em nota, o Instituto Vladimir Herzog comemorou a decisão. Confira a íntegra:

O Instituto Vladimir Herzog (IVH) celebra, neste dia histórico, a sentença rigorosa e justa divulgada hoje pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que condena o Estado brasileiro pela falta de investigação, de julgamento e de punição dos responsáveis pela tortura e pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

A decisão da Corte, extremamente importante para a luta de Memória, Verdade e Justiça no Brasil, reconhece o caráter de crime de lesa-humanidade no assassinato de Vlado, o que o torna um crime imprescritível.

Cabe ao Estado brasileiro assumir a sua responsabilidade e dar seguimento às medidas de reparação ordenadas pela CIDH, especialmente a retomada da investigação e do processo penal acerca dos fatos ocorridos em 25 de outubro de 1975.

E cabe à sociedade civil cobrar com urgência do Supremo Tribunal Federal (STF) a reinterpretação da Lei de Anistia, confirmando a decisão da Corte de que não é aceitável a impunidade a torturadores e assassinos a serviço do Estado.

A coragem e dedicação da família Herzog, especialmente na figura de Clarice Herzog, que por mais de 40 anos lutou em busca de Justiça para o caso, são fundamentais para esta conquista. A busca incansável por manter viva a história de Vlado transformou – e continua transformando – a história de nosso país.

Hoje o Instituto Vladimir Herzog carrega com orgulho a grande responsabilidade de cuidar de sua memória e de levar adiante os valores defendidos por Vlado. O IVH continua em sua luta para que a Justiça seja alcançada e para que todos os casos de graves violações de Direitos Humanos sejam investigados e punidos.

É um processo imprescindível para que possamos virar esta página sombria de nossa história, que continua a se repetir nas mortes e torturas ainda hoje praticadas por agentes do Estado.

Relembre o caso

Vladimir Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura quando foi convocado pelo Exército para prestar depoimento sobre as ligações com o PCB, partido contrário ao regime militar e que nunca defendeu a luta armada.

Em outubro de 1975, o jornalista compareceu ao prédio do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) e nunca mais foi visto com vida.

Na época o Exército afirmou que o jornalista teria se enforcado com um cinto, o que logo provou-se ser uma mentira. Vladimir Herzog foi torturado e assassinado por militares.

Portal Imprensa

Filme colaborativo retrata os anos de chumbo no Brasil em 50 olhares

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Um Golpe, 50 Olhares. Este é o nome do filme que reúne 50 vídeos de um minuto de duração produzidos por realizadores de diferentes lugares do Brasil. A produção colaborativa busca retratar o olhar da sociedade brasileira sobre os anos de chumbo no Brasil passados 50 anos do golpe civil militar. Nesta quarta-feira (1), se completam 51 anos. O resultado é um painel de reflexões sobre o período e seu legado negativo para o país.

O projeto é fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, por meio do edital Marcas da Memória, e organizado pela ONG Criar Brasil – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio. De acordo com Marcia Vales, coordenadora do projeto, foram 97 inscritos com depoimentos, entrevistas e animações. O resultado final foi lançado na última segunda-feira (30) no Rio de Janeiro.

A iniciativa foi uma oportunidade para os brasileiros revelarem em um minuto seu olhar sobre a ditadura, especialmente sobre as violações aos direitos humanos fundamentais ocorridas neste período, que deixaram marcas profundas na sociedade, e as suas consequências atuais.

Para Marcia, é muito importante que num momento em que parte da população vai às ruas pedir a volta da ditadura o assunto seja levantado para que todos possam entender o que aconteceu naqueles anos. A coordenadora acredita que as pessoas precisam entender todas as violações de direitos sofridas para que isto nunca mais se repita.

A fonte é da Agência Pulsar

Sinopse

Um Golpe, 50 Olhares é uma produção colaborativa, que busca retratar o olhar da sociedade brasileira sobre os anos de chumbo no Brasil passados 50 anos de golpe civil militar. Para tanto, reúne 50 vídeos de 1 minuto de duração produzidos por realizadores de diferentes estados do país. O resultado é um painel de reflexões diversas sobre o período da ditadura e seu legado negativo para a sociedade brasileira.

O projeto é fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, através do Projeto Marcas da Memória, e organizado pela ONG CRIAR BRASIL – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio.

TVs interessadas em receber o material em HD devem entrar em contato pelo email: 50olhares@criarbrasil.org.br.

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1964: História do Regime Militar Brasileiro

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Em tempos que a sociedade clama pela volta dos militares ao poder e a alta da aclamação por mais um golpe de Estado promovidos pelos coxinhas de 5 estrelas, nada melhor que estudar sobre o assunto, antes que seja tarde. Confira a nova publicação da Editora Contexto.

Exatos cinquenta anos atrás, o Brasil mergulhou em uma ditadura que iria perdurar por mais de duas décadas. É chegado o momento de fazer um balanço histórico do regime militar. Marcos Napolitano, conhecido historiador da USP, discute neste livro sólido e bem escrito as principais questões desses “anos de chumbo”.

A ditadura durou muito graças ao apoio da sociedade civil, anestesiada pelo “milagre” econômico? Foi Geisel, com a ajuda de Golbery, o pai da abertura, ou foi a sociedade quem derrubou os militares do poder? Como era o dia a dia das pessoas durante o regime militar? Como a cultura aflorou naquele momento? O que aconteceu com a oposição e como ela se reergueu? Qual a reação da sociedade (e do governo) à tortura e ao “desaparecimento” de presos políticos?

Obra de historiador, livro obrigatório para quem quer compreender o Brasil, uma síntese brilhante.

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1964: História do Regime Militar Brasileiro

1964: História do Regime Militar Brasileiro Dialison Cleber Vitti, Dialison Cleber, Dialison Vitti, Dialison, Cleber Vitti, Vitti, #DialisonCleberVitti, @dcvitti, dcvitti, Ilhota, #blogdodcvitti,Exatos cinquenta anos atrás, o Brasil mergulhou em uma ditadura que iria perdurar por mais de duas décadas. É chegado o momento de fazer um balanço histórico do regime militar. Marcos Napolitano, conhecido historiador da USP, discute neste livro sólido e bem escrito as principais questões desses “anos de chumbo”.

A ditadura durou muito graças ao apoio da sociedade civil, anestesiada pelo “milagre” econômico? Foi Geisel, com a ajuda de Golbery, o pai da abertura, ou foi a sociedade quem derrubou os militares do poder? Como era o dia a dia das pessoas durante o regime militar? Como a cultura aflorou naquele momento? O que aconteceu com a oposição e como ela se reergueu? Qual a reação da sociedade (e do governo) à tortura e ao “desaparecimento” de presos políticos?

A Editora Contexto apresenta 1964: História do Regime Militar Brasileiro, de Marcos Napolitano, da USP – um livro obrigatório para quem quer compreender o Brasil. Uma síntese brilhante. A obra já está disponível, aproveite!

Há 91 anos nascia Leonel Brizola

Leonel Brizola, uma das maiores lideranças políticas do nosso país, antes, durante e depois da ditadura. Brizola liderou a Campanha da Legalidade bancando João Goulart como presidente, quando da primeira tentativa de afastá-lo do poder, e durante a ditadura foi exilado, só retornando anos depois quando fundou junto com seus colegas o PDT. Como governador do Rio de Janeiro, enfrentou e peitou poderosos tais como a Rede Globo (como podemos ver no vídeo acima) e deixou exemplo a outros políticos por não ter o “rabo preso”. Candidatou-se à presidência da república logo depois, e por pouca diferença não foi para o segundo turno contra Collor. O trem da história havia passado. Sua chance de ser presidente havia sido desperdiçada pelos golpistas e fascistas de 1964.

Brizola na Globo. Cid Moreira era a voz do dono, a voz de Roberto Marinho. Leonel Brizola ganhou na Justiça direito de resposta no “Jornal Nacional” – para responder às perseguições da Globo. Cid leu o texto de Brizola. Momento histórico na TV brasileira.

Brasil pode ter sido mais decisivo que EUA nos golpes latino-americanos

O ditador brasileiro Emílio Garrastazu Médici e o presidente dos EUA Richard Nixon

Documentos ultrassecretos provam que a ditadura brasileira chegou a exportar técnicas de tortura à militares da região.

O Brasil pode ter tido um papel mais importante que os EUA nas ditaduras latino-americanas, embora a articulação estreita entre Brasília e Washington para perseguir militantes de esquerda nos anos 60 e 70 seja ainda quase desconhecida para a história oficial.

A missão de desvendar os meandros dessa cooperação e o verdadeiro papel que militares e civis brasileiros desempenharam em ditaduras como as do Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia caberá à recém-instaurada Comissão da Verdade, diz o pesquisador norte-americano Peter Kornbluh em entrevista ao Opera Mundi.

Segundo Kornbluh – que esteve em maio em Brasília para reunir-se com membros da Comissão –, existem papéis ultrassecretos que provam que o Brasil exportou técnicas de tortura para os países vizinhos, além de fornecer respaldo político, ajuda financeira e suporte material para ditadores militares da região.

Nós sabemos, por exemplo, que o presidente (brasileiro Emílio Garrastazu) Médici e o presidente (dos EUA Richard) Nixon mantiveram um canal de comunicação ultrassecreto sobre a intervenção brasileira no Chile e, possivelmente, em outros países do Cone Sul no início dos anos 70”, diz Kornbluh, que é diretor dos Arquivos da Segurança Nacional. A organização de Washington, fundada em 1985, é especializada no requerimento, interpretação e publicação de documentos secretos norte-americanos liberados para consulta pública sobre os golpes na América Latina.

Documentos secretos obtidos pela organização de Kornbluh em agosto de 2009 revelam a cooperação estreita entre Nixon e Médici. Num dos memorandos revelados, o presidente norte-americano diz a seu colega brasileiro: “espero que possamos ter uma colaboração estreita, uma vez que há muitas coisas que o Brasil pode fazer, como país sul-americano, e nós, dos EUA, não podemos. A relação entre ambos era tão importante, diz a análise feita na época pela National Secutiry Archives, que ambos estabeleceram um canal privilegiado de contato, “como forma de manter a comunicação direta sem usar os canais diplomáticos formais”.

Médici tinha como canal seu assessor direto, o chanceler Gibson Barbosa, mas “para assuntos extremamente privados e delicados”, indicou o coronel Manso Netto. Do lado norte-americano, o contato era Henry Kissinger, conselheiro e confidente de Nixon. Toda a comunicação estabelecida por meio desse canal secreto permanece desconhecida.

Kornbluh começou a lidar com arquivos secretos na década de 60, quando investigou papéis do governo norte-americano sobre a crise dos mísseis em Cuba. Na época, a então União Soviética transportou para a ilha mísseis capazes de alcançar o território dos EUA em plena Guerra Fria. Kornbluh também mergulhou em arquivos do episódio que ficou conhecido como Irã Contras quando, em 1986, durante o mandato do então presidente Ronal Regan, figurões da CIA foram flagrados traficando armas para o Teerã, mesmo com o regime sob embargo. Ele publicou dois livros sobre o tema, além de um terceiro, mais tarde, sobre a ditadura no Chile, que recebeu do jornal americano Los Angeles Times a classificação de “livro do ano” de 1998.

O pesquisador norte-americano é figurinha fácil em programas de reportagem investigativa como o 60 Minutes, da rede CBS, e congêneres da CNN. Sua informações e análises sobre o papel dos EUA são conhecidas, mas o envolvimento com os arquivos brasileiros será algo novo, que pode revelar detalhes ainda desconhecidos – e desagradáveis – sobre o real papel brasileiro na história latino-americana.

Acusação direta

Em maio, o Opera Mundi publicou reportagem especial na qual fontes brasileiras e chilenas acusam a Embaixada do Brasil em Santiago do Chile de ter sediado as reuniões prévias ao golpe liderado pelo general Augusto Pinochet, além de ter facilitado o envio da primeira linha de crédito à ditadura chilena por empresários brasileiros, no valor US$ 100 milhões.

“O único brasileiro presente na noite em que a Junta Militar chilena prestou juramento, no dia 11 de setembro (dia do golpe), foi o então embaixador do Brasil no Chile (Antônio Cândido da Câmara Canto), em cuja residência foram feitas as reuniões-chave para que Pinochet se juntasse ao golpe”, disse a jornalista e escritora chilena Mónica Gonzalez, autora do livro La Conjura – Os Mil e Um Dias do Golpe.

“Empresários de São Paulo financiaram o grupo de ultra-direita Patria y Libertad que perpetrou atividades terroristas para desestabilizar o governo [de Salvador] Allende. Torturadores brasileiros vieram ao Chile após o golpe para ensinar técnicas de tortura, interrogar e levar de volta ao Brasil ativistas brasileiros exilados no Chile”, completou um dos assessores diretos de Allende, o atual diretor do PNUD (Programa da ONU para o Desenvolvimento), Heraldo Muñoz.

Para Kornbluh, declarações como as de Mónica e Muñoz podem ser provadas por documentos ainda desconhecidos. O pesquisador é um grande conhecedor do poder de certos papéis empoeirados. Em 1998, quando o democrata Bill Clinton era presidente, ele conseguiu a liberação de 24 mil documentos secretos da CIA, do Departamento de Defesa, do Departamento de Estado, do Conselho de Segurança Nacional e do FBI sobre a participação dos EUA no golpe de 11 de setembro de 1973, no Chile. Pouco tempo depois, Kornbluh aplicou o mesmo modelo de busca para o caso argentino, onde conseguiu acesso a mais de 5 mil informações até então reservadas da ditadura militar.

“A ironia poética do envolvimento dos EUA na América Latina é que isso criou um rico acervo que pôde ser usado para revelar quais violações dos direitos humanos foram cometidas no passado e quem as cometeu. Esperamos conseguir informações semelhantes no Brasil nos próximos meses”, disse.

Jogo duro

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto, em BrasíliaKornbluh diz que um dos obstáculos ao trabalho da Comissão da Verdade no Brasil ainda é a relutância das fontes militares em liberar papéis, por exemplo, sobre a Guerrilha do Araguaia – movimento de resistência armada à ditadura que foi aniquilado pelo Exército Brasileiro em seguidas investidas, entre 1972 e 1975, na região norte.

Os documentos relativos à operação nunca foram revelados pelos militares, mesmo depois da condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em dezembro de 2010, pela “detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de 70 pessoas, entre membros do Partido Comunista do Brasil e camponeses da região” do Araguaia. Eles dizem que os papéis foram todos destruídos.

Kornbluh diz que o argumento é comum e já foi usado em outras ditaduras da região. “Na Guatemala, a Comissão transformou num assunto o fato de os militares negarem informações, esconderem documentos. A publicidade disso fez com que alguns militares guatemaltecos dessem passos significantes adiante, liberando mais documentos sobre o papel do alto comando nas atrocidades massivas”, conta. “A Comissão de Verdade do Brasil deveria ser agressiva na busca por registros militares e, se os militares não cooperarem, deveria então estar preparada para dar publicidade geral, responsabilizando os que obstruírem os registros desta história negra”.

A sugestão foi, aparentemente, feita por Kornbluh aos membros da Comissão da Verdade no Brasil, embora o pesquisador tenha se negado a dar detalhes sobre o encontro realizado em Brasília, em junho.

Comissão da OEA investigará morte do jornalista Vladimir Herzog

Vladimir Herzog

Processo investigará razões pelas quais Brasil não puniu agentes responsáveis pelo assassinato sob tortura.

A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) confirmou nesta quinta-feira (28/03) que iniciou oficialmente umprocesso que investigará da morte do jornalista brasileiro Vladimir Herzog.

A entidade, órgão pertencente à OEA (Organização dos Estados Americanos) aceitou denúncia contra o Estado Brasileiro, apresentada pelo Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), pela FIDDH (Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos), pelo Grupo Tortura Nunca Mais – São Paulo, e pelo Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo. As organizações estão emparceria com a Fundação Vladimir Herzog.

De acordo com a denúncia, o “Estado brasileiro não cumpriu seu dever de investigar, processar” e punir os responsáveis pela morte de Herzog. O país terá dois meses para se defender. Caso a Comissão considere as explicações insuficientes, levará o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, instância na qual o país poderá ser condenado.

Em dezembro de 2010, o país foi considerado culpado por violações de direitos humanos durante a repressão do regime ditatorial contra a guerrilha do Araguaia.

Mensagem

Em nota, o Instituto Vladimir Herzog afirmou que a notificação “é uma clara mensagem da Comissão Interamericana ao Supremo Tribunal Federal de que novos casos sobre a dívida histórica seguirão sendo analisados pelos órgãos do sistema interamericano (Comissão e Corte Interamericanas de Direitos Humanos) na expectativa de que o Poder Judiciário se antecipe e cumpra a atribuição que lhe compete de fazer o controle de convencionalidade, adequando as decisões judiciais internas à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, e consequentemente realize a justiça conforme as obrigações internacionais que o Estado brasileiro se comprometeu de boa-fé”.

A ONG lembra que a jurisprudência da Corte Interamericana determina ser “inadmissíveis as disposições de anistia, prescrição e o estabelecimento de excludentes de responsabilidade, que pretendam impedir a investigação e punição dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos, como a tortura, as execuções sumárias, extrajudiciais ou arbitrárias, e os desaparecimentos forçados”.

Conforme a denúncia enviada à OEA, a morte de Herzog foi apresentada à família e à sociedade como um suicídio. As organizações consideram a notificação ao País como “uma clara mensagem” da Comissão Interamericana ao Supremo Tribunal Federal (STF) de que novos casos sobre a dívida histórica seguirão sendo analisados pelos órgãos do sistema interamericano.

O caso

Em 25 de outubro de 1975, o jornalista atendeu a uma convocação para prestar esclarecimentos a respeito de supostas relações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro, então em ilegalidade) e compareceu à sede do DOI/CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), órgão de repressão do regime ditatorial.

Na mesma tarde, ele foi encontrado “enforcado” com sua própria gravata. Na versão sustentada pelo regime, a causa oficial de sua morte foi suicídio, porém, seis testemunhas afirmam que seu depoimento foi realizado em sessões de tortura, onde teria morrido após uma série de espacamentos.